Relato Laboratorial: A anomalia
2 Capítulo II
Decido então me aproximar do veículo, saíram dois homens de terno e me convidaram á entrar. "Senhor Woods?"- Eles disseram, "Sim sou eu." Me assento no banco de trás junto com um dos homens e no mesmo segundo que fecham a porta, o helicóptero levanta voo. Um estranho sentimento de euforia tomava conta de mim, conforme o veículo se afastava do chão meu coração começava a acelerar, apenas dava para ver a imensidão do verde e algumas pessoas olhando para cima.
Nossa viagem foi um pouco longa mas finalmente chegamos ao local; eu achava que eles iriam me acompanhar mas apenas me deixaram em mais um terreno de grama, vejo o helicóptero decolar novamente só que dessa vez sem eu estar dentro; reparo numa "casa" que estava literalmente do meu lado, as paredes eram numa tonalidade preto brilhante (não sei dizer qual era o material) que se destacava na natureza; ouço uma voz eletrônica chamando meu nome, tinha um painel na parede, aproximo meu rosto para ver melhor mas, inesperadamente sou surpreendido por um flash super claro (fiquei cego por alguns segundos); meu nome aparece na tela e sai um cartão de acesso com a minha foto, "Uau...", fiquei impressionado com tamanha tecnologia, lentamente abro a porta e adentro-me no desconhecido.Tinha uma sala inicial com uns sofás e um tapete, "Olá?" (ninguém respondeu); subo uma escada, tinha um monte de pessoas de uniformes científicos, eles me dão saudações e me dão uma grande mala também, tinha trajes e equipamentos. Não sabia o que eles reservavam para mim mas só sei que com certeza ia ser emocionante. Primeiro eles me deram um contrato com o título: Termo de responsabilidade. Começo a ler: "Caro Senhor Steven Morgan Woods, informamos a vossa senhoria este termo de responsabilidade mediante SUA assinatura, te contratamos por causa de seu histórico como pesquisador científico e sua breve experiência em codificação intermediária, queremos conscientizá-lo de que nossa empresa zela pelos funcionários e pela manutenção da ordem interna, qualquer desrespeito será tratado de forma severa. Nossas atividades dentro da empresa não devem ser compartilhadas ao externo, e os serviços diários serão instruídos corretamente à você. Assine abaixo se tiver CERTEZA de trabalhar conosco." Minha mão tremia, mas, segurei firme a caneta e coloquei meu nome. O que será que me aguarda?
Respirei calmamente depois de ter assinado, senti que tomei a decisão certa, "Mas, e agora?" — disse eu. "Pausa pro lanche" — gritou um funcionário. Eu acompanhei o pessoal enquanto observava cada detalhe ao redor, os corredores, as portas, as saídas; tudo era muito limpo e organizado, ter saído de minha antiga empresa estava indo melhor que a encomenda. No refeitório, comi um belo hambúrguer e tomei um suco natural de maracujá, (nunca me senti tão feliz e satisfeito em minha vida toda), queria me enturmar com os outros então sentei junto de um grupo e tentei iniciar uma conversa:—Eae pessoal.O salão ecoou com o som alto de várias vozes dizendo 'olá' enquanto todos se cumprimentavam calorosamente."—Você é o novato que iniciou hoje né? — perguntou um homem.—É, sou sim. O que vocês fazem aqui?—Se a gente falar, cê não vai nem acreditar. — gargalhou um cara.—Rapazes, rapazes, calma. É o primeiro dia dele, e nós não queremos que ele tenha uma explosão de adrenalina e se demita logo de cara. Queremos? — falou uma moça—Não. :I — ambos responderam envergonhados.—Me demitir? Eu faria isso por quê?
O alarme toca indicando-os que seu horário de almoço tinha acabado, "Droga!" pensei eu, "tinha acabado de conhecer outras pessoas mais experientes e é assim que acaba?"
Não tínhamos tempo à perder, mas ainda borbulhavam grandes ideias em meu cérebro, eu necessitava saber mais só que o tempo não ajudava. Em seguida, um funcionário acima de nossa classe que se posicionara em frente a saída do refeitório, estava entregando listas com os grupos do mês (muito organizado), esses grupos eram formados para revezar trabalho em diferentes áreas do prédio (mais tarde analisando o lugar percebi que na verdade era uma instalação de pesquisa); fiquei por sorte com o grupo que tinha conversado antes, os dois colegas parecem que não tinham gostado muito disso; nisso me ajuntei da garota, que, junto de mim e os caras, esperamos a nossa vez para sair (fomos os últimos). Queria manter profissionalidade mas acho que meu coração sentia outra coisa, uma coisa inexplicável, chamada am-—Tá apaixonadinho novato?( ͡° ͜ʖ ͡°) -O mais chatinho interrompeu meu devaneio. —Que?!... Você pode ler pensamentos?—O que? Não, o que cê tá falando? Eu tô dizendo sobre o jeito que você fica olhando pra .—O nome dela é Nami? Tipo a do Onepiece?—É, mas a questão é que você não vai ter chance com ela. Sabe disso né?—Olha quem fala.—Pelo menos EU sei me virar.
Ele me dá um empurrão desleixado e segue na frente. Numa fração de segundo, o outro cara chega e diz: "Me desculpa pelo , ele é bem folgado de vez em quando. Ah! E a propósito Eu me chamo Leonard, mas pode me chamar só de Leo." [...] Fiquei encabulado com tanta simpatia e carisma daquele homem. Diferente do Erik, o Leo era bem mais gente boa e dedicado, conversar com ele era como se estivesse conversando com um filósofo antigo, suas palavras fluíam com clareza e formosura, quando escutava Leonard falar era como se fosse meu professor de filosofia. Andamos muito até chegarmos em nossa primeira tarefa: limpar os dutos de ventilação das salas de química do 3° andar. Parecia fácil de primeiro momento mas, na verdade, "as coisas" que meus colegas não conseguiram me contar no horário de almoço eram que, iriam ter anomalias espalhadas por toda instalação. Por quê? Por causa que em 15 maio de 2004 houve um acidente no laboratório, acidente esse que deixou 7/20 de funcionários mortos num setor da ala leste. Os mais corajosos cientistas agora sentiam medo, reprimidos pelas próprias criações. Um possível motivo para que esse acidente acontecesse, era que, uma parte do prédio utilizava radiação para fazer experimentos; nesse dia, na manutenção diária de um reator, o nível de pressão aumentou mais do que devia e nisso ocorreu uma baita explosão nuclear (nada proposital à Chernobyl). E por aí vai.
Os dutos do 3° andar precisavam ser limpos três vezes por semana, "Caramba, o que será que tem lá?" — pensava eu; enfrentei minha primeira anomalia, não foi tão difícil pois era de uma classe considerada segura, uma gosma verde predominava na ventilação e, se não limpássemos, em alguns dias iria se espalhar pela tubulação de todo o local e causaria um péssimo cheiro. Leonard me ensina como usar o equipamento, parecia um aspirador de pó gigante, limpo devagarmente alguns dutos enquanto Erik, Leo e Nami terminam bem rápido os deles. Completamos nossa tarefa.
O dia passou como um relâmpago e então fomos todos aos dormitórios. Sentia que algo de ruim iria acontecer. Sentia medo. Não sei por qual razão mas eu não conseguia pegar no sono, óbvio que era minha primeira noite porém encontrava-me MUITO cansado e, tenho certeza de que qualquer outra pessoa que estivesse em meu lugar já teria conseguido dormir. Levantei, tomei um copo de água e então, no tédio de estar acordado, comecei a ver algumas câmeras que eu tinha acesso no meu quarto. Estava tudo normal até que, vi como se fosse uma luz roxa que vinha de dentro do galpão de limpeza; peguei meu bastão de baseball que trouxe na mochila e fui até o local. Era minha hora de brilhar.
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