República de Leões
22 Capítulo 22
Notas iniciais
— Pai, chega!
Colin acordou com vozes que vinham da sala.
— Chega você, Sean! Já estou começando a perder a paciência. Como você pôde fazer isso com seu irmão?
— Octavio é meu amigo, o que você queria que eu fizesse? Não venha me julgar, lembre-se você traiu minha mãe e o fruto disso foi aquele infeliz.
— Eu sei que trair foi um erro, mas isso não justifica os seus.
— E o que o William tem? Agora qualquer coisa ele vai ligar pra comentar com você tudo que acontece? Ele por acaso é uma criança de sete anos?
— Ele não teria me dito se eu não desconfiasse do tom de voz dele. Porra, seu irmão é gay. O que você tem a ver com isso? Por que não para um pouco e amadurece? Ele pelo menos é feliz da sua maneira, e você?
— Eu sou feliz.
O pequeno se levantou da cama e caminhou descalço, pondo a cabeça para fora do quarto. Não teve coragem de ir até a sala.
— É feliz fazendo essas coisas? Desde criança eu era chamado na escola pra resolver problemas criados por você.
— Ah, claro! O William é sempre a vítima e é só isso que você vê. Nunca parou pra ver que ele também me faz mal. Eu tomei uma surra do meu irmão e você tá preocupado com os sentimentos dele com Octavio. O que minha mãe faria se descobrisse sobre Octavio?
— Só se você se atrever a abrir a boca e contar a ela. O que por muito tempo você não fez e ninguém faz. Porra, você sacrificou uma amizade só para o seu bem. E o bem do seu amigo?
— Agora vai defender o Octavio? Quem mais você vai defender? Já estou de saco cheio de você sempre me procurar pra me dar sermões. É você e a mãe, os dois vivem exigindo demais.
— Eu exijo o seu amadurecimento, Sean. Diferente da sua mãe que te pressiona a ser melhor em tudo. Aquela mulher amarga nunca vai ser feliz.
— Não abre a boca pra falar dela. Ela pelo menos não teria coragem de trair você. — A voz do Sean se sobressaiu.
— Quantas vezes você vai jogar isso na minha cara? Já chega. Eu só estou aqui pra te avisar que é a última vez que eu tolero suas maldades em relação ao seu irmão. Você é meu filho, Sean, sangue do meu sangue e eu queria ter orgulho de você. Mas infelizmente vive me decepcionando.
Silêncio. Colin ouviu o bater da porta. Forte. Sean estava irritado.
Colin então tomou coragem para ir até a sala, caminhou em passos delicados até encontrar o moreno já sentado e de cabeça baixa. O pequeno ousou se aproximar e permanecer parado ao seu lado, apenas pondo a mão em seu ombro.
[...]
Sebastian ainda estava chateado com o irmão. Ele não sentia raiva. Nem sequer conseguia sentir. Mas o fato do irmão tratá-lo daquela forma o assustou. Nunca chegou a pensar que Caine pudesse ofendê-lo. O problema não estava no palavrão, embora ainda enxergasse o irmão como uma criança e palavras de baixo calão pronunciadas por ele fossem um absurdo. O problema estava na forma como ele pronunciou, firme e raivoso.
O líder ruivo estava sentado em uma das arquibancadas observando o irmão que caminhava de um lado para o outro ajudando a arrumar a bagunça no ginásio. Depois da briga de Sean e William, vários grupinhos de fofocas se formaram, mas como ele era a autoridade máxima, exigiu que arrumassem e deixassem pra comentar sobre a briga depois.
Certo que ele não faria parte da liderança dos jogos, mas ainda assim a autoridade permanecia. Ai daquele que tentasse gritar ou ir contra a sua vontade. Primeiro que teria metade da Quadra a favor do ruivo, segundo ele corria o risco de ser surrado pelo gigante de 1,92cm de altura.
Lembrou-se do passado quando brigou com Octavio. Era engraçado ter essa lembrança. Hoje sabe que Octavio curte garotos. Mas quando um homem está cego de amor, o ciúme é o maior problema.
Sim, Sebastian tinha ciúmes de Octavio quando estes se conheceram.
Naquela época, o jornal da quadra existia e Lydia foi destaque por uma semana.
Hoje são grandes amigos e, quando conversam, o fato de brigarem por Lydia até vira assunto. Lydia até já provocou Sebastian com isso. E pasmem, Sebastian considera isso uma ofensa e já chegou a ficar sem falar com a namorada por uma semana.
Lembrou-se de William.
— Tenho que saber o real motivo da briga. — Falou para si mesmo, despertando-se dos pensamentos.
O ruivo novamente voltou sua atenção ao irmão, que conversava com duas garotas. Logo, viu quando Caine caiu.
Por um segundo achou que ele havia escorregado, mas não. Caine desmaiou.
Sebastian saltou da arquibancada e correu em direção ao corpo do irmão caído, enquanto mais pessoas também paravam com suas obrigações para saber o que havia acontecido.
— Caine? — Ele tocou a face do irmão, que abriu os olhos com dificuldade. —Caine?! — Repetiu, agora mais preocupado.
— O que aconteceu? — Lydia perguntou, pondo mexas de seu cabelo na orelha e ajoelhando-se ao lado do namorado.
— Ele simplesmente caiu! — Uma garota comentou.
Caine estava constrangido. Abrir os olhos e ver dúzias de pessoas observando-o era extremamente desconfortável.
Seu corpo estava um tanto adormecido. Estava tonto.
Com a ajuda do irmão, conseguiu se sentar. Mas o ruivo, preocupado, ergueu o irmão do chão e o levou até uma área afastada dos demais. Logo Lydia apareceu com um copo com água e ofereceu para o menor, que não recusou.
Nada iria mudar. Sebastian era fraco quando o seu irmão também se mostrava fraco. Ver o irmão naquele estado acabou fazendo-o esquecer da mágoa que ele sentia.
— Eu quero ir pra casa. — O pequeno falou. — Não tô me sentido bem.
— O que você comeu? — Lydia perguntou.
— Nada.
Caine desde que acordou não comeu absolutamente nada. Estava tão triste com o fato de Sebastian não lhe dar atenção que rejeitou o café da manhã.
— Como nada, Caine? Você participou da seleção sem comer, de estômago vazio? Você quer morrer? Não se pode ficar sem energia quando for correr. Ai, garoto eu não sei o que faço com você. Agora vamos pra casa que eu vou te encher de comida.
Sebastian era realmente o irmão mais protetor do mundo.
Caine não teve tempo de resposta. Sebastian o colocou em suas costas e juntos voltaram para a república. O Trajeto durou dez minutos, e logo Caine estava sentado no sofá da sala com Lydia ao seu lado enquanto seu irmão preparava algo para o menor comer.
Quando o ruivo voltou, entregou para seu irmão um prato carregado com carne, ervilha e salada. E um enorme copo de suco, maior que a mão de Caine.
— Vocês terão que conversar. Qualquer coisa estou no meu quarto. E meu amor, por favor, escute-o. — Lydia finalizou, beijando os lábios do namorado.
Quando saiu, um silêncio se formou. Silêncio este que incomodava. Caine comia sem olhar para o irmão que estava sentado à sua frente.
— Da próxima vez eu vou me encarregar de ver se você come ou não. Poxa, Caine, eu achei que você tinha morrido.
— Já passou, Seb. Foi só fraqueza.
— Mesmo assim. Você correu muito durante a seleção, era de se esperar que fosse faltar energia. V-você é tão pequeno, tão frágil, tão...
— Seb, chega, tá? — Caine interrompeu. —Poxa, para de me comparar a uma criança!
— Mas você é uma. — Insatisfeito e não gostado do irmão contestando-o, afirmou.
— Sebastian, eu tenho dezoito anos e estou na universidade. Eu não sou o seu irmãozinho que você vivia cuidado e protegendo dos babacas da escola. Poxa, Seb, eu gosto tanto dessa sua preocupação, mas às vezes ela me sufoca.
— Sufoco? Eu só quero o seu bem dentro da Quadra, Caine. Eu sei como é viver nessa selva. Há animais extremamente perigosos. Danion, por exemplo, é seu maior predador.
— Danion faz eu me sentir bem, antes que pense o contrário.
— Ele te humilhava, te batia!
— Ele não me humilhava. Poxa, você só escuta o que esses babacas falam a respeito. Certo que Danion me socou uma vez, eu admito. Mas foi em um momento de fúria e nem mesmo eu entendi o porquê daquilo. Mas quanto às humilhações, não. Danion nunca me humilhou.
— Te fazer comprar cigarros e te tratar como empregado não é uma humilhação?
— Eu gosto dele, Sebastian. — O pequeno firmou seus olhos no maior.
— Eu sei. Por isso que é cego.
— Danion consegue me mostrar coisas que se dependesse de você, eu acharia um absurdo. Mas não, é legal. Ele vive sem se preocupar com o amanhã. Ele vive a vida. Ele é feliz. E o que eu faço? Passei anos sob os cuidados do papai e da mamãe, não podia nem sequer sair de casa e dormir com os amigos porque vocês estavam preocupados demais. Minha vida inteira eu vi o mundo atrás de uma janela.
— Eu estava atrás da janela com você.
— Me contando histórias do que você viveu. Mas será que eu não posso viver a minha? — O pequeno bebeu um pouco do suco.
Sebastian se levantou, passando os dedos entre os fios vermelhos.
— Eu não consigo confiar naquele garoto. Ele é um irresponsável, dissimulado, encrenqueiro...
— Concordo com você. Mas ainda assim ele é feliz a sua maneira. Danion também já fez coisas boas. Ou você se esqueceu do dia em que ele se meteu na confusão por sua causa?
Há um tempo, houve uma briga entre alguns membros da quadra com outros das repúblicas oferecidas pela universidade. Danion era recém-chegado na época e já leonino, embora conhecendo Sebastian tão pouco, o branquelo o ajudou a enfrentar quatro grandalhões. William e Rick também participaram da briga. O mulato se ofereceu a ajudar quando o garoto o ofendeu. Tomou uma surra de panelas, literalmente.
— Eu tenho certeza de que se papai e mamãe estivessem aqui, eles se orgulhariam de você. Você é meu pai e mãe dentro da quadra. E o melhor irmão que eu tenho. Só você me conhece, Seb. Só você me aconselha e me aceita independente da minha sexualidade. Eu tenho orgulho de você. Eu te amo. Mas eu peço e imploro por espaço.
Sebastian parou, observando Caine pronunciar as palavras. Mesmo sendo aquele gigante, o ruivo se derreteu pelas palavras do irmão. Sentou-se ao seu lado e envolveu o menor em seu braço, beijando-lhe a cabeça.
— Só prometa que nunca mais vai me mandar ir se foder.
— Eu me arrependo do que eu disse, juro a você.
— Da próxima vez que isso acontecer, eu juro que incorporarei o papai e irei te bater.
— Ele nunca bateu em mim. — Resmungou.
— Mas em mim sim. —Sorriu.
Caine também sorriu, repousando por segundos sua cabeça no braço do irmão.
— Estamos bem? — Caine indagou, voltando a encará-lo.
— Pra eternidade. — Ele afirmou.
[...]
Santiago odiava todas as suas horas de trabalho. Ele aprendeu com o tempo a não descontar seu mau humor nos fregueses, mas nunca admitira amar o que fazia. Se não precisasse, largaria de vez o emprego.
Caminhava de um lado para o outro atendendo pedidos e até levando o lanche de alguns abusados que tinham preguiça de se levantar. E olha que isso não era sua obrigação.
Teve uma grande surpresa quando uma garota puxou sua calça. Ele teria insultado quem fez isso se não reconhecesse a criança de cabelos caídos nos ombros, franja e dentes separados. Os olhos eram iguais aos seus. Sua irmã, Nicole.
Quando este olhou para a porta da lanchonete, encontrou sua mãe parada. A mesma sorria para o filho que há muito tempo não via. O garoto logo ergueu a irmã no ar e correu para o abraço da mãe. Como isso era bom.
Ela beijou sua testa e segurou a lágrima da saudade.
— Você não precisa mais disso. — Ela disse.
— Do quê? Do trabalho? — Ele olhou para o fardamento.
— Sim. Você não precisa mais se submeter para se sustentar aqui. Conseguimos, Santiago. Conseguimos nossa parte da herança.
— Você tá falando sério? — Esboçou um enorme sorriso.
— É claro, meu filho. Não é muita coisa, mas é suficiente para garantir o seu futuro.
Santiago não perdeu tempo em abandonar o fardamento, insultar um garoto que o tratou como escravo e sair da lanchonete com Nicole em seu braço e sua mãe ao seu lado.
Santiago tinha os traços da mãe, assim como Nicole. Poucas eram as características que herdou do seu pai.
Nicole pediu para que ela deixasse caminhar e o irmão atendeu ao seu pedido, segurando em sua mão. No curto caminho até a república dos Tigres, conversaram sobre tudo que aconteceu no tempo em que esperavam a parte da herança, que temeram não receber. Santiago não era filho legítimo de Bruno, pai de Nicole. Mas tinha um amor grande pelo homem que o criou, orgulhando-se do mesmo.
— Você mudou de república? — Marta perguntou, olhando para a república de Sean e William ao mesmo tempo.
— É. Uma longa história. — Ele disse, não querendo recordar do assunto.
— Está gostando? Seus amigos na outra república eram legais. Vocês brigaram? Como era o nome daquele garoto que você sempre falava? Lucas? Leo? Isso, Leo!
— Leo continua lá. Eu não briguei com ninguém. — Não conseguiu mentir. — Certo, eu briguei com o líder deles e acabei achando melhor sair. Essa república tinha vaga e acabei aceitando.
— Mas por que vocês brigaram? Ele me parecia ser uma ótima pessoa.
— Por besteira. Mas já passou, mãe. Agora eu preciso aproveitar, já que não preciso mais do trabalho. Estou surpreso com sua visita.
— Eu precisava te dizer isso pessoalmente, e Nicole insistia em te ver.
Santiago olhou para a irmã, beijando-lhe a bochecha mais uma vez. A irmã corou. Para ela, o irmão era seu namorado. Santiago quem colocou isso em sua cabeça, tudo por ciúmes. Não gostava que a mesma brincasse com garotos, e até já chegou a afastar seus amiguinhos.
— Leo! — Nicole disse, expressando um sorriso.
— Ele deve estar na universidade, Nicole.
— Leo! — Ela repetiu.
Foi quando Santiago notou que o mesmo voltava da universidade. Leonard reconheceu a garota há distância e até esboçou um enorme sorriso. Correndo em direção à família do ex-leonino.
Nicole rapidamente saltou no corpo de Leo, que caiu no gramado gargalhando. Marta tinha uma grande simpatia por Leo. Ela o via como um bom amigo para Santiago, pois suas antigas amizades nunca foram as melhores. Sabia do vício que o filho tinha, já conversara com o mesmo. E até pensou em interná-lo certa vez.
— Como você tá grande, Ni. Tá linda. Acho que vou te esperar crescer pra namorarmos. — Leo comentou.
— Mas eu sou a namorada do Santi.
— É isso mesmo. — Santiago comentou, um tanto áspero.
— Mas poxa, e eu? Você vai mesmo me deixar pra ficar com ele?
Nicole olhou para Santiago, como se estivesse suplicando para o irmão que a deixasse escolher. Marta ria silenciosamente de tudo aquilo.
— Veio passar alguns dias aqui, Marta? — Leo indagou, levantando-se com Nicole em seu braço.
— Não. Não posso, tenho que voltar por conta das aulas da Nicole. Eu senti saudades do meu filho e precisava lhe contar uma boa notícia. Eu cheguei pela manhã e resolvi passear com Nicole pela cidade. Mas me conta, como você está? Soube que Santiago saiu de lá e ainda estou sem acreditar.
Leo olhou para Santiago.
Santiago não gostava da presença de Leo. Não depois de sair dos Leões. Eles até trocaram farpas certas vezes. Mas Leonard estava fingindo como um ótimo ator, fazendo com que Marta acreditasse que seu filho e ele ainda eram bons amigos. Contou tudo o que aconteceu, criando algumas mentiras a respeito da saída do ex-leonino.
Santiago saiu da lanchonete, mas por insistência de Marta, eles lancharam no lugar, conversando sobre diferentes assuntos. Leo por diversas vezes livrou Santiago de algumas perguntas, principalmente quando a mesma indagou sobre drogas, temendo que o filho continuasse com o vício.
Mais tarde, quando Marta foi embora, Santiago e Leo voltavam da rodoviária.
Santiago permanecia calado como sempre foi. Já Leonard falava até da cor do céu, do edifício em construção, da praça e das lojas que encontravam no caminho.
— Você vai ficar aí calado?
— O que eu deveria falar? Você deveria se comportar. Está falando e agindo como uma garota. Minha mãe não pode saber sobre você, Leo. Às vezes você deixava transparecer a sua sexualidade.
— E você acha que ela não sabe? — Leo indagou. — Você pelo visto continua o mesmo preconceituoso de sempre.
— Não é preconceito. —Tentou se defender. — Eu só não aceito a forma que você vive.
— Discutir isso com você se tornou chato demais. Toma. — Leo puxou do bolso um papel dobrado. — Demorei três dias pra terminar.
Santiago aceitou o pedaço de papel dobrado e o abriu, até encontrar seu desenho. Leonard esperou um sorriso, mas o outro novamente dobrou o papel e o colocou em seu bolso.
— Obrigado.
— Só isso? Um obrigado?
— Claro. De que outra forma eu posso te agradecer?
— Sendo mais espontâneo. Ai, que droga. Às vezes esqueço que você é essa pessoa sem sal. Espero que Nicole seja diferente quando crescer.
— Tá, Leo. Obrigado, tá bom?
— Vou ficar por aqui. —Leo parou de repente. — Preciso comprar alguns materiais.
Santiago não acreditou no que o outro disse. Leo estava chateado e ele sabia perfeitamente disso.
— Obrigado, está bem? Não só pelo desenho, mas por me livrar das perguntas de minha mãe. Eu não sei a melhor forma de te agradecer.
— Me abraçando. —Leo sorriu, realmente feliz com o que ouviu.
— Em público? — Santiago olhou para os lados.
— Larga essa homofobia de lado, por favor.
— Não acho que seja uma boa ideia, Leonard. — Disse o nome do outro. — E-e melhor eu ir, você precisa comprar seus materiais, certo? Até qualquer hora na Quadra.
Ele sentiu. Sentiu novamente aquela inquietação. Saiu às pressas deixando o companheiro para trás.
Logo quando chegou à sua república, entrou em seu quarto e se jogou em sua cama. Retirando os sapatos apertados. Santiago então retirou do bolso o desenho que Leo fizera, finalmente podendo apreciar detalhadamente os traços do outro. A confusão em sua cabeça voltou.
— Se você soubesse... — Murmurou.
[...]
Naquele início de noite, Danion acabara de estacionar sua moto no gramado de sua república. Retirou sua jaqueta de couro preta, que ele adorava usar tentando passar a imagem de garoto perigoso. Sentou em seu gramado e deitou, relaxando. Estava um clima agradável.
O céu estava em seu ápice de beleza. O sol ia embora, deixando o alaranjado misturando-se ao azul marinho, que aos poucos se tornava negro. As estrelas eram pequenas peças que davam destaque, abrilhantando.
— Leo iria adorar pintar algo parecido.
— E olha que não irei perder tempo com isso. — Leo apareceu, para sua surpresa.
O branquelo se sentou e encontrou o amigo de pé, com algumas sacolas nas mãos. Leonard resolveu se sentar ao lado do amigo. Há alguns dias eles não tinham aquela aproximação, apenas nas horas em que iam dormir.
— O que tem aí? —O branquelo indagou, já tocando nas sacolas.
— Materiais. Lápis, tintas, entre outras coisas. E você, o que faz aqui sentado?
— Só estava cansado. Não quero entrar pra ouvir lamentações do William e Octavio.
— Você e sua velha sinceridade. — Comentou, colocando as sacolas de lado. — Santiago voltou a ter grana.
— Quer dizer que ele vai se tornar o velho insuportável novamente? Já nem lembrava mais da existência de Santiago na quadra. Só quando Sean resolvia aprontar.
— Acho que ele amadureceu depois das tapas na cara que a vida deu.
— Então quando eu posso surrá-lo pra ele amadurecer mais ainda? — Danion perguntou, coçando os olhos.
— Você deveria parar de tratá-lo dessa forma. — Leo repreendeu.
— Santiago nunca foi uma boa pessoa, Leo. Só falava com você e o William na república, com os demais ele vivia a manter distância.
— Ian também gostava dele.
— Ele é gay. — Soltou.
— E eu tenho certeza disso. Mas ele tá passando pela fase que todos nós passamos. Você saiu da sua recentemente, Danion.
Os garotos continuaram conversando e não notaram que o céu foi tomado pelo negro da noite e a lua já estava em sua posição: linda como sempre.
Caine saiu da sua república, pronto para ir atrás de Colin, quando encontrou os dois sentados e gargalhando. Encontrar Danion sempre o deixava nervoso, inquieto. Seu coração batia mais forte. Era inevitável.
Ele tentou passar despercebido, mas a voz do branquelo o chamou:
— Caine!
Ele então se virou. Mas não olhou para Danion. Leo foi seu alvo.
— Veio atrás do Colin? — O branquelo indagou. Caine afirmou. — Ele não está. Foi fazer um trabalho com alguns amigos.
— O que chega a ser estranho, por que você não está com ele? — Leo interrompeu.
Caine tremeu. Colin um dia iria ferrá-lo por mentir e livrar a pele do amigo. Se já não estivesse ciente do que Colin estava fazendo, ele certamente iria se enrolar todo em sua resposta.
— Somos de grupos diferentes. E só agora me lembrei disso. Tive o azar de pegar o pior grupo, que só resolve fazer as coisas um dia antes da entrega.
— Então você não tem nada pra fazer agora? — Caine confirmou. — Ótimo! Sobe na garupa.
— Para onde iremos? — Perguntou, inseguro.
— Mais um teste de loucura. — O branquelo disse, dessa vez jogando o capacete para o menor.
— Sebastian não vai me deixar sair sem avisá-lo.
— Não tem problema, Leonard vai conseguir avisar que você saiu com Colin.
— Eu? —Leo indagou, ficando de pé. — Não quero me meter em problemas.
— Vai mesmo me negar isso, Leo?
— Se você tá transando com esse garoto, não significa que eu tenha que me meter em problemas por vocês, Danion.
A grosseria de Leo foi tão forte, que ele deixou ambos calados. Entrou na república sem antes se despedir. Talvez seu ciúme houvesse saído do controle.
O branquelo fitou a porta que fora fechada por Leo, boquiaberto pela atitude do outro. Caine quem estava sem graça com tudo aquilo. Sua vontade foi voltar pra sua república e não sair mais de lá.
Danion olhou para o menor. Teria tomado seu capacete, entrado e insultado Leonard pela atitude. Mas Caine firmou suas mãos no objeto, impedindo o branquelo de concluir a ação.
— Vocês são amigos, não vale a pena brigar por besteira.
— Ele foi estúpido em dizer isso.
— Acho que é melhor irmos ao lugar que você quer. Sebastian não precisa saber aonde fui. — O pequeno disse, pondo o capacete e subindo na garupa da moto.
Danion, embora estivesse irritado com Leo, optou por sair dali. Deu a ré, olhou para os lados e partiu.
No momento em que passou por sua república, Lydia saía para jogar o lixo. A garota poderia facilmente reconhecer Caine, por ser pequeno e ter uma postura própria ao se sentar. E ela reconheceu.
Danion não dirigia em alta velocidade, dessa vez o trânsito e o caos não permitia isso. Mas as suas ultrapassagens permaneciam. Paciência não era uma de suas virtudes. Caine reconhecia esse caminho, mas não conseguia se lembrar de muita coisa.
Dessa vez estava mais seguro de si. Na última vez, temeu Danion dirigindo.
Danion encarava aqueles olhos através do espelho retrovisor. Embora seguro, Caine deixava transparecer a insegurança quando o branquelo provocava, buzinando e ultrapassando carros em movimentos.
O branquelo estacionou sua moto numa região escura e pouco movimentada. Mas ele acreditava não ter perigo. Aquela não era a sua primeira vez no lugar.
Quando Caine retirou o capacete, ele pôde notar o lugar em que estava. A torre citada no enigma. Ela deveria estar iluminada, mas há tempos não se preocupavam com isso, tornando-a sombria durante à noite.
— Mais um desafio. — Ele disse, sorridente.
Caine se arrependeu. Sim, estava arrependido.
— Me segue. — Falou, caminhando.
Caine rapidamente o seguiu, estava com medo de ficar sozinho ou até se perder do branquelo naquela escuridão. O som que seus passos faziam era audível, a ponto de incomodar o menor. Cravou seus dedos na jaqueta do outro, tendo a certeza de que não iria perdê-lo de vista.
Abaixaram-se, saltaram caixas e um pequeno muro. Ouviram latidos de alguns cachorros e de alguns gatos que brigavam por ali perto. Esconderam-se do segurança que quase acabou flagrando-os e finalmente chegaram ao lugar que Danion queria: a escada.
— Você vai subir? — Caine indagou, com medo.
— O que você acha?
— Que é perigoso.
— Eu adoro coisas perigosas. Se a morte é minha rival, bem, eu irei desafiá-la. — Ele disse, pondo as mãos e os pés na escada de metal. Acima era só escuridão, mas ele sabia que havia um fim. — Você vem?
O que ele poderia fazer? Já estava ali.
— Deixa os capacetes ali. — Apontou para um amontoado de madeira — E não precisar ter medo, Caine.
Dito isso, Danion já estava subindo os degraus. Caine acelerou e fez o mesmo, apenas guiando-se na subida do outro. O pequeno achou que nunca chegaria ao ponto alto da torre. Fazia frio. Temeu olhar pra baixo e pressionava forte o metal que o sustentava. O branquelo pisou no vazio e por pouco não caiu, assustando o que estava embaixo.
O coração de Caine quase que parou com o susto. Odiou quando Danion gargalhou daquilo. Caine era novo demais para morrer.
“Que Sebastian nunca descubra sobre essas coisas.” Pensava. “Se eu morrer, meus pais culpariam o Seb.”
— Já ouviu falar dos suicídios que cometeram nessa torre, Caine?
Caine não respondeu. Ele sabia das histórias contadas. Lembrou que no ano passado, um aluno da universidade, não aguentando a pressão dos problemas, pulou da torre. Saltou pra morte.
O branquelo finalmente pareceu chegar até onde queria. Não foi até o ponto mais alto da torre, mas sim na metade. Dessa vez, com cautela, Danion pisou no metal firme que servia de sustento para a torre, caminhou cerca de um metro, dando espaço suficiente para Caine fazer o mesmo, mas o pequeno não retirou a mão da escada ao lado. Juntos se sentaram.
Caine então viu a beleza do que era sua cidade à noite. Luzes. Apenas luzes. De diferentes cores e tamanhos. Viu a placa de uma lanchonete famosa, e a de boas vindas a Seattle. Viu apenas as luzes dos faróis dos carros iluminando toda a avenida principal, deixando um rastro alaranjado. Parecia tocar o céu. Tocar as estrelas.
Danion olhou para o lado e viu o quanto o pequeno estava surpreso com o que via. Já comparava Caine a uma criança, agora tinha certeza disso.
— Maneiro, não é?
Caine não havia notado a pergunta do branquelo. Danion até sorriu com isso, pondo um braço sobre o joelho.
— Fazia um bom tempo que eu não vinha aqui.
— É incrível.
— Ainda está com medo?
— Como não sentir medo quando você estiver por perto?
— Você é um ótimo aluno. Vou pensar em um desafio mais difícil da próxima vez.
— Subir na sua moto é meu maior desafio. Eu nunca sei se vou sobreviver. — Confessou.
— Ótimo! Pensarei em algum relacionado a isso. Mas então, vamos falar do momento épico da quadra: a surra que Sean tomou.
Danion era tão aleatório às vezes, que chegava a assustar quando queria.
— Não achei certo.
— Como não? Aquilo foi merecido.
— Eu sei que Sean nunca foi uma boa pessoa, mas o fato deles serem irmãos que me incomoda. Eu não teria coragem de fazer isso com Sebastian.
— Você não teria forças para isso. — Completou.
— Você entendeu o que eu quis dizer.
— Não consigo sentir pena do Sean. Era eu quem deveria surrá-lo. Colin não tinha que se meter na briga, sério. Eu gosto bastante do Colin, mas às vezes ele irrita com aquele jeito metido que ele tem.
— Você está falando do meu melhor amigo, sabia?
— E daí? Sempre jogo na cara dele essas verdades. E posso ser sincero com você? Essas saídas que o Colin tem dado ultimamente não tem nada a ver com trabalho, não é? Pode contar, eu juro que não falarei nada a ninguém.
— C-claro que tem! — Gaguejou na tentativa falha de parecer firme.
— Tá, você vai acobertá-lo. Tenho quase certeza de que ele tá dando a bunda por aí.
— Colin é virgem, sabia? — Caine foi obrigado a falar isso.
Danion não hesitou em gargalhar.
— Tá falando sério? —Perguntou. Se fosse durante o dia, daria pra ver o quão vermelho Danion estava.
— Sim. Mas por favor, não fala nada a ele. Colin me mataria se soubesse que te contei.
— Aquela bicha é mesmo virgem? Porra! Eu perdi a aposta com Leo.
— Você e Leo apostaram? — Caine perguntou, realmente curioso.
— Sim. Ele achava que Colin era virgem, e eu não. Pra mim o Colin tá mentindo. É impossível ele ser virgem. — Novamente gargalhava. — Não pode ser!
— Por que tá rindo?
— O Colin é virgem! Tem coisa mais engraçada que isso? Até você perdeu primeiro que ele.
Caine abaixou sua cabeça, sentindo a face esquentar. Lembrar-se da noite na qual se entregara era realmente constrangedor, embora sentisse saudades daqueles toques. Sabia que para o branquelo aquilo não passara de um sexo casual, e bem, realmente foi, afinal, Caine concordou.
— Tá, eu sei que não é legal tocar nesse assunto. — Danion parou de gargalhar, sabendo que o menor estava sem graça diante dele. — Mas tem algo que eu sempre tive a curiosidade: quando e como você começou a gostar de mim?
Por um minuto Caine achou que tinha caído da torre pelo impacto que a pergunta teve. Nos minutos em diante engasgou-se nas próprias palavras. Danion o olhava realmente curioso e ansioso pela resposta.
— Q-Quando e o-onde?
— Sim. É estranho alguém gostar de mim na mesma intensidade que você. Eu costumo errar sempre.
— N-no dia em que você ajudou Seb na confusão. Eu era recém-chegado na Quadra. Você, William, Seb e Rick enfrentaram aqueles garotos da universidade. Você era explosivo, provocava e não se mostrava intimidado pelo mulato que tinha o dobro do seu tamanho. Eu até hoje não sei o motivo do Sebastian conseguir arrumar confusão. — Confessou o menor.
— Logo quando cheguei à quadra, já ouvia boatos de Sebastian. Eu lembro que foi por causa da Erica. Parece que ela se meteu numa confusão com um garoto que rejeitou, Sebastian foi tirar satisfação e acabou resultando naquilo. Eu entrei na briga porque eu estava com William nesse dia. Não me conheciam e tiraram sarro de mim. Inclusive foi eu que iniciei a agressão, seu irmão entrou depois.
— Eu sei disso. Eu vi. Uma semana depois você não sabia que eu era irmão do Sebastian, me empurrou quando sem querer derrubei minha bebida em você, me insultou e saiu. No dia seguinte me obrigou a comprar cigarros, e isso durou até hoje.
— Negativo. Eu sabia que você era irmão do Sebastian, afinal, logo quando eu conheci o Leo, ele me falou que “O irmão do Sebastian está na Quadra”. Todos queriam saber quem era, acredite.
— Colin me disse que tem pessoas que me odeiam por isso.
— Todos são odiados por alguma coisa na Quadra. Não há como fugir. Você pertence à maior república e é irmão do garoto que tem o maior poder sobre a Quadra. Uns te adoram, outros queriam o teu lugar.
Caine ficou calado. Danion provou que também falava coisas com sentido. Ele sorriu, não conseguindo esconder o pensamento.
— Por que sorrir? — O branquelo indagou, confuso.
— Não é nada, bobeira.
— Fala!
— Não é nada, sério.
— Cara, fala. Por que você tá rindo?
— É que, você é tão sem noção, que te ouvir falando essas coisas é engraçado. Parece que você tá filosofando, e isso não é você.
— Tá me chamando de burro?!
— N-não! — Caine desfez o sorriso. — Lógico que não.
Danion o encarou, deixando o menor totalmente sem graça. O pequeno realmente se assustou. Achou que irritara o outro.
Porém, para sua surpresa, Danion o beijou.
Dessa vez conseguiu ser mais delicado com o pequeno, tocando o seu queixo e prendendo a mão em seu pescoço. Não se passou dez segundos e Caine desfez o beijo.
— O que houve? — Danion indagou.
— Por que me beija?
— Que mal tem? Tá eu e você aqui, ninguém vai saber.
— Não me importo que saibam. Só quero saber por que me beija tendo a certeza de que sou apaixonado por você?
— Você me implorou por sexo e agora tá magoado porque eu te beijo?
— Eu achei que você estava começando a sentir algo por mim.
— Isso é ridículo, Caine. Não consigo. E-eu simplesmente não consigo. Não estou apto a me apegar às pessoas.
— Depois daqui faríamos sexo?
— É claro. Isso se você quiser...
— Pode me levar embora? Acho que estou começando a ficar com sono.
Dito isso, Caine já estava descendo as escadas enquanto o branquelo permanecia sentado, confuso e boquiaberto.
Por muito tempo, o pequeno esteve tão cego que não se importava com nada, desejando a todo custo ir pra cama com o branquelo. Logo, quando isso aconteceu e realizou, sua vontade de ter Danion para si só aumentou. Acreditou que o outro iria começar a olhá-lo com outros olhos, iludindo-se por vontade própria. Agora sua ilusão foi quebrada. Caine tentaria mudar.
“Porque insistir se ele nunca vai me amar? Sofrer é opção.” Pensou.
Talvez Caine estivesse apenas crescendo. Talvez Colin tenha sido um ótimo exemplo.
[...]
Connor recém havia acordado. Não encontrou Ian no quarto, porém tinha a certeza de que havia dormido com ele ao seu lado. Tudo que fez foi vestir um casaco pelo frio que fazia aquela noite, molhar o rosto e escovar os dentes. Passou pela cozinha e, na ausência de Rick, roubou um pedaço da torta feita pelo mulato.
Saiu da cozinha ainda mastigando quando encontrou Octavio e Ian conversando. Os dois garotos olharam para ele, mas rapidamente voltaram a conversar. Octavio não estava com a melhor das expressões, e o novo leonino notou a lágrima que descia de sua face.
William descia com uma xícara de café em mãos, sentando-se ao lado de Octavio. Connor não se constrangeu ao se sentar bem próximo de Ian, envolvendo o corpo do outro em seu braço.
— E o que você pretende fazer depois? — Ian indagou.
— Não vou conseguir encará-lo na universidade. Não vou conseguir encará-lo na quadra. Minhas coisas ainda estão lá. Ainda estou pensando na conversa que tive com ele.
— Já disse que você não precisa mais se preocupar. Eu estou aqui. — William falou.
— Tô me sentindo um estranho, me incluam na conversa. — Connor finalmente falou. — Por que ele chora? — Perguntou ao parceiro de quarto.
— Decepções. Sean o magoou.
— Você e Sean brigaram?
Octavio afirmou.
— Mas eu estava achando que foi o Will e Sean que brigaram lá no ginásio. Você brigou com ele por causa da surra que tomou?
— Vai além, Connor. Você ainda não sabe das coisas que acontecem. Mas eu posso te contar depois. — Ian tocou a sua coxa.
Octavio repousou sua cabeça no peito de William, que abriu os braços para aconchegar o outro. O loiro levou o polegar até a bochecha do moreno, acariciando a região. Connor olhou aquela cena como se fosse algo estranho. E mesmo que fosse chamado de burro por todos, de uma coisa ele tinha certeza: William e Octavio tinham algo.
— Vocês se beijam? — Descaradamente perguntou.
— Tem problema se eu contar? — Ian olhou para Octavio, e o mesmo afirmou.
— Uma hora todos irão saber. — William disse.
William, o leão. Mostrando a todos que não mais se importava em esconder sua sexualidade. Logo, todos iriam saber que Octavio e ele eram namorados.
— Eles são namorados, Connor.
— Octavio é gay? — O novo leonino estava cada vez mais confuso.
— O que você acha, Connor? — O moreno até sorriu depois da pergunta, embora entristecido.
— Cara, você é gay. Que foda! Por que eu sou o último a saber das coisas? Olha, eu achava que você era namorado do Sean, porque vocês viviam colados um no outro e eu até já ouvi barulhos vindo do quarto dele enquanto você estava lá. E...
— Connor, não é momento. — Ian o interrompeu.
— Falei algo de errado? — Indagou, após perceber que todos olhavam para ele. — Eu e minha mania de não saber das coisas...
Logo, William sorriu.
— Eu realmente estou mudando meu conceito sobre você. Eu também fiquei assustado quando flagrei você e Ian aos beijos.
Octavio foi obrigado a se sentar, olhando para Ian e William ao mesmo tempo.
— É isso mesmo que eu ouvi? — Perguntou.
— Eu ia te contar. — O loiro respondeu. — Acho que o único hétero em nossa república é o Gaspar.
— Que por sinal não aparece aqui faz uns dias. — Ian disse.
— Eu sabia do Ian, até porque o vi com seu ex-namorado. Ele sabe disso, pediu para que não contasse nada a você. Mas estou surpreso com Connor. Como assim você e Ian estão aos beijos?
Connor quis sair da sala por tamanho constrangimento que sentia. Já Ian sentia-se confortável, e foi engraçado observar o bobo ao seu lado ficar sem saber o que falar.
— Não quer subir? —William indagou quando Octavio novamente se deitou sobre seu corpo.
— Aqui está bom.
— Tem certeza?
— É nessa hora que eu me retiro. Vejo que vocês tem muita coisa pra conversar ainda, vamos Connor. — Ian puxou o outro pelo braço.
— Pra onde?
— Pro quarto.
— Mas poxa, aqui está legal. Eles são um casal de gays! I-isso é tão legal. Vamos ficar aqui.
— Connor... — Ian revirou os olhos e foi obrigado a arrastar o maior que resmungava e implorava pra ficar lá.
Quando passou novamente pela cozinha, Connor roubou mais um pedaço da torta. Ian tomou da mesma coragem e roubou um pedaço para si, mesmo tendo prometido nunca mais comer da comida de Rick. Porém, era impossível. O mulato tinha o dom pra coisa.
Connor assim que entrou no quarto não demorou a falar:
— Ainda não entendi por que não podemos ficar lá. Poxa, eu tinha tantas perguntas.
— Eles precisam de privacidade. Octavio não está no clima pra conversas, Connor. Sean o magoou. Só William pra conseguir fazê-lo sorrir.
— Eu consegui, você não viu?
— Porque é impossível não sorrir com certas coisas que você fala. — Ian respondeu enquanto selecionava algum livro pra ler.
Passou os dedos pela prateleira, mas já havia lido quase todos que tinha ali. Era tão apaixonado por livros que, às vezes, comprava mesmo sabendo que não teria tempo pra ler.
— Você vai ler de novo? Você vai morrer de tanto ler, sabia?
— Seria uma morte prazerosa. — Disse, enquanto puxava um livro pequeno.
Connor ligou seu vídeo game e começou a jogar enquanto Ian estava deitado em sua cama em mais uma de suas leituras diárias. Em alguns momentos encontrava a luz da TV iluminando a face do outro, era tão belo. Tinha mania de morder os lábios cada vez que sentia que ia morrer dentro do jogo.
Ian rapidamente começou a ficar perdido em sua leitura. Estava pensando demais no outro nos últimos dias. Fechou o livro e relaxou. Não demorou a dormir.
Connor foi obrigado a pausar seu jogo quando notou o silêncio. Olhou para o lado e viu que Ian já dormia. Inquieto, levantou-se rapidamente, sentando-se ao lado do corpo do outro, que acordou com o movimento.
Ian deu espaço para que Connor se deitasse, e este o fez. Connor encostou sua testa na do outro, roçando seu nariz ao do outro. Logo, os lábios também se encontraram. Eles permaneceram sobre carícias por longos minutos. Se Ian pudesse descrever o quanto era apaixonado pela boca do outro, com certeza não caberia em cem folhas de papel ofício.
Ian observou Connor encará-lo de maneira mais intensa, profunda. Inquietou-se.
— Por que está me olhando assim? — Perguntou.
— Você é tão lindo.
A face do moreno corou, embora estivesse sorrindo.
— Você também é lindo, Connor.
— Não sou tão inteligente como você. Não tenho olhos verdes. Sempre sou o último a saber das coisas. E ainda sou taxado de burro.
— Você tem o coração mais doce do mundo, Connor. Se todas as pessoas do mundo fossem iguais a você, acredito que viveríamos em um lugar melhor.
— O que você acha do William com Octavio? — Perguntou, quebrando o assunto anterior.
— Como assim o que eu acho?
— Eles são namorados. Eu tô achando isso tão... Tão... Fantasticamente incrível!
— Ambos têm um dos relacionamentos mais lindos. É nítido o amor que um sente pelo outro.
— Você já namorou um dia? — Esqueceu-se de que Octavio comentou sobre o ex-namorado de Ian.
— Já. Foi bom enquanto durou. Logo, optamos pelo término. Foi algo tranquilo. E você?
— Não. Eu nunca namorei. Você não quer?
— O que eu não quero? — Indagou, confuso.
— Namorar comigo. Tipo, ser como William e Octavio.
— Está me pedindo em namoro?
Ian não conseguiu esconder a felicidade que sentia. Logo exibiu todos os dentes em um só sorriso, enquanto Connor sentia-se tão pequeno e constrangido.
— E-eu acho que sim.
Ian não soube o que falar. Encheu a face do outro com beijos, interrompendo sua fala. Connor sorria, enquanto era abraçado pelo outro que dizia palavras bonitas para ele. Logo, selaram os lábios em um beijo duradouro.
O veterano puxou seu celular que estava debaixo do travesseiro, encolheu-se no peito do outro e pediu para que o mesmo sorrisse. Não demorou muito a tirar uma foto. Olhares de garotos apaixonados. Sorriso de quem começou a amar.
Era Connor, o bobo. Ele não soube como pedir o outro em namoro, mas acabou chegando ao ponto que queria. William e Octavio serviram de exemplo para o mais novo casal da república.
[...]
Sean havia acabado de estacionar o carro em sua garagem.
Colin e ele resolveram jantar fora. O moreno não tinha cabeça pra preparar algum jantar, e por insistência do menor, eles saíram. Mas isso rendeu numa pequena discussão, pois o moreno sequer disse nada enquanto jantavam, Colin se irritou e ambos trocaram insultos.
— Eu realmente não...
Colin se calou quando notou que o moreno havia saído do carro. Sean estava dez vezes mais insuportável do que já era. O pequeno ficou parado e em silêncio, apenas olhando o moreno entrar em casa e deixar a porta aberta.
O pequeno se xingou por ser tão idiota e saiu do carro. Entrou em casa e encontrou o moreno sentado no sofá, fitando a parede. Sério como sempre foi.
— Sean, eu quero voltar pra quadra. — Colin disse, esperando-o na soleira da porta da saída.
— Já está tarde e estou sem paciência pra dirigir.
— E eu estou sem paciência pra te aturar. Sinceramente, eu só estou tentando te ajudar e acabar com esse teu estresse. Mas você não coopera.
— Você vai mesmo insistir nessa briga, Colin? Porra! Eu já estou de saco cheio de você me dando sermões, brigando, reclamando, insultando.
— Qual é a sua, Sean? — Colin fechou a porta com força, caminhou até que se posicionou em frente ao moreno. — Dias atrás você diz gostar de mim, ficamos bem, e depois você muda de repente.
— Só não estou no meu melhor dia.
— Você é tão frio. Apanhou do irmão, perdeu Octavio e ainda tomou sermão do pai. Eu queria vê-lo chorando. Pelo menos foi isso que imaginei quando eu te encontrasse aqui. Mas não, é totalmente diferente, você se torna extremamente insuportável.
— Você gosta de mim assim, não gosta? Então para de querer brigar por coisas mínimas.
Colin evitou responder. Encarou Sean por poucos segundos até sair da sala e ir pro quarto. No meio do corredor o xingou.
— Você é um ogro! — Gritou.
Dito isso entrou no quarto e se jogou na cama. Colin estava com tanta raiva que sua vontade era ir embora dali. Talvez realmente tenha sido um erro procurar o moreno para confortá-lo, afinal parecia que este não precisava disso. Sentia-se estúpido por gostar tanto de Sean, mas este era cheios de defeitos. Sean nunca seria um príncipe encantado. Porém, Colin nunca gostou de pessoas perfeitas demais. Os errados eram os que mais lhe atraíam.
Sean também estava com raiva. Tudo que ele queria era um pouco de paz, mas Colin parecia não fazê-lo esquecer da briga. Vivia reclamando de tudo. E por já não estar em um bom dia, acabou descontando o estresse no pequeno.
Ambos eram cheios de defeitos. Tão completos ao mesmo tempo.
O moreno se levantou, retirou sua camisa e começou a caminhar de um lado para o outro por cerca de dez minutos. Por mais que Colin fosse tagarela, o silêncio o incomodava.
Colin voltou para a sala, passou por ele, foi até o banheiro, tomou um banho e voltou. Ignorou Sean.
O moreno resolveu ir até a cozinha e beber um copo d’água. Voltou para sala e novamente se sentiu vazio. O único jeito foi ir ao quarto, onde encontrou o menor deitado. Ficou feliz porque este ainda estava acordado.
Colin se levantou. Para ele, dormir no mesmo cômodo que Sean não era uma das opções naquela noite. Tentou passar pela porta, mas o moreno o impediu. Tentou passar por debaixo do seu braço, perna, nas laterais... Nada adiantou, Sean não deixou.
— Me deixa sair. — Colin falou, já irritado.
— Olha, eu sei que você só está tentando ajudar.
— Eu não quero falar sobre isso. Só me deixa sair, por favor.
— Você tem certeza?
Perguntou. Colin demorou alguns segundos para responder.
— Poxa, Sean. — Colin disse, mais calmo. Caminhou até a cama e se sentou. — Cansa tentar ser legal contigo. Você não compreende o quanto tô me esforçando pra arrancar um sorriso seu. Pra fazer você se sentir melhor. Mas tudo que recebo em troca é essa sua grosseria.
Sean tomou a atitude de caminhar e se sentar. Colin era realmente um anão ao seu lado.
— É nessas horas que me pergunto como Octavio me suportava. Às vezes, nem eu mesmo me suporto.
— Eu só queria que você refletisse um pouco sobre tudo o que você fez. Queria ter passado a tarde inteira conversando contigo, mas não, brigamos o dia inteiro desde que seu pai esteve aqui.
— Não vamos mais falar disso por hoje, tá bom? — Pediu. — Acho que devemos aproveitar o final da noite, já que passamos o dia inteiro brigando. O que você acha, de... — Tentou pensar em algo. — Merda! Não tem nada pra fazer aqui.
— Eu não me importo de assistir algo com você.
Juntos voltaram para a sala. Colin antes vestiu uma camisa do maior, já que se sentia mais confortável usando a roupa do outro, amava o seu cheiro.
O maior sentou-se no sofá, enquanto Colin deitou, repousando a cabeça em suas coxas. Nenhuma programação legal passava na televisão àquele horário. Sean passou por diversos canais, até encontrar um que aparentava ser legal.
Colin estava tão atento quanto o Sean, ambos assistiam à comédia que passava na TV. Para o pequeno aquilo era entediante, tanto é que em alguns momentos chegou a cochilar. Em meio a um cochilo, ouviu uma risada abafada. Primeiro achou estar ouvindo coisas, mas não, era só a gargalhada do moreno.
Ele se levantou assustado, tentando entender por que Sean gargalhava. O moreno não tinha uma gargalhada estridente, porém, não era algo tímido. A risada era a mais comum, o típico “rá” que todos soltam. Mas em sua voz era a coisa mais sexy do mundo, numa entonação de voz perfeita.
Se o moreno soubesse como o seu sorriso era perfeito. Não aquele sorriso carregado de malícia, provocação. Mas sim um sorriso espontâneo, sincero e real. Há meses Colin estava na quadra, e nunca, absolutamente nunca, havia visto aquele sorriso. Um deus. As doces covinhas apareceram.
— Nunca me viu sorrindo, não é? — Ele indagou, percebendo que o outro o encarava.
— É lindo.
— Eu sei. — Sorriu mais ainda.
Dessa vez ele não sorria por causa da cena que assistiu. Colin agora foi o motivo do seu sorriso.
— É esse seu maldito ego que acaba com você.
Colin não esperou quando Sean o puxou para mais perto dele, afogando a face em seus cabelos. O pequeno também começou a rir, embora sem motivos. Sean por um momento agradeceu mentalmente a presença do outro ali. Se não fosse Colin, sabe-se lá que desgraça já teria feito.
O menor quem tomou a coragem de beijá-lo e facilmente foi correspondido. Sean o puxou para mais perto, fazendo-o sentar em suas coxas, tendo então a facilidade de dar-lhe um beijo mais intenso. Poucos foram os segundos para a sua ereção acontecer e Colin sentir o seu membro latejar. Fogoso como sempre foi: Sean.
— Eu acho... Que estou... Te devendo... Isso. — Disse, entre os beijos.
— E vai pagar... Da melhor forma possível.
Colin sorriu, levantou-se e se colocou de joelhos no sofá, com as duas coxas de Sean entre suas pernas, de frente para o outro. Como Sean adorou isso! Um Colin um tanto atrevido e com atitude.
Mais beijos. Sean mordeu sua clavícula, passou a língua em seu ombro até encontrar o pescoço do outro. Amava aquela região. Principalmente para marcá-la.
— A última vez em que você me marcou, fui obrigado a criar uma desculpa para William acreditar em mim. Se quiser me marcar, que seja em outro lugar. — Disse o pequeno, interrompendo-o.
Sean fingiu estrar triste quando ouviu o outro falar isso. Até nisso era malicioso.
Ajudou Colin a retirar a camisa que vestia. Todo o seu braço envolveu a cintura do pequeno, que com facilidade jogou seu corpo para trás, tendo o braço do moreno como apoio. Sean pode então passar sua língua no tórax do pequeno, brincando com seu mamilo, excitando cada vez mais o outro.
Sean levou uma de suas mãos até o membro do pequeno, invadido sua cueca e tocando a região quente. O suspiro do Colin. Ah, como Sean amava aquilo. Nada mais excitante do que ouvir Colin suspirar, gemer.
À medida que se deitaram no sofá, trocaram mais beijos. Sean ficou de pé, enquanto Colin permanecia deitado. O moreno mesmo se encarregou de retirar a calça que usava. Colin amava a visão que tinha a sua frente. O tamanho do seu membro era do mesmo tamanho do seu ego. Maldito era Sean. Assim pensava Colin.
Ousado, Colin voltou a se sentar. Com Sean de pé, tocou o falo do outro, puxou o corpo do maior para mais perto e sem timidez alguma, abocanhou o membro do outro. O moreno deixou um leve gemido escapar de seus lábios. Afundou sua mão grande nos cabelos de Colin e o guiou.
As mãos do pequeno estavam nas nádegas do moreno, e como ele amava a bunda do outro, seria desperdício não tocar naquela região.
Sean quase o sufocou sem querer, e por pouco não teve seu membro decapitado pelos dentes afiados de Colin.
Há quem prefira homem carinhoso. Mas Colin amava a brutalidade do moreno. Sim, ele amava. Era tão louco e tão podre como ele.
Sean deitou Colin de bruços no sofá, arrancou a cueca que o pequeno vestia e se enviou entre as pernas do pequeno. Suas duas mãos envolveram quase que por inteiro as nádegas do menor, e ele as apalpou.
Colin nunca esperaria que algo do tipo aconteceria. Nem mesmo Sean.
Afastou a nádega uma da outra e, com a língua, pressionou a entrada do pequeno. Quando notou que Colin suspirou, era sinal de que aquilo lhe agradava. Afogou seu rosto entre as suas nádegas e passou a brincar com a língua da região, dando prazer imensurável ao pequeno.
Colin conseguiu deixar escapar um gemido quando Sean soube tocar o ponto exato. Suas mãos estavam inquietas, procurando algum lugar para manter o apoio, mas era impossível. Tamanho era o prazer que seu corpo se contorcia por inteiro. Sean mordeu sua nádega. Se Colin queria ser marcado, aquela seria o local. Não demorou muito a novamente pressionar a língua naquela cavidade, o que novamente arrancou um forte suspiro do pequeno.
Ele poderia ter Sean ali com ele eternamente. Sua língua era tão sapeca.
Colin jogou sua cabeça para trás quando Sean novamente atingiu o lugar onde lhe dava mais prazer. O corpo já estava ficando vermelho.
Sean encerrou o que fazia, mordendo a nádega de Colin mais uma vez e ficando de pé. Foi até o seu quarto em busca de um preservativo e, quando voltou, o pequeno ainda permanecia deitado, talvez esperando por mais daquilo.
Mas Sean queria ir mais além. Já sentia saudades de penetrar aquele corpo.
Puxou Colin do sofá, fazendo-o ficar de pé. Tomou os lábios do outro para si, e juntos trocaram beijos até encontrarem a parede. Sean colocou o menor de costas para ele, afastou suas pernas, pôs o preservativo e afogou sua face no ombro de Colin.
— Calma! —Pediu, logo que sentiu o membro do outro pressionar sua entrada.
Sean dessa vez obedeceu. Foi delicado ao penetrar Colin, que sentiu cada centímetro invadir o seu corpo. Ainda doía. E a dor era forte. Quando o pequeno sentiu que havia acomodado o moreno dentro de si, permaneceu estático por poucos segundos, até pedir para o mesmo se mover.
Sean tinha as mãos cravadas na cintura de Colin, enquanto mantinha os movimentos leves. Da onde estava, podia ver seu membro entrar e sair. Colin já sentia prazer naquele momento, embora o moreno preferisse manter a calma, ainda.
De todas as coisas no mundo em sua vida, fazer sexo era uma das dez melhores. Principalmente quando se tinha Sean. Um troféu para alguns. Quem chegaria a pensar que Colin deixaria aquele moreno louco de prazer? Louco de desejo? E o pior: apaixonado?
Os movimentos finalmente se intensificaram, arrancando suspiros de Colin a cada cinco segundos. Ambos os gemidos, leves, formaram uma melodia naquele silêncio, misturado ao som dos corpos que se chocavam.
Eles transavam na sala, de pé. Para Sean, aquela era uma das posições que lhe dava mais prazer. Colin começou a achar o mesmo.
Sean saiu de dentro do pequeno, voltando para o sofá, sentando-se logo em seguida. Colin o acompanhou, sentando-se sobre o membro do moreno. Selaram os lábios por diversos momentos durante o sexo.
Os corpos já suados umedeciam o sofá.
Para Colin, ele já teria chegado ao ápice. Mas como sabia que Sean demoraria, mantinha-se no controle.
Sean penetrava-o sem tirar os olhos dos do Colin. O castanho no negro se misturava mais uma vez. Eles até sorriram em alguns momentos. O pequeno facilmente ficava vermelho, e o seu rosto estava como um tomate maduro.
Colin gemeu entre dentes quando Sean por um minuto intensificou seus movimentos, logo relaxou e voltou a penetrá-lo de forma tranquila. Mas o moreno a partir daí alternava entre movimentos intensos e leves.
Deitou Colin no sofá, ainda conectados. Novamente passou a penetrá-lo de forma intensa, calando os suspiros do menor com beijos. Mordeu seu lábio.
Um suspiro.
Colin não resistiu. Sim, ele havia chegado ao ápice.
Porém, como era de se esperar, Sean pareceu não se importar com isso e continuou com seus movimentos.
Só depois de trinta minutos, dando prazer novamente ao Colin, que já chegou ao seu segundo ápice, ele também chegou. Seu corpo pesado caiu sobre o do pequeno, embora ainda estivesse dentro dele.
E eles transaram ali, na sala. Com o quarto bem ao lado.
Sean sentiu o coração do outro bater mais forte, ofegante. Logo, beijou novamente os lábios de Colin, que retribuiu. Ambos sorriram.
Porém, nada melhor do que ter a visão de Sean sorrindo. Por um minuto, Colin enxergou um anjo. Mas de anjo ele não tinha nada.
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