Notas iniciais
Os acasos do destino.

As luzes da república já estavam apagadas, apenas a TV da sala iluminava o cômodo em que Edgar estava. Ele estava mandando mensagens ao seu namorado, entretanto o ruivo não respondeu a nenhuma delas.

— Você deveria ir atrás dele. — sugeriu Gale, colega de Edgar, que estava ao seu lado.

— Eu iria deixar pra ir pela manhã, fiquei preocupado com meus amigos.

— Já está tudo bem, Ed. Amanhã vai ser um novo dia, hoje todos nós precisamos de descanso.

— Me avise se algo sair do controle.

O loiro ficou de pé, guardou o celular no bolso e se preparou pra sair da república.

— Ed. — Gale o chamou antes que ele alcançasse a porta. Edgar virou-se para olhá-lo. — Não se preocupe com o Danion, eu entendo o que está acontecendo com ele. Não precisa ficar dessa forma, todos nós respeitamos o seu relacionamento.

Edgar apenas fez um movimento de cabeça sem esboçar algum sorriso, mas agradeceu mentalmente o apoio.

Ao abrir a porta, ele encontrou seu primo deitado sobre a grama, sozinho, olhando o luar. Carter até apontava pro céu ao contar estrelas, perdendo-se na contagem quando Edgar aproximou-se.

— O que faz aqui sozinho?

— Pensando na vovó.

Edgar deu um passo a frente, Carter sentou-se de forma indiana e olhou pra o primo ao seu lado.

— Ela está em um lugar melhor do que esse. — falou o mais novo.

— Tenho certeza absoluta. — Edgar sentou-se ao lado do primo.

— Aqui é tão agitado, não é?

— Quase todos os dias...

— Mas é triste... As pessoas apanham por nada, uai.

— Isso me faz pensar em quão sortudos nós fomos por crescermos na fazenda, longe de todo preconceito.

Um breve silêncio se iniciou.

— ‘Cê ia sair?

— Preciso ver o Joshua.

— Por que ninguém o agradeceu? Égua! Ele merecia.

— Longa história... Longa história... — Edgar voltou a ficar de pé. — Bem, vou indo.

— Quer que eu o acompanhe? — Carter levantou seus olhos azuis para encará-lo.

— Não precisa. Ainda não é tão tarde. Eu vou ficar bem.

— Tem certeza? — Carter ficou de pé e bateu com as mãos para retirar a sujeira. — Eu poderia pelo menos te levar até a lanchonete.

Edgar percebeu que o primo realmente estava disposto a acompanhá-lo, por isso apenas sorriu entre lábios e fez um movimento de cabeça indicando que ele poderia fazer isso.

— Você conhece o Patrick? — perguntou ao saírem.

— O que tem?

— Nada, uai! — respondeu na defensiva.

Edgar franziu a sobrancelha.

— Conheço, é um dos leoninos. Aconteceu alguma coisa?

— Nada não. — perguntou desviando o olhar.

— Queria saber como essa república acumula tanto lixo! — ouviu-se um grito vindo da república dos leões.

Edgar e Carter olharam pra trás e, como se fosse invocado, Patrick surge carregando um saco preto.

Patrick não estava nada satisfeito com o fato de jogar o lixo pela terceira vez consecutiva. Ele era uma pessoa organizada, odiava a bagunça.

— Se um Colin já é difícil, imagina dois naquela república. — Edgar brincou.

— Égua de cabrita braba!

— Ele é legal, claro que não tenho alguma aproximação com ele, mas já ocorreu casos de nos juntarmos numa roda de amigos.

— Sabe alguma coisa sobre ele?

— Ele é tido como o morador mais bonito dos leoninos. Sabe aquelas votações banais que existem pra popularizar moradores daqui? Se não sabe, você vai conhecer em breve...

— Ah, é porque ainda não me viram. Diacho de cabrito bonito que eu sou, é bem provável que eu tome o lugar dele.

Edgar sorriu.

— Como que ‘cê sabe dessas coisas? — perguntou.

— Todo ano algum anônimo lança uma enquete na internet sobre isso. Nunca levei a sério, também nunca votei. Mas é impossível você não saber disso, às vezes alguém surge comentando.

— E quem é o mais bonito da Quadra?

— No ano em que cheguei aqui, era o Sebastian, irmão do nosso líder, você ainda não o conheceu, mas ele costuma aparecer na república raramente. Atualmente é o Sean.

— Sean é aquele cara que não deixou ninguém tocar no diabinho?

— Exatamente. Patrick, se não me falha a memória, é o quarto membro mais bonito da Quadra.

Carter por pouco não quebrou o pescoço quando tornou a olhar pra trás na esperança de ver o leonino mais uma vez. Isso acabou gerando dúvidas para Edgar que começou a desconfiar da atitude do primo.

— Carter... — Edgar começou a esboçar um sorriso.

— Quê?! — ele questionou espantado ao tornar seus olhos para o primo.

— Está interessado nele...

— Égua, Edgar! Claro que não!

— O tio Toby iria tirar sarro da expressão que você tá fazendo agora.

— Diacho, vão se banhar com os porcos.

— Ok, ok! — falou e evitou provocar o primo. — Como está indo a escola?

Demorando pra responder, Carter deu-se pro vencido. Questionava-se como as pessoas facilmente descobriam quando ele se interessava por alguém. Tadinho, não sabia que seu olhar o entregava com facilidade.

— Já fiz algumas amizades.

— Alguma dificuldade? Eu posso te ajudar.

— Eu sou inteligente, uai. A professora me encheu de elogios esses dias.

— Isso é bom...

— Ele é o quarto mais bonito? E você? — e drasticamente mudou o assunto, retornando ao tema “Patrick”.

— Não acho que cheguei a receber algum voto. — e sorriu. — É uma besteira, eu já disse.

— Eu quero entrar nisso.

— Espera até o ano que vem. Bem, chegamos, daqui eu sigo sozinho.

— Diz ao Joshua que eu quero sair com ele mais vezes e que eu agradeço por todos da minha república.

Edgar sentiu o coração aquecido após aquelas palavras, sorriu entre lábios e abraçou o primo.

— Se você soubesse...

— Eu vou quebrar a cara daquele garoto branco feito leite se ele gritar contigo mais uma vez.

— Aquele é o Danion... Ele é daquele jeito, mas no fundo não quer o meu mal. Aos poucos você vai entender o que acontece.

Edgar e Carter se abraçaram e o mais velho seguiu caminhando sozinho, antes olhando pra trás e acenar pra o primo que permaneceu parado, esperando-o atravessar a avenida em segurança. Depois de vê-lo do outro lado da rua, Carter acenou e gritou, mas sua voz desaparecia aos sons de carros que passavam por ali.

Edgar, tendo lembranças do dia inteiro, caminhou de cabeça baixa e mãos no bolso, protegendo-se do frio que tinha o abraçado naquele instante.

Não tardou em dar a volta na universidade e chegar à entrada do Ninho. Como já era de se esperar, passar pela portaria não foi uma tarefa difícil, ainda que não tivesse cadastro.

Caminhou alguns metros até o bloco do seu namorado, bateu na porta e aguardou. Foi atendido por nada mais, nada menos, que o próprio ruivo, motivo pelo qual estava ali.

Joshua trajava uma calça social preta e sapatos de sociais da mesma cor. Estava sem camisa e com uma gravata sobre os ombros, entretanto, seu cabelo estava penteado.

O ruivo fechou a porta e Edgar o assistiu passar por ele sem ouvir uma só palavra.

— Pra onde está indo?

— Já fui.

Joshua seguiu caminhando em direção ao seu automóvel, Edgar o acompanhou estando alguns passos atrás dele.

E a ficha do loiro caiu.

— Oh, céus, eu esqueci completamente...

Edgar tinha um jantar pra ir com o ruivo, sugerido pela mãe de Joshua que queria aproveitar algum tempo das férias com eles dois.

— Não tem problema. — respondeu, seco.

— Joshua...

O ruivo abriu a porta do carro e entrou, o vidro estava fechado e Edgar sequer teve a oportunidade de continuar falando sabendo que ele mal ouviria. Com essa atitude, ele deu a volta no automóvel e entrou no carro.

— Me desculpa, é sério. Eu realmente esqueci.

— Tá bom, Edgar. — respondeu e ligou o carro.

“Edgar” substituindo o loirinho. Ele realmente não estava em um bom humor.

— Joshua... — falou e tocou o volante, descendo suas mãos às chaves do carro e desligando o automóvel. — Respire.

Joshua o olhou de relance e em seguida apertou o volante.

— Eu realmente esqueci, não fiz por mal.

— Deveria aparecer aqui pela manhã.

— Eu não iria conseguir dormir.

Joshua largou o volante e encostou-se ao banco, em seguida levou suas duas mãos aos cabelos e deslizou por dentre os fios numa respiração forte.

— Eu não podia aparecer aqui mais cedo, você sabe...

— Eu sei.

— Me desculpe, por favor. E-eu sabia que você estaria bem, diferente dos meus amigos... Eu precisei ficar pra ajudá-los.

— Não estou discordando disso.

Silêncio. Edgar olhou pra frente por alguns segundos e em seguida tornou a olhar pro ruivo, que tinha os olhos fixos no volante.

— Estou muito feliz pelo que fez. Obrigado por salvá-los.

Joshua não respondeu.

— Danion e eu discutimos... — confessou, baixinho, encostando-se ao banco e fitando o vazio a sua frente. — Ele jamais vai esquecer.

— Se ele encostar em você...

— Ele não seria capaz. — o interrompeu. — Danion jamais iria me agredir. Nem mesmo levanto a hipótese. Danion apenas acha que você pode me fazer mal, ele apenas me protege.

— Todos te protegem de mim.

Edgar engoliu em seco, não discordou, mas acrescentou:

— E você me protege do mundo. Sou muito grato por isso.

E se fez mais silêncio. Joshua voltou suas mãos para o volante e ligou o carro novamente.

— Se não está de saída, pra onde vai?

— Ia comprar uísque. Preciso beber.

Edgar enfiou sua mão no bolso e puxou alguns trocados, depois de contar as cédulas as guardou novamente no bolso.

— Da pra dois cachorros-quentes, você quer?

E ligou o carro sem dar a resposta.

Durante todo o trajeto Joshua foi em silêncio, até mesmo pôs uma faixa aleatória da rádio evitando diálogo com o namorado. Edgar, por sua vez, respeitou a atitude do ruivo, até pensou em puxar conversa, mas quando o viu ligar o aparelho de som do automóvel, aquietou-se.

O ruivo entrou no supermercado enquanto o loiro aguardou no carro. Não demorou mais que dez minutos e ele retornou com uma sacola na mão, entrou no carro e imediatamente o ligou.

— Sua mãe ficou chateada? — falou.

— Não. — Joshua estava levando sua mão ao rádio novamente, mas o toque macio do seu namorado segurou seu braço no ar.

— Não me evite.

— Estou com você aqui.

— E sua mente?

Joshua, sem obter resposta, voltou a tocar o volante e ligou seu carro. Edgar ficou olhando-o, no fundo compreendia a chateação dele. Por mais que o ruivo respeitasse sua amizade com os membros da república, ele sentia ciúmes. Principalmente porque Edgar opta por evitar aproximações com ele enquanto dentro da Quadra. E isso não era a única coisa que o deixou naquele péssimo humor.

— Tem algo a mais te preocupando? — Questionou o loiro enquanto voltaram pra estrada.

— Você pode ser o próximo.

— Do que está falando?

— Eles podem te pegar.

— Acha que...

— Eu sei o que anda acontecendo na Quadra. Eles não foram os primeiros. E se eles encostarem em você, eu juro que... — pressionou o volante.

— Nada vai me acontecer, Joshua.

— Eu não posso retirar os olhos de você. Tem certeza de que não quer morar comigo?

— Nós já conversamos...

— Custa, loirinho? Custa morar comigo? Custa ficar mais próximo de mim?

— E o que quer que eu faça? Que eu viva te causando despesas? Eu preciso me formar.

— Não percebe que você está correndo risco estando naquele lugar? Não percebe que vocês são visados? Eu posso alugar um apartamento, nós podemos viver nele.

—Joshua, nós não precisamos conversar sobre isso novamente...

Joshua pisou no freio do carro de supetão, por pouco o corpo do Edgar não foi de encontro ao parabrisa graças à proteção do cinto de segurança. Assustado, o loiro o olhou. O ruivo estava com maxilar firme e bem desenhado que se destacava na expressão de pura raiva enquanto estava de olhos fechados.

— Eu vou perder a cabeça se aquilo se repetir...

Ainda assustado, Edgar o encarava. O ruivo realmente estava furioso, embora sua fúria fosse gerado pela preocupação.

Edgar sabia que ele estava tendo lembranças do dia em que Noah o tinha pego. O ruivo estava longe pra evitar que o pior tivesse acontecido, embora conseguisse resgatá-lo.

Foi quando Edgar encostou sua mão a do namorado, como se estivesse amansando um animal feroz.

Joshua abriu os olhos do namorado e, em seguida, virou a palma para receber os dedos do loiro entrelaçar aos seus.

— Vai ficar tudo bem, confie em mim.

Joshua não o respondeu. Permaneceu alguns segundos segurando a mão do namorado, e só voltou a dirigir quando ouviu buzinas e xingamentos proferidos por um motorista atrás do seu automóvel. Com isso, ele seguiu caminho.

Entretanto, o caminho que ele estava seguindo não era comum. Edgar sabia perfeitamente que a estrada que ele havia pegado se distanciava do Ninho. Mas rapidamente conseguiu imaginar pra onde eles estariam indo.

Joshua parou em frente a um enorme portão de metal. Era a entrada de um condomínio fechado e de luxo. Ele apenas piscou os faróis do carro e magicamente o portão foi aberto. O ruivo entrou com o automóvel, mas parou novamente pra esperar uma barra amarela e listrada levantar, permitindo a passagem.

Por onde quer que olhasse, Edgar via casas diferentes, todas muito luxuosas. Havia uma com três andares. Outras casas continham coqueiros iluminados por fortes luzes brancas em suas entradas. As demais não deixavam de chamar atenção por sua beleza.

Joshua estacionou o seu carro no que parecia ser uma das últimas casas.

— Por que me trouxe aqui?

Joshua simplesmente desceu do carro com a bebida, esticou os braços e encarou a piscina com as luzes apagadas. Edgar saiu do carro e o ficou vendo de costas, em seguida o ruivo o olhou, fez um aceno com a cabeça pedindo para acompanhá-lo.

Eles juntos seguiram os caminhos traçados por mármores que os velou até a porta de entrada.

— Não está muito tarde pra estarmos aqui?

— Na minha casa?

— Na casa dos seus pais...

— Pode ser nossa um dia. — reforçou, lembrando o desejo de morar com ele.

Edgar preferiu não tocar nesse assunto. Apenas entrou na casa quando o namorado deu passagem ao abrir a porta. Era sempre encantador estar ali dentro, o fazia se sentir tão pequeno diante a imensidão do cômodo e do quão luxuoso ele era.

O loiro seguiu o ruivo que atravessou a sala, passou pela sala de jantar até se encontrarem na cozinha. Joshua pôs a garrafa de uísque sobre o balcão que fazia divisa com a pia e arrastou um banco até o namorado que já estava próximo.

Ele foi até a geladeira, a abriu e deixou a porta escancarada. Primeiro retirou um prato com um enorme pedaço de torta com chocolate branco, pôs sobre o balcão e retornou à geladeira. Uma jarra de suco e uma garrafa de leite ele segurava em suas duas mãos.

— Joshua...

Mas o ruivo não deu ouvidos, retornou à geladeira e de lá apareceu com duas coxas de frango e as levou diretamente para o micro-ondas. Ele aproximou-se do namorado e pediu que ele apenas afastasse as pernas, acabou revelando que o próprio balcão era uma mini freezer, retirou de lá algumas latas de refrigerante e pôs ao lado da torta.

Em seguida, ele foi até os copos de vidro, recolheu um e retornou, arrastando um banco para se sentar. Sem que olhasse para o namorado, ele abriu a garrafa de uísque e derramou a bebida no recipiente.

— Não vai comer? — perguntou ao ver o namorado parado, quieto. Ele ouviu o sinal do micro-ondas, foi até ele, recolheu as coxas de frango e voltou pra mesa. — Não estou com fome. É tudo seu.

— Não precisava de tudo isso. O pedaço de torta iria bastar.

— Então coma a torta. — soou quase como uma ordem.

Joshua bebeu o uísque do copo num único gole, fez um som esquisito e balançou a cabeça com os olhos fechados.

Edgar o obedeceu, mas percebeu que não tinha um garfo próximo. Percebendo isso, Joshua voltou a se levantar, atravessou a cozinha e buscou o que o namorado precisava.

Ao ter o garfo na mão, Edgar deliciou-se com o alimento. Era incontestável a explosão de sabores, apesar de reconhecer que apenas a metade daquele pedaço era o suficiente. Só pelo sabor, desejou comê-lo todo.

— Por que não vinho?

— O dia pede uísque. — respondeu ao encher o copo.

— Consigo sentir seu hálito de bebida daqui. E olha que foi só o primeiro copo.

Joshua não deu a mínima, continuou bebendo, dessa vez não em um único gole.

— Você deveria provar. — Edgar estendeu o garfo com um pedaço da torta até os lábios do ruivo.

Joshua virou seu rosto, rejeitando.

— Só um pedaço, Joshua.

Dando-se por vencido, ele aceitou a torta. Edgar sorriu quando o viu mastigando.

O loiro abriu a garrafa com refrigerante e ainda olhando pro namorado. Joshua correspondeu ao olhar, embora sério, nada diferente da expressão bruta que ele costumava ter.

— O Carter se preocupa com você. Ele sente sua falta, diz que quer sair mais vezes com você e agradeceu em nome de todos da república.

Joshua deu de ombros. Edgar sabia que ele tinha recebido as palavras com bom agrado, mas era péssimo em esboçar reações de agrado.

O loiro prosseguiu comendo a torta.

— Tem dias em é difícil acreditar que você está comigo.

Joshua levantou o olhar por estar de cabeça baixa.

— O que te faz pensar nisso?

— Não sei. Mas é difícil. Acho que só o Caleb acredita em nós.

— Minha mãe gosta de você.

— É, e sua mãe.

— Meu pai.

— É, seu pai também. — começou a parecer pensativo. — Mais alguém? — ele sorriu.

Joshua balançou a cabeça e ameaçou dar um sorriso, em seguida ingeriu mais da bebida e fez careta.

— Seu rosto está vermelho. Isso é a bebida, não é?

— Talvez.

Os princípios de que a bebida começara a fazer efeito.

— Tô satisfeito.

— Tem certeza?

— Eu não como muito. Nora às vezes brigava comigo quando eu deixava comida no prato.

— Quer ir pro quarto?

— Eu aguardo você terminar de beber, enquanto isso — Edgar ficou de pé — vou lavar o que sujei.

— Um garfo?

— Sim, um garfo. Posso ir guardando as coisas também, caso permita.

Joshua esfregou a testa e balançou a cabeça negativamente. Em seguida ingeriu tudo de uma vez, o que tinha no copo. Levantou-se fazendo careta, encheu o copo mais uma vez e olhou pra o namorado.

— Vamos.

— E vamos deixar tudo isso bagunçado?

Joshua apenas tomou Edgar pela mão e, praticamente, o arrastou da cozinha.

— Sabe que isso conta como um ponto negativo caso queira morar comigo?

— Achei que não quisesse morar comigo. — falou sem olhá-lo.

— Você não entendeu.

Joshua sequer deu bola, não iria entrar em discussão mais uma vez. Eles subiram a escada caracol e Edgar se viu, novamente, o corredor com enormes quadros de grandes valores e, finalmente, o quarto.

Edgar sempre iria considerar aquele o maior quarto que já viu. As duas varandas, uma dando vista pra piscina e outra pra área com bambus e outras plantas. O quarto era dividido em duas partes por uma enorme estante decorada. A cama, no centro do quarto, dessa vez, estava com travesseiros e cobertor vermelho. O piso era de madeira maciça e a parede decorada por alguns quadros.

— Posso usar o seu banheiro?

— Você é meu namorado.

— Ah, Joshua... Ainda assim eu estou no seu quarto.

— Já temos intimidade o suficiente pra você fazer desse quarto seu.

Joshua fechou a porta, aproximou-se da cama, pôs o copo com a bebida na mesa de cabeceira atrás da cama, retirou os sapatos e meias e, em seguida, observou o namorado ainda de pé.

— Não durma. — Edgar disse assim que começou a caminhar pra ir ao banheiro.

Joshua não iria dormir. Seus planos iam além de simplesmente deitar e dormir. Se o dia pediu uísque, o dia também pediu sexo. E, segundo conhecia o namorado, Edgar estava tão afim quanto ele simplesmente por dizer “não durma”.

O ruivo coçou o queixo e pegou o copo e começou a beber, por incrível que pareça, moderadamente enquanto aguardava o namorado sair do banheiro.

Em seguida, ele buscou por preservativos guardados em sua carteira e deixou sobre a mesa de cabeceira.

Ainda não conseguia tirar da sua cabeça a ideia de que seu namorado pode ser vítima ao estar longe dele. Tinha medo que isso o consumisse e o fizesse perder a cabeça mais uma vez, tendo em vista que Edgar era seu ponto de equilíbrio enquanto “humano”, já que todos o associavam a um monstro.

Demorou quinze minutos e Edgar saiu do banheiro enrolado a uma toalha branca em sua cintura. Os cabelos estavam úmidos e seus olhos azuis mais brilhantes do que o normal.

— A água estava maravilhosa.

Joshua o olhou de relance. Em seguida ele olhou Edgar dos pés a cabeça, o seu olhar já denunciou, de imediato, suas intenções.

O ruivo pôs o cotovelo sobre a coxa e o queixo sobre a mão, novamente avaliando o namorado.

— Não precisa me olhar assim.

— Você quer...

— O dia hoje pede isso... — e fez referência à frase do namorado.

O dedo do ruivo percorreu pelos próprios lábios até ele mordê-lo. Em seguida, Joshua melhorou sua postura sentado, retirou o cinto que usava e, num olhar carregado de desejo e vontade, ele bateu na própria coxa, deixando a seguinte mensagem: “venha, deite aqui”.

Edgar não recuou.

O loiro caminhou olhando-o nos olhos até parar em frente a ele, em seguida, se desfez da toalha, sentindo-a repousar em seus pés.

Joshua voltou a avaliá-lo dos pés a cabeça, e estranhamente sentiu água na boca. Desprovido de músculos, a pele clara que facilmente ficava marcada pela pressão causada pelo loiro.

Edgar sentou-se de lado numa das coxas do namorado e imediatamente recebeu os lábios do ruivo no seu pescoço. Os pelos que nasciam no maxilar do ruivo arranharam sua pele, mas não o incomodou.

A mão do ruivo percorreu pelas costas do loiro, passou pelo pescoço que havia beijado e cravou na nuca do menor, prendendo os fios dourados em seus dedos, forçando a cabeça pra trás e, assim, saboreando o pescoço do namorado até, finalmente, unir seus lábios aos dele.

Edgar pôde sentir o gosto do uísque, até mesmo já previa senti-lo antes mesmo de beijá-lo. Era forte, mas isso não o incomodou no beijo, afinal, ele estava extasiado, excitado e apenas se importando com o prazer que iria sentir e proporcionar ao namorado.

Com os beijos prosseguindo, Edgar começou a deixar seus gemidos escaparem e foi nesse momento que Joshua não mais se contentou com apenas beijos.

— Posso?

É interessante notar que Joshua, sempre, em todas as vezes que transaram, sem exceção alguma, pedia permissão para realizar suas vontades, seus fetiches, o sexo que lhe convinha.

Edgar apenas confirmou com um movimento de cabeça.

Foi aí que Joshua deitou Edgar de costas em suas coxas. As nádegas brancas para o seu instinto sádico eram vistas como suculentas. O dedo indicador do ruivo tocou o meio do pescoço do loiro e foi deslizando pela coluna e passando por entre as nádegas do pequeno.

Joshua delirou, estalou seu pescoço e segurou o cinto em uma das mãos, dobrando-o ao meio, tomando cuidado com a fivela, lugar exato onde sua mão estava segurando.

Ele repetiu a ação do dedo indicador, dessa vez com o cinto. Repousou a ponta do objeto dobrado no pescoço e foi deslizando pela coluna até repousar nas nádegas.

A outra mão livre de Joshua foi ao rosto do namorado, onde ele inseriu o músculo abaixo do polegar entre os dentes do loiro para silenciá-lo, embora mais especificamente, sentir as mordidas dele.

Ele ergueu o cinto, no segundo seguinte ouviu-se um estalo do contato. Não tinha sido forte a ponto de machucar de verdade, mas foi na medida suficiente para ele sentir a mordida do loiro e assistir a linha da espessa do cinto formar-se nas duas nádegas.

Edgar sentiu aquilo sem lhe causar desconforto. Ele gostava, ou melhor, aprendeu a gostar das mesmas vontades do seu namorado. E ele sabia que o ruivo estava extremamente satisfeito com a ação.

O cinto estalou novamente, dessa vez um pouco mais forte. Joshua sentiu a mordida e o gemido abafado do namorado.

Mais uma vez. Edgar chegou a se contorcer nas coxas do namorado, desfazendo-se da mão do ruivo em sua boca para tornar seu gemido mais audível.

Joshua viu as três marcas causadas pelo cinto na bunda do namorado. A vermelhidão estava tomando conta e aquela era uma das melhores visões que costumava ter.

O ruivo repetiu a ação uma quarta vez, quinta, sexta. Ele via de perfil a expressão do namorado, causando-lhe o dobro do prazer, afinal, expressão de dor alimentava seus desejos.

Dois estalos seguidos sem intervalos ecoaram pelo quarto.

— Josh... — Edgar falou. Ali era seu limite.

O ruivo largou o cinto sem reclamar, levou sua mão às nádegas do namorado e começou a massageá-la, paquerando a cor que elas haviam tomado. Edgar, por sua vez, repousou sua cabeça na cama enquanto sentia os toques.

Era uma sensação de ardor que o loiro sentia, e realmente estava quente; Joshua podia comprovar isso ao tocar a região.

O ruivo fez com que o namorado sentasse sobre a cama, em seguida tomou-o pelos lábios a ponto de ir deitando-o e se colocando acima dele.

Sempre estando no controle de tudo, afinal, era uma das características do seu sexo, ele novamente pegou o cinto. Edgar o olhou, considerando que ele queria repetir as ações anteriores, mas o namorado, num beijo, desfez as duvidas ao erguer os braços dele, uni-los e prendê-los com o cinto.

Vulnerável e despido, Edgar ficou com os braços acima da cabeça, as pernas unidas eram seguradas pelo namorado enquanto ele era beijado do pescoço ao ombro.

— Preciso experimentar algo com você. — sussurrou o ruivo, extasiado com os beijos.

Mas Joshua tinha suas inseguranças em relação ao namorado. Apesar de o loiro começar a seguir suas vontades na cama, cada situação nova poderia assustá-lo e o sexo não se limitava ao que ruivo queria. Ele também pensava no namorado e no prazer que poderia proporcioná-lo, entretanto, queria subir de nível... Elevar seus fetiches.

— Deixe-me, deixe-me... — falou pressionando o queixo do namorado em seus dedos.

Joshua suplicava, era perceptível pela entonação da sua voz que, prazerosamente, era semelhante a um gemido.

Sem usar de palavras, Edgar movia a cabeça confirmando. Joshua o olhou por uns segundos, pausando os beijos.

Amava-o.

Amava-o de todas as formas, até mesmo por vê-lo daquela maneira, completamente entregue e correspondendo aos seus fetiches.

O ruivo levantou-se da cama e se desfez da calça social. Edgar assistiu quando o pênis dele, quase explodindo na ereção, saltou pra fora da cueca.

Joshua rapidamente afastou-se e foi até ao banheiro. Sobre a pia, havia um conjunto de velas: três no total. Elas estavam juntas, uma maior que a outra, amarradas a um laço. Joshua ascendeu a maior delas. Era grossa e branca.

Quando ele voltou para o quarto, Edgar ainda estava deitado com os braços presos acima da cabeça.

A princípio, Edgar realmente ficou assustado. Talvez o fato de confiar bastante no ruivo não o fez indagar a respeito.

Ele assistiu o ruivo aproximar-se da cama, sentando-se na beirada dela enquanto segurava a vela acesa.

Joshua olhou nos olhos do seu namorado e conseguia sentir a insegurança dele.

Edgar ficou olhando pra vela acesa e a viu sendo erguida e posicionada acima da sua barriga.

Ele fechou os olhos.

Joshua estava a um passo de recuar, mas fez. Inclinou a vela e uma gota de cera quente despencou, repousando na pele do loiro.

Saciou-se com a expressão do namorado, em seguida assoprou onde a cera quente havia caído, amenizando a sensação da queimação que o loiro provavelmente estava sentido.

Edgar, por outro lado, sentiu a pele queimar, mas foi tão rápido que logo a sensação foi esquecida, principalmente quando sentiu o ar soprado pelo ruivo.

Joshua inclinou a vela novamente e despencou novas gotas de vela sobre a pele do namorado, Edgar fez careta, contorceu-se, mas aguentou aquela sensação pela vontade do namorado.

Cada pingo que caía sobre a pele do Edgar, pelas expressões, causava ainda mais desejo no ruivo, que delirava com os gemidos do loiro. Era a dominação sua arma, e ele havia recebido o pacote completo: um namorado preso, entregue, sentindo a estranha dor prazerosa.

Edgar não retirou os olhos da vela sequer um segundo, ele assistiu a última gota cair no centro da sua barriga, fechou seus olhos, sentiu queimar, mas rapidamente passar.

O ruivo pôs a vela na mesa de cabeceira e montou sobre o namorado, primeiro levou sua mão aos fios loiros do pequeno para depositar carinho, com a outra mão ele tocou nos lábios do garoto e ficou olhando-o.

Como podia um ser daquele tamanho o deixar tão louco daquela forma?

Edgar engoliu em seco ao receber aquele olhar de pura compaixão. Joshua parecia refletir sobre tudo o que fazia com ele na cama, sempre temendo machucá-lo de verdade.

— Me desculpe. — falou.

Mas Edgar ergueu a cabeça para beijá-lo e foi correspondido. Ele fechou os olhos e deliciou-se com os lábios do seu namorado que correspondeu aos beijos.

Enquanto era beijado, recebia carinho no maxilar.

— E-eu preciso... E-eu preciso de você... dentro de mim.

E uma simples frase pôs o ruivo ao chão, rendido. Edgar pôde sentir e ver os pelos do corpo do ruivo de eriçando. Tanto é que o ruivo depositou pressão no beijo e sobre o corpo dele. Edgar cutucou o monstro que habitava dentro do maior.

Joshua não fez outra coisa senão descer com seus beijos pelo corpo do namorado, segurar as duas coxas dele, erguer um pouco do corpo dele e, sem o menor carinho, enfiar seu rosto por entre as nádegas do pequeno, saboreando-o.

O primeiro gemido alto e carregado de prazer foi entoado ali.

Edgar fechou seus olhos e inclinou-se ao sentir aquele toque úmido no lugar que considerava mais sensível.

E Joshua não estava sendo nada calmo no que fazia. Parecia um animal faminto.

Ao mesmo tempo em que dava prazer ao namorado ele também o preparava.

E assim fazia quando inseria um dedo no namorado, sentindo-o se contrair. Joshua, enquanto o penetrava com o dedo, mordia uma das nádegas já vermelhas pelo que tinha feito com o cinto.

Sua língua foi de uma ponta a ponta por entre as nádegas do loiro, ouvindo-o gemer cada vez mais com aquilo. Edgar estava delirando, precisando mais do que tudo, como tinha dito, ter seu namorado penetrando-o de verdade.

Dois dedos.

Joshua acomodou-se na cama pra poder ver o rosto do namorado. Edgar estava com os olhos fechados numa expressão que beirava a dor e prazer.

Os dois dedos permaneceram introduzidos no namorado, fazendo leves movimentos e, gradativamente, os suspiros do pequeno iam ganhando força.

Joshua retirou os dois dedos, juntou três e tentou inseri-los.

Edgar contraiu. Recuou.

— Faça logo. — pediu.

Na mente do Joshua a frase soou da seguinte maneira: “Eu prefiro sentir a dor do seu pênis me invadido”.

Dor.

A sensação que o deixava louco. Nesse caso: louco de excitação.

O ruivo voltou a usar a língua por entre as nádegas do loiro, sentindo a diferença após a penetração dos dedos.

Joshua voltou a subir beijando o corpo do namorado, inclinou seu braço, apanhou um preservativo e rasgou com os dentes, pôs a proteção no pênis e ficou esfregando-o, preparando ainda mais a lubrificação.

— Meu braço dói. — disse o loirinho.

Mas nem todas as dores lhe causavam prazer e, se o namorado dizia que aquilo estava incomodando-o, não pensava duas vezes.

Ele retirou o cinto e Edgar pôde, finalmente, sentir suas mãos livres.

Joshua voltou a acariciar o próprio pênis na camisinha e Edgar pôde se aconchegar melhor na cama, afastando suas pernas para que seu namorado melhor se encaixasse.

O loiro quem se encarregou de descer sua mão, tocar o membro do namorado e o guiar até o ponto exato.

Joshua também segurou o próprio membro pra assim forçar a entrada com mais facilidade. No primeiro instante a glande foi inserida.

Edgar fechou seus olhos e segurou a cintura dele, impedindo-o de prosseguir.

Joshua, que antes era acostumado a beijá-lo nesse momento, não fez isso. Ele ficou assistindo o namorado com os olhos fechados.

Edgar retirou a mão da cintura do ruivo e permitiu que ele voltasse a se mexer. Joshua, devagar, foi introduzindo seu pênis no namorado e o via suspirar, sentir a dor da penetração quando não estava tão preparado.

Entretanto, era essa dor era misturada ao prazer, por isso ele suportava centímetro por centímetro o invadindo.

Quando finalmente Joshua sentiu-se dentro dele, Edgar abriu os olhos. O ruivo viu as orbes azuis brilhantes e úmidas, contornada pela vermelhidão, como se o pequeno fosse chorar.

Joshua então o beijou e moveu-se.

Acariciou a orelha do namorado e moveu-se.

Mordeu o lábio do loiro e moveu-se.

Beijou seu pescoço e moveu-se.

Pressionou a coxa de Edgar e moveu-se.

Tomou novamente os seus lábios e moveu-se.

Edgar estava pronto.

Os movimentos já não estavam causando tanto desconforto assim.

O ruivo o penetrava olhando-o nos olhos. Sempre que via aqueles olhos azuis como um céu sem nuvens, que exalava inocência, amava-o mais ainda, principalmente estando entre quatro paredes, num momento íntimo, quebrando a suposta pureza que Edgar parecia ter.

Joshua encostou sua testa a do namorado e o beijou enquanto o penetrava. Os beijos eram pausados quando o loiro não resistia e gemia entre dentes. Joshua também gemia junto, acompanhando naquela explosão de prazeres.

O dono dos fios vermelhos cessou os movimentos, ganhando tempo para respirar e beijar o namorado, dando-lhe carícias. Edgar, por outro lado, agradeceu: também precisava controlar a respiração, tendo em vista que havia perdido o ritmo dela com a intensidade das penetrações.

Foi então que o ruivo deitou-se e Edgar sobreveio em cima dele, tocando o falo do maior entre suas nádegas para poder, novamente, senti-lo dentro.

As mãos do loiro espalmaram no tórax nu do ruivo. Edgar fechou seus olhos e arqueou as costas. Naquele momento ele se encarregou de se mover em cima do namorado.

Joshua apenas segurou em sua cintura, numa espécie de guia para os movimentos do namorado.

Mais uma vez, para Joshua, era demais ver o rosto do namorado numa expressão de puro prazer cada vez que subia e descia sobre seu pênis.

Alguns segundos depois, Edgar afogou seu rosto no pescoço do namorado e deu a oportunidade do ruivo movimentar-se.

— Devagar. — pediu o loiro, considerando a posição menos desconfortável que as demais para ele.

Joshua segurou a cintura do namorado, sentiu a respiração dele em seu pescoço e movimentou-se de acordo com o pedido. Logo, os gemidos de Edgar, bem próximos de seu ouvido, tornaram-se tão agradáveis; era baixo, leve e costumava falhar ao final sempre que ele prolongava.

—E-eu... — tentou dizer o loiro com a voz baixa, porém, o gemido veio logo em seguida. — E-eu... — outro gemido. Joshua delirava cada vez mais. — Eu te amo. — por fim, conseguiu falar.

Joshua sentiu perder o controle ali, quando moveu-se forte e tão profundo, que Edgar cravou os dentes no pescoço dele e subiu um pouco seu corpo, retirando o pênis do namorado de dentro dele.

— Desculpe. — pediu o ruivo.

Joshua voltou se encaixar com mais facilidade quando somente relaxou seu corpo e retornar a posição anterior.

Não dando a mínima, Edgar passou a beijar o pescoço do namorado, quando o prazer o consumiu novamente, ele não resistiu e sugou a região onde seus lábio estavam. De uma coisa Joshua tinha certeza: iria ficar marcado.

Foi então que Joshua sentiu algo quente banhar seu abdômen, a princípio ele considerou ser apenas suor, mas os gemidos do seu namorado, mais intenso que o comum, denunciou que ele havia chegado ao ápice apenas com a penetração.

Não tinha como não inflar seu ego nas vezes em que isso acontecia. Sinal de que era bom o suficiente para fazer seu namorado gozar sem que sequer se masturbasse.

Joshua beijou-lhe a testa e afogou os dedos nos fios dourados do namorado, enquanto sentia o corpo dele pesado sobre o seu, perdendo força pela exaustão.

Foi aí que Joshua o retirou de cima dele. Edgar caiu de lado, respirando fundo, olhando-o.

Joshua somente o colocou de joelhos, posicionou-se atrás dele e o penetrou. Edgar gemeu após ser invadido.

Edgar afogou seu rosto sobre a cama, mordeu o lençol e teve seus gemidos abafados. Ele, o loiro, sabia que aquela era a posição que o namorado mais gostava e, geralmente, a que ele vinha com toda sua fúria.

Não deu outra.

O ruivo afastou as duas nádegas do namorado e viu seu pênis entrar e sair dele, em seguida desceu suas mãos pelas costas do loiro, encontrou os braços dele e os prendeu na cama. Começou a aumentar a intensidade dos seus movimentos.

Centímetro por centímetro, todo o pênis de Joshua, Edgar estava suportando dentro de si, sem reclamar.

As mãos ásperas do ruivo cravaram na cintura do loiro e, como metralhadora, ele começou a disparar. Forte, intenso, apenas ouviu os gemidos do namorado elevando-se cada vez mais, inclusive, sentiu a mão do outro pedindo para ele ir com calma.

Quando isso aconteceu, ele deu um último movimento forte a ponto de cair por cima do namorado quando a ejaculação veio, preenchendo o preservativo, com o pênis ainda estando dentro do namorado.

Joshua caiu de lado e Edgar do outro, finalmente sentindo que poderia descansar.

A camisinha, ainda estando no pênis de Joshua, estava tomada pelo seu líquido e o loiro viu isso.

Joshua enxugou a testa e respirava fundo, tão fundo Edgar considerou aquilo quase como um ronco.

Edgar fechou seus olhos, mas no segundo seguinte, sentiu o toque dos lábios do namorado em sua testa.

Joshua levantou-se da cama, foi ao banheiro, retirou o preservativo usado e retornou para o quarto, apagou as luzes e voltou pra cama, deitando-se ao lado do namorado, envolvendo-o em seu corpo.

— O dia pediu isso. — murmurou o loirinho, de olhos fechados, muxoxo.

Joshua o beijou acariciando os fios colados à testa do pequeno, sabendo que ele facilmente costumava pegar no sono, aguardou.

O sono veio primeiro para o pequeno, como era previsto. Minutos depois, Joshua dormiu.

[...]

Um novo dia.

Charles mordia a tampa da caneta.

Esperando para uma próxima aula, ele aguardava no hall de entrada da faculdade de medicina, sentado a um enorme sofá branco em forma de lua minguante.

Uma apostila estava repousada em sua mão enquanto ele lia calmamente, revisando o assunto passado em sala de aula.

Os belos olhos verdes perderam o foco no livro quando ele notou uma silhueta parecida aproximando-se: Calvin.

Em todos os horários possíveis do dia, aquele, exclusivamente, parecia ter sido reservado para os dois. Obra do destino, que adorava causar esses momentos de conflitos, tendo em vista que Charles é a pior pessoa pra estar perto de Calvin.

— Você realmente me persegue. — soltou o tigre, fechando seu livro e sentando-se na ponta do sofá.

Calvin, com toda a sua paciência, não respondeu. Sentou onde lhe convinha — e não foi na outra extremidade, mas sim no centro do sofá.

— Me espere, eu já volto. — Roy falou para Calvin.

Foi quando Charles notou um outro garoto com Calvin, entretanto não tinha conhecimento algum de quem era o garoto, mas pelo olhar que tinha recebido, seu desprezo seguiu no mesmo nível que tinha para com o leonino.

Com três minutos de silêncio e, ironicamente, paz, Charles já estava se remoendo pra começar a atacar — provocar — com palavras o outro que quieto estava, mas no momento em que começou a abrir a boca, uma voz, muito familiar e que lhe causava muita raiva, roubou sua atenção.

— Então é verdade.

Charles virou-se com surpresa e obteve a certeza dos pensamentos ao descobrir o dono da voz.

Dimitri Doyle era o maior rival que Charles já tivera em toda sua vida. Dimitri foi o responsável por arruinar com sua festa de aniversário, tomar o namorado de Charles — que na verdade era apenas um trato para enganar o Ferazza — entre tantas confusões geradas na época do colegial.

Magro e alto, Dimitri aparentemente poderia passar despercebido se não fosse seu olhar audacioso e expressões de autoridade. Seus olhos castanhos claros brilhavam a luz do sol. Os fios lisos e castanhos que caiam sobre a testa, embora curtos, nunca paravam em paz tendo em vista que ele tinha mania de mexer sempre no cabelo.

— Que merda você faz aqui? — Charles perguntou, grunhido.

A vontade de saltar daquele sofá e bater no garoto foi tanta, que ele precisou imaginar que estava preso por correntes. Calvin até pôde perceber que Charles estava estranho.

— Eu estudo aqui. É uma pena, pois terei o desprazer de te ver por aqui.

Charles sorriu.

— Estou no limite das faltas, se eu não faltar mais nenhum dia, não terei problema algum com minha matrícula. — completou ao notar aquele sorriso vitorioso de Charles.

— É bem engraçado como até nisso você gosta de me copiar.

— Sério? — Dimitri soltou uma gargalhada falsa. — Te copiar? Por acaso esse curso é exclusivo seu?

— Quem andou dizendo por aí na época do colegial que era descendente de italianos? — Charles relaxou o corpo e sorriu provocador. — Aliás, quantas mentiras você precisou contar pra sempre se sair melhor que os outros?

— Pra sobreviver na escola, algumas mentiras são necessárias. Não mandei entrar no meu caminho, teve o que mereceu.

— Se isso não é inveja, do que posso chamar?

Dimitri não respondeu. Engoliu a provocação por falta de argumento.

Charles agora encheu o peito por garantir a passageira vitória naquele embate repentino.

Dimitri, fingindo não dar bola pra o que estava ouvindo, resolveu olhar pra o lado e foi então que viu Calvin. Fixou bem os olhos nele e até deixou escapar um sorriso de lado. Sendo ousado, ele não media esforços pra paquerar quem quer que fosse.

O tigre foi atingido.

Charles ameaçou ficar de pé, mas Dimitri olhou pra ele no mesmo instante.

— Não fui o único a vir. — sorriu e olhou por cima da cabeça do tigre. Charles, curioso, virou-se. — Como vai se sentir agora tendo que nos ver todos os dias e, o melhor, juntos.

Charles fechou seus olhos por alguns segundos, sua expressão foi a mais incomum naquele momento, conseguindo até mesmo mexer, emocionalmente falando, com o leonino que estava do lado. Era como se ao fechar os olhos ele estivesse desejando que aquilo nunca tivesse que acontecer.

— Resolvido. Vamos? — falou o garoto olhando para Dimitri, mas rapidamente olhou pra quem estava sentado a sua frente. — Oh, Charles.

— Se não querem sair com alguma cicatriz, sugiro que desapareça da minha frente, agora.

Charles estava sério. Tão sério que mais uma vez Calvin pôde sentir o estranhamento da personalidade do tigre.

— É difícil ter que aguentar isso, não? Bem, Jamie e eu agora estamos morando juntos.

Jamie Armstrong é o ex-namorado de Charles. Aquele que aparece no vídeo com Dimitri. Ele era mais baixo que Dimitri, alguns poucos centímetros mais alto que Charles e sem algum resquício de músculos — Charles tinha o corpo definido por poucos músculos, aparentemente parecia mais forte que eles... E era, definitivamente. — Tinha cabelos loiros cortados nas laterais e olhos castanho-esverdeados. Vestia uma camisa regata, bermudas, e carregava uma mochila preta nas costas.

— Não consegue nem mesmo falar, não é? — Dimitri sorriu, provocador.

— Acha que está me atingindo? — Charles mostrou o belo sorriso que tinha.

Jamie não esboçava sinal de provocação algum, preferia ficar calado, quieto.

— Isso é mais uma prova de que você continua pegando os restos daquilo que já tive. — e finalmente se levantou.

— Qualquer coisa podemos gravar um novo vídeo pra você.

— Já chega, vamos embora. — Jamie tomou a voz naquele instante.

Dimitri olhou pra ele com indagação, entretanto permaneceu firme ao encarar Charles novamente.

— Iremos nos encontrar novamente...

Dimitri deu as costas e Jamie o acompanhou.

Charles ficou ainda de pé, em seu lugar, fervendo em fúria. Foi quando ele ouviu o tossido de Calvin — forçado, por sinal, — que naquele instante lembrou que o garoto estava ali.

Calvin o olhou sem temer, mesmo sabendo que encará-lo era a pior coisa a se fazer naquele momento. O que chamou a atenção do leonino foi em ver os olhos verdes do garoto banhando no mar de lágrimas que estava se formando.

Charles bateu o pé pra longe dali às pressas.

[...]

Carter estava ansioso.

Não era todos os dias em que ele podia comer o maravilhoso combo de hambúrguer duplo, bastante queijo, com direito a batata frita e refrigerante.

Ele aguardava no balcão, observando tudo a sua volta. Gostava daquele clima, apesar de ser um completo estranho para todos ali presentes pareciam se conhecer; pelo menos ele pode ver quatro grupos em extremidades diferentes conversando e acenando pra um ou outro que passava próximo da mesa.

Concentrado nas propagandas a sua frente, ele sentiu a presença de alguém se posicionando ao seu lado. Quando virou seus olhos para ver quem era, desequilibrou-se no banco e, nada de surpresa pra sua desastrada vida, caiu de bunda no chão.

A lanchonete em peso virou os olhos para ver o que tinha acontecido, mas a surpresa para ele veio quando Patrick — motivo do seu desequilíbrio — estendeu-lhe a mão, preocupado.

Por alguns segundos, Carter ficou olhando para a mão de Patrick e depois levou seus olhos à face do garoto, ainda sem sequer mover um dedo seu para aceitar a ajuda.

Patrick franziu o cenho e fez um rápido aceno com a cabeça, olhando pra sua própria mão para que assim Carter entendesse o recado. O loiro finalmente correspondeu a ajuda e tocou-lhe a mão.

O encontro das mãos já o fez imaginar uma vida inteira ao lado de Patrick.

— Que diacho de azar que eu tenho.

Patrick apenas piscou e voltou-se ao balcão, mexendo em seu celular, também aguardando o seu pedido.

Carter já havia até esquecido do motivo de estar ali. O fato de estar tão próximo do leonino o deixou atordoado e, por isso, ele permaneceu inquieto, ora olhando pra frente, ora olhando pro lado.

— Que calor, não? — Carter questionou, tentando puxar algum assunto.

Patrick olhou a sua volta; o ambiente era climatizado e não fazia calor. Porém, ele não contestou a pergunta do loiro e apenas fingiu concordar.

— Qual anos tem seu nome ‘cê? — perguntou o loiro.

Patrick, fazendo careta, o olhou. Os maravilhosos dentes foram expostos quando ele franziu a testa e abriu a boca, deixando Carter desnorteado, mas ao mesmo tempo mais confuso do que nunca.

— Quê? — Patrick perguntou, olhando-o.

— Desculpa, tô nervoso. Eu só queria perguntar como que ‘cê se chama. — admitiu.

Um traço positivo na personalidade de Carter estava em sua sinceridade frágil, ele não conseguia disfarçar e suas mentiras facilmente eram descobertas.

— Mas você já me perguntou isso uma vez. — lembrou-lhe.

— Perguntei? — pendeu a cabeça pro lado esquerdo, duvidoso.

— Patrick. Eu me chamo Patrick. — respondeu, impaciente. — E você se chama Carter.

— Gosta de bois? Vacas? Galinhas?

Patrick mais uma vez franziu as sobrancelhas e ficou encarando-o.

— Égua, e-eu não sei como puxar assunto. — confessou, começando a ficar vermelho feito pimentão.

— Bem, tente novamente.

Patrick finalmente guardou seu celular. Ele acabou virando-se de costas para o balcão e pôs os cotovelos, podendo observar melhor Carter e o ambiente a sua volta.

Mas quando Carter ia realmente tentar puxar algum diálogo que não parecesse um absurdo, silenciou-se ao ver duas garotas se aproximarem do galpão. Elas acabaram ficando entre Patrick e Carter. A princípio, os dois garotos acreditaram que eles iriam conversar com o atendente ou aguardar algum pedido, entretanto estava longe de ser isso.

Elas começaram a olhar para Patrick e não paravam de sorrir um segundo. Incomodado, Patrick até voltou a sua posição anterior — de frente para o balcão.

— Temos alguém interessada em você. Disponível? — perguntou a de cabelo curto.

Carter arregalou os olhos surpresos com a indagação. Patrick, por outro lado, franziu o cenho para as duas garotas que o olhavam sorridentes.

— Oi? — questionou o leonino com censura.

Elas duas se viraram pra olhar uma mesa no centro da lanchonete, de onde lá viram uma bela garota loira de cabelos encaracolados e sorridente, mas que fingia não olhar para elas.

— Nós queríamos saber se você gostaria de se juntar a nós três na mesa. — falou a segunda garota, que era ruiva e também de cabelos curtos.

— Não. — falou determinado, curto e grosso. Ele revirou os olhos. — Sou gay.

Elas riram. Provavelmente não acreditando naquilo, inclusive, consideraram o senso de humor de Patrick ótimo.

— Eu sou gay. Gosto daquilo que balança entre as pernas. Não vou soletrar, hein. — reforçou.

Os sorrisos das garotas foram desfeitos quase que de imediato. Uma delas até tentou permanecer sorrindo, mas o impacto foi tão grande que ela não soube onde enfiar a cara.

Carter, que até então só assistia aquilo, não parou de piscar um segundo. Ele estava tão perplexo e, estranhamente, queimando em felicidade por dentro, que apenas sorriu e não conseguiu disfarçar. Inclusive, Patrick viu aquele sorriso e retribuiu.

As garotas, irritadas, afastaram-se da mesa sem proferir ofensas — felizmente, pois Patrick rebateria todas.

— Pedido 323, 324. — falou o atendente do balcão, recolhendo as fichas com os números dos pedidos de Patrick e Carter.

Patrick recolheu o seu pedido e deu as costas. Carter, rapidamente, tomou os seus em mãos e também saiu da lanchonete, aproveitando a oportunidade de voltar com o leonino.

— Diabo de cabrita braba que ‘cê é, hein.

— O que disse?

— Não precisa me dar coice. — falou.

Patrick revirou os olhos e até poderia ser grosseiro, mas preferiu não responder.

— Gostaria de sair comigo um dia? — sugeriu o caipira.

— Você por acaso perdeu o juízo?

— Quê? Uai! Que tem demais?

— Eu nem te conheço.

— Mas uai, o encontro é pra isso.

— De onde que você é mesmo? Acho que você não entende bem como algumas coisas funcionam...

Carter não entendia que Patrick era um cara que gostava de ser conquistado aos poucos, isto é: romântico, se assim podia classificá-lo.

— Um lugarzinho aí. Mas que tem demais ‘cê sair comigo?

Patrick foi obrigado a sorrir. Aquilo não podia estar acontecendo.

— Continua tentando, quem sabe um dia. — finalizou sem resquícios de esperanças a oferecer.

Carter fez careta, balançou a cabeça negativamente e então caiu na real. Estava se sentindo um perfeito idiota, mas não conseguia se manter no controle toda vez em que se encontrava perto daquele garoto.

BUM!

Ouviu-se um grito.

Patrick, assustado, saltou pra o lado em que Carter estava, como resultado, derrubou o loiro no chão — coitado, segundo tombo no mesmo dia — e acabou caindo junto, sentando justamente sobre as coxas do garoto, mas especificamente, nas partes intimas dele.

Julius gargalhava alto, tão alto que os moradores das repúblicas colocaram as cabeças nas janelas para saber do que aquilo se tratava. O rosto do garoto estava vermelho de tanto rir.

Patrick, ainda atordoado pelo susto, não se moveu. Carter, sentado com ele em suas pernas, não conseguiu pensar em outra coisa... “Égua, égua, égua, égua, égua...”.

— Filho da puta! — bradou o leonino, levantando-se. Julius correu, mas precisou realmente correr se tivesse amor pela vida.

Carter, ainda ficou sentado, vermelho feito pimentão.

— Eu vou te matar! — gritou Patrick, ainda no seu lugar. — É melhor você se trancar no quarto, desgraçado!

Patrick desceu seus olhos para Carter. O loiro, boquiaberto, o encarou. A ereção involuntária se formou de imediato, embora Patrick não estivesse percebendo, Carter engolia em seco e jurava que ele tinha percebido isso.

— Vem, eu te ajudo a levantar. — Patrick estendeu a mão para Carter.

— Não! — quase gritou de imediato. — Não precisa.

— Vem logo! — Patrick o agarrou pelo braço e o ergueu do chão.

Carter parecia que tinha feito cocô nas calças só pela expressão que fazia. Ele rapidamente pôs a sacola com o lanche por entre as pernas e engoliu em seco. Seu membro não conseguia voltar ao normal e, pelo que parecia, de pé acabou ganhando volume na bermuda de algodão.

— Que merda deu em você? — Patrick questionou, observando-o com certo temor. — Deixa quieto, eu vou matar aquele garoto!

Sem mesmo se despedir do loiro, Patrick afastou-se. Carter, aliviado, regulou a respiração.

— Égua, se comporte! — falou, tocando no próprio membro rígido dentro da sua bermuda.

[...]

— O que está fazendo? — Brandon perguntou ao primo.

— O café da manhã do Colin. — respondeu.

Sean não dormiu naquela noite. Simplesmente não conseguiu dormir. Ele também não foi pra universidade nas primeiras horas do dia e sequer iria mais tarde. O seu celular estava desligado.

— Eu posso fazer pra você, não quer ir descansar? — ofereceu-se.

Brandon, mesmo tendo seus conflitos com Sean, se compadeceu ao ver a expressão de puro cansaço do seu primo, inclusive olheiras visíveis.

— Não precisa, já estou terminando. —disse, virando a última panqueca na frigideira.

— Como ele está? — perguntou o loiro.

— Espero que esteja bem. Ainda dorme.

— Sean, o que você vai fazer quando descobrir quem são os culpados? Vai chamar a polícia?

— A polícia? — questionou desligando o fogão. — As coisas aqui não se resolvem assim.

Brandon engoliu em seco.

Sean pôs a panqueca no prato, uma sobre a outra, no total eram quatro. Ele pôs morangos cortados decorando-as e derramou um pouco de calda, também de morango, sobre elas.

— Um tigre nunca perde suas listras. — falou o rei dos tigres e olhou para o primo. — E as minhas listras têm nome.

— O que quer dizer com isso? — sem entender, perguntou com uma expressão de dúvida.

— Um dia você irá entender.

Falou e olhou sobre os ombros do loiro. Kai apareceu na cozinha.

Sean segurou o prato em sua mão e um copo com suco na outra. Ele saiu da cozinha sem olhar para os dois moradores presentes no cômodo.

Brandon, quando viu Kai, sentiu o estômago formigar. Mas então, também sentiu uma súbita raiva tomar-lhe conta.

Kai não tinha aparecido na república há dois dias. Nenhum contato tivera com o loiro desde o dia em que cuidou dele após a surra que tinha tomado do Luke.

O mexicano atravessou a cozinha até à geladeira e retirou de lá uma garrafa com leite. Brandon não existia.

Quieto e em seu lugar, o loiro o assistiu se mover pela cozinha, buscando copo e comida.

— Não atende aos meus telefonemas, não responde as minhas mensagens, desaparece do mapa e quando reaparece sequer fala comigo.

Kai nem mesmo ergueu uma sobrancelha. Ele simplesmente sentou-se no balcão, de costas para o loiro, pôs os cotovelos e começou a mastigar um pedaço de pão.

O loiro resolveu se aproximar. Ele puxou um banco para mais próximo de Kai e encostou um cotovelo ao balcão, observando-o comer.

— Até quando eu vou ter que ser tratado assim?

Kai finalmente o olhou, mas sem esboçar reação alguma. Ele voltou sua atenção ao pedaço de pão. O pôs por inteiro na boca e bebeu todo o leite. Em seguida levantou-se e rumou em direção à sala, subiu as escadas e foi direto para seu quarto.

Brandon esfregou os olhos com uma só mão. Levantou-se do banco e seguiu o garoto, não ia sossegar até conversarem.

Ao entrar no quarto, encontrou Kai próximo do armário, abrindo as gavetas.

— E cá estamos nós de novo. — disse o loiro passando pela porta e deixando-a aberta.

Sem responder, Kai pegou uma cueca e uma bermuda. Dando de ombros, ele levantou-se e foi direto para o banheiro. Ágil, Brandon entrou no cômodo antes mesmo que ele pudesse fechar a porta.

— Por favor, Kai, as coisas não precisam ser assim. — continuou insistindo o loiro.

E Kai somente se desfez da calça junto da cueca, ficando despido na frente do garoto. Em seguida, no curto intervalo que teve seus olhos tapados ao retirar a camisa, Brandon o viu nu dos pés à cabeça.

Kai entrou no box e deixou a água molhar seu corpo. No silêncio que tinha se formado, ele fechou seus olhos, imaginando Brandon fora do banheiro. A surpresa veio quando a porta do box foi aberta e o loiro surgiu pelado, posicionando-se a sua frente.

— Eu não vou desistir. — disse, firme, sentindo a água do chuveiro molhar sua face.

— Deveria. Por que eu já desisti. — finalmente Kai falou. — Eu nunca mais quero falar com você. Deveria pelo menos respeitar o meu espaço.

— Por quê?

— Ainda pergunta? Eu ouvi sair da sua boca que você tem vergonha de mim.

— Não! — ele balançou a cabeça negativamente. — Não, Kai! Eu não tenho vergonha de você.

— Acha mesmo que não? Se realmente não tivesse, jamais teria feito aquilo comigo. Eu, tolo, acreditei ser outra coisa, mas a minha cor o incomoda.

— Como pode ela me incomodar se é uma das coisas que eu mais gosto em você? — sua voz já estava começando a perder força.

Tanto ele quanto Kai eram chorões.

— Brandon, a vítima aqui não é você. Sem cena. Se você se calou diante da situação da sua família ao meu respeito, é lógico que você partilha do mesmo pensamento ao deixar que a ação se prolongue.

— Eu não tenho vergonha de você, eu juro. — tentou a todo custo fazer o mexicano acreditar.

— Cala a boca, Brandon.

O loiro engoliu em seco no peso que a curta frase teve sobre ele.

Por um momento, o som da água caindo do chuveiro era o único som dentro daquele box.

— Você realmente me odeia? — perguntou o loiro.

— Brandon? Estou entrando...

O coração do loiro parou.

Aproveitando a porta do quarto aberta, Melissa entrou no cômodo.

Kai internamente ficou surpreso, mas duro e insensível naquele instante, ele apenas assistiu Brandon fechar os olhos.

— Você está tomando banho? — agora a voz estava mais próxima. Melissa estava na porta do banheiro.

Kai e Brandon, juntos, no mesmo box, tomando banho juntos, embora descarregando mágoas.

Notas finais
Amo todos vocês! Comentários respondidos. Obrigadinho ♥