Relíquias de Guerra- A Adaga de Rubi
5 Alice- Pesadelos incontáveis
Notas iniciais
19 Horas antes
Desperto assustada, estou encharcada de suor. Era um pesadelo, sinto uma onda de alívio. Ainda não amanheceu, tento voltar a dormir, mas não consigo, hoje é um dia muito importante, estou tão nervosa e até ansiosa, nós nunca fizemos algo tão grande, só roubamos feiticeiros, lojas e algumas mercearias, mas hoje vamos roubar o banco de Nifion, é o maior da metrópole, lá tem moedas de pratas e até relíquias de guerra, de certa forma serve como deposito também, itens que ninguém nunca viu, e por causa de tudo isso a segurança é quase inquebrável, ninguém nunca conseguiu roubar eles. Eu não queria fazer isso, preferia continuar roubando coisas pequenas e sem segurança, mas Nate sugeriu e todos votaram que sim, cedi para não ser a chata, mas ainda não me sinto a vontade com isso, estamos planejando o plano há quase um mês e ainda parece impulsivo. Fecho os olhos, mas meus pensamentos borbulham em minha mente, desisto de dormir essa noite, levanto e vou preparar um café na cozinha, se é que posso chamar aquilo de cozinha, um simples balcão, uma mesa, algumas cadeiras e uns talheres em uma gaveta, pelo menos tem uma cafeteira.
Está silencioso e escuro, prefiro não acender as luzes para não acordar os outros, esse lugar quase não tem paredes, odeio morar em um galpão, nem privacidade temos, mas é um lugar muito bom quando se trata de se esconder dos guardiões, eles são bem insistentes quando o assunto é roubo, te perseguem e te jogam na prisão. Olho para o relógio pendurado na parede e são 5:45 o que quer dizer que é 5:35, ele está adiantado dez minutos.
Já consigo ver os primeiros raios de sol pela janela panorâmica da cozinha, preparo meu café e corro de volta para o meu quarto, sinto o metal frio da escada em meus pés descalços e isso me faz ir ainda mais rápido, vou entrar no meu quarto quando a porta do cômodo ao lado se abre, tento entrar o mais de pressa possível no meu quarto, mas não dá tempo, Nate fecha a porta atrás de si, e esfrega as costas das mãos nos olhos para ver melhor.
—Bom dia o que faz aco... – Ele direciona o olhar para baixo e faz cara de surpreso, percebo o rubor em seu rosto – Por que esta seminua?
Eu estava usando uma camisa extremamente grande, mas só cobria uma parte do meu corpo, minhas pernas e coxas estavam expostas. Começo a rir meio histérica. Faço isso quando fico nervosa.
— Esse é meu pijama. Não estava conseguindo dormir então fui fazer café, só não esperava te encontrar no caminho, agora se não se importa vou indo.
Entrei em meu quarto, tranquei a porta e me joguei na cama, fiquei lá por alguns minutos ou algumas horas não sei ao certo, até ouvir os passos das pessoas, pelo visto todo mundo já tinha acordado, me troco e desço, o sol invade cada espaço do galpão.
—Bom dia Alice – Diz Cloe sorridente.
—Bom dia – Falo não tão feliz quanto ela – Onde está o Nate?
—Ah, ele saiu faz um tempo, para caminhar.
—E onde estão Bryan e Asher?
—Um dos walk talks quebrou e eles levaram para consertar.
Simplesmente concordo com a cabeça. Cloe e eu não temos muito o que conversar, somos melhores amigas unidas por um destino terrível, nascemos sem pais, os meus me abandonaram e fui criada por um casal de idosos que morreram quando eu tinha 9 anos, Cloe perdeu os pais com a mesma idade, sem lar e sem família viemos parar na favela da metrópole de Nifion e foi lá que Nate achou nós duas, desde então trabalhamos com ele.
—Ansiosa para hoje? – Ela pergunta puxando assunto.
—Bom se com ansiosa você quer dizer passar a noite em claro e tendo pesadelos por uma semana. Sim – Digo sendo um pouco grossa
— Relaxa Alice, tudo vai correr bem, estamos planejando isso há meses. E então qual foi o sonho de hoje?
— Nada de muito interessante.
—Vai, pode me contar sem julgamentos ao não ser que seja um sonho erótico, ai eu vou rir muito – Ela olha para mim e percebe que fico desconfortável – Ah meu Deus é um sonho erótico?
— É claro que não, foi só mais um sonho bobo em que eu estava no banco de Nifion e os guardiões apareciam e eu via as cinco relíquias de guerra...
—O que? Cinco relíquias de guerra? Isso é novo, nunca aconteceu nos outros pesadelos.
—Aham, mas não foi nada de mais só um sonho, você sabe que as relíquias foram perdidas há muito tempo.
Assim se chamavam as cinco armas mais poderosas da historia. Há muito tempo atrás a paz se esvaiu de Nifion. Um tirano do planeta de Anger declarou guerra ao nosso. Nifion virou um caos, estávamos perdendo até que cinco guerreiros forjaram as relíquias. A assassina ficou com a adaga de rubi, o feiticeiro com o cajado de carvalho dourado, o arqueiro com seu arco de almas, o gladiador com punhos de ferro e por último a curandeira com seu amuleto de sangue. Aconteceu muitas batalhas, mas obviamente teve a última. Foi uma batalha árdua. Os guerreiros conseguiram matar o tirano, mas os cinco morreram e deixaram suas armas para trás que foram guardadas por alguns séculos até desaparecem misteriosamente. Muitas pessoas acham que isso é uma simples lenda e de certa forma eu também, o governo de Nifion nunca nos deram provas concretas.
Ouço um barulho de estralo me tirando dos meus pensamentos.
— Se tá bem? – Cloe olha para mim confusa.
— Tá tudo ótimo, agora me passa essa torrada. O que você acha de depois irmos à cidade fazer algumas compras?
—Com compras você quer dizer roubar né?
— Não, ainda tenho um pouco de dinheiro do último roubo.
—Ok então vou me arrumar, você também deveria – Ela me olha de cima a baixo.
— O que? Eu vou assim – Cloe da uma gargalhada tão alta que penso que meus tímpanos vão estourar.
— É brincadeira né?
— Não. Não é, agora para de me encher e vai se arrumar.
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