Notas iniciais
Esse é o meu jogo. (A música na cena de Connor e Ian é essa: https://www.youtube.com/watch?v=vxlZRrMzn6s)

Por um minuto ele não quis acreditar no que ouviu. Medo. Tal palavra ecoou milhares de vezes em sua mente. Na vida, costumamos ter medo do escuro, de palhaços e até da morte. Porém, ouvir alguém falar que sente medo de gostar de outro, quando este outro é você, era algo absurdamente assustador.

Colin não retirou os olhos do Sean, pelo contrário, se perdeu naquele breu em seu olhar. O moreno, por sua vez, permanecia inquieto, inseguro. Mas já era tarde demais, admitiu gostar do pequeno e não tinha mais volta. Ver o outro ficar em silêncio o irritou, como de costume, mas continuou parado, sem se mover, apenas batendo inquietamente o pé no acelerador.

— Você não vai falar nada? —Sean indagou, esperançoso.

Colin mantinha as suas orbes trêmulas. Tinha muito pra falar, mas as palavras pararam em sua garganta. Os lábios entreabertos deixando escapar o pouco ar que lhe restava, pois a qualquer momento ele acreditava morrer. Morte indolor.

— É, como eu suspeitava. Mas agora já fiz a merda e não posso consertar.

— É difícil acreditar nisso. — Colin finalmente falou, baixo.

— Imagina para mim. — E encostou sua cabeça no banco.

— Tá, daí agora você pisa no acelerador, me leva pra sua casa e vai querer transar comigo? — O pequeno se virou, ainda temendo acreditar nas palavras do moreno.

— Não seria uma má ideia.

— Era de se imaginar. Você não muda mesmo.

— Caralho! — Sean socou o volante, buzinando sem querer. Colin saltou do banco com o susto e encarou o moreno. — Será que não vai acreditar no que eu digo? Porra, estou gostando de você e isso tá me assustando.

— C-como você quer que eu acredite? V-você é tão fechado, tão misterioso, tão... Tão... Ai, Sean, eu não sei.

— Que merda eu fui me meter. Não sei pra que caralho eu abri essa maldita boca. Mas quem manda você ser assim? Quem manda me desafiar, me testar e me provocar? Você tá me deixando louco, Colin. Louco a ponto de querer te sequestrar, te prender em um quarto e te tomar para mim.

Parecia que seus pulmões iriam explodir. Colin estava sem acreditar em tudo que o outro dizia. Na verdade, parte de si acreditava em um por cento, porém, ainda assim eram muitas as dúvidas. E se Sean estivesse apenas testando-o?

— Eu queria ler sua mente, juro que queria Sean. Minha convivência contigo é tão conturbada que me assusta te encontrar assim.

— Então diz logo que não quer nada comigo, assim eu irei partir para outra. Sei que você é sincero, então diz logo a verdade.

Que resposta ele daria? Seria capaz de magoar Sean? Acabara de saber que Colton o decepcionara. Todos haviam dito que ambos eram tão parecidos por serem pequenos e de línguas afiadas. Mas onde estava a diferença?

— Tenho medo de que tudo isso seja brincadeira sua. Onde estão as câmeras? Você vai querer me ridicularizar na frente do pessoal da Quadra? E se você e Colton ainda estiverem juntos? Você tá com raiva porque William conseguiu tomar o Connor de você. Daí você vai querer me ver assumindo algo, filmar e mostrar para ele que traí minha república.

— Certo, Colin. Chega. Eu juro que tentei. Você já deixou claro que não sente a mesma coisa por mim. Não serei idiota de permanecer me encontrando com você. — Sean jogou as chaves do carro nas pernas do pequeno. — Não esqueça e trancá-lo.

O moreno nem sequer esperou o outro falar e saiu do carro. Colin imediatamente tomou a mesma atitude e gritou pelo nome do outro:

— Sean! — Ele se virou. — Aonde pensa que vai?

— Pra minha casa.

— E vai me deixar aqui sozinho? Eu não conheço a cidade como você.

— Cara, acabei de tomar um “chega pra lá” seu, não vou agir naturalmente, te levando para casa e sendo uma boa pessoa. Tenho meu orgulho.

Sean novamente deu as costas para o pequeno, este por sua vez correu e segurou o braço do outro, impedindo-o de prosseguir.

— Eu não vou sem você. — Disse, firme.

— É dinheiro pra táxi que você quer?

— Não. Claro que não.

— E o que você quer então? Rir de mim e me achar um babaca por admitir estar gostando de você?

— Eu quero você.

O silêncio. Os olhos de ambos pareceram brilhar, embora o sol estivesse refletindo nos olhos do menor que era obrigado a olhar alguns centímetros acima para as pérolas negras acima.

— Seja menos dramático, por favor. Até não te reconheço dessa forma. Agora, já que você não pode me beijar aqui, poderíamos ir a outro lugar, não acha?

Sean continuou encarando-o por um minuto. Colin o olhou confuso.

— O que foi agora? Você é dramático sim.

— Agora quem me assusta é você. — Sorriu de lado, charmoso. — Me passa as chaves.

Colin o olhou com suspeita. Sean sorriu e rapidamente caminhou de volta para o carro.

— Desgraçado! — O socou, assim que se aproximaram do carro. —Você disse que não tinha mais combustível.

— Eu só precisava de coragem e uma desculpa. Você acreditou. — O moreno foi o primeiro a entrar no carro.

— Então tudo isso é encenação? — Colin indagou assim que entrou no carro.

— Você me seguiu na escola, me seguiu até o estacionamento e me seguiu agora quando fingi ir embora. Acabei com sua máscara. Você também está louco por mim, Colin.

— M-mentira!

— Então me diz se é mentira depois disso.

Sean, diferente das outras vezes, não foi tão bruto. Sua mão cravou na nuca do pequeno e este rapidamente levou seus olhos à imensidão negra. O castanho no negro mais uma vez se encontrou, a mistura disso? Bem: o beijo.

Se o carro tivesse vida, ele com certeza estaria chorando ao assistir aquela cena. Um beijo sem briga, sem farpas e mágoas. Um beijo quente, mas carregado de carinho. Os vidros negros impediam de serem vistos aos beijos, mas eles estavam tão atentos à situação que qualquer que olhasse não faria mal algum.

Colin em certo momento teve que pausar o beijo pra recuperar o ar perdido. Sean tinha fôlego pra dias, pois não deixava esse se afastar. Colin sorriu quando sentiu os dentes do outro cravarem em seu lábio inferior, voltando para o beijo logo em seguida.

— E-eu não vou transar com você aqui, Sean. — Colin disse, entre os beijos.

Sean parou, olhou para o menor e sorriu.

— Sério que você tá me pedindo sexo?

Colin o encarou, levantou uma sobrancelha como se estivesse perguntando: “Não é isso que você quer?”.

— Tem certeza disso? — Indagou o moreno.

— Para de agir como alguém gentil, pois sei que você também quer isso.

O velho sorriso do moreno voltou. Aquilo aquecia o coração de Colin, que adorava apreciar aquilo.

Um novo beijo teve início antes do moreno pisar no acelerador sem olhar para frente. Colin desfez o beijo temendo causar um acidente. Não demorou muito para que chegassem até a casa do Sean.

Assim que Colin colocou os pés dentro da casa, Sean o puxou e o roubou um beijo, lançando-o contra a porta que acabara de fechar. O menor ofegou e cravou seus dedos na nuca do maior, já que teve sua perna erguida pela mão áspera do moreno.

Sean novamente mordeu seu lábio, arrancando mais um suspiro do menor. As mãos apertavam sua coxa, e isso roubava-lhe mais suspiros.

Colin brincou com a língua do outro e se afastou correndo pela sala, mas o moreno foi rápido e o prendeu pela cintura, puxando o corpo do outro para si. Colin logo sentiu o membro rígido de Sean na calça encostar-se a suas nádegas, teve seu pescoço tomado pela boca do outro e arqueou as costas.

Ficaram naquela mesma posição por segundos. Se tinha algo que Colin gostava no moreno era a sua pegada. A maneira bruta, máscula e sem o menor pudor. Quente como sempre foi. Sean era grande em todos os sentidos. Colin pequeno. Dizem que o leão é o rei da selva. Mas dentro dessa casa o tigre mostrava-lhe quem era que tinha a coroa.

— Já disse que você me deixa louco? — Murmurou em seu ouvido.

Até mesmo a voz do moreno era algo quente, atraente e extremamente sedutor. Sean mais uma vez apertou o corpo do pequeno, fazendo-o sentir novamente seu membro encostar as nádegas.

O celular de Colin tocou.

Todo o clima foi quebrado quando ele retirou o celular do bolso e a foto do William foi a primeira coisa que viu. O semblante do moreno rapidamente mudou e ele largou o pequeno.

— Oi, Will. —Colin disse assim que atendeu enquanto olhava para Sean, um tanto ofegante.

— Onde você está? Cara, estou te esperando há mais de uma hora. Esqueceu que temos que ir ao supermercado?

— Perdão. E-eu havia esquecido.

— Onde você está? Rick e eu estamos indo onde você estiver.

— Onde eu estou? E-eu... Eu estou na biblioteca da universidade. Mas não precisam me procurar. Em meia hora eu chego.

— Não precisa, nós iremos aí.

— William, não! E-eu disse que estou voltando, não disse? E o supermercado é 24hrs. Eu me dei mal no teste passado e resolvi estudar mais um pouco. Não vou gostar de que vocês me atrapalhem. Em meia hora eu prometo chegar na república, tá bom?

— Espero que você chegue em meia hora. Tô começando a achar que você tá me escondendo alguma coisa. —William disse, finalizando a ligação logo em seguida.

Colin rapidamente colocou o celular no bolso e encarou Sean, que evitou olhar pra ele.

— Eu morro de medo de você dirigindo. Mas se quer o meu bem, por favor, volta pra universidade urgente! O mais rápido que você já dirigiu.

— Desde quando eu quero o seu bem?

— Não é tempo pra provocação. Eu prometo te recompensar depois.

— Recompensas...

— Vai logo, Sean!

E o moreno apenas sorriu.

— Sacrificar sexo por causa do babaca do meu irmão. Mas tudo bem. Vai ter que fazer valer a pena depois.

Sean passou as mãos por seus fios negros tentando arrumá-los, enquanto Colin apenas cuidou das roupas amassadas. Logo estavam no carro. Sean era um perigo no trânsito, e agora, dirigindo nessa velocidade o coração do pequeno por pouco não parou.

[...]

Leo caminhava com sua mochila nas costas enquanto comia uma barra de cereal. Aquilo jamais seria suficiente para sua fome. Meteu a mão em seus bolsos puxando de lá alguns trocados. O suficiente para algum hambúrguer da lanchonete.

O leonino, antes de entrar, olhou para ver se tinha alguma mesa vazia e por sorte a lanchonete não estava tão movimentada. Mas assim que entrou, preferiu sentar no balcão.

— Gostaria de pedir alguma coisa, senhor? — Uma voz um tanto familiar chamou sua atenção e ele foi obrigado a se virar.

Encontrar Santiago em pé foi uma surpresa. Ele sabia que o garoto trabalhava na lanchonete agora, mas ainda não tinha encontrado esse em horário de trabalho. O ex-leonino ficou constrangido e irritado ao mesmo tempo. A caneta em sua mão tremeu. Leo não quis demonstrar surpresa, e permaneceu quieto.

— Ah, Leo. — Disse, num murmúrio.

— Oi, Santiago.

— Como vai? — Perguntou.

— Acredito que bem. E você? Soube de tudo desde a última reunião. É verdade o que disseram?

— É. Mas enfim, tô pagando pelo que fiz. Não gosto de tocar nesse assunto. O que você vai pedir?

— Um hambúrguer, mas não pra comer aqui. — Leo disse, enquanto o outro anotava. — Vejamos onde você parou, não é?

— Vai mesmo querer resumir minha historia, Leonard? Já sei de tudo e não quero que joguem na minha cara as coisas que fiz.

— Perdão. É só que... Cara, olha no que você se tornou, Santiago. Você era feliz conosco. E hoje tá aqui servindo a quem tanto criticou.

— Você não deveria estar com o Danion? Ambos não se desgrudam.

— O Danion tá diferente, não sei o que tá acontecendo. Mas não é dele que estamos falando. Apesar de todas as brigas e problemas que você já trouxe, eu ainda gosto de você. Da casa, você era tão próximo de mim que deixou saudades.

— Mas eu tive meus motivos pra sair de lá e não me arrependo.

— Querer roubar o posto do William? Bem, esse foi o motivo mais estúpido de todos. E olha que foi nesse mesmo lugar que você resolveu dar a notícia de que sairia da nossa república. — Leo olhou ao redor. — É tudo tão estranho. Você mudou, Santiago. Antes você era tão... tão... Olha só esse cabelo grande, essa barba crescendo, os olhos fundos e o semblante de derrota.

— Seu pedido é o 241, Leo. Tome aqui sua ficha. — Santiago entregou para o menor.

— Eu posso te ajudar a sair disso. Sei que lugar na nossa república você não mais terá. Não por enquanto, mas me diz o que você ganha servindo ao Sean? Eu sei que tem dedo dele nesse meio. Sei que você não aceitaria tão fácil trabalhar nessa lanchonete.

— Leo, eu não tenho a vida que você tem, tá bom? Sei que sou um desgraçado por ter feito mal a vocês. Porém, as coisas aconteceram e eu não posso voltar no tempo. E, se pudesse, eu não escolheria me juntar a nenhuma dessas repúblicas. Nem mesmo escolheria Seattle para isso.

Leonard viu quando o novo Tigre estava caminhando para atender mais uma mesa. Seu coração sentiu a dor do outro. Fazer algo para ajudá-lo... Era esse seu próximo plano.

[...]

— Ian! Ian! Ian! —Connor chamava enquanto caminhava pela casa.

O novo leonino caminhava pela casa apenas usando bermuda branca e sandálias da mesma cor. Ele segurava nas mãos algumas folhas de papel ofício; eram partituras de alguma música.

Ian tinha acabado de sair do banheiro, estava escovando os dentes e tendo dificuldades para falar.

O ex-tigre o abraçou por trás, beijando-lhe a nuca. Ian ficou estático, apenas ajeitou seus óculos, afastando-se.

— Encontrei a partitura que eu queria! —Ele disse, ainda sorrindo.

Ian ainda estava impossibilitado de responder e rapidamente voltou ao banheiro, lavando sua boca por inteiro.

— Partitura? — Indagou, enxugando a face.

— Sim. Partitura. Você é tão inteligente e não sabe o que é isso? — Connor perguntou, coçando a cabeça.

— Eu sei que são partituras, mas... Você sabe ler partituras?

— Claro que eu sei, Ian. E-eu sou burro, mas não tanto assim, tá? — Connor envolveu seu braço nos ombros do outro, enquanto caminhavam pelo corredor em direção ao quarto. — Lá nos Tigres eu não podia fazer nada porque reclamavam do barulho.

Connor abriu a porta e Ian entrou, acabou encontrando um teclado ao lado da sua cama. Tomou um susto de imediato. Encarou o outro por alguns segundos tentando buscar respostas para aquilo tudo.

— Não é só de vídeo game que você vive?

— Eu sou apaixonado por música. M-mas há tempos eu não podia cantar ou tocar na república, como já disse. Até acabei esquecendo que tinha um teclado. Inclusive, tá cheio de poeira.

— E-e o que você quer que eu faça exatamente?

— Sente-se e me escute.

— Espero que me surpreenda.

Connor apenas mostrou o seu belo sorriso e caminhou até a cama, tropeçando no curto caminho, mas se recompondo ao se sentar.

Pôs as partituras no lugar indicado e encarou Ian por cerca de um minuto, deixando o moreno sem graça. Voltou seus olhos à partitura e seus dedos então pressionaram as teclas.

No início, Ian ficou um tanto confuso pela escolha da música. Ele até pensou que era algo relacionado a vídeo game. Logo, tudo mudou e ele estava perdido na voz. Voz áspera, voz rouca. Era incrível saber que Connor tinha aquele timbre escondido dentro de si. Voz aveludada. Era suave, era leve, era bom de ouvir. O refrão era semelhante à perfeição.

In my recovery

Na minha recuperação

I'm a soldier at war

Sou um soldado na guerra

I have broken down walls

Derrubei muros

I defined, I designed

Eu defini, eu projetei

My recovery

Minha recuperação

In the salt of the sea

No sal do mar

In the oceans of me

Nos meus oceanos

I defined, I designed

Eu defini, eu projetei

My recovery

Minha recuperação

A expressão, o dedilhar... Tudo parecia em sincronia. Era tudo tão perfeito. Connor literalmente se transformou em outro alguém. Aos olhos de qualquer outro, seria considerado um ídolo. A perfeição estava logo em sua frente. Cantando. Tocando.

Keep soaring

Continue subindo

Keep song-writing

Continue compondo

My recovery

Minha recuperação

Mesmo após o canto ter fim, Connor parecia continuar improvisando na melodia. Dessa vez, abriu seus olhos e sorriu para Ian, que se segurou para não beijá-lo naquele momento. Maldito coração sem comando, cheio de desejo... E segredos.

No final, Connor até se levantou e como um bobo fez o gesto simples de um fim de apresentação.

Ian sorriu, até mesmo aplaudiu. Seu corpo agiu sem seu consentimento, e ele correu e pulou sobre o outro, abraçando-o. Um abraço aconchegante... para ambos.

Connor quando retirou sua face do pescoço do menor, sentiu o mesmo nervosismo. Encontrar os olhos de Ian e lábios há centímetros dos seus, era como ter uma fatia de torta de chocolate à sua frente enquanto estava de dieta.

— O-onde você ouviu essa música? E-ela é linda. —Ian disse, afastando-se, sem jeito pela proximidade.

— Eu a ouvi na rádio tem uns meses. É linda, não é? Pena que eu não consigo entendê-la. As vezes acho que ela fala de vídeo game, outra hora acho que fala de soldado. Que seja, ainda acho que trata-se de vídeo game. — Falava como se estivesse conversando sozinho.

— Sim. É linda. — Ian disse entre sorrisos. — Quem sabe no futuro você saiba o que ela significa.

— Quem sabe um dia você possa cantar pra pessoa que você tá gostando, não é?

Ouvir Connor falar aquilo acabou desfazendo o seu sorriso. Se o bobão soubesse toda a verdade, tudo seria tão mais fácil. Seu sorriso agora já não tinha mais vida e voltou a se sentar nas almofadas no tapete.

Connor, por sua vez, disse aquilo na tentativa de ser um bom amigo, que estivesse apoiando e ajudando-o a conquistar aquele que Ian estava gostando.

— É, quem sabe um dia eu possa cantar... — Falou, sem jeito.

— Vocês dois tem conversado ultimamente? Ela é bonita? Ela gosta de vídeo games?

“Ela.”

Ian levou seus olhos ao vídeo game e não notou quando Connor sentou-se ao seu lado. Seu cheiro. “Como é bom.” Pensou.

— Tenho conversado tanto com ela que até esqueci como é conversar com outras pessoas.

— Então é ela? — Connor perguntou, novamente coçando a cabeça, sem graça. — Por um momento eu cheguei a pensar que era um garoto.

Ian rapidamente olhou para o maior ao seu lado, assustado.

— Ela te faz bem? — Ele perguntou, encarando-o.

— S-se faz? — Ian afirmou — Me faz tão bem que eu até mudei meus hábitos. Eu durmo pensando nela, acordo pensando nela. — As memórias de ver Connor dormindo como uma criança surgiram em sua mente e Ian sorriu — Até já briguei por causa dela. Não sei quanto tempo ela irá demorar pra notar que eu estou super interessado. Toda vez que estou perto dela, Connor, eu não tiro os olhos de sua boca.

Connor sentia ciúmes daquilo que não era seu. O coração apertava a cada palavra. Fingir que estava feliz pelo outro era algo árduo. Ter que ouvi-lo elogiando e revelando os sentimentos e sensações incomodava-o muito. Mas o que lhe restou foi sorrir.

— Do que você tem medo exatamente?

— Ela parece deixar claro que de não se importa com meus sentimentos. E bem, acho que ela não gosta de mim. Eu não sou o típico garoto forte, com a melhor voz do mundo e nem com ar de bad boy. Sou pequeno, ando todo arrumadinho, quase sempre estou com óculos. E tenho medo de receber um não.

— Por que você receberia um não? E-esse seu jeito intelectual de ser é algo que chama atenção. E bem, se ela te conhece como eu conheço, talvez não vá se arrepender. Cara, você joga vídeo game! Tem noção de como isso é importante? É a maior prova de amor que você pode dar a ela.

Quando o corpo treme não há como ter controle. Ian apenas se levantou, assustado com tanta aproximação. Connor tomou a mesma atitude, porém, segurou o menor pela cintura quando o amigo tropeçou em uma almofada.

Novamente a mesma aproximação. Rostos próximos, respirações misturadas.

— A-acho que estou passando mal novamente. — Connor disse.

— A mesma coisa daquele dia?

— S-sim.

— Certo.

Foi só o que Ian disse antes de tomar a atitude de mergulhar naqueles lábios que imploravam pelos seus. Connor arregalou os olhos com o contato, mas quando sentiu a língua invadir a sua boca, cedeu. E cedeu da melhor maneira possível: correspondendo. Fechou seus olhos e com o braço envolveu a cintura do menor, enquanto a outra mão foi delicadamente até a sua nuca, perdendo-se nos cabelos. Ian retirou seus óculos, facilitando o encontro de línguas.

Cada pessoa tem um tipo de beijo diferente, pelo menos é assim que Ian pensava. Porém, Connor era esplêndido naquilo que fazia. Não era à toa que sua boca era uma das mais bonitas da Quadra. O que o ex-tigre tinha de idiotice, tinha de beijo bom.

Não houve pausas. Era um beijo seguido. Corações aquecidos. Era algo bom, magnífico. O peito de ambos estava aquecido. Era a realização de um desejo que surgiu desde o primeiro momento em que aqueles olhos se cruzaram de verdade.

— Ian, você vai ficar em... — William abriu a porta do quarto, interrompendo a frase ao presenciar a cena.

O loiro assustou os dois garotos que desfizeram o beijo às pressas. William não soube mais o que falar. Ficou parado como estátua na soleira da porta, sem esboçar reação. Seus olhos perdiam-se entre um e outro, tentando a todo custo digerir o que via.

— Ah, eh... Nós... O-oi Will. — Ian disse, sem jeito.

— E-estou atrapalhando?

Ian estava tão vermelho que não conseguia raciocinar. Olhava para Connor e William ao mesmo tempo. Quis enfiar sua cabeça embaixo do travesseiro e nunca mais retirá-la de lá. O loiro, por sua vez, também se sentiu constrangido. Nunca pensou em flagrar Ian aos beijos com alguém. Nem sequer sabia que este era interessado em garotos.

Connor não sabia o que falar. Coçava a cabeça a cada dois segundos, franzindo o cenho e olhando para os lados.

— E-eu só ia dizer pra você ficar de olho na república. Irei ao supermercado com o Rick e Colin.

— V-você veio buscar o dinheiro? — Ian disse, caminhando rapidamente até a sua carteira que se encontrava jogada em cima da cama. Retirou a quantia reservada e temeu se aproximar de William, mas tomou a coragem.

— Sim.

— Tá aqui. —Disse, entregando-lhe.

O loiro nem conseguiu sorrir e agradecer. Olhou mais uma vez para Connor e deu as costas, e Ian o chamou:

— Por favor, não fala nada pra ninguém não.

O loiro se virou, deu o melhor sorriso para o leonino e fechou a porta.

Ian permaneceu parado, apenas olhando para a porta fechada. Não tinha coragem de olhar pra trás. Caminhou até sua cama e sentou-se, jogando todo o peso nela. Suspirou e fitou a luminária no teto. Connor continuou parado, coçando a cabeça e encarando-o.

— D-esculpe, isso não deveria ter acontecido. — O moreno disse.

O novo leonino permanecia de pé. Sua mente trabalhava, mas ele ainda não conseguia entender o que acontecera.

— Eu tô confuso! — Connor falou, com uma voz de bebê. — Você não está gostando de uma garota, por que me beijou então? Você me falou tanto dela, que nossa... Ela é babaca, burrinha, que não nota que você está interessado, que te faz se sentir bem, que mudou teus hábitos. E que... Espera! —Ele então coçou a testa, parecendo descobrir algo — Essa, o-ou melhor, esse sou eu?

Ian afirmou, sem medo.

— Que droga, Ian! Assim não vale! — Cruzou seus braços, deixando o semblante de gente furiosa aparecer em sua face, porém, aquilo o tornou fofo. — E-eu estava aqui acreditando que você realmente estava apaixonado por outro alguém.

— E eu deveria estar. Mas aí você aparece e muda tudo. Nem mesmo eu entendo como consigo gostar tanto de você.

— Você não entende? Como você não entende? Você é inteligente, tem que entender!

— Tem certas coisas que é difícil entender, Connor.

— Mas você é inteligente, certo? —Ele realmente perguntou isso.

— Não sei. Você me acha inteligente? Mas quem se importa? Não é disso que estamos falando. E-eu realmente devo me desculpar por ter te beijado. Sabe, eu gosto de você, Connor. Gosto dessa maneira boba que você leva a vida.

— Eu realmente sou um burro! Esse tempo todo eu acreditei que você gostava de outra pessoa.

Ian sorriu, apesar de que não fosse o momento certo.

— Irei te deixar sozinho. Eu sei que pisei na bola. Por favor, n-não fique chateado comigo. Eu o beijei, mas juro que isso não mais acontecerá.

— Claro que não vai me deixar sozinho. — Connor se manifestou. — Você me beija, admite gostar de mim e simplesmente quer ir embora?

— V-você não está irritado?

— Eu deveria estar. É que... É que... Você dizia gostar de outra pessoa e esses dias todos achei que você iria me trocar. — Connor sentou-se entre as almofadas, com as pernas cruzadas. — Era triste, tá? Fiquei pensando quem iria jogar vídeo game comigo caso você namorasse.

— E-eu tentei te falar, até dei dicas, mas você é tão burrinho que não notou. — Ian se levantou, aproximando-se do maior que estava sentado. Se colocou de joelhos, segurando a cabeça do outro. — Você é burrinho, Connor. Mas é isso que te faz bonito, é esse o teu charme. Sorrir mesmo sem entender. Querer o bem até a quem te fez mal.

— Até você me chamando de burro? — Connor fixou seus olhos aos dele.

Ian sorriu, por vê-lo irritadiço.

— Eu gosto de você, seu besta. Gosto de tudo que você é. E você? Gosta de mim?

A melhor resposta foi a atitude de puxar aquele corpo e encaixá-lo entre suas pernas. Sorriu encarando aquele corpo colado ao seu, e admirou os lábios entreabertos de Ian pela surpresa. O beijo novamente aconteceu. Dessa vez, sem sustos. Era um beijo com vontade.

[...]

Era o primeiro dia dos jogos da Quadra. Na verdade, não exatamente. Era apenas a seleção para saber quais times iriam se enfrentar. Todos os times já estavam decididos. Eram seis por república. Duas tiveram que se unir, pois a quantidade de membros era inferior. Há os que preferiram combinar a cor da camisa, outros nem se importavam com isso. Os leoninos foram os últimos a chegarem ao ginásio, isso porque teve uma briga feia entre Danion e Colin que se negaram a trabalhar em equipe logo em seguida.

Naquela manhã, Sebastian e Lydia esperavam todos no ginásio da Quadra. Caine estava sentado na arquibancada, sozinho.

Ele e Sebastian não trocavam mais palavras. O mais novo dos Luduzi não retirava os olhos do irmão, que caminhava de um lado para o outro conversando com pessoas ao redor. Lydia resolveu se aproximar do pequeno, sentando-se ao seu lado.

— Ele não conversa com você? Não pensa em me desculpar? — O menor perguntou, ainda tendo esperanças de que sua relação com Sebastian voltasse ao normal.

— Ele só está chateado. Até eu ficaria se ouvisse aquilo de você... Eu me surpreendi. Porém, entendo sua raiva.

— Juro que não falei aquilo propositalmente. É que vê-lo socar o Danion me irritou de uma maneira que não me reconheci. Ele havia feito uma promessa e quebrá-la dessa forma também me magoou.

— Depois da seleção, tente conversar com ele mais uma vez. Eu vou dar um jeito de convencê-lo a te ouvir.

— Gente, essa seleção começa quando? Me acordaram cedo em plena manhã de sábado. Não aguento mais um minuto em pé. — Colton surgiu logo atrás deles, sentando-se. Edgar estava ao seu lado.

— Larga de ser fresco. Eu vou ser a única garota a participar dos jogos e não estou reclamando. — Lydia disse.

— Espero que você mostre sua força. Não vou querer perder e ser humilhado. Juro que se me colocarem pra limpar chão, vou acabar com a vida do infeliz que provocar. E eu não estou confiando no nosso time.

Nos águias, Sebastian, Lydia, Caine, Colton, Edgar e Fernando eram os representantes dos Águias. Edgar não queria ser selecionado, mas pelo seu físico, acharam uma boa escolha chamar o garoto, ele com certeza ajudaria.

Os tigres usavam camisas pretas, ao contrário dos leões, que preferiram o branco. Os Águias, por sua vez, resolveram customizar uma camisa pondo o nome da república. A única a fazer isso.

Danion, William, Colin, Ian, Connor e Gaspar faziam parte do time oficial, com direito a mudanças, pois estes não confiavam no último citado, já que costumava sumir. Leo e Rick odiavam participar dos jogos.

Octavio, Sean, Adrian, Santiago, Nicholas e Ethan eram os tigres. Todos altos e fortes, com certeza uma ameaça.

— Quem são os juízes? — Colton perguntou.

— Aquelas três garotas ali, uma de cada república menor. Sebastian, William e Octavio resolveram e as selecionaram. Como elas não estavam nos jogos do ano passado, seria fácil tê-las julgando. A morena é recém-chegada.

Sentadas, as garotas apenas separavam caixas de presente em uma mesa longa. Uma em cada cor. A loira era encarregada de colocar o nome de cada time e em seguida deixá-la sobre a mesa. Outra depositava um pequeno pedaço de papel, fechando-a. E outra apenas lia algo para elas.

— Atenção! — A loira, disse, dirigindo-se ao centro do ginásio, formando um círculo de pessoas ao redor. — Talvez seja estranho para vocês me verem aqui substituindo Sebastian e Lydia, mas vou alertá-los de que serei rígida e não cometerei injustiças. Me chamo Elizabeth, tenho noção das regras dos jogos e de como as coisas irão funcionar.

— Minha filha, você vai discursar? Estou com sono e quero logo participar da seleção. — Colton interrompeu, fazendo a garota afastar o microfone.

— Colton, cala a boca! — Lydia apertou seu braço.

— Eu hein. Isso nunca começa.

— Por um acaso é você quem está na organização, Colton? Se sim, pega o microfone e agiliza. Se não, cala a merda dessa boca que é meu primeiro ano nos jogos e eu quero ouvir o que ela tem a dizer.

Colin, que estava há dois metros do garoto, disse. Silenciando a todos.

— Quem falou contigo, cosplay de demônio? Você também não está na organização, e pelo que sei, nunca estará. Então não me mande calar a boca, caso contrário eu te faço quebrar a perna no primeiro jogo.

— Não tenho medo de você, idiota. Vou adorar desfazer esse seu sorriso quando mandar você limpar o chão que eu pisar.

— Te farei se ajoelhar e me chamar de mestre. — Colton se abanou com uma folha de papel.

Quando Colin pensou em responder, Ian calou sua boca com um dedo e sorriu, pedindo paciência. Até que a garota conseguiu falar a respeito dos jogos, agora constrangida.

Finalmente tudo foi dito pela mulher, logo, cada time participante recebeu as caixas, mas não podiam abrir até o momento em que ela avisasse. Anunciou que o time deveria andar junto, e não era permitida a separação.

Quando isso aconteceu, William rasgou a caixa, deixando cair um pedaço de papel no chão. Colin e Connor abaixaram ao mesmo tempo e ambas as cabeças se encontraram causando dor.

“Eu sou a atração. Chamo a atenção. Basta me procurar e de longe irá avistar.”

Era isso que estava escrito no pequeno pedaço de papel que Colin leu em voz alta. Todos trocaram olhares, ninguém sequer entendera aquilo.

— Que merda significa isso? —O branquelo indagou.

— Por que rimaram a frase? — Ian também perguntou.

— Gente! Pensa. Sem perguntas, apenas pensa. —Gaspar falou.

— A única atração que existe sou eu, e sim, eu vivo chamando a atenção. —Danion fez uma piada.

—Danion, se você não quiser ajudar, avise que Leo entra em seu lugar. Rimou, tá vendo? — Colin provocou.

— Ai garoto, espero que um pau do tamanho de uma torre te rasgue todo. — Retrucou.

— Não sou eu quem tem essa pose de marrento e vive dando a bunda branca por aí.

— Colin, vai tomar no cu.

— Torre! — Ian disse, interrompendo — É isso. A Torre, gente.

— Que torre? A que o Colin vai sentar? —Connor indagou, bobo.

— Não! A Torre é a atração.

— Mas caralho, aquilo fica à uma hora da Quadra. Ninguém aqui tem carro. — O branquelo disse. — Eu tenho a moto, mas o time tem que estar junto.

— Eu consigo um carro facilmente. —Connor finalmente disse algo útil.

— Não há mais tempo de ficar aqui. Os times já começaram a agir. Connor, com quem você irá conseguir o carro? —Ian perguntou, encarando o maior, arrastando-o para a saída.

— Um amigo meu, ele trabalha na lanchonete.

— Ele não irá participar dos jogos?

— Não. Pelo menos até onde eu sei, não. — Coçou a cabeça.

— Vá buscar esse carro agora! —Colin disse. —Consiga-o.

— Tudo bem! Tudo bem! — Disse, com medo e correndo em direção à lanchonete.

Os demais integrantes do time foram logo atrás. Connor realmente conseguiu o carro. Ian foi ao seu lado, enquanto Colin, William e Gaspar foram no banco traseiro e Danion em sua moto. Colin nunca sentiu tanta vontade de ganhar em toda sua vida, principalmente após a breve discussão com Colton, que o tirou do sério.

William estava tão concentrado que pouco falava. Gaspar era o único descontraído, colocando até o braço fora da janela e mostrando o dedo do meio para Danion.

Quando chegaram às redondezas da torre, o time de Sean já estava de saída do lugar, o que causou mais raiva aos leoninos, pois o moreno sorriu ao encontrá-los atrasados. Gaspar foi correndo até uma garota que segurava outra caixa em sua mão, voltou para os amigos já lendo o que tinha escrito.

“Acho que exagerei no sal. O que iremos fazer com esses peixes?”

— Que porra de enigma é esse? — Gaspar indagou, confuso. — Esse pessoal tá nos chamando de retardados? Cadê o Rick nessas horas pra facilitar nossa vida com essa coisa de comida?

— Mar! — Colin disse. — Tem praia por aqui?!

— Eu ia dizer isso agora. — William sorriu. — A praia. Vamos à praia.

Dito isso, os leoninos voltaram aos automóveis e partiram rumo à praia. Houve uma curta discussão entre Gaspar e Colin, pois um dizia acreditar que deveriam ir a algum restaurante pois o enigma falava de comida e não de mar. Mas Colin e William continuavam insistindo no que antes acharam ser.

Connor era diferente de Danion que dirigia de acordo com sua loucura. O novo leonino era educado e atencioso, parando em todos os sinais vermelhos que surgiam. Colin o insultou, assustando-o. Mas isso não mudou. Tinha tirado sua carteira recentemente e não queria perder alguns pontos.

Logo quando chegaram à praia, dessa vez, o time de Sean parecia quebrar a cabeça tentando resolver o enigma, enquanto Colin corria para buscar sua caixa, a única que sobrou.

“Eu acabo com sua vida. Te deixo sem dormir por noites, te faço meu escravo. Mas você jamais irá pensar em me abandonar.”

— Amor? —William perguntou.

— Isso parece até frase dita por Colton. — Danion disse. —Mas o que é que acaba com minha vida? Alguém tem noção disso?

— Essa pra mim tá fácil. E eu acho que a resposta seja a universidade. — Gaspar falou, usando o sorriso de malandro. — Me sinto um escravo daquele lugar.

Todos olharam assustados para o que Gaspar dizia, mas fazia sentindo. Juntos saíram deixando os Tigres para trás. E Colin adorou sorrir para o moreno que o fuzilou.

Mais uma hora de trânsito até voltarem à universidade. Agora, o difícil era encontrar caixas no lugar, pois pelo que parecia, não havia nada disso. Colin e Gaspar mais uma vez discutiram, pois o menor achou que sua resposta estivesse errada e por causa disso eles perderiam e não seriam selecionados. Sean e seu time apareceram no lugar, o que só piorou a situação, pois cada time caminhava pelo estacionamento do local em busca de alguma informação.

Ambos os times se espalharam ainda tentando encontrar algo. Subiam e desciam escadas, até que o loiro avistou uma garota dentro de uma sala, ela segurava outra caixa.

— Finalmente alguém me encontrou. Já estava cansada de ficar presa nessa sala. Pode abrir a caixa.

O loiro rapidamente fez isso, porém, dentro não havia o pedaço de papel que ele jurava encontrar.

— O que significa isso? — O loiro perguntou.

— Lindo, não? Um pato de borracha azul.

— Sim, garota. O que significa isso? O que eu tenho que fazer com isso?

— Ah sim. Então, você terá que encontrar mais cinco patos iguais a esse, dentro de cada pato contém cinco peças de quebra cabeça, ao total, trinta. O time só poderá juntar as peças quando chegarem novamente ao ginásio.

— Só isso?

— Só. Porém, caso você encontre patos de borracha em outra cor, poderá escondê-los onde quiser, contanto que seja em salas na universidade. Todos os patos estarão dentro de alguma sala da universidade.

— E se alguém trapacear?

— Há justiça dentro da Quadra? — Ela sorriu.

William revirou os olhos e saiu correndo, quase caindo ao chão quando seu corpo se encontrou com o de Colin. Juntos se reergueram, respirando fundo.

— Precisamos encontrar mais cinco desses. —Apontou mostrando o objeto.

— Um pato azul? Cara, tô achando tudo muito idiota isso.

— Até que tá divertido. E isso é apenas a seleção, Colin, nos jogos que as coisas irão realmente esquentar.

— E depois que encontrarmos o pato, o que faremos?

— Temos que montar o quebra cabeça dentro dele.

— Não tem dicas?

— Estão espalhados dentro das salas. Eu vou tentar procurar o Ian e mandá-lo esperar na saída da universidade. Assim que encontrarmos algum pato, levamos até a ele. Isso ajudará a sabermos quantos encontramos.

Era um diálogo rápido. Colin captou a informação e saiu correndo novamente. Apesar de realmente idiota, era algo divertido. Já estavam nessa dinâmica por cerca de duas horas, tentando resolver o enigma, que para Ian, era o melhor. Porém, dessa vez, o jogo era eliminatório e apenas os cinco times mais rápidos teriam o direito de permanecer.

Colin estava podre de suor, cansado. Desde que isso começou, ele não parou um minuto pra descansar. O primeiro pato que encontrou estava dentro de sua sala, o que foi uma sorte grande.

Connor encontrou um pato nas proximidades da escada. Mas o idiota estava tão confuso que acreditou ser alguma espécie de brincadeira, já que segundo William todos os patos deveriam estar dentro de salas.

— Encontrou algum? — Gaspar perguntou, assim que saiu de uma sala.

— Mas ele estava na escada.

— Que seja! Vai correndo encontrar o Ian. Manda ele me ligar caso tenha encontrado todos. Eu vou continuar procurando.

Até o momento, haviam encontrado apenas três patos. O time de Sean estava muito a frente. O moreno tinha encontrado cinco patos pretos e faltava apenas um. Colin soube disso quando encontrou o moreno no corredor e trocaram provocações.

Danion quem estava com o pato preto. E somente quando encontrou o pato azul, o branquelo o deixou jogado no gramado de entrada. Pouco se importando com qual time que deveria encontrar aquilo.

Agora, eram quatro patos para os leoninos e apenas um para os Tigres.

Mas o moreno não desistia. Continuava a entrar de sala em sala, acabou encontrando Adrian em um corredor. E juntos trancaram um garoto do time adversário que acabara de encontrar um pato.

Quando Connor voltou a procurar os patos, acabou encontrando o que Danion jogou no gramado. O leonino ficou olhando para o objeto distraído. Ele não era uma má pessoa, mas também não era tão idiota assim. Mas a tentativa falha de esconder o pato do time adversário falhou, pois Sean acabou tomando-o de suas mãos rapidamente, deixando-o sem reação e com sentimento de culpa.

O último pato dos tigres fora encontrado. Eles saíram cantando vitória quando encontrou Ian parado na saída. Connor realmente era um bobinho.

William permaneceu no andar de cima, encontrando atrás da porta outro pato da sua cor. Desceu as escadas correndo e topando com Ian na saída. Os leoninos até sorriram quando se encontraram, mas infelizmente faltava um pato. O loiro não tinha mais disposição para subir e descer escadas, estava tão cansado fisicamente que chegou a sentar no chão para descansar.

Para a felicidade do time, Gaspar saiu da universidade gritando dizendo que encontrara mais um. Seu grito foi tão alto, que Colin acabou escutando no corredor que estava, e para conferir, foi até a saída.

Agora só Danion e Connor estavam dentro da universidade procurando os patos que não mais existiam. Rapidamente William retirou o celular do bolso e ligou para o branquelo que não demorou a atender. Connor tomou um susto quando o branquelo o encontrou no corredor e juntos saíram às pressas da universidade.

Todos os seis juntos corriam pelas ruas da Quadra de volta ao ginásio. Ao chegarem, a loira mostrou-lhe a mesa e eles rasgaram todos os patos de borracha retirando as peças de quebra cabeça. O que resultou em mais dez minutos tentando montá-lo. Colin encaixou a última peça, e juntos gritaram.

— Eis o último time a participar dos Jogos da Quadra. — Ela disse, sorridente.

Todos os leoninos sentaram-se no chão, ofegantes. Quando Sean resolveu abusar da provocação.

— Os últimos novamente? Tão previsível. Como foi encontrar o pato nas proximidades da escadaria?

Resolveram ignorar a provocação do outro. William foi o primeiro a se afastar, procurando água para beber. Ian e Connor foram para a arquibancada, enquanto Danion conversava com Leo.

William estava sozinho na área dos bebedouros. Encostou-se à parede e ficou olhando todos os outros distantes. Seu tempo ali dentro iria acabar em breve. Iria ser difícil abandonar a Quadra. Porém, achava necessário. Ao mesmo tempo se via longe e formado, com o futuro garantido.

Sorriu quando um garoto da república menor o cumprimentou. E sentiu a tristeza dos outros times que apareceram achando que seriam selecionados. Como a garota mesmo disse: não há justiça dentro da Quadra. E isso não valia apenas para os jogos, mas desde que chegara ao lugar, fora acometido por injustiças tamanhas.

— Iremos nos enfrentar novamente. —Octavio, seu eterno companheiro, apareceu ao lado.

William olhou para lado, encontrando o moreno. Era esse quem o fazia realmente feliz, apesar de todas as mágoas. Ultimamente acabara deixando de lado o orgulho e tentava aos poucos ser feliz. Embora ainda se sentisse traído, pois Sean e Octavio permaneciam com a mesma amizade de sempre.

— Mas a diferença está na vitória do meu time.

— É o que veremos. — Sorriu, aproximando-se.

— Tão lindos! — Colton, que tinha acabado de aparecer pra beber água disse.

Octavio e ele não se entendiam mais, principalmente após o menor cometer as traições.

— Não vem com falsidade, garoto.

— Falsidade? Eu?! Poxa, Octavio, assim você me ofende.

— Não briguem, por favor. — O loiro interrompeu.

— Não estou brigando, William. Só não gosto desse garoto.

— Hoje não gosta, mas antes vivia me procurando pra pedir ajuda pra reconquistar o Will, não é? Tão estúpido.

— Colton, é melhor você ir embora.

— É isso mesmo, vai embora garoto. Larga de ser idiota que você não é bem vindo.

— Octavio, porque tanto ódio de mim?

— Devo mesmo citar o que você aprontou com Sean?

— E o que ele aprontou com você, não conta? — O menor o fuzilou, sorridente. Algo a esconder.

— O Sean e eu somos melhores amigos, brigamos às vezes, mas sei que ele não teria coragem de fazer algo tão sério contra mim.

— Lembra quando eu disse que conhecia o moreno melhor que você? Eu estava certíssimo quanto a isso.

— Não conhece. Eu cresci com ele, sei quem é meu amigo, Colton. E não adianta tentar se aproximar dele mais uma vez, isso não vai acontecer.

— William já superou a traição? — O pequeno indagou, parecendo estar pronto para tocar no assunto que doía.

— Superei. — Resolveu responder, tentando amenizar a situação.

— Está vendo aí? — Octavio sorriu, agora era ele quem se sentia superior a Colton.

— Que bom. Anos para que vocês pudessem ficar juntos, não é?

— Colton, vai embora.

— Eu irei, Octavio. Mas os jogos finalmente começaram, e os meus também.

— E o que você tá querendo dizer com isso? Perguntou.

— Sean e você nunca transaram.

— C-como?! —William quase cuspiu.

— É exatamente isso. Sean e Octavio nunca — deu ênfase — transaram. O plano do seu melhor amigo deu certo. Anos separados por uma mentira.

Um mundo caiu.

Notas finais
Gente, eu não ia postar o capítulo agora por dois motivos: Não respondi reviews e tá tarde, eu acho. Porém, tem gente pedindo e eu sou fraco quando meus leitores vem com carinho pedindo, ok? *chorando* Tá aí meus amores, espero que gostem e durante o dia eu responderei os reviews do capítulo passado. E ah, os jogos de Colton começaram. Hehe. Não odeiem o Sean... Ou odeiem, vocês quem sabe.