República de Tigres
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Sete horas da manhã de um sábado não era o melhor horário para se acordar, especialmente para estudantes que amavam o final de semana justamente porque poderiam acordar tarde. Mas como em todos os jogos da quadra, nesse não seria diferente. Os que participariam deveriam ir para o ginásio para a fase de seleção dos times.
Colin não chegou a exatamente participar de um jogo da Quadra, pois ele foi cancelado, mas participou da seleção e já sabe como todo mundo é muito competitivo. Afinal, o time vencedor tem o direito de fazer moradores seus servos.
Para algumas pessoas, que no caso seria a grande parte dos moradores da Quadra, já que há bastante novatos, seria a primeira vez em que eles participariam.
— O que temos que fazer? — Carter questionou.
— Vencer. — Luke, terminando de amarrar os tênis, respondeu.
— Nós iremos competir com as outras repúblicas, Carter. O objetivo é acumular pontos para não sermos eliminados. Ainda não sei exatamente como vai funcionar, mas é mais ou menos isso que estou falando. — Samuel respondeu ao colega, ele deu uma rápida olhada em Luke, mas logo desviou a atenção.
— E o que ganhamos?
— O direito de escolher uma república para nos servir. Pedir uma faxina, que pintem a faixada e cortem o gramado. Coisas do tipo. É uma recompensa idiota, mas interessante.
— Isso quer dizer que eu posso fazer de alguém meu servo eternamente? — Carter pareceu se animar, imediatamente pensou no Patrick.
— Por uma semana.
— Égua! Nós iremos vencer. — o loiro sorriu animado.
Luke revirou os olhos, ficou de pé e foi pra cozinha buscar por uma garrafa d’água. Ele voltou pra sala que estavam todos vestindo camisa ou camiseta branca já prontos para irem ao ginásio.
— Os Águias são os que têm o maior número de vitórias nos jogos da quadra, então vamos permanecer assim, está bem? — Caine falou.
— É claro! Eu não vou perder para um bando de marmanjos. — Clara falou ainda prendendo o cabelo.
O time dos águias consistia em Caine, Carter, Samuel, Luke, Edgar e Clara.
Todos eles se dirigiram para fora da república, logo encontraram os leoninos também se encaminhando para o ginásio, onde muitos moradores já se encontravam lá para a abertura oficial dos jogos.
— Ei, Caine! — Colin chamou ao amigo. — Eu não vou pegar leve.
Caine somente sorriu.
— Águia ou galinha? — Danion provocou o time rival.
— Muito engraçadinho... — Samuel rebateu.
Distante, Carter viu Patrick conversando bem empolgado com Hugh.
Os leões não optaram por uma cor única, todos eles usavam roupas diferentes sem nada em comum.
— O time de vocês é o mais fraco. — Luke, juntando-se ao Colin e ao Caine, falou para o leonino. — Saudades dos meus antigos rivais. Nada mais emocionante do que me imaginar jogando contra o William.
— É a primeira vez que você participa, não é Luke? — Caine perguntou.
— Sim e eu vou com tudo.
— Você acha mesmo que meu time é fraco? Pois espera só até eu ver você me servindo. — Colin disse.
— Seria uma honra. Tenho fetiche com isso. — Ele piscou para o pequeno.
Colin estapeou o braço dele, mas não pôde deixar de sorrir.
— Houve alguma mudança no seu time? — Caine perguntou.
— Não. Seu namorado até tentou. — Ele relembrou. — Mas não conseguiu me tirar, babaca. Danion acha que eu sou fraco.
Nos leões o time era completo com Colin, Marcus, Julius, Connor, Calvin e Danion.
— Ignore as provocações dele.
— E você acha que eu me importo? Mas eu já tô odiando o Sean. Danion me fez relembrar da humilhação que eu passei no jogo de basquete. Se o Sean fizer aquilo comigo novamente, eu juro para você que eu vou dar dez tapas em cada lado da cara dele.
Caine sorriu ao ter a mesma recordação. Tanto para ele, quanto para Colin, aquele jogo não foi fácil. Ambos foram praticamente inúteis nas mãos dos veteranos que sabiam jogar muito bem basquete.
— Eu vou adorar assistir isso. — Luke falou, ele recebeu um olhar intimidador do Colin. — Adorar ver você batendo no Sean. — Corrigiu-se.
Em meio a conversas chegaram ao ginásio. Bem organizado, com decorações coloridas e bem esportivas com um palco no centro da quadra de basquete. A frente do microfone, dez caixas transparentes de acrílico, mas diferenciadas pelos nomes dos times, estavam alinhadas, contendo uma medalha de prata cada uma delas e algo que Colin, a princípio, não sabia identificar, mas conseguia distinguir as cores: preto, cinza e branco.
Diferente da última edição dos jogos, esse parecia mais organizado. Feliz e empolgado, Colin deslocou-se aos companheiros.
— Nós realmente precisamos passar da seleção e vencer os jogos esse ano.
— Quem garante com você no time? — Danion provocou.
— Cale a boca.
— Danion, é uma questão de estratégia. Colin sendo pequeno pode nos ajudar em algum jogo.
— Olha o time do Sean! Você já viu? — Emburrado, Danion falou.
Ouvir o nome do namorado fez Colin quase quebrar o pescoço ao olhar pra trás e vê-lo próximo das arquibancadas.
Os tigres estavam usando camisa regata na cor preta. Isolado do seu time, Sean estava com os braços cruzados observando a movimentação, ainda não tendo visto o namorado. Kai e Brandon conversavam e Charles parecia repreender os outros dois colegas que fechavam o time.
— O que tem demais? Você já viu o nosso? Nós temos o Calvin, o Marcus e o Julius. — Colin falou. — Eu vou calar a sua boca ao provar para você que vou levar nosso time para a vitória.
— Obrigado por se lembrar de mim, Colin. — Connor falou ao não ouvir seu nome citado pelo líder.
Ian apertou a mão dele.
— E o Connor! — Falou o pequeno.
— Pelo menos nós cinco eu até garanto. Olha nosso físico...
Danion não completou a frase, Colin deu um grito, mas foi uma gargalhada.
— O quê? Seu físico? Até eu tô começando a ficar mais forte que você.
— Vai tomar no cu! Só se for de tanto dar a bunda pra o Sean, nesse caso sim você tá ganhando músculos no traseiro.
— Vai pra merda, Danion.
Irritando-se, Colin deu as costas e seguiu até o namorado que naquele instante já tinha o avistado a caminho.
Colin passou por Charles e ambos trocaram olhares rudes, uma faísca a mais e aquele ginásio pegaria fogo por tamanha confusão que se iniciaria.
— Preparado pra perder? — Colin falou para Sean.
— É melhor você voltar pra onde está seu time.
— Prefiro ficar perto do meu namorado.
— Namorado? Aqui nós somos inimigos, rivais, competidores. E eu não terei pena de você em nenhum dos jogos.
— Que garantia você tem de que vai passar da seleção?
— Os leões tem você.
Sean, em toda sua arrogância, não se despediu do pequeno ao se afastar dele e se dirigir para o outro lado da arquibancada.
Boquiaberto, Colin o olhou. Uma súbita fúria tomou-lhe conta, mas ele precisou se conter. Sean provavelmente ainda estava com raiva do que ocorreu dias antes dos jogos.
Colin voltou para junto dos seus amigos e no mesmo momento alguém tomou o microfone do palco, conseguindo a atenção do ginásio barulhento que imediatamente se silenciou.
— Bom dia! — Disse a voz ecoante.
O bom dia dos que estavam no lugar não foi caloroso, parecia até um velório. Mesmo que animados para competir, eles estavam mais concentrados e preocupados em vencer do que demonstrar simpatia.
— Me chamo Daniel, sou morador de uma república menor, e esse ano fui o encarregado por organizar os jogos. Já faz alguns anos em que não temos os jogos por conta de uma confusão na última edição, mas que fique bem claro que neste ano as coisas tornarão a ser organizadas e justas como antigamente. Os jogos são nossos momentos de diversão e, é claro, de competição.
Daniel prosseguiu falando. Danion bocejou e encostou-se no ombro do Colin, ambos eram como cão e gato na amizade.
— Espero que façam jogos limpos, sem trapaças e com honestidade. — Falou Daniel ao final.
Charles sorriu, Sean conseguiu encontrar o olhar de Colin, mas não esboçou alguma animação, continuava sério.
Após tomar um copo com água, Daniel tomou o microfone mais uma vez e disse:
— Nesse ano, batemos o recorde de times competindo na seleção. No total, foram dez times inscritos. Por gentileza, todos os dez times se posicionem aqui na frente do palco. — Pediu. — Os demais que não estiverem participando podem ir para as arquibancadas, por favor.
Assim os times começaram a se organizar como foi pedido. Demorou cinco minutos até que estivesse tudo pronto. Algumas pessoas da organização juntaram-se aos competidores e aos poucos foram colocando um cordão com uma chave sobre o pescoço de cada membro participante.
— Meus colegas estão aí no meio de vocês distribuindo algumas chaves em cordões. Isso faz parte da seleção.
Colin foi um dos últimos a receber o cordão com a chave, para cada time o cordão era de uma cor diferente, os leões receberam a cor vermelha, os águias a laranja e os tigres a cor verde. Ele avaliou o objeto com curiosidade, em seguida olhou para as caixas de acrílico que continha o cadeado, tentou ligar uma coisa à outra, mas tudo deixou de fazer sentido quando Daniel continuou falando:
— Agora olhem pra trás. — Daniel pediu.
Quando Colin virou, ele pode ver dez garotas, ambas afastadas umas das outras, mas ainda assim um pouco próximas. Elas seguravam bandejas em suas mãos com seis papeis enrolados e presos por laços da mesma cor dos cordões.
— Dirijam-se para a cor semelhante à dos cordões que estão em seus pescoços — Daniel prosseguiu falando —, mas não façam nada até que eu mande. Talvez vocês estejam pensando que as chaves que estão em seus pescoços sirvam para abrir os cadeados que estão aqui, mas de nada elas serviriam, pois estes cadeados aqui só abrem com senhas.
— Ô desgraça, você vai pôr a gente pra correr, não é? — Danion perguntou.
Daniel sorriu.
— Aguarde, Danion. A proposta da seleção é a seguinte: espalhadas pela cidade há várias caixas como essas.
— Puta que pariu. Qual o problema de vocês? Não poderia ser pela Quadra não? Pela universidade? — Resmungou o branquelo.
— Cale a boca e deixe ele continuar. — Charles falou.
— Quem é você mesmo? — Danion o encarou.
— O que vai acabar com sua raça logo em breve.
— Ui, ele tá com raivinha. Ui, ui, ui. — Provocativo, Danion começou a zoar. — Ah, vai mergulhar no mar de porra, desgraça dos infernos.
— O que você falou? — Charles imediatamente bateu o pé no chão e começou a caminhar, mas Brandon o segurou.
— Não dê motivos para sermos eliminados. — O loiro falou.
Quieto, Sean apenas observava.
— Atenção aqui! Deixem toda essa rivalidade apenas para o momento dos jogos. — Daniel ordenou. — Continuando: Como eu ia dizendo, há várias caixas como essas espalhadas pela cidade, mas diferente dessas, nesse caso, vocês podem usar as chaves que estão nos cordões que estão usando.
— Nas caixas contém as senhas que abrem os cadeados. — Marcus, facilmente compreendendo, previu o que ele iria dizer.
— Em cada caixa há um número, não se preocupem, pois eles estarão sequenciados e vocês perceberão isso quando encontrá-los. A senha contém seis dígitos e como já é previsível, ela será usada para abrir uma dessas caixas aqui posicionadas, que estão identificadas com o nome dos times de vocês. Aí próximo de vocês, nesses papeis enrolados nas bandejas, há diversos enigmas que vocês terão que desvendar para saber a localidade da caixa que deverão abrir.
— Fácil. — Connor falou para o time. — Venceremos essa.
— Alguma dúvida? — Silêncio. — É isso. Quando eu soar o sinal, vocês podem pegar as dicas na bandeja e bolar a estratégia que quiserem. Os seis primeiros times a conseguirem voltar com a senha serão automaticamente selecionados para participar, oficialmente, dos jogos da Quadra. Ah, antes que eu me esqueça, é proibido se comunicar com os outros membros de suas repúblicas, por isso vocês devem deixar os celulares com as garotas e não se preocupem, elas não verão a quantidade de pornografias que escondem nos aparelhos. — Brincou ele. — Enfim, fiquem preparados para o sinal.
Tensão.
Colin olhou para o time do Sean e todos eles pareciam tranquilos, bem diferentes do leonino que tentava manter a calma, mas estava ansioso e na expectativa de que a seleção logo começasse.
Marcus, Julius, Calvin, Danion, Colin e Connor olharam para a garota que mantinha a mão na proteção da bandeja e só iria abrir quando o sinal fosse dado.
— Poderiam depositar os celulares de vocês neste saco de pano que está amarrado a minha cintura?
Os garotos não relutaram.
— Não se preocupem, vai ser fácil. Eu estou torcendo por vocês! — Disse ela sorridente.
— De qual república menor você é? — Colin, tentando de alguma forma manter a calma, questionou.
— A do Dave. Ele acha que os tigres levam esse ano, mas fizemos uma aposta e acredito que esse ano vocês levam. Não me decepcionem, ok?
— Daremos o nosso melhor. — Julius falou e em seguida piscou pra ela, obviamente a cantando.
Marcus o olhou e revirou os olhos, Colin observou aquilo com curiosidade, mas nada comentou.
Antes que pudessem imaginar, uma buzina muito estridente ecoou pelo ginásio, a garota então abriu a bandeja e, como famigerados, cada leonino tomou uma dica em mãos, quase as rasgando enquanto retiravam os laços.
— Uma foto. — Era a dica que o Danion pegou. — Mas que porra é essa? Uma foto de... O que é isso?
Ninguém deu a mínima para o que ele estava falando, todos estavam atentos em suas dicas.
— “Willis”. — Julius disse sua dica em voz alta, que era apenas uma palavra entre aspas.
— Vá ao auditório da reitoria. — Leu Colin. — O meu parece fácil.
— “Em lembranças sou eternizado, faço parte do seu passado. Sobre o topo meu nome é pregado, das árvores me restam as raízes.” O quê? Alguém entendeu isso aqui? — Connor, confuso, coçou a cabeça.
— Eu preciso decifrar um texto. — Calvin falou. Seu papel continha várias figuras que correspondia a alguma letra do alfabeto, assim ele precisava descobrir para saber onde estaria a caixa.
— Colin, acho que essa é pra você. — Marcus, segurando o papel aberto, olhou para seu líder.
— Como assim pra mim?
Marcus leu:
— Colin: a raiz do seu primeiro amor.
Foi nesse momento em que todos olharam para o pequeno. Colin tomou o papel do Marcus, não acreditando que aquilo era realmente para ele, mas pôde comprovar.
— Isso só pode ser brincadeira né? Uma dica exclusiva pra mim? — Questionou ele à garota.
— Não posso falar nada até que seja finalizada a seleção.
Quando Colin olhou ao redor, os times já estavam todos se dissipando.
— Não há tempo pra criar discussões a respeito disso, Colin. Tudo o que precisamos fazer agora é decifrar os enigmas. — Marcus falou.
— Se o Ian estivesse aqui ele teria descoberto todos eles.
— Foi o que eu disse! Seria melhor o Ian do que o Colin. — Danion falou.
— O que tem no seu, Danion? — Julius perguntou.
— Uma foto. Quer dizer... Duas fotos, só que uma está sobre a outra. Mas eu não tô entendendo nada.
— Deixe-me ver. — Calvin logo a puxou das mãos dele. — É o centro agrário da universidade.
— O quê? O centro agrário fica afastado da universidade e é imenso! Eu vou ter que ir até lá? — Danion perguntou.
— Provavelmente. Acredito que essa segunda fotografia é um zoom de alguma parte do centro agrário, mas não dá para descobrir com facilidade apenas olhando essa foto. O jeito é você ir até lá e tentar desvendar o enigma. Tudo o que vejo aqui é uma área verde com um ponto branco. — Calvin respondeu.
— Eu vou matar o filho da puta que fez esse desafio. Eu vou ter que revirar aquele lugar por causa de uma caixa? Esse ano eles pegaram pesado. — Resmungou o branquelo.
— Ótimo, pelo menos temos a resposta para um enigma. — Connor falou. — Agora alguém quer descobrir o meu?
— Estamos perdendo tempo aqui dentro, só restamos nós e outro time. Os tigres foram os primeiros a irem atrás das respostas. — Marcus falou.
— Vamos todos juntos? — Julius perguntou.
— Isso seria perder tempo. O objetivo aqui é ser rápido, não é? — Marcus respondeu.
— Seria mais fácil, ora. Se formos todos juntos, teremos as seis chaves conosco e logo abriremos a caixa sem muita dificuldade.
— Você é burro, Julius. Isso significa que nós perderíamos tempo, muito tempo por sinal. A melhor solução é nos separar, descobrir os enigmas e ir atrás das caixas.
— Mas nós não sabemos qual chave iria abrir a caixa que eu, por exemplo, iria buscar.
— É claro, é por isso que ele colocou as chaves, dificultando ainda mais. O lance aqui é estratégia. — Marcus respondeu impaciente. — Eu sugiro que nós façamos duplas. A dica do Danion provavelmente já foi descoberta.
— Eu posso ir com ele. — Connor falou. — No caminho eu tento descobrir o que significa meu enigma.
— O que tem nele? — Danion perguntou.
Colin estava quieto.
— “Em lembranças sou eternizado, faço parte do seu passado. Sobre o topo meu nome é pregado, das árvores me restam as raízes.” — Respondeu ele.
Os garotos tentaram entender.
— Não faço ideia. É melhor você ir com o Danion, o ajude e aproveita o caminho para tentar descobrir o que significa. Eu vou para o auditório da reitoria e levo o Julius comigo. Calvin e Colin vocês têm desafios semelhantes, sugiro que vão para um lugar mais afastado e tentem descobrir a resposta.
— Nos encontramos na república. Precisamos ser rápidos, muito, muito, muito rápidos.
— Meia hora no mínimo e uma hora no máximo, ok? — Marcus perguntou a todos.
— Ok. — Disseram em conjunto, com exceção do Colin.
Danion logo segurou Connor pela mão e o puxou, ambos correram para a saída do ginásio em busca da moto do branquelo. Marcus e Julius foram juntos pra universidade enquanto Colin, ainda lendo repetidas vezes o papel, ficou parado.
Calvin disse:
— Colin, eu preciso de um papel e uma caneta. — O pequeno não respondeu. — Colin. Colin? Ei! — Tocou-lhe.
— Sim?
— Vamos para a república, lá pensamos com calma.
— Ok. — Disse ele, ainda pensativo.
Calvin caminhava muito rápido enquanto Colin quebrava a cabeça tentando entender o que significava seu enigma.
[...]
Quando Connor desceu da moto ele voltou a ler o papel.
— Você faz ideia do que seja? — Questionou ao branquelo.
— Você olha de um lado e eu olho do outro. Procure em tudo que é lugar que você achar que esteja.
Danion não deu a mínima para a pista do Connor, simplesmente seguiu caminhando e olhando para todos os lados na tentativa de encontrar a maldita caixa com o número.
Connor, como sempre foi tranquilo, enrolou o papel para guardar no bolso e foi para o lado esquerdo do centro de ciências agrárias. Os seguranças fizeram alguns questionamentos a ele até que tudo fosse facilmente resolvido e logo ele tornou a andar pelo local.
Connor estava mais encantado com os animais, em especial os cavalos que comiam e corriam atrás de uma cerca. Vacas ficavam em outra extremidade, um pouco distantes dali, mas elas ainda eram vistas por ele.
Danion, do outro lado, via ovelhas e porcos. O branquelo, com a pouca paciência que estava por ter pego essa pista, observava a foto em sua mão, tentando descobrir se algo fazia sentido: uma foto onde ficava obvio que era um gramado ao fundo, mas a parte branca o deixava intrigado.
Eles já estavam a quinze minutos e nada de encontrar a bendita caixa. Danion, em especial, já estava a ponto de chutar tudo o que via pela frente.
— Será que se gravar um vídeo aqui perco muito tempo? — Connor se perguntou.
Ele imediatamente puxou uma câmera pequena e simples do bolso, que ele justamente costumava carrega-la para momentos assim caso o seu celular acabasse a bateria, para gravar vlogs ou vídeos aleatórios que pudesse usar em seu canal.
— E aí gente do mundo todo! Advinha onde eu estou? — Connor filmou os cavalos. — Estou participando de uma prova para os jogos da quadra e meu objetivo aqui é descobrir onde uma maldita caixa está escondida.
Sozinho, Connor começou a caminhar e filmar o espaço ao redor, ele focava em especial os animais.
— Olha só um bode! — Falou ele. — Tadinho, tá sozinho. — E mostrou o animal.
O bode era da cor branca e se alimentava na maior paciência do mundo, parecendo até mesmo os típicos bodes de desenhos animados que são quietos e ficam parados, mexendo apenas a boca enquanto fazem sua degustação.
— Ele parece solitário, não tem ninguém com ele, bem diferente dos outros animais. Ei, o que é aquilo? — Questionou-se ao ver a luz do sol refletindo sobre algo que parecia brilhar próximo a água que o bode bebia. — Acho que encontrei! A caixa! Danion! — Gritou ele.
Danion ouviu o grito do amigo e correu seguindo a voz dele.
Connor ainda segurando a câmera, se filmou. Ele estava sorridente e olhando para a câmera, em seguida olhou pra cerca e percebeu que a porta ficava do outro lado, para isso ele teria que dar a volta e, como um bom preguiçoso, às vezes, achou melhor pular a ter que caminhar tudo aquilo e entrar.
Assim Connor fez; saltou a cerca, olhou para o bode e viu que ele ainda permanecia quieto, comendo, como se não tivesse o visto. O leonino então começou a caminhar.
— Achei que eu iria perder mais tempo procurando essa caixa. — Disse ele sorridente olhando para a câmera. — Aliás, vocês que são meus inscritos e conhecem a Quadra Nove, poderiam vir aqui nos próximos jogos nos prestigiar.
— Connor! — Ele ouviu a voz do Danion.
O garoto olhou para o branquelo que agitava desesperadamente os braços.
— Connor, o bode! — Gritou o branquelo.
Quando Connor olhou pra trás, lá vinha o bode furioso atrás dele. Num grito muito alto, Connor, segurando a câmera ainda focalizando o seu rosto, correu desesperadamente. Primeiro ele quase caiu no chão quando pisou num amontoado de terra, mas conseguiu se equilibrar.
— Socorro! — Gritou. — Ele vai me matar!
Danion estava preocupado com o amigo, mas a situação foi engraçada.
— Danion! Danion! Tira esse bicho de cima de mim!
Enquanto gritava, Connor ainda corria com o bode atrás dele. Ele deu a volta num tonel de plástico e o bode repetiu a ação. Connor até se aproximou da caixa de acrílico, mas não pensou em pegá-la, apenas se via correndo feito um louco.
— Connor! Pula a cerca! A cerca!
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! — Gritava ele vendo que o bode se aproximava.
Não vendo alternativa, Danion saltou a cerca.
— Distrai ele um pouco mais. — Gritou o branquelo correndo em direção a caixa de acrílico.
Mas Connor, no seu desespero, vendo o amigo ali dentro, qual foi a primeira coisa que pensou? Sim, correr pra perto dele na tentativa de se proteger.
— Danion, foge! — Gritou o garoto.
Quando Danion olhou pra trás, quase se aproximando da caixa, lá estava Connor e o bode vindo em sua direção. O branquelo o insultou bem alto e acelerou os passos.
— Corre! Corre! Corre! Corre! — Repetia o Connor.
Danion quase caiu no chão quando precisou “frear” pra pegar a caixa, tendo-a em mãos, ele olhou para Connor e o amigo estava ainda mais próximo. Danion se preparou pra correr, mas Connor caiu no chão. Ele então voltou, apanhou o amigo, segurou na mão dele e, na maior velocidade que conseguia obter, correu em direção a cerca.
— Socorro! Ian, eu te amo! — Gritou. — Nunca se esqueça disso!
— Vai tomar no cu!
Danion olhou pra trás e viu que o bode estava a menos de um metro, mas para a sua sorte, a cerca estava bem próxima. Ele foi o primeiro a saltar, Connor ainda precisou de ajuda, mas conseguiu escapar com, segundo ele, vida.
O bode parou a centímetros da cerca.
Connor ajoelhou-se no chão, ofegante. Ele desligou a câmera e a guardou no bolso lembrando-se naquele momento que estava a segurando-a com ela ligada.
— Minha nossa! — Dizia ele ainda se lembrando do momento aterrorizante.
Connor suava bastante, até sentia as gotas do suor escorrer por sua testa. Ele não conseguia regular a respiração, até parecia que cada vez mais tinha falta de ar.
Danion, de pé, apoiava suas mãos nas coxas enquanto observava a caixa que havia deixado no chão.
— Você é muito burro, Connor! Eu mandei você distrair o bode e você o trouxe pra mim. — Falou o branquelo.
— Eu achei que iria morrer!
— Era só um bode!
— E você também fugiu dele.
Danion não falou nada, apanhou a caixa.
— Vamos, não podemos perder tempo.
Levantando-se do chão, Connor engoliu em seco, descobrindo ali que estava morrendo de sede e acompanhou o branquelo que ia em passos apressados para sua moto.
— Você não viu sua vida passar por seus olhos não? — Questionou ao amigo.
— Claro que não. — Grosseiro, Danion respondeu.
— Eu juro que achei que ia morrer. Eu achei aquele bode tão inofensivo.
— Iria encontrar seus antepassados que são estúpidos iguais a você, provavelmente. — Respondeu pegando o capacete.
— O que você disse?
— Nada, agora sobe na moto.
— Repete o que você disse.
— Por quê? Vai brigar comigo aqui?
— Não. Você disse antepassados? — Connor retirou o papel do bolso e começou a ler novamente sua pista. — “Em lembranças sou eternizado, faço parte do seu passado. Sobre o topo meu nome é pregado, das árvores me restam as raízes.”
— O cemitério. — Danion falou pegando com facilidade, diferente das outras vezes, a dica.
— Só pode ser isso. Os mortos ficam nas lembranças, nas fotos... Faz parte do meu passado e...
— Cala a boca, Connor. É isso mesmo, não precisa deduzir parte por parte. Vem, vamos.
Connor sorriu, guardou o papel e estava feliz por ter descoberto alguma coisa, já se imaginava contando a história para o Ian e de como foi esperto o suficiente para descobrir o que sua pista significava. Amava quando Ian demonstrava sentir orgulho dele, às vezes o recompensando com beijos e carícias.
— E se dessa vez um fantasma nos perseguir? — Ele questionou, mas brincando.
Danion nada disse. O aguardou subir na moto e pôr o capacete, imediatamente seguiram para o cemitério.
[...]
Marcus chegou ao auditório da reitoria sem saber para onde iria primeiro enquanto Julius estava atrás, lendo repetidas vezes a palavra “Willis”. O leonino de cabelos mais escuros viu num papel escrito “pegue o mapa abaixo” que havia uma seta indicando onde estava o que era pra pegar.
Sem perda de tempo, Marcus pegou o mapa e o abriu.
“Dê sete passos para a esquerda” assim tinha escrito. Obedecendo a ordem do mapa, Marcus fez. Num papel colado no chão estava escrito: “Agora caminhe até chegar a primeira escada” olhando para a direção da escada, ele seguiu correspondendo ao comando. “Suba a escada” era o que dizia outro papel fixado ao corrimão. “Caminhe até a outra escada” outro papel o deu essa mensagem, mas dessa vez ele, impaciente, revirou os olhos e viu que a segunda escada ficava próxima da entrada da reitoria, local que ele já estava e que seria mais fácil um recado mandando ele ir por lá, mas obedecendo ao desafio, o garoto fez o que estava mandando o papel.
— Pra onde você vai? — Julius gritou. Ele ainda estava na parte inferior da reitoria.
— Pra escada do auditório.
Julius somente olhou pro lado e viu que a escada estava bem próxima, assim subiu e chegou primeiro que Marcus.
“Conte até dez em voz alta e depois bata na porta.” Ao ler isso, Marcus olhou ao redor procurando por pessoas e até mesmo por câmeras, mas como não queria perder tempo, fez a contagem muito rapidamente e bateu na porta.
Felizmente a porta foi aberta e ele entrou acompanhado de Julius.
— E o meu enigma?
— Fica quieto, eu ainda estou no meu. Tenta resolver sozinho. — Ele já estava irritado com toda a pegadinha do mapa.
— Você tá bravo?
Marcus não respondeu quando viu a sua frente um enorme piso colorido. Na verdade, uma parte do piso havia sido substituída por tapetes coloridos. Na horizontal havia cinco quadrados e na vertical vinte, totalizando cem quadrados. Ao redor dos quadrados estavam algumas caixas grandes e pretas de som que foram posicionadas. Do outro lado dos tapetes, sobre a mesa do auditório, onde seria a outra extremidade do piso colorido, havia uma garota com os cabelos amarrados segurando a caixa com o número na mão esquerda e na outra um pequeno controle.
— Olá. — Disse ela com um sorriso que não passou confiança. — Você certamente é do time dos leões. Bem-vindo ao seu desafio.
— O que tenho que fazer?
— Passar pelos tapetes.
— Essa garota só pode tá zombando da nossa cara, Marcus. — Disse o Julius.
— Não estou zombando, apenas sendo sincera, mas eu não disse todos os detalhes. — Ela sorriu novamente.
— Então diga, não posso perder tempo aqui. — Marcus falou.
— Como podem observar, os tapetes tem variadas cores, cada fileira da horizontal há cinco cores diferentes: amarelo, vermelho, azul, verde e roxo. Ambas as cores se alternam em cada fileira, como você já está percebendo.
— Certo. — Marcus disse olhando para os tapetes.
— Seu desafio é, como já falei, passar pelos tapetes e chegar até mim, onde te darei a caixa que necessita. Mas não é tão simples assim, para isso há uma sequência de cores que você deve seguir para chegar aqui.
— Então cada fila horizontal há uma única cor correta em que eu devo pisar?
— Muito bem, é exatamente isso. No total, há uma sequência de vinte cores que você precisa desvendar para pisar aqui. Se por ventura, você pisar numa cor errada, fora da sequência, você ouvirá um som sair dessas caixas, assim terá que retornar para o início e repetir o trajeto.
— Fácil! — Julius, meio bobão, falou. — Ele vai conseguir rapidinho.
Marcus não confiou muito nisso. Parecia um jogo simples, apesar de instigante.
— Então irei começar.
— Agora vamos a alguns detalhes: Uma vez que você participa do desafio, se desistir estará automaticamente desclassificado dos jogos. Tudo aqui está sendo gravado pela câmera, com alguém da organização observando-nos, assim não há como vocês, garotos, tentarem fazer qualquer coisa comigo para que eu entregue a caixa.
— Você é gostosa, mas não é lá essas coisas não. — Julius falou.
— Chega disso e vamos começar.
— Quando você quiser. — Disse a garota, internamente ofendida com o que Julius disse, mas mantendo a postura.
Marcus observou as primeiras cores que seguia a ordem: verde, roxo, amarelo, azul e vermelho.
O leonino respirou fundo e deu um passo para a cor amarela. Nenhum som. Aliviado, Marcus foi impaciente para a cor azul da fileira seguinte, mas o que se ouviu foi um som estridente que fez o chão tremer e sua cabeça quase explodir, no susto, ele levou suas mãos aos ouvidos, abaixou a cabeça e fechou os olhos.
— Porra! — Gritou.
Julius, assustado com o volume do som, olhou para a garota que recém acabara de apertar um botão em seu controle e, para a surpresa dele, ela estava com um protetor de ouvidos, sorridente e feliz com o ocorrido.
— É melhor você esperar lá fora. — Marcus, voltando para o início, pediu ao amigo.
— Ficarei aqui com você.
— Há alguns fones aqui que serviriam para caso o time todo viesse, venha pegar um e assista comigo. — Disse a garota.
Julius olhou para o amigo não sabendo se deveria ou não fazer aquilo, mas Marcus achou melhor para ele aceitar a proposta e somente acenou com a cabeça, concordando com a opção dada pela garota.
Quando Julius pôs os fones, Marcus então se sentiu melhor, pisou novamente no tapete amarelo e analisou as cores da fila seguinte. Optou, dessa vez, pela cor verde. O mesmo som. Ainda despreparado, o leonino tapou os ouvidos e fechou os olhos. Em seguida voltou para o início, pisou no tapete amarelo, olhou para as cores azul e verde em que já havia pisado e ficou decidindo entre o amarelo, roxo e vermelho.
— Vermelho! — Julius gritou.
Sem questionar ao amigo, Marcus pisou na cor vermelha. Marcus soltou um novo grito quando o som novamente o assustou, ele tapou os ouvidos e respirou fundo.
Irritado, Marcus voltou ao início, pisou na cor amarela e, sem pensar muito, foi direto na cor roxa que era a primeira da sequência. Nenhum som. Finalmente ele respirou aliviado, mas o que deixou com o coração apertado, foi observar que a sua frente, havia mais dezoito filas para desvendar as cores corretas.
— Isso aí! — Julius comemorou.
Marcus sorriu na comemoração do amigo, mas não perdeu a concentração. E seguiu o desafio tomando vários sustos, sentindo que sua cabeça iria explodir a cada vez que errava uma cor e o som entoava, insultando a garota, odiando o mundo por simplesmente cair naquele local.
Em vinte minutos e ele só passou por oito tapetes. Onde ele estava, parado no tapete azul, Marcus mais uma vez estava em dúvida sobre qual nova cor escolher. Não queria mais ouvir o som alto que parecia arrancar seu cérebro com as mãos.
— O tempo está passando. A essa hora provavelmente algum time já desvendou o código de algum cadeado. — Falou a organizadora.
— Vem você fazer isso no meu lugar. — Respondeu ele à garota. — Não me desconcentre. — Pediu.
Marcus voltou a observar as cores.
“Roxo? Vermelho? Roxo? Vermelho?” pensava a todo instante, mas acabou, finalmente, se decidindo. Em um passo rápido ele se posicionou sobre a cor vermelha. Imediatamente o mesmo som. Ele pôs as duas mãos nos ouvidos e fechou os olhos, a cabeça já doía com aquilo. Era uma tortura.
Julius cutucou a garota, quando ela afastou o protetor do ouvido, ele perguntou:
— Não acha que esse desafio foi pesado demais?
— São os jogos da Quadra. — Respondeu ela.
— Mas isso não está sendo divertido. Ele parece estar sofrendo.
— Eu infelizmente não posso fazer nada. São as regras, isso faz parte da seleção. Também é a primeira vez que participo dos jogos da Quadra, apesar de ser somente da organização. — Ela falava sem olhar para o garoto, apenas deixava seus olhos fixos em Marcus.
— Você sabe a sequência de cores?
— Sim. Também trouxe um papel com a ordem correta para entregá-lo no final, assim ele vai saber que eu não trapaceei ou fiz algo propositalmente.
— Eu achava que seria fácil.
— Em outros prédios há alguém passando pelo mesmo desafio. Parece fácil, mas ele mexe com o psicológico da gente, afinal, você precisa se concentrar, manter a calma, mesmo sendo difícil com enormes caixas de som ao seu lado que a qualquer momento podem soar.
Julius voltou a olhar pro amigo que novamente estava na oitava fileira, parado, pensativo.
— Eu posso ajudá-lo?
— Pode, mas há algumas regularidades. — A garota então virou para o Marcus. — Garoto, seu amigo quer o ajudar, no entanto, pelas regras, se você passar da décima fileira, não poderá ser substituído.
— Eu vou até o fim. — Respondeu ele.
— Mas Marcus, você não parece legal com isso.
— Julius, fica quieto e me deixa fazer o que tenho que fazer.
— Tem certeza?
— Absoluta. — Respondeu e olhou para o tapete vermelho.
Marcus foi na direção do tapete vermelho e para sua felicidade, nenhum som foi entoado. Respirou fundo, observou a nova sequência e escolheu a cor verde, mais uma vez nenhum som.
— Amarelo, roxo, verde, azul, roxo, amarelo, vermelho, azul, vermelho e verde. — falou para si mesmo a sequência das dez cores que passou corretamente.
— Marcus, sinceramente, acho melhor eu ir no seu lugar. — Julius disse afastando o protetor do ouvido.
— Para! — Gritou. — Eu não vou desistir.
— Isso vai deixar você maluco!
— Eu vou cumprir o que comecei. Se você não quiser ficar, sai daqui e vai resolver o seu enigma. — Grosseiro ele falava.
Julius já tinha visto Marcus irritado, mas não tanto quanto agora. Ainda que dissesse conhecer o amigo bem, Julius descobria agora o lado competitivo de Marcus.
— Talvez tenha algo para mim no prédio de medicina, darei uma olhada por lá. — Julius largou o protetor de ouvidos, ficou de pé e saiu da sala chateado com a grosseria do amigo.
Marcus não havia percebido como tinha sido sua reação diante do desafio, mas na verdade era realmente esse o objetivo daquilo: fazê-lo perder a cabeça. Basta ligar os fatos desde que ele chegou ao auditório e foi feito de idiota pelo mapa.
— Filho da puta! — Disse Julius assim que fechou a porta, mas ainda assim ouviu o som alto revelando que Marcus havia novamente errado a cor. — Bem feito.
Ainda aos resmungos, Julius seguiu para o prédio de medicina que não era distante da reitoria. Qualquer um que encontrasse o garoto o chamaria de lunático, maluco, doido e todo sinônimo referente a loucura, pois o leonino realmente não parava de dar insultos ao Marcus, dos mais leves aos mais pesados. Ele caminhava e falava sem parar, desejou todos os tipos de mortes possíveis ao amigo.
— Quem já se viu? Espero que ele saia de lá louco ou traumatizado com o aquele som infernal. Bom seria se ele também escorregasse no tapete e quebrasse uma perna, talvez um braço junto.
Quando chegou no prédio de medicina, Julius ainda procurando continuava a insultar Marcus.
— Eu nunca mais vou arrumar garota pra ele. Também nunca mais vou chama-lo pra festas. E digo mais: vou comer toda a comida da república e não vou pensar nele. Sim, é isso que vou fazer.
Caminhando, Julius subiu as escadas que davam em direção a entrada do prédio e, sem que percebesse, a caixa estava em cima do balcão de recepção do prédio. Ele ainda não a havia percebido, mesmo estando cara a cara com ela, a raiva que estava tendo de Marcus acabava deixando-o cego.
— Aí depois vem pedir minha ajuda para isso, para aquilo. Eu não vou mais! Nunca mais. Vou fazer novas amizades, vou beber sozinho, vou pegar garotas sozinho e ele que vá se ferrar. Agora tá lá perdendo a cabeça, acho bem feito. Eu só queria ajudar.
Julius entrou no prédio.
— Acho bem feito, agora faz sentido o dia que o pai dele lhe deu uma surra. Menino chato! Eu só queria ajudar!
Julius passou pelos sofás da recepção.
— Se eu tivesse uma arma com certeza teria atirado na cabeça dele quando ele gritou comigo. Precisava gritar comigo? Eu só queria ajudar.
Julius passou pelo balcão.
— Vou mandar o Colin o expulsar da república. É, vou mandar. Vou acabar revelando que foi ele quem comeu o lanche do Patrick e eu assumi a culpa. E também o lanche do Calvin. E também comeu o achocolatado do Danion. E também... Espera! — Julius quase quebrou o pescoço quando olhou pra trás, fixando seus olhos na caixa no balcão. — Achei! Eu achei!
Correndo em direção a caixa, Julius correu e a agarrou. Feliz por finalmente conseguir sua caixa, ainda que sem muito esforço, ele saiu do prédio gritando.
— Eu achei a caixa! Eu achei a caixa! Marcus, eu achei a caixa!
Tão rápido ele esqueceu todos os insultos.
Julius voltou para o prédio da reitoria ainda gritando, abriu a porta do auditório e quase assustou o amigo.
— Eu achei! Eu achei! Olha aqui na minha mão! Eu achei, chupa seu otário! — E fechou a porta ao se lembrar que estava com raiva dele.
Em silêncio Julius caminhou até onde estava a garota, já impaciente de tanto esperar ali dentro, sorriu para ela, mostrou a caixa, meio que esfregando na cara dela por provar que ele era capaz, pôs os protetores e seguiu a atenção em Marcus que tinha acabado de errar.
Marcus somente esfregou a testa e tornou a se concentrar. No tempo em que Julius saiu da sala, ele apenas tinha avançado mais três tapetes. Tinha mais sete tapetes em que ele precisava descobrir a sequência.
Por achar que havia decorado a sequência, o que de fato realmente tinha conseguindo, Marcus pulava nos tapetes com facilidade, mas tamanha segurança acaba o atrapalhando, quando ele convicto de que ia pisar na cor cerca, mas acabava se confundido e tendo que retornar ao início. Por esse motivo, ele começou a ir devagar.
Quando novamente chegou no décimo tapete, Marcus parou. Por uns segundos havia esquecido a cor seguinte, mas conseguiu ir na certa e depois ir nos dois tapetes seguintes sem errar. Estava novamente no 13º tapete de cor azul sem saber como prosseguir.
Julius, que estava observando tudo aquilo, acabou estranhando algo na sequência de cores.
— Você confia em mim? — Questionou ao amigo.
— Julius, não me desconcentra.
— Vai no vermelho.
Marcus o olhou e logo desviou o tapete pra cor vermelha. Respirou fundo, tornou a olhar pra o amigo, meio desacreditado na opção que ele disse, mas acabou obedecendo o comando e assim pisou no tapete.
Preparado para ouvir o som alto, Marcus até fez sinal de que ia tapar os ouvidos, mas para sua surpresa isso não aconteceu.
Feliz por sua lógica fazer sentido, Julius até deu um soco no ar, olhou para a garota e ela parecia contente, mas ao mesmo tempo querendo desfazer aquele olhar de alívio por finalmente alguém perceber a dica.
— Amarelo. — Julius falou.
Marcus, que se achava inteligente, ainda não havia percebido qual era a do amigo, mas se ele foi capaz de acertar a cor, restou apenas confiar. Marcus foi ao tapete e esperou novamente o som, mas nada aconteceu.
— Roxo e azul.
— Tem certeza? — Perguntou.
— Sim.
— Ok.
Mesmo receoso, Marcus pisou no tapete roxo e em seguida no azul. Nenhum som.
Marcus olhou para a garota, mas ela mantinha a postura de que apenas avaliava o desafio.
Julius se levantou, retirou o protetor dos ouvidos, recolheu sua caixa e se dirigiu até a porta.
— Verde, roxo e amarelo. — Disse Julius se retirando do lugar.
Marcus percebeu ali que Julius estava chateado.
Sem nem pensar duas vezes, Marcus foi muito rápido nas cores citadas por Julius. Quando finalmente pisou fora dos tapetes ele pôde respirar aliviado, mas não deu tempo para agradecimentos e nem mesmo insultar a garota, mesmo sem saber se foi ela que havia planejado aquele desafio, ele estava a odiando muito por todas as vezes em que ela pressionou o botão do controle fazendo retornar ao início dos tapetes.
Marcus pegou a caixa da mão da garota e correu para fora do auditório, até estava na esperança de encontrar Julius o aguardando fora dali, mas o amigo já estava muito adiantado a sua frente, correndo.
[...]
— No meu papel diz que eu vou encontrar o número mencionado no enigma. O único número mencionado é o nove. — Calvin falou.
Ele logo em seguida leu:
O sexto número é:
“Antes de tudo não havia nome, a paz reinava naquele lugar
o maior peso era seu sobrenome, riqueza e beleza não há de contestar
Sozinho criou uma geração, seu poder era a maior sedução
Dos seus lábios enquanto os move: um nobre fez reconhecido os nove”
Essa era a mensagem escrita no enigma que Calvin havia pego. Ele considerou um desafio estúpido, mas que ainda assim o fez perder minutos tentando fazer a tradução das imagens que significava uma única letra, fora as lacunas em branco que ele devia preencher e assim adivinhar qual era a palavra.
— Terminamos. — Disse Calvin ao Colin. — Finalmente. Parece que o número é o 9. Só não temos certeza.
— Conta sobre o início da quadra. Acho que o número realmente seja esse. Posso confirmar o que está escrito aí. — Disse o Colin. — Bem, já temos um número. Onde estão aqueles idiotas que não estão aqui ainda?
— Mas ainda falta o seu enigma, Colin. Não tem realmente ideia do que se trata?
— Já se passou de tudo em minha cabeça, mas nada faz sentido. Eu vou insultar o criador desse enigma, ah se vou.
— Tem relação com o Sean?
— E qual o intuito de pôr o Sean nesse desafio? Nós somos rivais.
— Lê de novo o que tem no seu papel.
Colin assim fez:
— “Colin: a raiz do seu primeiro amor”. Se pelo menos tivesse uma palavra a mais eu até poderia descobrir, mas essa frase não faz sentido. Que raiz? Mas que merda! — Ele realmente estava irritado.
— E se a caixa estiver na república dos tigres?
— Não acho que seja possível. Sean não deixaria que escondessem algo lá, fora que só os moradores da república têm a chave pra abrir a porra.
— Mas isso aqui é uma competição. Talvez os tigres saibam que uma caixa está lá, mas não vão contar pra ninguém, o que é bem óbvio da parte deles.
— Então espera um minuto que eu vou lá ver se a porta tá aberta, o que acho improvável.
— Liga para o Sean e pede as chaves.
— Ele não viria nem que eu estivesse morrendo.
Colin saiu da sua república e correu até os tigres, imediatamente girou a maçaneta que constatou estar trancada e ainda bateu na porta gritando por alguém na esperança de que fosse encontrar algum garoto lá. Como já esperava, não recebeu resposta alguma.
O leonino foi pra janela e tentou verificar se ela estava aberta, mas assim como a porta, a encontrou trancada. Colin passou a procurar nas redondezas da república, vasculhando entre os amontoados de grama formados próximo das paredes externas, mesmo que sem esperança de encontrar algo. Até se sentia idiota por persistir procurando, mas no final de tudo não obteve nenhuma caixa.
Colin voltou pra sua república e encontrou Calvin relendo seu enigma, talvez não querendo cair em nenhuma pegadinha.
— Nada. Eu não encontrei nada. — Falou, frustrado.
— Colin, qual o sentido da chave que eu ganhei se nesse papel temos provavelmente o número indicado?
— Ainda temos mais isso pra se preocupar? Puta que pariu! Esse ano pegaram pesado. Na primeira vez que participei ainda foi mais fácil, apesar de nos fazerem revirar a universidade, indo de sala em sala.
Os dois garotos correram para fora da república no momento em ouviram o som da moto do Danion. O branquelo saltou da moto e largou o capacete no gramado.
— Pegamos duas caixas. Nenhuma das chaves que estamos funcionou, talvez a de vocês dois sejam as corretas.
— Tentem a minha. — Calvin a retirou do pescoço.
Danion usou a chave de Calvin em sua caixa, mas ela não a abriu, em seguida tentou na caixa que Connor segurava e por sorte conseguiu a abrir. Com pressa ele retirou o papel nem dobrado que continua o número:
— O quinto número é: 7. — Leu o branquelo.
— Agora tente usar a minha chave na caixa que está com você. — Colin deu a chave para o amigo.
Danion usou a mesma agilidade para a abrir, mas para sua frustração não conseguiu abri-la.
— Pelo mesmo temos dois números: 7 e 9. — Calvin falou.
— Talvez sirva para as outras caixas. — Connor disse. — Onde está o Julius e o amigo dele?
— Ainda não voltaram.
— Puta que pariu. — Resmungou o branquelo. — Estamos perdendo tempo demais. Já se passaram quase quarenta e cinco minutos desde que estamos aqui.
— Descartem a chave utilizada. Percebi que uma dessas chaves apenas nos deixaria confusos, já que o número de caixas é menor que o número de chaves. O dígito que eu consegui foi descoberto no próprio enigma sem a necessidade de uma caixa. Os garotos esses anos foram inteligentes demais no desafio. — Calvin falou.
Danion pegou a chave que havia utilizado e a jogou pela janela da república.
— Colin você descobriu o seu?
— Não. Não faço ideia, mas andei pensando aqui: se faltar um número podemos utilizar todos os dez dígitos possíveis da senha, de zero à nove.
— É uma boa ideia, mas isso significa perder tempo de alguma forma. Puta que pariu. O que tem no seu enigma?
— “Colin: a raiz do seu primeiro amor” — Falou o pequeno.
— Tinham que meter o Sean nisso? Caralho, aquele cara vive recebendo atenção. — Resmungou o branquelo.
— E quem garante que tenha relação com o Sean? Pode ser qualquer coisa. — Falou o pequeno.
Connor sentou-se no gramado, estava impaciente e com medo de perder a seleção.
— Se perdermos a seleção eu vou ficar bem frustrado. Passei por um sufoco danado fugindo de um bode para no final não adiantar de nada. — Disse o namorado de Ian.
— Você correu de um bode? — Calvin perguntou.
— Sim, uma loucura. Eu teria morrido se não fosse o Danion.
— Se não fosse eu? — Perguntou o branquelo irritado. — O bode quase que nos pegou por sua causa.
— Eu ia morrer, Danion! Era um bode violento correndo atrás de mim, eu pude ver nos olhos dele todo o ódio que ele estava sentindo, podia jurar que era o diabo em forma de animal. — Respondeu com convicção.
— Pessoal! — Julius gritou ao ver os amigos. Ofegante, ele apoiou-se nos joelhos assim que alcançou os companheiros. — A minha caixa. — Disse estendendo as mãos, mesmo que sem forças. — A minha chave não abre.
Quem apanhou a caixa foi o Danion que utilizou sua chave do pescoço para tentar abri-la e felizmente conseguiu destrancar o papel.
— O primeiro número é: 2. — Disse ele jogando a chave usada pela janela da república. — 2, 7 e 9.
— Agora deixa eu usar a sua chave, Julius. — Pediu o branquelo. — Talvez sirva pra abrir a minha caixa.
Danion tentou, mas não conseguiu. Ele xingou bastante ainda forçando abrir a caixa, mas acabou devolvendo-a ao amigo.
— Caralho, corri demais para chegar a tempo. — Disse ele ao se juntar com Connor sentado no gramado.
— Cadê o Marcus? Ele não estava com você? — Colin perguntou.
— O desafio dele foi coisa do diabo. Ele provavelmente já deve estar chegando por aí. — Falou ainda estando chateado com o amigo.
Assim que Julius terminou, Marcus apareceu ofegante após correr para chegar na república.
— A minha chave não abre. — Marcus lançou-se no gramado e entregou a caixa ao Calvin. — Eu nunca mais quero ver tapetes coloridos na minha frente. Eu nunca mais vou numa balada ouvir música alta.
Calvin pegou a chave que estava no pescoço do Colin e tentou abrir, mas infelizmente não deu certo. Em seguida ele apanhou a chave do Connor que também não funcionou, assim a última opção era a chave do Julius que felizmente abriu.
— O segundo número é: 6. Ou seja, temos os números 2, 6, 7 e 9. Me dê a sua chave, Marcus. — Assim que Marcus entregou a chave ao Calvin, ele apanhou a caixa da mão do Danion e a usou, logo um sorriso se formou no rosto de todos os leoninos. — O terceiro número é: 1.
Calvin jogou as duas chaves pela janela da república e observou os companheiros.
— Temos cinco números? — Marcus questionou. — De quem é a última caixa que falta?
— A minha. — Colin falou. — Eu não consigo pensar no que meu enigma pode significar. De qualquer forma é melhor irmos para o ginásio e torcer para que nem todos os times tenham chegado.
— Não sei não, hein. Não acho que a organização do evento seja burra o suficiente para deixarmos tentar a senha sem que tenhamos descoberto todas as dicas. — Danion falou.
— Só iremos saber se chegarmos lá. Até agora temos 2, 6, 1, 7 e 9. O quarto dígito podemos descobrir usando todos os possíveis. — Colin falou.
— Eu disse que seria você que afundaria o time. Porra! — Proferiu o branquelo. — Vamos logo!
Assim que deu a ordem, todos começaram a caminhar. Marcus não tinha mais disposição para correr, por isso havia ficado um pouco pra trás. Colin mantinha os passos acelerados, frustrado consigo mesmo por não saber o que significava a frase contida no seu enigma. Até deu razão ao Danion por culpa-lo, apesar de não querer admitir.
— Temos duas chaves ainda. — Connor falou. — A minha e a do Colin.
— Uma delas não vai servi pra nada. — Calvin repetiu o que já havia dito. — É uma brincadeira que deixa qualquer um louco. Eu já não sei que chave abriu a caixa de cada um.
Colin seguiu caminhando, ele não dava ouvido as conversas paralelas dos seus companheiros. Nisso ele acabou vendo a coberta em que um dia aguardou a chuva passar enquanto acompanhado do Sean. Boas lembranças teve naquele dia, inclusive fez parte dos primeiros momentos em que começou a sentir algo por Sean.
“O primeiro momento?” Colin pensou.
Em seguida ele olhou pra trás.
— Esperem aí! Eu acho que sei onde está a caixa.
Colin correu e nem sequer ouviu as indagações do amigo. A árvore não estava longe dali. Assim que a alcançou, ele procurou ao redor dela e a encontrou escondida entre as plantas. Colin teria voltado aos amigos se não encontrasse riscado na terra a seguinte palavra: anão.
Colin nem conseguiu insultar, ele sorriu e saiu em disparada aos amigos.
— Achei. — Disse.
A raiz do seu primeiro amor era justamente o lugar onde havia dado o primeiro beijo. A palavra raiz tem relação com a árvore em si, mas também está relacionada ao Sean, lugar este onde tudo começou a acontecer.
— Abre logo, idiota. — Danion pediu.
O pequeno Colin retirou a chave do seu pescoço e para sua felicidade conseguiu abrir a caixa.
— O quarto número é: 5. — Leu em voz alta o pequeno. — Corre!
Colin magicamente se animou, conseguiu pensar perfeitamente no sorriso do moreno escrevendo a palavra “anão”. Só não compreendia como o seu enigma fazia sentido e porque o Sean tinha ido até o mesmo lugar. Teria sido mesmo o Sean? De qualquer maneira estava feliz por finalizar o desafio.
Quando Colin chegou no ginásio, para sua sorte, tinha somente quatro times classificados. Os leoninos foram em direção a caixa que continua o nome do time e logo puseram os números correspondentes que fizeram a caixa abrir.
— Os leões são o quinto time a se classificar para os jogos da quadra! — Anunciou Daniel empolgado ao microfone.
Uma rajada de gritos foi entoada pelos que estavam na arquibancada, pois querendo ou não, os leões eram um dos times favoritos pela maioria dos torcedores, embora os águias estivessem em primeiro lugar em número de torcedores.
Colin foi quem retirou a medalha de prata de dentro da caixa e o que antes ele tinha visto nas cores preto, cinza e branco, não passava apenas de pulseiras de papel, embora um pouco resistentes, sendo duas pra cada cor.
O líder dos leões logo recolheu uma branca, assim como o Connor. As cinzas ficaram com Calvin e Danion enquanto Julius e Marcus ficaram com as pretas.
— Finalmente conseguimos! — Com animação Connor falou. — Não estava tão confiante assim.
— Esse ano eles pegaram pesado. Se fosse a seleção passada a essa hora não teríamos conseguido nos classificar.
— Quem foi o primeiro time a se classificar? — Julius perguntou.
Os leoninos perceberam que os águias e os tigres já estavam todos lá.
— Não faço ideia, tudo que eu menos quero é que tenha sido os tigres. — Danion falou. — Esse ano eu vou fazê-los comer da minha merda.
— Já podemos usar essa pulseira? — Connor perguntou.
— Não sei, mas eu já estou usando. — Colin respondeu. — Elas devem significar alguma coisa e a cor branca sempre é a melhor cor pra alguma coisa. Então, Connor, provavelmente seremos líderes desse marmanjos. — Disse Colin extremamente presunçoso.
Connor somente sorriu, mas não inflou tanto seu ego.
— Vou falar com o Ian enquanto aguardamos o último time chegar. — Connor proferiu.
— Eu vou beber água. — Calvin disse.
— Eu vou contigo, Calvin. — Julius falou.
Os dois seguiram para os bebedouros.
— Você não vai falar com o Caine? — Colin perguntou para Danion.
— Eu não. Ele que venha falar comigo. Caine está todo sorridente, você não está vendo?
— Ciúmes só porque ele tá esbanjando sorrisos? Poxa, eles foram classificados, ora.
— Ciúmes? Eu tô sentindo é raiva. Nós quase perdemos.
— Pelo menos não fomos os últimos como daquela vez.
— Caine deveria ter vindo falar comigo, mas não, ele tá lá conversando com aquela gente estranha.
— Então vai lá conversar com ele.
— Eu não. Se ele sabe que eu quase perdi, deveria estar aqui comigo.
— Por que merda você acordou tão chato hoje? — Questionou olhando-o nos olhos.
— Não interessa. Se você tanto reclama, por que não vai atrás do seu namorado?
— É isso que eu vou fazer agora, melhor do que ficar aqui aguentando seu mal humor. Marcus, é melhor você também sair de perto, ele tá chato pra cacete. — Colin falou ao olhar para o amigo.
Mas Marcus também não estava no seu melhor humor, sua cabeça doía desde o desafio do auditório. E pra compensar, percebeu que Julius estava sem falar com ele.
[...]
Sean retirou seu celular do bolso e se afastou do seu time. Sendo o primeiro time a se classificar, o moreno já estava impaciente esperando os demais times.
Com menos de meia hora de prova, os tigres já tinham realizado todos os enigmas, sendo o Kai o último a obter uma resposta para descobrir onde estava sua caixa, mas de resto, foram bem.
Após discar o número, Sean continuou a caminhar para o lugar onde fizesse menos barulho, e isso era aos fundos do ginásio, bem onde costumavam guardar troféus e bolas de basquete.
— Octavio? — Falou assim que ouviu a voz do amigo.
— Oi, Sean. Aconteceu alguma coisa?
Chegava a ser engraçado esse tipo de pergunta, como se Octavio já estivesse esperando o pior sempre que Sean ligava.
— Os tigres foram classificados. Mais um ano competindo nos jogos da Quadra, acredito que dessa vez levamos o troféu.
— E os leões?
— Está preocupado com eles? Eu acabei de te contar dos tigres e você não deu a mínima.
— Claro que estou feliz, não é novidade pra mim que vocês se classifiquem. Mas os leões esse ano, sem o William, fica complicado...
— Lá vem você falar desse garoto. Já me arrependi de ter ligado, outra hora conversamos.
— Sean, espera... — Disse rapidamente. — Não é sobre os jogos da quadra que você quer conversar, não é?
E isso estava mais do que óbvio, Sean não ligaria para contar sobre classificação alguma, inclusive Octavio conseguiu perceber que ele estava estranho, sua voz oscilava.
— Qual foi o problema dessa vez? O Colin?
— Esse desgraçado mesmo. — Respondeu.
— Isso também não é novidade pra mim, mas então... Pode falar.
— Eu viajo para onde você mora e quebro sua cara se você rir. — Ameaçou o moreno. — Então me prometa que tudo o que formos falar terá que ser levado a sério, sem qualquer brincadeira, está bem?
Octavio demorou pra digerir toda aquela ameaça, inclusive até ficou receoso em responder.
— Eu prometo.
— Colin veio com uma história de que queria me comer.
Silêncio.
Sean até olhou para o telefone e verificou se a ligação havia caído. Ele fechou os olhos arrependido de ter dito isso ao ver que Octavio deixava escapar uma risada abafada, assim ele desligou imediatamente.
Não deu um minuto e Octavio retornou a ligação, dessa vez se recompondo, apesar de não conseguir ficar tão sério.
— Como assim? — Perguntou.
— Por que você é tão filho da puta? Eu juro que se o William souber disso eu mesmo me encarrego de te matar. Porra, Octavio, eu estou falando sério!
— Ele não vai saber, confie em mim. Só que foi engraçado, tá bom? Mas me diga bem como foi isso para que eu possa entender.
— O Colin simplesmente disse que queria me comer.
— E isso te preocupa.
— É claro que me preocupa. Que história é essa de me comer? Eu quem como ele, não teve uma vez sequer que ele cogitou em ser ativo e por que agora, depois de tanto tempo, ele vem com esse papo?
— Ele talvez queira experimentar, oras. Alguns casais são assim, trabalham com a versatilidade, Sean.
— Eu sei disso, Octavio. Mas...
— Mas?
— Porra, é complicado.
— Está com medo?
— Não. — Mentiu.
— Então qual o problema?
— O problema é próprio Colin. Aquele anão do inferno vem com essas coisas repentinas. Não é uma coisa legal de se imaginar, eu também não me sinto à vontade pra isso.
— Tudo é resolvido no diálogo, talvez conversando com ele você vai saber.
— Ele disse que era brincadeira, mas vai que em outra hora ele vem com essa conversa novamente?
— Olha, eu acho bem improvável o Colin realmente querer ser ativo com você. Talvez ele realmente tenha apenas brincado contigo e se ele perceber que você está tão apreensivo, vai brincar ainda mais. Conheço o Colin, sem contar que as vezes eu ouço parte de algumas conversas dele com o William, nunca cheguei a ouvir nada a respeito disso. Além disso, poxa, vocês estão juntos há um tempo já, se ele realmente quisesse ser ativo já teria conversado com você. Ele sempre foi muito decidido, sem rodeios.
Sean não pôde deixar de ficar aliviado ao ouvir isso, Octavio sempre foi a melhor pessoa pra dar conselhos.
— Preciso desligar, o demônio tá vindo em minha direção.
— Está bem, qualquer coisa você pode me ligar novamente. Se precisar de dicas eu posso ajudar...
— Me poupe de detalhes... Tchau.
Sean desligou sem Octavio antes dar tchau. Quando Colin já estavam próximo, ele logo mudou seu semblante, guardou o celular no bolso e cruzou os braços.
— O que faz aqui isolado? — Perguntou o pequeno.
— Buscando respirar, mas pelo visto você não vai deixar.
— Nós nos classificamos, você não está feliz por isso?
— O quinto time a se classificar deve ser parabenizado? Você nem ficou entre os três primeiros. Eu teria vergonha estando no seu lugar.
— Ah é? Então qual foi sua classificação, engraçadão?
— Vinte e sete minutos de prova; primeira classificação. E aí? — Encarou o namorado.
— Vai se foder.
— Os águias chegaram dez minutos depois da gente. Vocês são ruins, não há nenhuma chance de vencer. E ainda acho que você é o menos preparado para estar no time.
Colin só precisou encarar Sean para que o moreno logo não o provocasse mais. Se Colin explodisse, provavelmente iria ouvir gritos e mais gritos e tinha certeza absoluta de que Colin gritaria ainda mais para que todos ouvissem. Colin sempre foi muito escandaloso e numa discussão de relacionamento ele não ligava pra quem quer que estivesse próximo.
— Quer saber? Eu vou provar pra você que somos os melhores.
No fundo o leonino estava chateado, não bastava Danion dizendo que ele era ruim para o time, agora tinha Sean esfregando na cara dele que ele não iria conseguir.
Sean não disse nada, ele começou a andar.
— Foi você quem escreveu aquilo perto da árvore em que demos nosso primeiro beijo? — Colin questionou ainda estando no lugar que estava.
Sean parou e se virou.
— Quem mais teria sido?
— Você também recebeu uma men...
— Sean: a raiz do seu primeiro amor. — Ele interrompeu o namorado.
— Então recebemos dicas iguais?
— É o que parece, não? — Ergueu as sobrancelhas como se aquela pergunta fosse idiota demais.
— Por que você tá me tratando tão mal? Já não basta o Danion. Desde que eu cheguei aqui você tem me tratado feito um lixo.
Colin, por incrível que pareça, não saiu proferindo insultos e nem nada, pelo contrário, ele acabou ficando sensível. Assim, chateado, virou as costas para o namorado e começou a andar sem sequer ter ideia da direção em que estava indo. Estava realmente chato receber patada de todo mundo.
— Não vem com esse drama que ele não cola.
Colin apenas seguiu caminhando. Ele realmente estava chateado, mas por ouvir a voz do namorado que parecia estar seguindo-o, acabou soltando um sorriso no rosto, pois acabou percebendo que um pouco de drama acabava convencendo o namorado, por isso aguardou ser pego pelo braço, mas Sean, como um bom garoto com boa pegada, logo o tomou pela cintura, fazendo-o o virar.
— Não me toca, sai. — Falou o pequeno atuando ainda mais.
— A árvore fica em frente à casa do Daniel.
— Daniel?
— Tem quanto tempo que você está morando na Quadra, Colin?
— Quase três anos, mais ou menos o tempo em que estamos juntos. É incrível pensar que eu te aguentei até aqui.
— E você não sabe onde o Daniel mora?
— Eu nem mesmo sei quem é Daniel.
— Quem está organizando o evento. — Respondeu.
— Sério? Então ele nos viu àquele dia?
— É o que tudo indica. Então para mim logo fez sentido quando li aquilo que estava escrito no papel.
— Acha que ele tinha contado pra mais alguém?
— E me prejudicar? Logo eu? Ele sabia do que eu era capaz. — Presunçoso, falou o moreno.
Colin teve um flashback do momento e lembrava-se bem de alguém àquele dia que tinha acendido a luz da casa e quase os pegou no flagra, mas o pequeno tinha convicção de que ninguém tinha-os vistos, porém acabou se enganando ao pensar assim.
— É incrível como depois de tanto tempo isso possa ser relembrando dessa forma.
Sean sorriu, ele tentou beijar o namorado, mas Colin acabou o estapeando no tórax, assim fazendo Sean recuar.
— Isso é por ter escrito aquilo. — Outro tapa. — E isso por estar muito chato hoje.
Mas Colin não resistiu e o beijou.
— E isso porque eu mereço... — Sussurrou o moreno enquanto o beijava.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Colin e Sean iniciaram um beijo intenso e o moreno, propositalmente, sem que Colin nem percebesse, ia arrastando-o mais e mais para os fundos, onde em breve alcançariam a sala que costumam guardar os materiais para jogos.
Em um ritmo acelerado e cheio de fogo, Colin já conseguia sentir a ereção do namorado e por isso fez questão de tocá-la, aliás, amava senti-la em sua mão. Estava tão ludibriado pelo beijo que esqueceu do lugar em que estava.
Sean suspirou quando sentiu o toque do namorado, na adrenalina do momento, aos beijos quentes onde próximo dali havia uma enorme quantidade de pessoas, ele apenas se viu levar pelo momento e se fosse pra rolar, transaria com o namorado sem preocupação alguma, mas foi só sentir a mão do namorado ir até sua bunda e apertar que na mesma hora toda a conversa com o Octavio veio a sua mente e, aos poucos, ele passou a ficar tenso.
O moreno até passou a beijar o seu namorado mais devagar, retirou a mão do Colin da bunda dele e a pôs em seu pênis.
— Qual o problema? Fiz alguma coisa errada? — Perguntou o pequeno ao perceber que Sean havia mudado.
— Nenhum. É só que...
— E o sexto e último time acaba de se classificar! — Anunciou Daniel no microfone.
— Bem, precisamos ir. — Disse o moreno, afastando-se de Colin e indo na frente.
Sem entender, Colin nada disse. Pensou que fosse o ambiente que tinha deixado o namorado daquela forma, mas lembrava-se de todas as vezes em que Sean dizia não se importar com o lugar caso Colin demonstrasse interesse por sexo, e que ele certamente não rejeitaria.
Depois que todos os times classificados voltaram a se reunir em frente ao palco, o último time havia chegado, mas já era tarde demais. Daniel anunciou novamente no microfone que todas as vagas foram preenchidas. Era triste ver a decepção nos rostos daqueles que não conseguiram chegar a tempo, mas querendo ou não, aquilo fazia parte. Qualquer time poderia perder.
— Primeiramente, parabéns aos seis times classificados. O último time chegou após cinquenta e oito minutos após o início da competição. Isso significa que este ano, apesar da seleção está um pouco mais pesada...
— Só um pouco? — Danion o interrompeu.
Daniel somente sorriu e prosseguiu.
— Como eu ia dizendo: apesar da seleção está um pouco mais pesada — ele sorriu novamente nessa parte —, os times também estão mais fortes. A média de duração de prova era pra mais de uma hora, no entanto os times classificados conseguiram chegar no tempo abaixo do esperado. Isso só significa que os jogos da quadra esse ano vão prometer muita emoção.
Nesse momento Sean olhou para Colin, assim sendo retribuído. Era um olhar desafiador de ambas as partes. Calvin encarou Charles. Danion encarou Caine, mas o pequeno sorriu, o que fez Danion considerar que ele estava o desafiando, embora não fosse de fato isso. Luke fez uma piadinha com um garoto da república menor que estava ao seu lado. Dimitri e seu namorado sorriram ao ver Charles, mas o garoto dos tigres nem mesmo dava a mínima para eles. Em geral, estavam todos os times prontos para vencer. Para isso não importa o desafio, eles dariam o melhor.
— Como primeiro jogo oficial dos jogos da Quadra, no próximo final de semana teremos o basquete. Durante o decorrer da semana será anunciando quais times irão se enfrentar. Como vocês sabem, a pontuação garante a classificação do time. Assim, é necessário atingir a pontuação mais alta para se manter nos jogos. A cada jogo haverá uma eliminação, desse modo se esforcem bastante. Pensando em esquentar ainda mais as coisas, essas pulseiras que vocês recolheram servem para tornar os jogos ainda mais interessantes.
— Era de se esperar... — murmurou o branquelo.
— Para os competidores, deve ser muito chato ficar aguardando cada final de semana para competir, dessa forma, as pulseiras darão uma animação a mais para vocês. A cidade é uma selva de pedra, então sempre há animais caçando as presas mais frágeis. — Daniel fez uma pausa e adorou observar as expressões curiosas de cada um.
— Que cara enrolado, por que ele não fala logo de uma vez? — Charles perguntou para o time.
— Deixa eu dizer algo e espero que vocês fixem isso na mente de vocês: Nunca! Eu disse nunca, jamais, andem sozinho a partir de agora. Cada pulseira dessa equivale a vinte pontos. O propósito dos times é recolher o máximo de pulseiras do time rival, mas, existem algumas regras para isso. A cor preta é considerada a mais forte, os ursos, ela só pode caçar as pulseiras de cor cinza do time inimigo. Vocês ouviram? — todos concordaram. — As pulseiras cinzas, as lebres, tem por objetivo caçar as pulseiras de cor branca, as plantas. Ou seja, montem suas estratégias, protejam, fujam, mas nunca estejam sozinhos.
— Espera aí, e as pulseiras brancas, o que elas fazem? — Colin, revoltado, perguntou ao erguer seu pulso (o que mais tarde ele iria descobrir que foi uma atitude idiota).
— Nada, apenas fugir.
— O quê? Você só pode tá brincando.
— Exatamente isso que você ouviu, Colin. — disse Daniel. — E pra piorar ou melhorar, um detalhe que acabei esquecendo: as pulseiras brancas equivalem a vinte e cinco pontos.
— Puta que pariu! — murmurou o pequeno. — Se ninguém me segurar eu vou avançar no pescoço dele.
— Fica calmo, Colin. Nós iremos te proteger. — Julius disse ao líder.
— Assim, vocês irão viver no ritmo dos jogos durante todos os dias e não só aguardarão os finais de semana para isso. Como falei, usem as estratégias que vocês quiserem e não andem sozinhos.
Quando Daniel falou isso, os times se afastaram. Os tigres e os águias, bem diferente dos leões, foram espero o suficiente para só usarem a pulseira naquele instante, assim definindo quem usaria as determinadas cores. Sean, obviamente, ficou com a pulseira preta e seu primo Charles também. Kai ficou com a cinza enquanto Brandon ficou com a branca. Mesmo com Charles reclamando de Brandon ter ficado com a branca, ele acreditou na estratégia de que protegê-la evitaria que times com pessoas mais fortes pudesse tomá-la de si.
— Então eu declaro aberto o início dos jogos da Quadra. Espero encontrar todos aqui no próximo final de semana para um dos jogos mais esperados. E mais uma vez parabéns aos times classificados e aos que não foram classificados temos o próximo ano. Que os jogos comecem... — encerrou Daniel pondo o microfone no lugar.
Gritos entoaram de todos os lugares. Todos os leões se abraçaram, apesar de Colin está extremamente chateado com a cor da pulseira que tinha pego. Os águias foram os que mais festejaram, afinal, tinha o maior animado: Luke. Os tigres foram mais calmos, apesar de que o Brandon até tentou animá-los, mas eles estavam sérios demais para isso.
Os companheiros de cada república que estavam nas arquibancadas desceram animados para festejar com os colegas. Uma música animada logo invadiu o ginásio, fazendo com que novos gritos entoassem no espaço. Era uma agitação total. Pessoas por todos os lados, fotos aqui e ali, risos e gritos.
Calvin se afastou do time após ver Hugh indo saudar o Kai que estava sozinho bebendo água. A propósito, Pietro foi o único que não saiu da arquibancada, mas ele estava sim feliz pela vitória da sua república, embora nunca fosse admitir ou perceber isso.
Sem que percebesse, Calvin acabou se chocando em alguém, mas só foi perceber que era Charles quando ouviu a voz do garoto o insultado.
— O que é que foi? Isso tudo é porque você sabe que os tigres vão vencer do seu péssimo time que chegou em quinto lugar?
Charles olhou para a pulseira preta de Charles e logo escondeu o braço. Mesmo tendo o dobro de tamanho do tigre, sabia que ele era traiçoeiro demais.
— Eu não acho que vamos perder pra vocês.
— Nós fomos o primeiro time a chegar na classificação. Que garantia tem um time fraco como o seu de nos vencer? Já não basta o idiota do seu líder expor pra todo mundo que ele carrega a pulseira branca.
— Eu não vou deixar que roubem a dele e nem a de ninguém do meu time.
— Ele tem sorte de eu não ter decidido escolher a pulseira cinza, caso contrário eu faria questão de roubar a pulseira dele. Aliás, se está escondendo o seu braço, é porque certamente você está com uma pulseira de cor cinza. Está com medo? — ele sorriu presunçoso ao erguer seu punho e mostrar a pulseira preta.
— Eu não preciso andar em grupo para me proteger. Vai mesmo arriscar tomá-la de mim aqui? — ele então relaxou o braço e o expôs.
— Os jogos só acabaram de começar, ainda temos tempo. Então tome cuidado.
— Eu quem peço para que você tome cuidado. Nos veremos no próximo jogo de basquete. Não fique chateado caso perca, a propósito, você fica lindo irritado. — disse em provocação. — Como da vez em que o beijei.
— Seu... — Charles ficou vermelho, ele não conseguiu nem reagir.
Sorrindo, Calvin o deixou pra trás e seguiu caminhando.
Um não suportava o outro, mas ainda hoje, numa fria madrugada, eles iriam se encontrar. Faltavam apenas algumas horas para que ficasse cara a cara dentro de um quarto.
Qual reação teriam?
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