Remember the urge.

2 Backing to past. - Parte I.


Notas iniciais
Bom, neste capítulo retornamos ao passado para entender o motivo pelo qual Aomine e Kise estiveram separados por tanto tempo. Separei em duas partes pois se fosse apenas uma, seria muito extenso e cansativo para a leitura. Ainda não sei se a fanfic vai vingar, mas enfim... Vou tentar, por mais que não hajam muitas pessoas lendo. Esta é a primeira parte. Espero que - dessa vez - alguém leia.


Kise POV's

Eu sempre fui um garoto que muitos chamariam de perfeito. Um belo rosto, boas notas e simplesmente bom em tudo o que faz. Sempre rodeado de pessoas, meninos e meninas, que viviam dizendo incansáveis vezes o quanto "eu sou legal", e com um armário repleto de cartas de amor. Mas, além de todas essas coisas, há também lados ruins em ser tão bom.

Hoje é o meu primeiro dia numa escola nova. Por alguns motivos, tive que deixar a escola antiga. Meus pais são separados há mais de um ano, fizeram novas famílias que nem sabem da minha existência. Não tenho outros familiares na cidade, então eles me enviam dinheiro escondidos de suas novas famílias, para que eu possa viver até conseguir um emprego ou algo assim. É horrível, se você pensar... Mas eu realmente não me importo. Cheguei num ponto onde não sinto nada, apenas cansaço. Eles tem bons empregos, então me mandam muito dinheiro, à ponto de eu conseguir o necessário e, também, o desnecessário. Então, tudo bem.

Estava perambulando pelo pátio da escola, tentando achar a entrada. Já havia perdido a cerimônia de abertura, mas ainda dava tempo de participar das aulas. Assim que encontrei a entrada, não perdi tempo e fui atrás da minha sala. Os corredores estavam bastante movimentados e eu apressei o passo. Acabei esbarrando em alguém por acidente, então voltei-me à este para me desculpar, quando me vi completamente cercado.

— Olha só o que temos aqui... Carne nova!? — ouvi um dos garotos falar.

Parei em pleno corredor ao ser cercado por quatro garotos mais altos e, aparentemente, mais velhos que eu. Deveriam ser veteranos ou repetentes. Dentre eles, surgira um garoto de cabelos vermelhos um pouco mais novo e mais baixo, que se aproximou, liderando a situação. Algumas pessoas encararam a abordagem com o canto dos olhos, mas estavam apressados de mais para dar algum tipo de atenção.

— Você é o aluno transferido? — O garoto se aproximou demasiadamente, encarando meu rosto bem de perto. — Nem é grande coisa. — Estalou a língua. — Em todo o caso, esse seu rosto bonito me enoja!

Sem ter tempo de responder ou fazer qualquer outra coisa, fui atingido com uma joelhada no estômago que me fez cair de joelhos imediatamente, chamando atenção de alguns alunos que passavam. Eu simplesmente não podia responder. Não é como se eu também não me sentisse assim. Eu sempre fui um imã de pessoas falsas e interesseiras, devido à minha beleza e status. Nunca houve nada que eu não pudesse fazer, bastava ver uma única vez — atentamente — para que eu pudesse reproduzi-lo com perfeição. Nunca tive amigos... As pessoas que se aproximavam de mim sempre me traíam ou se afastavam ao decorrer do tempo com medo de que eu roubasse sua namorada ou, até mesmo, seu namorado. Eu odiava ter aquele rosto. Eu não me importava em apanhar. Esta não era a primeira vez e, certamente, não seria a última... Olhei para o garoto a minha frente, que já se preparava para acertar-me um soco no rosto, então fechei meus olhos, esperando o golpe.

— Ei, Akashi! Amedrontando um novato outra vez?

Abri meus olhos ao notar outra voz desconhecida. Foi quando eu o vi... Deveria ser um pouco mais alto que eu, tinha a pele bronzeada e o cabelo num tom azulado. Seus olhos pareciam brilhar enquanto ele abria caminho entre aqueles caras enormes e estendia a mão, me oferecendo ajuda para levantar.

— Você esta bem? — ele perguntou assim que, com um pouco de dificuldade, levantei-me com a sua ajuda.

— Da-daijoubu.*

— YAH, Daiki, a gente-

— Não precisa dizer nada, só vão pra sala. Já estamos em horário de aula! — O garoto que havia acabado de me ajudar parecia ter algum tipo de influência sobre aqueles garotos, pois eles simplesmente deram as costas assim que ele terminou, com exceção do menor, que nos fitava sem expressão.

— Você continua o mesmo... Que pena, Daiki. — O ruivo lançou-me um olhar malicioso. Senti que ele diria algo, mas apenas sorriu, retirando-se com um aceno.

Tentei caminhar mas acabei cambaleando, então fui segurado pelo o outro, que colocou meu braço em volta de seu pescoço e segurou-me pela cintura, o que me fez corar de leve, instantaneamente.

— Não se preocupe, vou levá-lo à enfermaria!

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Após tomar alguns remédios e me sentir um pouco melhor, agradeci ao enfermeiro e sai da enfermaria, encontrando o garoto que havia me levado até ali. "Ele estava me esperando esse tempo todo?". Ele se aproximou um pouco, mas não disse nada, apenas me observou.

— O-obrigado. — Limitei-me a agradecer, tendo um olhar de reprovação em resposta.

— Podia, como agradecimento, me dizer seu nome.

Ele riu baixo, dando um leve tapinha em meu ombro quando começamos a andar. Eu não sabia exatamente o motivo dele ter interferido na situação anterior, nem porquê estava interagindo comigo agora, mas eu estava realmente agradecido. Se eu pudesse fazer um único amigo naquela escola, eu ficaria bem. "Seria bom se este amigo fosse esse cara.", pensei.

— Desculpe... Me chamo Kise Ryouta. — Parei, fazendo uma breve reverência, dando um pulo ao ouvi-lo rir repentinamente, outra vez.

— Não precisa disso... Eu não sou seu senpai! Me chamo Aomine Daiki. Aliás, estamos na mesma sala.

Sorri aliviado. Paramos em frente a uma das portas, então Aomine olhou pra mim e sussurrou um "Boa sorte à nós.", antes de abrir a porta, revelando uma sala lotada e um pouco barulhenta. Pelo visto, estávamos em período vago e as pessoas estavam usando aquele tempo para se conhecerem. Adentrei a sala e notei que uma garota se aproximava. Ela era realmente bonita e com um físico bem... Chamativo, vamos dizer assim. Percebi a expressão de Aomine ao que a garota se aproximava, então o puxei para que fosse comigo escolher uma classe. Senti que ele não queria ser abordado pela moça, então retribui o favor à ele.

— Hah, obrigado! — Ele disse enquanto me seguia.

— Não precisa agradecer. Ela é sua amiga?

— Conhecida. Digamos que ela é um pouco grudenta, isso me irrita.

Pisquei algumas vezes, processando o que ele havia dito para após rir. Olhei em volta e não sabia exatamente o que pensar... Haviam muitas pessoas e, na minha cabeça, eu já imaginava como cada uma delas agiria comigo, caso fossemos apresentados. Olhei especialmente para a garota à qual Aomine se referiu como "grudenta" e, inicialmente, achei que ela realmente era parecida com o meu "eu", do passado... Eu me aproveitava da minha beleza para tentar prender as pessoas junto à mim, pra não ficar sozinho. Mas no fundo, eu sabia que não tinha ninguém. Agora, eu realmente odeio esse tipo de atitude. Odeio.

— Hey, o que você vai comer no almoço? Podíamos ir até o telhado...

Aomine me acordou de meus pensamentos, então voltei-me a ele, pensativo.

— Bom, eu trouxe algo e-

— Ah, um obento*? Sua mãe quem fez? Wah, isso é tão legal! — Interrompeu, exclamando animadamente.

— É, mais ou menos isso. — Respondi, sorrindo sem-jeito.

Na verdade, foi apenas algo que comprei numa loja de esquina e esquentei um pouco antes de sair de casa, por estar quase congelado. Não tinha costume de falar sobre a minha vida pessoal, ainda mais na primeira vez que falava com alguém. Mas eu me sentia estranhamente confortável perto de Aomine. Ele sempre sorria pra mim e me fazia sorrir sem nem perceber ou sem saber o porque... Talvez fosse apenas uma resposta natural.

Quatro meses depois:

Alguns meses se passaram e eu já tinha me enturmado um pouco. Continuei a andar sempre com o Aomine, que me apresentou a vários amigos gentis e sempre que podíamos, nos encontrávamos para fazer algo depois das aulas. Eu e Aomine sempre almoçávamos juntos, o que me fazia sentir como se eu finalmente não tivesse mais que me preocupar em ser abandonado.

Aomine POV's

Eu estava realmente animado com a minha vida escolar. Por ser muito comunicativo, eu sempre fui um garoto com muitos amigos, bem requisitado... Mas este ano eu estava mais fechado, apenas com um grupo fixo de amigos. No início das aulas, conheci um aluno transferido, cujo estava sendo incomodado por Akashi, um de meus amigos de infância. Com certeza Akashi já estava sabendo sobre os inúmeros rumores relacionados à Kise... Diziam que ele havia sido expulso da escola anterior por tentar seduzir um dos professores que estava pronto para reprová-lo. Diziam também que seus pais eram separados e que o motivo havia sido semelhante ao de sua expulsão. Sinceramente, eu não podia acreditar em nada disso. Agora ele estava bem mais solto e falante, mas inicialmente era muito tímido e tinha um grande senso de inferioridade. Não era do tipo de pessoa que seria capaz de fazer algo como isso. Em todo o caso, havia algo nele que me fazia ter vontade de conhecê-lo melhor. A cada dia que passávamos juntos, ficávamos mais amigos. Isso me deixava feliz.

Naquele dia, nada de especial aconteceu. Assistimos as primeiras aulas, almoçamos no telhado, jogamos um pouco de basquete antes das aulas finalmente acabarem... Por coincidência, Kise e eu morávamos perto, então íamos embora juntos todos os dias, mas acabei sendo abordado por Momoi.

— Dai-chan, não fuja de mim! — A garota se prendeu em meu braço.

Olhei para Kise que parecia um pouco assustado com a atitude da garota, então gargalhei.

— Eh, pode me esperar no estacionamento? Eu estarei lá em dez minutos, juro!

— A-ah, tudo bem, sem problemas.

Voltei-me a garota que me olhava agora com um olhar desconfiado, então voltei a rir. Na verdade, eu tinha certeza que ela estava com ciúmes. Quando éramos pequenos, nos tratávamos como irmãos, fazíamos tudo juntos... Mas ela não entendia que há momentos em que meninos precisam estar apenas com outros meninos, tsc.

— Mamãe não pára de perguntar o motivo de você não ter aparecido mais... — Iniciou ela.

— Diga à ela a verdade. Tenho outros amigos também... Estou vivendo.

— Você é muito malvado!

— Foi só por causa disso que me parou aqui?

— Não... Na verdade, eu queria perguntar se você não poderia ir até a minha casa amanhã. Preciso de ajuda com algumas coisas, sabe? E você sempre me ajudou...

— Tudo bem, depois da escola, deixo minhas coisas em casa e vou te visitar. Agora eu-

— Ok, você não quer deixar seu "amigo" esperando... Vá lá, eu entendo!

Hesitei por um momento, devido ao tom que ela usou. Mas acabei apenas assentindo e rumando em direção ao estacionamento enquanto pensava que talvez ela estivesse um pouco mais madura, se comparado à nossa infância. Ainda não era um grande avanço, mas ela já me deixava ir sem que eu precisasse insistir, então já era um bom começo. Acabei por rir desse tipo de pensamento enquanto virava o corredor, adentrando o estacionamento. Mas parei de rir quase automaticamente ao presenciar algo do qual não esperava.

Um garoto que eu jamais havia visto na vida, estava segurando os pulsos de Kise para cima, com uma só mão, e estava roubando-lhe um beijo. Sem pensar, eu apenas explodi. Joguei a minha mochila num canto qualquer e corri até eles, atacando sem aviso prévio.

{ Continua... }

Notas finais
Comentem! Daijoubu = "Estou bem"/"Tudo bem". Obento = Um tipo de "marmita".