Notas iniciais
E ai, pessoas lindas, como estão? Trago hoje o primeiro capítulo dessa história que estou amando escrever. Johnlock realmente me conquistou! rsrsrs Espero que gostem ♥

Sherlock Holmes esteve face a face com quem menos gostaria de estar nos últimos meses: consigo, com seu passado. Não foi fácil para ele descobrir todas as coisas que Mycroft escondeu, mesmo que ele entendesse sua necessidade e entendesse que – do modo torto de seu irmão – foi para seu próprio bem.

John não queria que Sherlock fosse visitar Eurus, mas, de tempos em tempos, ele seguia até Sherrinford com o estojo de seu violino em mãos e eles tocavam. Nem mesmo os médicos habituados a lidarem com aquelas pessoas que eram consideradas excluídas da sociedade entendiam aquela conversa muda e melodiosa. Às vezes, nem mesmo o próprio Sherlock, mas de alguma forma, ele sentia que devia isso à irmã.

Reconstruir suas vidas depois de todos os desastrosos acontecimentos não estava sendo fácil, nada fácil, na realidade. Holmes abusou das mais diversas drogas por meses a fio apenas para chamar a atenção de Watson, e seu corpo cobrava as consequências daquela mácula.

Ele tinha bons dias, como qualquer outra pessoa, mas havia dias que resolver um caso não era o suficiente para substituir os narcóticos, o que ocasionava em crises. Crises de abstinência em sua maioria, Sherlock ficava agressivo, pálido, tremedeiras perpassavam seu corpo e, ele quase sucumbia, quase.

Seus amigos mais próximos – que não eram muitos – chegaram à conclusão de que Sherlock não poderia mais viver sozinho. Queriam que ele deixasse a 221B da rua Baker, mas isso ele não podia fazer, ele amava aquele lugar. Apenas uma pessoa entendia sua necessidade de continuar lá e essa pessoa era justamente John Watson.

Não precisou muito tempo para que se acertassem e que John voltasse a residir na rua Baker, agora com um bebê a tiracolo. A presença da pequena Rosie acalmava Sherlock e John nem mesmo tinha medo de deixa-la sozinha com o detetive dada a sua situação. John sabia que Sherlock faria de tudo para manter o voto que fizera, ele sabia que nada do que tinha acontecido no passado havia sido sua culpa e ele se arrependia do modo que tratou o amigo, mas simplesmente não conseguia pedir desculpas.

Viver na rua Baker podia ter suas vantagens, principalmente para um médico como Watson, suas habilidades especiais eram sempre requisitadas, afinal, ele era um excelente médico, além de ser versado em conhecimento forense. Portanto, sempre que havia uma cena de algum crime, Sherlock e Watson estavam lá.

Havia um acordo mútuo: não envolver Rosie em seus casos, acordo que perpetuou desde que Mary era viva. Sherlock concordava que era demasiado perigoso envolver uma criança – ainda mais um bebê – e ele era o primeiro a encontrar alguém que cuidasse do pequeno tesouro que agora habitava o apartamento 221B com eles.

E, mais uma vez, seu telefone tocou em um sinal de mensagem, era Lestrade e ele solicitava sua presença com urgência. Mais um caso, mais um crime, mais um trabalho para o detetive consultor. Sherlock enviou uma mensagem a John com os detalhes e deixou Rosie com a senhora Hudson, por algum motivo inexplicável seu coração se apertou um pouco ao deixar o pequeno ser humano para trás.

Sherlock passava muito tempo com Rosie, havia se acostumado com sua presença, com seu peso em seu colo, com o toque de sua mãozinha, com o cheiro de talco de bebê. Ele havia, inclusive, desenvolvido habilidades de fazê-la dormir ao som de seu violino, então, imaginou que seria normal que sentisse falta da garotinha.

Despediu-se e foi direto ao lugar solicitado, um local um tanto quando inusitado para um crime, tão cheio de gente, tão público, tão... imaculado, sagrado até na concepção daqueles que acreditam. O local em questão era a famosa St. Paul’s Cathedral. Uma construção deslumbrante até para os olhos não impressionáveis de Holmes.

O detetive gostava das construções londrinas, e a catedral não ficava atrás, ela foi o prédio mais alto de Londres entre os anos de 1710 e 1962 e se encontra localizada no ponto mais alto da cidade, no topo da ladeira de Ludgate Hill. Uma imponente construção alva em meio a cidade cinza.

Saber que alguém escolheu aquele lugar como palco de um novo crime era, com certeza, algo que chamava a atenção do detetive e fazia com que toda a adrenalina começasse a subir pelo seu corpo, aquela sensação de que finalmente poderia se afundar em um daqueles casos que tanto adorava, montar todos aqueles quebra cabeças mentais e, sentir-se, pelo menos por um tempo, vivo.

A mensagem de Lestrade dizia para encontrá-lo no topo da catedral, ele próprio se encontrava coberto de suor após subir os duzentos e cinquenta e nove degraus que levavam até aquele lugar, sabia que aquilo seria grande, afinal, de cima da grande igreja era possível ter uma vista panorâmica de Londres, o que será que tinha maculado sua cidade cinzenta? Quem será que a tinha manchado de vermelho sangue? Tais perguntas já começavam a fervilhar na mente rápida do detetive.

Quando chegou ao topo não viu o rosto familiar de Greg Lestrade, na verdade não viu rosto algum, pois as pessoas que lá estavam usavam máscaras de pano para esconder seu rosto, assim que viu aquelas pessoas, Holmes soube que havia sido enganado.

Procurou sua pistola, mas não a encontrou, havia saído tão empolgado que se esqueceu desse detalhe, repreendeu-se mentalmente. Fez menção a abandonar o local, sabia que não conseguiria lidar com dois homens de uma vez, torceu para que Watson chegasse logo, assim conseguiriam resolver aquele probleminha, mas sabia que não seu tempo havia esgotado.

Sentiu dois pares de mãos o segurarem pelos braços, debateu-se, tentou se desvencilhar, até mesmo gritou, não podia permitir que aquelas pessoas o enganassem. Ele era Sherlock Holmes! Ninguém deveria ousar tentar subjuga-lo, mas aconteceu.

Sentiu uma dor aguda em sua nuca decorrente da coronhada que um dos dois lhe desferiu, olhou para frente e viu sua amada Londres escurecer diante de seus olhos, culpou-se por não ter previsto que era uma armadilha, principalmente porque segundo sua concepção, absolutamente tudo podia ser deduzido. Ouviu o barulho de algo pequeno caindo no chão, pensou que pudesse ser alguma coisa que estava em seus bolsos, seu celular, suas chaves, mas não conseguiu concluir seu pensamento, tudo se apagou.

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John Watson chegou até a catedral, mas não havia sinal algum de crime ali, mandou mensagens e mais mensagens a Sherlock que não lhe respondeu e, por um momento, pensou na possibilidade do amigo ter tido uma recaída e estar alucinando. Preocupado, telefonou a senhora Hudson.

— Senhora Hudson – ele falou ao telefone – Sherlock está em casa?

— Claro que não, John – ela disse – ele disse que tinha um caso e que iria encontrar com você. Estava animado, até dando pulinhos. Achei que fosse um dos bons... vai precisar que eu olhe a Rosie por mais um tempinho?

— Por favor, senhora Hudson – ele suspirou, uma ruga de desconfiança surgiu em sua testa – logo estarei em casa.

— Tudo bem, querido.

Ligou para Sherlock mais uma vez, começou a procura-lo pela catedral. Será que ele estava lhe pregando uma peça? Mas não... seus instintos estavam lhe dizendo que havia algo a mais ali. Subiu até o topo, viu a majestosa cidade cinza se tornar aos poucos um show de luzes, já era final da tarde e o sol começava a cair. Um reflexo do sol poente chamou a atenção de John, a pequena lupa que Sherlock carregava estava caída no chão. O estômago do soldado revirou. Sherlock nunca seria descuidado a ponto de deixa-la cair ali o que só podia significar que algo deu errado.

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Holmes acordou com um balde de água fria sendo jogado em seu rosto, as duas pessoas que haviam o abatido se encontravam vestidas de preto da cabeça aos pés e usavam máscaras. Elas haviam sido cuidadosas, as roupas eram novas, o que indicava que se prepararam e que entendiam como as previsões de Sherlock funcionavam. Não havia nada que ele pudesse usar para indicar o que havia acabado de acontecer.

Coturnos pretos, calças pretas, luvas de couro pretas, jaquetas também pretas e mascaras pretas apenas com buracos para os olhos e nariz. Eram dois homens, como evidenciava seu porte físico e o timbre de suas vozes, mas Sherlock não conseguia identificar mais nada. Ele tentou sentir seus cheiros quando chegavam perto, só sentia o odor de álcool para limpeza, parecia que eles haviam esterilizado a si mesmos de modo a não deixar pistas ao excelente detetive.

A única coisa que ele percebeu é que um tinha os olhos azuis e o outro, olhos castanhos. Eles falavam entre si, mas por um bom tempo não se dirigiram a Sherlock. Percebeu que sua visão estava turva, seu corpo estava um tanto quanto trêmulo e ele suava frio, mas se sentia febril, sua boca estava seca, mas nada tinha a ver com sede.

Não. Ele sabia muito bem o que era aquela sensação, sentia as portas do seu palácio mental se abrindo e se perdia lá dentro. Suas lembranças estavam confusas e ele sentia uma vontade absurda de voltar a dormir. Sabia que os homens haviam o drogado depois de tê-lo nocauteado.

— Eu estava limpo – ele choramingou.

Mas os homens não se importaram e, logo depois, Sherlock caiu no sono novamente mesmo com a plena consciência de que seria despertado bruscamente de novo e de novo.

Notas finais
E aí, o que acharam? Preciso fazer esses dois sofrerem um pouco, é mais forte do que eu! rsrs Nos vemos em breve beijos ♥