Relíquias Perdidas

58 Capitulo 58 – A Lira de Apolo


Notas iniciais
Oi galera! Tudo bom? Mais um capitulo dessa fic enorme, e esse promete altas emoções e aventuras, então preparem seus corações!!

Á tarde, todas as princesas Flyre, e Alícia e Lúcia ficaram com vontade de voltar a cidade da música, mas Zoë disse que isso estava mais que fora de cogitação, pois todo o dinheiro havia sido gasto com comida, bebida e roupas naquele dia.

Todas tentaram convencer Zoë.

– Isabelle, se você ousar usar o seu charme... – ameaçou Zoë.

– Olha Zoë, nós podemos usar o meu charme para comprar entradas, e para conseguir bebidas, nós temos a vantagem – disse Isabelle.

– O quê? – disse Zoë pasma. – Isabelle, você tem noção do que está falando? Jogar charme para conseguir benefícios? Isso é doentio!

– Isso é prático – disse Isabelle em modo de correção.

– Veja a que ponto você chegou, isso é baixo demais até pra você – repreendeu Zoë chocada.

– Zoë, eu realmente não queria jogar na sua cara o charme, mas você tá me obrigando a jogar outras coisas, como a minha bondade em emprestar Pedro a você – disse Isabelle.

– Eu já fiz milhares de coisas por você, e em troca você só fez uma, isso não é nada perto do que já fiz por você – disse Zoë desafiadora.

– Mas eu fiz algo muito bom e grande, por favor, Zoë, nós vamos só nos divertir – disse Isabelle.

– Nossa conversa acabou – disse Zoë e virou-se, mas Isabelle puxou seu braço rapidamente, colocou seu cabelo atrás da orelha, olhou bem nos olhos de Zoë, ela estava usando o charme, e sua voz era como se fosse uma ordem.

– Vamos Zoë, só vamos nos divertir – disse Isabelle.

Bianca estava assistindo indignada, e correu até as duas estalando os dedos perto dos olhos de Zoë. Zoë acordou do transe, estava furiosa.

– Acho que sei por que mamãe e papai nunca contaram que você era filha de Afrodite, era porque você iria se tornar um monstro, como você é agora – disse Zoë.

– Bianca sua idiota, você me paga! – disse Isabelle. – Quanto a você Zoë... Ou você me deixa usar o charme ou eu estrago o seu plano de vingança.

– Faça isso, e eu contarei para nossos pais tudo de ruim que você fez, e pode apostar seu charme que eu guardei tudo – disse Zoë em tom de desafio.

Isabelle tinha tantos pecados que era capaz de os pais a mandarem para um internato em Quebec. Isabelle só ficou parada em silencio imaginando sua vida em um internato religioso em Quebec. Nada de namorados, maquiagem ou se embelezar.

– Ótimo – tripudiou Zoë e foi embora junto com Bianca.

E Isabelle voltou a ter nada, quase como a “Isa Baleia” de sete anos atrás. Ela tinha tanto medo de que aquela garota que levava fora dos meninos e era feia voltasse e por isso ela saia atrás de todos os garotos, ela gostava de se sentir amada por mais de um, isso a dava confiança e levantava seu ego, mas com Pedro e Edmundo era diferente, ela realmente os amava, mas agora que ela não podia tê-los não fazia mais diferença.

***

Duas semanas se passaram e os Caçadores de Relíquias terminaram de construir o rastreador com a ajuda de uma lasca de madeira da lira. O líquido da comera onde foi criado o rastreador foi derramado no corpo de Asafe para mostrar o mapa, eles desenharam o mapa no papel e seguiram jornada.

– Vocês sabem onde fica isso? – perguntou Asafe a Camilla e Isabelle, porque elas já passaram duas semanas hospedadas lá quando fizeram quinze anos.

Ninguém sabia que elas tinham ido passar uma noite inteira na Cidade da Música, e muito menos que gastaram todo o dinheiro.

– Fica na parte pobre da cidade – disse Bianca. – Perto da ala dos moradores.

Todos os Caçadores foram para a Cidade da Música, com suas armaduras e armas, estava bastante frio.

A ala dos moradores pobres era uma ala cheia de barzinhos onde provavelmente as pessoas pobres que moravam na cidade iam. A cidade não era habitável, era onde as pessoas que queriam seguir carreira de música iam para compor músicas com poetas ou fazerem shows. Mas muita gente ia para arrumar emprego na cozinha ou na faxina.

Atrás da ala dos moradores de baixa classe, havia uma área de casarões abandonados. Após a área de casarões havia uma extensa área de minas de ouro abandonadas.

– Zoë sua piranha, está com raiva de mim? – disse Alícia calmamente.

Sammy o filhote de lobo andava ao lado dela, enquanto Sheldon a capivara de Camilla cantava irritando a todos.

– O que te faz pensar isso? – disse Zoë rispidamente. – Vadia!

Mas esse “vadia” não foi tipo “vadia” foi tipo “Vadia!”.

– Olha eu sei que tenho sido uma vadia chata que fica te atormentando, mas é que eu quero que você seja feliz, você é minha melhor amiga – disse Alícia.

– Você tem sido uma vadia? Você é uma vadia! – disse Zoë sorrindo e isso significava que as duas estavam bem novamente.

– Mas sabe quem é uma vadia? A sua irmã loiraça e linda – disse Alícia, agora andava de braços dados com Zoë enquanto Isabelle andava abraçada a Nico.

Isabelle tem uma necessidade de estar em um relacionamento, qualquer que for. O seu relacionamento mais logo fora o teve com Pedro e Edmundo foi com um garoto que era semideus, Eric, ele era um filho de Apolo e por isso era lindo, gentil e legal, o namoro durou três meses pois Eric mudou de escola, e desde então seus namoros duram em torno de um semana, o menor de seus namoros durou duas horas.

Ela gostava de Nico, ele era fofo, bonitinho e legal, mas sentia muita falta dos grandes amores de sua vida: Pedro de Edmundo. Ela sentia a mesma coisa pelos dois, com Pedro era aquele fogo e aquela paixão intensa que ela nunca sentiu com garoto nenhum, e com Edmundo era aquele frio na barriga e a sensação doce de estar com ele.

Susana estava ali à força. Ela simplesmente não acreditava que sua filha não existia mais, mas ela surpreendeu-se por não estar debilitada, era o seu corpo, mente e coração se enchendo de esperança, ela sabia que iria reverter a situação, e quando fizesse ela iria fazer Lilliandil sofrer o dobro do que ela estava sofrendo. Atirar algumas flechas não seria ruim no momento com o arco de Ártemis, mas anda assim, olhar para Caspian e deseja-lo sendo que ela nunca poderá tê-lo é uma dor imensa, mas como ela é a pessoa forte que é, está aguentando muito bem.

– Eu já li sobre esse lugar, dizem que é assombrado com cinco fantasmas da Ópera, todos que entraram aqui já morreram – disse Bianca.

– Todos já morreram hã? E quem conta as histórias? – disse Edmundo, ele estava de mãos dadas com Bianca e sussurrou no ouvido dela: Eu vou fazer de tudo pra te proteger lá dentro. Bianca sorriu e deu-lhe um selinho.

– É o seguinte pessoal, somos 18, nove de nós vamos entrar e nove vão ficar aqui caso precisemos de ajuda – disse Asafe, o líder.

Entraram: Caspian, Pedro, Edmundo, Asafe, Theo, Nico, Zay, Alícia e Zoë e Apolo, o restante ficou esperando do lado de fora das minas.

As minas eram escuras, mas eles tinham lanternas, não podiam usar tochas pois há ar tóxico devido aos produtos mágicos usados para extrair outro.

– Bianca disse que essas minas têm vários fantasmas mortíferos – disse Apolo.

– Bom, eu espero que eles gostem de você Polinho – disse Zoë, ela estava com seu arco normal, pois Susana o pediu de volta, Zoë não ligou, pois aquele arco lhe trazia as dolorosas lembranças da época em que ela namorava com Zay.

– Isso me lembra do que nós passamos na Ilha Paco – disse Asafe.

Um vento forte soprou do nada quando eles já deviam ter decido uns cinco andares na mina, o que era impossível, pois era para eles estarem morrendo de calor.

Eles virem cinco luzes amarelas brilharem á frente deles, e essas cinco luzes amarelas tomaram formas de fantasmas. A babá maldita, a viúva angustiada, o violoncelista surdo, o maestro maldito e o soprano maléfico.

– Saibam que até hoje ninguém conseguiu pegar a Lira de Apolo – disse o fantasma gordo que era o soprano maléfico.

– Então acho que seremos os primeiros então – disse Zoë sarcasticamente.

– Seus tolos, não podemos ser derrotados, essas suas armas são inúteis – disse a babá maldita.

– Nós vamos fazer vocês sofrerem – disse a viúva angustiada.

– Até implorarem pela morte – disse o maestro maldito.

O maestro fez um sinal com uma vara e o violoncelista começou a tocar em seu violino, e logo todos sentiram uma dor excruciante.

Zoë sentiu a dor de suas decepções amorosas mil vezes mais forte. Alícia sentiu-se como se nunca mais fosse ser feliz outra vez, Nico sentiu uma forte sensação de culpa por ter brigado com Alícia, Asafe sentiu uma dor imensa por estar traindo Clove. Pedro e Edmundo sentiram culpa por terem brigado, mas Caspian sentiu a pior dor de todas, ele sentiu a terrível sensação de algo havia sumido de sua vida, algo que lhe deu tanta felicidade, algo que lhe fazia sorrir todos os dias.

– Não acha que eles estão demorando? – perguntou Mimí a Susana.

– Acho – respondeu Susana preocupada, onde estaria Caspian nessa hora?

– Eles só foram há uns vinte minutos, não será preciso – disse Clove serrando as unhas.

– Eu estou com um mau pressentimento – disse Susana ofegante. – Eu acho que devíamos entrar.

– Você não pode ir sem nenhuma ordem do líder – disse Clove.

– Mas o líder não está aqui – disse Susana.

– Mas a futura esposa está – disse Clove, finalmente ela tirou os olhos de suas unhas e encarou Susana.

Susana sentiu um leve arrependimento em ter brigado com Lúcia por causa dela, ela realmente não merecia.

– Ser noiva do líder não te faz líder – disse Susana. – Eu vou entrar, quem quer me acompanhar?

Carly, Bianca, Camilla e Mimí se ofereceram para acompanhar Susana e as cinco entraram na mina abandonada.

Logo depois do violoncelista veio a babá maldita que fez todo mundo parar de respirar, e no momento em que estavam quase inconscientes eles voltaram a respirar novamente, depois o soprano começou a cantar o que deixou os ouvidos de todos com uma dor insuportável, a viúva fez os corações arderem como fogo e o maestro fazia os estômagos deles se espremerem e se contorcerem.

Quando as meninas chegaram no quinto andar subterrâneo da mina começaram a sentir as mesmas coisas que o restante do pessoal, todas caíram do chão e gritaram, menos Susana, por mais que aquela dor fosse insuportável ela estava suportando.

Seu olhar encontrou o de Caspian que estava gemendo de tortura no chão, e aquele olhar por mais que tenha triturado seu coração a deu forças para pegar seu arco e atirar flechas nos fantasmas. Como o arco era uma arma especial os fantasmas caíram em seus corpos frios e sem vida no chão e toda a tortura parou.

– Como você fez isso? – disse Zoë impressionada.

– De nada – retrucou Susana mal-humorada, o seu olhar encontrou o de Caspian mais uma vez e finalmente parecia que havia uma conexão entre os dois, depois de Liliandil ter apagado tudo que eles tinham construído.

– Caspian... Você se lembra de... Nós... – disse Susana.

– Como assim? – disse Caspian, essas palavras deram uma facada no estomago de Susana.

– Deixa pra lá.

– Certo pessoal, vamos continuar.

Andando por uma trilha eles acharam a lira de Apolo e voltaram para o Acampamento, lá eles fizeram um brinde para Susana e disseram que sem ela todos estariam mortos, mas Susana não precisava de nada daquilo, tudo que ela precisa era de Caspian e Alêx, o restante podia evaporar, mas a esperança pairava sobre sua alma, ela tinha certeza de que iria dar a volta por cima.

Todos voltaram para o acampamento e começaram a comemorar como sempre fazem. Apolo tocava divinamente em sua lira, enquanto o restante dos Caçadores de Relíquias comiam, bebiam e dançavam, era o que geralmente faziam depois de encontrarem uma relíquia. O mapa mostrou onde seria a próxima aventura deles, nas ruínas de Tafes em busca do cálice de Dionísio.