República de Tigres
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Desde o término de Sean e Colin, uma semana se passou da maneira mais lenta possível para os dois apaixonados que terminaram de uma maneira que jamais alguém esperou. A nobreza do Colin e o amor sincero do Sean, a maturidade que os dois adquiriram durante todo esse tempo foram, sem dúvida, a prova de que ambos se completam. Mas por mais que os dois se amem, nem sempre significa poder estar junto.
Diante as propostas, Sean não conseguiu ver saída a não ser aceitar o que seu avô pediu, mas tudo isso, em honra ao ex-namorado que pediu para que ele fizesse o que é certo; Foi pelo pedido de Colin que ele aceitou não levar sua mãe ao fracasso e a garota grávida à ruína.
Colin sempre seria o grande homem de sua vida, seja por gerações e gerações.
Trajando um belo blazer azul marinho, seguido de uma camisa social branca, calça social da mesma cor do blazer e sapatos pretos, o moreno estava de pé com uma taça na mão, observando tudo.
Como era de se esperar, aquela família não brinca quando o assunto é dinheiro.
A festa do casamento está acontecendo no imenso jardim da família Ferazza. O altar de madeira, por exemplo, estava decorado em flores de magnólia branca e cortinas da mesma cor, ficava abaixo de uma árvore.
As mesas eram estavam espalhadas abaixo de uma tenda de vidro no teto, para que o céu azul continuasse a ser admirado, toda decorada com flores, vasos e cortinas. A piscina, por exemplo, tornou-se um mar de pétalas brancas, impedindo até de ver a água.
Todos os bancos, com capacidade para quatro pessoas, alinhados e bem posicionados perto do altar para assistir o casamento, eram brancas. A decoração continuava sendo com flores, traçando o caminho que a noiva ia passar.
O casamento acontecia à tarde, por isso a iluminação era foi preparada em todos os lugares da festa, inclusive lâmpadas em orbes brancas estavam penduradas nos galhos da árvore.
Sean via aquilo, mas o pensamento era todo voltado ao que já pensou quando estava ao lado do Colin. Não seria dessa forma, não teria tanta gente. Seu casamento, com o leonino, não teria toda essa elegância. Infelizmente não estavam mais juntos.
Ele abaixou a cabeça, mandou para longe esses pensamentos para não chorar mais uma vez. Precisava seguir.
— Não vai sentar? Já vai começar.
Larah tinha perguntado. Ela acabara de chegar ao seu lado.
Sean só olhou para ela como se sua presença fosse indesejável. Ele se afastou dela, seguindo para o banco preparado para ele, sua mãe e Larah. Tinha também um primo distante deles, mas Sean sequer o cumprimentou.
O moreno era o único a beber uma taça de champanhe. Ele pôs uma perna sobre a coxa e, lentamente, ia desfrutando da bebida.
— Para de beber! Não é o momento para isso. E por que você não cortou esse cabelo?
Sean não dizia uma palavra, para provocar ele colocou a mecha de cabelo que caia em seus olhos atrás da orelha, encarou a mão por longos segundos até que o som da trombeta ecoou no lugar, anunciando a entrada da noiva.
De tanta preocupação, Sean sequer se importou em cortar o cabelo. Não é que estava grandinho mesmo? Cobrindo as orelhas, mas ainda estava longe de tocar os ombros.
Ele ficou de pé como todos os outros, parecia aquela tia bêbada que não largava o copo de bebida.
Encarou Steven todo sorridente no altar e revirou os olhos. Prazer sentiria se fosse lá socar a cara dele. Há dias vinha recebendo piadas do primo sobre seu término, mas ficava calado, quieto e não revidava.
A noiva finalmente chegou até ele e o resto todos vocês já sabem. A cerimônia estava demorando e Sean estava impaciente, por isso, sem dar a mínima, se levantou, mas exatamente no momento em que o padre perguntou se alguém tinha algo contra.
Todos olharam para ele, Sean encarou todo mundo e começou a sair andando, até acenou para o seu avô.
O susto foi muito grande para todos que estavam ali, mas o padre tentou contornar a situação com uma frase que fez com que todos rissem.
Sean entrou na casa, se sentou no sofá e começou a mexer no celular, olhando as fotos do Colin que havia lá. O leonino praticamente usava o celular do tigre para fazer um book, já que amava a qualidade da câmera dele. Havia tantas fotos que o moreno ainda nem sequer tinha visto, fotos que inclusive ele aparecia, fotos tiradas sem que ele percebesse, e até foto dele dormindo com o Colin sorrindo ao seu lado.
Ah, que saudade. Uma semana e a dor no peito já atacava.
— Por que fez aquilo? — Charles perguntou. — Pra que querer chamar tanto a atenção? Você foi ridículo.
Sean o olhou de relance.
— Qual o seu problema? — Lorenzo apareceu de repente na sala.
— Nenhum. — disse finalmente alguma coisa.
— Você quase nos mata do coração. Quer mesmo arrumar confusão com o Steven? — Lorenzo, bravo, questionava.
— Acha mesmo que eu quero isso? — ele sorriu.
— Escuta aqui, seu garoto atrevido! — Lorenzo pegou Sean pelo colarinho, mas o moreno o empurrou, fazendo-o afastar. Surpreso com a resposta em ação, Lorenzo ficou de boca aberta.
— Pensa que eu sou aquele garotinho que você amava bater por qualquer coisa? Tenta agora.
— O que tá acontecendo aqui? — Cassandra surgiu. — Será que vocês vão brigar logo agora? Lorenzo! É o casamento do seu filho! Deixa o Sean em paz!
Bufando, o homem saiu da sala, pôs um sorriso falso no rosto no instante em que voltou ao jardim apenas para conversar com os convidados.
Cassandra encarou Sean por alguns segundos e também saiu, Charles foi o único a ficar.
— Você não deve descontar sua raiva logo aqui, no casamento do meu irmão, só porque não está mais com aquele garoto dos leões.
— Por que você pede tanto para apanhar?
— Por que você tem tanta certeza de que eu apanharia?
Sean somente sorriu, ia beber mais champanhe, mas percebeu que a taça estava vazia. Não dando mais atenção ao primo, ele se retirou e voltou ao jardim. A cerimônia já havia chegado ao fim, os noivos estavam tirando fotos.
Achando aquilo chato, Sean retornou para casa, na área onde os alimentos e bebidas estavam com os funcionários contratados. Calvin estava lá, sentado, apenas aguardando o momento em que fosse servir.
O moreno tigre pegou uma garrafa de champanhe e se serviu, olhou para Calvin e saiu. O leonino não tomou nenhuma atitude, preferiu ficar quieto e em seu lugar.
[...]
— E agora, o que vamos fazer?
Hugh perguntou a todos os colegas leoninos reunidos na sala, com exceção de Calvin que não estava presente naquele momento. Não bastassem os leoninos, Caine, Luke, Samuel, Edgar e Carter também estavam presentes.
Eles conversavam sem elevar muito o tom de voz. Desde a separação do Colin, foi estabelecido por Danion, nenhum grito. Deveriam ao máximo evitar barulhos, logo a república estava com um aspecto fúnebre.
— Só o Danion consegue entrar no quarto, ele não quer ver mais ninguém. — Ian falou. — E ele está muito mal.
— Alguém sabe porque ele e Sean terminaram? — Samuel quem perguntou.
Caine abaixou a cabeça na hora, mas logo olhou para o namorado que estava encostado à parede de braços cruzados.
— Caine sabe? — pegando no ar, Luke questionou. — Porque se o Sean fez alguma idiotice muito grande, eu mesmo vou lá bater nele.
— Eu vou com você. — Julius falou.
— Eu também. — Marcus disse no mesmo instante, mas se arrependeu. Julius e Marcus trocaram alguns olhares, mas logo evitaram o contato visual.
— Ok, acho que todos vocês precisam saber. Isso não vai ser segredo para ninguém depois.
— Dan... — Caine olhou para o namorado, achando que ele deveria refletir mais um pouco antes de contar.
— Eles merecem saber, Caine.
— Também acho que eles merecem saber. Afinal, é o líder deles que está trancafiado naquele quarto sem querer contato com ninguém.
Caine ainda não concordavam perfeitamente, mas também não foi contra a decisão dos dois.
— Ok, então quem vai contar? Eu tenho uma espingarda embaixo da cama caso queiram. — Carter tentou descontrair.
— O quê?! — Patrick o olhou de olhos arregalados.
— Brincadeira, brincadeira... — sorriu ele, apertando o leonino em seu braço.
— Égua, me solta, o momento é triste, não podemos ficar assim. — sussurrou.
Carter obedeceu.
— Quer contar, Edgar? — Danion perguntou ao loiro.
— Pode ser. Mas você sabe de mais detalhes que eu. Você foi o último a conversar com ele antes do término. Tudo o que sei é o que você me contou depois, mas ainda assim é melhor você explicar. Eu começo e você acrescenta.
— Ok.
Edgar antes fez uma pausa para organizar suas falas, planejando um meio de explicar tudo rapidamente.
— Tá bem, não falem alto e nem comentem com o Colin, certo? Mas o Sean vai ser pai.
— O quê?! — Patrick, Luke, Samuel e Ian falaram ao mesmo tempo.
— Égua, ‘cê tá falando sério? — Carter questionou.
— Ele traiu o Colin?! — Luke até se levantou. — Esse filho da puta tá na república? Eu vou enchê-lo de porrada, tô falando sério. Caralho!
— Calma, Luke. Tenha calma. Ninguém sabe se realmente foi uma traição. — Caine interveio.
— Como não? — Hugh perguntou. — Se o Sean vai ser pai, ele então transou com uma garota e namorava o Colin.
— Sim, isso é só uma hipótese. E parte disso, Luke, você tem culpa. — Danion, sem papas na língua, falou.
— Eu?! Como eu tenho culpa?
— Ele não tem culpa, Danion. — Edgar interrompeu a fala do amigo que já ia responder. — Mas Danion quis dizer que se você não brigasse com o Sean no aniversário do Colin, nada disso teria acontecido.
— Ou teria. — Caine falou.
— Teria? — Edgar ficou surpreso.
— Gente, dá pra um só explicar? Eu tô começando a ficar confuso. — Patrick, estressado, falou.
— Ok, tá. Vamos lá. — Edgar aprumou-se. — No aniversário do Colin, Sean e Luke brigaram. Isso fez com que os dois ficassem separados durante todo resto da festa, mas acontece que no dia seguinte, Sean diz que acordou com uma garota ao lado dele e que essa garota alega ter transado com ele.
— Viu? Filho da puta! Eu vou matar esse garoto. — Luke interrompeu.
— Fica quieto e escuta! — interrompeu o Samuel.
— O problema, Luke, é que o Sean diz não se lembrar de nada. Ele nem fazia ideia de quem era a garota. Colin nos disse que ele jura de pés juntos que não aconteceu nada, mas também admite não se lembrar de nada.
— É por isso que eu acho que não importa a briga, essa garota teria feito isso em outra ocasião. — Caine se posicionou. — Como pode uma garota surgir do nada e logo em seguida causar toda essa confusão?
— Está defendendo o Sean? — Luke perguntou ao Caine.
— Não! Mas não faz sentido, gente!
— Mas o Sean não lembra de nada e logo vocês confirmaram que ele vai ser pai. Então... será mesmo que ele não se lembra ou ele usou essa desculpa para não admitir a cagada que fez? Ele brigou com o Colin na festa, significa então que ele pode ter agido por impulso. — Samuel também se posicionou.
— Eu concordo com o Samuel. — Luke falou. — Eu iria ficar com uma pulga atrás da orelha.
— Eu tento entender o lado daquele filho da puta do Sean, até tentei fazer o Colin não tomar conclusões precipitadas. Mas ele fez muita merda mentindo para o Colin. — Danion falou um pouco entristecido.
— Então ele traiu o Colin! — Julius disse.
— Será mesmo gente? — Patrick disse. — Eles namoram têm anos, Sean não iria colocar tudo a perder assim. Por mais que ele cague e ande para a gente, todos nós sabemos que ele se preocupa muito com o Colin.
— Tenho que concordar... — Marcus falou.
— Mas eles terminaram por isso mesmo? — Samuel perguntou.
— Sim, mas não foi a única coisa que aconteceu. Sean vai ter que casar. Colin esteve presente quando isso foi anunciado.
— Caralho... — Luke, puto da vida, resmungou.
E Danion encerrou por aí, guardando os demais detalhes em respeito ao Colin. Afinal, contar sobre a gravidez e a suposta traição era algo que todos saberiam, mas Colin implorou numa conversa, que Danion nunca contasse a alguém o porque de ter escolhido terminar com o Sean.
— Pensem bem nas acusações de vocês. — Ian advertiu.
— Não importa, Sean o traiu! — Luke começou a andar de um lado para o outro.
A traição era uma coisa que mexia muito com ele.
— Não podemos acusar assim. — Caine interveio no mesmo instante. — Vocês pelo menos entenderam o que eu disse? Alguém conhece uma garota chamada Larah?
Todos negaram.
— Viu? E ela é da Quadra. Então tem alguma coisa errada nisso aí. Sean pode ter sido abusado. Eu acompanhei o relacionamento do Colin de perto, e uma coisa é certa: Sean o ama demais, o ama tanto que chega a transbordar. Colin até se surpreende com tanto amor.
— Mas Caine, o Sean é o Sean!
— Vocês são praticamente rivais, é lógico que você ficará contra ele. — continuou defendendo o líder dos águias.
— É o seu melhor amigo que está lá naquele quarto chorando! — Luke apontou para a porta de cima em um tom de grosseria.
— Luke! — Danion o advertiu imediatamente. — Você tá com merda na cabeça pra falar com ele assim?
— Calma, Luke. Entendemos o seu ponto de vista, mas não devemos julgar assim. — Ian tentou acalmá-lo.
Samuel puxou o moreno para o seu lado. Melhor era mantê-lo calmo a vê-lo perder a cabeça.
— Alguém aqui acha que foi traição? — Julius questionou quando o silêncio se instalou.
Luke, Samuel, por incrível que pareça o Danion também levantou a mão, Hugh, Julius e Pietro levantaram a mão.
Ian, Connor, Edgar, Caine, Patrick, Carter e Marcus não levantaram.
— Eu não levantei porque eu não sei. — Connor falou. — Não sei o que achar.
— Eu não levantei porque a cabrita não levantou. — Carter foi super sincero no que disse, mas acabou levando um beliscão acompanhado de um sorriso quase imperceptível do namorado.
— Então a maioria acha que foi traição. — Luke disse. — É a resposta mais sensata a se ter.
— Sua raiva pelo Sean o deixa cego. — Caine falou.
Incrivelmente ele estava irritado.
— Raiva do Sean? Eu? Eu só o acho um babaca.
— Claro que é raiva, Luke. Você tem raiva dele desde a primeira vez que brigaram. Raiva porque segundo meu irmão, você apanhou dele e nunca pôde exatamente ter uma revanche.
— O quê?! — Luke quase saltou junto ao grito que deu. — O que foi que seu irmão disse?
— É isso mesmo que você ouviu. Você ama fazê-los brigar, você se sente vitorioso vendo o Sean perdendo a cabeça. Por isso você vive o tempo todo querendo brigar com ele.
— Danion, cala a boca do seu namorado. Olha as merdas que ele tá dizendo. É muito engraçado você defender o Sean quando é seu melhor amigo que está lá em cima chorando a beça por ser traído.
Caine ouviu aquilo, segurou o choro, ficou de pé e saiu da república dos leoninos, dirigindo-se para a sua.
De costas, depois de ver Caine sair, Luke não estava preparado para o soco que iria receber, mas muitas vozes gritaram pelo nome do branquelo e quando o moreno se virou o viu preso nos braços de Julius e Marcus.
— Seu filho da puta! Maldito! Desgraçado! Seu arrombado do caralho! Filho da puta! Eu vou te matar!
Marcus e Julius eram fortes, mas estava sendo difícil manter aquele corpo agitado, bradando aos montes, sobre seus braços.
— Samuel. — Edgar chamou o nome do loiro e logo ele captou.
Samuel pegou Luke pelo braço e o arrastou para fora da república, mas isso não fez com que Danion calasse a boca. Logo ele, que instaurou uma ordem, estava quebrando-a na frente de todos.
— Me larga, eu vou atrás do meu namorado. — pedia enquanto encarava os garotos que o segurava.
Após ser largado, Danion saiu deixando um rastro de insulto.
— Eu vou fazer aquele filho da puta ser expulso.
[...]
E estavam todos lá, sorridentes. A mesa posta para a família principal, a de destaque: os Ferazzas.
Dois fotógrafos foram contratados especificamente para tirar fotos espontâneas daquela mesa que parecia um modelo de família perfeita. Todos arrumados, mulheres com penteados diferentes e homens trajando blazers caríssimos.
E sem dúvida, todos os olhares estavam atentos ali. Para encher o saco, alguns convidados aparecia para cumprimentar Enrico e Magnólia, respectivamente o patriarca e a matriarca daquela família. Podia-se dizer que mais da metade daqueles convidados, uns 75% trabalhavam na área médica, os demais eram parentes dos convidados.
Enquanto todos estavam felizes, sorridentes, conversando pelos cotovelos, Sean e Larah eram os únicos quietos, em silêncio. Ele porque não queria, ela porque era alguém que ninguém valorizava, visto que sua presença só era aceita por ser a futura mulher do moreno e por carregar no ventre o mais novo Ferazza.
— Sean! — Cassandra gritou para o sobrinho. — A foto!
Foi quando Sean percebeu que havia uma câmera apontada para ele. Suzana empurrou Larah para que ela se encostasse a ele. A garota sorriu, Sean, como de costume, permaneceu com o semblante pleno.
Sean chamou o fotógrafo com um gesto de mão e sussurrou em seu ouvido:
— Evite tirar fotos minhas.
Sem poder contestar, o fotógrafo somente concordou.
Quando terminou de falar, Sean encostou-se novamente na cadeira. Começou a analisar rosto por rosto, cada um, presentes e sentado ao redor daquela mesa; avós, tios, primos, colegas da família, parentes que só tinha visto na infância, mas em geral pessoas que só aparecem nessas datas importantes.
Seu avô olhou para ele e sorriu, erguendo a taça como se fizesse um brinde. Sean retribuiu o sorriso cinicamente, fez o mesmo gesto e bebeu do champanhe.
Charles, sentado bem distante do primo, conseguia já perceber que seu primo estava alterado, afinal, ele bebia antes mesmo da cerimônia começar. Medo tinha de que ele, em algum momento, pudesse falar algo a respeito das marcas que um dia esteve em seu pescoço quando transou com Calvin a primeira vez, ou até mesmo pudesse expor o Brandon que estava namorando o Kai. Sean tinha os dois na palma de sua mão... E a sinceridade de um bêbado chega a ser comparável a de uma criança.
Enquanto encarava seu primo, Charles não percebeu que a pessoa que estava servindo champanhe nas taças, era nada mais, nada menos, que Calvin. O coração bateu muito forte no instante em que aqueles olhos azuis encontraram os seus olhos verdes.
Charles engoliu em seco quando o leonino aproximou-se do seu avô.
Enrico também estava distraído, conversando com Magnólia, quando seus olhos bateram naqueles olhos azuis de Calvin e, por alguns segundos, ele jurou reconhecê-lo. Os olhos azuis eram tão poderosos que pareceu levá-lo há décadas atrás. Era familiar.
Calvin sorriu simpaticamente, sendo educado, mas Enrico engoliu em seco e manteve uma postura ignorante, logo Calvin nem se demorou mais e passou a servir os demais.
Charles ficou inquieto quando o leonino estava aproximando-se, prestes a servi-lo. Por que ele parecia tão sexy naquele traje todo cinza? Era um traje para todos os garçons, mas Calvin era o único a parecer tão desejável, tão... Fogo! O corpo de Charles ardeu em desejo rapidamente.
— Me deixa beijar você lá dentro. — sussurrou o leonino.
Charles moveu o cotovelo e consequentemente atingiu o abdômen dele, fazendo com que ele quase tenha derrubado a bandeja com a bebida.
Charles olhou ao redor para saber se alguém tinha percebido algo, mas todos seguiam com suas conversas sem sequer prestar atenção nele. No entanto, lá estava Sean, percebendo tudo.
Calvin se afastou da mesa e seguiu exatamente para dentro de casa, deixando Charles com os nervos a flor da pele de tão excitado que ficou. Seu corpo tremeu todo, arrepiou-se.
— Já volto. — disse se levantando. — Vou ao banheiro.
Dito isso, ele afastou-se da família.
Só fez o garoto se afastar e lá estavam os noivos, que passou por diversas mesas cumprimentando os convidados e, finalmente, chegaram à mesa dos Ferazzas. Foram tantos os “parabéns” e “felicidades” ditos naquele lugar que Sean estava começando a ficar enojado. Foi o único a não se levantar, mantendo os olhos em um ponto específico na mesa enquanto esfregava o polegar na taça.
Os cliques nas máquinas de fotográficas eram mais altos que a própria música que os violinos tocavam. Sean suspirou, como aquilo era chato. Chato até demais.
— Atenção, atenção aqui! — Enrico pediu. Imediatamente as vozes foram cessando até que se fizesse silêncio total. — Como todos vocês já sabem, hoje é uma data muito especial. Finalmente esse momento aconteceu, já estava na hora de acontecer um casamento com esses meus netos, não?
Todos riram, Enrico sempre parecendo muito simpático quando o assunto era passar a imagem de família perfeita e ele continuou:
— É com imenso prazer que temos essa garota, oficialmente, na nossa família. — viram que ele nem se importava? Sequer sabia o nome da namorada do Steven. — Steven é um neto querido, arrumou alguém de enorme valor. Que vocês possam agora construir uma família e, é claro, assim trazer mais um novo Ferazza à vida. E então, vocês têm planos para isso, não tem?
Steven, sorrindo, confirmou junto à mulher.
— Vai ser rápido, vô. — brincou ele.
— Seu primo Sean foi ainda mais rápido. A propósito, vocês não sabem, mas venho contar em primeira mão que Sean, meu neto querido, vai ser pai.
Metade da festa levou o queixo ao chão por tamanha surpresa. Enrico sorria feliz por ter impactado todos nas festas, certamente esse assunto seria espalhado por dias e meses, em todo centro médico.
Sean, que era o único sentado, olhou para o seu avô enquanto Larah, mais uma vez quieta, abaixou a cabeça, segurando Sean pelo braço, insistindo para que ele levantasse.
— Um bebê Ferazza está a caminho! É, parece que você ficou atrás, Steven.
Observa-se que Enrico tinha um sério problema ao se tratar das mulheres de seus netos, elas eram praticamente invisíveis. Ele sequer apresentou Larah, nem fazendo questão de dizer que era ela a carregar o bebê do neto no ventre.
— E quem é a mãe? — uma tia, irmã de Magnólia, perguntou.
— Aquela bela garota ao lado dele.
Larah sorriu e acenou, mostrando que era ela.
Vários sorrisos foram de encontro à garota, alguns acenos também. Uma mulher saiu do seu lugar para paparicá-la, obviamente querendo saber como tudo aconteceu para depois espalhar. Larah teria que pensar numa versão diferente para soar mais romântica.
— Mas eu quero falar de algo mais importante que tudo isso. — Enrico mudou até o tom de voz. — Quero falar sobre meu neto Sean, meu orgulho maior. — o favoritismo imperando — Estou muito feliz em tê-lo de volta à família, feliz em saber que ele ouviu meus conselhos. Talvez vocês não estejam entendendo, mas só nós aqui, sabemos como era difícil tê-lo novamente em nosso meio...
Confusos, os convidados faziam teorias mirabolantes em suas mentes para entender o que Enrico estava dizendo, o pensamento que reinava era o de que Sean tinha se metido com drogas.
— É, vovô — ironizando, ele iniciou — foi muito bom voltar para vocês por vontade própria.
Enrico sorriu.
— Brincalhão, ele sempre foi assim.
— Sempre. — sorriu o moreno. — Sempre fui assim... — talvez só Suzana e Brandon tenha captado que ele se referia a sua sexualidade.
— De qualquer forma, eu quero fazer um brinde ao meu neto Sean. Neto este que eu tenho certeza de que não vai nos decepcionar outra vez.
Steven rangeu os dentes, embora disfarçando perfeitamente. Seu casamento foi completamente esquecido naquele instante, culpa da presença de seu primo, que tornou-se o centro das atenções após o discurso do seu avô.
Sean apenas ria da cara do primo, sabendo que por dentro ele se mordia de raiva.
— Quero que todos saibam, em primeira mão, que Sean vai casar. — Suzana não perdeu a oportunidade de elevar ainda mais a fama de sua família.
Aí foi só alegria, alguns gritos e mais conversações. Sean, o membro mais cobiçado daquela família, causando tumultuo sem precisar dizer uma palavra, já que todos seus parentes falavam por ele.
Vale ressaltar que naquele casamento, algumas garotas sempre desejaram aquele moreno de olhos pretos. Todas estavam com inveja de Larah ao saber que ela tinha conseguido ganhar um filho dele. Para elas, o bebê era um prêmio.
Não era à toa que Lorenzo, Steven e Charles tinham tanta inveja do Sean. Ele era tido como o mais bonito, o mais charmoso e consequentemente o favorito de todos os olhares. Para eles, estava ótima a fase de “rebeldia” do moreno, sempre virando assunto nas discussões de família, sendo desgosto e causando desconforto na Suzana.
— Um brinde ao Sean! — gritou o patriarca.
Logo taças e mais taças foram entrando em contato. Larah brindou com Sean e com Suzana, os únicos ao seu lado.
Depois de todos brindarem, Steven, como não podia perder a oportunidade, já que o casamento era seu, mirou em Sean quando todos nas outras mesas já nem prestavam mais atenção:
— Não vai brindar com os noivos, Sean?
Sean quase encostou a orelha no ombro quando desceu a cabeça para o lado, franziu o cenho e encarou o primo. Para ele não fazia sentir Steven pedir aquilo. Melhor era deixa-lo na mão, passando vergonha, do que se levantar e brindar com ele.
— Parece que andar com aquele garoto o deixou mal educado. — Steven falou como se isso fosse engraçado, por isso sorria para que parecesse brincadeira.
— Aquele tipo de gente... Desprezíveis. — Lorenzo falou, mas baixo, como se fosse uma piada apenas para os mais próximos. — Uma surra e ele se consertava.
Foi aí que o moreno finalmente se levantou. Pegou um talher e, elegantemente, bateu na taça, atraindo a atenção de todos mais uma vez, a propósito, das outras mesas também.
Ele tossiu numa tentativa falha de limpar a garganta.
— Estão todos me ouvindo bem? — aguardou resposta, mas o silêncio foi significativo, como se aquilo fosse um sim. — Bem, espero que todos estejam ouvindo. Acho que chegou o meu momento de também falar, não é? Afinal, como disse meu avô, esse é uma data muito importante e por isso tenho umas coisinhas para falar.
Suzana engoliu em seco, ela foi a primeira a ficar preocupada. Sabia que seu filho estava bêbado, as bochechas roseadas já deixava isso muito claro.
— Primeiro, vamos falar dessa garota, dessa menina mulher, dessa pessoa que faz de tudo para alcançar seus objetivos, não é mesmo? — ele falou enquanto olhava para Larah, a garota sorriu, mas um sorriso fraco e medroso — Cara, eu vou ser pai! — ele brincou. — Isso é tão... Mas como? É, nem eu mesmo sei. Engraçado, HAHAHA! — os convidados riram. — Tô achando que ela abusou do meu maravilhoso corpinho. — novamente riram, sem perceber que o que ele estava dizendo eram ironias baseadas no que ocorreu.
— Muito engraçado, muito engraçado. — Suzana, sorridente, foi ao lado do filho. — Mas é melhor deixar os convidados aproveitarem a festa, filho.
— Calma aí, ma-mãe.— disse separadamente. — Gente, essa aqui é a melhor mãe do mundo! Não existe outra igual. Mas para esse momento se tornar melhor, por gentileza, meu tio Lorenzo e minha tia Cassandra poderiam ficar aqui ao meu lado? Por favor. Eu preciso muito dizer o que tenho para dizer, vem do fundo do meu coração.
Temendo, Lorenzo se levantou, enquanto Cassandra, apressadamente, aproximou-se do sobrinho, ficando ao lado de Suzana enquanto Loreno ficou do lado do Sean.
— Pronto, como todos estão vendo, esses são meus tios. Eu moro com os filhos deles, Brandon e... ops, parece que ele não está aqui — falou procurando-o ao redor —, o Charles. Embora eu saiba onde ele deve está agora. — sorriu para o tio.
Enrico já não estava muito feliz com aquilo, ele estava começando a ficar com um pé atrás sobre o que seu neto fazia. O desequilíbrio de Sean era notável, agora facilmente poderiam descobrir que ele estava bêbado.
— Tudo bem, Sean, depois você pode nos contar lá dentro. — pediu seu avô.
— Que nada, vô-vô. — mais uma vez disse separadamente, apenas para destacar a palavra — É pra você mesmo que eu quero dizer algumas coisas. Que pai não gostaria de ver seus filhos sendo elogiados?
— Eu mato você se me envergonhar na frente de todos. — sussurrou Lorenzo no ouvido do sobrinho.
As câmeras estavam a todo o vapor. Sean até brincou acenando para uma das câmeras, esquecendo que tinha pedido para que não tirassem mais fotos dele. Mas realmente ele estava bêbado e muito mais soltinho. Seu espírito de bêbado era esse, ele se tornava engraçado sutilmente. Alguns eram chorões, outros loucos e irritantes — vale citar o Colin nessa categoria —, mas outros eram palhaços, como Sean.
— Eu, te envergonhar? — questionou ele alto para todos ouvirem. — Eu jamais faria isso. — ironizou mais uma vez.
— Sean se tornou muito engraçado desde que tiramos aquele lixo do caminho dele. — Steven tentou soar engraçado para disfarçar o conflito entre seu pai e o primo. — Viu como aquela pessoa era um atraso na sua vida?
Sean só deu um sorrisinho de lado, afastou-se dos tios e da mãe, deu um gole no champanhe enquanto se aproximava dele.
— Que porra, hein? Você tinha que estragar meu discurso logo agora? Mudança de planos.
Sean pôs a taça na mesa, estralou os dedos e sorriu para o primo por três segundos antes de dar o primeiro soco, tão forte que Steven caiu sobre a mesa, levando tudo que tinha nela.
Quem estava próximo, afastou-se aos gritos quando Sean segurou Steven pelo colarinho e deu-lhe mais dois socos no rosto, mas acabou recebendo um chute no abdômen, sendo afastado.
Lentos, Enrico e Magnólia quase caíram enquanto se afastavam da mesa da destruída.
Se alguém não tinha dado a mínima para os discursos daquela família, agora, definitivamente, estavam atentos ao que acontecia.
— Sean, pare agora! — Enrico gritou.
Uma vez entregue à luta, Sean só pararia quando só restasse o pó.
Steven desabrochou a gravata enquanto rangia os dentes, partindo para cima do primo. Sean se protegeu de um soco, dois socos, mas acabou levando o terceiro soco na barriga, mas com o cotovelo, atingiu o queixo do noivo, deu um chute forte e o devolveu para cima das mesas, acabando de vez com a decoração das que estavam próximas.
— É, parece que o invejoso do meu primo não está nada satisfeito com a minha presença. — Sean começou a dizer enquanto ele se levantava. — Tão podre como o pai. Aliás, meus queridos convidados. — Sean deu as costas ao primo e focou no público — Vocês sabiam que o pai dele, meu tio Lorenzo, esse homem tão cheio de postura — apontou — agride a mulher sempre que perde a cabeça? Quase matou por causa de uma surra que deu nele, pobre Charles. E ainda tem tempo para tentar derrubar minha mãe da presidência do hospital. Pois é... Meu tio só teme esse rost-
Sean acabou sendo sufocado por Steven que pressionou os braços em seu pescoço, mas com a experiência que tinha, os cotovelos nessas horas até que ajudavam, por isso ele atingiu as costelas do primo, o que tirou a pressão dos braços dele em seu pescoço e com um golpe, o derrubou no chão, fazendo-o cair de costas com bastante força, logo se posicionou com o joelho no tórax dele e impedindo os movimentos de suas mãos.
— O seu irmão nunca deixou de dar a bunda. Inclusive está lá dentro fazendo isso nesse exato momento. — Sean olhou para o Lorenzo — Surra nenhuma vai ser capaz de mudar a sexualidade de alguém. E meu querido vô-vô, se um dia você pensou que eu era o único a amar chupar um pau, está bem enganado, isso porque o Charles e o B-
Ele acaba sendo atingido nas costas pelo joelhos de Steven, acabou então retirando as forças da mão e consequentemente Steven conseguiu escapar delas, empurrando seu primo e montando sobre ele.
Sean recebeu um soco do lado esquerdo e outro do lado direito, ficou tonto, mas conseguiu se defender do terceiro ao segurar o punho do primo. Ele teve força o suficiente para afastar Steven e ficar de pé rapidamente.
Quando Steven ficou de pé, Sean não teve piedade em dar um chute de dois pés no peito dele, fazendo-o cair sobre mais mesas, bagunçando tudo.
Praticamente Steven já não tinha mais força, Sean conseguiu deixá-lo bem machucado. Mas quem disse que o Sean parou por aí?
Lorenzo tentou segurá-lo e tudo o que fez foi dar um soco no rosto do tio, quebrando o nariz dele.
Brandon, quando ia também tentar segurar o primo, acabou sendo impedido pela mãe que segurou em seu braço e deu-lhe um toque apenas com o olhar.
Os seguranças apareceram.
— NÃO TOQUEM NO MEU FILHO! — Suzana gritou, os seguranças pararam, sabendo que ela era uma Ferazza com autoridade ali dentro.
Steven, com raiva ao ver o soco que seu pai tomou, avançou como uma fera para cima de Sean, mas o moreno facilmente deu-lhe um soco no rosto, deixando-o tonto, depois deu-lhe um soco no estômago e o fez se ajoelhar. Antes que Steven pudesse ficar de pé, acabou recebendo um chute no rosto, sendo nocauteado. Mas Sean não parou por ali, deu um novo chute no estômago do rival, que nem acordado estava mais.
Ajoelhou-se ao lado dele e o segurou no colarinho, ele finalizou com um novo soco no rosto do primo.
Sean se levantou com muitas dores no corpo, enxugou os lábios com as costas da mão, manchando-a de sangue.
Ofegante, ele começou a dizer:
— Eu sempre fui a ovelha negra da família, então está na hora de mostrar minha verdadeira face. — Sean olhou para Enrico e Magnólia — É disso que você tem orgulho, não é? Eu deixei seu neto desacordado, eu bati no seu filho. E agora, o que você vai fazer?
— O que aconteceu com você? — Magnólia, assustada, questionou ao neto.
— Tiraram quem eu mais amava de mim. — ele chorou na frente de todos. — E todos aqui vão saber. — Sean começou a girar no próprio eixo, olhando para todos os convidados. — Eu sou alguém que ama beijar garotos. Eu sou gay! Definitivamente gay! O maior gay que vocês já conheceram!
— Sean Ferazza! — Enrico o ameaçou, seus olhos pegavam fogo.
— E vo-vô — disse separadamente —, preciso repetir que não sou o único? — ele se esforçou para não mais chorar, pôs um sorriso sádico no rosto, os dentes vermelhos pelo sangue — Vai precisar interrogar o Charles também? Vai tirar o quê dele para que ele se conserte? — Sean olhou para o Brandon. — Desculpa, mas você é um deles, nunca se preocupou comigo de verdade. Calou-se diante tudo o que viu quando me tiraram o Colin. E outra, o sentimento de quem esconde é pior, pois eu sei o que eu vivi. — Sean olhou para o avô. — Não é novidade para ninguém na quadra que Brandon namora um garoto daquele tom de pele que você tanto ama, vô-vô. Do mesmo tom de pele daquele seu amigo que você o acusou injustamente! Por que será que a Melissa não está aqui? Brandon beija garotos como eu!
Brandon quis a morte, ele não aguentou o que ouviu e quase desmaiou.
— É mentira! — ele disse.
Sean somente sorriu.
— Você acha que sua mãe não sabe? — Sean olhou para Cassandra. — Sortudo...
Brandon olhou para o seu pai, vendo-o vermelho de raiva e decepcionado.
— É mentira!
— Covarde e idiota. É isso que você é.
— Não acreditem nele! — gritou o loiro, estava assustado.
Sean não falou nada mais, mirou na sua mãe, Suzana, e sorriu para ela.
— Sabe, vô-vô... Essa sua filha, tão competente...
— Sean... — disse ela, num tom razoável, sem gritar.
— Está com medo de que eu fale sobre você?
— Eu sou sua mãe...
— Tem tanto medo, não é?
— Sean...
— Vô-vô, meu sobrenome é Sean Grandinni Ferazza...
— Sean! — gritou Suzana.
Sean olhou para ela, logo sorriu e cuspiu no chão a saliva com sangue.
Saindo do seu lugar, machucado e mancando, Sean passou por sua mãe e sussurrou:
— Agradeça ao Colin. — Em seguida, ele olhou para todos os familiares e falou — Vocês pediram, então saibam que eu voltei.
Por fim, lá estava ele caminhando pelo gramado até a saída daquela casa, todo machucado, com os lábios cortados e sangrando, caindo no choro inevitável quando começou a pensar no seu namorado.
— Foi por você, foi por você... — sussurrou para si, apertando o colarinho da própria camisa.
[...]
Em um dos corredores da casa, Charles estava aos beijos com Calvin, quase sendo despido pelo leonino que não tinha piedade em levar aqueles lábios ao pescoço branco do tigre, que gemia baixinho enquanto era completamente dominado.
— Chega, chega... — Charles pedia, ofegante, mas nem sequer largava os lábios de Calvin.
Calvin desceu as duas mãos às nádegas do garoto, apertando-as com volúpia, elevando o garoto do chão.
— Para, maldito, eu ainda tenho que voltar.
— Você quis vim até aqui.
O diálogo foi feito enquanto se beijavam. Charles segurava nos ombros de Calvin enquanto mordia o lábio dele.
— Você ainda tem que servir, esqueceu que você é pago para isso.
— Posso tirar meu intervalo quando eu quiser.
— Merda! Para! — pediu ele e finalmente conseguiu se afastar daquele lábio tão maravilhoso.
Calvin sorriu ofegante e ficou apreciando aqueles traços tão preciosos no rosto do garoto. Charles era bonito. Muito bonito, por mais que fosse uma copia do Sean, ele tinha traços ainda mais delicados e a pele mais branca, fácil de marcar.
— Eu tenho que voltar.
— Tem certeza? Eu sei que você quer ficar aqui mais um pouco.
— É claro! O que eu falei sobre você não aparecer na nossa mesa?
— Foi ordem da minha mãe. Ela me acha o mais competente. Imagina se um garçom atrapalhado derruba a bebida nos convidados?
— Mentiroso! Você só queria me provocar. — falou e deu um tapa no peito dele.
— Ah, para. — falou e o puxou pela cintura. — Vamos ficar mais um pouco...
— Não.
Calvin puxou uma camisinha do bolso, algo já planejado para quando pudesse ficar sozinho com o tigre.
— Não!
— Sim...
Era tentador demais. Gostava de transar com o Calvin, era simplesmente um sexo que o levava às estrelas. Calvin tinha a dominação perfeita, sabia muito bem o que fazer para deixá-lo louco.
Charles olhou para os lados, viu uma porta bem próxima, mas sabia que aquele lugar era mais do que inapropriado. Era simplesmente o escritório do seu avô.
Ele puxou Calvin pelo punho e o arrastou para dentro daquela sala, trancou a porta e foi logo arrancando as roupas do grandão, tendo também suas roupas retiradas, nem sequer se lembrando de que elas iriam amassar e provavelmente iria perguntar o que aconteceu com ele. E o cabelo bagunçado?
Sem muitas preliminares, Charles foi posto sobre a mesa principal do escritório, derrubando uma papelada que tinha nela. Calvin, sem muito carinho, cravou os dedos na calça dele e se desfez do botão rapidamente, descendo a veste até a ponta dos pés dele, colocando-se entre as pernas do tigre e, cuspindo nos dedo, o preparou, do jeito que Charles gosta. Invadi-lo não foi uma tarefa difícil, mas precisou manter controle quando Charles mordeu a própria mão ao acomodar tudo aquilo dentro de si.
Depois foi puro prazer. Gemidos, mordidas, beijos e suor.
No final, lá estavam os dois, ofegantes.
— Merda, você sujou tudo. — falou ao perceber que Calvin segurava a camisinha de maneira errada, fazendo então cair no carpete o que produziu.
— Porra, eu não vi. — falou ele abrindo o lixeiro e lançando-a lá dentro.
— Não era pra jogar aí! — resmungou o tigre ainda levantando a cueca. — Você é burro?
— Quem é que vai verificar se tem camisinha no lixeiro? Tá maluco? — respondeu ele já colocando o botão da calça.
— Não sei o que tive na cabeça, eu não deveria ter feito isso com você.
— Você só fala, mas ama. — sorriu.
— Calado ou eu criou uma situação em que você seja expulso desse lugar.
Calvin ficou quieto.
— Porque você não me ouve? Olha o que você fez no meu pescoço. — questionou olhando no reflexo do porta retrato espelhado.
Calvin aproximou-se dele, verificou a pequena marca deixada por seus dentes.
— O colarinho esconde, só fechar. — mas ele mesmo se encarregou de fazer isso. Charles engoliu em seco quando encontrou os olhos azuis o encarando enquanto o arrumava.
Depois de novamente arrumados, embora Charles estivesse tentando dar um jeito no seu cabelo, mas não conseguindo, ambos saíram do escritório. Iam se separar como se fossem dois desconhecidos, mas Calvin não perdeu a chance de puxar o tigre mais uma vez e arrancar um novo beijo dele, roubando-lhe todo o ar e prendendo-o em seus braços.
— Droga! Não faz isso, eu tô tentando me arrumar e você me estraga outra vez!
— Não quero voltar para lá.
— Você deve! Nós não somos namorados e não vem com essa de criar sentimentos por mim. Me larga agora e me deixa voltar. Prometo que isso nunca mais vai acontecer. — disse chateado.
Calvin apenas sorriu enquanto o olhava.
— Não estou vendo nenhum palhaço...
— Eu estou segurando-o nesse exato momento.
— Desgraçado! — falou batendo nele, mas enquanto o xingava, acabou tendo outro beijo roubado, sendo então acalmado e aceitando aquela dominação.
O beijo prosseguia demorado, com bastante vontade e desejo, até uma voz como um trovão ecoar.
— Charles!
Charles rapidamente empurrou Calvin e olhou para o lugar de onde vinha a voz, acabou encontrando seu pai com a pior expressão já vista, os olhos franzidos, a boca aberta e uma aura terrível, no entanto ele estava com a mão no nariz.
Limpando a boca, Charles aprumou suas roupas.
Lorenzo só estava confirmando o que Sean disse. Procurou ele por muito tempo dentro daquela casa, torcendo para ser mentira o que o sobrinho disse, mas acaba de confirmar.
— Pai, eu posso explicar...
Lorenzo ainda não disse nada.
— Vamos embora. — foi a última coisa que disse, apontou para a saída do corredor e esperou seu filho.
Charles então passou a caminhar de cabeça baixa, seu pai o segurou de supetão pela mão, apertando-a tão forte que fez o pequeno fazer careta e encarar o homem, mas logo foi empurrado e seguiu andando.
— Charles. — Calvin o chamou.
— Não o conheço.
Charles seguiu com seu pai logo atrás dele.
— Charles? — sua mãe, que o encontrou na sala, estranhou em ver o filho de cabeça baixa, mas percebeu que o pai estava logo atrás.
— Vamos embora. Onde está o Steven? — Lorenzo perguntou para a mulher.
— Levaram ele para o carro. O casamento acabou. Seu pai pôs todos para fora. — respondeu ela.
— Aquele maldito me paga! — Lorenzo estava com muita, mas muita raiva.
Charles esperou seu pai abrir a porta do carro. Steven estava sentado e ainda desacordado, enquanto sua esposa, com o longo vestido, dificultou a entrada de Charles, mas ele conseguiu entrar no automóvel.
Os cinco seguiram em silêncio para a casa, na metade do caminho Steven acordou gemendo de dor.
Chegaram.
Charles foi o último a descer do carro.
Ele já sabia que desde a entrada no carro ele simplesmente estava sendo mandado ao abate. Caminho tortuoso e silencioso. Como um animal irracional que vai o abatedouro, pronto para ser abatido, sendo capaz de dar apenas um último suspiro.
Já passou por isso algumas vezes, já viu seu irmão passar por isso e, pior ainda, já viu sua mãe passar por isso.
— Espero você lá dentro. — anunciou Lorenzo sem nem olhar para ele.
Charles apenas olhou o celular, digitou um endereço e enviou a quem sabia que cuidaria dele.
[...]
— Carter, eu vou comer agora, você vai? — perguntou o loiro ao primo.
Pelo silêncio como resposta, Edgar entrou no quarto e encontrou o caipira dormindo, inclusive até babava. Provavelmente passou a noite toda com o Patrick, já que agora ambos não desgrudam um minuto, mas não que isso fosse o que o leonino que quisesse, mas porque Carter é realmente muito pegajoso.
— Ok, eu vou sozinho.
Edgar caminhou pelas ruas da quadra até chegar na lanchonete que, pelo horário, estava lotada de universitários. Nem precisava entrar para saber que todos os lugares estavam ocupados e difícil seria encontrar um.
O loiro fez o seu pedido depois de aguardar alguns minutos alguém livra para atendê-lo, ainda precisou enfrentar a fila para ter que pagar. No final, ficou em pé na esperança de algum lugar desocupar antes mesmo do seu pedido ser entregue.
Mas se esperou isso, não aconteceu. Ele recebeu seu lanche numa bandeja e ficou caminhando pela lanchonete em busca de um lugar vazio, não importando até quem estivesse na mesa. Tudo o que mais queria era somente sentar.
Foi então que ele correu a uma cadeira vazia que encontrou, lá no canto da lanchonete, com mais três pessoas na mesa.
— Com licença, posso sentar aqui? — perguntou as três pessoas que estavam lá.
Sem esperar resposta, Edgar sentou, pegou seu hambúrguer duplo e já foi levando-o à boca antes de olhar para quem eram as pessoas sentadas. Quando finalmente foi cumprimentar melhor os companheiros de mesa, se deparou com três par de olhos o encarando: Franklin, Caleb e Joshua.
Ele na mesma hora devolveu o hambúrguer duplo a bandeja.
— Oi. — disse meio sem graça. — Atrapalhei, não é?
— Claro que não! — disse Caleb na mesma hora. — Só estamos achando muita coincidência você sentar logo aqui. E claro que você pode ficar aí, ninguém estava sentado mesmo.
Caleb sabia o motivo e Edgar no mesmo instante soube o porque: Joshua. As pessoas tem medo dele.
Edgar olhou para o ruivo e sorriu sem graça. Joshua não retirava os olhos dele, nem mesmo disfarçava.
— Eu o conheço. — Franklin falou. — O Edgar, não é?
Joshua então olhou para Franklin, curioso.
— Conhece? — Edgar franziu o cenho.
— Eu conheço algumas pessoas da quadra. Você não é daquela república grande lá?
— Sou.
— Eu sou o Franklin, conheço o Kai dos tigres e tenho uns colegas nos leões. — simpático, Franklin foi falando de boca cheia.
— Oi, Franklin. Eu sou o Edgar. Prazer. — ele estendeu a mão e Franklin a apertou.
— Acabei de ver um lugar vazio lá fora. — Caleb se levantou. — Vamos, Franklin.
Edgar virou de supetão para saber que lugar era esse e como ainda estava sobrando tendo em vista todas as pessoas em pé aguardando.
— O quê?! Que lugar? — Franklin perguntou.
— Vem logo! — resmungou e pôs seu lanche sobre a bandeja do garoto e apegou logo em seguida. — Vamos lá antes de perder ela.
Mesmo sem entender, Franklin deu uma olhada para Edgar, despedindo-se e acompanhou Caleb.
Restou apenas Joshua e Edgar, num lugar em que só eles dois poderiam ficar, ninguém se atreveria a ocupar aqueles dois lugares vazios quando se tem o monstro perto.
Edgar sabia que o que Caleb fez foi proposital, mas isso não era legal. O loiro detestava que forçassem situações, especialmente como aquela. Ambos estavam separados, forçá-los a momentos assim poderia piorar.
— Oi, Josh. — Edgar, ainda sem graça, falou.
O ruivo ainda não o respondeu.
— Como você está?
— Bem. — ele então despertou do seu transe após a aproximação do garoto. — E você?
— Um pouco cansado. Arrumei o quarto hoje, estava uma bagunça.
Como Edgar já sabia, manter um diálogo com Joshua era uma tarefa um tanto complicada. Ele geralmente não dava prosseguimento a diálogos, não que não quisesse, só que ele não é tão bom com palavras e fala pouco. Geralmente é necessário forçar assuntos ou prosseguir com o diálogo até que ele comece a se soltar.
— Sabia que o Carter tá namorando?
— Com quem?
— Com um garoto dos leões. Ele não para de falar isso uma vez sequer. Aliás, posso te pedir uma coisa? — Joshua só o olhava, até se esqueceu de comer. — Você não precisa ignorar as mensagens que ele manda.
Sem graça, Joshua desviou os olhos rapidamente.
— Eu sei que não estamos mais juntos, mas o Carter gosta bastante de você. Ele ficou um tempo chateado porque você não respondia mais ele.
— Peça desculpas à ele. Vou tentar não fazer mais isso.
— Eu sei que ele fala bastante, se possível não para de mandar mensagem e nem correntes. — sorriu. Joshua até sentiu uma onda de choque o invadir após ver aquele sorriso. — Mas ele só tenta ser amigo de todos.
— Irei respondê-lo sempre se é o que você quer.
Sem graça, Joshua olhou para o copo de refrigerante e o bebeu.
— Loirinho... — disse o ruivo carinhosamente.
— Oi?
— Tem alguém mexendo com você?
— Não.
— Ninguém mesmo?
— Não, Josh. Não tem ninguém mexendo comigo. Você quer mesmo brigar depois de t-
— Não falei nesse sentido.
Edgar parou, pensou e então acabou ficando sem graça por ser tão burro.
— Não... Não tem. — respondeu baixinho e enfiou um pedaço da carne do hambúrguer na boca.
Joshua ficou quieto, esfregou os dedos uns nos outros e tomou coragem para falar:
— Eu sinto a sua falta... Todos os dias da minha vida. Eu estou com medo, loirinho... Eu estou com medo.
Edgar não soube sequer o que falar. Suas bochechas ruborizaram, mas ele não podia facilmente se encantar pelas palavras do ruivo sabendo muito bem o que sofreu por conta do comportamento violento do ruivo. Não fosse por agredi-lo, longe disso, mas sempre sujar suas mãos de sangue alheio.
O loiro sentiu o seu celular vibrar no bolso e, por isso, como força de ganhar tempo antes de dar alguma resposta, verificou o aparelho e leu uma mensagem de Charles contendo um endereço. Mas a palavra “urgente” acabou deixando Edgar preocupado.
— Josh, preciso da sua ajuda. — falou ficando de pé.
Como era muito preocupado com o loiro, Joshua também ficou de pé.
— Preciso que me leve a um lugar.
— O que aconteceu?
— Não sei, mas devo ir até lá. Você conhece? — mostrou o loiro a mensagem.
— Acho que conheço. Não é tão perto, mas eu posso te levar.
— Onde está seu carro?
— No Ninho.
— Então vamos lá, por favor. Acho que um amigo precisa de ajuda.
Edgar, involuntariamente, segurou na mão do ruivo e foi puxando-o. Joshua ficou tão maravilhado com aquele toque que se deixava ser arrastado como se fosse uma pena sendo levada pelo vento.
[...]
Charles ainda estava dentro do carro, fazendo uma curta oração.
O pequeno garoto, por mais poucas pessoas sentissem algum afeto por ele, era muito carente. Uma carência que não se voltava a um amor carnal, mas em alguém que se preocupasse com ele de verdade.
Se sentir sozinho era a coisa que mais o machucava. Ele nunca tinha ninguém ao seu lado.
Mas Charles era um garoto forte, muito forte. Ele ergueu a cabeça, fechou os olhos, arrumou sua postura, respirou bem fundo e abriu os olhos, olhando-se no reflexo do retrovisor interno.
Ele saiu do quarto varrendo o medo a sua frente.
Era hora de não mais temer.
Charles entrou em sua casa, seu irmão estava sentado no sofá enquanto sua noiva cuidava do sangramento no nariz dele. Sua mãe estava de pé, as pernas coladas e as mãos juntas, no seu rosto uma expressão de quem estava apavorada. Mas seu pai, a maior autoridade da casa, estava com o cinto na mão só o olhando, com o nariz com marcas de sangue.
Charles estava praticamente no centro deles, em cima do tapete, próximo ao sofá em que Steven estava sentado.
O pequeno tigre só olhou seu pai e esperou que a agressão começasse, mas uma frase o impactou:
— Tire a roupa.
Da última vez não tinha sido assim. Foi torturante, mas não humilhante a ponto de ter que se despir na frente de todos. Mas se algo no Charles acendeu, isso foi seu desejo por liberdade. Abaixar a cabeça? Não mais.
Ele foi desabotoando botão por botão enquanto olhava nos olhos do pai.
Largou o blazer. A gravata borboleta. A camisa. O cinto. Os sapatos. As meias. A calça.
Antes da última peça, ele olhou para todos nessa ordem: Steven, Hannah, Helen e Lorenzo.
Por fim, Charles estava nu.
Quando seu pai deu o primeiro passo, Charles fechou os olhos. Logo recebeu um tapa no rosto, fazendo a face virar ao chão. Outro tapa, a face foi ao outro lado. Ele abriu os olhos e encarou seu pai.
Charles aguentou então o primeiro ataque com o cinturão, foi bem na sua cintura, o segundo foi em seu braço e o terceiro na sua coxa. No quarto ataque ele não mais aguentou e usou as mãos para se defender, o que foi pior, por isso recebeu um chute do seu pai e um soco no rosto, fazendo com que o sangue já caísse imediatamente.
Charles tentou olhar para seu pai, mas estava sendo atacado em pausas de um segundo apenas. Sentia todas as dores espalhadas por seu corpo, nenhuma parte parecia ser poupada.
Ele não gritou, ele não chorou.
Charles foi pego pelos cabeços com força, seu pai pegou um objeto cilíndrico da mesa de centro e pôs na boca do filho, insinuando o sexo oral, engasgando o pequeno tigre. A dor interna em Charles era pior que a física. Isso porque seu pai simplesmente estava tratando-o como um lixo.
O garoto sentiu fios de seus cabelos serem arrancados, seu pai jogou o objeto no chão e começou a dar tapas e mais tapas no rosto do filho, até mesmo cuspir na cara dele ele cuspiu.
— Tesoura! — bradou o homem.
— Lorenzo! — suplicou a mãe.
— Tesoura!
Ela rapidamente correu até uma gaveta na sala e deu a tesoura ao marido.
Ele forçou seu filho a ficar de joelhos e aos poucos foi cortando mechas e mais mechas do cabelo do filho. Charles sentia os fios negros cair em seus ombros e no chão os via.
Depois, foi pego pelo pescoço, sufocado e lançado ao chão. Seu pai deu um chute no estomago dele, outro e outro. Lorenzo pisou na mão do filho, machucando-o a ponto de fazer Charles fazer careta.
— O que eu disse para você? — gritou o pai dele. — O que eu disse sobre isso?
Charles ficou calado, mesmo caído no chão, ele encarava o pai.
Lorenzo estava com muita raiva. O casamento do seu filho mais velho foi arruinado pela sobrinho que mais detestava apenas por seu favoritismo, coisa que nenhum dos seus dois filhos tinha. Mas ainda tinha o lance de flagrar Charles beijando outro garoto. Naquela situação, Charles era apenas um objeto qualquer em que ele descontava a sua raiva com a desculpa de que depois daquilo ele vá se consertar.
Mais uma vez Charles foi pego com força pelos cabelos, estava de joelhos e foi forçado a olhar nos olhos dos que estavam presentes. Lorenzo simplesmente apresentava ele como exemplo de quem fazia coisas erradas.
O corpo nu todo marcado com o cinto, a face vermelha por todos os tapas que recebeu.
— Por que você me envergonha tanto! — gritou o homem e deu um soco no olho do filho.
Charles começou a sorrir. Gargalhar.
— Você vai me matar se eu disser que ele é garoto de programa? É melhor que faça isso.
Foi só assim que Lorenzo perdeu a cabeça.
Charles foi ao chão, antes de receber um chute na face, ele protegeu com os braços, o que foi pior.
Seu pai o pegou pelo braço, arrastando-o pela sala e lançou ao canto da parede, apanhou o cinto e, encolhido naquele cantinho, Charles começou a receber vários ataques de cinto.
Ele tentava se proteger, mas era uma tarefa infalível. Cada ataque um palavrão era pronunciado pelo pai.
Logo em seguida recebeu chutes e mais chutes, jurou ter um dedo quebrado enquanto tentava se defender.
Quebrava o coração de Helen ver seu filho assim, mas ela era tão covarde e invulnerável que nada fazia. Naquele momento, seu filho apanhava enquanto olhava para ela, o que foi pior para a mulher que só sabia chorar quieta.
Pego pelos cabelos novamente, Charles foi lançado ao chão, seu pai montou sobre ele. Charles mal conseguia abrir o olho esquerdo, sua boca era apenas sangue escorrendo ao babar.
Charles recebeu um novo soco, logo viu o pé do sofá com o rosto virado. Depois daquilo, uma sequencia de socos foi dada. Tapas vieram logo em seguida. Ele tentou se defender, mas seu pai afastava a mão dele sempre.
Seu filho já estava praticamente nocauteado, sua cabeça se movia como a de um boneco, apenas num simples toque.
Lorenzo desistiu dos socos e tapas, apanhou novamente o cinto e retornou aos palavrões. Charles, fraco, se encolheu no chão ao receber novos ataques do cinto, inclusive a fivela do objeto atingindo-o.
Por fim, Lorenzo ajoelhou-se, cansado. Ele respirava ofegante enquanto seu filho estava lá, marcado, sangrando, com cortes em todo o corpo.
— Saia dessa casa e nunca mais volte! — disse ofegante, como se tivesse corrido uma maratona.
— Loren-
— Você está expulso daqui!
Charles só fez cuspir no chão, não se sabe como arrumou aquela força, mas arrastando-se muito devagar, ele foi até suas roupas, buscou apoio na mesa de centro e se levantou, olhou para sua mãe e só naquele momento chorou, deu um aceno e passou pela porta.
O pequeno tigre caminhou muito devagar, quase se arrastando, buscando apoio nas paredes, embaixo do sol, numa rua onde não passava ninguém, absolutamente ninguém, encontrou um banco e se deitou. Não se sabe se ele dormiu ou desmaiou.
Há quem pense que isso não acontece em diversas famílias. Há quem morra vítima de situações como essa.
[...]
Edgar e Joshua seguiam o GPS, após chegar no endereço indicado, o ruivo diminuiu a velocidade, olhando pelas ruas para ver se encontrava Charles os aguardando em alguma porta. Talvez o amigo precisasse de uma carona, uma ajuda para resolver um problema. Tudo, menos o fato dele estar deitado num banco após ser espancado.
— É mesmo aqui? — Joshua perguntou ao loiro.
— Sim. — respondeu olhando ao redor. — Ele não atende o celular. Segue um pouco, quem sabe ele estava esperando na esquina.
Joshua obedeceu, mas Edgar deu um grito em poucos segundos, abrindo a porta quando carro ainda estava em movimento, mas rapidamente parou para ele descer.
Edgar finalmente tinha o avistado. Lá estava o pequeno tigre, deitado e encolhido no banco, nu, mas com as vestes parecendo um cobertor. O corpo todo marcado e que dificilmente possa ter uma parte intacta, os lábios e nariz sangrando, o olho inchado e sem partes dos cabelos.
— Joshua, vem aqui! — gritou o loirinho. — Charles, Charles! — começou a tocar o rosto do garoto.
Charles abriu os olhos devagar, na verdade apenas um olho, já que o outro estava muito dolorido e mesmo que quisesse abrir conseguiria ver apenas uma frecha. O primeiro rosto a ver foi o de Edgar, que estava num só semblante de preocupação.
Finalmente a ajuda chegou.
— Me ajuda!
Joshua engoliu em seco quando viu o corpo do garoto com várias marcadas e sangue. Ele respirou fundo, fechou os punhos e foi levado ao passado de tortura.
— Joshua! — gritou o loiro.
Foi preciso esse grito para que o ruivo despertasse daquela prisão que era o seu passado, que sempre esteve presente. O que não é nada diferente daquilo que ele faz com os outros: praticando a dor física em seus rivais.
— Eu não posso tocar nele, loirinho.
— Joshua, eu se você não pode, eu posso.
Edgar se esforçou, mas ele realmente era alguém muito fraco para carregar Charles nos braços.
— Joshua, por favor. — suplicou.
O ruivo correu para o carro, abriu a porta traseira, voltou ao banco, pegou Charles nos braços e o levou ao automóvel. Edgar também foi no banco traseiro, pôs a cabeça do amigo sobre suas coxas, o cobriu com as próprias roupas e verificou se o celular dele estava no bolso de algumas delas.
— Para onde vamos? — Joshua perguntou.
— A Quadra! Precisamos ir para lá!
Joshua ligou o carro e pisou no acelerador, mas fraquinho Charles conseguiu dizer:
— N-ão... Por favor.
— O quê?! Não é para ir para a Quadra?
— Não quero que me vejam assim. — continuou dizendo com a voz fraca.
— Vamos então levá-lo para sua casa.
Ele sorriu fraquinho acompanhando de uma pequena gargalhada mais fraca ainda.
— Casa? Que casa? Eu vou expulso.
Edgar olhou para o retrovisor interno do carro e encontrou os olhos do seu namorado.
— O Ninho. Nós podemos, não podemos?
— Ele é seu amigo?
— Sim. Ele é meu amigo.
Charles, do ângulo que estava, focou no rosto de Edgar. Como podia o tratar tão bem assim em tão pouco tempo?
Amigo?
— Quer ir ao hospital, Charles?
— Não. Médicos são nojentos.
Edgar retornou ao retrovisor.
— Só pode ser o Ninho, Joshua. Nos ajude.
— Se ele é seu amigo, loirinho, eu o ajudarei.
Joshua retirou os olhos do retrovisor e focou na estrada a sua frente.
Entrar no Ninho nunca foi uma tarefa muito difícil, o que era realmente complicado era dormir lá por conta da fiscalização, tendo em vista que aqueles que não tinham os nomes cadastrado ali, passavam a ter seus nomes numa lista de entrada e saída. Ou seja, quando eles entravam eles assinavam e na hora limite, era fiscalizado para saber se essa pessoa assinou a lista de saída. Dessa forma, eles podiam verificar quem, das pessoas que não moravam no Ninho, ainda estavam lá dentro.
Edgar só conseguia passar mais tempo porque Joshua tinha contato na portaria. No entanto, com Charles não seria tão simples assim, afinal o porteiro já se arriscava demais pondo Edgar lá dentro.
— Você precisa escondê-lo. — Joshua falou.
Edgar precisou pensar muito rápido, pegou as roupas de Charles e cobriu-o sem deixar uma parte do corpo exposta, também retirou sua camisa e pediu a do Joshua. Ele só queria fingir que tudo aquilo era apenas um amontoado de roupas e não um corpo escondido entre elas.
Joshua retirou sua camisa, jogou para Edgar e minutos depois parou na entrada. Infelizmente não era o segurança que conhecia, já que a portaria tinha trabalhadores que viviam de turno.
— Trouxe muita rouba para lavar? — perguntou simpaticamente o segurança.
— Sim. — respondeu da maneira mais seca que conseguiu, sem muito esforço, é claro.
— A máquina de lá de casa quebrou. — mentiu o loiro.
— Faz um tempo que você não aparece aqui, Edgar.
— Muito estudo. Mas agora eu estou finalmente livre, você me verá mais vezes.
Joshua olhou o loiro de relance e ligou o carro.
O segurança abriu a cancela e Joshua passou, buscou estacionar o mais próximo possível do seu bloco de moradia. Ele foi o primeiro a descer, tinha um grupo de jovens ali por perto e ele, usando sua fama de agressivo, só precisou pedir:
— Saiam daqui.
Ninguém questionou e o grupo se desfez as pressas.
Edgar livrou o rosto de Charles das roupas.
Joshua pegou o garoto e foi rapidamente para seu bloco, entrou e se dirigiu ao quarto. Edgar veio depois e constatou que os membros dali presenciaram.
— Por favor, não contem a ninguém que viram isso.
Todos concordaram, mais por Joshua do que pelo Edgar. O loirinho voltou ao quarto e encontrou Joshua de pé ao lado da cama enquanto Charles estava deitado, ainda nu.
— O que aconteceu, Charles? — Edgar perguntou.
Ele ficou quieto, não respondeu.
— Vou entender o seu silêncio, mas preciso cuidar das suas feridas, você está muito machucado. Aguenta tomar um banho?
Ele balançou a cabeça, concordando.
— Joshua vai preparar a banheira com água morna para você. — o loiro olhou para o ruivo e Joshua rapidamente saiu do quarto.
Edgar sentou na cama.
— Quando quiser conversar, estou aqui para ouvir e aconselhar.
— Você realmente se importa comigo?
— Claro! Por que não me importaria? Ainda mais o vendo nessa situação.
Não deu cinco segundos e Charles caiu no choro. Um choro carregado de soluços e muitas lágrimas.
— Eu sou um lixo para os meus pais. Eu sou um lixo para minha família. Eu nunca fui o queridinho, eu nunca fui o favorito.
— Não pense assim. Não se sinta inferior, isso só vai prejudicar você. Há pessoas que gostam de você e eu sou um deles.
Charles só sabia chorar, falar alguma coisa estava sendo difícil, já que seu choro impedia a fala.
— Está pronto. — Joshua apareceu no quarto falando.
— Aguenta ir andando ou prefere ser carregado? — Edgar perguntou.
Mas Charles, mesmo todo dolorido, fez esforço e se levantou da cama. Acompanhado de Edgar, ele se dirigiu ao banheiro. Joshua aguardou no quarto a pedido do loirinho.
O banho foi muito confortável para Charles, embora ele ainda permanecesse a chorar. Depois voltaram ao quarto, Edgar tratou dos ferimentos dele, gastando muito tempo, aliás, já que ele estava com o corpo todo ferido e marcado pela força do cinto. O rosto de Charles, a primeiro olhar, estava irreconhecível. Olho e lábios inchados, o nariz com cortes internos e até a marca do cinto na bochecha.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Depois de ter feito tudo, Edgar deixou Charles sozinho no quarto, a pedido do tigre, saiu de lá em silêncio. Joshua deu uma última olhada no garoto novo, fechou a porta e acompanhou o loiro que se dirigia para fora do bloco.
Edgar respirava fundo e olhando ao céu, pegando um ar. Joshua, quieto, ficou atrás dele.
— Por que existe tanta gente má? — questionou o loiro.
Joshua demorou um tempo até responder:
— Eu não sei.
— O que você acha que aconteceu com ele?
— Eu também não sei.
Edgar suspirou.
— Deveríamos ir a polícia?
— Se você quiser...
— Mas me parece que ele não quer isso. Ele é bem difícil, sabia?
— De onde você o conhece?
— Você nunca o viu?
— Não me recordo.
— Ele é um morador dos tigres e, nada mais, nada menos, que um Ferazza. Ou seja, ele é primo do Sean.
Joshua não ficou muito contente, mas não se manifestou contra o fato de Edgar cuidar de alguém dos tigres.
— Você se importa se ele dormir no seu quarto?
— Eu me viro.
— Talvez eu durma aqui hoje para me certificar de que tudo ficará bem.
— Com ele?
— Sim, tem espaço.
Joshua engoliu em seco, abaixou a cabeça e pôs as mãos nos bolsos.
— Você gosta dele, loirinho?
Edgar só o olhava, mas não o deixou sem resposta:
— Você sabe muito bem de quem eu gosto. — Joshua levantou os olhos. — Mas eu também cansei de levar aquela vida.
— Eu mudo.
— Quantas chances eu te dei? Falar assim da boca para fora parece fácil demais.
Joshua mais uma vez desceu os olhos ao chão.
— Eu sinto a sua falta... Todos os dias. — disse o ruivo.
Quando Edgar ia responder, ele sentiu algo passar por suas pernas e, no susto, deu um grito e abraçou o ruivo.
— Tinha algo nos meus pés! — falou olhando para o chão.
Mas Joshua estava apenas pensando naquele abraço e o quão rápido seu corpo reagiu para apenas protegê-lo. Quando Edgar voltou seus olhos ao ruivo, lá estava ele o encarando. Edgar engoliu em seco e pareceu ficar hipnotizado.
Não bastasse isso, o corpo do Joshua reagiu e ele estava aproximando seu rosto para beijar o loirinho, sendo que Edgar não fez nada além de deixar com que ele se aproximasse mais e mais, sinal de que ainda havia muito sentimento nos dois.
Faltando quase três centímetros para que os lábios pudessem se encostar, a porta do bloco foi aberta e de lá um morador surgiu, interrompendo-os:
— O garoto tá chamando você, Edgar.
Edgar se afastou do ruivo, tossiu e fingiu arrumar suas roupas. Ele suspirou, ficou com vergonha de olhar para o ruivo e, de cabeça baixa, entrou no bloco.
Ainda o olhando pro vazio que Edgar deixou, Joshua não saiu do seu lugar.
[...]
— Caine, não fica assim. Luke é um filho da puta, vamos expulsar ele.
Mas Caine permaneceu afogando o rosto no travesseiro.
— Eu mesmo vou expulsar ele, pode deixar. Aquele desgraçado acha que tem autoridade aqui dentro.
Caine retirou seu rosto do travesseiro e se sentou na cama. Danion estava ao seu lado, só o olhando até o puxar para um abraço. Com a cabeça repousada no peito do branquelo, Caine finalmente falou:
— Não precisa expulsar ele.
— Claro que precisa! Ele te desafiou. Ou você quer que eu contrate alguém para meter a porrada nele?
— Dan, você acha que eu sou um péssimo amigo? — questionou mudando o assunto repentinamente.
— É lógico que não! Se isso for por causa do Colin, pode ir parando com esses pensamentos por aí. Colin só está com vergonha de ver todo mundo, mas eu não sou todo mundo, eu tenho a chave do quarto, mas no primeiro dia eu quase que fui derrubado da escada. Mas ele se vence pelo cansaço.
— Eu sou um dos melhores amigos dele, poxa. Eu só queria subir lá e o ajudar.
— Mas Caine, o Colin é daqueles que prefere estar sozinho. Já te disse que eu só entro lá porque tenho a chave, mas nem sempre ele me diz algo. Ele fica quieto e em silêncio, eu tenho que forçar ele a comer. Ele não quer ver ninguém, ele está com vergonha. Vergonha até de sair na rua e todo mundo o encarar ou fazer perguntas sobre o término.
— Eu entendo, mas sinto tão incapaz.
— Você quer ir comigo lá agora?
— Não. Se ele não quer ver ninguém, respeitarei a decisão dele.
— Eu deveria ser igual a você, mas não consigo. — falou e sorriu, logo começou a mexer nos cabelos do namorado. — Aquele anão vai ser obrigado a me ver todos os dias.
— Estou pensando no que o Luke disse.
— Luke é um filho da puta, já disse.
— Dessa vez é sobre ele pensar que estou defendendo o Sean e esquecendo o Colin. Mas eu não estou escolhendo lados, Dan. Eu estou? — falou e levantou os olhos, vendo o rosto do namorado de baixo por estar deitado no peito dele.
— Não! É claro que não. Eu sei o que você está querendo fazer, Caine. Eu não acredito no Sean, mas você acredita. Eu não vou brigar com você por isso, tem fases na nossa relação que já passou.
— Eu só quero que reflitam no que aconteceu e pensem que isso foi armado.
— Eu não acho que isso aconteceu. Colin também está confuso quanto a isso.
— Tudo bem. Meu medo é que o pessoal pense que estou escolhendo lados. É claro que eu nunca ia ficar contra o Colin, ainda mais agora. Eu só torcia bastante por ele e pelo Sean e eles acabaram por causa de uma garota que ninguém sabe de onde surgiu. É muito estranho, Dan.
— Olha, Caine, só evite falar do Sean com o Colin, pelo menos para o bem dele.
— Sim, você tem razão.
— Mas quanto ao que pensa, eu vou respeitar. Mas agora eu vou ter que ir levar a comida do Colin, senão ele nem come.
— Pode ir, eu vou tomar um banho.
— Por que não me espera para tomar banho comigo?
Caine afastou-se dele.
— Ontem não aconteceu nada...
— Safado!
— Por você, sim.
Danion acabou atacando o namorado na cama, beijando-lhe intensamente até ficar com os lábios vermelhos, como se tivesse passado batom.
— Me espere.
Caine não teve escapatória, apenas confirmou e sorriu. Danion deu-lhe um último beijo antes de sair do quarto.
O branquelo foi aos leões e todos ainda estavam na sala debatendo sobre o Colin, mas se calaram na presença dele.
— A comida do Colin tá pronta?
— Sim. — Hugh respondeu e foi buscar. — Aqui.
Danion pegou o prato, subiu as escadas, retirou a chave do bolso e entrou no quarto que era dele com o Colin. O pequeno estava de pé, em frente a janela, assistindo a lua aparecer, muito brilhante e se destacando naquele céu negro.
— Você não almoçou? — Danion perguntou ao ver todo o prato de comida que deixou horas antes em cima da mesa de cabeceira. — Colin, você precisa se alimentar.
Colin permaneceu em silêncio. Só pela entrada da luz da lua, naquele quarto com pouca ausência de iluminação, dava para perceber que Colin ainda chorava.
—Eu vou ficar aqui até você comer isso que eu trouxe. — falou sentando-se na cama e pondo o prato ao lado do outro.
Colin ainda estava quieto, só observando a república do ex-namorado. Há tempos Sean não aparecia ali, e todas as noites Colin ficava naquele mesmo lugar apenas para vê-lo chegar, mas isso não acontecia.
Levantando-se, Danion foi ao lado do amigo.
— Você não vai viver para sempre trancado nesse quarto.
Novamente o silêncio. Danion respeitou, mas não saiu daquele lugar, até finalmente ouvir a voz dele:
— Amanhã de manhã sairei.
— Ótimo! Eu posso ficar com você o tempo todo se isso te conforta.
Colin enxugou as lágrimas de uma vez por todas, esfregou o nariz e olhou para o branquelo:
— Eu disse que você me levaria a um lugar que ninguém pode saber.
— Vai finalmente me contar para onde iremos?
— Iremos visitar o Colton na prisão.
— O que?! — Danion quase gritou, seu queixo foi ao chão.
— Ele mesmo. — disse o leonino, afastando-se do amigo e finalmente indo até a sua refeição.
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