Relatos de 11 de Setembro
18 Emily - 4
Notas iniciais
Não, eu não morri. Aqui estou eu! Kkkkkk, espero que gostem.
Pense na pior coisa possível para se acontecer com alguma pessoa... Eu garanto que o que estou passando pode ser pior. Não pelo fato de eu ter acabado de perder minha mãe, quer dizer, isso pode até valer de algo, mas é mais pelo fato de eu ter que rodar esta merda desta cidade toda atrás de lugares para colocar tampinhas de garrafas, tampinhas que eu não sei nem por quanto tempo ficaram guardadas naquele saco.
– Vamos logo, Emily. — fala meu irmão.Aqui estamos na primeira coordenada, que não é nem um pouco clichê: a estátua da liberdade. Realmente levou muito tempo para eu poder pegar um barco e vir para cá, de cara com esta pessoa que levanta o braço em prol da liberdade dos EUA da Inglaterra, quando neste momento estamos todos feitos de reféns por terroristas.Desço do barco, e vou subindo os degraus até chegar ao ponto mais alto junto a David, onde podemos encostar no pedestal que fica abaixo da estátua. Realmente não sei como num momento como esse pessoas não sentem medo de vir até aqui. Pensando bem friamente, como eu aprendi depois que um avião se explodiu na minha mãe, o próximo alvo dos terroristas poderia ser muito bem a Estátua da Liberdade, sem sombra de dúvidas.– David — falo. Estou assustada. E o meu irmão ainda está olhando a merda do mapa em busca do ponto exato onde deixar a tampinha de garrafa, enquanto segura a sacola amarela que colocamos as tampinhas que sabe-se lá para que servem.– O que foi, Emily?– Coloca logo isso aí, e vamos embora daqui. Não quero ter o mesmo destino da mamãe.Percebo os olhos do meu irmão brilharem. Nunca vi meu irmão com raiva, mas acho que esta será a primeira vez. Meu irmão sempre foi uma pessoa calma.– O que você disse? — fala ele, quase gritando, e dá para ver os turistas olhando para nós. — Como ousa falar assim dela? Ela nos criou, Emily!David se aproxima de mim, estufando seu peito. Nunca o vi deste jeito, nunca.– David... — falo, tentando acalma-lo enquanto sinto meus olhos encherem de lágrimas junto com os dele. — Calma, por favor, calma.– Ela morreu, e você fala assim dela? — meu irmão fala, e de um modo totalmente sem nexo ele se joga em mim em um abraço, me fazendo me ajoelhar no chão enquanto o agarro. Ele chora de deixar o meu ombro todo molhando, e não consigo mais identificar o rosto dos turistas aqui na estátua da liberdade com meus olhos cheios d'agua. A única coisa que identifico é o saco de tampinhas de garrafa, aonde tiro uma e a jogo no chão do pedestal da Estátua da Liberdade, enquanto eu e David ficamos aos prantos.
Notas finais
Gostaram? Comentem! E favoritem a história também!
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