28 de junho de 2004, Oxford

[Nami]


Era apenas mais uma tarde tranquila de inverno, poucas pessoas na rua e um clima agradável; peguei meu moletom amarelo e fui caminhar no parque local enquanto refletia sobre meus próprios pensamentos. Tinha acabado de ganhar meu certificado como bióloga na University of Oxford, e semanalmente trabalhava em uma floricultura próximo ao centro da cidade. Enfim, era apaixona por natureza. E mesmo que não fosse grande coisa, eu estava satisfeita com tudo aquilo e tinha realizado o meu sonho. Fui no mercado fazer a compra do mês; cheguei em casa e meu semblante era otimista, sentia que queria e podia começar algo novo na minha vida; abri o notebook e comecei a pesquisar cursos de música e fotografia porque eu tinha muito interesse nessas áreas; principalmente após a morte de minha mãe, pois a única lembrança restante deixada para mim foi sua câmera fotográfica e seu violino (ela era historiadora). Depois disso eu pensava em visitar meu pai no Texas e passar uns dias na casa dele.

Após alguns meses enviando currículos para vagas de emprego no exterior, encontrei diversas opções, mas antes mesmo que eu pudesse clicar em algum site, recebo uma ligação do meu pai no meu celular. Ele atende com uma voz suave e levemente preocupada:

-Alô, filha?

-Oi pai! Há quanto tempo faz que não recebo uma ligação sua... Como está a vida?

-Oh querida, você não faz ideia de como é reconfortante ouvir sua voz novamente. A vida vai bem, obrigado. trago boas notícias!

-Nossa pai, sério?! Mas você nem me falou da sua estadia aí no Texas. Tem certeza que está tudo bem mesmo?

-Então filha, é sobre isso mesmo que eu queria falar. Recentemente, na companhia, vários funcionários demitiram-se devido aos surtos daquela doença na região. Como eu decidi permanecer, recebi uma compensação satisfatória e que me valeu muito. Inclusive, já comprei uma casa nova e, quando eu me aposentar (que não vai demorar muito), vou contratar uma ótima cuidadora. Mas por agora, eu sei que talvez você tinha planos de vir me visitar no meu aniversário, entretanto acho melhor não; não quero que fique doente. Está meio perigoso por aqui...

-Tudo bem, pai. Compreendo a situação... E você, não vai perguntar sobre mim? Estava tão animada pra te contar as novidades!

-Ah, claro! Mas que insensatez da minha parte! Como vai minha abelhinha? :)

"Fazia tempo que não ouvia esse seu elogio. Quando eu era criança, adorava ficar correndo e girando em volta das árvores do parque e colhendo flores que eu achava por lá. Por isso ele me chamava assim."

-Vou ótima também; só nesses últimos meses, completei minha faculdade e agora pretendo achar vaga em algum emprego. Já mandei vários currículos mas não obtive nenhum retorno ainda... Estou investindo bem pelo meu notebook e quero ir muito te visitar quando der.

-Meu Deus! Isso é ótimo querida. Mal posso esperar para participar de uma de suas palestras no futuro. Já pensou: E agora, com vocês, A BIÓLOGA NAMI!

-Para pai! — ambos rimos pelo telefone — seu bobinho.

-Ai ai, como é bom relembrar dos velhos tempos onde tudo era mais simples...

-Sim, concordo.

-Hehehe, o tempo passou e você cresceu muito rápido menina. Está me deixando para trás.

-Ah, pai! Você nem é tão velho assim.

-Eu sei disso, querida... Mesmo assim seu pai não vai viver por muito tempo.

-Pois eu espero que enquanto eu estiver viva, esse dia nunca chegue.

Ambos suspiramos lentamente observando cada um, a paisagem do nosso ponto de vista.

-Filha.

-Oi.

-Sinto saudades na antiga casa...

-Eu também sinto, pai...

Não sabia ao certo se ele chorava do outro lado da linha mas inesperadamente ele faz uma pergunta:

-E os namoradinhos hein?

-Não tenho nenhum, pai!. -risos doces.

Nós dois ríamos entre piadas, lembranças e elogios e a conversa estava tão agradável que nem percebemos o quão rápido o tempo passara. Com um ar meio melancólico, encerramos a ligação já sentido aquela saudade tão forte que pula pra fora do peito; fiquei cansada de passar meu tempo procurando coisas que já não me pareciam úteis, pois naquele mesmo instante percebi que meu bem mais valioso estava apenas à 7.600 km de distância. Mesmo assim, sentia que algo estava errado, sentia que por trás de suas palavras doces e meigas, ele escondia alguma coisa de mim. Enfim dormi, esperando que amanhã fosse melhor.

Logo pela manhã, me deparo com um e-mail sobre uma contratação, mas muito ansiosa, não li; só sabia que desejavam que eu estivesse no ponto de encontro marcado. Um carro me levou por longos minutos até que cheguei no local. Era um prédio grande e chegava até ser bem moderno, não podia esperar para começar meus trabalhos ali finalmente. Mas foi quando percebi que ia muito mais além do que uma simples bióloga em uma instituição normal... Lá dentro vi coisas totalmente fora do meu habitual, a Companhia tinha um sistema impecável de contenção, pesquisa e análise de espécies... Fiquei eufórica, comecei a suar, e não demorou muito até que me mostrassem qual era o meu quarto. Fiquei muito feliz com a experiência, dei pulos de alegria e já estava pegando meu celular para ligar ao meu pai e contar a notícia quando de repente:

-A Instalação foi criada com a ideia de não permitir que sejam realizadas certas atividades fora dos padrões profissionais. Tentar se comunicar com o mundo exterior é quase inútil aqui dentro; isto é uma base secreta, uma instalação de pesquisa, ninguém sabe da nossa existência e você estava de acordo com as regras quando decidiu trabalhar conosco por conta própria; mas não se preocupe, você ainda pode conversar com quem quiser, só tome cuidado com o que fala e não perca seu tempo usando esses dispositivos. Ah, e não é possível ver nem enviar a localização. — Anunciou o interfone no canto do teto.

Meu sorriso sumiu. Fiquei levemente assustada e irritada com aquilo tudo, mas em minha concepção, era até compreensível, eu precisaria me acostumar. [...] Foram dias e dias de trabalho, aprendendo mais sobre o que eu nunca havia estudado nem visto antes em toda a minha vida; a rotina não era tão difícil quanto eu achei que seria; afinal de contas, apesar de lidar com coisas que me davam um frio na barriga, eu não estava sozinha, conheci dois rapazes chamados Leo Erik.

[...]


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.