República de Leões
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Sean teve a infelicidade de abrir a porta para sua mãe entrar. Há tempos não aparecia no lugar para saber sobre o filho. Ela o ligava, mas geralmente não acreditavam em tudo que ele falava. Sendo assim, quando tinha tempo ou queria, aparecia de surpresa.
Sua mãe era sua cópia. A beleza, infelizmente, foi passageira, pois as rugas da idade já eram bem óbvias, mas a elegância e pose de mulher rica e poderosa permaneciam. Ela vivia de cabeça erguida, olhar sério e encarando aquele que passasse por ela.
Todos os tigres pareciam temê-la. Connor foi ignorado quando resolveu cumprimenta-la. E isso fizera os demais não tomar a mesma atitude, e apenas se comportarem, esconderem as bebidas e os cigarros.
Juntos subiram para o Quarto, acompanhados de Octavio, que por ser declarado membro da família, tinha o direito de estar ali dando apoio ao amigo.
— Eu precisava saber como você estava. —Ela disse, mas não olhou para o filho.
— Eu estou ótimo, como você acabou de ver. — Respondeu, seco.
— Sean está bem, continua com a mesma personalidade de sempre, mas vem se comportando e muito focado nos estudos. — Octavio intrometeu-se.
— Certeza que não está mentindo para mim, Octavio? — A mulher dessa vez se virou. — Da última vez que você me disse isso, quando cheguei aqui, o encontrei no quarto com um garoto, eles bebiam e ainda por cima estavam de cueca.
Octavio olhou para Sean, tentando lembrar-se de alguém capaz de estar naquele quarto. Ele não seria, já que nunca bebeu usando apenas cueca com o amigo. Porém, como relâmpago, lembrou-se do período em que Colton passou na república, e o pequeno era próximo de Sean. Próximos demais.
Sim, há cerca de um ano atrás ela o visitou.
— B-bem, sobre isso... Não posso lhe responder. Mas o que passou ficou no passado.
— Não vi nenhuma garota àquele dia. Se você for gay, é melhor ir me contando logo. Sabe perfeitamente o que penso a respeito disso. Detesto o fato de você escolher morar em uma república cheia de garotos. — Dessa vez olhou para o filho.
O moreno parecia suar frio. Se no mundo existe alguém que botasse medo, esse alguém se chamaria Suzana, sua mãe.
— Já não bastam os boatos que ouvi sobre aquele bastardo, que infelizmente é seu irmão. Seu pai acabou criando uma aberração. Ele é a vergonha da família do seu pai, e não você. Então não me decepcione.
— Eu já disse que não irei te decepcionar. Serei um futuro dentista. Casarei e te darei bons netos.
Sean vinha de uma renomada família de médicos e cirurgiões. Toda sua riqueza vinha disso. Seu avô, era dono de um hospital, onde a alta classe vivia a se consultar. Poucos eram aqueles que seguiram carreiras diferentes, incluindo Sean. Sua mãe, atualmente, é a diretora geral do hospital.
Sempre desejou que o filho seguisse o mesmo caminho, mas este, infelizmente era apaixonado por outra coisa: dentes.
— Se você seguisse medicina, eu até aceitaria. Mas ainda não me conformo com essa ideia. Médicos são tão conhecidos, renomados... Pelo visto, aquele bastardo vai se dar melhor que você.
— Eu gosto do que faço.
— Mas ainda sou eu quem te sustenta. Se eu não te amasse tanto, te tiraria daqui e te faria seguir o mesmo caminho que teus primos seguiram, isso sim seria futuro garantido. — Ela foi grossa o suficiente para deixar o filho calado. — Você sabe que para mim, não existe segundo lugar. Tem que ser primeiro, Sean. Não quero ver o bastardo se dando bem e melhor que você.
Sean ainda continuava calado. Sua mãe nunca mudaria. Tinha um coração de pedra. Se soubesse que herdou dela o temperamento e personalidade, com certeza não seria considerado um hipócrita, pois julgava o comportamento da outra. Iguais.
— Vocês deveriam usar a casa que comprei, justamente para vocês não terem que se preocupar com isso de república. — Agora olhou para Sean. — E você deveria usar o carro que lhe dei. E a propósito, onde está?
— Na universidade. —Ele respondeu, de imediato. — Não saio para muitos lugares. A universidade é literalmente ao lado daqui.
— Há quanto tempo você não dirige, Sean? — Ela o encarou.
— Cerca de um mês e meio, eu acho... — Foi sincero. Mentiras com ela não era algo que funcionava. Exceto, sua sexualidade.
— Eu realmente nunca vou entender o filho que tenho. É melhor eu sair daqui antes que me irrite.
A mulher nem sequer tivera o favor de se despedir do filho. Octavio abriu a porta e ela passou, descendo as escadas sem olhar para trás. Quando passou pela porta da saída, o moreno a viu entrar no carro que já a esperava e saiu dali.
Bateu a porta com força e subiu correndo para seu quarto. Chorar era uma opção, e ele não faria isso. Tudo que fizera foi jogar os quadros no chão. Seu corpo foi amparado por Octavio, que segurou em seu ombro, relaxando-o.
— Eu nunca vou ser perfeito para ela. — Reclamou, ainda de pé.
— Tente entender o lado dela. Sua mãe quer apenas seu bem.
— Mas para ela nada tá bom. Sempre tenho que me esforçar mais, não importa o que eu faça.
— Quando você crescer na profissão, ela verá o quão esforçado você é. — Pusera a mão em seu ombro.
Sean ficara calado e sério. Estava irritado demais para tal. Aproveitou que tinha aula especial e saiu da república rumo à universidade.
Literalmente não dera atenção ao que seus professores falaram. De fato, estava irritado demais a inesperada visita de sua mãe. Ao término da aula, o moreno caminhou até o estacionamento e entrou no carro que ganhou. Estava tão irritado que sua vontade era jogar o carro em um penhasco só para ver a Ira da outra.
Saiu cantando pneu do estacionamento, por pouco não batendo nos carros ainda estacionados. Estava tão desatento que não notara o sinal vermelho e tivera que frear bruscamente quando notou que iria atropelar alguém: Colin.
Era incrível como até nisso eles tinham motivos para trocarem desavenças. Destino travesso, que parecia querer uni-los através de momento de estresse.
— Você é doente?! —Colin gritou, se recompondo sem conseguir enxergar o motorista por causa do vidro enegrecido.
Mas o moreno pisou no acelerador, deixando o outro mandar-lhe insultos. Colin ficou para trás. O moreno caminhou sem rumo pelas estradas da cidade. Dera voltas e voltas sem sequer parar em algum lugar. Quase atropelou um senhor, mais na frente uma mulher e por pouco não batera em um poste de luz. Se alguém tivesse anotado sua placa, a multa que ele receberia com certeza chamaria a atenção de sua mãe, e bem, era isso que ele queria.
Sean estacionou o carro em frente a sua república. Era tão raro vê-lo de automóvel, que os seus companheiros Tigres já nem lembravam mais que ele tinha aquilo.
Alguém batia no vidro do carro. Vira a pessoa de costas, o que um momento pareceu ser Colin. Com certeza o pequeno iria xingá-lo pelo quase atropelamento. Ele abriu o vidro às pressas pronto para insultar o garoto, mas quando este se virou, não era quem pensava.
— Destrava o carro. — Colton pediu.
— Para que? — Ele indagou.
— Por que eu quero entrar, o que mais seria?
Sean fechou o vidro novamente, o que assustou Colton. Mas quando este fora até o outro lado e abriu a porta, para sua surpresa, estava aberta. Antes de entrar, olhou para todos os lados esperando encontrar alguém os observando.
— Eu o vi chegando, mas não o vi saindo do carro. Deduzi que estaria aqui.
— O que você quer? — O moreno indagou, seco.
— O que por muito tempo fiquei sem, não importa a onde seja. Mas seria ótimo se você saísse daqui.
Colton levou sua mão as coxas de Sean, acariciando-a, quando essa iria descer até seu membro, o moreno foi rápido e impediu sua mão de continuar. Encarando-o.
— Com um só toque você conseguiria levantá-lo. Hoje em dia, veja como estou...
— Tá rejeitando sexo?
— Quer ouvir isso de mim? Acho que já está claro demais.
— Qual é Sean, o que aconteceu pra tá me tratando assim?
— Descobri tantas coisas desde que você fora embora, Colton. Não me faça citar uma por uma.
Para sua surpresa, Colton apenas sorriu. O pequeno pusera as duas pernas sobre o banco e se virou para olhar Sean. O moreno estava mais sério do que nunca. Demorava até para piscar.
— Você sempre foi o melhor, Sean. E sei que interiormente você tá gostando de ouvir isso. —uma verdade — Não sei o que te contaram, mas isso não tem a menor importância para mim. Fiz tudo aquilo que queria, curti e fiz minha vida.
— Você sabia que eu te amava, seu idiota.
— E foi bonito da sua parte, afinal, me disse também que era a primeira vez que dizia aquilo para alguém. Senti-me honrado. Mas convenhamos, não éramos exatamente um casal. Vivíamos brigando. Não existe ninguém no mundo que te suportaria. As pessoas podem se relacionar contigo, mas ninguém tem paciência o suficiente para sua personalidade.
Pensou em Colin.
— De qualquer forma, você sabia que eu te amava, mas fui idiota o suficiente para acreditar em suas palavras.
— Por um acaso você ouviu um “Eu te amo” sair de mim? —Ele sorriu mais uma vez. — Sabe o que é engraçado? Depois de um ano estamos discutindo a relação.
— Uma relação que teve fim desde que você partiu.
— Uma relação que você criou. — Lembrou. — Sentiu minha falta?
Sean não ousou responder. Seu punho se fechou e se segurou para não socar Colton. O pequeno sorria sempre, isso era uma espécie de provocação. Sua especialidade era sempre vencer Sean nas discussões.
Novamente Colton tentou levar sua mão ao membro de Sean, na tentativa de transar com ele depois de tanto tempo. Ele tinha que admitir, ninguém na cama era tão bom como Sean. E olha que ele já transara com Danion, que era muito bom, mas não se comparava ao moreno. Tivera que ser ativo com Leo e Rick.
Já Sean era seu maior troféu, conseguir por rédeas no moreno foi algo que marcou sua vida. Em pensar, que entre Ian, Gaspar e Sean, o moreno seria o mais difícil, pelo contrário, foi fácil demais. Adorava acabar com a máscara “hétero” que cada um carregava.
O pequeno chegou a tocar o membro adormecido de Sean, mas o moreno não tinha reação alguma. Novamente tivera sua mão retirada e o moreno destravou a porta do carro. Colton entendeu o recado e saiu sorridente. Sean fizera o mesmo, mas não sorrira, pelo contrário estava sentindo um ódio tão grande que o primeiro que o estressasse levaria socos.
Seu coração parou no momento em que Colin saia da república à frente. O dono dos olhos claros acabara de ver os dois saindo do carro juntos.
Colin parecia uma estatua. Não movia sequer um dedo. Ele e Sean ficaram assim por cerca de um minuto, enquanto Colton observava aquela cena um tanto que esquisita.
O moreno foi obrigado a se mover para não dar na telha o que acontecia. Ele abaixou sua cabeça, pusera as chaves no bolso e entrou em sua república. Desprezo total para Colton.
— Cadê Octavio? — O moreno perguntou assim que encontrou os amigos.
— Na cozinha. — Respondeu um deles.
Bateu pé e rumou à cozinha, encontrando o amigo sentado em uma das mesas comendo um misto quente. Octavio até se assustou com a forma inesperada que aquele entrou no lugar, principalmente por ter um semblante nada simpático.
— Vamos sair hoje. —Sugeriu, abrindo a geladeira.
— Hoje? —Octavio indagou, ainda mastigando.
— Sim, hoje. Eu preciso.
— Mas eu tinha combinado de...
— De sair com o William? De novo? —Interrompeu irritado, batendo a porta da geladeira. — Há uma semana vocês foderam e já estão marcando de sair novamente?
Octavio pusera o misto sobre o prato e ergueu a sobrancelha.
— O que deu em você?
— Nada. Só tô de saco cheio.
— Eu não irei sair somente com o William, ainda não estamos oficialmente juntos. Na verdade, nem estamos juntos. Ele só voltou a me tratar de forma normal, embora recue às vezes. Mas tenho reunião. Os estágios começam na semana que vem.
— Mentira! — Acusou. —Você vai foder com ele sabe-se lá onde.
— Porra! —Se exaltou. — Já falei que não. Sei que você deve tá irritado com sua mãe, mas isso não significa que deve e sair descontando em qualquer um.
— Não é isso. Só estou te chamando para sair. Antes você não negava e agora, como mágica, está negando. Mas se você não quer sair, não tem problema. Pode ir lá foder com seu namoradozinho.
Sean dera as costas, mas Octavio foi rápido o suficiente para segurar o amigo pelo braço. Sean se virou e quando ia socá-lo, o outro se abaixou a tempo suficiente.
Octavio levantou sua cabeça, assustado com a atitude. Foi o necessário para largar Sean e deixá-lo ir. Ainda boquiaberto com o que ele fizera.
[...]
Colin tivera uns dias de surpresa. Primeiro descobriu que Sean e Colton foram namorados, pior ainda o fato do moreno já ter amado alguém. E logo hoje, acabara flagrando-os saindo do carro.
Sentia-se irritado, mesmo que não entendesse o motivo. Não poderia estar sentindo ciúmes de alguém na qual cujo romance nunca foi declarado. Na verdade, Sean não era lá grande coisas. Pelo menos, era assim que pensava.
Passou o resto do dia sendo grosso com maioria das pessoas, mais do que já era. Até Caine não escapou da grosseria do outro, porém, o pequeno já estava tão adaptado as grosserias alheias que isso não tinha importância para ele.
Colin até pensou em não assistir o resto das aulas, sua vontade era socar a cara de Sean. Contudo, ele não poderia fazer isso. Nem mesmo admitir tal coisa. Era tudo tão cedo demais.
Para sua infelicidade, quando entrou no banheiro encontrou nada mais nada menos que Colton e Sean, ambos ficaram em silêncio após a entrada do pequeno.
Seu sangue parecia ferver, embora soubesse disfarçar a raiva que estava sentindo.
O banheiro parecia ter perdido a vida, pois só se ouvia o barulho de seus passos caminhando lentamente até uma das cabines. Quando saiu, encontrou apenas Sean, ainda parado. A porta de saída acabara de ser fechada, sinal de que Colton fora embora.
— Não ouse me tocar. —O pequeno disse, sem antes o moreno tomar a atitude.
Caminhou até a pia, como de costume. Adorava observar Sean através do espelho.
— Não ache que tenho algo com ele. — Avisou.
— Não devo achar nada. Você não é meu e eu muito menos seu.
Colin estava mais arisco. Embora Sean gostasse do jeito do garoto, dessa vez, se sentia incomodado.
— Ciúmes? — Perguntou.
Mas isso só agravou a situação. Colin retirou seu relógio de pulso e lançou contra o moreno. A força fora tanta, que o objeto partiu-se em pedaços na parede atrás. Sua intenção era acertá-lo.
O moreno o olhou boquiaberto.
Colin sentiu certo arrependimento ao tomar essa atitude. Primeiro que o relógio foi caro demais para ser quebrado. Segundo, que isso só aumentou as hipóteses de estar sentindo ciúmes.
Ele não entendia o fato de estar sentindo ciúmes. Se Octavio, que era alguém mais próximo do moreno, não causava-lhe ciúmes, porque Colton criara essa reação nele? Estava pior que mulher na TPM.
Talvez, o fato de falarem que ele se parecia com Colton, o deixou assim. Deveria acreditar que estava com raiva de Colton, e não de Sean. Ou seja, não era ciúmes, apenas raiva da comparação.
— Eu não gosto dessas brincadeiras, Sean. Não ouse falar que sinto ciúmes de você, porque não sinto. Afinal, você não é ninguém além de alguém para beijar.
— Limpa a boca, porque o veneno tá escorrendo por seus lábios. — O moreno dessa vez dissera, sem expressão alguma. Encarava Colin e não queria se mover. Poderia ser mais forte que o pequeno, mas ele não queria conhecer a força desse irritado. — Beijos esse que você costuma adorar.
— Adorava, no passado. Pois não terá mais.
— Como não?
— Cara, eu te vi saindo do carro com aquele garoto. Sei que matou sua vontade por sexo. Talvez essa seja a diferença entre nós dois: ele é fácil.
— Que merda você tá falando? — Sean se aproximou do outro, mas não levantou um dedo para tocar-lhe.
— Vai me dizer que não transaram? Por favor, Sean, você não é um santo que só quer beijar.
— Eu não tenho nada com o Colton, você tá maluco?
Colin queria puder falar tudo que sabe sobre eles, mas acabaria denunciando William. O loiro pediu para não falar nada a ninguém, já que quem lhe contou foi Octavio, melhor amigo de Sean. Engoliu todas as palavras que insistiam em sair, mas não poupou outras:
— Maluco fui quando acabei ficando com você. Tô com nojo de mim.
— Meu Deus! O que deu em você hoje? Se isso não for ciúme, porque toda essa raiva?
O pequeno dessa vez resolveu socá-lo. Sua mão parou a centímetros da face do moreno, pois este tivera tempo de segurar com força a mão do outro. Silêncio!
Três alunos entraram no banheiro e viram aquela cena. Colin ignorou a presença dos outros e tentava retirar seu braço da mão do moreno, infelizmente, era fraco perante aquele corpo enorme a sua frente.
— Me encontra no estacionamento daqui a cinco minutos. — Murmurou.
Sean soltou o pequeno e saiu do banheiro, empurrando os três garotos a sua frente, que acabaram insultando-o.
Colin ficou parado no banheiro enquanto os garotos o encaravam.
— O que foi? Tô bonito para ficarem me encarando? — Perguntou seco. Agora literalmente fora obrigado a lavar suas mãos.
— Vocês iam brigar? — Perguntou um deles.
— E se fossemos?
— Você iria apanhar. Olha seu tamanho para o dele.
— Posso ser pequeno, mas sei muito bem como fazer uma pessoa ir parar na enfermaria da universidade, ou até mesmo em algum hospital. — E saiu, deixando os três babacas que começaram a gargalhar de sua resposta.
Colin deu de cara com Colton, que pareceu sorrir sarcasticamente ao encontrá-lo irritado. A vontade que o pequeno tinha, era de lançar a lixeira no garoto só pra vê-lo desfazer aquele sorriso. Por enquanto, estava paciente demais.
Mas Colin não poupou em lhe mostrar o dedo do meio. Uma atitude um tanto infantil, embora de fato tenha causado espanto ao adversário.
Mesmo irritado com Sean, ele acabara obedecendo-o. Começou a caminhar por entre os corredores formados por carros no estacionamento e não encontrou o moreno. Depois de dois minutos impacientes procurando o moreno, a luz dos faróis de um do carro acabara chamando a sua atenção.
Sean era dono de um Tucson Flex, na cor negra. Um carro grande e espaçoso. Esportivo, mas ao mesmo tempo elegante. O moreno era rico, o que para Colin não era uma surpresa ele ter um carro daquele.
Quando esse parou, Colin entrou imediatamente no carro e, para a surpresa do moreno, deu-lhe um soco no braço.
— Isso é por ter me feito quebrar o relógio.
E então deu outro soco no mesmo braço.
— E isso é por ter quase me atropelado. Era você no carro, seu imbecil?
Sean passou a mão em seu braço tentando amenizar a dor. Colin era tinha força.
— Tu tá parecendo mulher na TPM. — Falou.
Colin já ia retirar seu sapato, mas o braço de Sean fora em direção ao seu tórax, fazendo-o encostar-se ao banco.
— Se acalma! — Pediu.
Colin segurou o braço do outro e o mordeu. Sean saltou do banco e por pouco não pisou no acelerador. Olhou para seu braço e viu a marca que o pequeno deixou.
— Eu tô começando a ficar com medo de você. — E sem a autorização do outro, saiu dali.
— Aonde você tá indo?
— Logo você saberá.
— E por acaso eu disse que iria com você? — Ele indagou, um pouco mais calmo.
— Mas eu quero que vá. Já está dentro do carro, sinal de obediência.
Colin era louco o suficiente para abrir a porta do carro. Porém, quando tentou, a encontrou travada. Sean sorriu ao perceber que ele não tinha saída. Suspirou e jogou sua cabeça no banco. O moreno acabou vencendo.
— Não ache que vou aceitar entrar em algum motel, muito menos transar com você. Já disse para desistir.
— Eu não estava pensando nisso. É uma ótima ideia. Deixa-me pensar em um bom para irmos.
— Não tente me tirar do sério novamente. — O pequeno o encarou. Mas tudo que viu foram os olhos negros olhando para frente, atento ao trânsito. Mas o sorriso de quem provoca permanecia. — Eu juro que vou te castrar caso tente algo comigo.
— Você nunca me viu pelado. Aposto que não resistiria.
Mais um soco. Suficiente para fazer o silêncio reinar dentro do automóvel.
O moreno não era delicado no trânsito. Primeiro trocara insultos com o homem que tentou ultrapassá-lo, o fato dele não deixar, quase que criou um acidente. Uma chuva de buzinas. Quase ultrapassa o sinal vermelho. Buzinou para carros lentos e freou bruscamente em outro sinal vermelho.
Colin parecia estar com o coração na mão. Abaixava a cabeça com vergonha toda vez que Sean xingava alguém. Até pediu para o outro calar a boca, mas o moreno não obedecia. Cada vez que ele aumentava a velocidade, o pequeno fechava os olhos.
— Tá com medo? — Indagou.
— Claro. Você é maluco.
— É, se eu fosse você, também ficaria com medo. Mas relaxa, chegamos ao primeiro lugar.
Colin não notou quando o moreno estacionou em frente a uma loja de tintas. “O que diabos ele veio fazer aqui?” Pensou. Sean foi o primeiro a descer do carro, e esperou que o outro fizesse o mesmo. Felizmente o pequeno saiu do carro depois de dez segundos.
— Não tá pretendendo aprontar com o William, não é? — Colin perguntou, levou a mão à testa impedindo a luz do sol. Seu rosto se contorcia. Calor!
— Você tem ideias maravilhosas, às vezes, sabia?
— Certo. Então vamos voltar. Eu sou um leonino e não vou deixar com que faça algo contra nós.
— Se quiser voltar, bem, é só pedir ajuda a alguém.
Sean entrou na loja e deixou Colin para trás. A cidade ainda era estranha, não conhecia o caminho de volta. Não tinha dinheiro para táxi. Quis matar Sean por isso. Sua única opção foi acompanhar o moreno.
Assim que entrou, viu Sean conversando com uma mulher, essa parecia estar interessada nele, pois seus olhos subiam e desciam sobre o corpo do outro. Uma atendente vulgar, foi o que ele pensou.
A mulher guiou Sean para uma sessão, onde mostrou na parede cores sugeridas.
— Verde azulado é uma ótima opção. Você me disse que seus móveis, geralmente, são na cor marrom, certo? O verde azulado, com outra parede em branco seria a escolha certa.
— Você tem certeza? Não quero me arrepender depois. — Aquela falsa simpatia. O falso sorriso. Um ator. Não parecia ser Sean.
— Tenho. Caso você não goste, pode me procurar outra vez.
— Se daqui para lá você não for demitida, bem, ele pode te procurar.
Impacto! Foi o que Colin causou naquele momento, encarando a mulher que ficou sem graça com o que o que ouviu. Sean também estava boquiaberto, porém, tentava esconder o sorriso que insistia em escapar por entre os lábios.
Colin saiu da loja e esperou encostado ao carro, mesmo que o sol estivesse matando-o. Em pensar que era cerca de duas da tarde.
Sean saiu com algumas sacolas na mão e as colocou na mala do carro. Quando Colin notou que a porta fora destravada, entrou primeiro que o moreno e pusera o cinto. Cruzou seus braços e não se atreveu a olhá-lo nos olhos. O moreno entrou segundos depois, dando a ré e saindo dali.
— O que foi aquilo? — Ele perguntou.
— A mulher parece dar em cima de todo cliente. Isso não é certo.
— Chego a acreditar em ciúmes.
Outro soco no braço.
— Vai começar?
— Ai. —Ele disse, sorridente.
— Não sinto ciúmes de você. Caralho. Tem cerca de um mês e alguns dias que estamos ficando, não é tempo suficiente para sentir ciúmes.
— Mas há três ou quatro meses nos conhecemos, ou seja, tempo suficiente para você já sentir gostar de mim.
— Gostar de você? — Colin gargalhou. — São só algumas aventuras, nós dois sabemos disso.
— É, aventuras. — Foi só o que disse, de forma dispersa.
— Por que eu nunca soube que você tinha um carro? — Indagou, mudando o assunto que estava começando a incomodar os dois.
— Eu poderia usar o carro para me exibir na Quadra, afinal, poucos são os que têm um automóvel. Ricos mesmo naquele lugar são os Tigres. Não adianta tentar citar Ian e Danion, pois sei que estes nomes estão na ponta da sua língua. Você provavelmente não sabia que Danion tem uma moto, e que Ian também tem um carro.
— E porque ninguém usa?
— A Quadra é ao lado da universidade, Colin. Não temos garagem.
— Você nunca foi humilde, sempre foi de se exibir.
— De qualquer maneira, não tem graça em desfilar com ele na Quadra se eu não vou sair para outro lugar. Me chamariam de babaca.
— Mas você é um babaca. — Falou, firme e com desprezo.
— Agora cala a boca que chegamos ao outro lugar.
Juntos adentraram no shopping. Colin estava tão desarrumado, que se sentiu constrangido ao entrar naquele lugar imenso, cheio de gente bonita e elegante. Já Sean, mesmo não estando tão arrumado, tinha a imagem de gente rica. A camisa polo marcava seus músculos e combinava com a calça clara que usava, mesmo com os cabelos secos e bagunçados.
Juntos adentraram a uma relojoaria.
— Não me diga que...
— Sim.
— Eu não quero algo seu. — Dissera, querendo sair dali.
— Te fiz quebrar o seu relógio, nada mais que minha obrigação te comprar outro de presente.
— De qualquer maneira, não quero ter algo seu. Vamos embora daqui.
Sean o segurou pelo ombro, fazendo-o dar meia volta.
— O que você acha desse? —Apontou mostrando-lhe um relógio dourado. — Bonito, não? E esse? — Agora apontou para outro ao lado. — Você pode ter os dois se quiser.
— Sean, para com isso. É sério. Eu não usava muito o relógio, então não tem porque comprar outro. Vamos embora daqui. —Tentou ao máximo sair dali.
— Tem aquele ali. — Apontou para a prateleira de cima.
— É bonito. — Não resistiu. — Mas ainda assim...
— Então é esse.
Bufou de raiva pois não o moreno nem se importou com o que ele iria falar.
Sean largou Colin e buscou uma atendente. Em menos de minutos já estava sobre a mesa de pagamento e com o relógio em mãos. Voltou todo sorridente encontrando Colin ainda chateado por estar ganhando algo dele.
Quando saíram do shopping e entraram no carro, Sean jogou a pequena bolsa sobre as pernas do pequeno, que insistiu em não abri-la.
— Isso deve ter custado muito por ser da marca Seiko. — Falou, retirando o objeto de dentro. — Quanto foi?
O relógio que ganhou tinha a pulseira negra, com as laterais prateadas. No interior do relógio: ponteiro e número tinham detalhes azul marinho. Era perfeito para Colin, seria usado para diversas ocasiões.
— Não vou falar, caso contrário você vai me devolver. Mas é um presente, então, não tem porque você saber o preço. Agora vamos que ainda temos muito a fazer.
Colin não ousou em por o relógio no braço. Estava com pena de arranhá-lo e sujá-lo. Era novo e caro. E bem, presente do moreno.
Sean acabou entrando em uma área onde havia menos edifícios e mais casas, todas muito parecidas. Diferente da Quadra, todas as casas tinham garagem e o lugar era bem mais pacífico. Crianças caminhavam pelas calçadas. Há quanto tempo Colin não via uma criança?
Depois de estacionar seu carro na garagem, Colin estava um pouco confuso com aquilo tudo. Pensar que Sean tinha uma casa só para si, o assustava. O moreno não parecia ser independente.
Sean jogou as chaves em seu colo:
— Quando pensar em sair, lembre-se de travar.
Abriu a porta e deixou o pequeno ali dentro sozinho. Antes de entrar na casa, retirou as tintas que comprou.
Sean esperava que Colin o acompanhasse, mas dez minutos se passaram desde que ele adentrara em casa. O pequeno realmente parecia querer ficar dentro do carro.
Como ele queria pintar apenas a sala, foi rápido ter que retirar alguns objetos dali e cobrir outros com lençóis que ele não mais usava. Retirou sua camisa, temendo sujá-la e obedecera as regras que a mulher lhe disse sobre preparar a tinta.
— Me diz, por que logo eu? — Colin estava parado na soleira da porta branca.
— O que tá querendo dizer? — Perguntou, molhando o pincel.
— Por que me trazer aqui? Octavio seria a opção mais viável, seus amigos tigres ou até mesmo Colton. — Indiferente, e ainda parado, o pequeno não retirou os olhos do moreno que acabara de dar-lhe as costas.
— Octavio e eu brigamos. — Pausou. —Pelo menos é o que acho. Não tenho intimidade com os demais e não quero mais ninguém sabendo onde fica minha casa.
— Eu odeio você, sabia? — Caminhou até o outro, retirou sua camisa e tomou um pincel para si.
— Sentimento recíproco. Não se preocupa. —Sorriu.
Colin por pouco não meteu a mão na cara de Sean. O moreno não era como qualquer um, ele conseguia ser grosso e ao mesmo tempo adorável. Sua grosseria era apaixonante. Colin seria doente por gostar disso?
Mais se preocupou em observar o corpo daquele que estava ao seu lado do que com a pintura. Sean era tão alto, forte, másculo que até seu cheiro era excitante. Cada movimento de seu braço destacava algum músculo. Sentia-se até honrado por ter trocado beijos com ele. Porém, o que tinha de beleza era comparado a sua estupidez. Embora sua grosseria fosse algo natural dele, às vezes, um pouco de gentileza era bem vindo. Certo que ganhou um relógio do moreno, mas isso não se compara a todas as outras vezes. Nem ao fato de estar aqui, agora, sendo arrastado a forças para a casa dele onde teria que ajuda-lo a pintar a parede.
— Por que prefere viver em uma república se você tem essa casa? Em um lugar completamente diferente da Quadra. Eu particularmente, se tivesse essa casa, com certeza seria aqui o meu novo lar.
— Não minta. — Seco e grosso.
— Por que eu estaria mentindo? —Parou de pintar e olhou para o moreno, que parecia estar atento ao que fazia.
— Me diz se você conseguiria morar aqui depois de ter passado um tempo na Quadra. Lá, a menos, você se diverte, se adapta as bagunças, aos gritos e a agitação. Tem companheiros, tem com quem brigar e praticar bullying — acrescentou. — Aqui não tem nada disso, além de vizinhos que reclamariam do primeiro barulho ou confusão.
Verdade que Colin jamais poderia aceitar. Acabou realmente se adaptando ao lugar e sair dali acabaria deixando-o triste. A saudade seria tanta, que pensar no dia da sua formatura chegava a doer no peito. Mesmo que em todos os dias estivesse metido em alguma confusão e trocando farpas, era aquilo que fazia a Quadra: Agitação.
— Agora fui eu quem te deixei sem respostas. — Sorriu. — Meu Deus, como isso é maravilhoso. — Fez sina de vitória, fechando o ponho e fazendo cara de dor. — Sei exatamente como se sente. — Provocou. — Como posso descrever essa sensação?
— Não começa. —Falou irritado.
Sean caminhou até o seu aparelho de som e só fizera dar play. A partir dali, uma sequencia de músicas aleatórias começou a tocar. Eram eletrônicas, misturadas as da atualidade de cantores consagrados. Era impossível não mexer os quadris e a pernas em certos momentos.
Sean dançando era excitante. Ele não tinha a melhor dança do mundo, mas o fato de mexer a cintura, deixando os músculos do abdômen chamar a atenção de qualquer que o olhasse. Sem contar em sua bunda. A calça estava um pouco abaixo da medida, o que deixava parte da cueca vermelha a mostra.
“O que eu fiz pra merecer isso?” Colin pensou, completamente perdido naqueles pensamentos que o matava de prazer.
— Vamos, Colin. — Tentou animar o outro, enquanto aproximar dele.
Colin apenas revirava os olhos e impedia-o de se aproximar com o braço. O moreno dançava ao som de We Found Love, música que instigava os desejos mais íntimos de cada um. A desenvoltura do moreno para com o ritmo era tão grande que Colin tivera que sair dali e ir até outro cômodo tentando pegar ar. Quando voltou, o moreno continuava a dançar, só que dessa vez apenas mexendo os pés, pois voltou a se concentrar na parede que tinha que terminar de pintar.
Não tinha escadas e teve que improvisar com cadeiras, para que pudesse pintar a parte alta da parede. Enquanto ele subia, o pequeno foi obrigado a ter que segurar. Mas Colin era fraco perante o outro, se aquele corpo caísse em cima dele, com certeza o mataria, pois não suportaria o peso.
Eram quase sete horas da noite quando finalizaram a primeira parede. O moreno tinha 30% do corpo sujo de tinta, Colin uns 20%. Sean sentou-se na cadeira usada para descansar enquanto o pequeno optou pelo chão.
— Em pensar que tem mais uma. —Limpou a testa suada.
— Não vou fazer isso. Já chega. Meus braços estão doendo.
— Que fraco você, hein. Eu tive que cobrir todos os móveis enquanto você ficou no carro dando uma de difícil, e ainda assim tô disposto a terminar a outra.
— Eu não me importo. Só quero voltar pra casa e comer. Tenho certeza que Rick vai preparar algo bom. Deuses, como eu queria comer o frango dele. — Quase babou.
— Você fala isso porque nunca comeu da minha comida.
— E nunca comeria. Primeiro que você na cozinha deve ser uma tragédia. Segundo, o que teria de acompanhamento? Veneno?
— Vou te provar isso. — Ele se levantou. —Cuida da casa enquanto eu vou comprar algo.
— Sean, eu preciso voltar. Vão sentir minha falta e ninguém sabe de nós.
— Se vire, crie uma desculpa. Você é inteligente. — O moreno saiu ainda sujo de tinta e deixou Colin sozinho naquela casa que ele não conhecia.
O pequeno ficou boquiaberto com a atitude do outro. Sua vontade era correr atrás dele e insultá-lo, mas estava tão cansado para isso que não foi capaz. Até lembrar novamente que precisava voltar. William e os outros sentiriam a sua falta.
Procurou por seu celular, mas não o encontrou. Insultou-se por ter deixado em seu quarto na república, já que a bateria tinha acabado. Saio procurando pela casa meios de comunicação, mas não encontrava.
Seu desespero era tão grande que ele pensou em sair dali, já que tinha em mãos as chaves do carro. Porém, ele não sabia dirigir.
Por um milagre, encontrou jogado sobre o lençol branco que cobria o sofá, o celular do moreno.
Correu em desespero para o aparelho e tentou digitar algo. Para seu azar, tinha senha.
Ele não se preocupou com isso e passou a tentar números impossíveis. Cinco eram as chances que ele teria, caso errasse mais uma, o celular iria bloquear e só o moreno conseguiria desbloquear.
“1234” Era a senha.
Colin parou de respirar quando o celular foi destravado. Chamou Sean de idiota mentalmente por ter uma senha tão fácil como aquela. Já acostumado a conversar com Caine por telefone, acabou decorando seu número.
— Atende! — Falava para si mesmo, esperando com que o amigo atendesse.
— Quem fala? — A voz de Caine no outro lado da linha parecia ser diferente.
— Caine? — Colin perguntou dando um sobressalto. — É o Colin.
— Colin? Por Deuses, onde você está? William já veio te procurar duas vezes aqui.
— Olha, é uma longa história. Eu prometo te explicar assim que chegar em casa. Mas antes, você precisa me ajudar.
— Ajudar? Você tá em perigo? — Perguntou, preocupado.
— Não, não estou. Só preciso que você invente alguma situação para o William e diga-o que chegarei tarde.
— Mas onde você está? Até eu fiquei preocupado. Não te encontrei na universidade desde o término da aula.
— Estou perto, mas não vou poder voltar agora para a Quadra. Só preciso que diga ao William algo. Faça isso pro mim, eu imploro.
— Colin, você tá me assustando.
— Não vivemos em um filme de terror, Caine. Não fui sequestrado, não se preocupa. Eu juro que te conto tudo na manhã seguinte. Tenho que desligar.
E desligou assim que viu a porta sendo aberta. Sean o olhou confuso assim que encontrou seu celular em mãos. Colin jogou o aparelho para ele, que rapidamente o segurou.
— Pronto, resolvi o problema. Agora trate de fazer esse jantar, pois estou faminto. — Ordenou. —Ah, como alguém põe a senha tão fácil como a sua?
— Então você conseguiu entrar?
— Um, dois, três, quatro. Fácil.
— Por ser fácil que eu a deixo. As pessoas costumam procurar combinações difíceis e esquecem as óbvias.
— Então é melhor mudar, porque acredito que existirão pessoas inteligentes iguais a mim.
— Você é um filho da puta. — E saiu, rumando a cozinha.
Colin, mesmo que sem a autorização do outro, assim que encontrou o banheiro entrou. Lá tomou um banho demorado, pois estava se abusando dos produtos que Sean tinha. Sem contar, que no banheiro tinha uma banheira, o que para ele, era demais. Sentiu-se um deus.
Sentiu falta de roupas novas, mas se contentou com as que tinha.
Quando saiu do banheiro, o cheiro que adentrou as suas narinas, era agradável. Tomou um susto quando encontrou uma mesa pronta com legumes e batata. Sean também fizera ervilhas.
— Só falta o frango. Em cinco minutos você tem retirá-lo do forno. Pelo amor de Deus, não esquece disso, cuida daqui que agora é minha vez de tomar banho.
O moreno deu-lhe novamente as costas enquanto ele foi obrigado a contar no novo relógio os cinco minutos. Não passou um segundo a mais e ele desligou. Tivera dificuldades em retirar o frango do forno, mas conseguiu.
Sua vontade era comer tudo aquilo sozinho, mas não seria delicado da sua parte, já que Sean preparara. Para sua felicidade, o moreno logo apareceu, ainda sem camisa e com os cabelos úmidos. Dessa vez usava bermuda azul e sandália.
Colin se serviu em silêncio enquanto o moreno continuava a fazer piadas.
A primeira mordida no frango levou o pequeno aos céus. Rick cozinhava muito bem, mas Sean não ficava para trás.
— Que bruxaria você fez? — Colin perguntou, ainda de boca cheia.
— Segredo. — O moreno piscou.
— Desde quando você cozinha?
— Desde o momento em que comecei a fazer minha própria alimentação. Era eu quem cuidava da cozinha dos Tigres, até começar a ficar impaciente e deixar com que eles se virem.
— Não é egoísmo da sua parte deixa-los se virar com qualquer comida?
— Sim, mas eu não me importo. Tem um novo garoto que faz comida lá, então, acho que estão bem. — Cortou um pedaço do seu frango e levou a boca.
— Já te disseram que você é um péssimo líder? William é totalmente o oposto de você. Eu com certeza iria te odiar na liderança.
— Eu gosto do ódio das pessoas, Colin. Já te disse. Elas começam a me temer com o tempo. Fazem de mim um rei.
— E para mim, te fazer um babaca. — Respondeu sem olhá-lo nos olhos.
O jantar infelizmente teve seu término. Colin levou seu prato a pia e em seguida lavou suas mãos. Sean não tinha acabado de comer ainda, por isso o pequeno ficou em pé, de braços cruzados o observando, até este finalmente terminar de se alimentar.
— Ok, agora vamos embora. — O pequeno disse, já saindo do cômodo.
Colin conseguiu caminhar até a sala ainda sem ouvir resposta do moreno. O pequeno estava tão distraído que não notou a mão travessa de Sean envolver a sua cintura. Ele sentiu seu corpo gelar, mas logo aqueceu quando a raiva tomou conta.
Adorava e odiava ao mesmo tempo esses ataques surpresas do moreno.
— Era esse o seu objetivo desde o início. —Colin falou.
— Teria sido se o dia não fosse tão divertido. E eu só te puxei pra dar um beijo, o que tem demais?
— Um beijo e você não combina. Você necessita do pacote completo.
— Juro que não queria tocar nesse assunto. Mas você deixa claro estar mais interessado nisso do que eu, só nega para se mostrar forte. Mas já que não quer nada, eu não irei insistir. Só me espera aqui que vou pegar uma camisa para usar.
Colin não obedeceu ao moreno e o seguiu, passaram por um curto corredor e uma pequena área onde havia plantas, até dar de cara com uma porta na cor marrom, com a maçaneta prateada. Logo quando entrou ficou apaixonado pelo quarto do moreno.
Diferente das outras partes da casa, seu quarto parecia permanecer intacto, sendo cuidado sempre. Seu cobertor era na cor roxa, enquanto a cama era de madeira branca. A parede tinha a cor de um verde quase perdendo a vida, com algumas molduras amadeiradas. Uma estante para livros na cor branca se posicionava ao lado da cama no canto da parede, e uma pequena mesa de cabeceira, com fotos dele e Octavio.
Colin tinha que admirar a amizade dele com o outro, apesar de saber que esses já foram parar na cama juntos uma vez. De qualquer forma, Octavio cuidava do amigo como um filho. Saber que eles brigaram, acabou mexendo com o pequeno, mas ele odeia ter que se meter nisso. Já magoou Octavio uma vez, por ter beijado William no verdade ou desafio, e se meter em um problema desses dois, poderia acabar agravando a situação.
Colin sentou-se na cama de Sean e nossa, como ela era macia. Estava tão cansado pelo dia, que se permanecesse ali por mais alguns segundos, acabaria dormindo.
Repousou sua cabeça no travesseiro e fechou seus olhos, apenas ouvindo o barulho que Sean fazia tentando procurar uma camisa em suas gavetas.
Ele cochilou cerca de três minutos, quando foi acordado de supetão com Sean ao seu lado, olhando em seus olhos. O pequeno levantou assustado, mas foi puxado pela cintura, voltando a cair nos braços do outro.
— Não me nega isso, Colin. Eu sei que assim como eu, você também quer. — Permaneceu insistindo.
— S-sean. — Disse, sem graça.
— Eu me seguro demais perto de você, sabia? Mas parece que você adora me maltratar dando essas desculpas de que não quer.
— Mas eu não quero. — Tentou parecer firme.
O cheiro de Sean adentrou novamente as suas narinas, fazendo-o embriagar-se.
Os lábios de Sean cravaram em seu pescoço e Colin suspirou, mas ainda assim continuava a rejeitar tentando retirar o braço do outro que prendia sua cintura.
— Eu garanto que você não vai se arrepender. — Murmurou.
— P-para c-com isso! Vou acabar te denunciando por estupro.
— Você não quer que eu pare, consigo sentir seu coração pulsar mais forte. Não nega, Colin. Transpiramos desejos, já te disse isso. Gostamos do que é errado e proibido.
— Eu vou acabar te batendo e dessa vez é pra valer.
— Tá, eu te solto. Mas se você passar por aquela porta eu juro que vou parar com tudo que começamos. E quando eu juro, acredite, cumpro aquilo que digo.
— Que seja.
Colin levantou, arrumou seu cabelo e encarou o moreno deitado e dessa vez o sorriso não estava em sua face. Ele parecia querer saber se o pequeno era corajoso o suficiente para sair do quarto. Já provou da coragem de Colin diversas vezes, mas precisava ter certeza de uma coisa: Se realmente Colin não queria sexo.
O pequeno estava disposto a sair dali e deixar Sean com cara de idiota, sendo abandonado na cama. Sendo rejeitado, o que provavelmente deve ser difícil para ele. Outro com certeza acabaria transando com ele, mas Colin não era igual a todo mundo. O que de fato, foi isso que atraiu o moreno.
Caminhou até parar na soleira da porta aberta. Um passo a mais e ele estaria fora do quarto. Seu corpo pedia para ficar, mas seu cérebro pedia para ir embora. Por que diabos esse magnetismo entre ele e Sean existem? Um corpo parecia implorar o outro. Exalavam desejo. Puros! Quentes.
Mas então, ele atravessou a porta, para a decepção de Sean. O moreno então o seguiu sem dizer uma palavra. Colin parecia realmente estar disposto a não transar com ele. Garoto difícil.
Já estavam na sala quando Colin parou de supetão e por pouco Sean não tombou nele.
— Eu sou virgem! — Colin se virou para olhar o outro. Estava completamente vermelho e constrangido. —Não sou como todos da Quadra, que parecem ter a vida sexual ativa e que perderam a virgindade aos quinze anos de idade.
— É esse o problema? —Sean sentou-se no sofá com um sorriso de ponta a ponta. Tão lindo.
— Claro. O que mais seria? As pessoas acham que não sou, mas permaneço puro — brincou com a palavra — até hoje.
— Você espera algo mágico, não é?
— Por favor, Sean, eu não sou como as moças da Disney. Vivo a realidade. — Revirou os olhos.
O moreno se levantou, ainda exibindo o velho sorriso de gente boba que acabara de descobrir algo fantástico. Segurou na mão de Colin e puxou aquele corpo pequeno para o seu. Ver o garoto completamente constrangido era algo que deveria guardar na memória para sempre.
Por outro lado, estava aflito. Sean nunca tirou a virgindade de ninguém na vida. Mas quando um corpo implorava por sexo, problemas teriam de ser esquecido.
— Eu tenho medo de você. — O pequeno falou, num murmúrio.
Sean abaixou sua cabeça e encontrou os lábios do outro, que já estavam úmidos, esperando-o. Colin aceitou aquele beijo com veemência. E saltou, prendendo sua perna na cintura do moreno. Sean ainda beijava Colin enquanto hora ou outra sorria, nesses momentos tomou alguns beliscões.
Com Colin ainda em seus braços, o moreno lançou contra a parede e beijou seus lábios mais uma vez, dessa vez afundando os dedos em seu cabelo. Chegaram a quebrar um vaso quando passaram para o corredor que levava em direção ao quarto.
Sean mais uma vez lançou Colin contra outra parede, abaixo de uma planta pendurada no teto da casa. Colin sempre quando podia, cravava seus dedos na nuca e ombros do moreno, para então poder se apoiar, já que estava sendo carregado e tomado pelo outro.
A porta do quarto quase caíra, pois Sean tivera que chutá-la para abrir. Não queria largar o menor.
Deitou o corpo do outro na cama e notou suas bochechas corarem. Era incrível vê-lo assim, completamente entregue, embora estivesse temendo-o. Sean levou seu dedo à madeixa de cabelos na testa de Colin e olhou em seus olhos, voltou a sorrir, mas dessa vez não o provocava.
As balas de caramelo pareciam brilhar intensamente, hipnotizando-o. Os lábios entreabertos e encostados um no outro, misturando as respirações. Sean estava entre as duas pernas do pequeno, já podendo sentir o arder do seu membro chocando-se no do outro. Tomou os lábios de Colin, finalmente, arrancando um leve gemido do menor, que pareceu não resistir mais.
Colin, mesmo que com unhas curtas, tentava a todo custo arranhar as costas de Sean. Mas a camisa que ele vestira minutos antes o impedia de fazer isso.
O moreno sabendo que o menor queria explorar seu corpo, tocar a sua pele, pusera o corpo de Colin entre suas pernas e ficou de joelhos. Ele sorriu para o pequeno que o encarava. Finalmente retirou sua camisa, exibindo o belo corpo. Colin, deitado, teve aquela visão magnífica de Sean em cima dele, retirando a veste. Sentia-se tão pequeno, que chegou a se odiar por isso. O moreno e bronzeado com certeza faria estragos com ele.
Quando Sean relaxou seu corpo sobre o dele e voltou aos beijos, o pequeno, apaixonado pela bunda do outro, não resistiu e pusera as duas mãos dentro da calça, podendo sentir então o pedaço de pele que tanto almejava e paquerava. Como resposta a atitude, Sean mordeu o seu pescoço. Imediatamente o vermelho naquela região se formou.
Outro suspiro.
Colin nunca chegara a esse ponto. O máximo que fizera fora trocar alguns beijos com um amigo seu, no passado. Nada mais que isso.
Seu peito ardia em chamas. Sua pele parecia brasa.
Sean não era a pessoa mais delicada do mundo, mas se esforçava o máximo para não assustar Colin. Sendo assim, tivera que guia-lo em todas as ações.
O moreno arrancou a camisa suja do outro, e imediatamente atacou o tórax nu do pequeno. Outro suspiro. Tais suspiros alimentavam o desejo de Sean. Era como uma fogueira em tempo frio, para aquecer, seria necessária muita lenha. Muita lenha. A lenha é o suspiro. Porém, mais do que isso, a entrega de Colin era como gasolina. Gasolina e fogo. O resultado?!
Sean circundou com a língua o mamilo do pequeno, delirando-o. Colin já não tinha mais saída. Perdeu o que tanto estava escondendo.
Sean novamente voltou a ficar de joelhos, e sem delicadeza, arrancou as calças de Colin. Vendo-o completamente despido e duro.
Colin levou seus pensamentos ao desejo. Não queria poder lembrar de que estava pelado para Sean, que parecia gostar do que via. Para alguém considerado pequeno, o membro de Colin era a exceção, não era um superdotado, mas pelo menos sua dignidade estava depositada ali.
O moreno voltou a beijá-lo, e sentiu o membro de Colin pulsar em seu abdômen. A perna direita de Colin mais uma vez envolveu a cintura de Sean, e o ele cravou o dedo naquela coxa frágil. Por pouco sua mão não a envolveu por completo, faltavam poucos centímetros para isso.
Novamente o suspiro. A combustão.
Tudo que Colin queria no momento, era Sean despido sobre ele. Estava impaciente demais para isso. E como sempre fora alguém de atitude, se atreveu a falar:
— Eu vou ser o único a ter que ficar pelado?
O velho sorriso cuja intenção era provocar tomou forma na face do moreno.
— Por que você não tira para mim?
Colin o olhou. Aquilo era sério e o moreno não parecia brincar. Ele não poderia voltar atrás, não depois de ter ficado realmente pelado e ter seu pescoço tomado pela boca do outro.
Empurrou Sean para o lado e tomou a posição que antes o moreno estava. Sua mão por tremer tanto, se complicou ao retirar o cinto do moreno, mas finalmente conseguiu. A mesma dificuldade tivera ao retirar a calça de Sean, que pareceu travar em suas pernas. Felizmente conseguiu.
Encontrou então um moreno deitado, com os braços sobre a cabeça e sorridente. E ah, de cueca.
Colin engoliu o seco ao notar o membro de Sean ainda dentro da cueca. Aquilo chamava mais atenção do que o próprio corpo do moreno, e ele parecia se vangloriar pelo que carregava. Travesso, Sean segurou a mão do pequeno e a levou até o tecido.
Ele não estava sendo obrigado a nada. Tinha noção do que fazia. Segurar o membro de Sean pela cueca era prazeroso. Mesmo que não tivesse contato com a pele, diretamente. O moreno estava de olhos fechados, aquilo foi melhor, pois odiava encará-lo.
Foi além e encontrou as coxas de Sean, dali, invadiu a cueca do moreno, e finalmente, tocou o seu membro. Um suspiro, só que dessa vez da parte do moreno.
Colin perdeu o controle. Retirou a cueca de Sean e viu perfeitamente como o outro viera ao mundo. Se existisse perfeição, esse alguém era Sean. Aquilo acabou quebrando todas as estruturas no corpo do pequeno, pois a tentação, o prazer fora grande.
Colin tomou um leve susto quando Sean o puxou. Agora os dois membros se encontrava enquanto eles se beijavam, certo que o de Sean às vezes tocava o seu abdômen pelo simples fato dele ser baixinho.
Sean tocou o membro de Colin, o que fez o pequeno encolher seu rosto em seu pescoço e respirar forte. Até sua respiração estava quente, Sean sentira isso.
Apesar de bruto, o toque do moreno sobre o membro do outro era delicado, cujo objetivo era dar prazer. Os beijos retornaram, só que dessa vez eles pareciam mais fogosos que antes. Uma hora Colin estava por cima, segundos depois o moreno tomava a posição. Até então caírem da cama.
Colin estava por cima de Sean, ambos sorriam daquilo. Tão desastrados.
O moreno retirou Colin de cima de si e sentou-se na cama, com as pernas abertas. Colin ainda estava sentado no chão, observando o moreno sorrir a cada vez que levava seus olhos ao membro.
Como prosseguir? Ele se perguntou. O pequeno não era a pessoa mais ingênua do mundo. Não era santo. Talvez, fosse pior que Sean, embora virgem.
Colin pusera as duas mãos em ambas as coxas de Sean, e ali, ainda sentado, devagar pusera centímetro por centímetro em sua boca.
O moreno sugou o ar numa espécie de gemido quando sentiu o úmido daquela boca envolver seu membro, que latejava mais do que nunca. Ele achava que o pequeno não teria coragem de fazer algo do tipo, mas como sempre, o outro provava que estava disposto a desafios. Mostrava a ele que nunca foi alguém inocente. Colin também era quente.
A mão grande do moreno fora até a cabeça do outro, guiando-o.
Ele adorou observar o pequeno daquele ângulo. Colin não abrira o olho sequer um minuto enquanto sugava todo aquele pedaço de carne. Há dias o moreno não transava com alguém, e agora realizava o desejo com alguém que adorava maltratá-lo. Como já era de se esperar: a vitória sempre é sua.
Sua mão agora segurou o queixo de Colin, afastando o rosto de seu membro e puxou o outro para mais um beijo, dessa vez calmo. Sentia seu próprio gosto. O pequeno sentara em sua coxa enquanto era masturbado por Sean. O pescoço voltou a ser tomado, enquanto seu ombro recebia mordidas.
Já havia perdido tempo demais. Jogou Colin na cama, com a brutalidade que sempre tinha. Em uma das gavetas encontrou o preservativo. Aquilo incomodou Colin, pois imaginou que ele já transara ali com alguém diversas vezes.
No que pensar enquanto era penetrado? Logo quando imaginou um dia transado com o moreno, sabia que seu papel seria esse. Não que o incomodasse, só que o moreno era grande em todos os sentidos.
Antes de ser invadido, o corpo de Sean caiu sobre suas costas enquanto o moreno preparava-o com o dedo. Só aquilo era prazeroso o suficiente para desligar seus pensamentos e pensar exclusivamente no prazer.
Era a hora.
No início, o moreno tivera certa dificuldade para poder se encaixar em Colin. O corpo do pequeno não estava adaptado a isso, e por muitas vezes as mãos do outro o impedia de continuar. Era difícil.
— Se você não relaxar, vai ser pior.
— Não é você que tá de quatro. Então tenha paciência comigo. — Reclamou.
Até nisso a velha farpa insistia em prevalecer.
Machucar Colin era prazeroso. Vê-lo sugar o ar em forma de gemido, reclamando da dor e se contorcendo acabava deixando o moreno mais louco do que já estava. Eram pacientes, pelo menos nisso. Colin aceitava cada centímetro por minuto, e finalmente, Sean se encaixou por completo, sentindo sua coxa encostar a nádega do menor.
Mas ainda assim existia um caminho árduo até o pequeno sentir o real prazer disso.
Ainda pacientes, — Quem não ficaria diante de um corpo desses? — o moreno permaneceu parado enquanto Colin cravou suas unhas no lençol da cama, gemendo entre dentes e xingando Sean mentalmente.
O moreno esperou com que Colin se adaptasse e ele mesmo tomasse a iniciativa de se movimentar. O pequeno, aos poucos, fizera curtos movimentos. Em um momento, Sean se desequilibrou. Colin gritou e mandou insultos no ar. Queria se virar e socá-lo, mas com o outro dentro de si, isso era impossível.
Sean segurou a cintura de Colin e com calma tomou a atitude de se movimentar. Colin pareceu não reclamar daquilo, sinal de que rapidamente iria se adaptar por completo. Com movimentos leves e estratégicos, passou a retirar metade do seu membro e inserir novamente no outro. Calado, o pequeno aceitava tudo.
A partir daí, era sinal de que estava preparadíssimo.
Mesmo que doesse em Colin, o moreno não se preocupou em fazer um movimento forte. Colin arqueou as costas e levantou o braço como sinal de redenção. Seu corpo caiu na cama, mas a sua cintura permanecia presa nas mãos do moreno. Colin despertou a força de um Tigre.
Colin era tão pequeno perto de Sean, que facilmente poderia ser tratado como um boneco. O moreno tinha força suficiente para erguê-lo sempre que quisesse. Era um brinquedo nas mãos de um vilão. Literalmente.
Permaneceram na mesma posição por quase trinta minutos. O corpo de Colin já pedia descanso. O moreno só dera a oportunidade dele se acomodar. Agora deitado, fitando o teto, viu o outro afastar suas pernas e novamente penetrá-lo. O rosto de Sean apareceu em seu ângulo de visão.
Sean nunca iria desfazer aquele sorriso. A face de Colin estava vermelha como um tomate. O pequeno por diversas vezes suspirava forte por imenso prazer. Estava sendo penetrado e tendo mais uma vez o pescoço tomado pelo outro.
As unhas curtas do menor tentavam a todo custo arranhar o moreno. Amava os lábios do outro sobre o seu. Levou sua mão a face do moreno, fazendo-o beijá-lo. Quando o beijo se desfez, Colin vira os fios negros colados sobre a testa de Sean e imaginou que o seu também estava assim.
Sean admirava aqueles olhos castanhos, que dessa vez não se constrangeu em encará-lo. Sentiu as mãos do menor afastar os fios colados em sua testa e puxar-lhe para mais um beijo. O moreno sempre foi bom naquilo que fazia, sabia perfeitamente que o outro jamais se arrependeria de ter se entregado a ele.
Colin novamente cansou de estar naquela posição. Na verdade, uma hora se passou e para ele era o suficiente. Infelizmente, o moreno pensava diferente.
— Chega, por favor. —Pediu, já exausto.
— Só quando eu quiser. —Disse, firme.
— Sai daqui, eu vou te bater! — Ele fuzilou o moreno, embora estivesse gostando de tudo isso.
— Eu não me importo. Você me deixou louco, agora vai ter que aguentar.
— Posso facilmente ligar para a polícia, dizer que você me sequestrou. Afinal, olha onde eu estou. Na sua casa e transando com você.
— De qualquer maneira, mesmo estando preso, posso carregar o título de quem tirou a virgindade do baixinho filho da puta da Quadra Nove.
— Ah, se fode.
Colin se levantou da cama e correu pelado pelo corredor da casa. Sean não iria parar assim tão facilmente e alcançou o menor já na sala. Ele rapidamente segurou em seu braço e o lançou contra o sofá coberto.
O pequeno não teve nem oportunidade de falar, Sean o ergueu no ar, fazendo-o novamente prender suas pernas em sua cintura e de pé, passou a penetrá-lo. Colin era pequeno e ele não sentiu dificuldade nisso.
Transar em pé era algo que ele nunca imaginou. Encostava Colin na parede quando queria descansar seu braço, e novamente, voltaram para o quarto. O pequeno estava realmente perdido e sem saída.
Pegou um travesseiro e pusera em cima de seu rosto, impedindo Sean de beijá-lo. Era teimoso. Muito.
Mas ainda assim, sentia prazer só em ser penetrado. O moreno não parava um minuto para descansar.
Sean pusera Colin por cima dele, e dessa vez pode apreciar o pequeno. O corpo também estava vermelho. O moreno novamente pressionou sua cintura enquanto movimentava-se dentro dele. Ora ou outra estava arqueando as costas cada vez que o moreno ia mais forte.
Chegou a um momento em que Colin parecia que ia quebrar, pois o moreno não poupava força para com o corpo do outro. Era tão rude, bruto que o contato dos corpos chegava a criar som e ecoar pelo quarto.
O moreno notou que Colin realmente estava exausto. O corpo do pequeno parecia estar adormecido, pois ora ou outra ele caia sobre seu tórax e gemia baixinho.
O pequeno se encarregou de se masturbar em cima dele. As caras e bocas que Colin fazia era da mais fofa a mais sexy. Aquilo excitou tanto o moreno que seus movimentos eram mais rápidos e preciso só para o outro sentir mais prazer.
Colin gemeu alto quando chegou ao ápice, ali, em cima do moreno. O pequeno fechou seus olhos e como uma fruta que cai da árvore, despencou no corpo do outro, ainda com ele dentro de si. Sean só erguera Colin um pouco para sair de dentro do garoto.
O menor sentiu a respiração rala e descompassada do moreno em seu ouvido, até que este gritou de prazer. Ou melhor, explodiu. Sean acabara de chegar ao ápice, sujando literalmente toda a costa de Colin.
As respirações eram fortes. Os corpos estavam exaustos e soados. Colin deslizou e caiu ao lado do moreno, fechou seus olhos e respirava na tentativa de recuperar o fôlego perdido.
Sean beijou-lhe a testa e mesmo que lhe faltasse ar, estava gargalhando.
— Do que você tá rindo, imbecil? — Disse, quase sem forças.
— Você é bom. Difícil, mas bom.
— Não vai ter uma segunda vez. E eu espero poder andar depois disso que aconteceu.
Um beijo foi o suficiente para calar a boca do pequeno. Mas o sorriso de quem conseguiu aquilo que tanto almejava, era tão bonito que chegou a fazer Colin também sorrir em resposta, mesmo com os lábios selados.
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