Notas iniciais
Caro leitor, antes de ler essa fanfic quero informar meus motivos por qual levaram-me a escrevê-la. Há um tempo, fiquei incomodada por diversas histórias muito ruins do casal que mais gosto ( Hyoga e Shun), mas não somente pela qualidade de escrita, coerência e história, mas pelas ideias incluídas. Muitas dessas ideias são a humanização do personagem, mas você me pergunta “ Por que isso seria ruim?” Assim como os mitos gregos que idealizavam o herói, beleza, coragem, as mídias que consumimos devem ter esse papel. O que mais vimos atualmente é o total oposto do belo, da moral, da ética. Como adulta, vivo e vejo como é importante consumir boas leituras, daquelas que ensinam a ser um indivíduo melhor, um ideal a ser seguido, um herói que você quer ser. Não é porque é uma fanfic, que deve ser maléfica. Não sou excelente na escrita quando trata-se de história, é questão de prática, e isso tenho pouca. Um aviso importa: Não sou simpatizante de nenhum lado político, não voto em ninguém, meus votos são nulos. Minha filosofia é o objetivismo, e vejo o niilismo como algo ruim e maligno. No caso, se você não concorda, tudo bem, é seu livre arbítrio. Não estou aqui para debater, mudar ideia de ninguém, só estou aqui para ESCREVER. Comentários são bem vindos para dar dicas para escrever, melhorar alguma coisa, se tiver algo confuso e não foi explicado, elogiar. Boa leitura. Capitulo não betado.

"Quando observares a corrupção a ser recompensada e a honestidade a converter-se em auto-sacrifício; então poderás constatar que a tua sociedade está condenada."

Ayn Rand

Naquela manhã de inverno em Nova York, a cidade estava barulhenta como sempre, pessoas desfilavam nas ruas com seus trench coat por conta da baixa temperatura. O jovem russo observava os grandes arranha-céus da janela do seu apartamento, aquelas belas estruturas modernas e outras antigas em contraste com aquela exuberante manhã de 1938.

A neve caia lentamente com certa elegância, o cheiro de bolo da confeitaria no primeiro andar do prédio lhe causava uma nostalgia de sua infância na Carolina do Norte, onde sua mãe ainda mora.

Seus sentidos deslizaram-se, somente o olfato dominava, fazendo-o viajar em suas lembranças. Aquelas tardes ensoladas que sua mãe fazia bolos e vendia naquela pequena cidade.

A casa cheirava à bolos, ganache feito com o melhor chocolate do estado da Carolina, aqueles limoeiros e lavanda, e a brisa da primavera. Sua hipnose foi quebrada quando um carro buzinou violentamente embaixo do prédio. Era Milo, um grego peralta, todas as manhãs ele vinha buscar o russo para irem à Universidade. O grego era p.h.D em Filosofia de Aristóteles, eram muito amigos, uma relação amigável entre aluno e professor.

— Está viajando em seus pensamento loiro! — gritou e buzinou mirando para o jovem na janela.

— Pelo amor de Deus, seja menos escandaloso. — disse um ruivo do lado do grego, um homem com um olhar irritado muito aparente apesar dos óculos de grau.

— Não briguem, estou descendo. — exclamou da janela, pegou sua bolsa de mão feita de couro legítimo, seu trench coat, e desceu correndo as escadas.

Ao chegar na rua, quase escorregou na neve.

— Cuidado mundo da Lua! — exclamou o grego rindo quando viu o russo quase caindo na neve- Essa manhã o senhor Mikhailov está perdido em seus pensamentos?

— Estou, boas recordações caro amigo, somente boas. — tirou o chapéu Fedora para entrar no carro, colocando novamente quando sentando. — Meu aniversário está chegando, e isso significa um grande bolo de limão.

— Falando em bolo, sua mãe me ligou esta manhã, ela está planejando uma festa de aniversário. Mas como este ano estamos muito ocupados, ela que virá para Cidade. — O ruivo sorriu singelamente para seu sobrinho. — Mas, mudando de assunto, ouvi falar que Ayn Rand vai publicar “O cântico” esse ano.

— Quem disse? — gritou o grego surpresa quase batendo o carro.

Camus olhou advertindo-o e continuou. — Aiolos disse, ele é amigo dela e seu editor. Ele disse que será um livro visionário, porém diz muito do passado também. Já que Ayn Rand fugiu da Rússia Comunista assim como sua mãe também, Hyoga. — Olhou para o jovem que ouvia atentamente seu tio. — Trata-se de um romance sobre o embate entre o indivíduo e o coletivismo totalitário, se passa num futuro em que impera uma ordem governamental totalitária de tipo fasci-comunista. Foi só isso que Aiolos pode dizer, não pode dar muito detalhes por conta do contrato.

Durante o caminho, os três homens conversavam e riam das piados do grego, sempre de bom humor e carismático. Logo, eles chegariam a Universidade.

— X _

O Barulho da cidade. A neve. As vozes ao seu redor.

Quando acordou naquela manhã, aquele jovem nipo-americano recordou-se do seu irmão acordando-o todas as manhã, aquele cheiro de panquecas e ovos mexidos.

“Aquelas manhãs não eram as mesmas. Jamais seriam as mesmas.” pensou Shun.

Ele era estudante de medicina da Universidade de Columbia, e fazia iniciação científica com bolsa financiada por uma empresa. Não era rico, era sozinho. O dinheiro da bolsa era o suficiente para ajudar em suas necessidades, apesar de muitas adversidades em sua vida e a perda precoce de sua família, principalmente do seu irmão Ikki, que morreu de câncer. Shun não se sentia miserável, ele sentia algo dentro dele, algo que ele não sabia explicar.

Sentia uma força, sentia-se revigorado, energizado.

Sentia que podia ganhar o mundo com seu conhecimento, ele quer ganhar o mundo.

Limpou a lama do sapato, passou suas roupas e as vestiu. Tomou seu café com torradas, partiu no ônibus 5 minutos adiantado do horário habitual.

Quando chegou na universidade, seguiu até a biblioteca. Sentou em um lugar reservado, abriu um livro de Fisiologia Médica e estudou até seu tempo de aula.

Ajeitou suas mechas acobreadas em um rabo de cavalo meio alto, colocou seu jaleco e entrou no laboratório.

Estava vazio, muito estudantes de medicina estavam em uma palestra no outro lado do campus. Aquilo não interessava Shun.

Quando saiu do laboratório, estava nevando muito, parecia uma pequena tempestade. Suspirou e sentou em um banco, ao lado tinha um jovem que admirava aquele caos no céu noturno.

Aquele jovem era loiro, sua pele era como porcelana, seus olhos eram um azul claro com tons cinzas. Ele estava lendo “Os miseráveis” de Victor Hugo.

— Estudante de literatura? — perguntou o nipo-americano.

— Filosofia… — respondeu sem tirar os olhos do livro. — e você?

— Medicina, mas gosto de aventurar-me em filosofia e literatura, antes queria ser cantor lírico. — riu de forma inocente por sua própria declaração.

— Por que rir? — olhou fixamente, esquecendo de sua leitura.

— Porque recordei-me de momentos agradáveis. — desviou o olhar para suas próprias mãos. — Você deve ter algo que lhe trás belas recordações, não aquelas comuns, mas aquelas que aquecem.

— Fala-me mais. — Agora Shun tinha plena atenção do loiro.

— Sabe, quando vi pela primeira vez uma aria, foi a aria Der Hölle Rache, eu me senti grandioso. Virtuoso, é uma sensação… que na maioria das vezes não consigo descrever. — vez um olhar confuso, tentava buscar palavras para aqueles sentimentos. Respirou fundo e confiante disse. — Transmite uma maneira certa de existir, é poderosa, possui uma profunda capacidade de nos afetar, é uma explosão de sentimentos.

O jovem russo admirou-se com aquelas belas palavras, e naquele momento apaixonou-se por aquele rapaz.