JiYong\'s POV

\"Ooh baby I\'m so ready for your love, you got me going steady for your love, ain\'t nobody but you I\'m thinking of, that\'s only because we belong together...\" A música provavelmente repetiu umas três vezes antes que eu me desse conta de que não era um sonho. Ainda sonolento pego o celular debaixo do travesseiro e confiro as horas. Cinco horas da manhã. Se não me levantar agora estarei atrasado para as filmagens.

Espreguiço-me, o corpo ainda não responde totalmente aos meus comandos e a tentação em aninhar-me ainda mais aos cobertores é muito forte. O dia começou; sento-me na cama e dou uma espiada lá fora. Seul parece dormir, não ouço nenhum som, ou melhor, meus sentidos ainda não estão captando a vida ao meu redor.

Um pensamento brilhante passa pela minha mente, eu tomo o travesseiro e inspiro lentamente, profundamente. Não sinto seu cheiro, isto significa que já é tempo de nos vermos.

Após voltar do banheiro coloco jeans e uma camiseta e pego meu tênis preferido, não há tempo para me arrumar muito e nem importa, já que no estúdio haverá toda uma produção. Hoje é o primeiro dia da gravação do meu vídeo musical solo, com este pensamento me animando, jogo a sacola nas costas e saio do quarto.

O dormitório está às escuras, no corredor eu tropeço em algumas roupas amontoadas. Abro de leve a porta de um dos quartos e vejo YongBae dormindo profundamente. Este malandro! Espero que apareça no estúdio mais tarde! SeungRi tem dormido na casa dos pais estes dias, já que o teatro onde ele participa de um musical fica mais próximo e é mais cômodo pra ele. Dae continua no hospital, em observação. Mas não é por isto que a casa tem estado vazia, não é pela ausência deles, é pela sua.

Lá fora a van me espera de portas abertas, um dos assistentes me cumprimenta animado, me oferece um copinho plástico com café. Agradeço, me sentando em um dos bancos e coloco os fones no ouvido. O dia promete ser longo.

As pessoas já estão acostumadas ao meu jeito estranho, os dois assistentes não se importam com meu silêncio, eles estão conversando com o motorista sobre algum caso engraçado envolvendo celebridades. Então ligo o mp4 e ouço sua voz, não esperava por isto logo pela manhã.

O som quente da sua voz preenche todo meu corpo; eu já disse o quanto gosto de seu solo? Sim, eu já disse, um milhão de vezes, não é? Fecho os olhos e penso em você, isto não me espanta mais, não me espanta o quão fácil é pensar em você. Lembro-me da última vez que nos vimos, há dois dias. O plano era irmos visitar DaeSung no hospital, por causa do drama seu horário era bastante apertado, nos encontramos, os quatro, no saguão do hospital, todos de casacos e óculos escuros. Às vezes não há vantagem alguma em ser famoso.

“Ei, hyung!” Não pude abraçá-lo, não na frente dos outros, mas a vontade era tão forte que eu toquei seus ombros, de leve, num movimento desajeitado. Você sorriu e eu me derreti, como sempre.

Infelizmente estes pensamentos foram interrompidos pelo ruído seco da porta da van sendo aberta. Nós chegamos e eu nem me dei conta. Pulei da van e segui para o camarim, o sol brilhava, apesar do clima frio. A manhã passou monótona, entre provas de roupas, maquiagem, cabelo, testes de luz, e eu ainda tinha que sorrir para a câmera que nos seguia, não conseguia esconder minha ansiedade.

O clima no estúdio era animado, os backdancers ensaiavam num canto, uma das dançarinas me deu um longo olhar, eu sorri de volta, afinal, tinha que confundir as pessoas. Esconder sobre meus sentimentos estava se tornando muito fácil, até demais. Perto das 11 horas YongBae chegou, ele veio direto em minha direção muito animado.

“JiYong, uau, o clima aqui está ótimo”. Eu o olhei divertido, só YongBae pra me tranqüilizar um pouco. Ele falava estas coisas bobas, de uma maneira tão ingênua e feliz que me alegrava. Apesar de tudo eu ainda me sentia em débito com ele, afinal, era meu melhor amigo e eu não podia revelar a coisa mais importante da minha vida. Eu continuava mentindo.

Voltei para o ensaio, mas não sem antes checar o celular mais uma vez. Algumas ligações, duas mensagens, mas nada que realmente importasse, não eram suas ligações, não eram suas mensagens.

Pouco antes do almoço fui até onde YongBae estava, perto da cadeira do diretor e tentei parecer displicente. “Eles deram alguma notícia?” Perguntei.

“Ah, o Dae ligou agorinha, ele desejou boa sorte. A voz dele estava um pouco triste e disse que sentia muito por não poder estar aqui. Liguei pro maknae e a mãe dele disse que ele ainda estava dormindo”. Nós rimos juntos, SeungRi sempre tão esforçado e ativo, não perdia a oportunidade de ser manhoso em casa. “Hum”, eu respondi.

“E também o TOP-shii, ele ligou, disse que talvez não poderá vir”. Será que eu consegui disfarçar minha expressão de total decepção à tempo?

“Sim, ele anda muito ocupado, né?”. Não sei se notei uma pergunta no fundo dos olhos de meu amigo, mas não havia tempo para me concentrar nisto, pois me esperavam para mais uma tomada.

Respirei fundo, tentando me concentrar no personagem do vídeo. Um garoto cujo coração foi partido, sentimento que não seria difícil representar neste momento.

Sim, eu estava ficando louco, estava até mesmo ouvindo sua voz. Só que desta vez o som não vinha da minha cabeça, então eu entendi e me virei. Ah, SeungHyun, você veio! Eu queria tanto, mas tanto correr em sua direção e abraçá-lo. Meu deus, como você consegue mexer com cada uma das células do meu corpo, como pode ser tão bonito?

É injusto você aparecer assim de surpresa, não pude me controlar muito bem, todos devem ter visto o enorme sorriso nos meus lábios. Caminhei em sua direção tentando controlar meus passos, evitando correr; as mãos quietas, evitando te abraçar, eu não me preocupei nem mesmo com o que YongBae pudesse interpretar, estava feliz demais para pensar nisto. “Você veio!”.

“Você acha que eu agüentaria você ficar me cobrando depois?!” Você disse daquele seu jeito divertido, que já é uma marca registrada. E sorriu, formando aquelas covinhas nos cantos da bochecha. Deus! Você ao menos desconfiava o quanto eu te desejava naquele momento? Se ao menos não houvesse dezenas de pessoas à nossa volta. “Volte lá, JiYong, vá trabalhar! Eu ficarei aqui com o YongBae”. Seu sádico, você quer mesmo me matar, não é? Arrastei-me de volta ao estúdio, de muita má vontade, escutando os risos dos dois às minhas costas. Eu poderia matá-los.

Algumas horas se passaram, e eu me concentrava em não olhar em sua direção, não poderia estragar o trabalho de todos. Tinha sob minhas costas a responsabilidade do esforço de todos, tantas pessoas envolvidas, e afinal, finalmente eu poderia expressar as coisas que tinha na mente. Eu pensei mais uma vez no pôr que de “Heartbreaker”, estaria me referindo à você ou à mim?

Estes últimos meses foram difíceis para nós dois, o trabalho e a agenda apertada dificultavam nossos encontros. Viajar juntos não ajudava em nada, pois eu sempre dividia o quarto com um dos outros membros, isso quando não ficávamos todos juntos no mesmo aposento. Eu me envolvia cada vez mais com meu trabalho, quantas vezes eu não desperdicei as chances de nos vemos? E agora, que você estava filmando o drama, o tempo era ainda mais escasso.

Já tínhamos filmado toda a primeira cena do vídeo, aquela da árvore pálida. Meu rosto queimava com a maquiagem, eu sentia as costas suadas e isto me deixava desconfortável. A equipe se preparava para a próxima tomada, e este momento de intervalo me permitiu buscar sua presença. As cadeiras, que há pouco vocês ocupavam, estavam vazias. YongBae conversava com um dos backdancers num canto.

“Vou tomar um pouco de água e me refrescar. Esta roupa está colando nas minhas costas!” Ah, eu não iria perder a oportunidade de um segundo sozinho com você, e deixei rapidamente o estúdio, antes que alguém respondesse qualquer coisa, antes que YongBae notasse minha ausência.

Comecei pelo camarim que estava escuro, pisquei algumas vezes, procurando alguém, mas não havia ninguém ali. Pensei por alguns segundos antes de tomar as escadas. Eu nem percebi que estava voando, pulando os degraus de dois em dois, logo a porta que levava ao terraço estava a minha frente, a empurrei sem dificuldades e fui recebido pela luz branca e fria que ardia sob o céu de Seul.

Não levei mais de um segundo para perceber a sombra preta estática, à beira do terraço. Caminhei em sua direção sorrateiramente, e à medida que me aproximava meu coração disparava. Quando faltavam menos de 3 passos, não resisti e corri até você, te abraçando por trás.

“Você veio!” Você se virou lentamente, um sorriso tranqüilo nos lábios.

“Você acha que eu perderia isto?” Então nos abraçamos demoradamente, a despeito do local não ser insensível aos olhares alheios. Logo nos separamos e olhamos à nossa volta. “Este não é o melhor lugar, verdade?”.

“Não mesmo” eu concordei. Você me olhou longamente, e me lembrei das roupas e maquiagem que estava usando. Senti-me um pouco bobo, mas permaneci ao seu lado e tomei suas mãos.

“Obrigada”. Você apertou minha mão de volta.

“Desde quando você precisa me agradecer por isto?” você disse com o olhar intrigado. Nós dois olhamos o horizonte por um tempo, de mãos dadas.

“E o que você achou? Você gostou, bem, de tudo?” Eu perguntei.

“Você sabe que eu gosto de tudo o que você faz, JiYong, você é muito talentoso, e sabe disto”.

“Mas para mim sua opinião é muito importante, e não temos nos falado estes dias. Não pude te contar uma série de coisas...”. Eu falei rapidamente, atropelando as palavras. Você sorriu mais uma vez e eu puxei sua mão de leve. “Nós não podemos ir para algum outro lugar, só por um tempo?”.

“Eu estava esperando você pedir, seu bobo!”.

Sei que havia outras coisas a serem ditas. Sei que deveríamos falar sobre nós e sobre a distância apenas perceptível que já começava a nos separar. Mas neste momento em que tudo o que eu mais queria era senti-lo, nada mais importava. Esta conversa importante teria que ficar pra outra hora.

Nossas mãos permaneciam enlaçadas e eu puxei levemente, trazendo sua mão comigo, e você entendeu. Caminhamos em direção à porta que nos levava às escadas, deixando a luz que nos expunha. A falta de iluminação me fez piscar algumas vezes, não havia aonde ir e não havia tempo. Ao longe eu podia escutar o burburinho das pessoas, objetos sendo arrastados, o vai e vem de um dia cheio.

As pessoas já teriam dado falta da minha presença? Isto importava e ao mesmo tempo não. Os dois parados, ainda de mãos dados, a escuridão que nos protegia, mas que não permitia que nos olhássemos. Soltei suas mãos vagarosamente, me aproximando, sentia minha respiração se acelerar, enfiei as mãos por baixo de sua jaqueta, por sobre a blusa, tateando de leve seu torso, sentindo as finas costelas tencionarem-se sob o toque dos meus dedos, a ondulação suave de sua respiração se agitar, até envolvê-lo num abraço, encostando a cabeça em seu peito, aninhando-me, sem pressa. Senti seus braços me envolverem, devolvendo meu abraço, ficamos assim por um tempo que pareceu eterno. Então levantei meu rosto, tentando enxergar algo além da escuridão que nos engolia, mas não vi nada e talvez fosse melhor assim.

O tempo passava; coloquei-me nas pontas dos pés e ergui o rosto, procurando seus lábios, que permaneciam fechados pra mim, tentei pequenos beijos que iam do queixo até os cantos de sua boca, mordiscando de leve, te tentando. Você estava jogando comigo, e eu sabia exatamente o que fazer.

Virei-me, afundando o rosto em seu pescoço, desenhando um pequeno caminho com a ponta do meu nariz até aproximar-me da base de sua orelha, onde finalmente parei e comecei um beijo com a ponta da minha língua. O estratagema parece ter dado certo, pois você me apertou, virando-me de costas para a parede, pressionando seu corpo contra o meu e tomando meus lábios num beijo profundo. Eu flutuava.

Instintivamente minhas mãos subiram, enrolando-se e perdendo-se em seus cabelos, puxei seu rosto aproximando-o do meu, senti o frio da parede às minhas costas, nossos corpos estavam completamente colados, não havia espaço nem mesmo para o ar passar, nossos corações batiam descontrolados, perdíamos o fôlego, mas nenhum dos dois ousava abandonar o beijo que se eternizava.

“G-Dragon-shiiiiii!!! G-Dragon-shiiiiii!!!” O som de vozes estranhas chamando meu nome quebrou o encanto do momento e nos soltamos abruptamente. Já estávamos acostumados com este tipo de interrupção, podia escutar minha respiração pesada, tanto quanto a sua, dei um passo, não contando com o tremor do meu corpo, e tropecei nos meus próprios pés, tombando de leve sobre você.

“Ei, calma!”. Senti suas mãos tomando meus braços.

“Como se você estivesse muito melhor que eu”. Respondi e caímos na risada.

“Preciso voltar ao camarim, minha maquiagem deve estar um desastre”, disse.

“Eu não me arrependo por isto”.

“Nem eu, mas eu preciso ir”.

“JiYong, quando nos veremos de novo, com calma?”. Senti o celular vibrando no bolso de minha calça,

“Eu não sei. Eu preciso ir”. Suas mãos me abandonaram e eu senti uma leve vertigem. A escuridão me protegia de ver sua expressão neste momento, agradeci mentalmente por isto. “Sinto muito, as coisas não tem sido fáceis... Isto é o que eu sempre quis”, minha voz soou lamentosa. “Eu preciso mesmo ir!”. Virei-me em direção às escadas. E a despeito de toda a escuridão, pude sentir seu olhar queimando minhas costas, enquanto eu te deixava cada vez mais rápido.

SeungHyun\'s POV

Hoje senti que precisava acordar bem cedo e sair, caminhar e esfriar a cabeça. Sentia-me pressionado e o pior de tudo era que essa pressão nem era sobre meus ombros, mas de alguma forma me afetava como tal.

Uma carreira inteiramente nova, um conceito totalmente novo, e dessa vez você estava sozinho nessa, não que não confiasse em sua integridade e garra, afinal nunca havia conhecido alguém com mais talento que você, dar conta disso seria até muito fácil. O que me perturbava, deixava-me até sem sono as noites é se tudo isso interferiria de alguma forma sobre nós.

E não me refiro à banda ou a nossa amizade, mas sim ao que temos a mais, por baixo dos panos, escondido de tudo e de todos. Tenho medo que você mude, que eu mude, que algo em nossos corações pare de bater com a ausência um do outro, pois talvez você ainda não tenha percebido, mas desde que começou a trabalhar em sua carreira não tem tido mais tempo para nós dois, e isso me assusta tanto que prefiro nem pensar sobre.

Sair e se distrair é o melhor que posso fazer, sei que queria que estivesse com você hoje, que te acompanhasse ao estúdio, mas não sei se vou agüentar vê-lo se distanciando de mim, mesmo que isso seja somente uma bobeira que coloquei em minha mente e que acredito ser verdade, pois você ainda está aqui comigo, não está?

Tentei tirar meus pensamentos de sua pessoa, mas era quase como tentar respirar sem utilizar meus pulmões, não consegui manter-me longe de você e quase que inconscientemente meus pés já estavam levando-me ao estúdio onde você estava.

Parei e olhei o prédio a minha frente, ainda tinha uma chance de voltar para casa e só te dar os parabéns ao ouvir terceiros falando sobre a filmagem, mas meu corpo parecia ter vida própria, te desejava tanto que não podia se afastar, então entrei e fui ao seu encontro, talvez pudesse assistir de algum canto sem que me perceba, somente para satisfazer a minha dose diária de você.

Chegando lá, não pude deixar de perceber como tudo era diferente do que já havíamos feito, o cenário parecia ter saído de um livro de fantasia, na verdade era tudo a sua cara, senti um enorme orgulho por ver que estava conseguindo realizar seu sonho do jeitinho que sempre quis.

Mas minha atenção não conseguiu focar-se em mais nenhuma das luzes rodeando o local, ou a estranha árvore no centro do cenário quando coloquei os olhos em você, seus cabelos tingidos quase de branco, seus olhos pintados. Mordi os lábios em reflexo, tentando disfarçar aquela sensação quente que me preenchia toda vez que o via.

Estava tão maravilhoso, que se não fosse por todas essas pessoas tinha corrido até você e arrancado todas as roupas de seu corpo e faria as loucuras que estava pensando em fazer nesse exato momento, como conseguia me deixar daquele jeito, fazer-me pensar nessas coisas? Era como se só sua presença me preenchesse de energia e felicidade, criasse uma espontaneidade que normalmente nunca teria.

Ver você tão distraído em seus próprios pensamentos, não consegui resistir e peguei o microfone que estava ao meu alcance, só percebendo YongBae agora, olhando para mim com uma expressão surpresa. Não queria mais me esconder, queria sua atenção total, seus olhos em mim, sua presença perto a mim. Minha voz saiu um pouco rouca e quase tremeu quando vi o sorriso mais lindo se abrir em seus lábios.

Meu coração bateu mais forte ao se aproximar de mim, eu sorri não pude conter minha felicidade, trocamos algumas palavras, mas com medo de não resistir e querer te abraçar e não largar mais eu pedi que voltasse ao trabalho que ficaria o assistindo, percebi que você ficou um pouco desapontado e quase pude ver o pequeno bico se formando em seus lábios, mas fez o que foi instruído e o que deveria estar fazendo naquele momento mesmo, e voltou a filmar.

Fiquei maravilhado em como estava fantástico, imagino que suas fãs irão morrer de felicidade ao ver o que estou presenciando no momento. Era até estranho eu estar sorrindo como um besta durante o tempo todo, YongBae tentava conversar comigo, mas eu estava distraído demais, então decidi sair, no fundo sabia que iria me procurar assim que tivesse a oportunidade, ficou quase que implicito no último olhar que me mandou. Levantei-me, pedindo licença aos presentes e me retirei do estúdio, torcendo para que não demorase a me achar.

Só se passaram alguns minutos e pude ouvir a porta do terraço abrindo, seus passos ecoaram no chão e então senti seus braços me envolverem.

“Você veio!” O ouvir dizer então me virei. “Você acha que eu perderia isto?”. Comentei e nos abraçamos. Sabendo que aquele não era o melhor lugar para trocarmos intimidades, decidimos ir para um local mais fechado, escondido.

Tivemos um momento um tanto desconfortável quando mencionou que não nos falávamos há um tempo, mas logo mudei o rumo da conversa, não queria falar sobre aquilo, só queria saber de nós dois juntos.

“Eu estava esperando você pedir, seu bobo!”. Brinquei quando pediu que fôssemos para outro lugar, então me puxou e tudo a nossa volta agora era escuridão. Queria poder ver seu rosto, seus olhos brilhando como toda vez que ficávamos assim tão perto e sozinhos, mas já me contentava em ter esse momento com você mesmo que fosse de olhos fechados.

Esperei por um movimento seu, geralmente eu quem iniciava as coisas entre nós, mas naquele momento queria saber o quanto estava sentindo minha falta, se tinha a mesma intensidade que o desejo de minha parte. Fiquei surpreso ao sentir suas mãos frias por baixo da minha jaqueta, então você me abraçou e encostou sua cabeça contra meu peito. Senti-me tão feliz por provar que sim, você sentia minha falta tanto quanto sentia a sua, devolvi o abraço, seus cabelos macios roçando em meu queixo, o perfume que exalava me fazia sentir avoado quase que em um transe.

Você levantou a cabeça e senti seus lábios tocarem os meus, não me rendi de primeira, por estar longe de você por um tempo, queria ter o prazer de você me conquistando, pedindo por meus beijos, pedindo por mais que um abraço.

E me conquistar era uma coisa que fazia muito bem, bem até demais. Sentir sua respiração em meu pescoço aproximando-se de minha orelha provoca um arrepio por todo meu corpo. E quando sua língua molhada toca minha pele, minha mera tentativa de esperar por você vai por água abaixo, te coloco contra a parede e tomo seus lábios em um beijo cheio de desejo e paixão.

Nos beijávamos como se o mundo fosse acabar, tão intensamente, tão vividamente. Suas mãos em meus cabelos, as minhas ao redor de sua cintura. E tudo girava apenas em torno daquele beijo, em torno de nós dois e de como ficarmos juntos nos fazia tão bem.

“G-Dragon-shiiiiii!!! G-Dragon-shiiiiii!!!” Alguém chama por você e imediatamente nos separamos, o medo de ser descobertos é ainda maior que nossa vontade de ficarmos juntos. Você tenta tomar um passo mas tropeça, caindo direto em meus braços, então faz um comentário tentando descontrair o momento embaraçoso e ambos riem. É bom saber que mesmo depois de sermos interrompidos de uma coisa que precisávamos tanto, ainda temos forças para continuarmos alegres.

“Preciso voltar ao camarim, minha maquiagem deve estar um desastre”.

“Eu não me arrependo por isto”.

“Nem eu, mas eu preciso ir”.

“JiYong, quando nos veremos de novo, com calma?”. Pergunto, tentando não parecer desesperado, mas é exatamente como me sinto, acabei de ter seus toques e já estou desejando desesperadamente por mais.

“Eu não sei. Eu preciso ir”. Você responde e sinto meu peito apertar. “Sinto muito, as coisas não tem sido fáceis... Isto é o que eu sempre quis. Eu preciso mesmo ir!”. E você vai embora me deixando para trás, e eu entendo, eu realmente entendo, mas temo que meu coração não se sinta da mesma forma, por que ao ver você se afastar de mim, ele quase para de bater e fico tão confuso, tão distante.