Repentino
9 Vai ficar tudo bem
Notas iniciais
–O passado do Joy.- assim que diz isso se levanta e vai em direção a saida do restaurante.
Viro em direção ao John, ele a olhava com raiva, Yuki vira antes de sair e manda um beijinho pro “Joy”, o ruivo se senta no cadeira onde antes eu estava sentado.
–Você tá bem ?
–Sim, sim eu to. -Sento na sua frente.
–Então pode ir me dizendo quem é ela.
–Vamos pra casa ?
Eu não tive coragem de negar isso a ele, nos levantamos, pagamos a conta( porque a vaca é tão pão dura que nem isso fez antes de sair ) e fomos pra casa, assim que a gente entrou na sala o John se deitou no sofá e ficou olhando pro teto, me deito do seu lado.
–Eu não acredito que ela teve coragem de chegar perto de você. — fiquei quieto, ele parecia muito abalado.- você queria saber a verdade ? Então lá vai . . .
~~~~~~~~~~0 flashback 0~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
–O almoço tá pronto !!! — papai gritou, eu e minha irmã paramos de brincar imediatamente e fomos correndo para a mesa, afinal hoje é o aniversário da mamãe e eu to louco pra comer o bolo !!!
Chegamos na mesa e . . .
–Uauuuuuuuuuu!!!! — o almoço hoje era só doce !!! Torta de maça, balas de minhoquinha, bolo de doce de leite com chocolate, ambrosia, a única coisa que não era doce era as panquecas com calda, acho que de certa forma eram doces.
Papai e mamãe olharam para os nós.
–A gente sabia que vocês iam gostar. — mamãe disse.
Começamos a comer feito loucos, era difícil achar aqueles doces no Japão.
A gente se mudou pro Japão há muito tempo, eu tinha só quatro aninhos! A gente morava nos Estados Unidos, na califórnia, sempre era quente, ahh que saudade, nós nos mudamos porque o papai recebeu uma proposta de emprego então viemos pra cá.
–Aiii – minha irmã monstra me beliscou bem no braço.
–Porque você fez isso ? — falei meio emburrado.
–Porque você tá deixando a panqueca cair no chão !!! — ela sempre é boba comigo, só porque é mais velha acha que manda em mim.
Terminamos o almoço e todos foram pra sala ver o filme preferido da mamãe, Titanic, eu sempre dormia no inicio e só acordava quando o barco gigante tava afundando, nunca vi graça naquele filme.
Alguém tocou a campainha, eu e minha irmã saímos correndo pre ver quem ia abrir a porta mas mamãe nos parou quando a gente ainda tava no corredor e papai foi abrir a porta.
–Vocês sabem que não podem abrir a porta pra ninguém, crianças. — mamãe disse calma.
Papai olhou pelo buraquinho de vidro que tinha na porta e se assustou, olhou pra mamãe nervoso.
–É ele . — mamãe jogou imediatamente eu e a maninha no armário e disse.
–Não saiam dai, vai ficar tudo bem.- ela olhou para a minha irmã e disse.- Anne feche os seus olhos e tape os do seu irmãozinho. — ela fechou o armário e de repente a porta da casa abriu num estrondo.
Eu nunca pensei que diria isso mas, mamãe mentiu pra gente, as coisas não vão ficar bem.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~0flashback0~~~~~~~~~~~
–John . . . — começo mais não sei como continuar, era realmente horrível.
–Calma Rin, a historia tá a recém no inicio.
Eu me assustei quando ele disse isso, como assim tava no inicio ? Quanto o John havia sofrido ? Realmente me senti ridículo, eu não valorizava nem um pouco tudo que eu tinha.
–Depois de alguns anos eu descobri que o homem que matou meus pais era um agiota, e que minha família havia se mudado da califórnia para fugir dele.- ele deu uma pequena pausa.- vamos continuar . . .
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~0flashback0~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Acabamos de chegar no tal orfanato, os guardas desceram nossas malas e as levaram até nossos novos quartos, a diretora daquele lugar disse para eu e a minha irmã o “explorarmos” , resumindo, a gente é tão insignificante pra ela que nem mostrar o lugar ela mostra.
Poxa, o pessoal daqui era muito estranho, todos nos olhavam como se nós fossemos giz de cera novos na aula de artes.
Mas eu tava nem ai pra eles, eu só queria saber o que ia ser de mim e da Anne daqui pra frente.
BLOM.
Alguém esbarrou em mim e me fez cair, eu não tava num bom dia, vou acaba puxando o cabelo desse palhaço.
–Olha por onde anda, tampinha!!! — o cara devia ter uns quinze anos.
–A culpa não é minha se você é cego. — eu tinha escutado isso num filme, o garoto levantou o pulso pra me bater.
–Calma, calma meu irmão, é teu ultimo mês aqui, quer ferrar tudo batendo nesse garoto ? — um garoto de pele escura se meteu no meio de mim e do idiota.
–Odeio dizer, mas você tem razão – o garoto se virou e foi embora.
O outro garoto se virou pra gente.
–Meu nome é Yamato, e eu vou ajuda-lo.
Ok, essa rima foi horrível.
O garoto me ajudou a levantar, ele não devia ter mais que uns nove anos, olho pro seu lado onde tem uma garota com os fios escuros e a pele pálida, o garoto percebe pra onde eu estou olhando.
–A essa é a Yuki, eu ajudo ela desde quando chegou aqui, ela é muito tímida.
Acho que seremos bons amigos.
~~~~~~~~~~~~~~~0flashback0~~~~~~~~~~~~
–tímida ? — pergunto perplexo.
–Ela mudou muito, mas continuando com a historia, nós quatro nos tornamos amigos inseparáveis, nos tínhamos até o apelido de quarteto fantástico, nos mandávamos naquele orfanato . . .
~~~~~~~~~~~~~~0flashback0~~~~~~~~~~~~
–E ai Joy ? Você acha que esse vestido fica bem em mim ? — pergunta Yuki, ela tava com um vestido azul bem curto.
–Ficou ótimo. — não acredito que to aqui de novo.
Eu e meus amigos descobrimos a alguns meses uma abertura no orfanato, uma antiga porta que ninguém cuidava, e desde que descobrimos isso a Yuki tem fugido pra fazer compras com não sei que dinheiro, minha irmã adorava vir mas eu e o Yamato preferíamos qualquer outra coisa, e porque eu e ele não saiamos dali ? Porque da última vez que as garotas vieram comprar roupas sozinhas foram assaltadas na rua, desde então elas nos obrigam a acompanha-las.
–Você tá mentindo! Você disse a mesma coisa dos últimos cinco vestidos! — disse a Yuki com cara de braba.
–Você ficou bem em todos os cinco. — essa é a minha resposta politicamente correta.
Ela virou pro espelho.
–O que você mais gostou nesse vestido, Yamato ?
–A cintura, ficou bem marcada. — Filho da puta, essa era a minha resposta, sempre que uma garota pergunta algo do tipo os garotos, pra não parecerem tarados tem que pensar numa resposta que não envolva peitos, bunda, ou cochas, e eu sempre respondia cintura.
–E você John ? Não vale dizer cintura também. — fodeu.
Que sabe? vou dizer a verdade.
–O comprimento, que mostra TUDO. — sinto que a minha irmã quer me matar.
A Yuki joga uns três casacos encima de mim.
–JOHN!!!
sim ? Esse é o meu nome
–você é muito tarado pra alguém de apenas quatorze anos.- Yuki diz.
–E você tem muito corpo pra alguém de treze.
–JOHN!!! — dessa vez foi a minha irmã, que já estava saindo da loja.
–Onde você vai ? — pergunto.
–Vou trabalhar, ou você esqueceu que eu só consegui permanecer no orfanato por que comecei a trabalhar la ?
Já tinha até me esquecido, o orfanato poem pra fora todos com mais de quinze anos, não importa se você vai ficar na rua, mas minha irmã, pra ficar perto de mim, fez um trato, ela ia trabalhar lá de graça mas em troca eles iam dar abrigo e comida pra ela.
–Tchau então né.
–Tchau.
Passamos mais algumas horas na loja, depois eu e a Yuki voltamos para o orfanato, o Yamato, como já tem mais de quinze anos, não mora mais com a gente, ele tem uma casa, pequena mas é uma casa e assim que eu fizer quinze vou morar com ele, minha irmã vai trabalhar mais um ano no orfanato pra ficar com a Yuki, depois todos nós vamos morar juntos, não sei como o cara se sustenta, afinal é menor de idade, mas sempre que eu pergunto ele diz que eu vou descobrir assim que eu me mudar, o que ia ser dali a três dias.
–Ué, a porta tá aberta ?-Yuki disse, realmente era estranho, ninguém sabia a existência dessa porta além da gente.
–Talvez a gente tenha deixado a porta aberta – falei, eu era meio desastrado, posso muito bem ter esquecido a porta aberta, entramos, assim que vi o que me esperava tive vontade de sair correndo.
–Di di diretora . . . — disse Yuki.
–Como vocês ousam fugir assim tão descaradamente ?- ela pegou a madeira mais próxima e bateu em nossas pernas, como sempre fazia. — se vocês fugirem de novo eu não vou bater só nas suas pernas, agora vão para os seus quartos.
Yuki foi pra direita e eu pra esquerda, minhas pernas estavam sangrando e como se isso não fosse suficiente estavam cheias de felpas, tomei um banho pensando que isso faria o sangramento parar, mais não fez.
Droga, vou ter que ir na enfirmaria.
Na verdade não era bem uma enfermaria, eu chamava assim mas era apenas uma peça com alguns remédios e bandagens sem ninguém para cuidar.
Fui até lá, tirei as felpas e coloquei as bandagens nas minhas pernas, eu já estava andando de volta pro quarto quando vejo que a luz do quarto da minha irmã tá acesa.
Acho melhor dar uma olhadinha no que tá acontecendo e conversar com ela.
Cheguei na frente do quarto e quando estava prestes a abrir a porta escuto a voz da diretora.
–Você tem que cuidar desse garoto!!! — descido olhar pela janela o que estava acontecendo.
E tive que me conter pra não entrar e dar uma surra naquela potra de meia guadra.
A minha irmã tava ajoelhada sobre milho, que já tava vermelho de sangue, a diretora levantou a mão e bateu na nela.
–Eu já lhe disse que tudo que eu fizer com aquele garoto vou fazer três vezes pior com você, só pra você apender que tem que educar aquele idiota!!! — a diretora saio do quarto e eu entrei logo em seguida vendo minha irmã deitada na cama olhando os joelhos ensanguentados.
–Desde quando você é castigada pelos meus atos ? — ela toma um susto quando me vê – DESDE QUANDO !?!
–desde que eu comecei a trabalhar aqui. — ela disse pegando umas bandagens de baixo da cama, era impressão minha ou ela tava bêbada?
–MAS JÁ FAZ QUATRO ANOS QUE VOCÊ TRABALHA AQUI !!!
Ela fez uma cara triste, não acredito que ela sofreu tanto por mim, não da pra acreditar!!! E ainda por cima ela sofre em silêncio, todas as vezes que a vi machucada me vieram na cabeça, ela sempre dizia que tinha se machucado no trabalho, que era desastrada, como eu fui idiota, ela sempre foi muito habilidosa com tudo, me sentei na cama, não era possível, eu tinha que fazer aquilo acabar.
Tive uma ideia.
–Faça as malas.
–Que ? — ela pergunta.
–Vamos embora.
–E a Yuki ?
–Ela vai entender.
–Eles vão dar falta de você.
–Eu não vou deixar você sofrer mais. — disse abrindo aporta do quarto.
–Me encontre no beco aqui perto, se você não for eu vou fugir sozinho. — sai do quarto e fechei a porta.
Corri pro meu quarto, joguei tudo que eu tinha, o que não era muita coisa, dentro de uma mochila e fui em direção ao quarto das garotas onde a Yuki estava, entrei no quarto, todas as garotas estavam dormindo, fui até a cama da minha amiga e a acordei.
–John, o que você faz aqui ?
–Eu só vim de despedir de você, eu e a Anne vamos fugir. — ela me olhou apavorada, eu sentei na cama.
–Eu vou junto.
–Não, não vai não, eu ia sair da qui depois de amanhã, mas você tem mais um ano a enfrentar aqui, eles vão ir atrás de você.
–Então isso é um adeus ? — ela pergunta.
–Não, isso é um até logo.- falei.
Ela pâs as mãos no meu rosto e me beijou.
–Só não esqueça que eu te amo, tá ?
Me levantei e sai do quarto, eu estava muito feliz, finalmente minha vida tava entrando nos trilhos, eu ia viver uma vida nova ! Eu e minha irmã íamos morar com o Yamato, ela provavelmente ia arrumar um outro emprego e eu ia a forçar a voltar a estudar, a Yuki iria sair dali a mais ou menos oito meses ,ia fazer quinze e eu ia a buscar no orfanato, talvez a pedir em namoro, eu sempre gostei dela só não sabia se ela gostava de mim e como hoje ela se declarou, eu tenho certeza que ela vai adorar namorar comigo, minha vida tá melhorando.
Saio do orfanato e vou em direção ao beco, assim que chego lá vejo um homem coberto de sangue saindo.
–A-Anne !!!
Saio correndo atropelando tudo e todos, ao chegar la tomo um susto, ela esta coberta de sangue, sua garganta esta cortada, chego perto dela e pego sua mão.
–Anne . . .
–John é você . — sua voz estava quase esta sumindo, eu começo a chorar, ela levanta a mão e põem no meu rosto.
–Tudo vai ficar bem. — a abraço colocando sua cabeça em meu pescoço, sentindo suas lagrimas quentes escorrendo.
Então percebo que ela disse a mesma coisa que a nossa mãe disse antes de morrer.
–Não, se você não estiver comigo nada vai ficar bem.- digo a afastando para olhar seu rosto quase sem cor.
Ela levanta uma de suas mãos e tira o colar que estava em seu pescoço.
Ah, eu me lembro daquele colar, como lembro, foi a ultima coisa que sobrou da nossa mãe.
Ela o pôs na minha mão.
–Enquanto você tiver esse colar eu estarei com você. — ela disse me mandando um ultimo sorriso.- John posso lhe fazer um pedido ?
–S-Sim- digo em meio a lagrimas.
–Siga em frente. — após dizer essa pequena fraze sua cor sumiu por completo me deixando desesperado.
–Anne- não ouve qualquer resposta. — ANNEEE
Nada de novo, eu não queria admitir o que avia acabado de acontecer, eu podia perder tudo menos a Anne, a única família que me restava.
“siga em frente”
A voz de Anne ressoou na minha cabeça, ela não ia querer me ver daquele jeito.
Fechei seus olhos e beijei sua testa como sinal de adeus, logo me levantei e coloquei o seu colar, limpei minhas lágrimas, afinal, eu tinha que seguir em frente.
Fale com o autor