Remember the urge.
5 Here he come now.
Notas iniciais
Aomine POV's.
A noite de bebidas acabava de começar num clima tranquilo. Nos primeiros momentos, eu me senti um pouco desconfortável, mas não demorou muito até que eu me habituasse com a situação. Estávamos num lugar reservado do bar, em oito, incluindo Kagami – cujo qual eu não via há muito tempo e estava satisfeito até então. Mas ele parecia muito próximo à Tetsu nesta noite em especial, o que me deixou estranhamente confortável. Logo cada um pediu uma bebida e começaram a conversar.
— Faz um tempo... Como tem passado? – Kise puxou assunto. – Esta bronzeado como sempre, nee. Mesmo agora, depois da escola, seguem te chamando de "Ganguro Korosuke"*?
Seu tom de voz era muito amigável, parecia realmente estar se esforçando para que pudéssemos conversar naturalmente. Porém, por mais que eu tentasse responder, não conseguia. Estava me sentindo exatamente como da última vez em que nos encontramos. As palavras travaram na garganta e eu não conseguia olhar para o seu rosto por muito tempo. Não havia motivo, mas eu me sentia um pouco nervoso. Bebi um longo gole de shochu* que tinha acabado de ser posto à mesa pelo garçom, numa tentativa de ficar um pouco mais sociável, quando Kise continuou:
— Aah, foi só uma brincadeira! – Riu-se, enquanto segurava o seu copo de amazake* ainda sobre a mesa, com ambas as mãos, sem tê-lo bebido ainda. Ele tinha um jeito acanhado, mas quando decidia fazer algo, sempre deixava a timidez de lado e o fazia. Kise não mudou muito desde o colegial. Ele deu uma curta pausa para então fazer uma nova tentativa. – Aominecchi continua se esforçando excessivamente?
Puxei um pouco de ar pelas narinas antes de entreabrir os lábios enquanto me preparava para respondê-lo. A bebida certamente havia me ajudado um pouco. Apenas um gole e eu já me sentia bem mais a vontade e até conseguia encará-lo, quando me era apropriado. Foi então que finalmente o respondi, maneirando nas palavras:
— Na verdade, eu vim direto do trabalho, como disse anteriormente. É apenas isso, não há nada com que se preocupar!
Ele sorriu pra mim e eu senti uma certa dificuldade para respirar. Um tipo de clarão surgiu em minha mente. "Nee, Aominecchi, vamos jogar um contra um!?", a sua voz se repetia na minha cabeça como num eco, junto à uma série de imagens de quando éramos mais novos. Imagens das incontáveis vezes em que, no meio de nossas partidas,ele escorregava no suor e caia, me pedindo ajuda para levantar. Eu sempre o ajudava e ele me agradecia com um sorriso radiante. Então eu o convidava para ir até a minha casa e ele nunca recusava. O sorriso de agora, era o mesmo daquele tempo. Os olhos sorriam em conjunto com os lábios. Aquela composição era encantadora!
Minha respiração só se normalizou quando aquele sorriso se desfez, lentamente. Era quase como se ele estivesse roubando-me o ar, esmagando-me os pulmões... Percebi então que ele não diria mais nada por hora. Tentei me acalmar, mas algo em mim implorava para ouvir mais da voz dele, então perguntei a primeira coisa que me passou pela cabeça ao vê-lo levar o copo até a boca:
— Hm, mas e você, deixou de lado o basquete?
— Eu andei um tanto ocupado, então quase não tive tempo para assistir partidas...– Fez uma breve pausa para tomar mais um gole de sua bebida. – Mas, de qualquer forma, Kagamicchi acabou me ensinando um pouco.
— Huh? Kagami...
— Nós saímos muitas vezes, não é? – Indagou, tocando o ombro de Kagami que acabou por voltar a sua atenção à nós.
— Huh, acho que sim. – Assentiu Kagami enquanto comia um petisco.
Maldito seja! Por que tinha que falar dele, desta forma, logo agora? Justo quando não me incomodava mais? Justo quando eu estava pronto para seguir a diante? Justo quando tudo o que eu queria, era ouvir a sua voz... Mas eu não queria ouvi–lo falar daquele cara. Eu não queria sequer ouvi-lo dizer o nome dele! Foi então que senti a minha cabeça doer, mas mesmo assim insisti em tomar o restante da minha bebida de uma vez só. O líquido desceu queimando a minha garganta, chegando a trazer-me lágrimas ao canto dos olhos. Pisquei algumas vezes, reagindo à ele logo de imediato. Já não me restava sequer um pingo de razão.
Mas não tinha nada a ver com a bebida.
— Não me contatou sequer uma única vez, mas saiu com o Kagami, huh? – Ri ironicamente.
— E eu não saia com você antigamente? – Ele rebateu, fazendo pouco caso.
— Não me dê desculpas esfarrapadas, droga!
— Huh? Não entendo o que você quer dizer, mas não tem o direito de falar assim comigo.
— Hey! – Kagami tentou interromper, mas ambos estávamos alterados e concentrados demais naquela discussão, tanto que não podíamos ouvir ninguém além de nós mesmos.
— Kise... – Chamei, tentando manter a calma enquanto me levantava. – Vamos lá fora. Agora.
Os olhos que me fitavam agora, eram iguais aos de uma criança birrenta. Ele estava inflando suas bochechas e espremendo os olhos enquanto cruzava os braços e me olhava pelo canto dos olhos. Tão infantil!
— Espe–Hey, hey! Vocês deveriam se acalmar! Não deveriam brigar num lugar como esse! – Kagami tentou interromper o clima tenso novamente, mas voltou a fracassar.
Mesmo com a posição de Kise naquele momento, ele terminou sua bebida silenciosamente, após se levantou, arrumando a cadeira em seu devido lugar. Deu a volta na mesa, parando próximo a mim.
— Esta bem, vamos conversar lá fora!
Kagami POV's.
— Hey, Aomine! Não bata no Kise!!
Provavelmente eles não tinham me ouvido, pois já estavam bem próximos a saída quando eu comecei a falar. Na verdade, acho que eles não me ouviram em momento algum, visto que um estava muito concentrado no outro e vice-versa. Tsc! Eu me sentia muito culpado. Não sabia exatamente o que estava acontecendo entre eles, mas pelo que dava para entender, eu estava envolvido nisso de alguma forma. Massageei as têmporas, enquanto pensava no que eu deveria fazer.
— Kagami-kun, você deveria tê-los parado quando teve chance. – Comentou Kuroko.
Foi então que olhei para todos eles ali sentados e percebi que era o único em estado de pânico com aquela situação. Ninguém além de mim, estava preocupado com o que poderia acontecer, por mais que todos ali soubessem como Aomine era! Todos estavam muito calmos, bebendo suas bebidas e comendo seus petiscos.
— Vocês também deveriam ter dito alguma coisa! Por quê estão comendo e bebendo tão tranquilamente!? – Exclamei, exigindo atenção.
— Deixe que eles se entendam. Deveríamos apenas pedir mais bebidas! Todos já terminaram seu primeiro pedido... – Disse Akashi, totalmente desinteressado, dando uma olhada no folheto de bebidas.
— É verdade, Kagami-kun. – Kuroko tomou frente novamente. – Vamos! Eu vou pedir um shochu dessa vez.
— Kurocchin é tão genial! Vou pedir o mesmo! – Concordou Murasakibara, enquanto terminava de comer um de seus doces.
— Só de olhar para aqueles dois, me sinto frustrado... Vou querer um pouco de oolong*. – Decidiu-se Midorima.
— Tsc, Shin-chan, você é muito fraco! Vamos tomar cerveja! Cerveja! – Takao jogou-se nos ombros de Midorima, fazendo-o quase derrubar seus óculos, resultando numa bronca.
Simplesmente não adiantava falar com esses caras! Eu estava preocupado com Kise, mas talvez eles estivessem certos. Todos eles se conheciam há mais tempo, então não seria estranho se eles previssem no que aquilo ia dar. E se fosse mesmo desta forma, talvez eu não devesse ficar tão preocupado! Aomine sempre teve um gênio ruim, se irritava e brigava com muita facilidade, mas ele era outra pessoa quando estava com Kise... Ele ficava manso. Pensando nisso, acabei relaxando um pouco. Kise com certeza ficaria bem, daria um jeito de controlar aquela fera. Eu definitivamente não precisava me preocupar.
— Vou beber cerveja também.
Kise POV's.
Assim que saímos do bar, entramos num pequeno corredor logo ao lado, onde eram deixados os sacos de lixo todas as manhãs. Não tive muito tempo para pensar, logo o meu corpo foi arremessado e prensado contra a parede. Aomine usava o joelho para impedir a minha fuga, mas mesmo assim eu insistia em me debater numa falha tentativa de me libertar. Foi então que ele socou a parede, centímetros de meu rosto. O impacto de seu punho contra a parede atrás de mim, resultou num som que fez com que o meu corpo se encolhesse instintivamente e parasse de se mover. Mesmo com a surpresa do ato, me esforcei para manter minha expressão firme perante ele.
— Bem, o que foi essa atitude agressiva ainda a pouco? – Perguntou ele, enquanto segurava um de meus pulsos.
"Quente.", disse à mim mesmo. Naquela noite, havia uma leve brisa, mas o toque da mão dele, a sua pele... Eram quentes. Estremeci com aquele mísero contato. Os lugares onde ele havia tocado na última vez em que teve contato físico comigo, ainda queimavam. Encolhi-me, sussurrando um "Não.", mas a sua mão continuava firme em meu pulso enquanto esperava uma resposta minha.
— Não me toque! – Aumentei meu tom de voz, quase num grito.
Seus olhos arregalaram-se em surpresa e por um momento, ambos ficamos imóveis, como se o tempo tivesse parado. Foi a primeira vez em muito tempo em que ele olhou claramente nos meus olhos. Eu vi o meu próprio reflexo nos olhos dele e senti meu corpo amolecer. Eu sentia um misto de coisas naquele momento, mas o que realmente prevalecia era um frio no estômago. A sensação era semelhante à daquele dia, há quatro anos atrás. Este seria um ponto final? Teríamos o mesmo fim?
Aomine fechou os seus olhos, apertando-os, por um instante. Ele soltou meu pulso, dando um passo largo para trás. Pensei em segurá-lo. Tive medo de que ele fugisse de mim outra vez. Mas nada fiz. Fiquei em silêncio, deixei que ele tomasse frente e dissesse o que quisesse dizer, o que demorou menos do que eu esperava a acontecer.
— Eu... – Ele deu uma pequena pausa para formular melhor o que ia dizer, logo recomeçou. – Desde aquele tempo, há quatro anos atrás... Eu sempre estive arrependido em relação as coisas que disse à você. Me desculpe por todo este tempo.
Aquilo foi inesperado. Sem perceber, fiquei boquiaberto. Senti algo que mal sei pôr em palavras, mas era bom e reconfortante. Eu passei anos esperando ansiosamente para ouvir algo como isso, vindo dele... Essa era a única coisa que faltava para que eu deixasse as mágoas do passado de lado. Tudo o que ele precisava fazer agora, era olhar pra mim. Ele estava me dando abertura, essa era a hora de mostrar à ele como eu realmente me sentia. Dei um passo à frente, com um pequeno sorriso no canto dos lábios. Mas, o que vinha em seguida me deixou tão surpreso quanto o seu pedido de desculpas. Mais que isso: Me deixou puto. Indignado.
— Esqueça. Estou indo pra casa! – Disse ele, dando as costas sem sequer olhar pra mim.
Assim que o vi começando a caminhar com passos lentos e curtos, meu sangue ferveu. "Covarde." Rangi os dentes enquanto fechava as mãos em punhos apertados. "Idiota! Idiota! Idiota!". Eu não podia acreditar que logo agora que estávamos prestes a nos entendermos, ele esta fazendo algo tão egoísta, falando o que queria, indo embora sem nem ouvir o que eu tinha a falar sobre o assunto. Coloquei uma das mãos no bolso, tateando-o até encontrar o meu celular. Dei uma boa olhada nele antes de mirar na cabeça de Aomine e o jogar, com toda a minha força.
— Isso dói!!!! – exclamou ele, tocando o local atingido com uma das mãos.
O celular bateu em cheio na cabeça dele, que — com esforço — segurou-o antes que ele caísse no chão. Eu não ia deixar que ele fugisse de mim. Eu também não ia mais fugir. Nós iríamos resolver tudo naquele momento, por bem ou por mal!
{Continua...}
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