Notas iniciais
Mais um capítulo da série: Ficou muito extenso, então separei em dois. HAHAHA ~ Então, gente, decidi insistir um pouco mais nessa fanfic. Não vou prometer que transformarei ela numa longfic, mas vou remando, né? Caso comece a ficar chata, não tem problema em comentar avisando, ok? Enfim, a notícia boa e rara é que: Eu não atrasei o capítulo dessa semana, uhu! Em relação à ele: Essa parte está curtinha, bem dramática, mas eu espero que gostem! Descobrimos um pedacinho do Aominecchi que ele demonstra muito, certo? YAY, comentem! ^-^'

Aomine POV's.

— Quê?

Pisquei em confusão. Não fazia sentido! Após quatro longos anos conseguimos nos reencontrar, mal esclarecemos tudo em seus mínimos detalhes e ele diz que vai partir... "Foi algo que eu disse? Algo que eu fiz?" Não sabia responder. Aquilo me deixava louco! Eu não sabia o que pensar, nem como deveria agir.

Particularmente, nunca fui do tipo de pessoa que deixa seus pontos fracos à mostra, que teme ou que duvida de si mesmo. Mas as coisas mudavam totalmente quando o assunto em questão era Kise. Ele era o meu ponto fraco, sem sombra de dúvida. Pensar em perdê-lo outra vez, despertava um sentimento raro em mim: o medo. Ao ouvi-lo, uma onda de agitação e desespero cresceu rapidamente dentro de mim, à ponto d'eu achar que tudo viria à tona em forma de lágrimas. Foi então que eu olhei para o seu rosto e lá estava ele... Aquele sorriso. Aquele doce, gentil e calmante sorriso. Ele não precisava falar nada porque aquele sorriso dizia para a minha alma tudo o que ela precisava ouvir. E a minha alma não me deixava mentir. Foi então que o vi deixar suas coisas sobre a mesa e se aproximar. Ele sentou em meu colo, ajeitou o meu cabelo enquanto analisava o meu rosto, como se estivesse decorando e redecorando cada detalhe meu. Seus braços envolveram o meu pescoço e seus lábios colaram-se contra a minha testa, num selo longo e delicado. Um gesto simplório e carregado de afeto, que era capaz de levar embora todas as minhas frustrações, ao menos por agora. Nenhum de nós dois ousava dizer uma mínima palavra sequer. Não quebraríamos aquele momento, de maneira alguma.

Seu rosto alinhou-se na curva de meu pescoço e eu pude sentir sua respiração tocando a minha pele. Meus braços, quase que por vontade própria, envolveram seu corpo e eu pude sentir o calor dele invadindo o meu ser. Pela primeira vez, eu senti medo. Eu não fazia a menor ideia de como as minhas ações se refletiam nele, se eu tinha o mesmo efeito sobre ele que ele tinha sobre mim e coisas assim... O apertei desesperadamente em meus braços, numa tentativa de que ele sentisse um pouco da confusão que estava o meu interior. Tive como resposta, um riso.

— Você se lembra? – Indagou.

Não respondi. Seu rosto se afastou minimamente para que eu o ouvisse com mais clareza, então retomou a fala:

— No tempo do colegial... Você sempre esteve ao meu lado. Quando você me ajudou com aqueles garotos, tudo o que eu consegui pensar foi: "Nossa, como esse cara é legal! Seria ótimo se nos tornássemos bons amigos!". Você me levou à enfermaria e quando eu sai, lá estava você, me esperando... Não faz ideia do quanto aquilo me deixou feliz! Tudo o que eu queria era que nós nunca mais nos separássemos. Pois, quando eu te encontrei, eu pude ver tudo com mais clareza. – Pausou, respirando fundo, como se estivesse em busca das palavras certas. – Você era o pedaço de mim que esteve em falta por muito tempo. Quando você disse que não queria mais ver a minha cara, foi um choque pra mim...

— Isso, eu–

— Shhh, – interrompeu calmamente – deixe eu acabar de falar primeiro, ok? – Esperou um pouco para após prosseguir. – De início, eu realmente fiquei chateado com aquilo. Você não tem a mínima ideia de quantas vezes, nesses quatro anos, eu pensei em te esquecer. Eu até tentei, juro! Conheci muitas pessoas, homens, mulheres, muito interessantes... Sai, bebi, dancei, fingi ser alguém que não era para esquecer do que, um dia, eu fui... Porque a pessoa que eu sou de verdade, carrega um pedaço de você em cada partícula. O que eu quero dizer é que, eu estou indo agora, mas eu vou voltar. Porque aqui é o meu lugar. Você é o meu lar... E eu sempre irei voltar pra casa.

Lutei contra as lágrimas enquanto o abraçava fortemente, tendo o mesmo, retribuído. Agora, eu podia sentir o seu cheiro como se não existisse nenhum outro odor no mundo. Era doce, suave. Eu não tive forças para dizer nada. As palavras dele me atingiram em cheio. Me confortavam, mas também, me sufocavam. Me deixavam sem escolha além de aceitar. Tudo o que eu pude responder à ele foi um "eu te amo muito", quase inaudível.

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Kise serviu um copo d'água para que eu me acalmasse um pouco. Certamente, aquilo era repentino e ele deveria imaginar que eu não estava pronto para tal situação, que aquilo iria me pegar de surpresa... Na verdade, agora eu entendia que ele também havia ficado surpreso. Enquanto eu bebia a água, ele me explicou que surgiu um imprevisto e que ele teria que viajar com urgência. Não sabia quanto tempo levaria para voltar, mas que me manteria informado sobre tudo! Isso me deixou, de certa forma, um pouco aliviado. Quando ele disse que ia embora, pensei que estivéssemos rompendo outra vez... E, sinceramente, eu não sei o que faria se este fosse realmente o caso.

Emprestei uma sacola para que ele guardasse suas coisas. Me ofereci para levá-lo até o aeroporto ou algo assim, mas ele recusou a minha ajuda. De acordo com ele, seria bem mais difícil se eu fosse junto, pois soaria como uma despedida e isso o impediria de embarcar. Então tentei, ao menos, insistir para que ele me dissesse para onde iria... Mas ele apenas dizia que era algo incerto. Dizia que a única coisa que ele sabia, era que precisava resolver algo importante antes de seguir a vida. Não havia nada que eu pudesse fazer, então apenas o levei até o ponto de táxi mais próximo. A rua estava pouco movimentada, então haviam carros disponíveis e não foi preciso esperar muito. Nos beijamos e assim que ele entrou no carro, o mesmo foi-se embora rapidamente, sumindo na primeira esquina e me deixando apenas com a visão de seu rosto gentil através da janela do táxi na memória.

Comecei a caminhar de volta para a casa, mas não pude prosseguir. Fui perdendo a força das pernas aos poucos, então parei e sentei num banco próximo a padaria para pensar um pouco. Minha cabeça doía muito. Tudo havia acontecido muito rápido e eu mal tive a chance de processar tudo aquilo. Agora era hora de por as coisas no lugar, definitivamente não era hora de perder o controle! Porém, meus pensamentos foram interrompidos quando percebi que alguém acabava de parar logo em frente a mim. Subi o olhar e deparei-me com Akashi, me fitando de cima.

— A pessoa à quem estava se despedindo ainda à pouco, era Kise? Esta tudo bem entre vocês? – Indagou ele, sentando-se ao meu lado.

— Eu acho que sim. – Limitei-me a responder.

— Pra onde ele foi? Achei que fosse se encontrar com Midorima, para pegar suas coisas e tudo mais... Os garotos estão realmente curiosos, querem saber o que houve com vocês.

— Pois é. Ele precisou fazer uma viagem ou algo assim... – Virei o rosto, fingindo indiferença, na intensão de que ele não percebesse o meu desânimo.

— Ele também?

— Hã? – Voltei-me à ele novamente, surpreso. – O que você quis dizer com "ele também"?

— Bom, hoje cedo eu convidei o Taiga para jogar na quadra central comigo e alguns amigos, mas ele disse que houve um imprevisto e que teria que viajar repentinamente. Ele até mesmo pediu para que eu avisasse sobre a viagem ao Tetsu!

Me levantei de imediato. "Kise e Kagami estavam indo viajar? Qual era a possibilidade disso ser uma coincidência? Tsc." O maldito medo voltou com tudo e atingiu-me o peito em cheio. "Eles estavam indo viajar juntos? Ou será que eu apenas estava tirando conclusões precipitadas? Mas e tudo aquilo que o Kise havia dito pra mim mais cedo... Não passavam de mentiras?" Eu não aguentava mais supor coisas, guardar pensamentos só pra mim e sofrer sem esclarecer as minhas dúvidas. Merda! Ele não queria que eu o levasse até o aeroporto... Fazia sentido. Eu deveria ter me dado conta do quão suspeito isso era! Eu não podia ficar parado diante disso tudo.

— Daiki? – Akashi chamou-me, não obtendo resposta alguma.

Eu estava focado demais nos meus inúmeros pensamentos que pareciam encaixar-se com perfeição uns nos outros. Eu não podia e não iria ficar parado, de jeito nenhum. Levantei-me, tateando os bolsos nervosamente. Olhei em volta, tentando pensar melhor no que eu faria a seguir. Foi então que voltei-me à Akashi, que me olhava inexpressivamente:

— Ei, tem algum dinheiro para me emprestar? – Indaguei, hesitante.

— Eh!? Pra quê?

— Eu preciso pegar um táxi até o aeroporto! Deixei minha carteira em casa e não há tempo para voltar e pegar! Juro que devolvo tudo com juros pra você, assim que eu voltar!

Akashi respondeu-me com um riso divertido para após tirar a carteira do bolso, contando o dinheiro que tinha consigo. Entregou-me tudo, sem questionar. Ele era um cara estranho, nada afetivo, na maioria das vezes não dava a mínima para as necessidades de qualquer outra pessoa além das dele mesmo. Mas agora, ele estava me ajudando e eu estava realmente grato. Eu sabia, era loucura, mas ficar sem fazer nada não faria com que a minha dor de cabeça passasse, tampouco aliviasse. Eu não queria ficar pensando besteiras sobre Kise. Se fosse verdade, também não queria viver uma ilusão.

Voltei até o ponto de táxi o mais rápido que pude. Ainda havia pouco movimento, então adentrei o primeiro carro que parou à minha frente, pedindo para que o motorista me levasse até o aeroporto o mais rápido possível e foi exatamente o que ele fez. Dentro de pouco mais de meia hora o táxi parou em frente ao aeroporto, então eu desci do mesmo, paguei a corrida e guardei o dinheiro que sobrou no bolso da calça. Encarei a movimentação de pessoas que entravam e saiam do lugar bem arrumadas e com várias bagagens, enquanto acabava de acumular coragem suficiente para entrar lá. Eu precisava estar pronto para ver qualquer coisa e aceitar o melhor e o pior da situação. Respirei fundo, começando a caminhar em direção à porta de entrada do aeroporto. Era agora que eu iria resolver as coisas de uma vez por todas!

{Continua...}

Notas finais
É isso, galerinha. Espero pelos vossos comentários. ♥