Notas iniciais
1 dia antes
Estou no banco de Nifion, está escuro e não vejo ninguém, olho em minha volta e vejo apenas escuridão, consigo ouvir o barulho de uma sirene então sigo o som em um corredor estreito e longo, avisto uma pequena luz no final. O barulho vai ficando mais forte a cada passo. O corredor me leva para uma câmara, que é da onde a iluminação está vindo.
Entrando percebo que uma das janelas está coberta e a luz do luar preenche uma parte da sala, finalmente olho para o cômodo e avisto ao que me parece quadrados de vidro de diferentes tamanhos, todos estão em cima de um pilar mais ou menos do meu tamanho e há alguns cofres mais ao fundo. Chego mais perto e percebo que dentro dos quadrados tem alguns objetos, e em um deles consigo ver uma adaga com cabo incrustado de rubis e com algumas marcas. Isso não é uma adaga comum, capto, essa é a adaga de rubi, que pertenceu à assassina, quase um milênio atrás, mas não é possível, falaram que havia se perdido há muito tempo. Olho para os outros quadrados e fico pasma, consigo ver mais duas relíquias, que também até agora eu achava que estavam perdidas, ainda tem mais um bloco, mas está muito longe para eu ver o que tem dentro.
Então mentiram para nós? Elas estavam aqui esse tempo todo. Uma belezinha dessas deve valer mais de um milhão em moedas de prata, ainda mais agora que estão perdidas a quase 3 séculos.Me aproximo mais da adaga, tateio o ar em busca de algum laser de segurança, mas nada acontece , então finalmente toco no vidro. Estava tão distraída que nem reparei que a sirene parou de tocar, ficou tudo silencioso. Dou uma cotovelada no quadrado, mas não faz um arranhão, dou outra e mais outra, e ele continua intacto, já estou quase desistindo, só vou dar mais uma, uso toda minha força e por incrível que parece a caixa começa a se fragmentar como se fosse uma teia de aranha e finalmente quebra, olho para a adaga hipnotizada, mas logo levo minhas mãos até ela. A sirene volta a tocar dessa vez muito mais forte, não ligo, meus dedos estão a um centímetro da adaga, mas algo me joga para longe, bato as costa na parede e caio no chão, agora as luzes estão piscando em vermelho, como um alerta, levanto e faço uma careta de dor. Começo a andar para sair dali, quando ouço uma voz atrás de mim.
—Parada, coloque as mãos na cabeça e fique onde está.
Olho por cima do ombro para ver quem é e já sei a resposta antes de ver. Droga! Guardiões, como eles chegaram aqui tão rápido? Não ligo para o que eles falaram, não posso ser pega, começo a correr saio da câmera as pressas, e eles começam a atirar, consigo desviar de todas as balas. Viro em um corredor e alguém me puxa para um quarto, está escuro e ouço o barulho da porta se fechando, dou passos para trás e tateio atrás de algum objeto que possa usar para me defender, pergunto:
—Quem está ai?- Minha voz esta ofegante.
Uma luz se acende, já estou preparada para atacar, mas a única coisa que faço é correr para abraça-lo.
—Nate, o que você faz aqui?
—Como assim o que eu estou fazendo aqui? Eu vim para ajudar no roubo, até porque eu que bolei o plano.
—Mas você deveria ficar no telhado e se visse alguém nos avisaria pelo walk talk, coisa que você não fez pelo que me parece.
—Os planos mudaram, pare de reclamar! Eu acabei de salvar sua vida – Ele fala um pouco alterado.
Apesar de saber que ele tem razão ainda quero repreendê-lo por não mencionar que o plano havia mudado.
—Muitíssimo obrigado por me salvar, o que eu faria sem você Nathaniel – Falo em tom de deboche.
—Que ótimo agora está sen... – Ouço um estrondo e as paredes tremem. Imediatamente a porta vem em minha direção junto com um segundo estrondo ensurdecedor. Nate pula em cima de mim e caímos no chão – Já é a segunda vez hoje, deveria tomar mais cuidado – Ele fala sorrindo.
Jogo ele para o lado e me levanto, olho para onde deveria estar à porta, mas no lugar dela vejo três guardiões, eles partem para dentro da sala e avançam em Nate, que se levanta o mais rápido possível. Toco no meu bolso, mas não tenho nada, nenhuma arma, ele investe em dois deles enquanto o outro vem em meu encontro, olho para todo lado a procura de uma arma, o melhor que eu acho é uma vassoura, quebro ela no meio e sinto uma onda de dor nas costelas, dou um giro e acerto o rosto de um dos guardiões, ele cospe sangue no chão olhando para mim furioso, saca seu cassetete que jorra eletricidade e golpeia minha perna, sinto meu corpo enfraquecer com o choque, mas me mantenho em pé, desviando de todos os golpes cada vez indo mais para trás, até que encosto na parede e não tenho mais saída, pego as duas partes da vassoura e corro em destino a ele, me abaixo para evitar um soco e enfio a parte quebrada, que por sinal está muito afiada na perna dele e dou um chute no estômago, ele cai para trás, me xingando de todas as coisas possíveis.
Avisto Nate caído no chão e um guardião acima dele pronto para dar um choque nele, arremesso a outra metade da vassoura, que bate na cabeça do guardião, ele desmorona e cai de cara no piso, corro para lá, me ajoelho e fico cara a cara com Nate, ele tem um corte na testa, mas fora isso está bem, me ergo e estendo a mão para ele, que depois de alguns segundos aceita.
—Também deveria tomar mais cuidado não acha? – Falo segurando o riso.
—Ok, ok você tem razão, sobre tudo – Ele muda a expressão e fica sério – Agora temos que sair daqui.
Saímos do quarto e fomos para o corredor, rumo à saída, ainda está escuro e eu só consigo ver algumas coisas com ajuda da luz do luar, achamos a saída e por sorte estava aberto. Quando abrimos as portas, a luminosidade inunda minha visão, coloco a mão sobre os olhos para ver se consigo identificar o que é, mas não preciso mais porque um por um vai desligando suas lanternas e holofotes, guardiões, muitos guardiões, tem até um helicóptero.
—Parados não se movam – Um deles fala.
Nate pega minha mão e começa a correr. Começo ouvir os barulhos das balas, nós não corremos nem um metro até ele ser atingido e cair nos degraus, me jogo ao lado dele, mas já é tarde demais, sangue jorra do peito dele e a respiração que antes estava arquejante agora não existe mais.
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