República de Leões
21 Capítulo 21
Notas iniciais
[flashback]
Tais corpos estavam ligados sobre aquela cama. Os braços do moreno presos por uma fita presa, enquanto as pernas só permaneceram livres para que ele pudesse se movimentar dentro daquele corpo pequeno sobre si.
Colton dava leves tapas na face de Sean, enquanto sentia todo o prazer. Montado no moreno, o menor se divertia enquanto via o outro impossibilitado de tomar atitudes. Mas este parecia não reclamar disso, até sorria quando encontrava o sorriso do outro.
O mais novo Tigre saiu de cima do Sean e jogou o preservativo longe, abocanhando de vez aquele falo pulsando que há minutos estava dentro de si. Sean se contorceu pelo prazer, o que excitou ainda mais o pequeno, que brincou com a língua em sua glande. Levou uma mão ao saco do moreno, acariciando-o enquanto ainda chupava-o.
A língua do Colton era tão experiente que ele faria qualquer hétero se converter caso este deixasse ser chupado por ele.
Ver Sean morder os lábios e fechar os olhos sentindo prazer era mais excitante que o sexo. Logo o moreno derramou todo o sêmen em seu tórax para a alegria de Colton que conseguiu fazer o outro ir ao ápice e espalhar gemidos por todo o quarto.
Sean só teve as mãos soltas depois que Colton deu-lhe um beijo quente e duradouro. O moreno se levantou da cama totalmente exausto, exibindo a perfeição que era seu corpo nu para Colton, que permanecia deitado mordendo a fita preta.
— O quarto tá cheirando a sexo. — Disse o pequeno, satisfeito.
— É isso que temos feito nas últimas 24hrs.
— É a terceira vez hoje, não é?
— Se ficar aqui no quarto por mais uma hora, tenho certeza que faremos a quarta vez. Agora eu preciso tomar um banho.
— Eu quero tomar banho com você. — Colton se levantou, animado. Porém, o braço de Sean o impediu de avançar.
— Quero tomar banho sozinho, Colton. — Disse, seco como sempre foi, entrando no banheiro logo em seguida.
Sean tomou seu banho totalmente feliz. Era legal estar na presença de Colton. Há um dia admitira amar o pequeno e desde então estavam comemorando com muito sexo. Não conseguia retirar da face o sorriso bobo de quem era apaixonado.
Saiu do banheiro usando apenas uma cueca, enquanto Colton esperava-o. O menor tomou a toalha para si, deu um beijo em Sean e adentrou o banheiro.
O moreno jogou-se na cama e abraçou o travesseiro, fitando o teto por vários minutos até que ouviu alguém bater à porta. Levantou-se irritado por estarem interrompendo-o, coisa que ele sempre detestou. Mas ao abrir a porta encontrou Octavio em prantos abraçando-o.
Não conseguiu perguntar o que havia acontecido, pois o amigo realmente estava mal além de alcoolizado, o que foi o mais surpreendente. Afinal, bebida e Octavio eram algo que não combinava. Arrastou o outro para sua cama e o abraçou, esperando este se acalmar para que pudesse lhe perguntar o que havia acontecido, mas não foi necessário:
— O William! O William é um idiota! Ele é um idiota, Sean. Um imbecil, desgraçado, inútil! Eu o odeio! O Odeio! — Dizia, ainda chorando.
Sean revirou os olhos.
— O que ele fez? —Perguntou.
— Acabou comigo! Ele acabou comigo, Sean. E-eu não sei mais o que fazer.
Sean não quis admitir. Mas estava feliz com o que ouvia.
— Ele me disse que iria ficar com outro na festa, que me odiava. Daí quando eu também falei coisas rebatendo a ameaça, ele simplesmente resolveu acabar tudo! Tudo!
— Calma, Calma! — Confortou o amigo em um abraço. — Logo tudo se conserta, tenha calma. Você parece bêbado.
— Eu bebi! Bebi pra tentar esquecer que ele realmente acabou comigo. Eu o procurei depois e não o encontrei. Eu não quero terminar, Sean. Eu amo o William. Fala com ele, por favor. Fala com ele!
— Falar com ele? Você tá louco, Octavio? — “A bebida” Pensou. — Amanhã ele vem te pedir perdão e vocês voltarão ao normal.
— Ele falou sério, Sean. Eu nunca o vi daquele jeito. Eu quero o William! —Dizia, chorando.
Sean, lembrando que há poucos minutos havia transado com Colton, retirou o lençol de sua cama e deitou Octavio sobre seu tórax, confortando o amigo, passando o dedo em seus fios escuros para que ele se sentisse relaxado. Mas Octavio apenas chorava sem cessar.
— Sempre vamos ser nós dois, Octavio. Sempre. Foi nossa promessa, lembra?
— E-eu sei, mas eu amo o William, Sean.
— E eu te amo. Meu amor é superior ao dele, o seu também deveria ser.
Octavio limpou o nariz, evitando prosseguir a conversa. Se acomodou no corpo do outro, entrelaçando seus dedos e fechando seus olhos. Sean, na ausência de William, era seu porto seguro dentro da Quadra.
Sean resolveu permanecer em silêncio, apenas sentindo as lágrimas do outro molharem seu tórax. Colton apareceu na porta do banheiro, mas Sean fez sinal para que este permanecesse em silêncio. O menor revirou os olhos não gostando nada daquela cena, afinal, Octavio estava deitado sobre o corpo do seu namorado.
Logo, a respiração de Octavio tornou-se leve, e seus dedos, que antes pressionavam a mão de Sean, agora perderam a força. O amigo dormiu. Bêbado e chorão. Idiota para Sean.
Sean retirou o travesseiro de sua cabeça e o pôs delicadamente abaixo da cabeça do Octavio, tentando não acordá-lo. Levantou-se com delicadeza e encolheu o braço do outro. Sim, Sean tinha mania de beijar a testa do amigo quando este dormia primeiro enquanto estava triste e foi exatamente isso que ele fez.
— Ridículo! — Colton murmurou.
— É costume. Eu só tenho Octavio aqui na Quadra. Nossa amizade é de pai e filho, filho e pai.
— Ontem você disse que me amava, esqueceu, idiota? — Colton indagou, chateado.
— Sim, t-tem você agora.
— Que seja. Onde diabos eu vou dormir agora se ele ocupou a cama? E eu não tô gostando dessa amizade de vocês, antes que me pergunte.
— Daremos um jeito, Colton. No momento tenho que ficar aqui de olho. Vai que ele acorde e cometa alguma loucura porque William terminou com ele? Octavio é perdidamente apaixonado pelo meu irmão.
— Quer pôr um fim nessa relação de uma vez por todas?
— Você não acha que eu já tentei? Vivo dizendo que William é uma péssima pessoa. Já até fiz eles brigarem, mas nada adianta. Eles sempre voltam.
— Mas o olhando assim, bêbado, eu tive uma ideia. — Sorriu.
— Você é perverso, Colton. Muito perverso. — Também sorriu, apenas esperando o que o outro tinha a falar.
Mas Colton preferiu fazer a falar. Aproximou-se do corpo do Octavio e o cutucou: ele não se mexeu. Cutucou mais uma vez e o outro parecia estar duro como pedra. Olhou para Sean e disse:
— Vai ser mais fácil do que eu pensava. Agora me ajuda aqui, idiota.
Sean atendeu ao pedido mesmo sem entender o que iria acontecer. Primeiro Colton precisou de ajuda para que Sean erguesse um pouco Octavio enquanto retirava sua camisa. Logo partiram para os sapatos, calças e cueca. Pronto, Octavio estava totalmente despido.
Colton não escondeu o sorriso que se formou e o tesão que lhe subiu ao ver o outro pelado deitado. “Octavio parece ser bom, se ele não usa isso no Will quero que use em mim.” Pensou.
— Vai ficar olhando pro pau dele agora? — O moreno indagou, raivoso.
— Aposto que William é o passivo da relação depois do que estou vendo. Seria um absurdo desperdiçar uma beleza dessas.
Sean revirou os olhos e se afastou, mas Colton puxou o outro pela cintura, que facilmente cedeu aos seus beijos.
— Vai ser difícil pra mim, mas você terá que dormir com Octavio. E você também precisa estar pelado.
Sean entendeu perfeitamente o recado. Sean não tinha bondade no coração quando se tratava de William. Isso não existia para com ele. Se assim fosse, seria considerado o maior filho da puta. Era por isso que amava Colton, este era igual a ele.
Mas logo sentiu um aperto no coração. No final, a quem estaria fazendo mal? Ao William, ou ao seu melhor amigo?
— Não acho que seja uma boa ideia. — Falou, arrependendo-se por um momento.
— Vai amarelar agora? Você não quer que ele e William tenham um fim definitivo?
— Octavio não vai acreditar tão fácil assim. É melhor desistirmos disso, Colton.
— Porra, Sean. Assim você me broxa. Não é você o Sean que vive de quebrar corações? Por que tá desistindo agora? Você odeia o William. Odeia o seu irmão. Mais do que tudo o quer longe do seu melhor amigo.
Pensou. Bem, pensar era a sua única alternativa naquele momento. Mas se havia uma verdade naquilo que Colton tinha dito, essa verdade era querer William longe do seu melhor amigo.
— Certo.
Dito isso, ele retirou sua cueca, deitou ao lado de Octavio e ficou parado, sem se mover. Encostar-se ao amigo enquanto estavam despidos não era uma sensação legal. Ele se sentia como alguém cometendo incesto. Embora eles já houvessem ficado pelados um para o outro sem o menor problema.
— É assim que você acha que vai fazê-lo acreditar que vocês transaram? Por favor, Sean! Será que eu vou ter que ir no seu lugar? Vou adorar hein.
— Vai tomar no cu.
— Acabei de fazer isso há meia hora, esqueceu? —Brincou. — Tá, continuando. Preciso que você monte no Octavio só para batermos uma foto.
— Como?!
— Vai ser uma prova. Uma prova de que isso realmente aconteceu.
Sean suspirou, mas aceitou a ordem.
Ele apenas afastou as pernas de Octavio e se posicionou entre elas, fingindo a típica posição “papai e mamãe” que todos conhecem. Não havia penetração, na verdade, era tudo encenação. Colton fez com que as mãos de Octavio repousassem sobre as costas de Sean, enquanto o moreno e líder fingia morder o seu pescoço.
O clique perfeito.
— Pronto. Agora você só precisa dormir abraçado a ele. Eu irei dormir na sala. Quando acordar, você terá que falar o que aconteceu e, se ele duvidar, mostre a foto que tirei do seu celular. —Disse, jogando o aparelho para o moreno.
— Tem certeza que é uma boa ideia?
— Você tem alguma melhor?
— Eu não quero perder meu melhor amigo, Colton.
— Só perderá se ele descobrir que isso foi encenação. E porra, para de falar alto que assim você o acorda. Amanhã eu te recompensarei por ser tão malvado. Meia hora de oral, se quiser...
— Você não presta! —Sorriu, acomodando-se ao lado de Octavio.
— Somos iguais, Sean... Extremamente iguais quando se trata da infelicidade alheia.
[final do flashback]
Naquele momento, Colton estava erguendo sua coroa. Agora, ninguém mais o derrubaria. Conseguira derrubar o leonino, agora, derrubou o tigre. Prazer na desgraça dos outros, isso é normal? Aquele sorriso permanecia em sua face, como se concluísse uma etapa de algum projeto seu. Os olhos de serpente. Era baixinho, mas grande na ousadia.
— Eu não acredito em você. — Octavio falou, tentando ao máximo não dar ouvidos ao outros.
— Bem, isso é uma escolha sua, até porque...
— Eu não acredito em você! — Octavio interrompeu. — Para de colocar mentiras em minha cabeça.
— Colton, você tá brincando com coisa séria. —William advertiu.
— Tenho noção disso, Will. Mas como seu amigo — William não acreditava na palavra — achei melhor te avisar sobre isso.
— Como você tem tanta certeza disso? —Perguntou o loiro.
— Eu estava lá no dia. Dia esse que foi muito bom por sinal, mas que teve que ser interrompido quando esse aí chegou aos prantos no quarto.
— Mentira! —Octavio ainda duvidava. Respirava fundo, tentando se acalmar. Sua mente estava bem longe dali: Sean.
— Mentira?! — Colton se virou. — Olha sua cara de preocupação. Você nem sequer se lembra da noite em que foi pra cama com Sean. Estava bêbado, acabado e em lágrimas. Chorando como uma criança quando tomou um fora do Will.
O loiro olhou para o moreno. Viu as lágrimas dançarem naqueles orbes. Octavio estava realmente começando a acreditar no que ouvia.
— Estou mentindo, Octavio?
— Você não tem provas. Sean nunca faria algo do tipo.
— Então por que duvida? Porra! Você é burro demais pra não notar a fotografia? Com certeza alguém teria que estar no quarto pra tirar a foto naquele ângulo.
A fotografia. O suficiente.
— Realmente foi você. — As lágrimas desceram. — Você e ele combinaram tudo. — Os lábios foram molhados. — Como vocês puderam? Como puderam me enganar por todo esse tempo? Fazendo-me acreditar que traí William.
— A ideia não foi minha! — Tentou se defender, mentindo. — Você estava lá dormindo como pedra. Sean queria te separar de Will e aquela era a única oportunidade que ele tinha. Fingir transar contigo. Fazer você quebrar de vez o coração do seu namorado.
— Para! — Octavio levou suas mãos aos ouvidos. — Eu não quero mais ouvir isso!
— Eu disse que o conhecia melhor que você, Octavio.
— Por que, Colton? Por que fazer isso comigo?!
— Essa pergunta não deve ser feita a mim, Octavio. Sean quem quis assim.
Octavio permaneceu parado. Sua mente fora invadida e quebrada, pedaços daquela noite passavam como filme aos seus olhos. A fotografia. Sentiu-se tão idiota por não suspeitar disso àquele dia, e só agora tudo fazia sentido. Ele não se lembrava de nada, mas decidiu acreditar nas palavras do seu melhor amigo.
— William. — O moreno murmurou.
Quando olhou, o loiro já não estava mais ali.
William corria. Corria como um verdadeiro leão caçando. Não tinha tempo pra pensar. O ódiofalava mais alto. Atravessou alguns garotos, empurrando-os. Passou por Colin que gritou seu nome, mas preferiu não dar ouvidos. O seu alvo estava de costas, parado e olhando a faixa negra presa no teto do ginásio.
— Sean! —O loiro gritou.
Sean só teve tempo de se virar para ver quem o chamava. Um único soco foi capaz de derrubar o Tigre.
Todos, absolutamente todos, pararam para ver o que acontecera.
Um moreno caído e um loiro de pé, extremamente furioso.
Sean franziu o cenho, tentando entender o porquê daquilo. Mas perguntar não era opção. William novamente partiu pra cima, chutando em cheio o estômago do moreno, fazendo-o se contorcer.
— Porra! — Sean murmurou, sem fôlego.
— Levanta, caralho! — William gritou.
Mas Sean ainda estava sem entender tudo que acontecia.
— Will? — Colin indagou, aproximando-se. Ele não reconhecia o loiro.
Sean tomou tempo para se levantar, mas William novamente avançou, investindo socos contra o corpo do moreno que se defendia com os braços.
— William! — Octavio gritou, tentando interferir. Mas a multidão não o deixava atravessar.
Ouvir a voz de Octavio acabou atrapalhando-o, dando tempo para que Sean pudesse investir um soco forte em seu estômago, seguido de outro em seu resto. O loiro cambaleou, e o moreno aproveitou para saltar e chutá-lo. William caiu nos braços de dois garotos e encarou o irmão de pé, limpando a camisa.
Seu ódio aumentou quando Sean agora sorria, como se tivesse invertido a situação. William se colocou de pé e novamente avançou contra o outro. Sean teve o azar de não conseguir se defender. O loiro o ergueu e o lançou contra a mesa, derrubando tudo que tinha em cima e fazendo algumas garotas gritarem em desespero. William não queria apenas bater em seu irmão, ia além disso: ele queria matá-lo.
A primeira cadeira que encontrou teria servido de arma. Quando o loiro tentou acertá-lo em cheio, Sean rolou para o lado, fazendo o objeto se quebrar. O moreno saltou da mesa realmente assustado.
William gritou, um som semelhante ao rugido de um animal feroz. O típico leão. O rei da selva, ou melhor, o verdadeiro rei da Quadra Nove.
Absolutamente ninguém conseguia interferir naquela briga. Nem mesmo Colin que tinha o poder de controlar os dois, embora não soubesse, estava conseguindo chamar a atenção do loiro.
Sean mordeu o lábio, sugando o próprio sangue, e em seguida cuspiu.
“Certo, é briga que você quer, é briga que vai ter.” Pensou o moreno, dessa vez tomando a atitude de partir pra cima.
Um salto seguido de um chute, logo usando o cotovelo na cintura do irmão, fazendo esse ficar atordoado pela dor e cambalear. Dois socos depositados no tórax do loiro, e um único no rosto. Infelizmente não parou por aí. Sean conseguiu derrubar o irmão no chão, depositando vários chutes no corpo do caído. William provou da dor.
Leões demoram a matar suas vítimas, já os Tigres são objetivos, rápidos e inteligentes.
Há quem diga que em uma briga entre essas duas feras, venceria quem tivesse sorte. Um é acostumado a caçar em bando, até brincando com sua vítima se assim preferir. O outro é rápido e de instinto assassino, além de solitário. Um ataca cegamente, o outro sabe perfeitamente onde deve atacar. O leão tem a juba. O tigre a habilidade.
William, mesmo sentido as dores, segurou o pé do seu irmão, derrubando-o. Teve tempo para usar o cotovelo e acertar em cheio o tórax do outro, fazendo o moreno engasgar. O loiro novamente ergueu Sean e o arrastou até a parede, jogando o irmão contra a mesma.
— Você não vai fazer nada? —Lydia perguntou para Sebastian.
— O que eu farei? Eu sei como o William é quando se encontra assim, não há quem consiga segurá-lo.
— Interfere! —Implorou.
— Lydia, cá pra nós, Sean merece uma surra. Se William está desse jeito, é porque ele tem motivos para isso.
— Pelo amor de Deus, Seb! Um vai acabar matando o outro.
Sean, exausto, conseguiu se levantar. Os cabelos colados em sua testa, o rosto ensanguentado, o corpo suado. Ofegava enquanto encarava o irmão de pé, na mesma situação. Enxergou Colin ao fundo, aflito e desesperado para que eles parassem com a briga. Por algum motivo pensou: “No final, Colin quem irá cuidar do William.”
Os dois irmãos, que sempre foram acostumados a trocar farpas, dessa vez preferiram o silêncio e o uso dos punhos. William não iria parar. Sean, embora mais machucado, não iria desistir.
Sean não queria ser aquele quem perderia a briga para a pessoa que mais odiava na Quadra. Ele também gritou. Rugiu.
Quando William avançou, ele se abaixou — inteligente — usando do ombro para afastá-lo e também lançá-lo contra a parede. William conseguiu encontrar o rosto do moreno e socá-lo, mas em seguida também recebeu um soco. Logo, Sean tomou mais um soco, seguido de outro no tórax e um último no nariz.
— Chega! — Gritou Colin, que mesmo pequeno conseguiu interromper a confusão. Tanto desejou ver Sean apanhando e agora não conseguia mais assistir àquilo.
Antes, ele temia interferir na briga e acabar se machucando, além de que o círculo formado o impedia de avançar. Mas agora, vendo que Sean certamente perderia essa briga, o coração pareceu alertar do perigo e seu corpo, embora sem seu comando, parou entre os dois.
William estava tão cego pelo ódio que, mesmo com o irmão ensanguentado e completamente exausto, tentou avançar no moreno, e foi aí que Sebastian e Octavio conseguiram segurá-lo.
— Vocês querem se matar?! — Colin gritou! — Vocês são malucos?!
— Por que você tem que atrapalhar tudo? — Colton disse, chateado.
— Tem dedo seu nesse meio, não é? Eu tenho certeza!
— Verdades. Eu vivo de verdades.
— Pois você vai ver a minha verdade na sua cara!
Colin, também cego, avançou contra Colton. O membro dos águias era tão bom de briga que deu apenas um passo para o lado, fazendo o adversário acertar o vento.
Quando o leonino mais uma vez tentou fazer isso, Ian, Connor e Danion conseguiram segurá-lo.
— Eu vou quebrar dente por dente seu, maldito! — Colin gritou.
— Acha que consegue?
— Colin, dessa vez o negócio é sério. Temos que ir embora daqui, o William tá ferido. —Ian falou.
E então, o pequeno lembrou-se da briga de minutos atrás.
De um lado estava Sean, mancando apoiado no corpo de Santiago. Do outro, William sendo segurado por Octavio e Sebastian. O loiro continuava a gritar e insultar o irmão. O moreno apenas o encarava.
Sean já tinha os olhos desafiadores, naturalmente negros. Mas agora tudo estava tão intenso que Colin se sentiu intimidado pelo que via.
“Vá embora” Colin disse, embora não usasse voz, apenas os lábios.
Ele não estava expulsando Sean. Mas seria muito melhor se o moreno ficasse longe dali. Queria mais do que tudo estar cuidando dele agora, estar no lugar de Santiago, mas fazer isso, nesse momento, acabaria trazendo mais confusão ao lugar.
Toda a Quadra estava ciente da maior briga do ano. E talvez, a mais esperada por eles. A qual William certamente venceu.
Colin deu as costas ao moreno e encontrou William, sentando em uma cadeira enquanto Sebastian e Octavio o seguravam. Ele realmente estava furioso. O pequeno caminhou, parando à sua frente.
— Eu vou matá-lo! —William dizia as palavras, ainda se debatendo.
— Não vai matar ninguém. — Colin disse. — O que deu em você, Will? Você acha que é bonito o que fez aqui no ginásio? Olhe ao seu redor e veja quantos estão te observando.
— Não me importo com isso. Eu só quero matá-lo. Eu quero fazê-lo provar da dor. Dor que nem se compara ao que passei durante todo esse tempo.
— William, olha pra mim! — Colin segurou em seu queixo. — Eu não sei o que aconteceu. Mas você não é assim, entenda! Sean vive fazendo merda, mas você quase o matou aqui e todos assistiram isso. — O pequeno se virou para todos. — O que vocês estão fazendo aqui ainda? O show acabou. Voltem para suas repúblicas.
— Eu gostei da briga. Sean mereceu a surra. —Danion comentou.
— Vai tomar no cu, Danion. — Colin então se virou para ele. — Gostou? Quer que eu te bata então?
— Por que está tão nervoso? Não era você quem vivia desejando que Sean tomasse uma surra? —O branquelo indagou.
— E ainda continuo desejando. Mas eles dois são irmãos. Eu sei que Sean é um babaca, imbecil e estúpido. Porém, William estava quase o matando e todos, absolutamente todos, assistiam aquilo. Por muitas vezes eu tentei interferir e não me deixavam. Até o Sebastian, — se virou para o ruivo — que sempre foi aquele que demonstrava ser mais sensato, assistia de braços cruzados. Assim como vocês, eu odeio o Sean, mas não acho certo fazerem disso um show enquanto assistem de camarote.
Colin sabia perfeitamente por que dizia essas palavras. Sean com certeza acabou tomando parte dos seus sentimentos.
— Tá mais nervoso que o Will.
— E daí se eu estiver? — Desafiou.
— Eu vou ter que conversar com o Sean. — Octavio disse.
E então, o loiro parou de se debater. Encarou o moreno ao lado.
— Você sabe que eu preciso. —Disse, dando fim ao papo e afastando-se de todos.
[...]
Octavio estava parado em frente à porta do quarto de Sean. Repousou uma mão na soleira, enxugou as lágrimas e respirou fundo. Decepção misturada à raiva. O coração pesava. A cabeça doía. Ele poderia esperar qualquer tipo de coisa de outros, mas do seu melhor amigo, nunca passou pela sua cabeça. Sean era alguém difícil, ele sabia disso. O moreno costumava causar problemas e decepções a outros, mas jamais pensou que o melhor amigo o decepcionaria.
Abriu a porta.
Sean estava sentado numa cadeira, com os cotovelos repousados em suas coxas e de cabeça baixa. O moreno ergueu a cabeça até encontrá-lo.
— Finalmente. Achei que iria ficar ao lado dele. — Falou convicto de que estava tudo bem entre eles.
— Antes que ache, eu não irei cuidar de você. — Disse.
— Como não? Você é o médico da... — Foi interrompido.
— Cala a boca! —Deu ênfase. — Mentiroso!
— O quê? — O moreno o olhou, confuso.
— Por que Sean? Por que mentir durante todo esse tempo fazendo-me acreditar que traí o William? — Indagou, de pé, distante do outro.
Dizem que quando nos pegam no flagra, por um segundo, nosso coração para. Talvez tenha sido isso que Sean sentiu. E não foi apenas o seu coração que parou, mas sim todos os seus sentidos. Não conseguiu sequer pensar em alguma resposta. As pálpebras tremiam, e seus lábios não estavam diferentes.
— Então é verdade, não é? — A confirmação doeu mais ainda.
— Só Colton sabia disso. —Se levantou, exaltado, mostrando o sangue que descia de sua testa. — Aquele maldito não tinha esse direito...
— Você me enganou, Sean. — Novamente o interrompeu, assustando o outro — Logo você, o meu melhor amigo. A pessoa pela qual eu colocaria a mão no fogo. Pela qual eu tomaria uma bala no peito se possível, pra te defender.
— Tá, Octavio, eu sei que errei. — Voltou a se sentar.
— E acha que dizendo isso vai consertar as coisas? Acha que eu simplesmente vou te abraçar e conversar normalmente contigo? Não é como as outras brigas, Sean.
— E o que você quer que eu faça? Que rasteje? Que chore? Que me humilhe?
— Para de agir assim! —Octavio gritou. — Egoísta! Você me fez acreditar que eu traí William. Tudo isso pra quê? Pra alimentar um desejo seu? Pra ferrar com a vida dele ainda mais?
— Porque eu só tenho você. — Respondeu em um tom razoavelmente baixo. — Eu não podia te perder pra ele. E ainda não posso. Você é a única pessoa que me entende aqui, Octavio. É meu melhor amigo.
— Era. — Corrigiu.
— Ah, Octavio, para com isso. —O moreno se aproximou. O coração doeu. — Eu sei que errei, já disse.
Sean nunca foi alguém bom em demonstrar sentimentos. A sua personalidade fria e encrenqueira escondia-os muito bem. Mas o arrependimento era verdadeiro, embora ele não soubesse se expressar.
— Não chega perto, Sean. Eu não quero tocar em você. Não estou suportando ter que olhar pra sua cara.
Sean parou, obedecendo. Sentiu agora que estava perdendo. Perdendo a pessoa que mais amava.
Na maioria das confusões, era Octavio quem se desculpava. Até nas vezes em que ele não fizera nada. Tudo para manter a amizade sadia.
— Octavio, eu preciso de ajuda. Não tá vendo como estou?
— Eu deveria me importar? Será que você se esqueceu de como eu fiquei quando William rompeu o relacionamento? – O lembrou, lacrimejando novamente. Ainda era difícil acreditar que Sean era o culpado de todo aquele sofrimento. — Você é tão podre quanto a sua mãe que tentou matar o William antes mesmo dele vir ao mundo.
Sean o encarou.
— Tão podre como Colton. Ou pior, você é igual a ele. Só pensam em vocês mesmos. — Octavio cuspia as palavras, chorando. — Mesquinho, egoísta, babaca e insuportável.
— Octavio, para...
— Parar? Por que eu devo fazer isso? Você simplesmente acaba com minha vida e quer que eu pare de jogar essas verdades? Verdades estas que eu me obriguei a não perceber, somente pra te enxergar de maneira diferente, da maneira que eu queria ver. E sabe por quê? Porque eu realmente acreditava que aí dentro dessa armadura que você tanto usa, existia alguém bom. Alguém que eu amava. O meu melhor amigo.
— Quer saber então? Eu não me arrependo. Não me arrependo de por fim na merda do relacionamento de vocês. Não me arrependo de todas as vezes que tentei interferir em seu namoro. Eu estou de saco cheio de tudo isso. William pra cá, William pra lá. Se você queria tanto ser amigo dele, porque continuou querendo a minha amizade?
— Por que eu cresci com você. Fomos criados como irmãos. Eu confiava em você! — Gritou. —Mas olha no que você se transformou. É igual a sua mãe! — Repetiu a ofensa.
— Vai tomar no cu! — Sean também gritou, interrompendo o insulto, a adrenalina pela briga ainda correndo por seu corpo. — Não me compara a ela. Jamais me compare a ela. – Aquilo fora seu limite. Primeiro apanhara do leonino, o irmão que odiava, apesar de também deixá-lo machucado. Agora ouvia isso da única pessoa que conhecia seus problemas familiares. E usava isso contra si na primeira oportunidade. Não conseguia tolerar. – Vai embora daqui. Vai lá ficar de quatro pro William enquanto ele te faz de idiota e depois acaba contigo mais uma vez.
— Pelo menos com ele acontece de verdade. Já com você foi tudo uma mentira. E olha, estou bem feliz.
— O que você vai ser mim, Octavio? Fui eu quem o transformei no que é hoje. Sem mim você continuaria sendo aquele garoto idiota e indefeso da escola. Não teria tudo o que tem. Não faria parte da melhor república. Não teria o reconhecimento que minha família te deu.
— Eu me transformei no que sou hoje por causa do William. Minha paixão por medicina começou por causa dele. O basquete também. Se dependesse da república, eu seria podre e mesquinho igual a você. Mas William está certo: meu coração é leonino. Sou querido. As pessoas procuram conversar comigo, sou bem vindo em qualquer república. E você?
— Quer saber? — Sean se exaltou. Aquelas palavras machucavam. Muito. — Vai lá. Vai morar com ele. Pega suas coisas e sai, não é isso que você quer? Estou cansado de ter que te encontrar chorando porque o babaca do meu irmão te magoou. Eu agora sou podre, como você citou, me assemelhando a minha mãe e Colton. E mesmo sendo assim, era eu quem não saía do teu lado nos momentos mais difíceis.
— Isso não se compara ao que você fez.
— Que se foda! O que eu fiz e faço é para o nosso bem.
— Para o seu bem. Tudo para o seu bem. A amizade acabou, Sean. A partir de hoje não me considere mais um Tigre, nem sequer o seu irmão.
Octavio conseguiu jogar verdades na cara da pessoa que não mais conseguia. Mesmo que isso lhe doesse, era necessário. No final, depois de desabafar, deu as costas. E Sean, com raiva e certo desespero, tentou tocar seu ombro para que ele não lhe desse as costas enquanto falava.
O moreno líder acabou recebendo um soco. Algumas vezes já trocara socos com Octavio quando brigavam por besteiras. Dessa vez, sentiu a pressão, o ódio, a mágoa.
— Quando William sentiu ódio de mim ele me socou, tentando aliviar a raiva pela falsa traição. Vejo que isso não funciona. Continuo sentindo ódio.
Sean permaneceu parado, de pé. Tomou uma surra do irmão e agora um soco do amigo. Que agora era seu ex-amigo.
— Octavio... — Ainda chamou, em um momento de fraqueza enquanto ainda segurava o queixo dolorido pelo novo soco. Octavio parou, e Sean achou por um momento que havia uma chance. — Eu sempre quis te contar. — Tentou se explicar. Uma última tentativa desesperada. — Tinha dias em que você vinha conversar comigo e eu tentei, juro que tentei falar isso. Mas eu temia te perder. Eu não gosto quando você está com o Will, Octavio. Cada vez que vocês reatam, eu sinto que sou deixado de lado.
— Isso não justifica, Sean. Não justifica ter me enganado onde mais doeria. – Falou, seco.
E Octavio realmente foi embora, deixando para trás a mais bela das amizades da Quadra. Ignorou os ferimentos e a dor do outro, passando agora a pensar primeiro nele próprio.
Sean olhou ao redor e rapidamente sentiu o vazio. Octavio agora estaria com William. Colin também. A solidão que ele tanto temia estava começando a acontecer.
De todas as coisas que fizera na vida, mentir para Octavio foi a única que lhe causou arrependimento.
Tigres eram solitários, mas a solidão Sean procurava evitar.
Na vida, em todo e qualquer ciclo de amizade, alguém irá nos decepcionar. Não importa o quanto tentamos fugir disso. A dor causada não se compara à dor física. Você se sente sufocado, abatido e até com medo.
No caso do Sean ele não foi decepcionado. Ele decepcionou. O que é pior.
As decepções interferem em tantas coisas. Elas às vezes destroem rotinas, amizades, costumes.
Embora com todas as dores em seu corpo e ainda ensanguentado, Sean apanhou suas chaves sobre a mesa e desceu as escadas com dificuldade, encontrando todos em silêncio no sofá. Ignorar foi a melhor opção.
O carro que usou para participar dos jogos estava estacionado em frente à sua república. Ao entrar no automóvel, olhou para a república e deu partida, ignorando a ardência nos olhos.
[...]
Depois que William mostrou-se mais calmo, todos os leoninos se dirigiram a sua república. William ainda resmungava coisas sobre querer continuar batendo em Sean e até insultou Colin por ele ter interrompido a briga.
O loiro socou a porta antes de entrar em seu quarto e Colin foi atrás, em silêncio.
— Eu vou conversar com ele. — Rick disse, seguindo-os.
— Não vai. Quem vai sou eu e ficaria muito feliz se você me deixasse a sós com ele. —Colin pediu, tentando não ser grosso.
Rick o encarou, mas o pequeno rapidamente trancou a porta do quarto, deixando o mulato boquiaberto.
Colin encontrou William caminhando de um lado para o outro, passando as mãos entre os fios dourados, ora ou outra gritando. Socou a parede e parou em frente à janela, olhando a república rival. O loiro voltou a caminhar pelo quarto e empurrou uma cadeira.
— Chega. —Colin disse, calmo, posicionando-se à sua frente e segurando sua mão.
— Não consigo, Colin, não consigo... —O loiro falou num murmúrio.
— O que não consegue?
— Não consigo me acalmar. Eu quero matá-lo. Ele tem que provar da dor.
— Já passou, Will. Já passou.
— Não passou! Eu não posso encontrá-lo. Juro que não posso.
— William! —Disse firme. — Para! Você tá todo machucado, ensanguentado e precisando de um banho. Relaxa um pouco.
— Ele nos enganou durante todo esse tempo. Ele me fez de idiota. Fez Octavio de idiota. E-eu por todo esse tempo maltratei Octavio por algo que ele não fez. Me sinto tão... tão... Desgraçado! Eu quero matá-lo.
— Você quase fez isso. Eu não deixaria que isso acontecesse, Will.
— Por que o defende? — O loiro perguntou.
— Não estou defendendo-o. Eu não deixaria você com remorso. Sean estava machucado, mancando e mesmo assim você não parou de socá-lo. Está tão tomado pelo ódio que eu cheguei a ver a hora de você matá-lo.
— Octávio está lá com ele, é incrível. Eu juro que não entendo. Sean o enganou e mesmo assim ele foi tirar satisfação com aquele filho da puta.
Colin já havia entendido o que acontecera só com essas informações. Mas procurou parecer surpreso, ou acabaria levando a conversa a outro rumo e tocaria na ferida do loiro.
— Ele certamente tem suas razões para isso. Vamos pensar em você, vem cá, deixa eu tirar essa camisa. — O pequeno falou, já tomando a atitude.
William deixou com que o pequeno fizesse isso. Sentando-se em uma cadeira logo em seguida.
— Vou mesmo ter que dar banho em você? — O pequeno o encarou.
— Eu não quero tomar banho.
— Acha que estou lidando com uma criança? Você vai tomar banho sim. Não vou ficar no quarto com alguém fedendo a suor e sangue. Vamos, levanta já daí.
— Para! —Disse, após o menor dar leves tapas em suas costas.
— Entra na porra desse banheiro.
Colin era calmante. William nem sequer percebia isso. O pequeno conseguiu aliviar um pouco a raiva que ele sentia. Levantou-se irritado, entrando no banheiro com o pequeno o seguindo.
Colin encostou-se à pia do banheiro, enquanto o outro ficou parado, embaixo do chuveiro sem ligá-lo.
— Tá com vergonha de mim? Pois se tiver, saiba que não irei sair daqui. Não sei o que você é capaz de fazer. O vi irritado e isso até agora me assusta. Não me importo se vai tomar banho vestindo essa calça. Quero apenas que se limpe.
O loiro fechou o boxer e jogou suas vestes por cima, acertando a face de Colin que reclamou da atitude. Mas o pequeno, paciente, pôs as roupas sujas no cesto. Continuou parado, olhando pro espelho e lembrando-se de tudo o que vira. “Como está Sean agora?” Pensou. “Talvez esteja bem. Talvez.”
— Toalha. — O loiro pediu, abrindo o boxer.
A face de Colin corou, ele quase engasgou. Aquela era a primeira vez que via William despido. Jogou insultos aos ventos por estar sentindo desejo e lançou a toalha para o loiro, que teve dificuldade para se enxugar devido às dores que sentia. Colin se ofereceu para ajudar, enxugando suas costas e braços.
Lembrou-se do dia em que William deu-lhe banho e cuidou dele. Estava apenas retribuindo o favor.
Colin se sentia novamente pequeno perto daquele corpo enorme ao seu lado. Porém, maior que William, era a sua voz prepotente nesse momento de ira.
O loiro voltou ao quarto caçando algo para vestir e novamente secou os cabelos, jogando a toalha na porta do banheiro. Colin o encarou por segundos, mas o loiro jogou-se na cama de bruços. William chorou.
O menor esqueceu de que iria brigar com o loiro pelo que havia feito, e simplesmente sentou-se ao seu lado, tocou os cabelos úmidos do leonino e silenciou.
Silêncio que não durou muito tempo.
— Eu não entendo. Não entendo o porquê desse ódio que ele e sua família tem por mim. Eu nunca fiz algum mal a ele. Não o fiz perder pessoas queridas. Desde a adolescência ele tem essa mania de afastar as pessoas de mim. Cara, eu juro que não entendo.
Colin queria poder ter palavras boas e confortáveis, mas sentir a dor de William era algo ruim. Se fosse mais frágil, estaria chorando com ele.
— Dessa vez Octavio estará ao seu lado, acredite.
— Octavio e Sean são literalmente irmãos. No final, ele vai perdoá-lo em menos de uma semana.
— Se levarmos em consideração o nível da briga, bem... Octavio vai ter que pensar muito.
— Não adianta, Colin. Sean sempre consegue o que quer. Eu já estou de saco cheio. Não vejo a hora de me formar e ir embora daqui.
— Eu não quero que você se forme. — Colin afogou ainda mais seus dedos nos cabelos do outro. — A quadra não será a mesma sem você. Afinal, eu sou seu protegido, não sou? — Brincou, embora sincero. Tinha que admitir, gostava da proteção do loiro. — Quem vai se meter nas confusões por mim?
O loiro então tomou coragem para se virar e encarar Colin. Os olhos vermelhos devido ao choro. Mas o sorriso deu-lhe beleza.
William era como o sol. Iluminava a vida de algumas pessoas.
— Sabe, Will, eu andei pensando. Acho que vou fazer uma tatuagem. Ser leão.
— Você tá brincando, não é? — Disse, desfazendo o sorriso.
— Claro que não. Eu sei a importância que essa república tem para mim. Embora sejamos a república mais bagunçada, de fato, somos a mais unida. Tudo bem que eu tenho de suporta o imbecil do Danion, mas eu até que gosto dele.
Colin soltou os fios dourados e ficou de pé, caminhando até a janela para olhar a república à frente. Encontrou Octavio saindo de lá, enxugando lágrimas. Em seguida viu Sean entrando no carro.
O pobre coração novamente doeu ao encontrar o moreno naquele estado. Por que tudo tinha que ser difícil para eles dois?
— Eu não vou dormir aqui hoje. — Colin falou, virando-se para encontrar o loiro.
— Como?
— Octavio precisa de você. O quarto é seu. E eu tinha marcado compromisso de resolver um projeto com alguns amigos da universidade. Você sabe o que acontece no final.
— Octavio não vai largar o Sean, Colin.
— Não? Se eu fosse você iria até à sala.
— O quê? — O loiro rapidamente saltou da cama. Colin sorriu.
— Dessa vez ele soube o que fazer, William. Vai lá cuidar do seu namorado.
William rapidamente procurou se vestir e descer as escadas com os cabelos bagunçados, encontrando Octavio sentando no sofá da sala chorando com Rick e Ian apoiando-o.
Colin não demorou a tomar banho, pegar sua mochila, a grana que tinha guardado para o mês, uma calça e camisa, e logo começou a descer as escadas. Octavio parou para observá-lo. Por maior que tenha sido a decepção, Sean precisava de alguém. Alguém para cuidar de seus ferimentos e de seu coração.
O pequeno leu os olhos de Octavio, e ambos conversaram com o olhar.
— Eu volto amanhã. — Disse o pequeno.
William pareceu estar bem melhor que antes. Já Octavio era quem mais sofria com tudo isso. Sempre pensou que teria de fazer escolhas entre o loiro e o moreno; no final, o destino acabou resolvendo isso para ele.
Foi Sean quem escolheu pelo fim da amizade.
[...]
Durante todo o trajeto, Colin desejou que Sean estivesse em sua casa. O moreno era tão imprevisível que ele poderia facilmente ir a outro lugar. Porém, ainda assim, o pequeno não iria voltar para a república agora que estava próximo da residência do outro.
“Como estaria? O que estaria fazendo? Cuidou dos ferimentos? Está bem?” Milhares eram as perguntas em relação ao outro.
Colin sabia que Sean durante muito tempo teve Octavio ao seu lado, mas agora que toda verdade viera à tona, o moreno e amante estava sozinho. Pior era ter de conviver com ele na quadra sabendo que ninguém mais o suportava.
“Maldita hora em que fui me apaixonar.” Pensou.
Acabou de cuidar do loiro e agora estava indo cuidar do moreno. Moreno este a quem se entregou, quem por um bom tempo odiou e que agora deu brechas para sentimentos bons tomarem conta da relação.
Quase metade da sua grana foi embora só naquele táxi. Agradeceu ao homem e saiu do carro, parando em frente à casa do moreno. Seu carro estava lá. Um alívio.
Pôs o dinheiro no bolso e caminhou até a porta de entrada. Tocar a campainha não era uma opção. Ele preferiu bater a ter que tocar a campainha.
Colin não foi atendido. Dessa vez tocou a campainha e também não foi atendido. Por assistir alguns filmes, resolveu olhar embaixo do tapete para ver se encontrava alguma chave: iludido.
Sean abriu a porta cerca de dez minutos após a primeira batida de Colin à porta.
Encontrar Sean machucado, com marcas de hematomas e sangue não foi fácil. O moreno realmente não havia se cuidado. Pior foi ver uma garrafa de bebida em sua mão. Colin o olhou dos pés à cabeça, e sem permissão entrou na casa.
— Eu não estou triste, não estou chorando e muito menos precisando de ajuda. — O moreno disse, trancando a porta.
— Mas está atuando, o que por sinal é uma qualidade sua. Já pensou em ser ator?
Sean sentou-se no sofá, jogando as pernas em cima da mesinha do centro da sala. Colin parou e o encarou por longos segundos.
— Você não está sentindo dor? Sean, você tomou uma surra do William, certamente perdeu a amizade de Octavio e prefere beber e agir como se nada tivesse acontecido?
— Não vou dar o gostinho de derrota a ninguém. Estou bem.
— Você é muito difícil, puta que pariu. Eu não deveria ter vindo aqui. Sinceramente, achei que...
— Que iria me encontrar chorando jogado no chão? Com um pote de sorvete de chocolate comendo enquanto assistia programações tristes?
— Não! Achei que você precisava de alguém pra te fazer companhia. Qual é a sua? Você diz estar se interessando por mim e quando eu chego aqui simplesmente parece tá me enxotando.
— Então vai embora. Vai cuidar do William e viver naquela república medíocre. —Disse, tomando um pouco da bebida.
Colin pensou em insultá-lo, mas segurou a língua. Jogou sua mochila no chão e sentou-se ao seu lado. Se sua presença incomodava o outro, isso seria bom e ele iria incomodar eternamente.
Cerca de trinta minutos se passou desde que permanecerem naquele silêncio que maltratava Colin.
Sean se levantou machucado e mancando, retirou sua camisa e jogou em cima do sofá, exibindo alguns roxos. Colin apanhou sua camisa e a segurou enquanto observava o moreno voltar da cozinha com mais uma garrafa de bebida alcoólica.
— Não sabia que você bebia tanto assim.
— E não bebo. Passei no supermercado e comprei. Dizem que é ótimo pra dor.
— Isso não tem graça.
Colin, já irritado, se levantou e em seguida se ajoelhou em frente a Sean. Primeiro retirou os sapatos do outro, e sem a menor delicadeza retirou a calça do moreno.
— Vai me pagar um oral? É isso mesmo?
— Você tá começando a ficar bêbado. Ou seja, mais insuportável do que já é.
— Você tira minha calça e me deixa só de cueca, o que quer que eu pense?
E então Colin arrancou a cueca do moreno, dessa vez ele estava despido.
— Tá, agora cai de boca. — Sorriu, jogando a cabeça para trás.
Colin revirou os olhos e se levantou, tomou a garrava de Sean e bebeu um pouco, odiando a bebida imediatamente. Era horrível. Ouviu a risada abafada do moreno e por pouco não o insultou.
Segurou nas mãos de Sean e com bastante dificuldade conseguiu colocá-lo de pé.
— Você não vai tirar a roupa?
— Se você se comportasse eu até faria isso. Mas não. Vamos, anda!
Colin, embora menor que Sean, estava comandando a situação. Empurrou Sean até o banheiro enquanto ouvia piadinhas infelizes do outro.
Sean sentou-se na privada e olhou Colin preparar a banheira.
Quando o pequeno passou por Sean para pegar uma toalha, tomou um tapa na bunda. Colin imediatamente se virou e a mão rápida encontrou a face do moreno. Não se arrependeu do que fez.
— Um soco do William. Um soco do Octavio e agora um tapa seu. Quem é o próximo?
— Isso é feio, Sean. Eu até tolero algumas brincadeiras suas, mas me tratar como uma puta só vai piorar as coisas entre nós. Nunca mais faça isso.
O moreno sorriu de lado. Logo quando a banheira estava pronta, o pequeno ajudou o maior a entrar nela. Colin sentou-se em um pequeno banco ao lado esfregando os ombros de Sean.
Sean estava relaxado enquanto Colin o lavava.
— O idiota se negou a cuidar de mim. — O moreno comentou.
— Você o enganou, o que esperava?
— Eu me desculpei.
— Nem toda desculpa é aceita. O tempo que vai decidir isso.
— Agora ele está lá, cuidando do William. Mas quem se importa? Se ele quer ser fodido, o problema é dele. Cansei de toda essa palhaçada. — Colin tocou em um ferimento seu. —Ai, porra! —Reclamou. — Cuidado.
— Você não fica quieto.
Sean o molhou propositalmente, o que arrancou alguns insultos do pequeno. Colin então resolveu submergir a cabeça do moreno na água, para facilitar ainda mais o banho. Quando tocou o cabelo do outro, o vermelho do sangue se misturou com a água, e Sean voltou reclamando da dor dizendo que estava ardendo. Mas o outro não se preocupou com isso e continuou banhando-o.
Ao término, retirou a toalha de seu ombro e a enrolou no corpo forte do moreno. A partir dali ele quem se enxugou por si só.
Colin voltou com algumas roupas e Sean as vestiu.
— Estou com sono. — Comentou.
— Você não é o único. Mas sacrifiquei uma tarde pra cuidar de você.
— E se arrepende?
Colin olhou em seus olhos.
— Não duvide de mim quando eu realmente assumi gostar de você.
— Não estou duvidado. — Falou saindo do banheiro.
Sean caminhava com dificuldade até o seu quarto enquanto Colin o seguia. Parou na soleira da porta observando o outro se deitar. Sean mantinha um olhar sério. O pequeno se perguntou como alguém poderia ser assim? Tão errado e tão perfeito ao mesmo tempo.
Mesmo perdendo literalmente tudo — e Octavio era tudo — que tinha na Quadra, ele não chorava. Coração de pedra. Coração de ferro.
— Você não vem? — O moreno indagou.
— Você deixou a sala uma bagunça.
— Deita.
— Não quero.
— Deita.
— Já disse que não quero.
— Caralho, deita! — Gritou.
Colin o olhou assustado. Saiu batendo pé do quarto e foi até a sala. Sentou no sofá e passou a mão em seus cabelos, respirando fundo e se segurando para não xingar.
Gostar de Sean era uma loucura. Gostar de sua personalidade era como dar entrada em um manicômio.
Sean não era a típica pessoa carinhosa e de coração bom. Era grosso, frio e de poucas palavras.
Há no mundo tantas pessoas boas para se apaixonar, e ele logo se apaixonou pelo maldito idiota da república à frente.
Tomou um susto ao ser erguido no ar por Sean. O moreno caminhou com ele reclamando pelo corredor da casa até jogá-lo na cama e trancar a porta do quarto. Colin se levantou e ficou de pé ao lado da cama enquanto observava o outro se deitar mais uma vez.
— Eu não quero transar, Sean.
— Por um acaso eu disse isso?
— Eu sei que você quer.
— Quero. Mas não agora. Custa você se deitar na porra da cama?
Colin o encarou. Desafiar os olhos negros de Sean em momentos assim era algo extremamente prazeroso, mas nessa batalha de olhares ele certamente perdia.
Retirou os sapatos e se deitou, dando as costas para Sean.
Mas logo o braço grande de Sean o arrastou para ele, fazendo sua cabeça encostar-se ao tórax nu.
Colin não conseguiu mais negar e aceitou o abraço caloroso do outro. Fechou seus olhos e beijou a pele do outro, sorrindo logo em seguida. Sean beijou sua cabeça, e o puxou um pouco para cima, tomando os lábios do menor em um beijo.
— Te odeio, Sean.
— É recíproco, já disse. — Concluiu, dando-lhe um último beijo antes de dormirem.
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