Determinado a fazer a escolha certa, abri lentamente a porta (que por sinal não precisei de nenhum cartão de acesso porquê ela já se encontrava aberta), e depois que entrei no galpão, tranquei-a. Num curto momento de reflexão sobre tudo aquilo que eu iria fazer, respiro fundo por alguns segundos e acendo a luz. Aquele local não parecia muito limpo na minha opinião (ou só estava fora de serviço por algum tempo); a tinta branca das paredes já estava descascando, o chão estava levemente empoeirado, as lâmpadas eram num tom de amarelo fluorescente e nitidamente dava pra sentir um cheirinho de papelão... Tudo estava tão silencioso que parecia que a pequena criatura estava escondendo-se de mim em algum lugar onde meus olhos ainda não haviam passado; a primeira coisa que faço é isolar a área, ou seja, trancar as outras saídas (portas e dutos de ventilação); após tudo estar feito, começo a procurar nos caixotes e gavetas, porém era em vão. Seja o que for que eu procurava, era mais habilidoso, mais inteligente... Eu precisava achar o seu ponto fraco, uma maneira de atraí-lo. Nisso, não perdi meu tempo; mesmo sem vê-lo, eu podia ouvir seu barulhinho irritante que se assemelhava muito ao som de algo gosmento. Comecei então, a tentar estimulá-lo a se aproximar de mim utilizando objetos, brinquedos, sons e até comida (isso tudo andando ao redor de todo o espaço da sala). Foi quando percebi que talvez o real motivo da criatura não querer aparecer, talvez seria por causa da luz ambiente! Até porque, quando eu á vi da primeira vez, a suposta anomalia estava literalmente andando nas sombras... Deixando rastros mas, ainda assim entrou por debaixo da primeira porta que viu com o objetivo de fugir de mim. Entretanto, lembrei do traje que tinha no meu quarto mas também lembrei que haviam guardas circulando pelos corredores e se eu quisesse voltar apenas para isso, iriam me reportar aos meus superiores. A única alternativa que me restou foi pegar o meu taco de basebol, apagar a luz e esperar. Agora você deve estar se perguntando: Mas como é que você fez pra conseguir enxergar mesmo depois de ter apagado as luzes? Então... Lembra que eu tinha experiência média/avançada em mecânica e sistemas eletrônicos (tecnologia)? Pois bem; como o setor da área do galpão era muito extenso, antes de "apagar as luzes", fui verificar se por ventura existiria algum painel de eletricidade ou mesmo um gerador por ali. Por sorte meu pensamento estava correto; peguei então as ferramentas que tinha comigo na mochila e, com cuidado comecei a trabalhar. Pelo fato de serem lâmpadas fluorescentes, demorou um pouco para eu entender como ajustaria a luminosidade. Sem pressa mas com eficácia, consigo deixar a luz no nível perfeito! Escuro o suficiente para poder notar quando a criatura aparecesse, porém claro o suficiente para conseguir enxergar. Passando-se um tempo, eu já estava preocupado com a demora; meu relógio de pulso marcava 03:27 da manhã... Antecipadamente, já sentindo um sentimento de vitória, comecei a ficar mais eufórico, o doce suor escorria pela minha testa e têmporas, minha nuca estava arrepiada, meus braços tremiam; mesmo assim fiquei em posição, e não demorou muito até que-*O BICHO PASSOU COMO UM FLASH* Corro o mais rápido possível para não perdê-lo de vista, sem demora o nocauteei com extrema precisão, (era como se eu estivesse jogando um RPG); vendo que aquilo não o deixaria atordoado por muito tempo, direciono o meu olhar á todos os cantos do salão; vejo um recipiente transparente e pego-o; rapidamente também capturei aquele ser gosmento. O vidro era do tamanho ideal (além de ser temperado, claro. Pois assim ele não escaparia tão facilmente), e por isso tive tanta eficácia em prende-lo... O meus ossos doíam e a minha cabeça girava, não podia nem imaginar o quão feliz iriam ficar comigo após ter descoberto o que seria uma espécie nova. Chegando no meu escritório/quarto, os monótonos ponteiros do relógio azul de parede já marcavam 3:55 da manhã. O que podia fazer para me aliviar de toda aquela adrenalina, era ocupar a mente com coisas leves. Então, decidi tomar um banho rápido (gelado); ligo a cafeteira e preparo um expresso; tiro as meias dos meus pés e relaxo os meus dedos tensos entre o tapete aveludado marrom; enfim, abro a gaveta da mesa, pego meu bom e velho caderno de anotações e começo a escrever... Não demorou muito até que pensamentos intrusivos começassem a distrair-me repentinamente, precisava regular o meu sono e a limpeza do meu quarto; depois de apresentar brevemente o ocorrido naquelas linhas do papel, resolvo então terminar de preencher o relato e a ficha técnica depois. Deixo minhas canetas e cadernos em cima da mesa e ligo as câmeras do meu quarto para que durante o meu pequeno período de descanso, as imagens conseguissem detectar se a espécie teria alguma movimentação estranha durante a noite. O ambiente se encontrava numa temperatura agradável e as almofadas eram super aconchegantes. A televisão tocava Chocolate rain em um volume baixo, e incrivelmente o cheiro do café ainda dava pra sentir na xícara; nem percebi o quão cansado estava mas, rapidamente minhas pálpebras fecharam-se e adormeço ali mesmo no sofá. Foi uma experiência e tanto!

No dia seguinte, pela manhã, minha equipe ficou encarregada de reabastecer o armazém. Confiante, levei a minha amostra para os meus superiores; eles ficaram maravilhados com a notícia, disseram que eu teria um reconhecimento maior na companhia (entreguei o relatório completo horas mais tarde). Saí da sala, Comprei um energético na máquina de refrigerantes e retornei a fazer minhas novas tarefas diárias. Leonard junto de Nami foram forjar mais dez novos moldes para contenção de seres menores; enquanto isso, eu e o chato do Erik, estávamos encarregados da troca dos líquidos das capsulas de retenção. Quem diria não é mesmo! Tarefas aparentemente fáceis, porém que iriam gastar um longo tempo; e ainda com um colega que eu não me dava muito bem... Bom, só sei que ergui a cabeça e prosseguimos no corredor até chegarmos no setor. [...]