República de Leões
52 Capítulo 52
Notas iniciais
A princípio, ele não havia sentido dor alguma.
William não compreendia o porquê que todos olhavam para ele, até tinha se esquecido de sua atitude ao se levantar. Mas então, ardeu, queimou. O líquido quente molhou o seu abdômen. Involuntariamente suas pernas cederam e, com isso, ajoelhou-se. Dos seus lábios o sangue descia. De joelhos, ergueu a cabeça e encontrou um Sean desesperado, com as mãos abertas e duras, sem conseguir se mover.
Suas próprias mãos tocaram o abdômen perfurado, molhando-as de sangue. Olhou para o lado e encontrou os olhos grandes de Colin. Não conseguia ouvi-lo, mas sabia que ele pronunciava o seu nome. O seu corpo despencou de uma vez, caindo então sobre o corpo do pequeno Colin; o seu protegido. O herdeiro da coroa.
— William, não... Will... — A súplica de Colin doía.
Os olhos do pequeno encheram-se de lágrimas. Queria ele ter forças para se levantar e tapar o ferimento do loiro, o seu maior exemplo de vida dentro da Quadra. A sua âncora, o seu pilar.
— Colton! — O grito não era do Sean, sequer de Colin.
Uma figura loira surgiu tão rápida que os olhos não conseguiram acompanhar. Outro tiro foi efetuado... No teto. A arma havia caído no chão e, sendo pego pelo pescoço, lá estava Colton respirando para sobreviver enquanto era asfixiado por Noah.
Cego pela raiva, Sean correu até a arma e apontou para os dois próximos da mureta. Sean tremia, era notável ao se olhar para suas mãos, mas ele estava disposto. Disposto a acabar com vida de Colton.
— Sean... — Colin, chorando, procurou por mais forças em sua voz, falhou.
O moreno olhou para o chão e encontrou William ainda de olhos abertos e com os lábios tomados pelo sangue. Enquanto Colin estendia as mãos para tentar, de alguma forma, pressionar o abdômen do loiro, William remexeu-se, saindo então mais sangue de sua boca.
Sean não foi capaz. A arma caiu de sua mão.
O moreno ajoelhou-se e tocou a cabeça de William, tremendo. Chorava como uma criança... Uma criança que perdeu o irmão. Mesmo que a medicina negue isso, eles cresceram acreditando nessa mentira. Se o sentimento de ódio é paralelo ao do amor, pode se dizer que houve laços entre os dois?
O moreno não viu, mas Colin assistiu tudo o que acontecia atrás dele: Noah segurava Colton pelo pescoço e o erguia mais e mais, fazendo metade do seu corpo ficar para fora da sacada, acima da mureta. Os olhos de Colton eram assustadores quando demonstrava medo. Mas Noah estava disposto... Vingança por vingança.
Colin fechou os olhos, não aguentando mais assistir aquilo.
Noah finalizou o seu trabalho ao empurrar Colton da sacada sem sequer se arrepender. Agora sim ele seria considerado um louco.
O corpo pequeno de Colton voou, literalmente. Caindo no chão exatamente na quina da calçada. Apagou.
— Will... — O murmúrio de Sean. Nunca ninguém o ouviu falar daquela forma, principalmente ao pronunciar aquele nome, aquele apelido carinhoso que só os leoninos pronunciavam.
William o olhou, mas a visão tornava-se turva. Ele fechou seus olhos e esperou. Apenas esperou. Não ouvia mais ninguém, senão as batidas do seu coração... fracas. E, a cada batida, parecia ficar mais fraca ainda. Sentia o sangue molhar o seu corpo. Sabia que parte do seu sangue molhava, também, as mãos de Sean e Colin que, de alguma forma, tentavam conseguir o inevitável.
A polícia e o socorro chegaram, mas era tarde demais.
O leão dorme hoje à noite.
[...]
Quem foi William Nataniel Grandinni?
William era dono de uma personalidade forte, difícil. Ele tinha o hábito de não guardar seu material da escola sempre que chegava em casa, até receber advertências do pai. Era, sem sombra de dúvidas, o melhor aluno para todas as professoras, chegando a receber medalhas por reconhecimento. Costumava se ferir sempre que corria no pátio da escola, voltava para casa com alguns arranhões toda semana. Uma criança como qualquer outra.
Mais tarde, tornando-se um adolescente, William descobriu o que era o amor. Amor de um homem... por outro homem. Ainda na adolescência deitou-se com o grande amor da sua vida que, pelas garras de um tigre, deixou terríveis cicatrizes em seu relacionamento. Mas no coração carregou a dor do que era perder quem ama. Chorou como qualquer um que perde uma batalha, mas colocou-se de pé e seguiu sua vida.
Carregava a culpa de que era o responsável pelo fim do relacionamento do seu pai, tendo que levar sermões de uma mulher que sequer sabia o seu nome direito. Todos os seus amigos se afastaram dele, deixando-o sozinho. Afinal, o seu rival era capaz de tudo para mostrar que ele não era ninguém.
Porém, o tempo mostrou que William era alguém. Alguém que tirou uma das melhores colocações em Seattle. Alguém que soube o que era independência bem cedo. Alguém que mesmo tendo portas fechadas em sua cara, perseverou até que reconhecessem o seu valor e cedesse um aconchego.
William foi coroado rei dos leões. Ele quem deu nome a república mais agitada, falada e barulhenta de toda a Quadra Nove, porém, a mais unida. Graças a sua liderança, ensinando aos seus considerados filhos, parte do seu bando, o que era carregar o sangue leonino em si; Era rugir e fazer com que todos reconhecessem o poder que você tem. Afinal, como ele mesmo falou retirando frase do famoso livro: Ouça-me rugir. Prostre-se diante daquele considerado o rei da selva.
Homem de defeitos. Defeitos visíveis para qualquer um que o conhecesse. Mas que quando enxergava um erro, tentava de todas as formas consertá-lo, admitindo onde errou, mesmo que lhe custasse caro. Que defendia os seus companheiros com unhas e dentes, ainda que fosse necessário perder sangue por isso. Como fez com Danion, cuidando daquele considerado o mais rebelde de toda a Quadra Nove. Ou quando abateu o líder dos Tigres. Também quando invadiu o Ninho e fez até o mais temido daquele lugar se ajoelhar. Até mesmo resgatou Colin das mãos do maior rival que os leões já tiveram, onde mais tarde foi traído pelo herdeiro de sua coroa, mas foi capaz de perdoar. Afinal, o coração de um leão é, certamente, maior que o seu poderoso rugido.
Consagrado cirurgião.
William era o pilar. A base. O dono do sorriso que dizia: Eu acredito no amanhã.
Essas foram as palavras de Octavio, seu eterno namorado.
Mas, antes que o mundo decaia, deve saber que William não era nada disso, William simplesmente é, no presente. Na verdade, William é o rei dos leões.
William não está pronto para morrer.
[...]
Luzes.
Os olhos arderam ao contato com aquela iluminação, principalmente após passar algumas horas com os olhos fechados e os abrir assim, de repente. O quarto em que se encontrava era verde e o cheiro já era bem conhecido por ele, até mesmo a estrutura do local. Afinal, William fazia residência naquele lugar. Uma poltrona verde ficava no seu lado esquerdo, enquanto um sofá ficava no lado direito. A cama onde William estava deitado ficava no centro. No canto do quarto, uma pequena mesa com uma tulipa em um vaso de vidro transparente. Todos os quartos eram exatamente assim.
Quando finalmente os seus olhos se acostumaram com a luz, olhou para os lados. Os fios negros eram conhecidos. Estava de costas, provavelmente adormecido.
— Você? — Perguntou o loiro, sentindo sua garganta seca.
Sean despertou. Ele realmente estava cansado, não havia dormindo desde todo o ocorrido.
— Nunca imaginei acordar em um quarto e encontrar você... Logo você. — A voz de William era leve, fraca, mas ganhando força a cada palavra.
— Também nunca me imaginei numa situação como essa. — Falou o moreno, remexendo-se no sofá, espreguiçando-se.
William sabia que não podia se mexer. Ainda sentia as dores da briga, além do grande ferimento em seu abdômen. Ficou olhando para Sean sair do sofá e aproximar-se.
— E então... Eu realmente não morri? — Tentou descontrair o leonino, olhando-o.
Sean não tinha tomado um banho. William sabia disso. Seu rosto estava sujo, assim como as roupas que também estavam rasgadas. Percebeu os ferimentos em suas mãos devido a queimaduras ao tentar retirar a viga que caiu.
— O que quer que eu responda? — Perguntou o moreno, olhando para seu abdômen, mas nada podia ser visto, afinal, William estava coberto.
— O que responderia se fosse o Sean de meses atrás? Estaria feliz se isso acontecesse, não?
— Não queria conversar sobre isso. — Sean desviou o seu olhar, envergonhado, certamente. — Acho que hoje foi o pior dia da minha vida. Eu realmente achei que você tinha morrido, mesmo quando o socorro tinha chegado. Você apagou, William... De verdade.
— Eu tive hemorragia. Hipovolemia, ou seja, a quantidade de sangue circulando nos vasos sanguíneos estava menor que o normal; o débito cardíaco também baixo, que no caso é a quantidade de sangue que o coração bombeia pro corpo por minuto. A pessoa desmaia porque o cérebro recebe menos sangue arterial e, consequentemente, menos oxigênio. — Explicou o futuro cirurgião. — Falando desse jeito chega a ser irônico. — Deixou escapar um suspiro.
Sean não duvidava do quão inteligente William era. Mas não se surpreendeu. Era incrível quando mesmo após tomar um tiro, ele parecia era a mesma pessoa gentil de sempre. O que por anos irritou Sean pelo fato de ser assim.
— Por que você está aqui? — William perguntou percebendo que Sean não conseguia falar nada.
— Agradecer. — Respondeu de imediato.
— Agradecer pelo quê?
— Era eu quem deveria tomar o tiro no seu lugar... Colton estava disposto a atirar em mim, nada mais que isso. — Ainda dizia de cabeça baixa.
— Sempre foi o meu objetivo desde que decidi ser médico. — Sorriu, fraco. — Não que minha atitude deva ser considerada heroica, mas no calor da emoção tentei, de alguma forma, parar aquele tiro? — Se perguntou. — Não sei o que deu em mim, talvez, quis me redimir de alguma forma por ver o quanto atrapalhei sua relação com Colin.
— Na verdade, eu quem atrapalhei a relação de vocês. Mas não vamos falar sobre isso... — Mas uma vez não quis tocar no assunto do seu passado.
— Um dia teremos que falar. Mas esse dia não será hoje. — O loiro o olhou por segundos, vendo que Sean não conseguia olhar em seus olhos.
Para Sean, certamente, era bem difícil. Afinal, estava diante do líder dos leoninos. A república que mais detestava na vida.
— Onde está o Colin? Ele está bem? — Perguntou o loiro.
— Está no quarto ao lado. Ele teve que ser dopado. Terei que ficar lá para que quando ele acordar, eu falar que você está bem.
— Todos acham que eu morri? — William indagou, um pouco assustado.
— William, a situação foi tão séria, que isso foi parar na TV. Os pais do Colin estão aqui, o nosso pai... Quer dizer, o seu pai está aqui. — Corrigiu-se, mais uma vez constrangido — Até a minha mãe e Joe estão. A polícia ainda está lá fora, precisamos dar nossos relatórios.
— Octavio? — Perguntou e sentiu, de alguma forma, seu coração bater mais forte.
— Eu conversei com ele por horas. Ele permitiu que eu ficasse no quarto até você acordar. — Finalmente conseguiu olhar para o loiro. — Octavio teve que ser forte por todos os membros da sua república. — Fez uma pausa e em seguida prosseguiu — É, William... O Octavio, garoto por quem disputamos, o meu ex-melhor-amigo e seu namorado.
— Posso falar com ele, Sean? Pode chamá-lo para mim? — Pediu educadamente.
Sean assentiu e deu as costas, mas antes de abrir a porta, virou-se.
— Obrigado por salvar o Colin, obrigado por me salvar. Tenho dívidas com você e vou pagá-las um dia. — Sean falou, abriu a porta e saiu.
William viu a porta se fechar. Não esboçou nenhuma reação mesmo com Sean falando aquelas palavras. Ainda que fosse necessário ter dito algo, preferiu optar pelo silêncio. Mas tudo valeu a pena ao perceber que além de envergonhando, Sean sentia-se culpado. Não que quisesse que ele carregasse a culpa, mas saber que agora reconhece quem é William Grandinni era gratificante.
Dois minutos depois a porta foi aberta e Octavio surgiu. Não tinha como esconder o choro, Octavio foi fraco demais ao encontrar o corpo do seu namorado ali, sob o cuidado de aparelhos. William sorriu com os lábios e seus olhos também umedeceram diante a cena que via.
Octavio ajoelhou-se ao seu lado e, delicadamente, tocou-lhe as mãos.
— Nunca, William, nunca mais me faça passar por isso. — Suplicou, choroso.
Sem poder se movimentar, William apenas se esforçou para o olhar ajoelhado.
— Meu amor, levante-se daí. — Falou, também choroso.
Octavio demorou se levantar, mas o obedeceu e ficou de pé, enxugando as lágrimas. Logo levou seus dedos para enxugar os olhos do namorado.
— Estou bem, estou vivo. — Desceu os olhos para o próprio corpo — Olha só, estou inteirinho. — Sorria, os olhos brilhavam.
— Você não tem noção de como eu reagi ao receber a notícia de que você tomou um tiro. Literalmente eu quem tomei um tiro Eu tive que confortar a todos, absolutamente a todos, sobre o que aconteceu. — Levou sua mão ao nariz, enxugando-o — Olha, não é legal ser forte, ok?
— O tiro atingiu a minha juba, só isso. — Tentou descontrair.
— Pobre Colin, teve que ser dopado por sua causa. — Já estava começando a se acalmar. — Estou com muita pena dele nesse momento. Mas felizmente se encontra bem.
— É o meu herdeiro... — Murmurou, feliz com isso. Colin estava bem, apesar de tudo.
— Eu sei que você está agindo como o Mark. Você está o preparando para que tome o seu lugar na liderança. — William assentiu. — Ele vai ser um bom líder, nós sabemos disso. Um pouco complicado, mas vai saber liderar.
— Octavio, pode me responder uma coisa?
O namorado fez que sim com a cabeça.
— Colton? — Perguntou o loiro.
— Nós não sabemos. Sean sabe, mas eu preferi não ouvir esse detalhe. Preciso me acostumar com a ideia de que ele fez tudo isso. Mas fico feliz por saber que a coroa de vidro dele, quebrou-se.
— Tudo bem. — Entendia o namorado e deu fim ao assunto.
— A propósito, William, Sean fez algo por você.
— Ele me agradeceu. — Seus olhos foram para o vazio.
— Sim, eu deixei com que fizesse isso. Mas você também irá agradecê-lo. — Olhou com serenidade para o namorado.
Nesse momento William voltou ao olhar para o seu namorado, confuso.
— Sean é o único com sangue compatível ao seu. Você sabe que perdeu muito sangue e ele foi capaz de doar.
— Você está brincando comigo, não está? N-não que eu esteja triste ou irritado, mas... mas... Uou!
— Isso porque você não viu a confusão que ele causou porque não queriam deixar que ele doasse. Você sabe como ele é explosivo, às vezes. Mas foi uma atitude bonita ao ceder do seu sangue para que você se recuperasse. Achei que ele te falaria isso.
— É irônico, sabe? Sangue do meu sangue... Mas não é meu irmão. — Parecia surpreso. — E crescemos acreditando numa mentira criada por sua mãe. De todos, eu jamais esperaria isso dele. Mas fico feliz, de alguma forma. Querendo ou não, é difícil apagar da memória assim tão rápido. Foram anos acreditando que Sean era meu irmão e, não nego, ainda o associo como meu irmão, mesmo que na época eu odiasse isso. Agora posso dizer que em minhas veias o sangue dele circula.
— Quem manda você ter sangue do Tipo O? Ainda mais O-.
— Ele ficou constrangido, talvez não conseguiu falar o que fez. — William revelou ao namorado como Sean se portou enquanto estava no quarto. — Foi engraçado como que tive que explicar o que aconteceu comigo para que eu "apagasse", segundo ele.
Tanto Sean quanto William tinham sangue do tipo O e, pra completar, negativo (O-).
Octavio acariciou novamente a mão do namorado, olhando-o sempre. William fitava o teto, lembrando-se do sonho que teve antes de acordar.
— Não sei se tive um sonho, mas parece que vi você fazendo um discurso sobre quem eu fui. Sabe quando dizem que a nossa vida passa como um filme enquanto estamos morrendo? Foi mais ou menos isso, eu vi parte da minha trajetória, só que narrada por você. Estranho...
— Isso nunca vai acontecer, vira essa boca pra lá. — Sua expressão foi de tristeza, nunca queria pensar ou passar por isso.
— Na vida temos a certeza de uma coisa: a morte. — William o olhou e movimentou um dedo, acariciando a mão do namorado. — Mas isso vai demorar pra acontecer, Octavio. Temos planos para nossas vidas, lembra? Nossos filhos, casa...
— Jamais me esquecerei disso. — Emocionou-se mais uma vez.
— Em breve estaremos em nossa própria casa. Mas, enquanto isso, vamos aprender a ser pai desses garotos que escolhemos como nossos filhos. Sabe, Octavio, mesmo que eu chegasse a partir desse mundo, você daria continuidade aos nossos sonhos. Eu te conheço e sei o quão forte você é. Eu te amo, minha vida. E, se estou vivo, é porque você ainda respira. E nada me tira desse mundo pelo simples fato de que vivo somente para te amar.
Octavio já estava chorando mais uma vez, ele enxugava as lágrimas enquanto sorria para William que queria poder se movimentar bem e tocar-lhe o rosto. Mas não falava nada, apenas ouvia os soluços do seu namorado que, finalmente, conseguia por todas as lágrimas contidas para fora. Afinal, Octavio realmente teve que ser forte. Ele poderia simplesmente gritar, se espernear como qualquer um faria, mas a sua postura diante de tudo o que aconteceu, foi bela. Octavio simplesmente tomou conta do bando de William: os leoninos.
E então ouviu-se vozes, distantes, ritmadas, com palmas.
— O que é isso? São eles? Eles estão aqui? — William sorriu, largo e com os olhos arregalados.
— Estão todos lá fora, William. Só sairão daqui quando você receber alta. — Octavio também sorria e chorava ao mesmo tempo.
— Mas como assim? — O loiro estava começando a se emocionar ao ouvir o canto dos seus amigos.
— Lembra-se do que você falou para eles: Sempre que precisar de ajuda, rujam. Um leonino reconhece o rugido do outro...
William fechou os olhos e deixou as lágrimas lavarem o seu rosto. Era muita emoção para um homem só, que sentia o amor do seu namorado e de seus amigos.
Mesmo que chorando, William sorria, pois eles poderiam ser expulsos pela gritaria. Mas seus companheiros de repúblicas pareciam não se importar com isso, apenas batiam palmas e cantavam a música do dia da sua coroação de brincadeira. Até mesmo Octavio, dentro do quarto, cantarolava. Era, de fato, um dos momentos que marcaria a sua vida.
Mesmo que não estivesse os vendo, William ouvia e sentia a paz inundar seu coração.
In the Jungle, the mighty jungle,
Na selva, na imensa selva,
the lions sleeps tonight.
o leão dorme esta noite.
In the jungle, the quiet jungle,
Na selva, na silenciosa selva,
the lions sleeps tonight.
o leão dorme esta noite
Near the village, the peaceful village,
Perto da aldeia, pacífica aldeia
the lions sleeps tonight.
o leão dorme esta noite.
Near the village, the quiet village,
Perto da aldeia, pacata aldeia,
the lions sleeps tonight.
o leão dorme hoje a noite.
Hush my Darling, don't fear my darling,
Venha minha querida, não tenha medo minha querida,
the lions sleeps tonight.
o leão dorme esta noite
Hush my darling, don't fear my darling,
Venha minha querida, não tenha medo minha querida,
the lions sleeps tonight.
o leão dorme esta noite.
Uma das características mais marcantes em William é o seu instinto protetor — isso inclui até mesmo o seu maior rival, quando lançou-se sobre a bala para protegê-lo. Basta apenas lembrar-se de tudo o que já fez por seus amigos. Eles, os leoninos, apenas estavam retribuindo tamanho amor pelo rei dos leões. Afinal, William estava vivo!
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