Reivax The Light
4 Capítulo 4: Verdades e Mentiras.
Notas iniciais
Desculpem a demora.
Estefany estava já na rua de sua casa quando Reivax avistou a mesma e logo saiu correndo para acudi-la. Não perdeu tempo e a pegou pelos ombros com as suas duas mãos e a sacudiu.
- Você está bem? Estefany, eu perguntei se está bem!
- Sim, eu estou bem... não se preocupe comigo. Disse ela com a face triste, em estado de choque para se dizer ao certo.
- O que foi aquilo? Perguntou Reivax curiosamente e também preocupado com aquilo.
- Aquilo o que? Disse ela meio avoada.
- Você saiu correndo de medo do nada. Agora vem com essa cara estranha. Diga-me, pode confiar, o que aconteceu?
- Olha Reivax, não sei se posso falar, mas quero preservá-lo. Isso que ocorreu, eu não quero que comente com ninguém entendeu? Quanto menos pessoas souberem disso é melhor. Não quero que você corra riscos, é uma coisa que apenas eu poderei resolver. Até no momento.
- Não vai mesmo me contar, não é?
- Não posso. Entenda, é por sua segurança.
- Ok, pode deixar. Mas você não está machucada, não é?
- Não, não. Obrigada pela preocupação, agradeço muito.
- Por nada, então eu vou indo. Até mais!
- Até Reivax.
O garoto tomou seu caminho de volta para casa assim como sua colega.
Reivax entrou na sua casa, tirou os sapatos e os colocou próximos a escada.
- Mãe eu cheguei! Disse ele alto e logo ouviu a resposta.
- Está bem meu filho, tome banho e venha lanchar. Disse ela da cozinha de forma alta também.
Reivax subiu apenas de meias. Elas eram bancas. Os passos eram leves, nem se ouvia eles. Chegou ao seu quarto e deixou a mochila em cima da cadeira do computador. Jogou-se de costas por cima da cama e respirou fundo. Ficou pensando em Estefany, correndo do nada e atravessando a rua de forma perigosa. Carros indo para os lados como se algo os puxasse, sem conseguir acompanhá-la na corrida.
Ao mesmo tempo Estefany estava jogada em sua cama pensando. Pensando no ocorrido. Vendo em sua mente todo aquele poder. Logo olhou para suas mãos como se esperasse algo sair dela ou até mesmo uma coisa anormal se manifestar através delas.
Longe dali estava Janzo, a criatura mais perigosa que se poderia existir. Em pé por cima das águas no mar.
- Coisas interessantes estão para ocorrer, é apenas questão de tempo para que tudo que planejo seja perfeito. Aquela pirralha fará parte de mim logo, logo. Por hora tenho de ficar em desligado de tudo. Até que aquela grande estrela volte a brilhar no céu.
As asas rotineiras de Janzo surgiram fechando o mesmo. Abriram logo depois num estrondo que balançou as águas, abriu junto com os braços. Três estacas de espelhos saíram de dentro da água e cresceram por uma altura de cinqüenta metros. Elas saiam em volta de Janzo e ao atingirem tal altura foram se quebrando em cacos pequeníssimos que logo se reagruparam formando uma grande fortaleza de espelhos. O poder das trevas do ser maligno impedia que essa construção fosse vista.
Subiu aos céus até chegar nela e se trancou dentro. Esperaria até o amanhecer do dia.
“- Mais um dia nasce na cidade de Tóquio. O sol veio como se quisesse ficar pelo resto da eternidade de tão bonito que está. Mas sempre um belo dia vem com uma triste notícia. É muito triste informá-los, caros ouvintes, que o navio de pesca japonês Utukata foi encontrado hoje pelos marinheiros a quilômetros de distância no fundo do mar. Os responsáveis pelo regate trabalham sem nenhuma hipótese de sobreviventes, já que o navio afundara exatamente há uns 3 dias. A perícia está sem nenhuma hipótese de como o navio afundou pois encontrasse intacto, pelo menos até agora. A rede de televisão Sakura irá mostrar pela noite as fotos dos marinheiros que conseqüentemente estão mortos. Até mais com mais notícias.”
Era a notícia do dia. Reivax estava a tomar café quando ouvira tal informação.
- Nuss... que coisa terrível. Sinto pelos tripulantes. Disse ele.
- Também sinto meu filho, mas esqueça isso. Ande, tome seu café que você já está atrasado para a aula.
Está bem. Respondeu ele com um sorriso na face. Levantou-se e foi embora. Saiu de casa e foi andando para a escola. Chegou à esquina aonde sempre ia com Estefany, o ponto de encontro dos dois ao irem para as aulas e também o de despedida quando voltam para casa. Esperou dois minutinhos, mexeu em seu celular para passar um pouquinho o tempo. Nada dela. Olhou para ver se ela se aproximava e nada. Decidiu ir logo para a aula.
- Ela não está vindo... eu acho que já foi direto para a escola.
Encaminhou-se diretamente para sua escola. Estava ainda mais atrasado.
Chegou e entrou desesperadamente correndo pelos corredores. Virou de um para o outro e deu de cara com a diretora.
- Onde pensa que está indo mocinho? Ainda mais com toda essa pressa?
- Desculpa diretora Susan, eu estava distraído e acabei me atrasando para a aula.
- Tudo bem, eu espero que da próxima vez você não vá se distrair mais. Pode ir.
- Obrigado. Disse ele de forma educada. Mesmo assim saiu correndo direto para a sua sala.
Bateu na porta enquanto o professor fazia a chamada. Olhou através dos óculos para a vidraça da porta e viu Reivax com cara de triste. Todos também olharam e começaram a rir. O professor acenou com as mãos para que ele entrasse. O mesmo o mesmo adentrou na sala e fechou a porta. Ia-se encaminhando para o seu lugar quando o professor falou.
- Mais atrasado e já era noite, não é senhor Reivax?
- Desculpe, estava esperando alguém e... – Ele olhou para o lugar de Estegany não a viu lá. Procurou com os olhos pelo resto da sala e não a viu.
- “E” o que senhor Reivax?
- ... acabei-me atrasando. Disse ele já andando para o seu lugar.
- Esta tudo bem, mas observe que foi dessa vez. Na próxima nem se dê o trabalho de bater na porta. Eu não o deixarei entrar.
- Está bem. Falou o garoto com o rosto de que não tinha gostado daquilo já sentado no seu lugar e pegando o caderno.
O professor continuou a chamada na sala de aula e Leon virou-se para falar com Reivax.
- Você não veio com a Estefany?
- Não a vi no local onde nos vemos todos os dias. Esperei por ela e ela não veio. Achei que estava aqui na escola, mas não está. Por isso atrasei-me.
- Entendo, mas não a vi aqui mesmo. Será que ela está doente? Perguntou ele com curiosidade.
- Não, com certeza não está. Disso eu tenho certeza. Disse ele virando-se com um rosto de preocupação.
Deu o sinal e a aula havia acabado.
- Apenas para reforçar, não deixem de fazer a atividade que eu passei. Da página 12 ate a página 14. Para semana que vem. Até mais. Ele havia pegado suas coisas e estava saindo da sala. Havia agora um intervalo para eles.
Eu vou ao banheiro agora. Disse Leon.
Ele encaminhou-se direto para o banheiro. Chegou lá foi lavar suas mãos. Passou um pouco de água em seu rosto. Estava sozinho no banheiro. Olhou para o espelho e de repente viu um demônio pegando fogo e fazendo uma cara assustadora. Espantado deu um salto para trás e respirou fundo. A imagem permaneceu no espelho e ele saiu correndo.
- Leo, Leo! Disse ele rapidamente pegando pelo braço do mesmo e o puxando.
- O que foi? Disse ele sem saber o que estava acontecendo.
- Você precisa ver isso, agora! Venha, venha!
- Está bem, estou indo.
Os dois chegaram bem rápido no banheiro e Leon continuava a ver aquele demônio aprisionado querendo sair e pegando fogo.
- Olhe isso! Disse ele apontando para o espelho.
Leo olhava e via apenas seu reflexo.
- O que tem demais nisso? Perguntou para Leon.
- Você não está vendo? Disse ele indignado.
- Sim, apenas meu reflexo. Você não tem mesmo o que fazer não é? Disse ele indo embora.
- Mas, mas... não acredito que não estás a ver.
Falou Leon com uma cara triste. Achava que havia enlouquecido. Porém continuava a ver tudo. Saiu do banheiro inconformado com aquilo.
O dia acabou e o mesmo estava com a pulga atrás da orelha. Não sabia o que fazer, já que apenas ele via a criatura. Todos estavam saindo da escola, mas havia um visitante, novamente. Janzo estava no mesmo lugar do dia anterior. Esperando Estefany sair. Queria mais alguma coisa. Era uma criatura interesseira. Olhou todos saírem. Os adolescentes estavam rindo e conversando. Reivax encaminhou-se sozinho para seu rumo. Janzo notou algo estranho.
- Onde aquela humana idiota foi parar? Disse ele a si mesmo e olhando cuidadosamente para todos os lados.
- Tchau, até amanha amigos. Disse Reivax indo direto para casa.
Longe ali estava Estefany, em sua casa. Deitava dormindo. Do nada acordou. Bocejou e achava que ainda era de manha. Olhou para o relógio e viu que já estava de tarde. Ninguém em sua casa havia notado a sua presença. Sua mãe tinha saído pela manha bem cedinho junto ao pai, antes mesmo dela acordar e ao haviam voltado para casa.
- Então é esse o treinamento de um guardião elementon? Que fantástico. Só dormir e já estamos dentro. Preciso saber como encontrarei os outros para minha companhia.
Ela desceu as escadas e foi comer algo. Logo depois foi tomar um banho para ficar apresentável.
Leon chegou à casa meio que preocupado com aquilo. Antes mesmo de adentrar olhou para os lados para ter certeza de que ninguém ou algo o tivesse seguido. Rodou a chave na porta e entrou. Depois trancou. Não havia ninguém em sua casa. Seu pai sempre vinha com sua mãe um pouco depois de o mesmo chegar do colégio. Foi para o seu quarto que ficava no andar debaixo. Deixou sua bolsa num cantinho do quarto e acendeu a lâmpada. Olhou para o espelho grudado na sua parede e apenas viu seu reflexo. Por um instante sentiu-se aliviado. Chegou mais perto para ajeitar seu cabelo e a criatura tornou a aparecer. Leon deu um grito alto e novamente deu um pulo para trás. Viu que a criatura apenas o encarava. Parecia desesperada para ser libertada. Só era com o reflexo do garoto.
- O que é você? Peguntou ele assustado.
- Eu sou você garoto! Respondeu de imediato.
- Como é? Esta de brincadeira comigo?
A criatura parou de fazer aquela cara horrenda e respondeu com sarcasmo.
- Brincadeira? Deve ser pelo fato de você estar doido. Falando com o próprio reflexo no espelho. Isso é estranho... não acha?
Leon desviou o olhar vendo que a criatura estava cheia de razão.
- Não interessa, você é apenas um reflexo. Isso não é normal.
- Claro você está louco e eu sou sua consciência avisando-o desse ocorrido. Disse de novo com sarcasmo e virando o rosto para o lado com beiços.
Essa criatura tinha uma espécie de raiz que cobria uma parte do rosto. Os olhos amarelos, orelha de duende e a pele toda queimada. A boca era pequena.
- Estou falando sério, quem é você?
- Eu já disse, sou você! Será que não entende? Nossa como vim parar dentro de um humano tão burro!
- Ei, se você diz ser eu, então está ofendendo a você mesmo!
- Pode ser, mas particularmente eu não ligo para isso. Vá dormir que seu rosto já está me enchendo a minha paciência. Disse a imagem, logo após sumiu.
- Que louco! Disse ele passando a mão na cabeça.
Reivax estava jogando um jogo em seu computador, mas mesmo assim estava distraído pensando ainda em Estefany.
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