Notas iniciais
Olá, pessoas maravilhosas. Como vão todos? Faz uns dias que terminei a quarta temporada de Sherlock e não estou sabendo lidar, sobraram apenas fics e fanarts para preencher o vazio que ficou no meu coração. Não resisti e comecei essa long fic. Sem mais delongas, uma ótima leitura a todos!

Londres é uma cidade pintada em tons de cinza e de preto. Quem caminha por suas soturnas ruas, poderia estar caminhando pela mesma Londres de dois séculos atrás sem notar grandes diferenças, a cidade é viva e, ao mesmo tempo, morta. A grande diferença da Londres de antigamente para a de hoje está apenas na tecnologia, nos diferentes automóveis que a percorrem, mas não nas pessoas, nunca nas pessoas.

As pessoas que cruzam suas ruas dia após dia são tão lívidas quanto as pessoas que caminharam por elas no passado. Tons de cinza, de preto, de todas as cores mortas, preenchem suas roupas e suas almas. Londres é uma cidade de muitos segredos, alguns tão obscuros que as pessoas não ousam pronunciá-los em voz alta. A grande cidade é conhecida mundialmente por ser o lar das pessoas mais polidas da Terra e, ironicamente, ela também abriga em suas ruas plúmbeas criminosos, ladrões, estelionatários, assassinos e psicopatas. São tantos casos bizarros que chegam até mesmo a ter um cunho cultural.

A metrópole também é lar das artes, da música, da literatura e de topo tipo de cultura. É lar da realeza assim como dos oprimidos. E mesmo com toda essa predisposição ao bizarro, sempre haverá alguém disposto a defender a cidade, alguém disposto a resolver todos os seus crimes, alguém que – para a sorte da própria humanidade – escolheu lutar ao lado dos anjos, mas não pense que ele é um deles, na verdade, como ele próprio gosta de se denominar, é um sociopata altamente funcional.

Seu nome é William Sherlock Scott Holmes, o endereço é 221B da rua Baker. Se você precisar de um detetive disposto a solucionar um caso que, até então, pareceu sem solução, Holmes é o homem que você procura. Se você passou por uma situação envolta pelo bizarro e por mistério, Holmes é o homem que você procura. Se todos os recursos para a dissolução do seu caso já foram esgotados e nem ao menos a Scotland Yard foi capaz de solvê-lo, Sherlock Holmes é definitivamente o homem que você procura.

Não se engane! Se você chegar agora no 221B da rua Baker não vai encontrar uma pessoa centrada, organizada e educada. Vai encontrar um apartamento antigo, com pichação e tiros pelos papéis de parede e uma bagunça de irritar qualquer pessoa que seja, no mínimo, compulsiva. Ele irá te analisar, expor suas fraquezas e, talvez falar na sua cara que seu caso é desinteressante. A genialidade cobra seu preço, principalmente depois dos acontecimentos que marcaram sua vida nos últimos tempos, se você batesse à porta de Holmes agora, encontraria um homem paranoico, lutando contra crises de abstinência e contra seu maior vício: as drogas.

Molly Hooper diria que ele desperdiça sua mente brilhante em meio aos narcóticos e, em alguma instância, essa afirmação é a mais pura verdade. O que ela não sabe, no entanto, é sobre seus motivos. Ela não sabe que as drogas tornam sua mente ainda mais ilimitada e aumentam seu gênio a níveis inimagináveis, ela não sabe que elas abrem portas que até então ele sequer sabia que existiam em seu palácio mental. E, acima de tudo, ela não sabe que, ele, Sherlock Holmes, muitas vezes as usou de modo a sufocar sua dor. Tudo pela última missão que Mary lhe deixou.

Há quem diga que o grande detetive não tem sentimentos, que ele se diverte em meio as pilhas de cadáveres que examina e que submete aos seus mais diversos experimentos, que não há empatia, simpatia ou qualquer traço de humanidade em si. Tal definição funcionaria, talvez, para seu irmão mais velho, Mycroft Holmes, cujo gênio supera ao seu, mas não para Sherlock.

Os sentimentos existem, sim. Enterrados lá no fundo de seu peito, duas, três vezes. De vez em quando eles chegam a superfície, mas todas as vezes que isso aconteceu.... bem... houveram consequências mais do que desastrosas para aqueles que ama, consequências fatais. E é por isso que ele fez uma promessa muda a si mesmo, a de protege-los e de não falhar nunca mais.

É claro que, nesse caso, trata-se de seu amigo e companheiro na resolução dos mais diversos casos, dos mais bizarros e mais intrigantes. Tal promessa, diz respeito a única pessoa que se dispôs um dia a viver com o insuportável detetive, um homem cujo apetite pelo perigo, tornou-o melhor amigo de um sociopata e viúvo de uma assassina. Um médico que nunca conseguiu abandonar a guerra. Seu nome é John Hamish Watson e enquanto ele, e sua pequena filha Rosie viverem, eles estarão sob a proteção do notável Sherlock Holmes.

Sherlock Holmes fez daquela cidade cinza seu território, e sua promessa inclui usar de todos os seus recursos para manter aqueles que ama a salvo, ele não sente medo de sujar suas mãos, ele não sente medo do que pode acontecer consigo, mas uma coisa é certa: ele nunca mais irá falhar. Mesmo que, para isso, destrua a si próprio.

Notas finais
Apenas um capítulo introdutório, mas já aviso que vai ser bem denso. Afinal, não tem como ficar tudo bem depois de tudo o que aconteceu, não é mesmo? Espero vocês no próximo capítulo e obrigada por lerem até aqui. :3