Relatos do fim do mundo
2 Reencontro
Notas iniciais
No banho não parava de pensar em tudo o que estava acontecendo, estava tudo muito confuso não podia compreender como tudo que havia passado era possível.
Sai rápido do banho coloquei minhas roupas habituais, um jeans, uma camiseta gola v preta, minha munhequeira de couro e o colar que havia ganhado quando tinha 5 anos de minha avó, eu nunca tirava aquele colar,como de costume estava com o meu cabelo mal secado só usava a toalha para seca-lo, fingi que nada estava acontecendo coloquei uma jaqueta de couro preta fui até a garagem peguei meu capacete e subi em minha Ducati, já havia resolvido que iria ver o Mat.
Sai acelerando com pressa tinha que chegar logo no mausoléu, Mat e eu havíamos crescido brincando naquele lugar tinha ótimas lembranças de minha infância lá. Logo ao sair de casa reparei em muito lixo jogado pela rua, coisas quebradas estava um nojo, ao sair de minha rua vejo inúmeros carros batidos sangue e corpos por todo o lado, parecia que havia acontecido uma guerra por lá, o que estava acontecendo?
Acelerei minha Ducati estava preocupado com o Mat, com aquele cenário coisa boa não estava acontecendo naquela cidade. A minha volta só via pessoas deformadas, sujas, machucadas não tinha tempo de parar para ajudar as pessoas que gritavam por socorro, tinha que chegar logo até o Mat, ao cruzar a avenida principal da cidade outro mendigo pulou em frente minha moto, só tive tempo de erguer a frente dela, não foi o suficiente perdi o controle da moto sai rolando para um lado e a moto para o outro, felizmente não me machuquei, mas o mendigo não havia morrido e estava vindo em minha direção furioso, o que estava acontecendo, todos os mendigos havia se tornados imortais agora? Corri em direção a minha moto desviei dele felizmente deu tempo de pegar minha moto e fugir de lá, olhei para traz e vi o mendigo tentando vir atrás de mim, como se fossem conseguir me pegar “pelo amor”.
Chegando à rua do mausoléu como de costume estava vazia, não havia uma alma viva por lá com exceção de um jeep com marcas de terra, sangue e alguns amassados devia ser esse o carro do monitor que Mat havia falado, de fato ele tinha roubado o carro. Parei a moto ao lado tirei o capacete e o deixei em cima da moto fui em direção ao portão e o pulei como fazia quando era criança, mil imagens vieram a minha mente naquele momento, eu adorava aquele lugar.
Comecei a andar em direção a uma janela quebrada por onde entrava como de costume, ao pular a janela vejo um vulto e um taco vindo em minha direção, desviei para o chão me levantei rápido e ataquei a pessoa que havia tentado me acertar ao imobiliza-la escuto :
–Davi é você? Graças a Deus.
estava escuro para ver quem era, mas aquela voz era a do Mat, não tinha erro.
–O que você estava fazendo tentando me acertar com essa porcaria de taco?
–Perdão, eu estou em pânico pensei que fosse um daqueles zumbis.
–Zumbi? Você acredita nessas coisas de filmes? Pelo amor, sempre achei que você fosse mais inteligente.
Soltei o Mat, ele estava sujo e cheio de sangue, com uma cara de assustado e ao mesmo tempo de alivio.
– Graças a Deus você esta bem cara. Não sabia a quem recorrer só confiava em você, sinto muito por ter te irritado com a ligação, mas te digo uma coisa, zumbis são reais e estão por toda a parte. Você jura que não foi atacado por nem um ainda?
Comecei a pensar no que o Mat falava tudo fazia sentido, contei a ele sobre o policial o mendigo que me atacara e o que pulava em frente a minha moto.
– Viu, é disso que estou falando Davi, são zumbis. Esse mundo já não é mais seguro.
–Não consigo acreditar que isso tudo seja possível, é biologicamente impossível uma pessoa retornar da morte.
– Davi, pelo amor de Deus cara, seja menos gênio e mais humano, pense bem que pessoa sobreviveria aos seus ataques? Já vi você lutando e convenhamos você é um monstro. — risos
Mat tinha razão não havia explicações racionais para o que estava acontecendo, decidi ceder e escuta-lo.
Mat me explicou tudo o que havia acontecido e de fato aquilo não era normal.
– Davi precisamos nos preparar, precisamos de comida, armas entre outras coisas e rápido.
–Ok. Vamos até minha casa, precisamos buscar minha avó e lá tenho comida.
Saímos do mausoléu cada um em seu respectivo veiculo, nunca havia imaginado a possibilidade do que estava acontecendo.
Chegando a casa logo na entrada vejo minha avó caída no chão toda ensanguentada, não consegui reagir minha avó estava sem pulso ela estava morta, quem havia feito aquilo com ela, acredito que era nítida minha cara de pânico, cutucava ela, chamava e ela não reagia, havia perdido minha única família, afinal meus pais sempre estiveram distantes.
Mat me pegou pelo braço me fez levantar e falou.
–Anda Davi vamos entrar, infelizmente ela já se foi.
Mat estava me escorando para entrar, prestes a entrar minha avó se levantou , nunca havia ficado tão feliz em minha vida, ela estava viva.
fui em direção a ela, Mat me empurrou para o lado e bateu com toda sua força no ombro de minha avó.
–Mat você esta louco? Esta tentando matar minha avó, ela é uma idosa isso pode ter matado ela. Vó!
–Davi fique longe, aquilo já não é mais sua avó, olhe ela esta se levantando como se nada tivesse acontecido.
De fato aquilo não era mais minha avó, mas eu não queria acreditar naquilo. Mat foi em direção a ela com o taco e deu outra pancada em seu pescoço, ela tornou a se levantar. Fechei meus olhos e falei.
–Mat, lembre-se dos filmes, acerte a cabeça.
Mat esmagou a cabeça de minha avó com o taco, no mesmo instante perdi toda a força que eu tinha em minhas pernas e cai de joelhos no chão.
Mat foi me ajudar a levantar e disse com uma voz suave e com um ar de pesar.
–Sinto muito, foi preciso.
–Eu sei, não preciso de sua ajuda para me levantar.
Levantei e entrei em casa, nunca havia sido afetado por nada a minha volta nunca tive muitas emoções e não era agora que eu teria, ela já estava morta não podíamos fazer nada.
– Mat vá para a cozinha lá tem toda comida que precisamos, eu vou ao meu quarto pegar algumas coisas.
– Ok logo menos eu estarei subindo.
Em meu quarto peguei uma bolsa coloquei algumas roupas vesti meu moletom favorito, era um moletom preto com uma cruz de flamel vermelha desenhada em suas costas.
Fui em direção a minha escrivaninha olhei o porta-retratos que havia uma foto minha quando criança dando as mãos para os meus pais, eu estava sorrindo nela, tinha sido no meu aniversario de 7 anos, nunca esqueci aquela data, deis dela eu nunca mais sorri, pelo menos não de verdade.
Peguei minha katana,que havia ganhado quando ganhei meu segundo campeonato de kendo que havia acontecido no Japão, meus pais não estavam lá para assistir, ganhei essa katana de um mestre japonês de forja, na ocasião ele me entregou e um interprete traduziu para mim o que ele havia dito.
–Isto é para você, minha maior criação, ela só pode ser empunhada pelo melhor, ela sempre será sua maior companheira. Nela tem minha alma e de todos os meus ancestrais e eu confio a você a “Hinokami no tamashi” a alma do deus do fogo.
Nunca achei aquilo grande coisa, mas de fato ela era linda, parecia ter sido feita para mim embora eu nunca tivesse tirado ela da bainha, ela possuía um lindo nome, realmente só podia ter sido feita pelo melhor, infelizmente seu criador morreu uma semana após me entregar a espada.
Mat estava na porta parado olhando e rindo.
–Já cansou de se lembrar do passado? Então finalmente vai ver a lamina dela?
– Sim já me cansei, e se vou ver a lamina ou não isso é minha decisão.
– Ok, mas admito que eu sempre quis ver você a usando.
– Talvez você veja, agora faça-me um favor abra a porta do canto do meu armário e pegue todas as armas que achar necessário.
–Ok
Naquela porta se encontrava todas as minhas armas, todas eram armas brancas porem todas fatais, cada uma com uma história diferente para contar.
Mat pegou um bastão, algumas adagas, e facas do exército entre outras.
–E você não vai pegar nada?
–Sim. Essa espada e algumas kunais. Acredito que aqui seja um bom lugar para ficarmos, é seguro e tem muros altos.
–Concordo, e pelo que vi temos comida para muito tempo.
–Sim, meu pai havia me mandado comprar, acredito que ele já sabia que isso ia acontecer.
– Provável, seus pais são cientistas neh? Mas Davi só quero pedir um favor vamos até minha casa para ver se meus pais estão bem e ai traze-los para cá?
–Vamos.
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