Relatos do fim do mundo

3 Há uma esperança no fim do mundo


Saí de minha casa e ao passar pelo corpo de minha avó eu já não sentia mais nada, o luto já havia passado, estava totalmente concentrado em sobreviver, proteger o Mat, que havia se tornado minha única família, e estava na expectativa de conseguir achar meus pais em um futuro talvez não tão próximo.
Peguei minha moto e Mat o carro antes do monitor do seu acampamento e nos dirigimos para a casa de Mat que ficava na esquina seguinte.

Para um mundo pós-apocalíptico não encontrávamos muitos mortos vivos, admito que estava muito agradecido por isso.


Na porta da casa de Mat tudo estava normal como se nada estivesse acontecendo, entramos lá e estava tudo em perfeito estado no quadro de avisos :
“Matheus , fomos no shopping voltamos as 7”
já eram 8 horas e nada deles, Mat chorando disse:
–Davi, vamos embora, eles já não devem mais estar vivos
–Mat, você não deve desistir de sua família tão fácil.

–Pensaremos nisso futuramente, agora somos nós contra o mundo.

Mat era o cara mais humano que eu conhecia, era sentimental e carinhoso porem tinha um temperamento um tanto quanto explosivo, era o tipo de pessoa que precisava de alguém para conforta-lo e eu não era a pessoa mais aconselhável para isso, afinal não era bom em expressar sentimentos.
Na volta para minha casa não estava mais aquela calmaria, tinham mortos vivos por toda a parte, paramos lado a lado Mat abaixou o vidro.
Mat- Davi o que faremos?
Davi- Calma, estou formulando uma forma de escaparmos ilesos sem termos de enfrenta-los
Mat- Ok, mas ande rápido, pois eles estão vindo em nossa direção.
Davi-Eles parecem seguir o barulho , vou chamar atenção deles para aquela rua enquanto você segue em frente sem parar o carro se possível atropele os que estiverem no caminho para que eu possa passar em seguida .

Mat-Isso é muito arriscado, eles podem te pegar.
Antes de Mat falar qualquer coisa acelerei em direção a eles, aconteceu exatamente o que eu havia dito, eles vieram em minha direção, derrapei com de forma a virar a moto nesse movimento derrubei três deles e acelerei em direção a rua, Mat ainda estava parado com o carro, alguns segundos sua maioria foi em direção a rua que havia entrado Mat acelerou e seguiu em frente , imagino que tenha sido muito difícil para ele fazer aquilo. Quando tive a certeza de que Mat havia saído daquela área foi em direção aos mortos vivos havia apenas um espaço a esquerda e era por lá que eu iria passar.

Acelerei o maximo que era capaz, a frente da moto se levantou, não hesitei, fui em direção a eles, felizmente fui capaz de passar naquele vão entre eles enquanto um trombava no outro e caiam, eles eram tão descoordenados que fui capaz de escapar graças a isso, mas ainda haviam os que estavam na rua.

Observei atentamente, não havia uma fuga fácil teria de enfrenta-los.
Parei a moto antes que eu pudesse descer dela vi Mat voltando com o carro e atropelando alguns do lado direito da rua, aquilo era o suficiente para que eu pudesse passar subi na moto e aproveitei a oportunidade ao emparelhar com Mat perguntei.
Davi-Porque você voltou, não mandei você seguir em frente que eu te encontraria?
Mat-Você realmente achou que eu seria capaz de te abandonar sem ter certeza que você seria capaz de fugir?
Graças aquela atitude fomos capazes de escapar sem ter de lutar, voltamos para a minha casa.
O corpo de minha avó ainda estava na calçada, aquilo realmente não me afetava, minha casa havia se tornado nossa base, tínhamos tudo que precisamos: comida, roupas, água, energia e tudo, mas sabia que a energia não iria durar muito, aquele podia ser só o primeiro dia, mas se as coisas continuassem naquele ritmo logo não teriam mais funcionários nas usinas e acabaríamos ficando sem energia em pouco tempo, mas aproveitaríamos o tempo que restava.

Os dias se passaram e nós agíamos como se nada estivesse acontecendo, claro em partes. Tínhamos energia elétrica e comida. Basicamente passávamos os dias comendo, jogando baralho, conversando, ouvindo musica e posso dizer brincando com os mortos vivos, sim brincando.
Ficávamos jogando coisas neles e olhávamos eles indo em direção ao objeto, era divertido ver a falta de coordenação deles, pelo menos uma vez ao dia revezamos a saída para nos livrarmos deles afinal se fosse necessário uma fuga estaríamos perdidos se tivesse muitos deles.

Mat e eu havíamos nos tornado ótimos Matadores de Zombies, parece piada, mas não demorávamos mais de alguns segundos para mata-los independente da arma que usássemos , treinamos usando todos os tipos de coisas que poderiam ser usadas como armas, taco, vassoura, facas, martelo, Mat chegou a Matar um com uma frigideira, nunca rimos tanto que nem com a “frigideirada” que Mat havia dado em um deles, chegamos a laçar um e deixa-lo pendurado para ver quanto tempo ele demoraria a morrer, o problema é que já tinham se passado quatro dias e o infeliz com a corda amarrada no pescoço e ele ainda estava vivo.
eles não precisavam respirar, posso dizer que apesar de nossas brincadeiras com aquela situação caótica serviam de estudos para aprendermos mais de como eles se confortavam, como morriam e o que eram capazes de fazer.
Final da primeira semana após o fim do mundo.

Após uma semana as quedas de energia começaram a ser frequentes, começamos a nos prevenir, carregando os aparelhos eletrônicos que planejávamos usar e roubando baterias de carros, usávamos um carrinho de mão para leva-los para dentro de casa enquanto o outro cobria a retaguarda afastando os monstros. Apesar do desleixo aparente, realmente estávamos focados em sobreviver sempre focávamos formas de lidar com a situação e sobreviver, mas aparentemente minha casa realmente era um forte impenetrável, estávamos seguros, não precisávamos nos preocupar com fugas ou comida, mas uma coisa que não saia de minha cabeça era quanto tempo aquilo iria durar, em quanto tempo os corpos putrefatos iriam permanecer sem se decompor.

Fim da primeira parte do livro de Davi. “Há uma esperança no fim do mundo”.

Notas finais
o proximo capitulo sera contado do ponto de vista de Mat