Relatos do Cotidiano - Parte 1
13 A Briga
Notas iniciais
Depois da nossa reunião na segunda-feira à noite, todos foram dormir. Carlos estava me evitando bastante, e eu não tiro a razão dele. Minha irmã, minha prima e uma amiga delas dividiram o quarto e os meninos ficaram na sala. Rogério não ficou conosco porque tinha aula no dia seguinte. Eu também teria, se a faculdade não tivesse sido destruída por uma forte tempestade que caiu sobre a cidade.
—Jonas, poderia vir aqui. – Era meu pai, que estava acompanhado da minha mãe. Ele me guiou até o quarto deles, que ficava ao lado do meu. – Por que escondeu aquilo da gente?
—Eu sei que foi errado, porém preciso arrancar a confissão dele. Além disso, temos que fazer o mais rápido possível, já que ele sairá do país.
—Por favor, só não faça nada que possa colocar a sua vida em risco. – Minha mãe, com suas mãos que envelheciam, me abraçou e deu um beijo em minha bochecha. Meu pai apenas deu um tapinha em meu ombro e ambos seguiram para o quarto.
Voltei ao meu quarto e peguei meu celular, que estava com a tela acesa, revelando uma mensagem não lida:
"Alfredo, preciso falar com você."
"O que você quer?"
"Não adianta fingir que não sabe. Precisamos conversar sobre o caso de duas semanas atrás."
"Pode ser amanhã, na hora do almoço, na esquina daquele restaurante perto do Hospital do Centro?"
"Pode sim. Estarei lá a partir das 12h."
E não falei mais nada, apenas desliguei o celular e dormi. Durante a madrugada, ouvia minha prima correndo ao banheiro para vomitar. Aquilo me embrulhava o estômago, pois não foi uma opção dela. Ela foi forçada àquilo e a isso. Eu me sentia muito mal, porém, resolveria o mais rápido possível amanhã.
Eu acordei um pouco tarde. A bateria do meu celular zerou e o despertador não soou. Minha mãe me acordou no instante em que estava voltando ao trabalho, após o almoço. Ela trabalha em uma clínica de fisioterapia perto do centro, portanto, pedi que esperasse um pouco para me dar uma carona. Se fosse meu pai, ele diria não, mas minha mãe era bem diferente.
Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, o que significava que ele acordara "revoltado" naquela manhã. Ela estava com as olheiras mais fortes. Provavelmente não dormiu bem na noite anterior. E quem conseguiu dormir? No caminho, ela mencionou que meu pai e meu tio corriam com o processo da minha prima, contudo, um juiz e alguns advogados estavam atrapalhando o andamento.
—Eles culpam a Miranda?
—Sim. E, mesmo com os exames que Rogério entregou, eles decidiram adiar o julgamento.
—Eu me sinto culpado. Eu poderia tê-la ajudado.
—Todos nos sentimos culpados, ainda mais com o que meu pai disse a ela. – Minha mãe parou um pouco. – Seu avô é muito insensível. Basicamente, ele a chamou de prostituta, para não dizer o que ele disse realmente.
—Tudo fica pior quando não se tem apoio da família.
Minha mãe me deixou perto do restaurante. Mandei mensagem a Alfredo, que não visualizou. Os minutos foram passando e era quase meio dia quando ele deu sinal de vida.
"Não poderei ir. Tenho um compromisso mais importante.
Eu fiquei extremamente nervoso quando li isso. Que raio de encontro ele tinha?
"Alfredo, não me interessa o que você tem. Eu quero que você venha para cá agora!" – Ele não me respondeu, apenas visualizou. Nisso, ele mandou uma foto. Assim que eu fiz o download e vi quem era, uma raiva colossal subiu em minha cabeça. Quase joguei meu celular no chão, porém, esse era novo e não tinha dinheiro para comprar outro. – "Se você relar em minha irmã, eu juro que te mato ainda hoje."
Corri como nunca. No meio do caminho, eu liguei para a polícia e comuniquei o estava para ocorrer. Disseram que enviariam uma viatura para o caminho que eu comuniquei. Mandei uma mensagem para Carlos e ele respondeu que correria até onde Soraia estivesse.
Eu corria como nunca até chegar perto da escola de minha irmã, onde eu peguei o caminho que ia até a minha casa. Quase perto de casa, escuto um grito agudo. Era Soraia. Eu conhecia aquele grito muito bem.
—Parece que ela abriu a boca, não foi?
—Quem é você?
—Acho que você me conhece muito bem, não é minha pequena?
—Alfredo, é você seu demônio?
Eu ouvi a conversa e corri até o lugar de onde vinha o som. Eu vi Alfredo agarrando a minha irmã por trás. Ver essa cena fez com que meu sangue subisse até meus olhos. Não iria deixar que isso acontecesse com a minha irmã. Pulei sobre o garoto e soquei a cara dele.
—Fique longe dela!
Ele revidou e, com os pés, me jogou para longe. Depois, sobre mim e me socou várias vezes na cara. Parecia ser muita coincidência, mas a viatura de policial chegou no mesmo instante e pegou Alfredo me socando a cara. Soraia, ainda assustada, contou tudo o que havia acontecido para uma mulher enquanto o homem o tirava de cima de mim.
—Soraia, você está bem? – Apesar da minha cara estar toda sangrando e machucada, eu corri para ver se minha irmã estava bem.
—Você pergunta de mim, mas nem imagina como você está.
—Soraia! – Era Carlos que chegava. Um pouco atrasado, mas chegou. – Você está bem? – Ele olhou para mim e se assustou. – E o que aconteceu com você?
—O Alfredo e eu brigamos, mas parece que eu apanhei um pouco mais.
—Isso não importa. Todos vocês precisarão vir conosco até a delegacia.
Antes que me colocassem na viatura, mandei uma mensagem aos meus pais, comunicando a minha ida à delegacia.
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