Durante aquele curto período de tempo, Hyoga convidou o rapaz para uma cafeteria perto do campus. Shun pediu um frappuccino e um donut, enquanto o russo só bebia um cappuccino.

Enquanto conversavam sobre suas vidas, trocavam sorrisos instantâneos. Hyoga reparou que Shun parecia uma criança curiosa comendo, ele comia devagar, saboreando aquele donut recheado com geleia de frutas vermelhas, sua cobertura era um glacê rosa. Já a bebida, deixou um pequeno bigode de chantily. O russo não quis dizer sobre o bigode, achou engraçado e continuou olhando, ora ria discretamente, ora olhava admirando seu rosto inocente.

— Porque olha-me e rir as vezes? — perguntou de forma confusa e engraçada. Hyoga tentou não rir daquela situação, mas não aguentou e soltou uma risada genuína.

— Está com um bigode de chantily. — sorriu para Shun que logo ficou envergonhado, mas Hyoga pegou um guardanapo e limpou suavemente em volta de seus lábios.

— Obrigado. — sorriu de forma doce, não estava zangado com aquilo, apenas ficou feliz por conseguir arrancar risadas aquele jovem sério. — Como igual a uma criança, sujo-me sempre. — limpou suas mãos com vários guardanapos, estava ficando nervoso por não conseguir manter-se limpo.

— Está tudo bem. — o russo segurou uma das mãos de Shun. — É bonitinho você comendo.

Shun ficou envergonhado até o couro cabeludo de tão vermelho que estava. Logo, Hyoga estava satisfeito com aquela reação, sorriu, e continuou bebendo. Admirou aquele jovem nipo-americano, o quanto estava tímido, ele olhava ao redor do bar e as vezes fazia contato visual com o russo.

— Você é feliz? — Shun surpreendeu-se com a questão inesperada.

— Porque a pergunta ? — recuperou sua postura de antes, relaxou seu corpo na cadeira colocando uma perna um pouco afastada da mesa, mexendo na colher ao lado da xícara do cappuccino.

— Você contou sobre sua breve carreira como cantor no teatro, mas depois pulou de assunto. — respirou e fixou seu olhar nos olhos verdes de Shun. — Você faz medicina porque ama? Vê como seu proposito? Ou porquê seu irmão morreu. Vcê está agindo movido por suas emoções.

Shun ficou paralisado por alguns segundos, olhando fixamente para um objeto aleatório. Abriu a boca para responder, mas fechou. Depois de 2 minutos quebrou o silêncio.

— Há dois anos, eu estava noivo de uma jovem. Meu irmão estava muito feliz com isso, ele já era casado e com duas filhas morava em Óregon em uma mansão que pertence a família de sua esposa. Ele descobriu que estava com leucemia depois que sua filha caçula nascer, não demorou muito tempo para ele falecer… — observou o russo que estava atento as suas palavras, desviou o olhar para a mesa, e assim continuou. — Fiquei procurando um proposito para viver com aquela perda, e assim, cheguei até aqui.

— Você está perdido, fazer medicina só porquê seu irmão morreu não irá trazê-lo de volta. Você está sacrificando-se. — Hyoga segurou as mãos de Shun e olhou em seus olhos. — Não faça isso.

Shun olhou triste para o russo, seus olhos marejavam.

— E-eu… preciso ir… — sussurrou

— Vou chamar um táxi para você, não preocupa-se com o conta e o táxi, eu pago. Alias, fui eu que tive a ideia de ir a cafeteria e por causa disso que estamos até tarde aqui. — Pôs suas mãos no ombro do jovem mais novo, apertou levemente. — Podemos nos encontrar mais uma vez?

Shun sorriu, levantando sua cabeça de encontro aos olhos azuis acinzentados. Apesar da tristeza repentina, ainda gostava da companhia do russo.

— Muitas vezes, podemos nos encontrar qualquer dia, qualquer hora. — Passou seu endereço e telefone. — Estou no campus todos os dias, exceto domingo.

— Aqui está meu endereço e telefone, quando chegar em casa não esqueça de avisar.

— Obrigado. — apertou a mão do russo em seu ombro, demostrando afeto pela atenção.

Quando o táxi chegou, só despediram-se com um breve aperto de mão, então seguiram.

Quando Hyoga chegou em seu apartamento, estava tão feliz que mal tirou seu chapéu, foi rapidamente até a cozinha. Naquela noite, tentaria fazer o bolo que sua mãe mais vendia.

— X___

Acordou sem ajuda do alarme, eram seis da manhã, normalmente acorda às sete com o alarme. Fez toda sua rotina de manhã, ligou a rádio e leu o jornal. O telefone tocou, e para sua surpresa era Hyoga, queria encontrá-lo no campus, naquele mesmo lugar que conheceram-se ontem. Concordou e prosseguiu sua leitura.

Shun estava ansioso para ver o russo novamente. Estava encantado com sua voz, suas conversas, o jeito dele de rir, expressar-se.

Estava apaixonado? Não sabia, nunca apaixonou-se por ninguém, nem quando estava com casamento marcado.

June, era sua noiva naquela época. Eles cresceram juntos, sempre foram bons amigos. Porém, os pais de June e a própria queriam mais do que amizade. Não deu certo, quando Ikki morreu, não aguentou mais aquela farsa.

Sempre perguntou-se o porquê. Por que aceitou o namoro? Por que aceitou deita-se com ela?

Forçou-se aguentar tudo, no final, não sobrou nem amizade. June mudou totalmente, ou ele mudou?

Ela casou-se com um homem mais velho, logo, engravidou e hoje vive no Colorado.

Shun não queria casar-se tão jovem, não queria fazer nada por obrigação, mas.

Mas.

Agora, por que estava na faculdade de medicina?

“Por que?” perguntou a si mesmo.

Era por amor? Objetivo?

“Altruísmo...”

Essa era a resposta para muitas questões.

Shun aceitou o namoro, noivado, June, medicina por auto sacrifício em troca de sua infelicidade.

Deixou sua felicidade para satisfazer os outros.

Aquela semente que Hyoga plantou estava germinando.

Deitou na cama, pensava como sairia daquela situação, se trancaria o curso de medicina naquele dia ,e logo, varia a inscrição para Eastaman School. Como poderia passar no processo de admissão? Só tinha um mês para preparar-se para o teste.

Não perdeu mais tempo, ligou para um amigo de Eastaman School. Anotou todas as informações necessárias, e hoje mesmo depois de encontra-se com Hyoga, iria até Rochester.

O teste admissional eram quatro peças — incluindo pelo menos uma ária operática — em pelo menos três idiomas diferentes, um dos quais pode ser o inglês. Falantes não-nativos de inglês deve executar uma peça em inglês.

Pegou o ônibus ansioso, quando chegou na universidade saiu disparado até a sala do reitor. A conversa durou quase uma hora, mas conseguiu o que queria. Logo, saiu rapidamente até a sala para assinar os documentos, e enfim terminou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.