Notas iniciais
Espero que gostem

Abro meus olhos ao som da porta se abrindo no meu pequeno apartamento. A pequena televisão do meu quarto ainda está ligada da noite anterior. Ouço passos de saltos altos andando pela madeira rangendo do corredor que leva ao quarto da minha casa. É difícil ouvir saltos altos na minha casa. As poucas vezes que eu uso salto, coloco na última oportunidade para não machucar meus pés. Saltos são desconfortáveis. Vejo a porta do meu quarto se abrir e de lá aparecer o corpo e rosto inesquecíveis da minha irmã a qual sempre fui ligada desde criança. Lá estava ela, com seus cabelos cacheados e roupa chique, como ela sempre gosta de usar desde que se casou com o milionário.

– Elizabeth! — fala minha irmã, jogando sua bolsa cara de couro de marca da poltrona ao lado da minha cama e se sentando na cama.

– Só Liz, Claire. — falo. Odeio quando me chamam de Elizabeth, parece que estão com raiva de mim.

– Para mim você sempre será Elizabeth.

– Ok, Claire. — falo. Não tenho paciência para o amor todo da minha irmã. Não estou com humor para isso.

– Então, como vai você?

Eu acho que não ouvi direito...

– Como eu vou? — pergunto. Não acredito que ela me faz uma pergunta tão estúpida dessas. — Como eu vou? Eu vou lhe dizer como eu vou, Claire. Eu escapei por poucos segundos de ter um avião explodido na minha cara, perdi minha melhor amiga que foi a irmã que você nunca foi desde que saímos do Michigan e agora estou assistindo cada novidade sobre o maior atentado terrorista da história na televisão. Sabia que já são mais de mil e quinhentos mortos, Claire? Então,por favor, não venha me perguntar como eu estou. Por que você já sabe a resposta.

Percebo que as lágrimas escorreram de meu rosto num segundo. Não consigo controla-las, não consigo controlar minhas emoções. A tristeza reina o meu ser.

Vejo minha irmã chorando também, deixando as lágrimas finas escorrerem pela sua pele negra bem tratada enquanto ela pega se levanta para pegar sua bolsa.

Claire coloca sua bolsa, que não deve custar menos de quinhentos dólares, em cima do meu edredom roxo bufento, e remexe-a com sua mão de unhas pintadas com o melhor esmalte existente. Não diz uma palavra. Realmente, minha irmã não mudou nada. Não é de falar em momentos difíceis, simplesmente fica calada. O problema é que em algumas situações isso se aplica bem, mas em outras não.

Ela tira um envelope de dentro da bolsa. Já sei o que é.

– Claire, não — falo, empurrando o envelope — não! Eu não vou pegar seu dinheiro...

– Mas Elizabeth, é para lhe ajudar com seu luto e...

– Não! — percebo que estou gritando e chorando. — Não quero! Estou de luto, não desesperada por dinheiro! Me faça um favor, e saia da minha casa, por que se você veio para cá me oferecer dinheiro, a porta está aberta para você.

Minha irmã continua a chorar. Ela se levanta, e fala para mim:

– Eu vim de Los Angeles só para lhe ajudar, e lhe dar apoio nesse situação. Você precisa de sua família!

– A única família além do Josh que eu tinha foi esmagada por um avião a três dias por um grupo de muçulmanos, e ela foi uma família que você nunca foi. Eu não lhe vejo a dois anos! E seriam mais, se um avião quase não tivesse me matado. Me faça um favor, Claire, volte para Los Angeles.

Não sei por que disse isso. Imagino que seve ter sido difícil para minha irmã ficar aflita para saber se sua irmã copeira pobre havia ou não morrido no Pentágono.

Minha irmã saiu do meu apartamento em um segundo, e fiquei sem notícias dela até o dois dias depois, quando soube que o que restou da família que me abandonou havia se jogado da ponte Golden Gate, em São Francisco.

Notas finais
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