Notas iniciais
Oi, gente! Eu estava com a ideia dessa fic a um tempo, e agora resolvi colocar em prática. É um outro ponto de vista de como Elena poderia se lembrar do que Damon a fez esquecer.
ESPERO QUE GOSTEM :D

*Damon*

Desde quando fiquei tão chato? Quero dizer, sério, tenho quase certeza que fui castrado enquanto dormia porque eu não estou tendo problemas algum brincando de babá-vampiro nos últimos meses.

Nesse segundo, Elena está fazendo tarefa de casa — é, nem me falem — enquanto eu estou aqui lendo, sentado ao seu lado no sofá. Elena Gilbert e eu estamos sozinhos na casa dela. Ela não tem nenhum responsável, o irmão dela não está em casa, e nós dois somos vampiros com libidos furiosos. Caralho, um de nós é um recém-vampiro com pouco à nada de controle sobre seu libido. Ah, e não vamos esquecer da tensão sexual típica que sempre paira entre nós como um caminhão de suéteres de lã perto de uma fábrica de eletricidade estática.

Mas não, essa garota me fez chocolate quente. Do qual eu bebi apenas metade — um pouco para agradá-la, e o resto eu deixei para manter pelo menos um pouco de testosterona correndo nas minhas veias. Além disso, ela colocou para tocar músicas do ipod dela, cheio daquela contaminação auditiva da Taylor Swift, e depois jogou suas pernas no meu colo.

Essa última parte? É. Praticamente a única razão pela qual eu ainda estou sentado aqui aguentando toda essa merda doméstica. Bem, pelo menos é isso que eu tento me convencer. Por algum motivo desconhecido (a explicação de milhares de coisas sobre nossa relação), essa garota ainda consegue produzir em mim uma exorbitante quantidade de calor no meu corpo, apesar de seu status como um novo membro dos "mortos-vivos".

E que droga, se pelo menos as pernas dela não estivesses despertando cada nervo do meu corpo. Eu achava que meu membro era a única coisa que poderia ser afetada por um par de pernas, mas Elena tirou essa teoria da prateleira. Então, ao invés de jogá-la contra uma parede, ou, pelo menos, ir ao Grill tomar um copo de whisky, eu estou aqui, sentado, lendo as cinco linhas de sempre do primeiro livro que vi na estante, e tentando não entrar em combustão pelo quanto eu quero essa mulher.

E todo esse cenário ainda pode piorar. Ela está solteira. O desgraçado do meu irmão deu um fora nela dois meses atrás, e ela não parece nem um pouco triste sobre isso. A Srta. "Nunca-Deixei-De-Sentir-Nada-Por-Ele" com todas emoções intensificadas, deveria estar devastada, numa clínica em observação contra suicídio. Adolescentes que namoraram caras por duas semanas mostrariam mais emoções do que ela. Enquanto Elena sai, quase acaba com o sangue de alguém, para, e acorda no outro dia com um sorriso maior que o rosto.

Um único ponto forte disso tudo, é que, por algum motivo, sua transição teve alguns probleminhas. Que eu, por acaso, não comentei com ela. Nenhuma de suas lembranças que quando humana eu havia apagado dela, haviam voltado. Não que ela tenha falado, pelo menos. Mas ela não parece mais ligar para Stefan, de qualquer jeito.

Mas isso também não significa que ela corre para os meus braços. Não, a história não funciona assim. Na verdade, me tornei o perpétuo "melhor amigo", para o qual ela sempre liga quando quer sair. A maior ação que eu tive é nosso ocasional sexo-visual que ela sempre me proporciona, e também qualquer contato físico do qual ela se sente confortável (como suas pernas em mim agora). E eu, como o covarde que sou, toda vez atendo o telefone com um "Claro, por que não?", porque eu sou completamente feliz brincando de cachorrinho.

Se você quiser me matar, eu mesmo entalho a estaca.

– Merda!

Ah, ótimo, xingamentos. Outra coisa sem sentido que essa garota faz que manda todo meu sangue diretamente para o sul. De repente, o confortável calor que suas pernas me providenciavam some enquanto ela se levanta, jogando todas suas folhas e livros em uma bolsa marrom, simultaneamente digitando em seu celular.

– O que foi? — Caralho, essa é mesmo minha voz? Eu pareço um pai preocupado. Essa perna de madeira da cadeira parece mais apelativa a cada segundo.

– Eu esqueci completamente! — ela responde, amarrando seu cabelo num rabo de cavalo. — A Barbie-Vampira queria que eu a encontrasse na loja de roupas cinco minutos atrás.

Duas coisas na sua frase chamaram minha atenção. A primeira, foi como ela se referiu à loira pelo apelido que eu havia dado à ela, provando que nós estávamos passando tempo suficiente juntos para seu vocabulário pegar minhas manias. E segundo...

– Que velório temos nesse final de semana? — Eu sorri com minha piada de humor negro. Não é como se comprássemos roupas para muitas festas, ou casamentos ou algo do tipo aqui em Mystic Falls, fora os eventos da cidade.

Elena revirou os olhos, colocando sua bolsa em seu ombro e pegando as canecas para levá-las à cozinha.

– Não é para um enterro. É para o baile.

Hmm. Isso é estranho. Aparentemente, vampiros não ouvem muito bem. Eu me levantei do sofá, a encontrando na cozinha enquanto ela jogava fora o resto do meu chocolate quente na pia.

– Perdão... Achei que você tinha dito que vai para o baile.

Elena se vira para mim rapidamente, parecendo mais frustrada ainda com seu atraso jogando as canecas na lavadora de pratos.

– Eu estou indo para um baile. Eu sou do terceiro ano. É uma coisa normal.

– Uma coisa para humanos! — exclamei.

– Enquanto minha escola estiver fazendo bailes, eu vou à bailes. — Elena falou, olhando para a hora em seu celular e suspirando. — Se lembra daquela coisa de "manter um mínimo de normalidade"?

Ah, eu me lembro. Eu também me lembro de como acho isso ridículo. Mas, claro, minha natureza completamente submetida à ela nunca me deixa falar o que eu penso sobre isso.

– Elena. — sussurei, colocando meus cotovelos no balcão e esfregando meus olhos com as palmas da mão. — Você não pode jogar coisas assim em mim desse jeito. Especialmente quando você sabe que essas coisas são "High School Musical" demais pro meu gosto.

– Bem, é. — ela respondeu. — Mas você nem vai, então engole esse choro de garotinha e melhora essa sua carinha de bunda.

Imaginei se era possível abrir um buraco na madeira do chão se eu usasse minha velocidade vampírica para bater meus pés nela o suficiente. Damon Salvatore nunca se sente constrangido, mas agora, estou pronto para rezar para todos os deuses para retirarem o que eu acabei de dizer. Porque eu já estou começando a ouvir o cérebro dela processando enquanto ela percebe o que eu sem querer acabei de assumir.

– Damon... Você achou que ia ser meu acompanhante?

Não. Não, você não acabou de me perguntar essa merda. Como eu vou responder essa pergunta sem parecer uma garota de doze anos desajeitada?! Se eu disser "Ah, sim, Elena. Eu pensei que íamos juntos porque como eu sou apaixonado por você e eu sou a coisa mais próxima que você tem de um namorado agora — e quem mais nessa cidade seria seu par a não ser eu?". Eu também poderia amarrar uma corda nas minhas bolas para ela puxar quando quisesse.

Essa última parte foi meio idiota porque tem milhares de caras nessa cidade que morrem por Elena, mas eu tenho que ignorar isso. Mas eu também não posso negar, porque se não pareço um idiota. Então eu vou para a minha melhor opção: tirar o foco de mim.

– Acompanhante?! — eu exclamei, como se a ideia fosse inacreditável. — Você vai ter um acompanhante?!

Elena olhou para mim como se eu tivesse com uma segunda cabeça nascendo na minha orelha. E com total razão.

– É um baile, Damon. — ela revirou os olhos.

– E? As garotas não vão em grupos hoje em dia? — ela cruzou os braços.

– Você acha mesmo que Caroline nos deixaria ir assim?

– E daí? Meu irmãozinho então vai sair das sombras e alugar uma limosine? — tentei de novo o truque de mudar de foco, pois parecia funcionar.

Dessa vez ela parecia ofendida pela acusação.

– Não. — Ela respondeu, com uma pontada de raiva controlada. — Claro que não.

– Então quem vai te levar?! — perguntei. Um plano já estava se formando em minha mente, de fazer uma pequena visita à casa desse cara.

– Matt. — ela respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Estou oficialmente no estágio de ficar boquiaberto.

– Matt Donovan?! Você está brincando, né? — Também já estou no nível de jogar meus braços pro ar como um cara que acabou de descobrir que não é o pai.

– Sim, Matt! Quem mais seria? — ela responde, seus braços imitando os meus.

– Duh, eu!

Merda. Porra. Caralho, eu não disse isso. Damon Salvatore, você tinha uma saída. Você estava se saindo muito bem. O quão rápido você pode ir até aquela cadeira de madeira mesmo?

Elena balança a cabeça, uma expressão ligeiramente divertida aparecendo em seu rosto.

– Damon Salvatore... indo para um baile?

Ainda bem que tenho toda essa coisa de já estar morto, se não estaria vermelho que nem um ketchup.

– Coisas estranhas podem acontecer.

– Damon, você não esteve numa escola nos últimos um século e meio. Espera, você nunca nem esteve numa escola. Eles não te deixariam entrar lá a não ser que você fosse um motorista.

– Se esses anos aqui me provaram alguma coisa, é o quanto a segurança da sua escola é terrível.

Elena estava parecendo uma criança que acabou de entrar na Disney.

– Damon, você acabou de me falar, que você, Sr. "Essas-Coisas-São-High-School-Musical-Demais-Pro-Meu-Gosto", quer ir a um baile? Por quê?

– Wow, volta um pouco o trem. Eu não quero ir ao baile.

– Então por que você está fazendo soar como se isso fosse grande coisa?! Matt e eu vamos só como amigos. Você devia estar feliz. Não estou te fazendo usar um terno ou comprar um buquê de flores ou aguentar dançar umas músicas lentas e melosas. E mais, você quer mesmo estar no mesmo cômodo que Caroline quando ela ganhar o título de Rainha do Baile?

Elena faz um pequeno sorriso, obviamente tentando me animar. Ela deixa um suspiro sair quando percebe que minha expressão não vai mudar tão cedo.

– Olha, eu tenho que ir. Eu já estou vendo o rumo que essa conversa vai me levar. Podemos falar disso mais tarde se você quiser.

Deixe-me te lembrar de que eu sou um completo masoquista. Quero dizer, você está lidando com o cara que conscientemente perguntou à essa garota segundos antes de morrer, que irmão ela escolheria. Então quando eu a paro antes que ela possa abrir a porta para deixar minha bandeira de insegurança voar, você não deveria ficar chocado.

– Você nem considerou me chamar, não é?

A mão dela para na maçaneta e mesmo com as costas dela viradas para mim, eu posso perfeitamente ver seu rosto na minha mente. O lábio inferior preso entre seus dentes, o cabelo caindo sobre o rosto para que não mostre aquela mesma mistura de apreensão e culpa que eu já vi milhões de vezes estampadas em seu rosto.

Bingo. Ela se vira para mim e eu acertei. É incrível o quanto ela ainda pode parecer humana.

– Não, — ela responde calmamente — acho que não.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado!! Comentem por favor, é importante pra mim!
Como eu havia avisado, essa fic é de uma história só, e provavelmente não vai ter mais de 5 capítulos.