Notas iniciais
Quando segredos são revelados. — Baile de Máscaras parte II

A música alta impedia que qualquer sussurro fosse audível. Merecendo todo o respeito estava o DJ que tomou conta da playlist para o momento. Os universitários estavam agitados. Gritos de lá e cá e pessoas dançando como se o dia fosse acabar algumas horas depois. Era o momento deles, o momento onde eles esqueceriam a pressão que a universidade oferecia.

Luke também era um dos que se divertia dançando ao som da música agitada. O moreno já havia recebido algumas cantadas e, ainda assim, não cedeu à vontade de ninguém. Apenas sorria e isso, de fato, era um agrado para aqueles que o paqueravam.

— Onde está o Colin?! — Samuel gritou em seu ouvido.

Luke, já reconhecendo a voz, se virou com a pior expressão que já tivera.

— Não me diga que você o perdeu de vista.

— A culpa não é minha, você também estava responsável por cuidar dele.

— Em um minuto que eu viro você o perde, babaca!

— Você está o embebedando e eu que sou o babaca? Colin não é fã de bebidas e olha o que você está fazendo.

— Colin está bebendo por vontade própria e, se você não percebeu, ele parece preferir assim. Agora para de discutir comigo e me ajude a procurá-lo.

Luke por pouco não mandou mais insultos para Samuel, estava mais preocupado com Colin.

Juntos, o loiro e o moreno atravessaram a multidão de pessoas. Eles preferiram não se desgrudarem um minuto e, por isso, acabaram entrelaçando um único dedo para não se perderem. Porém, a realidade era a seguinte: Luke não queria que Samuel encontrasse Colin e eles ficassem sozinhos. Samuel tinha o mesmo pensamento que Luke.

Os dois acabaram ajudando uma garota que estava caindo de bêbada e a retiraram da pista de dança. O mesmo incidente aconteceu alguns minutos depois mais à frente, até que finalmente encontrassem Colin com um copo de bebida em mão.

O pequeno estava sorridente. Colin dançava com desconhecidos e para Luke e Samuel aquilo não foi nada agradável. Os dois caminharam juntos afastando-o dos demais até que o menor ficasse entre eles.

Luke e Samuel trocaram olhares alertando: vê se não tira os olhos dele.

— Vocês me perseguem! — Colin gritou.

— Melhor do que vê-lo caindo por aí. — Samuel disse, ríspido.

— Não liga pra ele, Colin, vem, venha dançar comigo. — Luke segurou em sua mão.

E então Luke iniciou alguns passos de dança até que Colin o acompanhasse. Samuel revirou os olhos e ficou parado, estilo segurança. Ele estava odiando aquele momento, mas para sua surpresa, Colin virou e sorriu. Samuel desfez o semblante irritadiço e retribuiu o sorriso, também sendo contagiado pela dança do menor. Logo os três dançavam juntos.

Luke era mais adaptado à música, sempre elaborando passos para cada batida, já Samuel era um tanto desajeitado, mas ainda assim se entregava ao momento. Luke tinha um jeito mais ousado e Samuel comportado. Era de se esperar que em certo momento da música Luke retirasse seu blazer e em seguida sua camisa, sensualizando.

Colin apenas ria daquilo e Samuel o repreendia, embora os dois não o escutassem.

— Ei, Luke, você é legal. —Colin disse, já alcoolizado.

— E você vive me rejeitando... — Luke fez beiço.

— Ai, para! Não é pra tanto...

— Colin, você já tá bêbado... — Samuel interrompeu a conversa.

— Quem se importa, Samuel? — Luke o encarou.

— Não discutam, vamos nos divertir.

Colin tomou a mão dos dois e começou a dançar.

Tudo estaria bem se ele não avistasse há cerca de um metro uma pessoa parada. Como não reconhecer o dono daqueles olhos escuros? O desenho daqueles lábios e a tão perfeita pinta que ele tinha na bochecha.

Colin por um minuto sentiu toda a raiva que tinha de Sean, seu desprezo foi tão grande que ele fingiu não reconhecer o moreno.

Por que Sean estava ali? Colin não sabia e não se importava em saber.

Mesmo sabendo que já estava bêbado, ele tinha a certeza de que não estava tendo nenhuma visão ou alucinação. Era realmente Sean e somente ele era capaz de reconhecê-lo. Afinal, já o viu nu, já o sentiu, já o tocou. Conhecia cada traço, cada movimento, cada reação... Cada expressão.

O que Colin não esperava era que Colton também pudesse aparecer ali, mas o rival não tinha reconhecido Colin e apenas mantinha os olhos fixos no Sean. Ele parecia dizer algo, mas Sean estava calado, mantendo os olhos fixos em Colin.

Quando a música de supetão mudou para uma mais quente e Luke, como admirável dançarino novamente inovou nos passos de dança, sensualizando ainda mais, Colin passou os dedos pelo abdômen nu do moreno e, sendo um perfeito vingador, ficou nas pontas dos pés e beijou Luke, esquecendo-se completamente de Samuel logo atrás dele.

Colin tinha feito aquilo pela raiva que lhe tomou, imaginando que Sean pudesse sentir o que ele àquele dia tinha sentido. E Sean sentiu sua alma gritar.

Luke, surpreso, por pouco não se afastou com aquela atitude, mas ao perceber que era Colin a lhe dar um beijo carregado de vontade, não hesitou, apenas aceitou o beijo.

Pobre Samuel, foi obrigado a assistir toda a cena.

Luke e Colin deram um dos beijos mais quentes daquela festa, embora fosse encenação do pequeno que queria apenas provocar aquele que o magoou.

Quando o beijo foi desfeito, Colin viu Sean já de costas para ele com Colton ao seu lado. O rival não usava máscara e facilmente foi reconhecido por Colin, que acabou perdendo-os de vista.

— Uau! O que foi isso? — Luke perguntou, surpreso. Sentia seus lábios queimarem.

Colin não respondeu, mantinha seus olhos fixos na multidão. Agora já não mais se reconhecia após aquela atitude, principalmente por perceber que Sean nem sequer impediu que aquilo acontecesse e apenas foi embora na presença da pessoa que mais odiava.

— Gente, vocês viram isso?! — Luke se virou para olhar as pessoas ao redor. — Ele me beijou! Ele me beijou! — Parecia ter ganhado uma medalha de ouro. — Ele é meu, porra!

Nessa pequena oportunidade, Colin olhou para Samuel que estava de costas — o loiro preferiu não continuar vendo a cena — e acabou escapando dos seus dois seguranças.

Luke tinha um sorriso de ponta a ponta, embora todos estivessem o ignorando. Afinal, o beijo não era nada importante para os outros ali que nem sequer pararam para olhar aquilo.

— Vem cá, agora sou eu quem vou te beijar.

Luke novamente se virou para beijar Colin. Acabou puxando Samuel pela cintura e tomando os lábios do loiro.

Dizem que beijo roubado é melhor do que o planejado. É mais ardente e, se permitirem, queima até a alma, indo até o mais íntimo dos desejos guardados.

A grande ironia disso é que beijo durou mais do que o esperado. Todo o ar existente nos pulmões de Samuel foi sugado e, na falta disso, ele então percebeu o que estava fazendo. Acabou empurrando o moreno com brutalidade bem mais tarde do que gostaria.

Samuel tocou os próprios lábios incrédulo com aquilo. Luke estava tão confuso quanto ele.

— C-como?! — O moreno perguntou.

Embasbacado, Samuel não respondeu. Apenas sentiu um certo formigamento e constrangimento pelo momento.

— Era pro Colin estar aqui. — Luke coçou a cabeça.

— Não era pra isso ter acontecido. — Samuel disse. — Você é tão burro que não consegue diferenciar nada. — Tentava se recuperar... E recuperar o ar perdido.

— Você novamente perdeu o Colin de vista! — Luke também estava confuso com a situação, sem saber como reagir.

— Eu evitei ver aquela cena nojenta de vocês dois. Não me culpe.

— Está com ciúmes porque ele me beijou? — Luke logo tratou de por aquele sorriso bobo e provocador que só ele tinha.

— Vai se foder, garoto. Eu mesmo vou procurar o Colin sozinho.

Samuel deu as costas, se permanecesse ali, iria acabar socando Luke e estragando a festa.

— Ei, espera! — Luke o chamou. Samuel parou e se virou. — Eu beijo mal?

— Muito mal. — Respondeu quase que de imediato. Novamente deu as costas para o moreno.

— Ei, volte aqui! — Luke gritou, seguindo-o. — Como assim eu beijo mal?

— Você simplesmente beija mal, Luke. — O loiro respondeu enquanto atravessava todos aqueles à sua frente.

— Mas tão mal assim?

— Sim, muito mal. Péssimo, horrível. — Samuel não olhava para trás, mas sabia que o moreno estava seguindo-o.

— Deve ser a bebida, eu já tô bêbado. A prova disso é que eu acabei te beijando. — Gargalhou logo em seguida. — Porra, vou me arrepender muito se eu me lembrar disso no dia seguinte.

— Espero que você tenha um coma alcoólico.

— Eita porra. Mas é verdade que eu beijo mal ou você está brincando comigo?

— Vai me perguntar isso quantas vezes? — Samuel recuou um pouco quando alguém passou com um copo de bebida, temendo tomar um banho daquilo. Logo em seguida continuou a andar.

— Não sei. É que... Sério que eu beijo mal?

— Você é tão chato com isso. Já te respondi e não vou responder de novo.

— Ninguém nunca me disse isso.

— Ótimo, fui o primeiro. Provavelmente todos eles mentiram.

— Devo então provar o contrário.

Samuel parou de supetão e se virou irritado.

— Provar o contrário? Eu já disse que você beija mal e...

Se tivesse a oportunidade de continuar falando, Samuel falaria. Mas Luke foi rápido o suficiente para calar a boca do loiro com um beijo. Imagine um cachorro latindo bastante até que se faça carinho nele e você o vê quase que dormir em seu colo. Foi mais ou menos desse jeito que as coisas aconteceram.

A princípio Samuel teria afastado Luke, mas como se não mais tomasse conta de suas vontades, não rejeitou aquele beijo que, para falar a verdade, não era horrível. Era bom demais, talvez o melhor que já havia recebido.

Samuel sempre se importou com o que os outros falariam e certamente deveria imaginar todos os olhares daqueles ao redor sobre eles dois. Afinal, apesar de não ser proibido, ainda tinham certos engraçadinhos que faziam piadas a respeito da homossexualidade na universidade. Mas isso não acontecia, ninguém estava prestando atenção naquela cena.

Ninguém até os primeiros minutos do beijo!

— Bem que diziam que isso iria acabar em namoro. — Clara disse aos gritinhos. — Que lindo! — Ela prolongou a ultima palavra, histérica.

Acordando para a realidade, Luke e Samuel se encararam.

— O que?! — Samuel, novamente embasbacado, indagou.

— Ele quem me beijou! — Luke acusou.

— Eu?! — Incrédulo Samuel perguntou.

— Sim! Você! — Luke era um péssimo ator.

— Sei... Sei... — Clara apenas ria de toda aquela situação. — Se beijem! Vai, mais uma vez.

— Vai se foder, garota! — Samuel disse e, no segundo que se passou, ele se virou e se afastou dos dois. Luke permaneceu em seu lugar, ainda assustado com a atitude que tomou. Pelo menos provou para o loiro que ele não beijava mal.

— Ele é ativo. — Clara falou assim que olhou para Luke. — Quem vai comer quem?

— Você tá maluca? Isso foi o equívoco, efeito da bebida. E eu estou procurando o Colin, aquele sim merece um beijo digno.

Luke também acabou deixando a garota sozinha e seguiu direção oposta à de Samuel.

Como são surpreendentes as travessuras que o destino nos oferece.

[...]

— Seb, eu tô namorando. — Disse Caine ao celular.

Ele já estava de pé e novamente arrumado. Danion ainda estava arrumando os cabelos.

— Como é?! C-como assim, Caine? — O ruivo estava nada animado com aquela conversa. — Ô Lydia, o Caine tá namorando! — Ele gritou.

— Sim, eu tô namorando e achei justo que você fosse a primeira pessoa a saber disso.

— Acho justo você me ligar a essa hora da madrugada pra falar que tá namorando. Mas ainda assim estou um tanto assustado.

— Vai me matar se eu disser que é o Danion? — Perguntou, mordendo o lábio.

— O que?! — Gritou. — Estou indo pra Quadra.

— Seb, eu... — E então a chamada foi finalizada. — Seb?! — Caine chamou. Ele visualizou o visor do celular e soube que não estava mais em ligação. — Droga... — Disse para si mesmo.

— Com quem estava falando? — Danion perguntou ao surgir, também pronto.

— Sebastian... Ele vai, ele vai nos matar.

— Ótimo, morreremos juntinhos. Agora vem, vamos voltar para a festa que ela já tá na metade.

Danion tomou a mão de Caine e juntos saíram da república. E lá se foi o casal mais desacreditado de toda a quadra. Logo quando passaram pelos portões da universidade, Danion não retirou aquele sorriso grande que ele tinha, exibindo-se por estar com Caine.

Ao entrarem na festa, de fato, chamaram a atenção dos mais sóbrios. Alguns ali conheciam a história do irmão do Sebastian e seu amor pelo branquelo revoltado e com certeza foi uma surpresa vê-los daquela forma.

— Meu Deus... — William disse assim que os avistou.

— O quê? — Danion perguntou, esnobe.

— É sério isso? —Octavio indagou, surpreso.

— Dan e Caine? — Leonard também estava presente, embora quase caindo de tão bêbado que estava.

Caine se encolhia no corpo do branquelo, afogando-se nas indagações dos companheiros.

— Eu tô namorando, caralho! — Danion respondeu, vitorioso. — Algum problema? Vão ter que engolir.

— Sebastian vai ter um colapso. — William murmurou e por conta da música alta ninguém o ouviu.

— Que lindos! — Leonard se jogou entre os dois. — Ai, eu quero ser o padrinho do casamento de vocês! Vai, diz que sim, diz que sim, diz que sim!

— Leo... — Danion já tinha visto o amigo bêbado algumas vezes, mas ele parecia estar passando dos limites naquela situação.

— Alguém precisa levá-lo pra casa... Ele parece estar descontando os problemas na bebida.

— Não me tratem como uma criança! — Leonard se exaltou. — Eu ainda consigo interpretar o que vocês estão dizendo. E foda-se se bebi demais, eu quero me divertir. Daqui a dois anos sabe-se lá se estarei ainda aqui.

— Não quer ir lá fora comigo, Leo? — Caine perguntou. — Sei lá, esfriar a cabeça, conversar...

— Você agora tá namorando, vai mesmo perder tempo comigo? — Leonard sorriu. — Ai, eu vou é dançar até me acabar!

Leonard, não dando mais ouvidos aos seus amigos, afastou-se deles e caminhou até a pista de dança. Mas aquilo não tinha durado muito mais que dez minutos, já esgotado, o leonino foi caminhando até uma área menos movimentada e com menos barulho.

Leonard, às vezes, se sentia como a pessoa mais azarada dos seus companheiros. Todos eles tinham história pra contar, levavam uma vida agitada e ele se sentia um nada, apenas aquele que servia para ouvir e dar conselhos. Um simples garoto, estudante de artes.

Agora seu melhor amigo estava namorando e com certeza isso traria algum impacto na amizade. Não que estivesse com algo contra aquilo, estava feliz, por mais que não demonstrasse isso. Só que ao mesmo tempo se entristeceu por estar sozinho.

Leo acabou juntando-se a um garoto mascarado que parecia se encontrar na mesma situação que ele. Tanta gente na festa, mas por incrível que pareça, ele estava se sentindo sozinho. Talvez pelo modo com que Santiago o tratou e só agora percebesse o quão triste isso o tinha deixado, já que a organização da festa acabara tomando tanto de seu tempo.

— Dá pra imaginar que eu ajudei a organizar tudo isso? — Leo tentou interagir com o garoto.

O garoto não olhou para Leo, apenas permaneceu com os olhos fixos na saída do local. Leo por sua vez não se deixou ficar abatido, apenas balançou a cabeça.

[...]

Ian tinha acabado de voltar com as bebidas que decidiu pegar para ele e o namorado, apesar de não curtir muito bebida alcoólica, ele acabou cedendo para essa noite. O moreno tinha certeza de que estava no lugar que tinha deixado Connor, mas o mesmo não se encontrava ali.

— Ei, você viu um garoto usando a máscara do Homem de Ferro?

Sim, Connor usava a máscara de um super-herói, o único em meio a tanta gente a não entender o conceito do baile de máscaras.

Todos balançavam a cabeça negativamente para Ian e por isso ele estava começando a ficar preocupado.

De repente a música parou e algumas pessoas vaiaram o culpado: Connor.

Ian quis enfiar sua cabeça em algum lugar, talvez até mesmo ser abduzido naquele momento.

Connor, todo bobo e constrangido, tomou o microfone em mãos e, após testá-lo, se pronunciou:

— Quem está feliz aí? — Perguntou com aquele jeito alegre que sempre teve.

Se ele esperou alguém levantar a mão, estava enganado. Todos permaneceram em silêncio, em mais alguns minutos provavelmente estariam expulsando-o dali.

Connor carregava um violão em mãos e era bem previsível a sua atitude naquele momento, apesar disso, Ian ainda queria se esconder.

— Quem aqui tá namorando? — Fez novamente uma pergunta e dessa vez foi compreendido.

Mesmo não sendo todos, algumas pessoas levantaram as mãos e Connor viu quando os casais trocaram olhares felizes, carinhosos.

— Sabe, eu amo alguém. Amo mais do que bolo de cenoura, do que o macarrão do Rick, do que meus games e músicas. Amo mais do que a mim. — Sempre bobo com as palavras. — E por isso eu queria dedicar uma música para ele.

Connor disse sem temer. Após definir o sexo da pessoa, acabou declarando-se publicamente que era gay. Mesmo tendo dito na ingenuidade, pois qualquer um teria medo das reações, ninguém resolveu fazer alguma piada para aquele momento.

Sean deveria aprender com isso.

— Seria pedir muito que vocês dançassem juntinhos de seus parceiros? Eu não sou um bom cantor ou bom músico, mas vamos deixar um pouco a música agitada de lado e dedicar esse tempo ao nosso parceiro, certo? E ei, você que não tem ninguém nessa noite, é só olhar para seu lado e convidar alguém para dançar, certo?

Connor sorriu, um completo e perfeito bobo. Ian acabou dispensando uma garota que se ofereceu para dançar com ele e permaneceu parado, de pé apenas admirando o namorado.

Connor conectou seu violão, posicionou o microfone e passou a entoar as primeiras notas da música: All of me, John Legend.

Parecia ter sido tudo ensaiado quando foi bem visível ver todos dançarem juntinhos ao som da música, principalmente quando Connor deu uma roupagem nova, tornando-a dançante para os casais.

Foi apenas chegar no coro que Ian não conseguiu esconder as lágrimas e sorriu para o namorado que, em meio à multidão, conseguiu encontrá-lo.

'Cause all of me

Porque tudo de mim

Loves all of you

Ama tudo em você

Love your curves and all your edges

Ama suas curvas e todos os seus limites

All your perfect imperfections

Todas as suas perfeitas imperfeições

Give your all to me

Dê tudo de você para mim

I'll give my all to you

Eu te darei meu tudo

You're my end and my beginning

Você é o meu fim e meu começo

Even when I lose I'm winning

Mesmo quando perco estou ganhando

'Cause I give you all of me

Porque te dou tudo de mim

And you give me all of you

E você me dá tudo de você

Ian sem dúvidas era a pessoa mais sortuda do mundo. E jamais deve abrir mão daquele que declara seu amor diante da multidão.

[...]

Leo reconheceu a voz de Connor e até se assustou com isso. Ele sabia que aquilo era uma declaração de amor e queria ver a cara de Ian.

— Meu Deus... Não creio que ele fez isso. —Leo disse para si mesmo, apesar de ter soado alto o suficiente para o garoto ao lado o escutar. — É meu amigo, ele está cantando para o seu amor. E e-eu adoro essa música, vem, dança comigo!

Leonard se colocou de pé e em frente ao garoto, estava tão bêbado que não tinha noção do que fazia.

— Vai, por favor, dança comigo!

Leo tocou as mãos do garoto e o puxou para que esse ficasse de pé. O garoto não dizia sequer uma palavra, mas também não negou o pedido de Leonard.

Leo colocou as mãos do garoto em sua cintura e depois aproximou seu corpo ao dele, em seguida repousou a cabeça no peito do outro, fechou seus olhos e se entregou. Ele sabia que o garoto não sabia dançar e percebeu isso quando o mesmo ficou parado. Mas Leonard acabou guiando-o, com um passo para direita e outra para a esquerda, não foi tão difícil.

A música seguia enquanto os dois garotos dançavam, eles não trocaram palavras. Leo era um completo maluco por estar dançando com um desconhecido, principalmente quando este não falava nada. Mas estava sentindo-se confortável com a dança, com o momento. Ao menos, tinha alguém lhe fazendo companhia.

A música prosseguiu por mais alguns minutos até que então teve seu fim. Leo ainda permaneceu de pé, abraçado ao garoto que não conhecia.

— Obrigado. — Agradeceu ainda de olhos fechados. — Obrigado pela dança.

E então se afastou, voltando a se sentar no banco.

Por conta da música de Connor, a próxima música escolhida pelo DJ continuou na mesma batida tranquila e calma para casais.

— Sabe, eu acho que vou morrer sozinho. Sei lá, é tão difícil achar algum cara interessado em mim. Todos os caras que me interesso em algum momento se afastam, acabo me apaixonando fácil, mas nunca é recíproco. — Leo desabafou.

O estranho permaneceu em silêncio ao seu lado, Leo esfregava as mãos e fitava o chão.

— Sempre serei aquela pessoa que vai ao encontro de amigos e vai estar solteiro enquanto todos eles estarão com seus parceiros. — Sorriu da própria desgraça. — Desculpa, nem falei que sou gay, não é? E porra, se você for homofóbico significa que estou ferrado. Mas quem se importa? Pelo menos direi que tive um momento marcante na festa. — Novamente sorriu. O que a bebida não faz? —E você, tem namorada? Ou namorado... Vai saber.

Vendo que este não respondia, Leonard novamente balançou a cabeça.

— Eu não vou nem sequer ouvir sua voz. Ah, deixa. Faz de conta que você é aquelas estátuas de banco de braça com quem os bêbados conversam. E olha só... Eu estou bêbado! Falando nisso, eu deveria buscar mais um pouco de bebida.

Leo ia ficar de pé quando a pessoa segurou em sua mão e balançou a cabeça negativamente.

— Tá dizendo pra eu não fazer isso? — O mascarado afirmou. — Certo, não farei.

Leo se sentou. Passaram-se alguns minutos de silêncio e Leonard novamente tentou dialogar com o estranho mascarado.

— Você já gostou de alguém? Uma vez eu gostei de um garoto e ele só me usou pra sexo. Já gostei do meu melhor amigo e hoje descobri que ele tá em um relacionamento sério. Depois passei a gostar de uma pessoa que jamais gostará de mim. Infelizmente ele tá triste comigo, sabe. Por algo que eu não fiz.

Leo retirou a máscara que estava usando e a jogou para longe.

— Teve um dia que eu o pintei nu. Como ele é bonito... Se ele soubesse disso. Sortudo foi o Caine que além de conseguir beijá-lo, acabou também ficando com o Danion. Que horror eu estar falando uma coisa dessas! —Se repreendeu. — Falando nisso, nem sei onde ele está agora. Queria que ele estivesse na festa, mesmo me odiando profundamente. Quem sabe assim, bêbado, eu teria tempo para me declarar pra ele? Eu já estou apaixonado mesmo, foda-se.

Leonard aproximou-se do corpo do garoto e encostou-se ao banco.

— No fundo, eu realmente não sei se estou completamente arrependido daquelas fotos vazarem. Não que seja um pensamento malvado meu. Eu jamais seria capaz de expor o Santiago ao ridículo, mas já que aconteceu, agora a universidade conhece a sua beleza. Aqueles olhos... Nossa, só de pensar bate um arrepio. Ele é perfeito. Completamente perfeito. Tão misterioso. O mundo precisa conhecê-lo. Queria torná-lo um artista, vai que alguma emissora de TV o contrate? — Gargalhou. — Ah, deixa pra lá, deve ser um saco ouvir conversa de gente bêbada, não é? Tô tão carente que se possível eu te beijava aqui e agora.

Leo apenas piscou até que sentiu os lábios serem tomados pelo estranho mascarado. Se foi a carência ele não sabia, mas que se entregou completamente ao beijo... Bem, ele se entregou. Leonard foi tão ousado que montou nas pernas do garoto e o beijou com intensidade.

Sentia-se mais uma vez um maluco por beijar um desconhecido. Mas considerou o beijo bom demais para abrir mão daquilo. O beijo se prolongava à medida que a música ia se intensificando. E ao final dela, o encontro de lábios foi desfeito.

— Uau. — Leo disse, ainda sem fôlego.

Ele se jogou para o lado e repousou a cabeça nos ombros do garoto.

— Desculpe. E-eu não deveria ter correspondido ao beijo. Sinto que o traí, mesmo não tendo nada com ele. Que droga, Leo! Você é um completo babaca! E se ele aparecer de repente e se declarar pra mim? Não custa sonhar, custa?! Aí eu vou dizer que beijei um estranho mascarado na festa.

Leo não recebeu uma palavra daquele mascarado, mas o beijo serviu de consolo para a festa. Falando sozinho, acabou adormecendo. O mascarado sentiu isso quando o corpo do outro começou a pesar. Delicadamente afastou-se e deixou Leonard no banco.

Santiago retirou a máscara e observou Leonard dormir. Seu coração estava a mil, temendo ser reconhecido pelo outro. Olhou ao redor e ninguém se encontrava ali.

Não era justo deixar Leonard ali, sozinho, dormindo bêbado em um banco, parecendo alguém que não tinha rumo.

Santiago então ergueu Leonard do banco, segurando-o confortavelmente. Um dos braços de Santiago seguravam as pernas de Leo, enquanto o outro segurava suas costas. Pelos fundos do salão de eventos, Santiago acabou escapando sem ser visto por ninguém.

Ele aguentou carregar Leonard até a república, mesmo com certa dificuldade para isso. Afinal, Leonard não era tão leve, apesar do pouco tamanho.

Ao chegar em frente à república, Santiago foi obrigado a sentar na soleira da porta e revistar os bolsos de Leonard para encontrar a chave. Se ele não estivesse com ela, todo esforço teria sido em vão. Por sorte a encontrou.

Não foi nada confortável ter que abrir a porta e segurar Leonard. Temia acordá-lo com alguns movimentos que fazia e, se isso acontecesse, com certeza seria flagrado e ainda não estava preparado para contar a verdade a pessoa que tanto amava.

Santiago acabou entrando no primeiro quarto que encontrou, o de Caine. Mandando para fora as lembranças ruins do momento em que esteve no cômodo, acabou repousando Leonard na cama de Edgar.

No segundo em que isso aconteceu, Leonard abriu os olhos. Santiago sentiu seu coração gelar por ter sido pego no flagra. Mas Leonard novamente fechou os olhos por estar tão sonolento e revirou-se na cama, dormindo de ladinho.

Santiago sentiu um bom alivio após aquilo. Leonard estava bêbado demais para conseguir recordar daquele momento. Mais alguns minutos em pé, Santiago observou Leo dormir. Até então retirar alguns fios de cabelo que caíam na testa do menor, dar-lhe um último beijo, dessa vez na bochecha, e sair da república diretamente para a sua.

[...]

Megan não ousou desgrudar um minuto da presença de Joshua. Os dois estavam abraçados e aos beijos ainda que estivessem dançando. Megan sempre foi muito grudenta em relação ao namorado, querendo mostrar a todos que o tinha.

— Pra quem você tanto está olhando? — Megan perguntou ao perceber que o namorado parou de beijá-la.

— Vai começar com suas crises aqui? — Suspirou.

Megan não deu continuidade à discussão boba. Porém, Joshua realmente mantinha os olhos fixos em alguém. Um certo loiro que estava sentado em um banco ao lado do poste retrô. Edgar não estava sozinho, ao contrário, estava bem acompanhado ao lado de duas garotas que sorriam com algo que ele dizia.

— Vou ao banheiro e de lá pegar mais bebida, vai querer?

— Eu vou com você.

— Vai entrar no banheiro masculino e segurar meu pau enquanto mijo? Porra, hein. — Conseguia ser um completo brutamonte quando queria.

— Não precisa ser tão grosso.

— Claro que preciso. Você não deixa eu nem sequer respirar um pouco. Já volto.

Megan quis avançar e estapear o namorado por tamanha grosseria, mas já estava adaptada às várias mudanças de humor que o namorado tinha. Ele era tão mutável que assustava. Havia dias em que ele não a deixava sequer conversar com outro garoto... Ambos eram ciumentos demais.

Joshua não foi ao banheiro, muito menos procurar bebida. Apesar de que no caminho acabou tomando um copo cheio de um garoto que acabara de repor. Tão bruto que nem sequer agradeceu.

Josh, na verdade, estava indo em direção ao banco que Edgar estava. O loirinho até parou de sorrir para as duas garotas quando notou a presença do ruivo ali. Como ainda estava com a perna machucada e enfaixada, permaneceu sentado. Mas as duas garotas não ousaram continuar ali, elas rapidamente se despediram de Edgar e saíram.

— Trouxe pra você. — Joshua estendeu a mão para o loiro.

Edgar aceitou a bebida sem retirar os olhos de Joshua.

— E-eu não bebo. — Disse.

— Não bebe? Como não bebe?

— Não gosto daquilo que me faz mal. — Até pareceu soar como uma indireta.

Joshua então tomou o copo de bebidas de sua mão e à primeira pessoa que passou, entregou.

— Como está a sua perna? — O ruivo perguntou.

— Estou me recuperando.

— Vou indo. Tchau.

Edgar não conseguiu sequer se despedir. Joshua já tinha dado as costas para ele. Uma atitude estranha para o loirinho que ficou sem entender o que estava acontecendo.

Joshua voltou de mãos vazias para o lugar em que antes estava. Megan estava parada e de braços cruzados. Ela não era burra o suficiente para que não descobrisse a verdade. Joshua também não disse uma palavra vendo-a fuzilá-lo.

— Eu vi para onde você foi. Foi lá conversar com aquele garotinho.

— Ele se machucou na minha presença, eu queria saber como estava.

— Desde quando você se preocupa com as pessoas da Quadra? Você quase matou um deles.

— Isso não vem ao caso.

— Claro que vem ao caso. É quase que uma regra nós sermos rivais desses babacas, exceto o seu primo Luke que insiste em se misturar com eles. Um deles destruiu os sonhos do seu irmão, esqueceu?

— Eu sei disso, Megan. Agora deu pra encher o saco?

— Está proibido de falar com ele. — Deu uma ordem.

— Ninguém manda em mim. Eu faço as minhas próprias regras.

— Eu sou sua namorada e assim como você tem o direito de escolher as pessoas com quem devo conversar, faço o mesmo com você.

— Desde quando você acha que tem o direito de fazer isso? Esqueceu que quem me traiu foi você? Tenho todo o direito de me sentir desconfortável vendo você conversando com algum garoto que não conheço e, por te dar uma segunda chance, devo sim selecionar com quem você fala.

— Eu não me importo, se possível faria aquilo novamente para você parar de ser tão babaca.

Megan era uma mulher ousada, ela não temia o namorado. Mulher de força, coragem e palavras duras quando queria. Joshua por sua vez era um cabeça dura e muito desconfiado. Quando não jogavam coisas do passado, estavam amando-se.

— Maldito! Desgraçado! Idiota! Filho da puta!

Não foi Megan que estava proferindo todos aqueles insultados. Noah acabara de interromper a discussão do casal quando apareceu em prantos. Como todo bom irmão mais velho, Josh aproximou-se de Noah e o acolheu.

— Olha ali, Josh, olha ali ele! — Apontou para um lugar próximo às árvores artificiais.

Para a surpresa dos dois, Caleb estava aos beijos com Gale. Megan ficou boquiaberta com o que viu, principalmente por julgar Caleb uma pessoa sensata. Até esperava que ele e Noah pudessem voltar a qualquer momento, mas o outro parecia querer seguir em frente.

— Cuide dele. — Joshua jogou Noah para os braços da namorada.

— Aonde você vai?

— Resolver esse problema.

Se alguém esperava que Noah devesse ter ido contra a vontade do irmão, se enganou. Já está mais do que claro que ele também era apto à tortura. E como castigo, iria adorar ver a surra que Caleb e o outro tomariam.

Joshua caminhou furioso até segurar Caleb pelo colarinho. Caleb não era tão ingênuo para não perceber o porquê daquela atitude, principalmente por conseguir enxergar sobre os ombros do ruivo o loiro e a garota se aproximarem.

— Acho que você não entendeu o recado que te dei. — Joshua aproximou seu rosto ao do moreno. — Eu disse para ficar longe dele.

— E o que você quer? Que eu desapareça do mapa? — Agora olhou para o loiro. — Até quando vai se esconder embaixo dos punhos do seu irmão, Noah?

— Larga ele, Joshua.

Sean parecia ter surgido das trevas quando retirou sua máscara e se colocou entre os dois, afastando Caleb da mão bruta do ruivo. Colton estava junto, para piorar ainda mais a situação.

— Olha só, Noah ainda continua usando o irmão para agredir as pessoas? Que engraçado. A única coisa que presta de você são os planos mirabolantes, tenho que admitir. Mas no quesito força física... – Colton provocou.

Noah logo partiu para agredir Colton, mas Megan conseguiu segurá-lo a tempo. Uma mulher com bastante força, por sinal.

— Deixa ele, oras. Ele não quer tentar me agredir? Vou adorar descontar os anos de ódio que tive por conseguir conquistar essa beleza que é o Caleb. — Sorriu. Uma ousadia que irritava a qualquer um. — Quem diria, hein, Gale, até você...

— Nem faço ideia do que está acontecendo aqui. — E realmente não fazia, Gale estava perdido. —Eu só estava beijando e...

— O garoto que você está beijando é meu namorado! —Noah literalmente cuspiu as palavras, mostrando desgosto pelo outro.

— Sério? Então eu acho que acabei virando amante. – A resposta de Gale foi tão impactante por ele ser calouro e não perceber com quem se metia. Colton gargalhou alto o suficiente para irritar ainda mais os irmãos McGraien.

— Ninguém vai tocar no Caleb. Ele é um dos meus agora. Não admito que batam em um Tigre. — Sean mais uma vez ameaçou.

— Se não posso bater nele, vou adorar bater em você. — Joshua apenas sorriu e esfregou o punho.

Se tivesse tempo para pensar, Sean certamente teria desviado do soco que recebeu do ruivo. Seu corpo foi ao chão e ele logo sentiu outro soco atingir o seu estômago, roubando-lhe o ar logo que de imediato.

Logo atrás deles, Noah foi tão traiçoeiro que jogou sua máscara em Gale e, na oportunidade que teve, saltou contra o loiro para agredi-lo.

Noah provou agora que não tinha aceitado o término com Caleb.

Infelizmente Gale não era bom de briga e teve que suportar todos os socos e chutes que recebeu até que Caleb retirasse Noah de cima dele.

— Seu desgraçado, eu vou te matar! — Bradava, querendo agora bater em Caleb. — Você deveria somente me amar!

Ainda ali, Sean conseguiu despertar para o momento e, na menor oportunidade que teve, chutou a perna de Joshua. Com um soco certeiro, ele acabou retirando a máscara que Joshua usava só com a força bruta. Desnorteado e cambaleando, o ruivo foi atingindo em cheio por dois socos.

A confusão tinha sido iniciada e, por se tratar de uma festa, a música foi interrompida e uma multidão de pessoas acumulou-se ao redor para assistir o que acontecia. Mas as providências foram tomadas imediatamente quando seguranças acabaram separando um por um e, como previsto, foram expulsos da festa.

Lançados para fora da universidade, lá estavam eles: Gale, Caleb, Noah, Joshua e Sean. Megan e Colton não tinham sidos expulsos, saíram por vontade própria.

— Você pode ter espancado um dos leoninos por pura covardia, Joshua. Mas eu não sou um deles. — Sean novamente se preparou para uma próxima luta.

— Não seja hipócrita, Sean. Os seus também já espancaram ele uma vez.

— Então estamos no mesmo barco, não...

Sean teria prosseguido senão fosse atingido por Noah, novamente atingindo a pessoa quando ela não estava percebendo. Noah foi tão traiçoeiro a ponto de usar um pedaço de vidro que acertou em cheio o braço do moreno, que gritou com a dor que sentiu.

Sean caiu de joelhos e levou sua mão ao braço atingido. Caleb foi o único a correr para ajudar o moreno, que, mesmo sentindo dor, não demonstrou fraqueza diante daqueles. Empurrou Noah para longe e o mesmo caiu no gramado da universidade.

— Você é um doente, isso sim. — Caleb disse. — Tomei a melhor escolha da minha vida quando decidi terminar com você.

Caleb viu, em seu plano de visão, quando Joshua aproximava-se para agredir Sean, que estava caído.

— Se você bater nele eu conto para todos. — Ameaçou. Joshua imediatamente parou.

Sem que ninguém percebesse, caminhando devagar e ainda com a ajuda de muletas, Edgar aproximou-se de Gale que estava machucado.

— E se você não contar agora, quem vai contar sou eu. — Sean tinha dito.

“Oba, fofoca!” Colton pensou. Ele estava ali como plateia, observando tudo sem deixar escapar nenhum detalhe.

Era a primeira vez que viam Joshua desconfortável com a situação. E isso só denunciou ainda mais que ele tinha algo para esconder. Megan e Noah pareciam ser os mais interessados com aquilo.

— Já foi o tempo em que eu confiava em você. — O ruivo disse, não retirando os olhos de Caleb.

— Não seja ridículo, Joshua. Se há algo que não existe entre você e seus parentes é confiança. — Caleb mantinha-se firme ao lado de Sean.

— Eu juro pelos céus que você vai arcar com as consequências de tudo o que está fazendo.

— Está com medo? O grande Joshua está com medo?

— Acaba logo com ele, Joshua. —Noah pediu. O irmão não correspondeu.

— Quero ver se você é forte o suficiente para contar a verdade para eles.

— Megan, Noah, vamos embora. — Nem mesmo parecia Joshua.

— Conte, Josh! — Caleb gritou. — Se você não contar, eu irei contar.

— Vale à pena?

— Antes mesmo de vocês se conhecerem — Sean tomou a palavra —, Joshua e Caleb já se conheciam.

Sean tinha dito meias palavras, tornando a situação ainda mais confusa. Uma interrogação imaginária pareceu ter surgido na mente de cada um.

— E daí? —Megan perguntou, embora desconfiada.

— E daí que eu e Joshua, Megan. Nós transamos... Duas, três vezes. E quer saber mais? Seu irmão — olhou para Noah — é o responsável por eu ser soro positivo. E se dependesse de nós dois, vocês nunca saberiam disso.

Dessa nem mesmo Sean sabia.

Já se imaginou surdo? Era mais ou menos assim que eles se encontravam. Ninguém ouvia ninguém, o silêncio era absoluto. Noah sentiu algo estranho dentro de si.

Caleb sempre foi soro positivo e Noah estava ciente disso, na verdade. Era um segredo a nunca ser partilhado com mais ninguém.

Já sobre Joshua... Apenas Caleb sabia disso.

O ruivo tornou-se o foco naquele momento. Ele estava no centro de todos, totalmente vulnerável a qualquer ataque e palavras de ofensa. Há muralhas que vão ao chão. Joshua não foi forte o suficiente para manter esse segredo.

Joshua caminhou até Megan, ainda com a posição bruta que sempre tinha, mas a garota o empurrou, para a surpresa de todos. Megan estava assustado, ou pior, apavorada. Ao mesmo tempo, ela parecia sentir nojo do ruivo com que por tanto tempo dormira junto.

— I-isso significa q-que e-eu...

— Não Megan, nós precisamos conversar.

— Não! — Gritou, agora aos prantos.

— Fale pra ela da sua bissexualidade, Joshua. — Sean disse.

— Eu vou matar vocês. — O ruivo se virou.

— Não, você não vai! — Agora quem se pronunciou foi Noah, que tinha acabado de se levantar, caminhando em direção ao irmão. — Nossos pais precisam saber do que o filho dele foi capaz de fazer.

— Eles já sabem, sempre souberam. — Josh ainda assim não perdia o jeito frio e seco.

— Você transava com meu namorado e nunca me contou isso! Vocês dois — olhou para trás — são uns desgraçados a quem eu desejo amargamente uma morte lenta.

— Noah, nós... — O ruivo tentou explicar.

— Você não é meu irmão. Se soubesse o que estou sentindo nesse momento, jamais levantaria a voz para mim. Eu sempre confiei em você. Sempre! E você nunca foi capaz de me contar isso. Eu sempre te contei tudo. Sabe o que eu deveria fazer com esse vidro? — Apontou para o objeto — E-eu... — Noah chorou. — Eu deveria te matar por acabar de estragar com a minha vida.

— Noah... — Joshua tentou tocá-lo, mas o irmão afastou-se dos demais, correndo sem rumo na direção oposta.

Joshua olhou para a Megan e a mesma o desprezava com o olhar. Declarando ali o preconceito que esta sentia por portadores do vírus HIV. Parecia uma lunática, temendo que o outro a tocasse e, por isso, também correu, dessa vez, em direção às repúblicas.

Quando Joshua voltou a olhar para trás, viu que os outros estavam indo embora. Caleb estava ao lado de Sean, ajudando-o com o ferimento.

— É melhor você voltar para a república, garoto. Calouros não devem interferir em problemas de veteranos. — Colton disse para Gale.

Gale era um tipo de pessoa um tanto sensata demais para saber que deveria se afastar de Colton e que não deveria ficar ali, todo machucado. Deveria voltar para a república e tratar dos ferimentos que ganhou do loirinho ciumento.

— Você vem? — Gale chamou Edgar.

Edgar... Seus olhos azuis firmados no ruivo. Ele balançou a cabeça negativamente.

Gale quase que cuspiu na face de Colton, mas antes disso o empurrou e caminhou mancando na direção da república.

— Acho que já percebo o que está acontecendo. — Colton sorriu para Edgar, mas o loiro o ignorou. — Cuidado com um mais bruto dos McGraien. — Dito isto, afastou-se.

Todos viraram as costas para o ruivo, exceto o loirinho que tanto o temia.

Edgar foi o único a permanecer ali.

[...]

William estava em um de seus melhores dias. Confessava que estava bem animado por saber que Danion finalmente encontrou alguém para depositar o amor que julgava não ter. Mesmo imaginando a reação do Sebastian e nossa, isso ia ser muito engraçado, iria contra o ruivo caso ele tentasse se opôr ao relacionamento dos dois. Afinal, se Caine é para Sebastian um filho, Danion é para William a mesma coisa.

William teve seus pensamentos interrompidos quando teve um beijo roubado pelo namorado. Eles dois estavam agora em um lugar mais reservado da festa sob uma luz ambiente.

— Logo mais seremos expulsos daqui, você não para de me roubar beijos e vão achar que estamos transando.

— Se você quiser ir à república e realizar esse meu desejo, irei adorar. — Octavio disse, sacana.

— Se bem que já faz um tempo. — O loiro disse, segurando-o pela cintura. — Assim que sairmos daqui você não me escapa.

— Quem disse que irei fugir? Estou com saudades da força que esse leão tem.

Octavio sorriu e William retribuiu, estavam quentes.

— Irei ao banheiro e procurar um dos garotos para dizer que estamos indo embora. Não vou aguentar esperar essa festa acabar, quero você em mim. — Octavio murmurou a última frase no ouvido do namorado.

— Não demora.

— Eu não irei demorar. Não quero mais perder um minuto da noite.

Octavio beijou-lhe mais uma vez e saiu, perdendo-se na multidão. William permaneceu em seu lugar. Ele não bebia, o que já era bem comum. Apenas se divertia sem ingerir bebidas alcoólicas.

— William. — Alguém o chamou.

Quando se virou para olhar quem era, deu de cara com Harry.

Harry, amigo de Colton, nada confiável.

— O que quer aqui? — O loiro perguntou.

— Apenas avisar que o Jornal da Quadra vai voltar e que você não pode mais impedir que isso aconteça.

— Faça bom proveito, Harry. — William não estava interessado naquela conversa.

— Que ótimo. Bastou apenas Sebastian sair da Quadra que você se tornou apenas mais um. E agora com Colton tomando a liderança dos Tigres, você realmente deixou de ser uma pessoa influente.

— Sobre Colton tornar-se líder dos Tigres, eu sei que tudo isso é uma mentira de vocês dois. Agora se me der licença, irei procurar o meu namorado.

— Você acha mesmo que eu estaria mentindo? Você já foi mais inteligente, William. Já te fiz um sonho de consumo mesmo, mas desde que você e o seu namorado sem sal resolveram reatar, você perdeu todo o encanto.

— Está querendo me irritar, Harry? — William parou.

— Não. Apenas querendo dizer que algumas pessoas mentem pra você.

William deixou escapar um “ar” em tom irônico.

— Sério? — Sorriu.

— Acha que tudo isso é uma brincadeira, não é? Se eu te procurei pra falar que o jornal da Quadra vai voltar, é porque certamente as notícias mais quentes estarão na primeira página.

— E meu namoro com o Octavio seria uma dessas notícias? Engraçado. —William deu novamente as costas.

— Não. Mas falar que Sean e Colin eram mais do que rivais... Amantes, parceiros, namorados. Que tal?

Já tomou um banho de água gelada? Foi assim que William se sentiu ao ouvir aquilo. Ele virou ainda sem acreditar no que Harry estava dizendo.

— Não brinque com essas coisas. Mentiras serão o fracasso desse jornal de merda.

— Não trabalho com mentiras, Will. Trabalho com fatos e provas. Vamos, William, pense.

— Eu sei que é mais uma de suas mentiras, Harry. E aposto que tem dedo do Colton nisso. — William aproximou-se de Harry e apontou o dedo para ele. — Se você ousar prejudicar o Colin, eu juro que vou acabar com a sua raça. — Ameaçou.

— Adoro o fato de você ter sido um idiota. Ser feito de idiota por alguém que tanto protegeu. — Harry abaixou a mão do loiro.

— Acha mesmo que vou acreditar nessa história sua? É claro que Colin jamais teria alguma relação com Sean. Eles se odeiam. Nós leoninos odiamos o Sean.

— Não acha bonito? Essa rivalidade toda entre eles dois ser resolvida na cama... Cara, como eu queria ser o Colin nesse momento. Ele conseguiu domar perfeitamente aquele Tigre. Imagina os gemidos, sussurros... Os beijos. Ah, William.

— Harry, pare. Você é um idiota.

— Colin sempre mentiu pra você.

— Pare...

— Sean, mais uma vez, tomou um dos seus.

— Pare!

William o socou. Mas um soco forte o suficiente para Harry cambalear e encostar-se a parede.

— O poder do leão! Agora vamos, olhe isso aqui. — Harry segurou seu queixo antes de puxar o celular do bolso, procurar as fotos e mostrar para William.

Dez mil flechas não eram suficientes para causar a dor que William sentiu naquele momento. Um susto, é claro. Mas algo bem mais intenso. Ele não precisou olhar mais as fotos.

— Você nunca desconfiou das saídas dele, não é? Confraternização, festa, estudo... Por que quase nunca Caine estava presente se eles fazem o mesmo curso?

— Saia daqui. —William fitou a parede. — Vá embora.

— Eu sei que pra você tudo agora faz sentido. Confie menos nas pessoas, William.

— Saia! — Gritou.

E temendo tomar mais um soco, Harry saiu dali.

William nunca se sentiu tão idiota. Levou sua mão a cabeça por diversas vezes, sentindo-se louco por tamanha informação que recebeu. Ele socou a parede e urrou. As pessoas ao seu redor começaram a ficar assustadas com aquela atitude.

— William? — Para piorar ainda a situação, era a voz de Colin.

O loiro se virou e viu o pequeno.

— Aconteceu alguma coisa?

— Mentiroso! — Disse, seco.

Notas finais
Mais explicações no próximo capítulo, principalmente sobre Joshua e Caleb. E agora William sabe da verdade. Até o próximo capítulo. Mililika, rainha do universo, apenas.