Notas iniciais
~~Leiam as notas finais.~~ Aliados.

Tudo passa. Tudo muda. Tudo tem o seu tempo. E as coisas na Quadra não seriam diferentes. Passaram-se seis dias desde a última briga épica. Octavio e William ocuparam o tempo com saída a restaurantes, cinemas, parques e outras coisas que pudessem ajudá-los a esquecer-se daquele dia. Colin só via Sean no banheiro da universidade, e nunca pararam de brigar. Connor e Ian tiveram uma pequena briga quando o menor necessitava de atenção e o maior passou a tarde inteira jogando. Leo se voluntariou para ser recepcionista de uma exposição de artes na cidade. Rick teve um dia triste após brigar com o namorado, mas na manhã seguinte resolveram-se.

Caine... Este finalmente soube lidar com o amor que tinha pelo branquelo.

— Pronto, Caine, voltei. —Edgar disse, sentando-se ao lado do pequeno.

Caine olhou para o loirinho que sorria. Por Colton estar sempre ausente da república, Caine se aproximou de Edgar, já que notou que este precisava se situar na Quadra.

— E então, como estão as coisas entre vocês? — Caine perguntou.

— Ele não me parecia estar legal. Acredito que alguma coisa aconteceu com seu pai que, quando saí de lá, estava internado. Eu queria poder estar presente, mas infelizmente não posso.

— Acho tão bonito esse amor à distância de vocês. Quem dera um dia eu tivesse a sorte que você tem.

— M-mas... Ok, deixa. — Edgar se negou a completar o que iria falar, gaguejando.

— Mas o que? Agora fala! — Caine perguntou, curioso.

— É melhor deixar pra lá. Tenho medo de que você fique chateado.

— Não ficarei. Poxa, Edgar, começou agora termina.

— É que bem... Você é tão apaixonado pelo garoto dos leões. E eu vi vocês saindo há alguns dias.

— O Danion?

— Sim, eu acredito que é assim que ele se chama. O encrenqueiro, bagunceiro, revoltado que todos vivem falando.

Dizem que quando o nome do diabo é pronunciado, o mesmo aparece. E foi exatamente isso que aconteceu. Colin e Danion caminhavam juntos até a mesa dos garotos, que silenciaram-se imediatamente.

Danion sentou ao lado de Colin. O branquelo, chato como sempre foi, roubou um pouco do feijão no prato do companheiro ao lado. Recebeu alguns insultos e um tapa no braço.

— Troca de lugar comigo. —Danion pediu.

— Por quê? — Colin perguntou.

— Por que eu tô a fim, oras.

— Ai, vai tomar no cu! —Colin disse, levantando-se e dando o seu lugar para o outro.

Danion sentou-se ao lado de Caine. O pequeno odiava aquela sensação. O coração sempre batia mais forte e ele ficava sem jeito, desviando o olhar.

— Você po...

Danion foi interrompido. Colton acabou chamando a atenção de todos quando conseguiu beijar a bochecha de Edgar, sentando-se ao lado do amigo. Harry também estava junto, mas este preferiu o silêncio.

— Tem tanta mesa por aí, por que diabos ele tem que se sentar aqui? — Colin comentou, felizmente ou infelizmente Colton acabou ouvindo-o.

— Porque eu quero. Se você está tão incomodado, não deveria se levantar e sair?

— Não te daria esse presente, pois sei que você quer.

— Porra! Vocês já vão brigar? —Danion interrompeu.

— Essa rivalidade de vocês dois daria uma ótima notícia. — Harry comentou, comendo.

— É ele o redator do jornal? — Edgar perguntou, encarando-o. Há alguns dias, Caine havia comentado com ele sobre o antigo jornal da quadra.

— Era, se o jornal ainda existisse. Mas os líderes resolveram tirar o jornal de circulação. Que ódio eu tenho disso. Poxa, eu amava o jornal.

— Como assim os líderes acabaram com o jornal? — Perguntou, novamente.

— Seb achava que isso gerava mais confusão na Quadra. Além de que notícias falsas também circulavam graças ao jornal. — Caine respondeu.

— Não eram falsas! — Replicou — Certo que havia um pouco de sarcasmo em algumas redações, mas ainda assim eram verídicas. O jornal só foi abolido por causa da matéria em que Octavio e Lydia saíram juntos. — Harry explicou.

— O que achei justo. Vocês sabem que meu irmão é apaixonado pela Lydia, e ela na época era amiga do Octavio. Criaram uma hipótese e meu irmão foi tachado como corno.

— Eu me lembro desse dia. Nossa, a confusão foi grande. — Colton disse, sorridente. — Lembro que até entrei na briga e nocauteei aquele babaca que me chamou de veadinho.

— E o que você é? — Colin perguntou, sarcástico.

— Tá querendo mesmo apanhar, não é garoto? — Pôs as duas mãos na mesa.

— Colin nunca me respondeu, sempre evita minhas perguntas relacionadas ao William. — Harry brincou com a pera em sua mão.

— Harry, já disse que nunca te responderei nada. Eu sei a sua fama dentro da Quadra.

— É isso mesmo, Harry. Até porque nós leões temos um acordo de nunca contar nada a você. — Danion também interferiu. — Você tem sorte de eu não quebrar os seus dentes desde aquela notícia.

— Eu estava errado? — Harry desafiou.

— Que notícia? — Edgar perguntou. Era ele quem ficava com as perguntas.

— Danion é bissexual. — Respondeu o futuro jornalista. — Quem me contou foi o próprio Colton.

Todos olharam para aquele cujo veneno escorria entre os lábios.

— Eu amei aquela noite, Dan. — Colton piscou.

Caine sentiu uma pontada em seu coração. Respirou fundo e evitou olhar nos olhos do branquelo. Preferiu não falar mais nada e apenas ouvir. Danion e Colton... Que triste.

— Não ache que vamos repetir isso.

— Eu sei que vai. — Disse, mastigando.

— Só quando eu estiver bêbado o suficiente, Colton.

— Então espere até a festa de encerramento dos jogos. Vou te sondar a festa inteira.

— Colin, por favor, cuide de mim. Eu não quero me arrepender na manhã seguinte. — O branquelo olhou para o companheiro.

— Achei que você fosse melhor que isso, Danion. Sério que você vai pra cama com ele?

Colin sabia que Caine não estava gostando dessa conversa.

— Eu não consigo me controlar enquanto estou bêbado, caralho. Tô mandando você tomar conta de mim. Sério!

Colton era tão atrevido e malvado, que por saber que Caine estava desconfortável, levantou-se e foi até o Danion. Tocou-lhe o ombro e massageou a região, descendo seus lábios até os ouvidos do branquelo.

— Vai valer à pena.

Ninguém iria esperar que uma garota, loira, de cabelos na altura do pescoço, que usava shorts e blusa branca pudesse aparecer de repente, jogando Colton para o lado, puxando Danion e roubando-lhe um beijo. Sim, um beijo! Rápido, porém, surpreendente.

— Donzela! — Gritou, abraçando o amigo.

Clara nunca foi o tipo de garota recatada. Sempre espontânea, era tão louca quanto Danion. Ninguém iria acreditar que esses dois, no passado, eram namorados. Clara e Danion no colegial foram namorados por dois meses e viviam brigando. Após o término do relacionamento, ambos se encontraram numa das boates da cidade. O branquelo acabou descobrindo a bissexualidade dela. Engraçado foi o fato de acabar indo pra cama com Clara e outra garota, no final, e ambos confessaram a bissexualidade quando na saída Danion acabou beijando um garoto que tanto fitou durante a festa.

Todos na mesa estavam perplexos com a cena. Principalmente Caine, que nunca esperou ver Caine beijando uma garota em sua frente. Tinha ideia da fama dele, mas agora era tudo estranho.

— O que você faz aqui, sua puta? — Ele indagou, levando dois dedos aos lábios. — Para com essa mania de sair beijando todo mundo!

— Eu amo seus lábios rosados, é impossível não beijá-los. Você deveria ficar feliz por eu estar aqui!

— Eu estou com medo. Quem você matou, de quem está fugindo? — Olhou sob os ombros da garota.

— Não matei ninguém, mas estou fugindo sim. O professor resolveu fazer uma expedição no museu aqui perto. Eu disse que iria no banheiro e cá estou.

— Você fugiu do museu?

— Claro! Aquilo me dá sono. Porra, veado, eu tô te visitando e você vem me fazer perguntas. Esses são seus amigos? São gays? — Ela olhou para todos. — Quem namora quem? Ai, aquele ali é bonitinho. — Apontou para Caine. — Que fofinho!

Caine corou. Colton sorriu.

Clara era tão audaciosa que sentou-se ao lado do pequeno, encarando-o.

— Vou te beijar, tá ok?´

— Você não vai fazer isso, Clara! — O branquelo a puxou pelo braço.

— Mas ele é gay, não vai se apaixonar por mim. Ai, me deixa beijar as pessoas!

— Essa sua mania é irritante.

— Não vai apresentar a amiga, Danion? — Colton indagou. Clara imediatamente sorriu, piscando para ele.

— Preciso mesmo apresentar? Ela já se mostrou quem é pra vocês. E se eu ficar com ela aqui, é capaz da universidade pegar fogo.

Clara novamente sentou-se, dessa vez ao lado de Colin. Colin não se mostrou intimidado, pelo contrário, foi até simpático quando puxou a cadeira para a mesma. Ver alguém xingando Danion era impagável. Danion voltou ao seu lugar ainda nervoso com a presença da garota ali.

Clara rapidamente se apresentou e contou sua história com Danion. Acabou ficando encantada com Colton, principalmente após esse contar que já havia ido pra cama com o branquelo. E como Colton também era louco por dizer verdades, ela acabou amando-o. Tanto é que trocou de lugar e ficou entre ele e Henry.

— Gente, ele é tão bonitinho, estou com vontade de mordê-lo. — Ela disse, encarando Caine.

— Caine tem essa mania de conquistar as pessoas sem falar nada. — Colin comentou.

— Vai mesmo me constranger, Colin? — Ele finalmente falou.

— Vejamos, ele fala! — Clara exclamou. — Onde é que vende mais deles? Você e esse loirinho são tão bonitinhos. São namorados, não são? Digam que sim!

Edgar encarou Caine, logo voltou a olhar para a garota. Até ele ficou constrangido com a insinuação.

— E-eu tenho namorado! —Edgar disse.

— Ah, que pena. Belos olhos você tem.

— Clara, você vai acabar constrangendo todos eles. — Danion disse.

— Não vai me contar as novidades, Dan? Eu estava morrendo de saudades!

— Não tenho novidades. Permaneço o mesmo.

Danion resolveu então envolver seu braço no ombro de Caine. Não foi algo proposital, foi simplesmente costume que havia adotado. Sua boca quase foi ao chão quando o pequeno se desfez daquilo. Afastando sua cadeira e aproximando-se cada vez mais de Edgar.

O branquelo por segundos ficou sem graça, tentando disfarçar o que havia acontecido.

Caine não demorou a se levantar.

— Aonde vai? — Colin indagou.

— Já estou satisfeito. Acho que vou ao pátio, biblioteca, banheiro, não sei.

— Você está bem? — Edgar perguntou.

— Estou.

— Eu vou contigo. —Colin logo se levantou.

— Eu também. —Edgar tomou a mesma atitude.

Colin antes de se afastar dos demais, se despediu de Clara. A mesma, sorridente e simpática, sorriu. Mas soltou uma piada quando Caine foi embora. Ela realmente adorou a fofura do pequenino.

Já longe, Colin e Edgar ficaram em silêncio até que um deles resolveu falar. Estavam agora atravessando um dos pátios da universidade.

— Vai me contar o que aconteceu ali? — Colin perguntou.

— Tem algo relacionado ao Danion, não tem? — Edgar perguntou.

— Eu tenho certeza que sim. — Colin respondeu.

— Bem que estava um clima bem estranho entre eles dois. Coisa boa não deve ter acontecido.

— Tô tentando imaginar o que aconteceu.

Logo, notaram que eles mesmos respondiam às próprias dúvidas enquanto Caine, que no momento, deveria responder as perguntas, estava em silêncio, olhando para o chão enquanto caminhava.

— Se não quer falar, tudo bem... — Colin disse, tocando-lhe o ombro e apertando.

— Eu só resolvi... Não mais aceitar as suas brincadeiras.

— A que tipo de brincadeiras você se refere? — Embora Colin soubesse a resposta, ele fez questão de perguntar.

— Acredito que tem relação ao dia em que o vi saindo com ele.

Colin olhou para Edgar e em seguida para Caine. Mesmo que o amigo não tivesse culpa, afinal, ele não disse nada ao outro, sentiu ciúmes por Edgar saber de uma informação primeiro que ele.

— Vocês saíram e não me contou?

— Você estava co... — Parou de responder ao notar a presença de Edgar. — Você não estava na república nesse dia. Eu acabei saindo com o Danion.

— E então?! —Franziu o cenho.

— Bem, nós fomos pra torre da cidade. A visão é magnífica. — Pararam de caminhar. Estavam agora em um corredor menos movimentado. Caine encostou-se à parede, enquanto Colin ficou em sua frente. Edgar ao lado. — Eu fui lá na ilusão de que Danion, você sabe... Pudesse se declarar um dia. Não exatamente se declarar, mas... Mas...

— Caine, você sabe bem que esse dia dificilmente chegará. É o Danion, o mais puto da Quadra. Tá, Colton é mais puta ainda.

— Eu sei. É que no dia... Na nossa primeira vez, sabe, eu vi nos seus olhos coisas jamais vistas. Eu sei que sou um idiota. Estúpido por me iludir durante tanto tempo. A culpa é inteiramente minha, Danion não tem culpa em nada do que está acontecendo agora.

—Não precisa se culpar, Caine. Larga essa submissão. Chega!

— E-ele tentou me beijar mais uma vez. — Continuou a história, vendo que ia tomar um sermão. — Eu não deixei. — Finalizou.

— Está me dizendo que você deixou aquele desgraçado no desejo? — Colin perguntou, um tanto de queixo caído.

— Ele meio que admitiu que queria ir novamente para a cama comigo. Eu só decidi não mais querer. Acho que Sebastian estava certo em tudo o que dizia. Danion não é o cara perfeito para mim.

— Bem, Danion também é meu amigo e eu não posso condená-lo. Mas acredito que você fez o certo em não mais ceder aos encantos do branquelo. Já estava mesmo querendo conversar com você sobre isso. Vai ser difícil tentar evitar a pessoa que você ama, mas logo você vai se adaptar, quem sabe, talvez, até encontrar novos amores.

O que Caine tinha pra responder, respondeu em lágrimas. O pequeno chorou.

Chorou por abrir mão de um amor, embora não correspondido. Chorou por depois de muito tempo se sentir um babaca em achar que conseguiria domar um leonino. Chorou porque a dor no peito era maior que dor física.

— Eu consigo. — Disse, finalmente, sendo abraçado pelos dois companheiros.

[...]

Logo após Caine sair da mesa sem dar explicação alguma, Colton e Harry soltaram perguntas para entender o que se passou. Claro, todas as perguntas foram relacionadas ao Danion, e o branquelo se irritou com isso.

Porém, nem mesmo ele sabia se estava irritado com as próprias perguntas ou com a saída repentina do pequeno.

Esqueceu que sua amiga estava ali, levantou-se e saiu andando. Clara rapidamente se levantou e alcançou o amigo, envolvendo seus braços em sua cintura e pondo a cabeça no ombro do branquelo.

— O que foi, donzela? —Ela perguntou, sorrindo como idiota.

— Esses babacas aí, ficam me enchendo o saco. Minha vontade é socá-los até a morte.

— Está irritado porque eles diziam verdades?

— Você está acreditando neles? — Danion a afastou.

— Se você está assim, certamente devo acreditar. Eles me disseram que aquele garoto fofinho, lindo, gostoso, anjinho, é apaixonado por você. E que você não sente nada. Até levantaram rumores de que vocês haviam ido para cama juntos.

— Rumores... — Disse, tentando saber como isso havia chegado aos ouvidos dos dois.

— Por que não dá uma chance ao garoto?

— Porque é óbvio. Eu não me apaixono. Eu não amo. E fingir isso só iria magoá-lo quando descobrisse a verdade.

— Você nunca conheceu o amor. Deveria dar essa chance.

— Eu não acredito em amor, Clara. Todo mundo só se fode no final. Não há saída. E eu não tenho paciência pra manter um relacionamento em pé. Um namorado, ou namorada, só teria ciúmes de mim pelas amizades que tenho. Costumo brincar com todos. E odeio viver sobre limites.

— Eu pensava exatamente da mesma forma que você. Até simplesmente me apaixonar. E eu ia deixar pra te contar isso no final. Eu estou namorado e quase noiva. Acabei encontrando uma sogra que é tão louca quanto eu. Inclusive, bebemos juntas. Já você, donzela, um dia vai se apaixonar, mesmo que não seja por esse garotinho.

— Caine é perfeito demais. Odeio perfeição.

— Isso significa alguma coisa. Você está chamando-o de perfeito.

— Para de ser burra e entenda meu ponto de vista. Eu não vou me apaixonar. Não me permitirei isso. Vivo da noite, Clara. Prefiro a liberdade. O amor destrói. E bem, ser amado não é uma das minhas especialidades.

— Aquele garoto te ama. E mesmo nunca tendo o visto antes, eu acabei vendo isso nos olhos dele. — Ela sorriu, apertando as próprias bochechas ao lembrar-se do quanto Caine era fofo. — E eu já disse que te amo, como amiga.

— Já mandei vocês pararem com essa ilusão. Eu não amo ninguém.

[...]

Connor só tinha tamanho. Tinha 1,80 de altura, era forte e aparentemente alguém intimidador. Pelo menos foi essa a imagem que ele passou para grande parte dos leoninos. Porém, dentro daquele grandão, havia uma criança presa. Era extremamente bobalhão, além de um tanto sem noção.

— Como assim você tem uma casa? — Connor perguntou assim pôs os pés na residência.

— Mas essa casa não é minha. Meus pais costumam passar as férias aqui. Tem um ano que não venho nesse lugar.

— Como as coisas permanecem novas e limpas?

— Meus pais mandam os empregados aparecerem por aqui em certos dias. Eu não gosto daqui. Não quando se tem a Quadra. A casa é vazia, sem meus pais isso daqui não tem sentido.

— É grande, primeiro andar e tem piscina. Ian, você é, sem dúvidas, mais rico que eu.

— Você precisa conhecer a riqueza do Danion. Mas porque estamos falando de riquezas mesmo? Você deveria aproveitar já que temos um dia inteiro longe de toda aquela bagunça da Quadra.

— Depois de ver tudo isso, fico com receio de voltar pra casa. Tem certeza de que não podemos dormir aqui? Eu trouxe meu vídeo game! — Disse, retirando a mochila das costas.

— Eu tenho prova pela manhã, Connor. E provavelmente deveria estar estudando, mas hoje é um dia para relaxar. Estudei tudo o que tinha que estudar.

— E foi uma das semanas mais chatas. Cara, você não jogou um dia comigo.

Ian sorriu ao ver a cara de irritação do namorado. Jogou sua mochila no sofá e caminhou pelo largo corredor, até encontrar o quarto em que seus pais dormiam, mais um pouco à frente havia as escadas que davam para o primeiro andar. Passou por uma porta de vidro até encontrar a piscina. O sol refletia no espelho d’água, deixando o azul mais intenso. Um guarda sol ficava próximo à piscina, outro ficava um pouco mais distante, ao lado da churrasqueira. Uma mesa de madeira, com dois bancos para três pessoas cada, também ficava ao lado. Na outra extremidade, vários objetos de decoração davam beleza ao espaço. Cogumelos e anões eram as coisas mais fofas.

Quando olhou para trás, tudo que viu foi Connor correndo, para então saltar adentro da piscina.

— Cuidado pra não se machucar, seu bobo! — Gritou.

O moreno caminhou ate o banco e por lá ficou, vendo o outro se banhar. Não estava com vontade de entrar na piscina. Talvez, nem entrasse. Só estava na casa porque realmente a situação da Quadra não estava legal. Desde a última briga, a agitação era insuportável. Teve uma segunda briga com Rickson, tudo porque o Rick não gostou quando ele recusou a sua comida. E até Rick pedir desculpas ao Connor, ele não mais comeria. Certo que às vezes ele comia alguma fatia de bolo escondido. Afinal, é impossível rejeitar toda a comida do outro.

— Vem, Ian!

Teve seus pensamentos interrompidos.

Ian fez sinal de que não queria ir.

— Vem agora ou eu juro que vou te buscar.

— Não estou com vontade, Connor.

E então viu quando o namorado saiu da piscina. “Não, ele não pode fazer isso.” Pensou. Quando o outro se aproximou, Ian tentou fugir, mas era tarde demais. Os dois braços de Connor envolveram a sua cintura, erguendo-o do chão facilmente.

— Me larga! — Gritou. — Você não vai fazer isso, Connor!

Connor antes de arrastar o namorado dali, verificou seus bolsos, retirando o celular e a carteira do menor.

Ian se debatia quando viu que cada vez mais se aproximava da piscina.

— Connor, eu ju...

Sua fala foi interrompida quando seu corpo submergiu na água. Quando emergiu, tudo o que viu foi Connor gargalhar e ainda segurar sua cintura. Embora tivesse o sorriso perfeito que o moreno amava, estava irritado com a atitude. Ele realmente não queria se molhar, principalmente estando com as roupas.

— Você não deveria ter feito isso.

— Ficou com raiva? — Connor perguntou, desfazendo o sorriso bobo.

Ian ficou em silêncio. Desfazendo-se do abraço e afastando-se.

— N-não fica com raiva, por favor...

Estavam nas laterais da piscina quando Ian se sentou, com as pernas ainda na água. Connor ficou entre elas, ergueu a cabeça tentando encontrar a face do menor, mas a luz do sol o impedia de fazer isso.

Connor permaneceu calado, apenas esperando o outro falar. Ian não conseguia se chatear com ele. Sorriu, tocou o queixo do namorado e, com dificuldade em arrumar uma posição confortável, beijou seus lábios molhados.

Aquilo foi apenas o início do dia para aqueles dois. Passaram uma hora tomando banho de piscina. Tomaram banho no enorme chuveiro próximo dali, logo depois comeram juntos no restaurante na rua de trás da casa.

Estavam agora na sala, com a TV ligada. Connor jogava vídeo game, como de costume. Seu vício era notável. Porém, para o seu conforto, Ian dormia em seu ombro. Se o maior fosse supersticioso, diria que o menor era seu trevo de quatro folhas, seu pé de coelho, entre tantas coisas que são símbolos da sorte. E por Ian estar presente, ele se sentia mais confiante ao tentar jogar um game difícil.

Porém, naquele momento, o jogo era o de menos. Largou seu controle de lado e aconchegou ainda mais o corpo do outro, envolvendo-o em um abraço. Embora não fizesse frio, aquilo aquecia. Ian não estava em seu sono mais profundo, tanto é que acordou. Um sorriso se formou em seus lábios, e ele retribuiu o abraço. Connor beijou sua cabeça.

— Você não cansa de jogar? — Ian perguntou, ao notar o jogo pausado.

— Quando eu morrer quero um caixão personalizado. — Brincou. — Estou com fome, tem algum doce? — Perguntou, levantando-se.

Ian também se levantou e foi até a sua mochila jogada no sofá. Tirou de lá algumas balas coloridas e jogou para o namorado. Era quase que impossível não abraçar o Connor. O menor não resistiu e envolveu seus braços na cintura do outro, apoiando sua cabeça no ombro do maior.

— Vou começar a achar que você me confunde com um urso.

— Não gosto de te largar. E você é quase isso.

Ian também não resistiu quando viu aqueles lábios há poucos centímetros de distância. Tomou os lábios do namorado para um beijo, profundo e duradouro. O legal foi o fato de Connor retribuir o beijo de forma calorosa.

Há alguns dias, o menor notou algo acontecer a cada vez que eles se beijavam. A ereção de Connor era tão notável, que ele era obrigado a fingir não sentir, evitando assim constranger o maior. Mas dessa vez, não resistiu. Entre os beijos, Ian sorriu.

— O que foi? — Connor perguntou, olhando-o de forma curiosa.

— Nada... — Ele disse, entre sorrisos. Tentou voltar beijar o namorado.

— Fala, Ian! —Pediu, suplicando.

Ian então afastou um pouco sua face da dele, olhou para baixo, em direção ao membro do Connor, e imediatamente levou seus olhos para os do mesmo. Logo, viu o maior ficar sem jeito, com as bochechas rosadas e olhos trêmulos.

— Não precisa ficar envergonhado, Connor. —Ele dizia, ainda sorridente.

Aproximou-se mais uma vez do namorado, dessa vez sentindo a ereção com mais intensidade e tentou beijá-lo. Mas Connor não correspondeu ao beijo. Estava constrangido demais. Ian o olhou, agora confuso e arrependido. Talvez fosse melhor ter ficado calado.

— O que houve? Está chateado por causa disso?

— Não é isso. — Ele disse, agora sentando-se no sofá.

— Conte-me o que está acontecendo...

Ian foi até ele, sentando-se ao seu lado e segurando sua mão.

— É que, sabe... E-eu nunca... Nunca...

— Você é virgem, Connor? — Ian indagou, surpreso, embora estivesse sorrindo como um bobalhão.

— Não! — Disse de imediato. — Claro que não! — Agora estava chateado, de forma fofa, mas chateado. — E-eu só nunca transei com um g-garoto. E eu já vi vários pornôs, mas ainda assim é estranho. Me sinto virgem. E você deve estar rindo de mim por estar tendo essa conversa contigo.

— Por que eu riria? —Sorriu. — Tá, eu não tô sorrindo de forma irônica. É só engraçado vê-lo todo vulnerável.

— Eu não quero deixar a desejar. — A honra masculina veio à tona. — Sabe...

— Eu sou seu namorado, Connor. A qualquer momento teríamos nossa primeira vez. E essa sua ereção, bem, eu venho notando há dias... Mas assim como você, eu estava inseguro em te falar que eu tenho vontade de ir além de beijos.

— Para de me olhar assim. Parece que me enxerga como um garoto virgem! — Evitou gritar, mas estava chateado. Fez bico.

— Você é lindo. — Ian disse, tentando confortá-lo.

— E-eu vou ter que dar a bunda? — Indagou, coçando a cabeça e mais constrangido ainda. —Não que eu veja isso como um problema. Mas é que eu sei que nas relações entre garotos há quem fica por cima e por baixo. Eu não sei o que seria para você.

— Você quer prosseguir? — Ian indagou, encarando-o.

Connor também o encarou. Ali na sua frente estava a coisa mais preciosa na sua vida. Até mais que seu vídeo game. Ian deixou claro que queria ir além. Por que negar?

Connor apenas afirmou.

Ian, logo após sua resposta, segurou a mão do namorado e juntos caminharam até o quarto de seus pais. Prova de que aqueles considerados certinhos demais tinham seu momento de rebeldia.

Com a porta trancada, ambos se encontravam no centro do quarto.

Um de frente para o outro. Olhares. Respirações. Sorrisos.

Ian então retirou sua camisa. Continuou parado encarando o maior à sua frente, que embora parecesse constrangido, permaneceu firme.

O menor então se aproximou do outro, segurou as mãos do namorado, colocando-as em sua cintura. Ian que tomou a atitude de beijá-lo. E claro, foi correspondido. Não foi um beijo intenso, foi algo suave, doce, típico daqueles dois.

Por poucos minutos eles permaneceram naquele beijo.

Ian saltou e foi pego no ar, envolveu suas pernas na cintura do outro. Connor caminhou até a cama e com delicadeza deitou o outro nela, subindo em cima dele logo em seguida. Continuaram com seus beijos. Os dedos de ambas as mãos se entrelaçaram, mas por poucos segundos. Ian se encarregou de retirar a camisa de Connor. Suas mãos tocaram a pele livre do outro, pressionando cada músculo.

Já menos constrangido, Connor retirou a bermuda que Ian usava, deixando-o apenas de cueca. Mas a veste permaneceu ali por apenas um minuto, pois o menor se encarregou de retirá-la. Já estava despido.

Durante todo o seu tempo na nova república, mesmo que sendo pouco, aquela foi a primeira vez que viu Ian pelado. Na posição em que estava, seus olhos percorriam cada detalhe daquele corpo, inclusive o sinal que ele tinha na coxa. Uma marca de família.

Ian tocou sua nuca, o puxando para um beijo. Connor sentiu a ereção de Ian tocar o seu abdômen. Porém, pouco se importou com isso, já estava entregue à sua primeira vez com um garoto. E melhor que isso, a sua primeira vez com o namorado.

Não que desvalorizasse o sexo com uma garota, mas sem dúvidas a tensão e excitação eram melhores com um garoto. Talvez, acabasse tendo a certeza absoluta de que realmente era gay depois disso. Se durante algum tempo existiu a dúvida de que era bissexual, isso iria acabar.

“Eu sou gay.” Pensou. “Eu sou apaixonado por um garoto.”

— No que está pensando? — Ian indagou, quando notou que o mesmo estava pensativo.

— No quanto você é importante para mim.

E dito isso, ele voltou a beijar Ian.

Dessa vez foi Ian que tomou o controle da situação. Jogou o namorado pra o lado e delicadamente retirou a bermuda e cueca do outro. Já havia visto Connor de toalha por diversas vezes, mas nunca despido. Connor estava deitado, encarando-o quando Ian também resolveu olhar cada detalhe daquele corpo. Duro ao extremo.

Ian sorriu libidinosamente, constrangendo ainda mais o outro. Tomou os lábios do namorado, ainda deitado ao seu lado. Sua mão foi até o membro de Connor, que suspirou com o toque delicado. Seu dedo sentiu o pré-gozo. Outro toque na parte sensível novamente fez Connor suspirar. Gemer levemente.

Ian beijou seu pescoço, tórax e abdômen. A mesma língua que passou por esses três lugares estava agora usufruindo do pedaço pulsante. O toque de lábios masculinos na glande o fez, por alguns segundos, tremer.

A dificuldade que tinha em fazer um oral em Connor era por culpa da circunferência. Connor não era alguém dotado, porém, o que tinha entre as pernas não era de se causar vergonha.

A língua passeava entre o falo e glande, alternando.

Era fofa a forma que Connor gemia. Seu corpo às vezes se movia pelo prazer que sentia. Ian novamente voltou pelo mesmo caminho, encontrando os lábios do namorado. Não há dúvidas de que Connor adoraria passar horas recebendo um oral do moreno.

— Sou eu agora? — Connor perguntou.

— Oi?

— Você sabe...

— É só ter cuidado com os dentes. — Ian disse, sorrindo.

Connor era realmente um bobo. Não havia como negar. Atrapalhou-se todo segurando o membro do namorado em sua mão. Finalmente tomou coragem e abocanhou de vez. O maior não teve a dificuldade que imaginou ter, principalmente quando a mão do outro segurou sua cabeça, guiando-o.

Ele literalmente imitou o que o namorado antes havia feito. E pela cara de prazer que Ian fazia, Connor passou no teste.

Eles estavam novamente aos beijos, quentes. Mordidas e apertos também faziam parte daquele momento. Ian, literalmente, comandou todos os movimentos do namorado.

Ian era 100% passivo. Sem sombra de dúvidas. Mas na cama estava agindo como um ativo, ou melhor, um passivo com atitude. Precisa mostrar ao namorado como era transar com um garoto.

Connor estava deitado, com o corpo entre as duas pernas de Ian, que estava de joelhos. O namorado apoiou uma das mãos no tórax do maior, e a outra segurou seu membro. Ele se preparava para o momento.

Connor, que antes estava preocupado em se seria o passivo ou o ativo da relação, agora tinha certeza, sua posição era a de ativo. Para ele, aquilo não era realmente um problema. Estando com Ian, ele faria o melhor para o namorado.

Delicadamente, Ian desceu sobre o membro do maior. Fechou seus olhos e respirou fundo. Connor o encarou, vendo-o descer cada vez mais. Porém, Ian fizera uma expressão um tanto desagradável quando sentiu a dor latejante.

— E-eu tô te machucando! — Connor disse, com as mãos pressionadas na cintura do menor. — É melhor pararmos, Ian! Sai! Não quero te machucar.

Ian simplesmente abriu os olhos, inclinou-se um pouco para beijar os lábios do namorado, e levou sua boca ao seu ouvido:

— Essa é a menor das dores que eu vou suportar por você. — Sussurrou. — Eu sou teu, Connor. Inteiramente teu. Agora você está em mim. Conectado.

O coração apaixonado de Connor era tão vulnerável, que por pouco ele não chorou. Ian beijou seus lábios e logo sentiu o primeiro movimento de Connor dentro dele. Outro. Mais um. Em questão de minutos, o maior beijava-o, enquanto o penetrava.

Eram movimentos leves e lentos, mas ainda assim carregados de prazer.

Ian gemia baixinho, no ouvido do namorado. Connor retribuía os gemidos com aquela voz rouca que ele tinha, a mesma voz que cantava.

Há quem preferisse fazer sexo sob a proteção da lua. Esses dois faziam sob a proteção do sol.

Na maioria das relações, o ativo é quem domina. Nesse caso, o passivo quem dominava.

Eles não trocavam provocações com olhares e palavras. Pelo contrário, eles sorriam sempre que seus olhos se encontravam.

Havia ternura. Paixão. Compreensão. Connor era um bobalhão. Ian era intelectual demais. Mas de certa forma eles se completavam. E na cama, eles tiveram a prova disso.

Dedos entrelaçados. Corpos suados. Gemidos. Suspiros. Lençóis molhados. Mordidas e beijos.

Era tudo intenso a medida deles, não era necessária agressividade, brutalidade. A delicadeza fazia parte daquele momento.

Ian saiu de cima daquele corpo, ficando ao lado do namorado. Connor ergueu a perna do outro e voltou a penetrá-lo. Os movimentos continuavam os mesmos, porém, Ian pedia por mais, muito mais, sendo correspondido com movimentos rápidos.

Compartilhavam de gemidos. Lindo era o modo com que eles sorriam um para o outro.

Connor, percebendo que estava chegando ao ápice, intensificou seus movimentos, começando a dar mais prazer ao outro, logo quando atingia a próstata do namorado. Ian foi o primeiro a chegar ao ápice, gemendo ainda baixo pelo prazer intenso.

Minutos se passaram e uma explosão de gemidos ecoou por todo o quarto quando o maior chegou ao seu ápice. Ian sorriu ao notar que conseguira causar tudo aquilo. Saiu do namorado, ficando de frente para ele. Connor ainda mantinha os olhos fechados e fazia a expressão de prazer.

— É melhor que vídeo game. —Ele disse, ofegante.

[...]

Era tudo tão nostálgico. Aqueles sorrisos, aquelas trocas de beijos. O carinho e o famoso cafuné. William e Octavio estavam deitados sob a mesma cama. O loiro sobre o moreno. Os olhos conectados, embora não falassem nada, os pensamentos também estavam conectados. Havia amor naquela relação.

— Colin não está chateado? — Octavio perguntou.

— Não sei. Ele diz não estar. Eu já disse que ele poderia dormir em sua cama, sem problemas. Você dormiria na minha e eu ficaria contente com o chão. — O loiro respondeu.

— O garoto é inteligente, William. Eu em seu lugar tomaria a mesma atitude. Porém, estou começando a ficar incomodado. Há dias ele não dorme aqui e opta pelo sofá da sala.

— Ontem eu o coloquei em sua cama. Colin é pequeno, leve.

— Eu vi. — Sorriu. — E é por isso que Colin tem a fama de ser seu protegido. Você o trata como um filho. Ainda tenho um pé atrás com ele, não nego. Principalmente quando vi o beijo que você deu nele. Ele certamente sabe disso, por isso temos dificuldade em socializar um com o outro.

— Eu só estava querendo fazer você provar da mesma dor que eu. Mas já passou. Não vou ser babaca em mentir para você. Mas no início eu achei que Colin seria a pessoa certa para que eu pudesse te esquecer. Achei até que conseguiria, mas no final, você sempre aparecia e trazia de volta as lembranças.

Octavio, embora considerando a sinceridade do namorado, não gostava da ideia de saber que William já se sentira atraído pelo menor.

— Eu entendo. — Foi só o que disse.

— Nós precisamos dar um jeito. Não há mais cama disponível na república. — O loiro comentou, não querendo mais tocar no assunto. – Ian comprou uma cama para dois, mas bem, aquilo lá é pra ele e o bobão do Connor. Aqui só há duas camas de solteiro, e três devem dormir no quarto.

— Eu poderia ir para a república do Sebastian. Certamente ele conseguiria um quarto para mim.

— Não! Não quero mais você longe de mim.

— A república é ao lado, William...

— Nem por isso. Eu quero você aqui, comigo, sem mais.

William levou a mão até a bochecha do moreno, aproximou seu lábio do outro e os uniu. Adorava aquela sensação, aquele beijo.

O momento foi interrompido quando ouviram um som não muito estranho invadir o quarto. Rick, quando animado com o dia, tinha mania de bater com a colher na panela: sinal de que a comida estava pronta e que todos deveriam estar presentes.

Um sorriu pra o outro e juntos se levantaram da cama.

— Amanhã os jogos começam. Você já se decidiu? —O loiro perguntou, enquanto vestia uma camiseta.

— Continuarei jogando pelos Tigres. E não faço isso pelo Sean, mas sim pelos outros. Eles confiam em mim e querem vencer isso.

— Vai mesmo tentar me vencer? — Passou os dedos entres os fios dourados.

Octavio tocou a cintura do outro, aproximou sua face da do namorado e disse:

— Eu não vou ter pena de você. — Murmurou, logo em seguida deu um breve beijo e desceram.

Na sala, Danion estava deitado no sofá, um tanto irritado.

— Quem era a garota que estava com você? — O loiro perguntou, assim que encontrou o branquelo.

— A Clara, uma amiga minha. Aquela vadia veio me visitar. E vocês, por que estão sorrindo? Deram uma rapidinha?

— Não Danion, e mesmo se déssemos, não teríamos que te contar. — Octavio respondeu, quase gargalhando.

— Inconveniente esse Danion, não? — Colin se juntou aos amigos. — Só fala merda. — Dito isso, sentou-se ao lado do branquelo.

— Por que você tem sempre que aparecer pra falar mal de mim? Caralho, garoto, me deixa em paz. — Disse, tacando uma almofada na face do outro.

— É melhor irmos comer antes que Rick apareça e nos surre com a panela. — Leo estava parado, encostado à parede do corredor.

Nesse exato momento, Ian abre a porta. Connor estava logo atrás dele, sorridente e vermelho. Sim, acabou passando dos limites e tomando muito sol. Mas seu dia valera à pena, afinal, teve a primeira vez com um garoto, ou melhor, com o namorado.

— Porra! —Danion disse, surpreendendo a todos. — O que deu em vocês hoje? Tá todo mundo sorrindo. Aposto que Will e Octavio transaram no quarto. Ian e o boboca voltaram de um motel. Colin e Leo?! —Parou para pensar, mas foi interrompido.

— Caine e Edgar formam um belo casal, não é gente? — Colin quis tentar atingir.

— Eles estão namorando? — William estava confuso.

— Quem é Edgar? — Ian perguntou. Ainda constrangido com a teoria do branquelo.

— O garoto finalmente desapegou dessa coisa? — Leo apontou.

— Não estão namorando. Mas eu os vi juntos hoje e foi tão bonitinho. Até que pareciam namorados.

— Até você, veado? — Danion perguntou, encarando Colin. — Até você está achando que eu sou apaixonado por ele e que devo sentir ciúmes disso? Ah, vai pra puta que te pariu, Colin. —Ele se levantou irritado, batendo pé e indo em direção à cozinha.

Todos riram.

Porém, deveriam entender o lado do branquelo. Ele realmente se conhecia. Dizia para si mesmo que não era um bom partido para ninguém. Conhecia seus limites, suas vontades e seus desejos. Certamente, fingir sentir amor por alguém seria seu maior erro. E, com Caine, seria tipo um assassinato. Sabe-se lá se ele não mataria o outro pela tamanha ilusão que causaria.

Outro motivo era jamais se dar a chance de gostar de alguém. Ele não podia, não queria e não deveria. O amor que ele deveria receber, por muito tempo não recebeu, e agora não dava mais espaço para isso.

Todos comiam e gargalhavam ao mesmo tempo. Danion era o causador das gargalhadas principalmente por estar irritado e todos o usarem como alvo pra piadinhas. Colin quem adorou o momento. Connor ria de tudo com facilidade, mesmo sendo alguém novo. Octavio também. Há um bom tempo a república dos leões não estava tão animada, só faltava Gaspar.

Gaspar...

[...]

— Conseguiu? — Colton perguntou.

Colton estava sentado em um banco de madeira, ao lado um poste de luz iluminava uma determinada área. À frente, carros passavam a todo o momento. Sempre quando ele queria, marcava um encontro ali. Enganava-se quem achava que Colton tinha um caso, na verdade, ele tinha alguns aliados: Gaspar Howell, leonino, era um.

— Eu poderia estar em um lugar melhor.

— Você já foi mais simpático, Gaspar. — Colton deu espaço para que o outro sentasse, e o mesmo assim o fez.

— Eu sou simpático. Mas não do jeito que você quer.

— Poxa, que desperdício... Um rapaz tão bonito. Não sei a graça de se deitar na cama com uma garota, eu sem dúvidas seria melhor que elas. E acredite, você não se arrependeria.

— Não ache que um dia eu vou para cama com você, Colton. Tenho certeza da minha sexualidade. Não sou o Sean, que você diz ter conseguido converter.

— Você sabe que isso é segredo, não sabe? — Indagou, quase o repreendendo pelo que disse. — Perguntei se você conseguiu a informação necessária. — Por fim disse, dando início à conversa que queria.

— Ainda não.

— Poxa, Gaspar, eu preciso que você agilize. Não é tão difícil roubar alguma informação do William.

— Não gosto dessa pressão, Colton. Você sabe muito bem porque resolvi te ajudar...

— Você está de saco cheio, assim como eu e vários outros. A minha parte eu já estou fazendo. Ninguém melhor que você para conseguir o que precisamos. William não é tão bom assim.

— Tenho quase certeza de que William sabe quem é o garoto daquela noite.

— E você precisa saber disso o quanto antes.

Gaspar se levantou, pôs as duas mãos no bolso da calça e olhou para os lados.

— Você é mais ator que eu, sabia?

— Não me compare a você, Colton. Já disse. Não estou fazendo isso por você. Só estou me aliando a pessoas fortes, e tenho que admitir isso. Mas, ainda assim, prefiro manter segredo.

— Minha boca é um túmulo.

Gaspar sorriu, sarcástico.

— Bem, isso é uma mentira. — Colton admitiu. — Mas seria engraçado se seus amigos leoninos soubessem a verdade e onde você passa a maior parte do tempo.

— Logo eles saberão. E isso não vai demorar. Ontem voltei para a república, mas não consigo permanecer lá. É totalmente diferente do local que prefiro. E parece que sou o único hétero naquele lugar. Não vai cair bem para minha reputação dentro da Quadra.

— E fora dela. — Colton completou.

Silêncio.

— Preciso voltar. Logo mais te dou notícias. Amanhã os jogos começam, e eu soube que mudaram alguma coisa. Não faço ideia do que seja.

— Antes ia ser realizado em um único dia, mas logo notaram a burrada que fizeram. Dizem que os jogos vão ser divididos em dois dias, no último, é claro, só os finalistas participam. E eu amo aquele jogo.

— Embora aliados, saiba que nos jogos eu vou esquecer isso. Não vou ter pena de você. Não vou ter pena dos Águias, não vou ter pena dos Tigres.

— E eu não costumo jogar limpo. —Sorriu, também se levantando do banco.

Não se passou em sua mente se despedir de Gaspar. Deu as costas e continuou a caminhar.

[...]

Enquanto nos Leões havia sorrisos, brincadeiras e festa. Na república à frente, a solidão, embora a achasse aconchegante, abraçou o líder dos Tigres. Sean estava sozinho, parado em sua janela observando a movimentação da república rival. Viu quando Octavio sorriu e sentiu um aperto no coração. Mas não podia fazer mais nada, errou e não voltaria atrás demonstrando arrependimento. Nunca, jamais pensaria em se ajoelhar para alguém. Chorar não era algo que iria acontecer.

Sean agora estava sozinho.

Notas finais
Bem, vamos explicar o motivo do atraso. Meu notebook está com o teclado quebrado, estou alternando entre copia e colar algumas letras e usando também o teclado virtual. Escrevi esse capítulo no notebook do meu irmão, e como ele não sabe da minha sexualidade, tive que fazer tudo cautelosamente para que ele não descobrisse que eu pegava o notebook dele. Eu só tinha no máximo duas horas para escrever cada cena. Mas finalmente concluí e estou feliz com o resultado. Olha, eu acabei de também resolver o problema da nota fiscal e em breve estarei com ela, assim espero e mandarei para a assistência técnica. Por enquanto terei que escrever o capítulo no notebook do meu irmão, então, infelizmente irei atrasar. Mas estou fazendo o possível e o impossível para manter RdL no ritmo. E ah, alguém aí odeia o Gaspar? Hehe. Por enquanto e infelizmente não poderei responder os comentários do capítulo passado estando com o teclado assim.