Remember the urge.
6 Please, love me.
Notas iniciais
Aomine POV's.
Ainda estava perplexo com o que havia acontecido. Toquei o local dolorido com uma das mãos, sentindo a dor se dissipando lentamente enquanto eu voltava os olhos para o objeto que havia acabado de me atingir.
— Diabos, isso dói! – Exclamei enquanto olhava o aparelho em minha mão livre. – Iphone? Ya, Kise, que diabos acaba de–
Minha voz se silenciou assim que voltei-me a ele. A expressão que trazia no rosto me causava uma pontada no peito e acabei por me dar conta que aquela fora a primeira vez que o via chorar por minha causa. Era diferente justamente porque eu era o motivo daquelas lágrimas. Sua feição expressava algo próximo a raiva, mas as lágrimas que corriam pelas suas bochechas, suavizavam sua expressão. De qualquer forma, eu estava surpreso.
— Kise, você–
— Não saia por aí, dizendo o que te dá vontade, para depois dar as costas sem nem ouvir o que as pessoas tem a dizer, Ahomine*! – O tom de voz estava levemente alterado e sua cabeça suficientemente baixa a ponto de que sua franja caísse em direção ao rosto, tampando seus olhos.
— Aho...mine?
Ficamos em silêncio por algum tempo. Os sons da cidade pareciam abafados naquele momento, como se estivéssemos num lugar isolado da realidade. Um lugar só pra nós. Kise conseguira controlar as lágrimas e parecia estar preparando-se para dizer algo. Eu apenas permaneci em silêncio. Durante muito tempo foi ele quem me escutou. Era exatamente como ele havia dito. Eu era um egoísta em potencial.
— Me dispensará outra vez? – Sua voz era firme, num tom quase intimidante.
Não respondi. E ele, por sua vez, não parou por ali:
— Você age dessa forma, mas... Não foi você quem disse que eu já não era mais necessário? Se irrita por eu não ter entrado em contato contigo, mas você, em algum momento, tentou entrar em contato comigo? Por que isso agora? – Ele deu um passo adiante enquanto aumentava o tom de voz gradativamente. – Não diga que eu deveria esquecer! Você não mudou nem um pouco. Esmaga os sentimentos dos outros e, em seguida, diz que sente muito, que está arrependido... Eu não entendo por quê você diz essas coisas!
— Kise–
— E tem mais! A primeira coisa que você deveria ter feito, era ter ido até mim e dito na minha cara que estava arrependido! Mas você não teve coragem suficiente para fazê-lo... E depois de todo esse tempo, você está agindo como um namorado ou algo assim? Eu quero rir de suas ações!
Sua voz estava tão alta agora que todos os que passavam próximos à rua, olhavam pra nós e sussurravam entre si. Pisquei algumas vezes, tentando pensar no que poderia dizer diante daquilo... Não importa a forma como eu olhasse, Kise certamente estava pondo pra fora tudo o que esteve guardando dentro de si por todo esse tempo. Estávamos face à face e pela sua expressão, acho que ele estava simplesmente falando sem sequer organizar os pensamentos e talvez nem tivesse se dado conta de que estava praticamente gritando tudo aquilo.
— É por isso que... É por isso que eu pedi desculpas, não é? – Foi o máximo que consegui dizer.
Kise sempre foi do tipo que ouvia muito e dizia pouco. Não contestava, sempre fazia tudo o que lhe diziam pra fazer e tinha uma áurea muito inocente. Sua característica marcante era a facilidade que tinha de rir e sorrir com qualquer coisa, por menor que fosse, e isso sempre trouxe muita alegria à todos que o cercavam. Então... Quando foi que ele se tornou tão sério?
— Agora é tarde. – Ele fechou sua mão num punho, apontando-o para o meu peito para logo após tocá-lo, pressionando o punho levemente contra o mesmo.
"Não." Eu não podia aceitar aquilo. Tudo o que eu conseguia pensar era no quanto eu queria o Kise inocente de volta. "Aominecchi, vamos jogar um contra um!?", sua voz se repetia na minha cabeça enquanto as lembranças voltavam à tona em minha mente mais uma vez. Lembrei da última vez que nos falamos, no telhado. Eu disse coisas horríveis e ele foi obstinado. Eu não entedia o por quê de ter ficado tão irritado naquela época... Até agora. Eu finalmente percebi. Eu deveria ter dito à Kise o quanto ele era importante pra mim. Jogar basquete, já não fazia mais sentido. Já não me deixava mais feliz porque ele não estava comigo. Mesmo depois de tanto tempo, eu não posso deixar de lembrar disso de novo e de novo. Quando conheci Kise, eu cheguei a pensar que jamais iríamos romper... Mas o que é a verdade? Eu simplesmente não posso deixá-lo ir outra vez.
— Kise... – Toquei seu pulso, apertando-o de leve. – Você esta saindo com alguém?
— O que esta dizendo? Não deveríamos estar falando disso num lugar como este, em primeiro lugar!
— Só me diga se tem alguém ou não.
Seus olhos voltaram a encher-se de lágrimas e eu pude senti-lo tremer. Toda aquela áurea séria havia desaparecido. Seus lábios entreabertos tomavam folego antes de tentar responder o que havia lhe perguntado.
— Sempre... – Fungou. – Sempre foi você. Só você!
Eu não podia mais aguentar. Quando me dei conta, já o tinha puxado pra mim, prendendo-o num abraço acolhedor, podendo ouvi–lo soluçar inúmeras vezes enquanto tentava lutar contra as suas lágrimas. Fazia muito tempo desde a última vez que o tive tão perto. Fazia muito tempo desde que havia me sentido assim... Como se a única pessoa no mundo que poderia cuidar dele, fosse eu.
— Me solta, seu idiota! – Debateu-se em vão.
Quanto mais ele lutava contra mim, mais eu o prendia em meus braços sem pensar duas vezes. O agarrava desesperadamente, mas ao mesmo tempo, com cuidado, como se ele fosse quebrar a qualquer momento. Eu não iria deixar que isso acontecesse!
— Você acha que eu te deixarei ir outra vez? Huh, depois eu que sou o idiota! – Afrouxei os braços assim que senti seu corpo relaxar em desistência. Seu rosto pousava–se na linha de meu pescoço, onde sentia suas lágrimas, vez ou outra, tocarem-me a pele. – Eu sempre... Gostei de você. – Sussurrei enquanto afagava-lhe os cabelos. – O que você quer de mim? Eu farei qualquer coisa...
Ele afastou o corpo do meu, em distância suficiente para que conseguíssemos nos olhar. Com o seu rosto num tom avermelhado e seus olhos e lábios levemente inchados, ele fixou-se em mim, surpreendendo-me ao segurar minha mão, entrelaçando os nossos dedos. Neste momento, senti como se meu coração fosse saltar pela boca.
— Eu... Quero que você me ame outra vez. Pode fazer isso?
— Você é realmente mais idiota que eu! – Ri, enquanto começava a andar, puxando-o pela mão.
— Ei, para onde estamos indo?
— Eu te disse que faria qualquer coisa, não disse? Então apenas veja!
— Você é tão vergonhoso! As pessoas estão nos olhando... Não esqueça que eu sou uma celebridade!
— Celebridade? – Voltei a rir, sentindo-o apertar minha mão.
— Não ria!
— Ok, ok. De qualquer forma, vamos para a minha casa logo!
— Eh? Não! O que acontecerá com as nossas coisas?
— Kagami ou Midorima cuidarão de tudo.
— Mas...
Afrouxei os dedos, sentindo sua mão escorregar lentamente. Não podia obrigá-lo a me seguir até tal ponto, por mais que quisesse arrastá-lo dali imediatamente. Respirei fundo e quando estava prestes a dizer algo, senti sua mão encaixar-se contra a minha novamente, apertando-a, então não pude deixar de sorrir. Daquele momento em diante, eu iria me esforçar para não errar novamente.
Kise POV's.
Não demoramos muito para chegarmos à casa de Aomine. Ele abriu a porta e assim que adentramos, algumas luzes se acenderam. Tiramos os calçados e antes que eu pudesse fazer ou dizer algo, fui puxado para dentro de um dos cômodos, sendo jogado sobre a cama grande e macia. Aomine subiu na cama logo em seguida, posicionando-se entre as minhas pernas.
— T-tão rápido... – Tentei posicionar-me melhor na cama, não obtendo muito sucesso.
Uma de suas mãos subiu por meu peito, dando uma pequena volta pelo ombro esquerdo para enfim subir pelo meu pescoço, mergulhando os dedos nos cabelos atrás de minha orelha enquanto tratava de acariciar minha bochecha com o seu polegar, me causando uma sensação estranha que percorria pelo corpo inteiro. Me sentia tão quente... Como se estivesse em chamas.
— Sabe quanto tempo eu espero por isso? Não consigo aguentar mais.
Sua voz estava levemente rouca, o que já era o suficiente para fazer o meu corpo inteiro tremer. Eu estava com vergonha, pois aquela era a primeira vez que eu estava tendo aquele tipo de contato com Aomine. A vergonha me impedia de olhá-lo e sua irritação quanto à isso era óbvia, então acabou voltando a investir. Começou plantando beijos ao redor de minha boca. Beijou minhas pálpebras, testa, bochechas e nariz. No momento em que alcançou o nariz, acabei deixando um gemido baixo escapar, que arrancou um riso malicioso dele. Eu não queria admitir... Eu jamais admitiria! Mas o meu corpo estava implorando por mais. Eu não tinha certeza se me restaria alguma sanidade no fim daquela noite, mas os sinais de desistência já começavam a aparecer de maneira que eu não conseguia controlar. "Oh, droga!"
{Continua...}
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