Relíquias de Guerra- A Adaga de Rubi
6 Alice- O grande dia
Notas iniciais
9 Horas antes
Estamos saindo da loja de roupas, a maioria preta e discreta, também compramos coletes à prova de bala. Acabo de entrar em uma loja quando vejo Asher e Raphael pela vitrine, eles entram em uma loja que conserta aparelhos eletrônicos, Cloe cruza a rua e a sigo, entramos e não vejo nada além de TVs, computadores, DVDs, rádios e todos os aparelhos eletrônicos que você imaginar, a loja é enorme, de fora parecia minúscula já que está no meio de dois prédios de 60 metros, passamos pelo labirinto de engenhocas e achamos os meninos.
— Finalmente achamos vocês – Cloe diz e em seguida olha para mim e sussurra – Viu. Eu disse que não estávamos perdidas.
— O-oi o que vocês estão fazendo aqui? Calma ai me deixa adivinhar, fazendo compras?
Faço que sim com a cabeça.
— Então já consertaram o rádio?
Nesse momento um homem velho com um macacão sujo entra na saleta com um walk talk na mão.
Pegamos o walk talk, damos algumas moedas de bronze para o senhor e voltamos para o galpão. Demoramos uma eternidade, a rua está cheia de feiticeiros charlatões e pessoas, em busca de liquidações, também tem guardiões em cada esquina, o que nos atrasa mais ainda, tendo que nos camuflar com os cidadãos.
............
Quando chegamos Nate já chegou, esta com uma cara rígida. Ele enche a gente de perguntas, como: A onde nós estávamos e por que demoramos tanto. Explico o porquê de nós demorarmos tanto, mas ele quase não liga, sai do cômodo e vai para a sala de planos, é assim que chamamos o lugar em que planejamos os roubos, eu sugeri escritório, mas não quiseram me ouvir. Seguimos ele, sentamos nas poltronas velhas e ouvimos a revisão do plano.
Passo o resto do dia conversando com Cloe, falamos sobre o roubo e o que faremos com o dinheiro, ela fala que quer comprar uma ilha só pra ela, apesar de saber que não podemos comprar coisas muito caras, para que os guardiões não suspeitem.
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Quando dá 21:00 em ponto começamos a nos preparar e pegar o equipamento. Desço e entro na caçamba da picape, enquanto Nate está no volante e Bryan no banco do passageiro, esperamos Cloe e Asher que estão demorando uma eternidade, Asher chega primeiro e em seguida vem Cloe, eles sobem na caçamba comigo. O ponteiro de velocidade está em 160, corremos tão rápidos que só vejo vultos, chegamos depois de alguns minutos, paramos dois quarteirões antes do banco. Todos nós descemos, exceto Bryan que vai ficar aqui para dirigir se algo der errado, nos despedimos dele e seguimos a pé. Vamos entrar pela a entrada de carga que fica atrás, então damos a volta até acharmos, tem cinco guardas lá, Nate começa a avançar quando o seguro pelo braço.
— Deixa com a gente você tem que subir no telhado, para nos avisar caso veja algum guardião.
— Ok – Ele fala não muito convencido – Então isso é um adeus.
— Um adeus temporário.
Ele corre a rua toda até virar a esquina, Cloe me balança e eu olho para ela.
— O que?
— Você tá bem?
— Sim, só um pouco nervosa.
— Ok. Então vamos roubar um banco.
Avançamos e atiramos neles os dardos tranquilizantes, um a um eles caem. Para abrir a porta de aço precisamos de um cartão-chave, que pegamos com um dos guardas desmaiados.
O lugar é silencioso e as lâmpadas fosforescentes piscam em um padrão, a sala é enorme, praticamente é preenchida por prateleiras de quatro metros de altura, que estão cheias de caixas, Asher tira a planta do banco de sua mochila e analisamos qual caminho temos que tomar para achar a porta que da para o saguão. Seguimos reto e viramos a esquerda, só vejo caixas e mais caixas, agora vamos para direita e lá está ela, uma pequena porta vermelha trancada, então pego grampo de cabelo da Cloe e faço o meu trabalho, depois de cinco segundos a porta está aberta.
O saguão é enorme e está mergulhado na penumbra, vejo alguns guardas à distância, nada com que se preocupar. Atravessamos o corredor e entramos no banheiro mais próximo, não acendo a luz, pode chamar muita atenção, então ficamos no escuro só com o feixe de luz da lanterna.
— Agora é com você Alice, vamos ficar aqui te esperando — Cloe fala, acho que ela está sorrindo, mas não consigo saber.
Não digo nada, penso em concordar com a cabeça, mas ela nem veria. Pego os equipamentos da mão de Asher, subo na pia e começo a desparafusar os parafusos da tubulação, a tampa cai e faz um estrondo, espero os guardas chegarem e prenderem a gente, mas nada acontece, pulo e entro na tubulação, o ar é extremamente abafado e quente, a planta do banco agora está comigo e procuro em que sala eu devo entrar: eu seguir reto e virar à direita. Começo a rastejar, suor escorre do meu rosto, parece que está ficando mais apertado, quando viro à direta vejo a luz do luar vindo de uma sala, pego o desparafusador, tiro todos os parafusos e antes que a tampa caia eu a pego, do lugar que estou consigo avistar o chão, é bem alto talvez três metros de altura, para minha sorte tem uma estante cheia de livros bem embaixo de mim, pulo nela e depois no chão. À apenas um guarda. Esgueiro-me por entre as estantes até estar atrás dele, avanço e coloco o meu braço envolta do pescoço dele e aperto até ele desmaiar, pela primeira vez olho para o cômodo, consigo ver o cofre e na frente dele vejo outra coisa, as relíquias, minha mente desaba em pensamentos, tudo está igual ao meu sonho, ou será que isso é um sonho? Belisco-me para saber, sinto uma pontada de dor.
Saio da minha mente, tenho que manter o foco, passo pelas relíquias e vou para o cofre só tenho que descobrir a senha. Olho de relance para a adaga de rubi que brilha intensamente, por outro lado não seria mais fácil e mais lucrativo roubar ela? Minha ambição me responde logo em seguida: Sim! Sim! . Corro em direção ao pilar, abro a mochila com as ferramentas e pego o aparelho que eu mesma fiz, corta qualquer tipo de vidro, começo a fazer um circulo no vidro e aos poucos começa a cortar, quando menos espero o circulo cai e se espatifa no chão, enfio minha mão e pego a adaga, jogo na mochila e corro no sentido da tubulação, escalo a estante até o topo, jogo a mochila dentro da tubulação e antes de eu mesma pular, ouço a voz de Nate no walk talk.
— Eles estão ind... sai dai Ali... corr... – O walk talk está falhando por causa do sinal.
— O que? Não estou entendendo.
— Guardiões!
Ele não precisa falar mais nada, pulo para dentro da tubulação e me rastejo o mais rápido possível, viro à esquerda e agora é só seguir reto, a tubulação começa a tremer e ouço um barulho, de repente o metal se quebra no meio e caio no chão, a dor invade meu corpo, me sento olhando para o teto, mais de dois metros, com um pulo fico de pé, a dor piora, sinto a bile vindo, me curvo para vomitar. Olho em volta, mas esta escuro demais, ligo a lanterna e parece uma sala vazia com uma estrutura coberta por um pano branco, vou até a porta mas está trancada, não vou conseguir subir até a tubulação, o que me resta é esperar, ando em direção a coisa, quero ver o que é, tem uma forma circular , puxo o pano branco, que levanta muita poeira, fico com um misto de chocada e admirada, uma nave, pequena mas uma nave, parece que é para uma pessoa apenas, naves são bem raras aqui, antigamente era mais usada para viajar de planeta a planeta mas depois o governo proibiu o uso, me apoio ao metal e sento no chão, quero dormir, mas sei que não posso, fecho os olhos por um segundo, mas um som de vozes me tiram da minha mente, vejo que pessoas estão falando de trás da porta, alguém bate com força nela, e depois mais uma vez e mais uma, percebo que são os guardiões, fico em pânico, mas tento me controlar, o que fazer? Não tenho saída, olho para nave de relance e depois volto a olhar, é isso, jogo minha mochila lá dentro e entro na nave mesmo sendo insano, à minha frente tem um painel cheio de botões, começo apertar desesperadamente, até as luzes se acendera e ouvir um rugido que provavelmente é do motor, continuo apertando os botões, e ouço o barulho da porta se chocando no chão, nenhum botão funciona, tento uma alavanca vermelha e a máquina começa a tremer, depois para e consigo sentir que está se movimentando, por sinal muito rápido, não sei onde vai ser meu destino, mas fico feliz por ter fugido, e com a adaga.
Passa um tempo, eu já deveria estar com medo, mas estou tranquila, demora uma eternidade, até que a nave se choca em algum lugar, bato minha testa no painel e faz um pequeno galo, abro a porta ainda meio zonza e a primeira coisa que vejo é o céu repleto de estrelas, depois vejo árvores e mais árvores, parece que estou em uma floresta, saio da nave, pego minha mochila e começo andar por ai, consigo ver uma luz bem longe, ando sentido a ela, aos poucos vejo uma garota, parecida comigo, parecida não, idêntica, sigo ela e quando decido falar com ela, um clarão surge do céu, me cega por alguns instantes. Parece uma nave também, alguém atira nela, uma rede de aço, ela cai no chão e solta um gemido de dor, dois guardiões saltam da nave, a pegam no colo e jogam-na para dentro, penso em intervir, mas acho melhor não. Os guardiões me seguiram até aqui, mas onde é aqui? A nave zarpa com uma velocidade inacreditável e fico sozinha na escuridão.
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