Relíquias Perdidas

57 Capitulo 57 – Pesadelo


Notas iniciais
Bom, vou logo avisando se você tem algum problema cardíaco não leia este capitulo, por favor, está realmente meio pesado principalmente para os Suspians como eu!!!! Boa sorte!!!

Susana acordou enjoada naquela manhã, tinha algo de muito, muito estranho, tudo estava lá na sua tenda, suas roupas, suas coisas e as roupas das suas colegas tenda: Mimí, Liliandil, Alícia e Clove, mas havia algo de muito diferente, só então ela percebeu o que era... Só havia um berço na tenda e nele dormia seu enteado Rillian isso significava que Alêx havia sumido junto com o berço dela.

Na mesma hora ela se levantou euforicamente e foi procurar Caspian. Ele estava tomando café sozinho na cozinha, pouca gente tinha acordado.

– Caspian... Alêx sumiu junto com o berço dela! – disse Susana.

– Quem é Alêx? – perguntou Caspian curioso.

– O quê? – disse Susana. Aquilo só podia ser piada, ela não lembrava que hoje era o dia da pegadinha. – O que está dizendo?

– O que você está dizendo Susana? – disse Caspian.

– Caspian eu não estou brincando! A Alêx sumiu! – disse Susana ficando aterrorizada.

– Eu não sei quem é Alêx – disse Caspian.

O que diabos ele está fazendo? Pensou Susana, a filha deles havia desaparecida e ele estava fazendo uma brincadeira idiota?

– Caspian. Eu. Estou. Falando. Sério. – disse Susana quase gritando. – O que há de errado com você?

– Espere... Hoje é o dia da pegadinha ou coisa do tipo? – perguntou ele.

– Não! – disse Susana furiosa. – É sério Caspian, eu estou preocupada, a Alêx sumiu!

– Eu detesto dizer que não posso ajudar, Susana, mas eu não sei quem é essa tal garota Alêx! – disse Caspian.

Caspian era péssimo em fazer pegadinhas, ele sempre começava a rir na metade da piada, ele não parecia estar brincando com Susana, mas ele tinha que estar! Mesmo não sendo do tipo dele brincar no meio de uma coisa séria, ele só podia estar mentindo! Ou estava com amnésia?

– Caspian você está bem? – perguntou Susana.

– Sim – disse Caspian. – Mas me conta... Quem é essa tal Alêx que sumiu? Não tem nenhuma Alêx por aqui, acho que você sonhou!

– Eu só posso estar sonhando agora! – disse Susana. Ela não estava entendendo nada do que estava acontecendo.

Aquilo não era um sonho, Susana tem bastante problemas com pesadelos mas por um conselho de Theo ela começou a melhorar esses problemas, ela olhou ao redor em busca de algo vermelho, só assim ela saberia se estava sonhando, pois seus sonhos eram muito reais.

Não avistou nenhum objeto vermelho, e simplesmente não conseguia fazer daquele sonho um sonho lúcido, então não estava sonhando e sua respiração acelerava rapidamente.

– Susana, você está bem? – perguntou Caspian. – Eu acho que Alêx foi só um sonho.

– Não pode ser! Caspian... Você não se lembra de nada entre nós desde que voltei para Nárnia? – perguntou Susana desesperada com milhares de lágrimas nos olhos.

– Bom, eu me lembro que nós somos amigos desde que você e seus irmãos me ajudaram a recuperar o meu trono, e que vocês voltaram para buscarem a flor de fogo para ajudar Rillian o meu filho, e que faz um ano que eu casei com Liliandil e você foi a madrinha junto com Pedro, aconteceram todos aqueles problemas em Nárnia e viemos parar aqui, não se lembra? – perguntou Caspian preocupado.

A respiração de Susana diminuiu. Aquilo estava mesmo acontecendo? Foram Caspian e Liliandil o tempo todo? Caspian e Susana só tinham sido amigos, e nada mais? E Rilian existia ao invés de Alêx? O que diabos estava acontecendo? Toda a vida de Susana foi apenas um sonho? Sua filha também fora? Tudo que ela e Caspian construíram simplesmente não existiu.

Aquele sentimento deu um chute violento em seu estômago. Ela pôde sentir seu coração ser esmagado, e seu fígado revirado como um frango em um forno. Aquilo simplesmente não era possível.

Susana começou a suar e sua pressão começou a baixar, aquilo não podia ser verdade! Toda a sua vida... Como mudara de uma hora para outra?

Ela correu atrás de Liliandil que estava com um largo sorriso trocando a frauda de Rilian.

– Você está feliz hoje mamá? – perguntou a voz de bebê de Rillian.

– Sim meu amor, as coisas finalmente estão perfeitas – disse Liliandil e deu um beijo na barriga de Rilian e ele se derreteu numa gargalhada.

– O que você fez sua vaca? – disse Susana rispidamente.

Liliandil ainda não desfez o sorriso, estava muito feliz pra se incomodar com um peixe pequeno como Susana.

– Susana, algo errado? – perguntou Liliandil.

– O que você fez? – perguntou Susana com ódio. – Caspian não se lembra mais que somos casados, e cadê a minha filha!? – berrou.

– Filha? Acho que você se enganou, ou sonhou, você e Caspian não são casados, de onde você tirou isso? – disse Liliandil.

– Pare com esses joguinhos Liliandil! O QUE VOCÊ FEZ A CASPIAN E A ALÊX? – gritou Susana.

– Eu não fiz nada, e quem é Alêx? Susana, você está bem? – perguntou Liliandil.

– Desembuche Liliandil! O que você fez com eles! Confesse logo e seu castigo será menor! – gritou Susana.

– Susana, eu simplesmente não sei do que você está falando – disse Liliandil.

– Sim, sim você sabe, pela ultima vez. ONDE ESTÁ ALÊX? – berrou Susana assustadoramente.

– Vá em frente e pergunte sobre alguma Alêx a qualquer um nesse Acampamento – disse Liliandil. – Se me der licença.

Liliandil pegou Rilian e foi até Caspian. Os dois mergulharam num beijo apaixonado e isso partiu o coração de Susana em milhões de pedaços, ela sentiu seus intestinos serem amarrados numa corda e serem apertados com força máxima. Ela não tinha mínima ideia do que sentir ou pensar nesse momento.

Antes que começasse a chorar ela correu em busca de Pedro. Os dois costumavam confiar um no outro antes da briga de Pedro com Edmundo, mas eles meio que brigaram depois disso, mas já estava na hora de fazerem as pazes, eles sempre foram bem próximos, Pedro foi o primeiro que soube da gravidez de Susana.

– Pedro, eu preciso que você me diga que eu não estou louca, onde está Alêx? – perguntou Susana.

– Quem é Alêx? – perguntou Pedro.

Susana caiu em choro e Pedro a abraçou perguntando o que acontecera. Theo chegou a Pedro com sua maleta com instrumentos medicinais.

– Pedro. Caspian e Liliandil me procuraram e disseram que Susana não estava bem, o que aconteceu com ela? – perguntou Theo.

– Eu não sei – disse Pedro. – Acho que ela teve pesadelos.

– Vamos leva-la para a tenda dela – disse Theo.

Susana andou com a ajuda de Pedro até sua tenda e foi posta sentada em sua cama, Theo pegou uma lanterna, uma espécie de lupa com uma pequena chama e examinou os olhos de Susana.

– Ela bateu alguma parte do corpo em algum lugar? – perguntou Theo.

– Bom, eu acho que não – disse Pedro.

– Ela tem falado sobre uma pessoa chamada Alêx que diz ser sua filha, vocês conhecem alguma Alêx em algum lugar? – perguntou Theo.

– Não, nunca ouvimos esse nome, e ela com certeza não têm uma filha – disse Pedro.

Só mais lágrimas e lágrimas desciam do rosto de Susana. Não só por Caspian não se lembrar dela, mas sim por Alêx não existir, sua linda e adorável pequena filha... Ela não existia! Susana não conseguia se conformar com aquilo, não conseguia aceitar que aquilo simplesmente não existira, e estava em um estado de exaustão, mas ela não poderia ficar parada como de costume, ela tinha que agir para reverter isso.

– É o nome da nossa avó materna Pedro, que morreu após dar a luz a nossa mãe – disse Susana com o olhar fixo num ponto distante.

Como não sabia como agir ou reagir aquilo tudo, Susana só estava falando esquisito.

– Vovó Alexandra? Quase havia me esquecido dela – disse Pedro.

– Ela deu a luz à nossa mãe quando poderia fazer um aborto por causa da gravidez de risco, era ela ou nossa mãe, ela escolheu nossa mãe – disse Susana.

– Eu acredito que ela estivesse num estado de outra realidade, ela sonhou com alguma coisa muito chocante, envolvendo uma criança talvez, e ela queria tanto que isso fosse realidade que levou pra vida real – disse Theo. – Mas ela já está melhorando.

– Isso – disse Susana soluçando. – Foi apenas um sonho.

Dizer aquilo fez toda a comida que havia em seu estômago subir até a sua garganta. Depois de tudo que ela sofreu, sabia que chorar não ia adiantar nada, chorar não iria trazer nem Caspian e muito menos Alêx de volta, ela tinha que ser forte, e acima de tudo, tinha que ter esperança. Ela não queria que as pessoas a achassem louca, porque dessa vez elas tinham razão em achar isso.

– Susana... Você vai ficar bem? – perguntou Pedro.

– Sim, Pedro – disse Susana limpando as lágrimas. – Vou ficar bem.

– Tem certeza? – perguntou Pedro.

– Tenho, posso falar com você a sós por um minuto? – perguntou Susana a Theo.

– Se precisar de mim é só chamar o.k.? – disse Pedro e saiu.

Tudo em relação a Susana havia mudado, mas era só em torno dela. Todas as coisas que não a envolviam não mudaram e as coisas que a envolviam mudaram, mas não afetaram muito.

– Como está o namoro entre você e Mimí? – perguntou ela tentando mudar de assunto, simplesmente não podia pensar mais naquilo.

Susana e Theo haviam virado bons amigos, principalmente antes de ele começar um namoro com Mimí, até porque ela tentou empurrar Theo para Lúcia, mas não teve oportunidade, e Theo acabou ficando com Mimí, mas ela ficou feliz pelo amigo.

– Bom, eu e Mimí não namoramos – disse Theo constrangido.

Susana ficou confusa. Theo era o tipo de cara que assumia um compromisso, ele não saia gritando por aí que tinha uma namorada, mas com certeza assumiria para todos se tivesse uma. E ele e Mimí estavam juntos desde que um declarou o amor para o outro na jaula em Quebec.

– Como não? Vocês vivem se beijando – disse Susana.

– Como? Mimí e eu nunca nos beijamos, estamos só nos conhecendo melhor – disse Theo corando da raiz dos cabelos até o queixo.

Liliandil mudara aquilo também? Mas por quê? E como?

– Ah, me desculpe – disse Susana. – Mas eu tenho algo pra te contar, eu não sei se você vai acreditar em mim, mas eu tenho que contar pra alguém.

– Você pode contar-me – disse Theo gentilmente.

Era tão bom ter um amigo como ele, Susana realmente o amava e ela precisava dividir aquilo com alguém. Liliandil não tinha sido generosa em mudar a relação de Susana com Lúcia, e as duas estavam brigadas novamente, as memórias de Susana começaram a ficar duplas, mas ela sabia o que era verdade e o que não era. Edmundo não acreditaria nela e pensaria que ela era louca, assim como Pedro fez. Camilla poderia ajudar, mas ela tem uma mente de uma criança de sete anos.

– Bom... O fato era que até ontem, Caspian e eu éramos casados e tínhamos uma filha, e hoje tudo mudou de uma hora pra outra, ninguém se lembra mais sequer que ficamos juntos, e minhas memórias começaram a ficar duplas, eu sei que é difícil de acreditar, mas você sabe o poder que a magia tem certo? – disse Susana.

– Sim, eu reconheço os poderes da magia, mas quem faria algo tão terrível assim? – perguntou Theo.

– Liliandil – respondeu Susana. – Ela sempre me odiou, porque quando eu retornei grávida, ela e Caspian estavam noivos, Caspian rompeu o noivado com ela e ela foi embora, e depois ela foi expulsa de casa e voltou com um filho de Caspian, ela não sabia que estava grávida na época que foi embora, mas agora que ela voltou ela quer tudo de volta, e de alguma forma ela deu um jeito de mudar tudo.

– Liliandil? Isto é impossível, pelo pouco que a conheço sei que ela jamais faria algo assim, e além do mais, você não é meio amiga dela? Eu sei que vocês não são muito próximas, mas você sempre foi amiga de Caspian não foi? Tanto que foi madrinha do casamento deles – disse Theo.

– Você não a conhece, você não tem ideia do que ela é capaz, eu perdi não só minha filha por causa dela, mas a minha vida – disse Susana.

– Susana, acho que você andou muito estressada ultimamente, e o efeito colateral resultou nessa ilusão, eu queria acreditar em você, mas analisando os fatos isso é impossível – disse Theo.

– Eu sei – disse Susana chorando. – Eu não o culpo.

Ela preferiria mil vezes sentir a dor do seu parto de Alêx do que estar sentindo essa dor de agora. Ela preferiria mil vezes estar com todos os seus ossos quebrados naquela cama, do que estar sentada agora, ela desejaria mil vezes estar morta e enterrada na mais seca e amarga terra, ela preferiria estar sendo decomposta por todos os vermes deste mundo, tudo era melhor do que estar viva neste momento.

Mas Susana é uma mulher forte. Ela já passou por muito em toda a sua vida, e se tem algo que a vida lhe ensinou, é que não se deve nunca, jamais desistir nem se debilitar, pois lutando é que se consegue vencer. Ela não desistiu de sua gravidez, nem por um breve momento pensou nisso, ela aguentou todo o sofrimento até o fim, e depois de gritar de dor, ela foi preenchida com luz e alegria quando viu o rosto de sua filha, aquele fora o melhor momento da vida de Susana, enquanto o segundo melhor foi o seu casamento.

– Talvez você só devesse relaxar um pouco, e tudo isso vai passar – disse Theo.

Susana começou a ter uma ideia. Isso! Era genial! Ela pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha e começou a falar.

– Fatos... Espere, só analise os fatos. Eu venho sendo amigável com Liliandil e Caspian há tempos certo? – disse Susana.

Theo assentiu meio confuso.

– E porque simplesmente de ontem pra hoje eu começo a agir assim? Você não acha suspeito? Você não acha suspeito que eu de uma hora para outra comece a achar que sou casada e tenho uma filha? – disse Susana. – Você me conhece Theo, somos amigos há algum tempo.

Theo ficou pensativo, mas depois acreditou.

– Você está certa, realmente aconteceu algo com você, seu comportamento mudou rápido demais – disse Theo. – Meu Deus! Será verdade...?

– Eu ando normal e de repente começo a agir assim.

– Você está certa, alguém realmente fez algo – disse Theo compreensivo.

– Certo, e esse alguém é Liliandil, então... Por favor, me ajude a juntar as peças e reverter esse feitiço!

– Pode contar comigo – disse Theo acolhedor.

Susana sorriu e o abraçou fortemente. Ninguém nunca confiou tão fortemente nela como Theo fez, e o que Liliandil fizera tinha que ser reversível, certo? Custe o que custar eles iriam descobrir o que aconteceu e iriam trabalhar juntos para reverter.

***

Tenda das garotas, às onze da manhã, mais apertada, pois Zoë dividiu sua cama com Alícia.

– Eu preciso de um café – disse Isabelle sentada em sua cama com os cabelos bagunçados.

– Eu preciso de uma aspirina – disse Zoë.

– E eu de um banho – disse Alícia também se sentando na cama.

– Eu e Bianca já levantamos há tempos, qual o problema de vocês? – perguntou Carly.

– Rum, licor, champanhe, vinho e etc. – respondeu Alícia.

– Onde está Camilla? – perguntou Isabelle.

Camilla estava dormindo debaixo da cama de Carly.

– Deus, eu vou precisar tomar umas dez aspirinas pra lembrar o que aconteceu ontem – disse Zoë.

– Você tava bem animadinha ex-futura-cunhada – disse Alícia.

– O que eu fiz de mais ontem? – perguntou Zoë.

– Você deu encima do violinocelista, ficou com um cara bonitinho, mas vocês não se beijaram, e você falava com todo mundo e dançava igual a uma doida – riu Isabelle.

– É violoncelista e não violinocelista – corrigiu Bianca.

– Que seja – disse Isabelle. – O cara era um almofadinha.

– Gente, minha cabeça está explodindo, eu preciso comer alguma coisa – disse Lúcia.

– Pelo menos você não teve que levar chutes dessa aqui a noite toda – disse Alícia apontando para Zoë com o dedão.

Camilla levantou-se do chão e sentou em sua cama.

– Minha cabeça dói... – disse Camilla.

– Camilla toma uma taça de vinho e já entra em ressaca – disse Isabelle.

– Se vocês sabem do mal que o álcool faz, porque vocês ainda bebem? – perguntou Bianca.

– Era uma festa senhorita chata, pessoas bebem pra se divertirem, diferente de você que passa o dia todo lendo livros – disse Isabelle.

– Livros rendem conhecimento, e conhecimento rende poder, não vejo nada de muito interessante em ir a uma festa e beber, depois encarar uma ressaca dessas – disse Bianca rispidamente.

– Gente, eu vou indo tomar um café – disse Lúcia amarrando os cabelos num rabo de cavalo e indo para fora da tenda.

Assim que abriu a abertura da tenda um raio de sol iluminou os rostos das meninas, fazendo-as ficarem com mais dor de cabeça, e do nada Camilla vomitou no cabelo de Isabelle, a cama das duas ficam próximas.

Todas começaram a rir freneticamente. Isabelle saiu correndo para o banheiro.