Sabe o que é desespero? Sabe o que é se sentir indefeso e totalmente sem chão? Não queria saber disso, não queria sentir nada daquilo que uma vez você já fez os outros sentirem. Nada mais importa, nada mais é felicidade quando não se tem um apoio necessário. Deitar em chão gelado é aquilo que acelera totalmente a cura para uma dor que não sei se compensa ou não partir para deixar de sentir. Seria saudável ficar alheio àquilo que eu mesmo não sinto?
Fechar os olhos para um mundo sem noção e despreparado para a evolução não é nada que nos faça querer uma coisa mais perto do que se passa na realidade. Seria eu um monstro que gosta de uma carnificina? Não sabia de tão impotência de tal força que se gostaria de causar? Um prazer que amedronta aquele que se compadece de minha pequenez e inferior dor. Foi blasfêmia, foi pecado, foi tudo de perecível ao mundo assim que troquei o olhar inocente quando a brutal ferocidade se pôs diante de mim.
Para que fiz isso? Ficar remoendo os erros do passado que jamais existiriam se não tivesse vergonha, se não tivesse inverdades que fizessem de minha vida uma mentira a se contar aqueles que eu esperei ansiosamente a me apoiar. Eu vivi desleixado com uma vela em minha frente, rezando para pegar as minhas incertezas e jogá-las longe.
Seria eu um monstro? Eu feri o outro, eu fui aquele que fez a indecência pairar sobre um lar onde jamais a paz reinou. Foi erro meu, a falta de incompetência, de um sermão que não escutei. Era eu o errado, a minha inferioridade perante a excelência da natureza que fez alguém sofrer um repudio tão intenso que se faz a culpa cravada em minha mente. Não quero saber de mentiras! O que me fez agir assim?
Por favor, pare, esse garoto é um monstro. Eu me via indefeso, sem chão e solo. Eu era um poço profundo em que habitava o meu ferrenho ser, degradante e corrupto. Eu era o choque que me fazia acordar para a vida, eu era a indecência que parecia encarar na vida o meu maior defeito: eu era imperfeito.
Monstro? O meu erro não foi eu ser eu mesmo, foi eu colocar um sentimento acima de mim, acima de qualquer racionalidade perante o ponto alto de minha essência. Ficar remoendo depois de anos distantes e imaginar se isso não fica na mente daquele que eu feri. Todos somos errados, todos somos terríveis, somos aqueles que não podem colocar os pés no chão se não somos atacados por nossa própria imaginação. Semblante terreno é o que eu reflito, um intenso show de temores que me fizeram carregar a forma cruel e um ser solene e aparentar ser tão cruel da imagem que não sou.
Carregar por intensas luas o que eu não sabia ser correto, perpetuar o erro de um pretérito longínquo é o que me torna humano, não um monstro, não sei se há perdão, não sei se há perdão, não sei se há desculpa, o que eu quero mesmo é renascer, tirar as minhas vestes de pessoa errada. Ficar somente aqui, e para sempre aqui, com quem amo e com quem me reconheço, não sou errado, fui errado, cometi a maior indecência, a maior de todas as dores, fui humano, fui animalesco, me senti menos irracional que uma lesma gentil.
Não, é apenas um desabafo, de dias em que crises se tornam parceira, que noites para dormir é a única coisa que eu peno para esvaziar minha mente.
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