República de Tigres
12 Capítulo 12
Notas iniciais
— Estava demorando pra aparecer aqui. — Luke falou, encarando-o. Os olhos azuis expressavam diversão, natural de sua personalidade.
— Não deveria estar com medo? — Sean questionou, parado a frente dele, sério.
— Medo de você?
Um momento tenso se instalou ali. Os olhos azuis sobre os negros exalavam um ressentimento antigo, proveniente da rivalidade entre Quadra e Ninho.
— Ok, ok, ok! Vamos parar!
E entre eles, colocou-se Caleb.
Caleb, morador do Ninho, amigo de Luke, também já foi um ex-tigre, ou seja, sabia muito bem quem eram as duas pessoas que se encaravam.
— Você veio me bater? — Luke perguntou com um sorriso no rosto, divertido.
Sean permaneceu encarando-o.
— Iria adorar arrebentar essa sua cara. — respondeu de maneira seca.
— Ótimo! Estava com saudades de brigar com alguém realmente bom, sabe, desde a nossa última briga, não encontrei alguém capaz de me machucar tanto... — falou pensativo, como se aquilo realmente fosse divertido.
Luke se afastou ainda mais e se jogou na cama, com a cabeça repousada nos braços.
— Sean, ignora. — Caleb pediu, tocando no ombro dele. — Você sabe como ele é.
— O que você sabe do meu primo?
— Como ele está? Machuquei muito? Cara, eu deveria ter pegado leve... — Luke apenas continuava a brincar, não sentia remorso algum pelo que fez.
— O que você sabe do meu primo? — insistiu em perguntar.
Luke, ainda deitado, esticou-se até a última gaveta do armário próximo e encontrou lá uma meia listrada, exatamente igual a que Brandon estava usando. Ele jogou contra Sean que segurou a peça no ar.
— Encontrar isso, uma embalagem de camisinha, minha cama bagunçada e um armário arrastado... O que você acha?
— Só isso?
— Seu primo transou no meu quarto. Quem foi a sortuda? Sortudo? Sei lá, eu comeria ele.
— Então você não sabe com quem foi?
— Eu deveria saber? — perguntou, estranhando.
— Era festa, a gente sabe o que acontece. — Caleb entrou na conversa. — Se você não trancou seu quarto em dias de festa, qualquer um poderia ter entrado.
— Ah, que seja, não me importo com isso. — disse despreocupado.
— Não vou perder mais tempo aqui. — Sean deu as costas, já tinha a informação que queria.
Luke não sabia com quem seu primo havia transado, então o segredo do garoto ainda estava garantido. Quer dizer, pelo menos uma parte dele.
— Eu sei que ele namora. E tenho certeza absoluta que aquela garota não estava aqui no dia da festa, quer dizer, ela nunca está aqui. Ele pulou a cerca. E sei que ele me bateu assustado.
Sean voltou-se a ele.
— Isso é problema dele, Luke. — Caleb teve a resposta na ponta da língua.
— Vocês acham que eu sou fofoqueiro? A única pessoa que sabe disso é o Samuel. Eu não contei pra ninguém.
— Então é melhor que essa informação não saia daqui. — ameaçou o tigre.
— Eu vou garantir que ela não vai sair. — Caleb olhou com súplica para Luke.
— Qual foi, gente! Desse jeito eu vou sair e escrever uma placa: “Loiro dos tigres transou no meu quarto com desconhecido. Ps: ele é comprometido! ”
Sean não conseguia acreditar em como Luke era um completo babaca. As vezes duvidava de toda a capacidade de luta que ele tinha, pois ninguém daria nada para esse garoto.
— Eu tenho mesmo é vontade de colocar uma placa: Samuel tem a bunda branca. — sorriu e recordou-se da maravilhosa visão que era a bunda do loiro. — Porra, olha só como eu fico! — olhou entre as pernas, brincando.
Sean revirou os olhos.
Deu as costas e saiu do quarto. Caleb o seguiu, parando-o no corredor.
— Algo te preocupa?
— Nada. — mentiu.
— Tem certeza? Seu primo é realmente infiel?
— Uma longa história, mas é problema meu e da minha família.
Caleb conhecia a grosseria de Sean, por isso nem mesmo contestava-a.
— Luke só é idiota, mas ele não costuma sair falando dos outros por aí. Se ele sabe que isso vai prejudicar o garoto, não vai meter a mão pela boca.
— Eu sei que não. — e realmente sabia. Não era amigo de Luke, mas teve tempo suficiente para saber do garoto desde o Ninho até a Quadra.
E se afastou sem se despedir.
Sean o olhou franzindo a testa para Samuel, que o encarava no momento em que passou pela sala. Depois saiu da república. Pensou em falar com o seu namorado, mas não queria entrar onde ele estava, por isso decidiu continuar até a sua residência.
Ao entrar, encontrou Charles sentado na escada, aguardando-o. O menor dos Ferazzas se levantou rapidamente. O olhar frio, o jeito esnobe e a seriedade em expressões.
— E então? Bateu nele? — perguntou.
Sean passou direto, indo até a cozinha. Buscou por um copo foi até o filtro na geladeira e o encheu. Charles estava parado, ainda aguardando pela resposta.
— Você bateu nele?! — questionou mais uma vez, exaltado.
— Não. — respondeu após esvaziar o copo.
— Como não?! Ele bateu no Brandon!
— Teria batido em você. — disse, ainda parado. — Que, aliás, seria muito agradável saber dessa notícia.
— Você nem mesmo consegue vingar o Brandon. Eu teria me saído bem se um babaca não me interrompesse.
— Charles, você pode até ser bom de briga, mas coloque na sua cabeça que os veteranos desse lugar não se comparam aos idiotas que você brigava no colegial. Ainda torço pra ver seu rosto ensanguentado. — disse sem o menor ressentimento.
— Desde que assumiu um relacionamento se tornou um fraco. Deveria se preocupar em honrar seu sobrenome e quem sabe assim reconquistar a família, mas prefere continuar envergonhando-nos. Em breve o vovô vai te expulsar daqui e eu farei tudo o que você não fez.
— Você nunca suportou o fato de eu ser o preferido dele. — soltou o líder, aproximando-se.
Charles sentiu uma onda de fúria o invadir.
— Talvez seja por isso que ele ainda não moveu um dedo, porque querendo ou não, você nunca vai roubar o meu lugar de neto preferido. Tanto você, quanto seu irmão, me odeiam por isso.
— O lugar de neto que mais decepcionou você já tem.
— Será que você esqueceu o seu passado? — e sorriu de lado, provocando-o.
Charles fechou o punho, furioso. Sean o encarava de tal forma que só de olhá-lo sentia repulsa.
— Quer mesmo arriscar brigar comigo? — Sean levou os olhos ao punho fechado do primo, e novamente voltou a olhá-lo.
— Si sta mangiando spazzatura.* — rosnou o menor.
Sean afastou-se ainda com o sorriso presunçoso, pôs o copo na mesa e voltou para a sala, jogando-se no sofá e puxando seu celular, prestes a mandar uma mensagem ao namorado.
Charles, por outro lado, ainda ficou parado em seu lugar. Seu ódio era alimentado a cada segundo que passava.
[...]
Ninguém, absolutamente ninguém, foi contra a decisão de Colin. Quer dizer, ninguém mesmo abriu a boca pra pronunciar uma palavra. Havia, de fato, os que consideraram a atitude radical; Hugh e Patrick, por exemplo, mas eles leram no olhar de líder que não havia espaço pra brincadeira, ele realmente tinha chegado ao seu limite de paciência.
Uns, como Marcus e Julius, consideraram merecida a expulsão de Billy. Nem mesmo eles estavam aguentando tanto desrespeito da parte do garoto que, mesmo considerando a personalidade de Colin explosiva, o via respeitando a todos ali dentro.
Billy não esperou até o dia seguinte para sair da república. O orgulho falou mais rápido e ele foi para seu quarto arrumar as coisas. Hugh e Patrick o acompanharam, mas até a ajuda ele recusou. Furioso, mas sem dizer uma palavra.
Ele voltou minutos depois e passou pela sala sem sequer se despedir dos garotos com quem, por pouco tempo, dividira os cômodos da república. Ainda restou alguns pertences seus, mas que ele em breve buscaria em outro momento.
Não se sabia para onde ele iria, mas ninguém se atreveu a segui-lo depois que ele passou pelas portas. Porém, Colin o assistiu, da janela, afastando-se e desaparecendo rumo a saída da Quadra.
— E então? — Patrick questionou apreensivo, incomodado com o silêncio que se instalou na sala.
— Deveríamos ir falar com o Colin? — Julius perguntou. Estava tão perdido quanto os demais.
— Olha, se eu sei bem, é capaz de eles derrubarem vocês da janela. — Danion os alertou. — Eu vou atrás do Caine, se eu dormir aqui hoje, corro o risco de amanhecer morto.
O branquelo saiu da república com um sorriso desdenhoso no rosto.
— Isso foi tenso... — Marcus comentou, ainda pensativo.
— É o papel do líder, tenho que concordar, mas... — Patrick tentou falar, mas ainda estava um pouco surpreso com o que aconteceu.
— Eu não vou me meter na decisão do Colin. — disse Calvin, que mesmo sendo muito maior que o líder, demonstrava o respeito merecido.
— Eu dividia o quarto com ele... — Marcus falou.
— É melhor deixarmos isso com o Colin, ele certamente vai saber o que fazer. Vai que tenha mais alguém pra entrar na república? — Patrick tomou a voz pra falar.
— Fiquei com fome. — Julius quebrou toda a situação.
Patrick o olhou de relance, mas não conseguiu ficar sério, um sorriso escapou.
— Essas coisas tensas me deixam com fome. Já me viram em dia de prova? Puta que pariu! — resmungou ele.
— Posso concordar? — Calvin o olhou. — Até eu estou com fome.
— Quem quer pedir pizza? — Marcus sugeriu.
— Alguém foi expulso e vamos comer pizza? — Patrick questionou franzindo a testa. — Vocês não tem coração não?
Mas ninguém deu ouvidos ao que ele tinha dito. Marcus quem se responsabilizou de ligar e realizar o pedido.
— Qual o sabor? — Julius questionou.
— Eu só tenho algumas moedas pra ajudar. — Marcus disse.
— Pergunta se vai demorar pra entregar. — Calvin falou.
Patrick sentou-se no sofá, queria admitir que estava desejando a pizza, obviamente comeria algumas fatias, mas também não conseguia entender como eles pouco se importavam com a expulsão do Billy.
— Vou pra o meu quarto. — falou Hugh ao sair do cômodo.
Hugh estava silencioso, talvez fosse só lembrado naquele instante em que abriu a boca. Ele não dissera nada durante todo esse tempo em que comentaram sobre a expulsão até o assunto se tornar em pizza. O tom da sua voz soou fraco o bastante para incomodar a todos que se perguntaram o que havia acontecido com ele.
Eles já haviam percebido que o amigo estava diferente. Calvin sabia o que tinha acontecido, mas como respeitou o pedido do colega horas antes, nada dizia.
— É por causa do Billy? — Marcus esqueceu-se até de que estava falando com a atendente.
— Deixa que eu vou falar com ele, escolham a pizza. — Calvin falou enquanto ainda passava pelo corredor atrás do amigo.
Ao chegar no quarto, abriu a porta devagar, encontrando Hugh sentado na cama, tocando o próprio cabelo que caia por entre seus dedos. Percebeu que os óculos estavam repousados ao seu lado.
Hugh notou a presença do amigo, mas não disse nada. Permanecia pensativo. Pensamentos esses que o sufocavam de tal forma a ponto de fazê-lo explodir.
Calvin aproximou-se ainda devagar, ajoelhando-se na frente dele e pondo as duas mãos nos joelhos do garoto. Hugh o olhou, entristecido.
— Eu deveria respeitar o seu momento, mas não consigo ficar quieto ao te ver assim. — iniciou.
— Eu estou apaixonado. — pôs pra fora o que estava sentindo.
Calvin franziu a testa.
— Como?
— Eu estou apaixonado. Eu estou apaixonado pelo Pietro.
— Hugh, você tem noção da coisa que está falando?
— É exatamente por isso que eu estou assim. Eu já estava apaixonado antes, mas olha só agora... A ficha caiu! — questionou o encarando, o olhar transbordando em desespero.
— Isso foi por causa do sexo? — questionou, ainda surpreso.
— Não, Calvin! — ele se levantou, afastando-se do amigo. — Não foi só o sexo em si, mas antes eu não conseguia entender o que se passava, achei que eu apenas sentia pena pela personalidade deturpada do Pietro, porém, no fundo eu sabia... Eu sabia que não era exatamente aquilo. — explicava caminhando de um lado para o outro.
Calvin foi até o amigo e o puxou, levando-o até a cama mais uma vez e o sentando lá. O sentia completamente transtornado ao explicar tudo aquilo.
— Ok, Hugh, que você era realmente preocupado com o garoto, todos nós sabíamos... Mas talvez...
— Então porque me sinto péssimo agora depois que transei com ele? — o interrompeu, questionando e olhando-o nos olhos.
— Foi tão ruim assim? — franziu a testa novamente.
— Não, Calvin! Estou falando que antes eu até levava numa boa o tratamento que eu recebia, mas agora... Ele literalmente finge que nós não transamos. Eu imaginei que...
— Hugh... — falou baixinho, pondo a mão no ombro do colega.
— Eu achei que pudéssemos ter algo. — confessou, sua voz saiu vibrante. — Olha, e então, agora percebi que sempre fui apaixonado por ele.
— Olha, Hugh, às vezes as pessoas transam sem a intenção de ter um compromisso.
— Mas foi ele quem me beijou, de surpresa.
Calvin sentia pena do amigo. Ele acabou idealizando algo que não deveria, parecia tão desesperado com o sentimento cru, que não sabia lidar com a situação.
— Eu não acredito que estou aqui conversando sobre você e o Pietro. Primeiro o Kai e agora você. Ainda bem que tenho uma filha e a experiência em ser pai me ajuda nessas horas. — brincou e sorriu, tentando passar algum conforto ao amigo.
— Como eu não percebi antes?! Ai, Calvin, como eu sou idiota! — estapeou a própria testa. — Eu não quero sentir isso que tô sentindo.
— Esse sentimento ganhou força após o sexo. Há quem diga que momentos íntimos reforçam relacionamentos, mas vocês nem sequer tiveram um.
— Foi tão bom, sabe? Foi tão mágico! — ele sorriu, sonhador.
— Mas foi apenas sexo, Hugh. Da parte dele, obviamente.
— Eu sei, eu sei que foi apenas isso. Pra mim também deveria ser, não? Só que, durante todo o dia eu senti o peso do tratamento que eu recebi por ele.
— Na verdade, Hugh, você sempre foi apaixonadinho por esse garoto. Devo já ter conversado com o Kai sobre isso, mas ele falava que era apenas seu jeito amigo com qualquer pessoa.
— Foi o que eu disse no início. Eu acho que sempre fui apaixonado nele, mas custei a acreditar nisso. No menor sinal de retribuição, esse sentimento ganhou força. Eu sou um idiota, não é?
— O quê? Idiota? É claro que não! — balançou a cabeça negativamente, os olhos transbordando carinho. — Você não é a única pessoa a se apaixonar por alguém no menor sinal de carinho. — Calvin encostou-se a ele.
Hugh aos poucos foi descendo a cabeça e repousando-a no ombro do amigo. Calvin envolveu o braço nos ombros do garoto e acariciou a região onde sua mão parou.
— Você não é diferente por sentir isso. Vai passar...
— Eu te amo. Te amo por você ser meu amigo. — disse, ainda pensativo.
O sentimento ia o consumindo aos poucos.
Hugh acabou se apaixonado pelo Pietro, a pior pessoa por quem ele poderia nutrir sentimentos. Tantos eram os fatores negativos que reforçavam essa ideia. Pietro era usuário de cocaína, pertencente a um grupo de delinquentes e odiado pela maioria dos leoninos.
Pensar nele o fez se materializar na porta. Assustado, Hugh retirou a cabeça do ombro de Calvin quando viu Pietro adentrar o quarto.
Calvin quem não gostou nada disso, apenas o encarou. Pietro, mais uma vez, tinha as mãos sujas por tinta, mas apenas Hugh percebeu isso.
— E essa cara feia? — Pietro perguntou quando viu a expressão de Calvin.
— Posso deixar a sua pior que essa. — ameaçou.
Pietro apenas sorriu provocativo. Calvin não o deixava de encarar, louco pra desfazer aquele sorriso com um soco.
— Calvin! — Julius gritou da sala.
Calvin não quis ter que sair do quarto. Olhou para Hugh e percebeu que o amigo dizia, apenas com o olhar, que estava tudo bem.
— Vou fazer questão de guardar umas fatias pra você. Apareça. — disse olhando-o.
Em seguida se afastou, mas fez questão de empurrar Pietro que estava no seu trajeto. O garoto bradou um palavrão, mas apenas isso. Calvin não fechou a porta.
Por alguns minutos Pietro ficou em silêncio. Ele guardou suas coisas no canto do quarto, puxou seu colchão que estava embaixo da cama de Hugh, em seguida se desfez da jaqueta que usava. Hugh, quieto, o observou fazer tudo aquilo.
— Não vai se juntar aos seus colegas babacas? — Pietro perguntou enquanto verificava sua mochila.
— Você deveria começar a socializar conosco. Aposto que eles não vão negar uma fatia pra você. Não quer ir lá na sala?
Pietro semicerrou os olhos, mas em seguida os revirou.
— Estava contando pra ele? — questionou.
Hugh nos primeiros segundos não compreendeu a pergunta, mas ela veio de imediato quando ele sentiu o peso daquele olhar sobre si.
— Não! Não...
E mentiu.
Hugh se levantou quando recebeu o silêncio do garoto, em seguida afastou-se. Era melhor se juntar aos demais, precisava disso.
[...]
Kai tinha seus pescoços tomados.
Duas mãos estavam deslizando em sua coxa, descendo sua cueca. Aos poucos ele a sentiu passar por seus dedos, finalmente ficando despido, assim como Franklin.
Os lábios foram novamente tomados, e ambas as ereções entravam em contato. Franklin era bem cuidadoso em suas ações, sempre beijando Kai com calma, mas suas mãos eram precisas e fazia com que o mexicano deixasse escapar alguns gemidos.
Eles rolaram na cama e Franklin sorriu ao encontrar o rosto do outro acima do seu. Kai retribuiu o sorriso e tornou a beijá-lo novamente, sentindo as mãos do garoto tocar em sua nádega e apertá-la, brincando com o dedo por entre elas.
Kai afogou seu rosto na curva do pescoço dele e começou a gemer baixinho, enquanto sentia o dedo brincar em si. Franklin passou a morder sua orelha e a esfregar com mais vontade seu membro ao dele, ambos latejantes.
Franklin puxou a camisinha na mesa de cabeceira e a rasgou com os próprios dentes, em seguida, voltou a beijar Kai enquanto levava preservativo ao próprio membro.
Kai o ajudou a por o preservativo, pois estava em cima dele, dificultando-o. Depois de por, ele ainda permaneceu beijando o garoto, beijos que iam ganhando intensidade.
Foi quando Kai lançou-se para o lado e abriu as pernas assim que Franklin montou sobre ele. O garoto sorriu ao vê-lo deitado, o beijou uma última vez antes de invadi-lo.
Um celular tocou.
Era o aparelho do Kai, ele conhecia o toque, era um trecho da música Touch — MAALA. Música esta que lembrava-o de certo alguém. Kai poderia muito bem ignorar a ligação, mas a curiosidade o fez levantar da cama, ainda pelado e caçar seu celular na sua calça, que se encontrava no chão.
Kai encontrou a foto de Brandon sorrindo no visor. Atender? Não. Kai não aceitou a ligação na mesma velocidade em que retirou o celular do bolso.
Voltou para a cama e em seguida beijou Franklin, tão subitamente que o garoto se assustou com a pressão dos lábios aos seus. Kai rolou na cama e montou novamente sobre o garoto, dessa vez agindo como se estivesse com pressa, com raiva.
Franklin até aceitou alguns beijos, mas Kai não estava no mesmo clima de antes, bem diferente disso, ele parecia agir automaticamente.
Foi quando Franklin segurou em suas mãos e não correspondeu aos beijos. Kai, ainda assim, prosseguiu movimentando seus lábios e só parou, quando Franklin virou o rosto.
— É melhor pararmos. — falou.
Kai o olhou sem compreender porque ele tinha dito aquilo. Em seguida, Franklin o retirou de cima dele e virou de lado.
— O que eu fiz? Não éramos pra...
— Kai, não quero transar com você dessa forma.
— De que forma? Estamos em um quarto, nus...
— Não sei o que aconteceu, mas parece que aquele que te ligava conseguiu te desconcertar. Vai transar comigo por que quer ou porque acha que isso vai ter fazer esquecer algo?
Foi aí que Kai deitou-se com o rosto afogado ao colchão.
— Vamos só dormir. Quando você estiver pronto, podemos tentar mais uma vez. Além disso, não vamos apressar as coisas.
— Me desculpe. — Kai falou.
Franklin rolou na cama e o abraçou.
— Eu gosto muito de você, realmente gosto. Eu não vou te forçar a nada, nem mesmo fazer com que se force a fazer algo.
Kai virou-se para o olhar. Sem conseguir fazer nada, o beijou, ainda temeroso por achar que ele rejeitaria o beijo, mas Franklin recebeu. Em seguida o garoto o apertou ainda mais num abraço.
Eles dormiram juntos, abraçados.
[...]
Sua mão estava sobre os dedos do namorado adormecido. Ele observou as poucas cicatrizes, quase invisíveis, existentes entre os dedos do moreno. Cicatrizes essas que ganhou no dia em que salvou o pequeno de morrer queimado, quando empurrou a madeira pegando fogo que caiu na porta impedindo a passagem de William com Colin em seus braços.
Vê-lo adormecido, com o rosto levemente virado para a direita, fazia Colin se questionar sobre o amor que sentia por ele. Quem um dia chegou a acreditar que isso fosse possível? Era perfeitamente imperfeito.
Sean remexeu-se. Aos poucos ele foi abrindo os olhos, exibindo as maravilhosas orbes negras e penetrantes.
— Há quanto tempo está me observando dormir? — perguntou ao olhar pra sua mão sendo tocada pelas mãos de Colin.
Colin tinha ido para a república dos tigres ainda na madrugada, quando se venceu pela insistência do namorado, enquanto discutiam por mensagens, pois Colin dizia estar de cabeça quente.
— Volte a dormir. — pediu.
— Como, se você me acordou? — fechou os olhos e virou o rosto, sonolento.
— Até parece que eu o acordei. Estive aqui parado o tempo todo. — resmungou.
— Segura no meu pau e esquece a minha mão. — retrucou, a voz abafada pelo travesseiro.
Colin o largou e rolou na cama, ficando de pé. Estava sem camisa, exibindo o corpo magro, sem quaisquer vestígios de músculos comparados ao do Sean, quer dizer, Colin até tinha ganhado pouquíssima massa muscular. Se comparado aos seus primeiros meses na Quadra, evoluiu fisicamente. Não por conta de exercícios físicos especificamente, talvez agraciado pelo tempo, pela caminhada diária, confusões e jogos com os amigos.
Ele levou suas duas mãos acima da cabeça, lançando fora a preguiça. Olhou através da janela a sua república.
Sean estava de olhos abertos novamente, vendo-o de costas e sendo iluminado pela luz do sol.
— Se sente realizado após a expulsão? — perguntou o moreno, ainda jogado sobre a cama.
— Me sinto péssimo. — confessou, virando-se e encostando-se a janela.
— Você precisa se acostumar com isso. Não vai ser sua primeira ou última expulsão enquanto for líder.
Colin não o respondeu, ainda sentia raiva do Billy, mas também não queria voltar atrás com sua decisão. Após receber uma mensagem de William, isso o deixou ainda mais seguro, apesar de pensativo.
Sean se remexeu mais uma vez na cama e fechou seus olhos, iria cochilar novamente.
— Sean. — Colin falou, ainda estando no seu lugar.
— Fale. — soltou, estava deitado de costas para o namorado.
— O que você foi fazer na república do Caine ontem à noite?
Sean demorou alguns segundos para respondê-lo, então voltou a se virar para o namorado. Colin o observava, aguardando a resposta.
— Quebrar a cara do Luke.
E a expressão de Colin veio de imediato: estava com os lábios entreabertos e testa franzida, revelando o quão surpreso ficou.
— Qual o seu problema? — perguntou o namorado, aproximando-se da cama.
— Mas eu não fiz isso... Cedo demais, não acha? — disse com desdém.
— É bom que ele quebre a sua cara. — falou ao revirar os olhos, em seguida sentou-se na beirada da cama.
— Acho que posso falar o que está acontecendo. — disse o moreno, acomodando-se na cama de modo com que parecesse está sentado.
Colin o olhou, satisfeito ao ouvir aquilo. Já tinha aceitado a ideia de respeitar os problemas dele com a família, apesar de que ainda existissem conflitos por conta dessa “privacidade”.
— Brandon está passando por uma situação complicada.
— Com o Kai? — perguntou Colin, surpreendendo o moreno.
Sean demonstrou não estar surpreso com aquilo, mas sua pausa longa fez Colin acreditar que sua indagação o deixou daquela forma.
— Como líder, eu passei a observar mais dos meus moradores. Kai vive lá na república com o Hugh e o Calvin, já cheguei em algumas conversas onde o nome do Brandon era citado, eles nunca perceberam, mas eu não sou burro... Você sabe. — revelou o pequeno.
— Eles chegaram a transar. — falou o moreno, voltando a prosseguir com o diálogo.
— Não me surpreende. — Colin ficou de pé. — Nada mais me surpreende quando se trata da sua família. Brandon tem namorada e a traiu?
— Exatamente. Só que meu primo é tão burro que acabou usando o Kai pra tentar se esconder da minha família.
— Sempre sua família... — deixou escapar em um impulso, sua voz em tom odioso.
— Colin, eles têm poder o suficiente para destruir com o emocional de qualquer um de nós três. — falou referindo-se a Charles e Brandon. — Você não cresceu no nosso lar. Acha que eu estaria te namorando se não fosse contra todos os princípios Ferazza?
— Eu não estou reclamando disso, mas apenas fico com ódio quando lembro que sua família é a culpada por tantos problemas. — falou enquanto caminhava pelo quarto.
— Deixa isso pra lá. — encerrou o assunto. — Como disse, é problema da minha família.
— Eu não vou insistir. — falou.
Sean não sabe se amou ou odiou ouvir aquilo.
— Alguém foi espancado e você não ficou sabendo? — Colin mudou o assunto.
— Fiquei. A informação me chegou ontem.
— Você literalmente é a pessoa com mais autoridade na Quadra, deveria tomar partido e saber o que aconteceu.
— Eu não sou pai de ninguém.
— Sean! — Colin o repreendeu. — Por acaso você sabe o motivo do espancamento?
— Não. — falou.
— Sebastian teria feito algo se soubesse que um membro da Quadra foi espancado.
— Todo mundo aqui sai se metendo em confusão.
— Mas nesse caso foi um espancamento, não foi confusão, ele não procurou briga.
— Você sabe quem foi?
— Sei. Me disseram o nome, ele morava na última república da rua. Não foi uma briga com alguém aqui de dentro, foram pessoas de fora.
— Colin, eu não pedi pra ser o líder da Quadra.
— Mas ama saber que é. — soltou.
Sean não contestou. Colin e o poder das palavras.
Não houve exatamente um sorteio para Sean organizar a Quadra, mas a sua influencia no lugar literalmente o elegeu líder do lugar, substituindo Sebastian. As pessoas o respeitavam e o temiam.
— De fato. — soltou um sorriso.
— Você deveria ir até lá e saber o motivo do que aconteceu.
— Farei isso mais tarde.
Colin lançou um olhar de reprovação ao namorado, mas não deu continuidade a conversa. Aproximou-se novamente da cama para dar-lhe um beijo de despedida.
— Vou sair tarde hoje da universidade, o professor vai repor uma aula e depois ainda vou pra academia.
— Não vá. — falou o moreno.
Ele sentiu um aperto no coração.
— Não vou parar.
— Seria realmente demais pedir pra você não ir hoje?
— E perder a oportunidade de te socar? — sorriu.
Colin ajoelhou-se na cama e o beijou rapidamente, em seguida tentou se afastar, mas foi puxado bruscamente para um abraço. Sean o fez sentir sua ereção matinal, Colin lançou palavrões no ar até conseguir escapar.
Sean o viu passar pela porta, mas uma vez sentiu algo estranho. Um sentimento ruim, estranho.
[...]
— Eu não acredito que ele disse isso. — Roy falou
Roy era amigo de Calvin, ambos estudantes de direito. Eles estavam na companhia de Kai, caminhando pelas ruas da universidade.
Kai estava quieto, pensando no dia anterior.
— Você tem todo o direito de ficar chateado. — Roy falava ainda olhando pra frente. — Eu, no seu lugar, talvez tivesse feito algo pior.
— Talvez fosse melhor eu não ter descoberto o motivo.
— Ele é seu amigo, é por isso que dói ainda mais. Quer dizer, era... De qualquer forma, comentários assim machucam.
— Mas eu não entendo, o que tem demais na minha pele?
— Anos de luta. — disse firme. — Mas não que se encaixe no seu caso, porque você é latino, não é Kai?
— Minha mãe é mexicana e meu pai indiano.
— Ele é latino, Roy. — Calvin tentou confirmar o que o amigo disse.
— Se assim ele identifica, sim. Ele tem duas etnias, a latina e a indiana. O fato de ele ter a pele escurecida, e que fora da Índia, os indianos, em sua maioria, são vistos socialmente como negros, eles não são. Como falei anteriormente, ele tem duas etnias: a latina e a indiana. Diferente de nós dois, Calvin, que somos negros.
— Tem razão, de qualquer maneira, Kai foi alvo daquela família podre. — concordou o maior.
— É o que torna tudo mais ridículo, por isso são, de fato, ignorantes. Nem mesmo conseguem estudar sobre etnias. Agora a frase do Brandon, ele talvez não tenha percebido, por isso não vou mandar uma série de palavrões aqui, afinal, as pessoas são metralhadas com essas informações ridículas.
— Se ele diz que a família dele tem vergonha de mim e me tratou daquela forma, ele compactuou com aquilo. — disse cabisbaixo o tigre, sentando-se no banco que encontrou a frente.
— Exatamente. A partir do momento em que você se calar diante de uma situação de opressão, você, consequente e automaticamente, acaba compactuando com isso. Eu sei que o termo é até pesado, mas as pessoas associam isso com aquele que comete a opressão, quando na verdade não é apenas isso. — explicou.
— Eu sei que existe todo um medo por trás disso, não foi ser radical a ponto de não enxergar isso, porém não retira o peso da atitude ou o termo. — Calvin falou.
— Eu entendo e concordo com tudo o que vocês estão falando, é por isso que eu só consigo sentir ódio. Eu era o melhor amigo dele! — falou, seu coração sendo preenchido pela raiva.
— Kai, é a vida. — Calvin falou.
— Injusta, mas é a vida. O Brandon precisa de um choque de realidade, ele nem sabe do que está falando, afinal, ele é branco. Enquanto se calar diante atos como esse, vai acabar perdendo uma amizade tão preciosa. — Roy sentou-se ao seu lado. — Por isso você não deve fazer disso um martírio, ainda que seja difícil, mas primeiro se empodere e coisas como essas te fortalecerão.
— É a primeira vez que algo assim me deixa com tanta raiva, eu não consigo me lembrar de ter sofrido uma situação parecida...
— É um ponto interessante a ser abordado agora. — Roy o interrompeu. — Já ouviu falar do colorismo? Provavelmente não, então deixa-me te explicar.
Roy puxou Calvin, o estudante de direito acabou se posicionando entre eles dois. Seguindo a ordem: Roy, Calvin e Kai.
— O que você vê quando olha pra nós três? — Roy perguntou.
— Como assim?
— Eu sou mais escuro que o Calvin. — Kai concordou. — Calvin é mais claro que eu. — mais uma vez concordou, balançando a cabeça. — Calvin, apesar de ser mais claro que eu, é mais escuro que você. Sendo assim, você é mais claro que nós dois. Estou falando em tom de pele.
Kai até mesmo colocou sua mão a de Calvin e de Roy, observando os três tons de pele diferente.
— Quanto mais escura uma pessoa for, mais excluída ela será da sociedade. — continuou. — Ou seja, mais preconceito irá sofrer. Você tem cabelos lisos, olhos claros... O que reforça a ideia do colorismo que estou te explicando.
— Isso é ridículo! — Kai alterou seu tom de voz.
— É uma hierarquização de tom de pele, infelizmente. Eu e Calvin, por exemplo, mas dependendo do ambiente em que estivermos, eu sou descriminado rapidamente enquanto ele é menos discriminação, entende? Você talvez nunca tenha passado por isso, ou como disse, não percebeu, enquanto eu sofro ataque constante por minha pele se ‘destacar’.
— Somos vítimas até da nossa própria segurança... Policiais. — Calvin soltou.
— Enfim, são assuntos e mais assuntos que eu poderia passar horas conversando com você. O que me faz ser respeitado no condomínio onde eu moro é a profissão do meu pai, ele é juiz. Contudo, isso ainda me faz ser vítima de ataques racistas. Preciso ir, tenho um encontro. — sorriu.
— Aprendi bastante com você. — Kai o olhou.
— E pode aprender ainda mais, basta me procurar. — piscou. — Somos vizinhos de república.
Roy abraçou Calvin e olhou uma última vez para Kai, em seguida, satisfeito, afastou-se. Amava conversar sobre assuntos como esse, descontruir ideias e ensinar verdades.
Por um minuto Calvin ficou observando Kai, quieto, pensativo. O mexicano refletia sobre o ocorrido e, cada vez que pensava em Brandon, o ódio voltava a lhe consumir. Como ele não o defendeu?
Brandon tinha seus medos, era até compreensível quando se entendia o mundo em que ele vivia, mas enquanto permanecesse calado e, ironicamente com seus medos, compactuaria com a situação de opressão proferida ao seu melhor amigo. Kai tinha suas razões para nutrir ódio.
— Você me espera? Estou apertado. — Calvin falou ficando de pé.
Kai então despertou dos pensamentos, olhando-o.
— Pode ir. Eu vou ligar pro Hugh, preciso vê-lo. — falou, mas seus pensamentos nem mesmo estavam no amigo.
— Mande-o ir direto para o restaurante universitário.
— Eu acho que vou indo, garantir lugar na fila, não? — Kai se levantou.
— É melhor, eu encontro você lá. — disse.
Kai concordou balançando a cabeça e rapidamente se afastou. Calvin ainda ficou parado olhando-o, porém sentiu que era melhor deixá-lo ir. Digerir as informações recebidas e respirar um pouco. Entretanto, sentia pena do amigo.
O bloco estava logo a sua frente, onde eles tinham parado para conversar.
Era o prédio de medicina, a quantidade de universitários trajando branco era enorme.
Calvin andou um pouco até encontrar o banheiro. Por sorte o prédio era sinalizado, o que facilitou a busca.
Ele foi diretamente a uma das cabines.
[...]
Charles ainda guardava suas coisas na mochila enquanto saia da sala de aula.
Ele não era de muitos amigos desde que iniciou a universidade, no máximo, tinha uma colega. O garoto teria saído da sala sem sequer se despedir, mas a garota, extrovertida, o oposto de sua personalidade, se despediu.
O tigre seguiu seu caminho, antes parou para observar o mural do prédio e assim ficar por dentro das programações. Nada tinha chamado a sua atenção, por isso rapidamente deu as costas e continuou até a saída, antes parando para ir ao banheiro.
Charles foi diretamente para o espelho, pôs sua mochila na pia e aproximou seu rosto, ainda mais, do seu reflexo. Arrumou a mecha de cabelo que escapou pra sua testa e em seguida deu um sorriso, verificando se os dentes estavam sujos.
Os olhos verdes ficaram encolhidos quando na sua frente, através do reflexo do espelho, ele viu Calvin sair de uma cabine, de cabeça baixa, levantando o zíper da calça.
O pequeno ficou parado, por um segundo, até que os olhos do outro fossem aos seus, conexão através do reflexo.
— Você só pode está brincando. — soltou o pequeno, virando-se.
— Vai dizer que eu estou te perseguindo? — questionou.
— É lógico! Seu prédio não é esse.
— E desde quando o banheiro da universidade é exclusividade sua? — falou aproximando-se da pia.
— Isso não é lugar pra você ficar.
— Existe merda de ouro pra poder cagar aqui? — falou percebendo a expressão de horror na face do pequeno.
Logicamente, ironizando o que ele tinha dito, mesmo tendo entrado ali apenas para urinar.
— Você por um acaso percebeu com quem está falando? Você se lembra a quem serviu na minha festa de aniversário?
Calvin não o respondeu, ligou a torneira da pia e começou a molhar as mãos.
— Hein! — Charles bateu no ombro dele, odiando ser ignorado.
— Você sofre alguns distúrbios, garoto? — Calvin perguntou olhando-o pelo espelho.
— Acha que se garante por causa de todos esses músculos?
— Que merda você está falando? — Charles desligou a torneira e o encarou. — Você fala demais, garoto.
— Saia daqui, agora. — ordenou.
Calvin sorriu, voltou-se para o espelho e enxugou as mãos, observando-o se tinha mancha no rosto.
— Você me ouviu?! — Charles o empurrou.
Calvin o encarou, quieto, mas seus olhos transbordavam raiva.
— Você serviu a minha família, deveria...
— A mesma família que pouco se importou com seu showzinho na festa? A mesma que provavelmente teria deixado você morrer?
Pego de surpresa, Charles não soube o que responder. Rapidamente avançou contra Calvin, mas o leonino segurou em sua mão, levando-a as costas dele, consequentemente o girando.
— Seu sangue, sua honra e sua família não são nada. Você entendeu? — grunhiu o maior, olhando em seus olhos através do espelho.
Charles tentou se soltar, até conseguiria brigar com Calvin, mas foi pego numa posição de extrema vulnerabilidade, a ponto de deixa-lo com poucos movimentos, relutante.
— Se você me soltar, eu juro que vou te bater.
E soltou, despreocupado.
No momento em que sentiu as mãos livres, Charles se virou imediatamente para socá-lo. Calvin deu um passo pra trás, mas o pequeno insistiu em socá-lo mais uma vez, no momento em que realizaria essa proeza, Calvin voltou a segurá-lo pela mão, o arrastou até uma porta das cabines. O tigre usou a mão livre pra tentar socá-lo, mas Calvin também a segurou. Em quesito agilidade, Charles era até superior, mas em relação a força, Calvin se sobressaia.
— Chega! — murmurou o leonino.
— Me solta! — grunhiu.
Charles tentou empurrá-lo, mas não conseguiu. Com os joelhos livres, fez o que imediatamente lhe veio a mente. O golpe baixo.
Com rapidez, o joelho de Charles se meteu entre as pernas do leonino, que gemeu em dor e se afastou encolhido, porém, acabou escorregando numa poça d’água e caindo, mas antes que sentir o impacto do chão, puxou o tigre pela camisa.
Charles caiu sobre o corpo do outro, os lábios há menos de um centímetro de distância, a respiração, ofegantes e entrecortadas, misturando-se. Os olhares, confusos, raivosos, e assustados entravam em conexão, mais uma vez.
Os olhos verdes de Charles desceram até os lábios do outro, ele engoliu em seco no mesmo instante em que sentiu sede. Sede essa que não era de água.
Eles ouviram vozes, passos. Rapidamente Charles se afastou, espalmando suas mãos nos peitos de Calvin e se levantando. Assustado, ele correu até a pia.
Quando os garotos entraram, viram Calvin caído e Charles de pé.
O tigre rapidamente pegou as suas coisas e foi embora dali.
O coração batendo acelerado.
Pelo susto ou pelo desejo? Ou pelo susto do quase beijo?
[Início do Flashback]
A casa, se assim se pode chamar, já que o termo que melhor se apropria é mansão, era luxuosa. Bastante iluminada e decorada, provavelmente derrubar qualquer um daqueles objetos seria considerado um crime.
O lustre no centro da sala, acima do piano de cauda, deixava explícito o quão exuberante era o cômodo.
Ele trajava o que era permitido: calça preta, sapatos da mesma cor, camisa social branca de manga longa, colete preto e gravata borboleta preta.
Calvin estava com uma bandeja na mão, servindo champanhe para os convidados, muitos deles sequer agradeciam pela bebida e outros o olhavam dos pés a cabeça. Olhares esses que ele já estava adaptado, mas que sempre o incomodava.
Odiava servir a festas com pessoas daquele tipo, mas recém tinha ganhado uma filha. Sua mãe, que também estava trabalhando ali com ele, foi quem havia conseguido o emprego. Ela estava servindo do lado de fora da casa enquanto o filho ocupava o interior.
Foi quando alguém conseguiu chamar a atenção de todos ao bater na própria taça.
— O aniversariante. — disse o homem de voz rouca.
Calvin levou seus olhos à escada, na mesma direção em que todos estavam olhando. Aos poucos, ia surgindo a imagem de um garoto que estava completado dezesseis anos de idade.
Dezesseis anos de idade? Calvin pensou. Pra quê uma festa desse porte?
Um sorriso desdenhoso no rosto se materializou no rosto do garoto que parou no centro da escada ao lado de seu pai. Ele, o garoto, usava um smoking preto ajustado ao seu corpo, os sapatos pretos pareciam reluzir toda a luz do cômodo, a gravata borboleta bem presa em seu pescoço o deixou com ar pomposo. O topete destacava-se naquele penteado em seus fios negros e lisos.
Calvin o assistiu sorrir por mais alguns segundos.
Charles, o aniversariante, observava todos os convidados da festa. Amava a atenção, amava ser o destaque. Um simples aniversário de dezesseis anos o tornou o centro das atenções naquela noite.
Calvin ainda não conseguia compreender a necessidade de tudo aquilo, mas também não conseguiu retirar os olhos do pequeno aniversariante... E sentiu o olhar, poderoso — do Ferazza —, repousar sobre o seu.
Calvin e Charles ficaram numa troca de olhares por logos segundos, até que o mesmo homem, que anunciara a entrada do aniversariante, promoveu um brinde.
Saudosas foram as vozes.
— Calvin, aqui! — sussurrou sua mãe ao aproximar-se dele.
Ellen, sua mãe, era uma mulher negra, robusta e baixa, de olhos profundos e castanhos.
Ele se virou para olhá-la.
— Vem, precisamos agora começar a servir os pratos. — ela pediu, tocando-lhe o braço para arrastá-lo.
Calvin a seguiu sem contestar. Quando entrou na cozinha, encontrou várias bandejas prontas e mais garçons ali dentro, aguardando o momento exato que o chefe mandasse sair.
Passando-se uma hora de festa, tudo estava indo bem. Os convidados todos sendo servidos com pratos diferentes a cada intervalo, Calvin acabou servindo a área externa da casa, trocando de posição com sua mãe.
Ele pôde ver, mais uma vez, a dimensão daquela casa, até as árvores eram iluminadas, ganhando destaque para acrescentar na beleza da festa.
O aniversariante passou por alguns familiares, inclusive Sean e Suzana. O primo, por exemplo, foi recebido com um sorriso extremamente falso, mas Sean sequer movimento seus lábios quando apertou a mão dele. Já Suzana, ao lado irmão, pai de Charles, sorriu para o sobrinho.
Trinta minutos mais tarde, Charles estava com sua amiga, sentados no centro da sala. Seu sorriso só tinha durado depois de cumprimentar a maioria dos convidados. Ele não parava de fazer uma ligação, mas como resposta recebia a mensagem automática da caixa postal.
Ele não parava de beber, ainda olhando pra o visor do celular e novamente tentando a ligação.
— Charles, ele não vai atender. — falou sua amiga, preocupada com ele.
— Aquele idiota não apareceu no meu aniversário! Ele vai me pagar, ah se vai...
— Seu pai está vindo. — ela disse, acomodando-se melhor na cadeira.
O pai de Charles era um homem alto, carregando os traços característicos dos Ferazza, em sua maioria. Cabelos pretos e olhos profundos. Seu nome era Lorenzo, médico e vice-diretor do hospital.
— Pare de beber. — ordenou. — Está começando a chamar a atenção dos convidados.
Charles o olhou de relance.
— Está satisfeito? Ele não veio.
— Charles... Não me faça levantar a mão pra você. — rosnou entredentes, observando ao redor pra saber se alguém estava vendo.
Charles não ousou em discutir com o pai. Steven, seu irmão, e sua mãe estavam se aproximando, eles sabiam o quão problemático Charles era e da relação árdua entre ele e o pai.
Charles era o filho que mais vinha causando problemas para Lorenzo. Seu pai recentemente tinha descoberto que ele estava se relacionando com um garoto e, desde então, tentava “consertá-lo”.
Steven, assim como o pai, também tentava consertar o irmão. Sugeriu que Charles não saísse mais de casa, sempre mandando os empregados o vigiar e, se precisasse sair, fosse acompanhado por alguém. Na escola, por exemplo, sua entrada e saída era supervisionada pelo motorista.
— Já está na hora de baterem os parabéns. — Steven falou baixinho. — Não estrague tudo. Você pediu por essa festa, então não envergonhe a nossa família.
Charles pôs o celular no bolso do smoking e, com raiva em seus olhos, forçou-se a ficar de pé.
— Atenção, atenção... — Steven conquistou os olhares de todos os presentes. Ele tossiu ao sentir que sua voz estava arranhando. — É com enorme satisfação, que uso desse momento para falar do meu irmão, Charles Ferazza.
Charles forçou um sorriso. Naquele mesmo instante, um bolo dourado ia sendo posicionado no centro da sala, próximo ao garoto.
— Apesar da pouca idade, meu irmão, legítimo Ferazza, futuro médico, demonstra a determinação, coragem e, convenhamos — sorriu —, beleza que nossa família tem. Certamente, esse é um dia especial para ele, mais um ano de vida. Meu pai, minha mãe — ele envolveu os pais pelos ombros — e eu temos orgulho de tê-lo em nosso meio. Por isso, eu gostaria de sugerir um brinde antes que pudéssemos dar os parabéns a ele.
Todos então estenderam suas taças de bebidas, aguardando o momento em que Steven tomasse a voz para falar, e ele disse:
— Um brinde ao Charles!
E as vozes ecoaram pelo cômodo.
Assim que as taças retornaram ao seu lugar, um coro passou a cantar os parabéns para Charles. O caçula daquela família, alterado pelo consumo da bebida, sorria, mas ainda assim, não parava de olhar o celular em seu bolso, alternando olhares entre o público e o aparelho.
Ao final da cantoria, Charles firmou seus olhos no público.
— Não gostaria de dizer algumas palavras, filho? — sugeriu sua mãe.
Charles olhou para a mãe e depois guiou os olhos entre o pai e o irmão, em seguida voltou sua atenção ao público. A vontade era detonar com o pai ali mesmo, na frente de todos.
Charles tossiu antes de se preparar e falar, mas no momento em que ia abrir a boca, sentiu o celular vibrar em seu bolso. No mesmo instante, ele puxou o aparelho e verificou. O seu pai, obviamente, detestou aquilo, mas se controlava para manter a pose sorridente.
— Só um minuto. — disse o aniversariante.
O que ele tinha recebido era um vídeo, mensagem anônima. Curioso, ele não se preocupou em visualizar o vídeo li, mas o que via não agradaria os olhos de muitos ali dentro. Charles estava assistindo seu namorado, garoto que o fez ir contra sua família, transando com o seu maior rival na escola.
O celular caiu de sua mão, ainda revirando nas lembranças as imagens que tinha visto no celular.
Seu pai engoliu em seco, Steven não conseguiu compreender o que estava acontecendo e sua mãe, tensa, olhou preocupada para o marido.
— Acabou a festa! — disse o pequeno, empurrando o bolo que se quebrou em sua mão. — Acabou a festa! — ele disse num tom mais alto, novamente batendo no bolo. — Saiam daqui! Saiam daqui! — bradou, indo até a sua mesa e lançando tudo no chão.
Charles caminhou até outra mesa e a derrubou, chutou cadeiras e quebrou vasos.
— Saiam daqui! — a frase curta pareceu duradoura quando ele prolongou as vogais aos gritos.
Os convidados iam recuando, assustados.
O seu namorado o traindo no dia do seu próprio aniversário. O garoto responsável por fazê-lo por ir contra o pai, capaz de tudo por simplesmente amá-lo, estava o traindo no dia do seu aniversário.
Cada mesa tornou-se alvo de sua fúria, ele não sossegou até derrubar todas dentro do cômodo, gritando desesperado para que todos fossem embora, sem que sequer desse alguma explicação para isso.
Os convidados recuavam mais e mais e ninguém se atrevia a segurá-lo, nem mesmo seu pai, que, envergonhado, ficou em seu lugar, assistindo todo aquele show. Steven, por outro lado, não conseguiu ficar ali, tomou as mãos de sua namorada e se afastou.
Sua mãe era a única a tentar alcançá-lo, pedindo-o para parar, mas Charles sequer dava ouvidos.
Ele passou a derrubar as mesas no lado de fora, chutando tudo a sua frente. Calvin, que estava parado, também assistindo aquilo, não sabia se era correto tentar pará-lo. Perguntava-se como ninguém tinha feito nada para parar aquela fera. Filho mimado.
O garoto tomou a garrafa de champanhe das mãos de Calvin e a quebrou no chão, espalhando vidro e bebida para todos os lados. Furioso e com a face molhada em lágrimas, ele encarou Calvin, mas não demorou muito o olhando, simplesmente voltou a atacar as outras mesas.
Não tendo mais onde depositar a raiva, Charles caminhou pelo jardim da casa gritando palavrões ao vento, em seguida desapareceu na escuridão a frente.
Os murmúrios começaram a ecoar pela residência, os convidados, assustados, fofocavam para todos os lados, tentando descobrir o que tinha acontecido.
— Calvin, vem, precisamos voltar pra cozinha, é melhor que não sejamos vistos aqui. — disse sua mãe ao encontrá-lo.
— E o garoto? Ele vai acabar fazendo uma loucura. — respondeu para ela.
— Vem, não podemos ficar aqui. Na menor oportunidade os pais dele vão descontar em nós.
— Por quê? Não fizemos nada! Aquele garoto precisa de ajuda.
— Filho, é melhor que estejamos na cozinha. Evitar com que mais problemas aconteçam. Deixa que isso é problema deles, não vamos ficar aqui assistindo. — ela falava o arrastando.
— Eu vou atrás dele, encontro você depois.
E ele a soltou, sequer dando a oportunidade dela o segurar mais uma vez.
Calvin atravessou o jardim em busca do garoto perturbado pelo ódio, mas não o encontrou. Nem mesmo a iluminação das árvores o ajudou a encontrá-lo. A casa era enorme, o que dificultou ainda mais a busca.
Calvin deu a volta nas árvores e afastou-se do lugar onde ocorria a festa, dando volta na residência até se aproximar de um caminho de pedras que o levava até a piscina.
Foi lá que ele viu o corpo do garoto desacordado, boiando na água que aos poucos ia tornando-se vermelha pelo sangue em sua cabeça.
Sem sequer pensar duas vezes, Calvin se desfez da gravata borboleta e mergulhou na piscina.
[Final do Flashback]
Os dois saíam juntos da universidade.
Caine ligando para o namorado e Colin observava os braços e tocava-os para ver se sentia e via alguma diferença desde que tinha começado a academia. Às vezes ele se sentia forte, a sensação que durava apenas alguns minutos assim que saia da academia, mas quando chegava em casa e se olhava no espelho não via nada de diferente, Sean quem amava zombar dele por conta disso.
— Você não vai mesmo malhar comigo?
— Eu deixei o Arthurzinho com o Danion, você sabe...
— Não queria ir sozinho hoje, mas tudo bem. Eu vou te acompanhar, é caminho até o prédio de educação física. — contou.
— Mas o Dan não me atende. E se o Arthurzinho estiver chorando? Ai, não sei... O Dan não leva muito jeito pra essa coisa, mas eu não podia faltar hoje. Se bem que eu pedi ajuda a Clara, o Arthurzinho gosta dela.
— Irei passar lá, caso ele não esteja dormindo.
— Isso, vai mesmo! O Arthurzinho anda tendo o sorriso solto, rir de tudo. Exceto com o Dan... — falou, tornando a ficar apreensivo.
— Quem suporta o Danion? Nem mesmo um bebê consegue suportá-lo.
— Ai, Colin, não fala assim. — disse, apesar de considerar engraçado.
Os dois garotos seguiram com seus diálogos divertidos, principalmente com Colin fazendo piadas a respeito do branquelo e Caine, ainda que achasse engraçado, tentava defendê-lo. O pequeno leonino envolveu sua mão no ombro de Caine e, gargalhando, tornaram o assunto ainda mais divertido quando colocaram Clara na conversa.
— Colin. — Caine parou de repente.
O líder dos leões acompanhou os olhos do amigo.
Eles ainda estavam na universidade, mas num caminho deserto. O número de universitários a noite era mínimo naquela localização. Caine não teria dito nada pelo grupo de jovens que vinham em direção contrária a deles, mas os fato de estarem encapuzados, despertou medo.
— É melhor voltarmos. — disse Colin. — Finja que não está com medo.
Caine e Colin deram meia volta e, tentando o máximo não demonstrar medo, continuaram caminhando sem olhar pra trás. Mas os passos estavam cada vez mais próximos, seguidos de algumas risadas.
Caine acelerou os passos e Colin fez o mesmo, mas alguns segundos foram suficientes para o pequeno grupo de pessoas passarem pelos dois, cercando-os.
Caine e Colin pararam.
Ouviram risos, abaixaram a cabeça. Medo.
— Um casal? Um casal gay? — perguntou um deles.
Colin levantou os olhos para identificar o rosto de quem falava, mas o fato de estarem encapuzados, com máscaras e até mesmo com pano cobrindo metade do rosto. Eram cinco, no total.
— O que vocês querem? — o corajoso Colin perguntou.
— Consertar o erro. — disse o terceiro.
— A praga. A aberração. — disse outro.
— Nos deixem em paz. — Colin segurou na mão de Caine, temia, mas não queria soltar o amigo, preparando-se para correr e puxá-lo.
— Eles são da Quadra. — disse uma quarta voz. — Líderes.
Colin e Caine não falaram nada, apenas ouviram.
— Eu sei quem são, idiota! — retrucou.
Silêncio. Novas risadas.
Os cinco mascarados começaram a andar ao redor dos dois, assustando-os ainda mais, preferindo ofensas sobre a sexualidade deles, inclusive, citando também negros, pobres... Minorias.
Na oportunidade, Colin tentou correr, mas o ato foi falho quando o empurraram de volta pra roda. O leonino ouviu um grito de dor escapar de Caine e quando o olhou, o assistiu receber uma chave de braço por um deles, enquanto outro socavo-o no estômago.
Colin tentou defender o amigo, mas acabou recebendo um chute nas costas, de sua boca teria saído um grito, mas a dor foi tanta que apenas abriu os lábios, sem voz alguma. Em seguia recebeu um soco no estômago e no rosto.
Sua visão em Caine persistia, ainda tentando alcançá-lo.
Caine, da mesma forma, tentava se desfazer dos braços e dos socos recebidos, mas acabou sendo socado no rosto, o sangue desceu por seu nariz e tudo começou a girar. Ele foi lançado no chão e, em seguida, recebeu chutes e mais chutes de dois garotos, que começaram a rasgar suas roupas à medida em que depositavam socos em seu corpo.
Colin gritou, mas foi puxado pelo braço e, da mesma forma, caiu no chão como Caine. O primeiro pisão foi no seu braço, o que o fez se encolher para se proteger dos próximos. Mas como ignorar a dor de chutes? Talvez pensando na dor do preconceito, que ele estava sentindo naquele instante.
Colin recebeu chutes, socos, cuspidas e ofensas como um complemento da atitude horrenda.
Caine foi tratado da mesma forma, ambos sendo espancados.
Colin, ainda apanhando, estendeu sua mão, tentando segurar a do amigo, que gemia a cada soco recebido.
E então, ouviram uma voz.
Colin não conseguiu ver muita coisa, mas a voz era conhecida.
Joshua chutou o primeiro que viu a sua frente, fazendo o agressor cair no chão. O ruivo foi pego pelos braços por dois agressores, mas na força bruta, conseguiu se desfazer. Ele socou, em cheio, o rosto do garoto que tinha um pano cobrindo o rosto, em seguida usou do cotovelo para atingir o que estava tentando segurá-lo pela cintura.
O ruivo se virou e depositou um novo soco no que já estava ajoelhado, deu um segundo e um terceiro, fortes o suficiente para molhar sua mão de sangue. Joshua recebeu um chute nas costas, mas se virou no segundo em que ia ser agredido, retribuindo o chute.
Ele acabou segurando na mão de outro garoto que ia socá-lo, com força o suficiente, Joshua apertou o punho dele e o forçou a abrir a mão, tomou dois dedos do garoto e ficou encarando, ouvindo os gritos de dor do garoto, que ia dobrando os seus joelhos e caindo ao chão a cada vez que Joshua envergava o dedo dele, até que ouviu um estalo... Quebrando.
O ruivo, ciente dos gemidos de dor e usando daquilo como combustível, não viu um punho vindo em direção ao seu rosto. Ele caiu no chão e, quando tentou tornar a atenção aos agressores, viu que o que teve os dedos quebrados, estava correndo, Joshua viu o garoto que tomou três socos e estava caído desacordado, estava sendo arrastado por outros dois.
O se levantou e tentou segurar o quinto, mas o que apenas conseguiu foi arrancar o pano que cobria metade do rosto do agressor, mas não teve visão para ver as feições dele, com isso o deixou ir quando notou os espancados caídos no chão.
Joshua, ainda de pé, aproximou-se de Caine, desacordado e de Colin, que horrorizado e tendo o rosto tomado por sangue, o encarava, chorando.
A dor...
O preconceito.
Fale com o autor