Remember the urge.

3 Backing to past. - Parte II.


Notas iniciais
Sim, eu sei, atrasei a fanfic!! Por isso, peço mil perdões! Acontece que eu tive um bloqueio durante a semana. Vou aproveitar para pedir desculpas também porque o meu emocional esta uma bosta - depressão feelings - então esse capítulo ficou muito melodramático. Inclusive, eu chorei pra caramba escrevendo o último parágrafo (há minutos atrás). Eu tentei revisar o máximo que pude, mas com certeza vai ter alguns errinhos de ortografia... Por isso, me desculpem também! Enfim... Nos vemos nas notas finais!

Aomine POV's.

Acertei-lhe um soco no rosto e um chute que o fez cair numa curta distância. Voltei o olhar rapidamente à Kise que caíra de joelhos ao ter seus pulsos libertos tão repentinamente, então tirei meu casaco e o pousei sobre suas costas. Não tive muito tempo para perguntar como ele estava, já que o homem que o havia atacado agora se levantara e começava a correr. O mínimo que eu podia fazer era capturá-lo. Dei as costas, mas quando estava prestes a correr, senti sua mão puxar a minha camisa, então amoleci. Não pude deixá-lo só.

Sua expressão chorosa... Era a primeira vez que eu havia visto. Ele parecia tão indefeso que, quando me dei conta, já estava o abraçando. Seus braços me apertavam com força, prendendo-me à ele desesperadamente. Me amaldiçoei tantas vezes por tê-lo deixado sozinho... Aquilo, com certeza, era minha culpa.

— Kise...

Eu pensei em tantas coisas, palavras confortantes... No fim, não consegui sequer dizer aquilo que ele mais precisava ouvir: "Vai ficar tudo bem".

Não quis questioná-lo sobre aquilo, naquele momento. Então, o levei nas costas até a minha casa, para fazer um curativo em seu joelho, cujo havia levemente ferido ao cair no chão bruscamente. Durante todo o caminho até ali ele esteve quieto. Não reclamou, não disse sequer uma palavra. Naquele momento, eu não conseguia ler a sua expressão. Seu olhar estava perdido e seus lábios entreabertos... Enquanto acabava de enfaixar seu joelho, esperava ansiosamente que ele quebrasse o silêncio, mas ele não o fez.

— Espere aqui, certo? — Ditei, indo em direção a cozinha.

Fiz um pouco de chá e então o servi em duas canecas, para após voltar a sala e entregar uma delas à ele. Depois de tanto tempo sem contato, seus olhos encontraram os meus e eu senti um tipo de alívio.

— Obrigado por tudo... Sinto muito por causar problemas. — Sua voz estava extremamente baixa, julguei que talvez estivesse constrangido ou algo do gênero.

— Você não tem que se desculpar... Na verdade, o único que tem que se desculpar aqui, sou eu. Eu não devia ter parado para falar com a Momoi. Se estivéssemos juntos, aquilo não teria acontecido.

— Não se preocupe. Algo assim aconteceria, mais cedo ou mais tarde.

O observei tomar um longo gole do chá, um pouco confuso com o que acabara de falar. "Como assim? Ele estava sendo ameaçado? Perseguido?", perguntava a mim mesmo. Eu não sabia se era apropriado perguntar, mas a minha curiosidade falou mais alto:

— Como assim?

— As pessoas, normalmente, tem problemas comigo. Quando não são agressões físicas e verbais, são tentativas de escândalos e humilhações. Eu achei que pudesse ser diferente esse ano, porque... — Ele fez uma pausa demorada.

— Porque...? — Estava impaciente, não conseguia esperar que ele terminasse a frase em seu tempo.

— Porque eu tenho você. — Ele desviou o olhar e seu rosto ficou extremamente vermelho. — Quer dizer, você e os meninos da escola, sabe? Eu não estou sozinho.

Tudo o que eu pude fazer foi sorrir discretamente. Eu não queria que ele se sentisse só e também não queria que coisas como a que acontecera mais cedo, acontecessem novamente. Eu só queria, de alguma forma, dar a ele um tipo de garantia de que ele sempre teria alguém com quem contar. De que ele podia contar, especialmente, comigo.

— E nunca vai estar. De agora em diante, eu juro, não vou deixar mais nada de ruim acontecer com você.

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Naquela noite, Kise ficou na minha casa, meus pais estavam viajando à trabalho, então não houve problemas. Praticamente não dormimos, pois conversamos muito, sobre muitas coisas. Eu descobri um lado dele que eu jamais poderia imaginar que existia. Nos últimos dias, ele tinha se soltado muito e mostrado uma faceta alegre. Nós íamos para escola e voltávamos, sempre juntos... Éramos como melhores amigos, tínhamos intimidade suficiente à ponto de eu não utilizar mais o sufixo "kun" ao me referir à ele, que passou a me chamar de "Aominecchi" — um apelido engraçadinho, ao meu ver. Mas ele parecia realmente triste com algo e eu só tinha me dado conta disso, agora. Meus pensamentos estavam confusos mas havia algo realmente claro dentro de mim... Eu deveria estar com ele. Eu tinha muitas perguntas cujas quais gostaria de fazer à ele, mas preferi não pressioná-lo. Afinal de contas, não importava quantas vezes eu dissesse coisas como "eu entendo", o fato era que eu não entendia.

Após aquela noite, Kise passou a agir como se escondesse algo, o que me preocupou bastante. Toda a vez que eu perguntava sobre seus pais, ele dizia que estavam viajando à trabalho ou se limitava à dizer que estavam bem. Eu nunca adentrei sua casa antes, por mais que fosse buscá-lo todos os dias, então acabei por decidir que sairia de casa mais cedo e iria até a sua casa com determinação suficiente para pedir pra entrar. Não sabia se os seus pais eram realmente separados, como diziam. Não sabia com quem ele morava, nem se precisava de ajuda. Eu queria conhecê-lo melhor, de toda a forma.

Na manhã do dia seguinte.

Assim como havia decidido, acordei mais cedo e rumei em direção à casa de Kise, que ficava há poucas quadras da minha. Nunca havia muito movimento naquela área, então eu adentrei facilmente o local. Era um tipo de prédio, não muito alto. A única informação que eu tinha, era que ele morava no terceiro andar e eu só me dei conta disso quando já havia chego lá e estava de cara para as portas dos apartamentos. "Bom, se eu ficar aqui, talvez possa ver seus pais saindo de casa ou algo assim.", pensei enquanto ficava a espreita entre os corredores. Olhei o relógio, faltavam uns quarenta minutos para o horário que eu deveria estar chegando para buscá-lo. Foi quando ouvi o barulho de uma das portas se abrindo. Olhei em direção ao corredor cuidadosamente e não pude acreditar no que vi. Era Kagami – um garoto da escola -, saindo do apartamento junto à... Kise. "Mas que merda é essa?". Kagami vestia o uniforme da escola enquanto Kise usava nada além de uma boxer e uma camiseta, longa e larga.

Minha mente ficou totalmente em branco e eu engoli a seco. Não sabia exatamente o porque, mas eu estava com raiva. Com muita raiva. Dei uma última espiada podendo vê-los conectados por um selo, e as mãos de Kagami presas à cintura de Kise me fez ter vontade de socar a cara dos dois, ali mesmo. Mas me contive. Quando me dei conta, estava correndo em direção as escadas, chutando a lata de lixo que se encontrava próxima a uma das portas. Desci tão rápido que, quando sai no hall de entrada, esbarrei em algumas pessoas até finalmente sentir o ar fresco tocar o meu rosto. "Droga, droga, droga! Por que estou tão irritado com algo como isso? Não tem nada a ver comigo!". Baguncei meu cabelo, começando a caminhar enquanto tentava organizar os meus pensamentos. Tive vontade de chorar.

Foi então que percebi algo estranho. Quando vi Kagami e Kise naquela situação, eu não senti nojo por ambos serem homens ou algo assim. Eu senti raiva, irritação, tristeza. Eu simplesmente não podia evitar. Não sabia o que estava sentindo naquele momento. A minha única certeza era que eu não queria olhar para o rosto de Kise naquele dia... Eu não podia simplesmente buscá-lo como se nada tivesse acontecido. Pensando nisso, comecei a andar, agora em direção à escola, sem me importar em ser o primeiro aluno a chegar.

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Kise POV's.

"Wah, que raro, Aominecchi esta atrasado! Se eu não ir pra escola agora, eu não vou chegar a tempo." Comecei a caminhar enquanto digitava uma mensagem para Aomine, avisando que estava indo sem ele. Me perguntava se ele estava doente ou se estava com problemas, visto que ele nunca faltava as aulas ou deixava de ir a um encontro de amigos sem avisar. Mesmo que não fossemos amigos de anos, ele realmente estava cuidando de mim nos últimos meses. Eu me sentia mal por ainda esconder tanto de mim dele, mas tinha esperança de que algum dia eu poderia mostrar tudo o que tenho.

Após algum tempo de caminhada, cheguei um pouco atrasado na escola. Chequei o celular antes de adentrar a sala, mas não havia nenhuma resposta de Aomine, então respirei fundo e entrei, pedindo licença ao professor que a concedeu de imediato. A turma estava separada em trios, então analisei a sala inteira em busca de Aomine que, nesses casos, sempre fazia trabalho em dupla comigo. Fiquei um pouco desapontado ao ver que ele estava ali e que havia se juntado à Midorima e Takao para fazer o trabalho, mas logo afastei pensamentos ruins da minha mente. Eles eram bons amigos e eu tinha chegado recentemente, não podia simplesmente querer que ele desse preferência à mim, em tudo. No fim, acabei fazendo o trabalho sozinho. O trabalho foi extenso, durou as primeiras aulas inteiras, principalmente pra mim, que não tive ajuda alguma. Havia acabado de tocar o sinal para o intervalo e Aomine foi o primeiro a sair da sala.

– Hey, Aominecchi–

Eu tentei chamá-lo, mas ele simplesmente passou reto por mim, sem sequer olhar para trás. "Será que eu fiz algo de errado? Não, não... Aominecchi não é esse tipo de pessoa. Ele só não deve ter me escutado, é isso!" De qualquer forma, o clima estava estranho e eu estava começando a me sentir mal com isso.

Eu já estava me preparando para ir atrás dele, quando Midorima aproximou-se de minha classe. Ele não era muito falante, só quando bebia em demasia, mas era uma boa pessoa. Certa vez ele me disse que gostaria de ser médico e eu realmente achei que esse tipo de profissão combinava com ele. Ele era do tipo que gostava de analisar as pessoas e sempre oferecia ajuda, mesmo que ainda fosse um bocado sério.

— Bom dia! — cumprimentou ele.

Olhei com um pouco mais de atenção e ri baixinho ao perceber que ele trazia uma flor num tom rosado, em seu bolso. Aquela flor realmente não combinava em nada com o uniforme da escola! Midocchi tinha uma certa mania... Ele sempre andava com um "objeto da sorte" diferente. Acho que era algo relacionado à signos ou algo do gênero. Eu nunca entendi, mas as vezes, era algo realmente engraçado.

— 'Dia. Isso é o seu... "Objeto do dia"? — Perguntei, tentando segurar o riso.

— Bem, na verdade-

— Ohaaaaayo*! — Exclamou o moreno, jogando-se sem forma contra o corpo de Midorima que revirava os olhos enquanto tinha o corpo praticamente abraçado pelo outro.

Este era Takao. Sua voz interrompera totalmente o que Midorima estava prestes a dizer. Esses dois sempre foram muito próximos. Quase como irmãos.

— Nee, nee, Kise-kun! Diga a verdade: Essa flor não deixa o Shin-chan muuuuito fofo?

— B-ba–baka! Não diga coisas embaraçosas como essas na escola! As pessoas interpretam errado...

Não pude fazer nada além de rir. Eu gostaria de me dar bem desse jeito com as outras pessoas. No fim, aproveitei o momento para perguntar, mesmo que ainda hesitante:

— Vocês... Sabem aonde Aominecchi foi?

— Ah, ele disse que não estava se sentindo muito bem, então foi tirar um cochilo no telhado. — Informou Midorima, ajeitando seus óculos.

— Obrigado. Eu preciso falar com ele agora, com licença!

Levantei-me, dando um leve aceno para após rumar ao telhado o mais rápido que pude. Meu peito estava apertado e eu estava preocupado, com receio do que estaria acontecendo. Assim que abri a porta, avistei Aomine deitado na beirada, então me aproximei sem fazer muito barulho.

— Aominecchi... — Chamei, tendo um murmurio como resposta. — Então você estava aqui...

— Sim... O que foi?

— Nee, por que esta dormindo aqui? Se apenas não tem o que fazer, vamos jogar um contra um!

— Estou cansado... Não 'tô afim.

Sua resposta foi curta e seca. Totalmente diferente da forma como havia me tratado até então. Ele estava definitivamente irritado com algo, o que me fez insistir naquilo, por mais que as coisas não estivessem boas.

— Por que? Faz um tempo que não te vejo praticar... Desse jeito, seu corpo descerá de nível!

— Eu não me importo. — Bocejou.

— Ah, deixe disso, vamos jogar basquete! Eu-

— Diabos, você é tão barulhento, tão chato! Você deveria averiguar melhor a condição das pessoas, seu idiota! Pare de me irritar todos os dias, droga! Apenas se apresse e suma da minha frente.

Minha respiração falhou por um instante, e eu não soube o que pensar. "Aquele era realmente o Aomine que eu conheci há meses atrás, quando entrei nessa escola? Era realmente aquele garoto gentil que sempre esteve cuidando de mim? Eu havia me tornado um incomodo pra ele também? Desde quando?" Minha cabeça doía só de tentar pensar na resposta dessas e de tantas outras perguntas que surgiram em minha cabeça, naquele momento.

— Aominecchi... Eu já não sou mais necessário?

Um curto silêncio tomou conta do local. Deveria ter durado um mísero minuto, mas pra mim, foi como se tivessem passado horas. Eu só conseguia ouvir o soprar do vento que derrubava sobre nós algumas folhas das árvores ao redor, como um abraço de consolo. E eu desejei que ele chorasse antes de mim. Desejei que ele se desculpasse e me abraçasse outra vez. Desejei que ficássemos abraçados o dia inteiro! E eu fui egoísta em silêncio. Eu vi meu coração sendo quebrado em minúsculos pedaços ao que obtive sua resposta:

— Sim.

"Tudo bem", eu pensei. Mas os meus pensamentos e emoções já não andavam mais de mãos dadas. Me peguei sorrindo pra ele, que não me olhou nem por um segundo, enquanto minhas lágrimas desciam sem parar pelo meu rosto. Não disse nada, apenas dei as costas e sai, assim como ele desejou. Eu não podia suportar. Não podia olhar pra ele. Não após saber que eu o fazia sentir daquela forma. Eu queria morrer, se isso fosse deixá-lo melhor. Mas, quando parei pra pensar, cheguei à uma conclusão: Eu havia morrido ali, naquele exato momento.

{Continua...}

Notas finais
É isso, pessoal! Obrigada pelos comentários - por mais que tenham sido poucos - nos capítulos anteriores. Espero que comentem neste aqui também, por mais que eu não mereça! Vou tentar melhorar mais no próximo, eu sei que esse ficou fraco, ruim etc. ENFIM!!! *Chullie tagarela* ~ Beijinhos. Ohayo = Bom dia. :3