Remember The Urge
2 Uruha
Onze anos de banda... E eu ainda era plenamente capaz de descrever como foi ter uma guitarra na mão pela primeira vez... Onze anos de banda e eu ainda me lembrava de como tinha sido colocar meus pés sobre o palco pela primeira vez...
Ainda me lembrava, com uma riqueza de detalhes inexplicável, como foi quando o the GazettE se formou... De como éramos todos muito imaturos e ingênuos... De como éramos temperamentais e sabíamos pouco sobre trabalhar em grupo... De como aprendemos arduamente que ser músico era muito mais complexo do que o que as pessoas veem quando tudo está pronto...
Quando eu era criança, um pouco depois de ter desistido da minha vontade de ser um j-leaguer da seleção nacional japonesa, eu me perguntei o que faria da minha vida (eu era uma criança precoce)... Se queria ser médico, engenheiro, astronauta, mangaka... Ou se seria um trabalhador normal, com terno e gravata, em um escritório... Eu estava bastante incerto sobre que caminho seguir naquela época... Tudo o que eu sabia era que eu queria ter um sonho e segui-lo!
Então, meu sonho se materializou diante de meus olhos, quando eu vi pela primeira vez uma apresentação do Luna Sea e fiquei viciado em sua música! Quando vi Sugizo tocando pela primeira vez, alguma coisa em minha mente se acendeu para o que eu queria que fosse meu destino dali em diante!
Eu ainda era tão moleque que nem imaginava que ser músico era muito mais do que imitar os sons que escutava no rádio com a minha velha guitarra, na garagem de um dos meus colegas de escola que também curtia VK... Naquela época, nós já nos chamávamos de “banda”... Mas tudo não passava de uma grande brincadeira para cada um de nós...
Conforme os moleques crescem, os sonhos vão ficando para trás, como se sonhar fosse uma das partes boas da vida que está condenada a fica apenas na infância... O sonho de ser um grande ícone da música perde brilho ou... Sei lá o que acontece... Porque eu não fui como eles... Eu não quis acreditar que ser músico fosse só brincadeira de criança... Eu queria mais do que tudo que fosse verdade!
Meus pais ficaram preocupados e tentaram colocar algum juízo em minha cabeça dura, tentaram me fazer ver que a realidade não tinha nada que fosse parecido com o sonho que eu inventara de seguir... “Que não se vive de música”... “Que ser músico é coisa séria”... “Que um em um milhão tem sorte de se tornar famoso”... Eu não os julgo por isso! Acho que eu faria a mesma coisa no lugar deles... Talvez, até mais do que eles fizeram ao tentarem me impedir por saber o que eu tive de passar pra conseguir ser músico... Pai nenhum deseja pra um filho que ele gaste todas as suas chances em um sonho que tem mais chances de dar errado do que certo...
Mas eu achava que o certo era buscar o que eu queria com todas as forças que tinha em meu corpo, que estava preparado para as consequências e para as frustrações, que já era maduro o suficiente e ficava muito bravo quando ninguém concordava comigo... Depois que o tempo passa que a gente aprende a ter a paciência que devia ter na adolescência... Hoje, quem me vê sempre tão calmo e reflexivo, não deve ser capaz de acreditar em quão explosivo eu já fui...
Só não ganhava do Akira (na verdade, do que é que eu ganhava do Akira, naquela época?)! Desde o dia em que o conheci (e eu arrisco dizer que é provável que até o fim de nossos dias...), meu melhor amigo sempre fora explosivo em excesso e nós dávamos ótimas gargalhadas depois, quando ele se acalmava...
Quando eu conheci Akira, nem podia imaginar em quão longe nós iríamos... Não imaginaria que ainda nos falaríamos depois de terminar a escola... Que aquele moleque pequeno e escuro, que se comunicava com o corpo todo quando falava e que dizia coisas que eu ainda não entendia ainda estaria em minha vida... Mas Akira sempre foi muito resoluto nas coisas que ele queria... E ele falou tão sério quando disse que conseguíamos realizar nosso sonho de ser músico que eu não tinha como duvidar dele... Eu sempre acreditei em tudo o que ele me disse, com aquela convicção e aquela seriedade dele, desde o primeiro dia, como se fosse alguém que já tivesse visitado o futuro... Mais de vinte anos depois e isso não mudou... Nem a seriedade dele, nem minha confiança!
Meu maior sonho era tocar no Tokyo Dome, como um dos senpais... Queria fazer parte de uma banda por mais de dez anos... E o the GazettE tinha realizado todos os meus sonhos, como Akira tinha me dito lá no começo!
Onze anos tinham passado e, de alguma forma misteriosa, como nos filmes, eu quase não tinha sentido... Às vezes, eu ainda acordava no meio da noite, na minha cama e me perguntava qual parte daquele sonho era real...
Onze anos e tudo a minha volta tinha mudado bastante! Eu pouco parecia com o garoto que começou tocando guitarra nas garagens da vizinhança... Meus pais hoje não estavam mais tão preocupados com minha persistência em ser músico (se continuam, não me deixam perceber)... Minha banda era a coisa mais preciosa que eu tinha e eu, que uma vez desejei ser músico para não ter preocupações ou responsabilidades, não poupava esforços para mantê-la em pé e unida... Eu, que fui um estudante pouco esforçado, na época da escola, que nunca perdia noites em claro estudando, agora era sempre o último a sair do trabalho... Mas eu ainda me sentia o mesmo... Fã do senpai... Amigo do Akira... E capaz de sonhar cada vez mais alto!
— Uruha-san... Hora do show!
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