Notas iniciais
Esse foi díficil, muitos detalhes para encobrir, mas acho que consegui. Espero que gostem. Boa leitura.

A carona que Sora se referia era o tapete roxo que Hikari encontrara na casa com a vista para o palácio. O ser se remexia no chão como se estivesse os chamando a bordo. O time resolveu aceitar o convite, os quatro mestres da keyblade sentaram-se sobre o tapete, o espaço era pequeno e um pouco desconfortável. Ele voava numa velocidade considerável e já tinha um destino definido. A líder se perguntava aonde o tapete iria lhe levar.

Aterrissaram num lugar escuro, cercado de dunas e montes de areia, estavam no meio do deserto. Hikari sentiu que algo estava errado.

–O que é aquilo?! – Kairi apontou para o lado oposto que a líder estava olhando.

Um homem estava sendo sugado pela areia movediça, ele estava acompanhado do que aparentava ser um filhote de macaco. Heartless surgiram em massa ao redor das vitimas, Hikari não pensou duas vezes em agir.

–Kairi, resgate os dois! Sora dê cobertura a ela! – Hikari ordenava rapidamente, os guias seguiam o comando logo em seguida. A líder olhou sem graça para Riku, dar ordens a ele não era algo que ele aceitaria facilmente – E você, — ela disse num tom acanhado – me ajude com eles...

Entretanto, a garota de cabelos negros tinha de admitir que seu amigo de infância era extremamente habilidoso com aquela espada. Ele usava apenas uma mão para manusear a arma, ao contrário dos seus três colegas de equipe que usavam ambas. Riku tinha ataques rápidos e se movia muito bem no campo de batalha.

“Ele é bem melhor que eu” – pensou Hikari, a líder estava tão impressionada que esqueceu que também estava lutando. Um soldado de turbante a atacou pelas costas, fazendo-a cair de bruços na areia. Hikari estava prestes a usar uma magia de cura, quando uma bola de fumaça negra atingiu o inimigo e ele se dissolveu nas trevas junto com o coração roubado. Hikari olhou na direção de quem lançou o feitiço. Lá estava Riku. Olhando para a própria mão, ele estava com uma expressão confusa no rosto.

Os heartless desapareceram, os amigos de infância ficaram se encarando por um bom tempo tentando entender o que houve. Até que Kairi rompeu o transe entre os dois:

–Vocês estão bem?

Aparentemente apenas Hikari viu o que havia acontecido. Ela não queria discutir aquilo na frente de todos, então decidiu fingir que tudo estava bem.

–Sim, como está o homem? – perguntou ela enquanto aceitava a ajuda de Kairi para se levantar.

–Bom, quem o realmente salvou foi um cara azul. – Kairi contou.

–Um cara... azul? – Hikari considerava a possibilidade de Kairi ter batido a cabeça em algum lugar.

–Você é a tal de Hikari? – uma voz masculina perguntou.

Quem falava era um homem de cabelos negros, pele escura e olhos castanhos. Ele usava um barrete vermelho-violeta e um fino colete roxo. Este colete ficava aberto, expondo seu peito. Suas calças eram brancas e largas e sustentadas por aquilo que parecia ser uma faixa laranja.

–Sim, sou eu. Muito prazer – Hikari sorriu para o homem, reconhecendo que ele era o que estava sendo sugado pela areia movediça – você está bem? Se machucou?

–Eu estou bem – ele riu com a preocupação da líder – Meu nome é Aladdin. Como vocês chegaram aqui? Pensei que esse lugar fosse inacessível por causa das tempestades de areia.

–Eu não sei se você vai acreditar, mas um tapete voador nos trouxe – Hikari explicou, Riku e Sora se aproximaram do grupo enquanto isso.

–Ah, eu acredito sim. – ele parecia estar rindo de alguma coisa – Eu entendi, obrigado por terem me ajudado.

–O que você estava fazendo aqui afinal? – perguntou Sora.

–Mesma coisa de sempre, caçando por tesouros e coisas valiosas. Acabei de visitar a Caverna das Maravilhas. Fui eu que encontrei o tapete mágico – ele apontou para o objeto, que agora estava perto do dono – e essa lâmpada – ele tirou o artefato do bolso, brilhava mesmo não estando iluminado pela luz do sol – A lenda diz que qualquer um que a possui pode invocar...

–Por favor, garoto, deixe as introduções para um profissional – uma voz interrompeu Aladdin, um espírito saiu da lâmpada, ele era azul e tinha dois braceletes de ouro nos pulsos – o belo e único GÊNIO DA LÂMPADA! Limpe a lâmpada e tenha todos os seus desejos realizados! – ele ficava dando voltas ao redor do grupo enquanto falava – E o vencedor de hoje é... Aladdin! Parabéns! – o gênio deu um leve tapa no ombro do mestre, papeis coloridos de festa caíram sobre os ombros do grupo. Riku não parecia estar feliz com a situação.

–Qualquer desejo? – Sora perguntou já planejando na cabeça o que queria.

–Paciência, meu querido amigo – o gênio cutucou Sora – São apenas três desejos! O vencedor acabou de fazer o seu primeiro desejo. E vou te contar que foi algo bem entediante. Agora ele tem apenas dois! Então mestre – ele voltou a olhar para Aladdin – o que será para o número dois?

–Que tal me transformar num príncipe muito rico? – Aladdin sugeriu.

–Uau! Dinheiro, realeza, fama! Por que eu nunca pensei nisso?! – o gênio se perguntou. Hikari se sentia num programa de TV – Okay, você pediu! Centenas de servos e camelos carregados de ouro! Só diga a palavra e eu entrego em trinta minutos, ou seu dinheiro de volta! E ainda vem com um cappuccino.

–Não obrigado – Aladdin falou em meio a risadas – mas acho que vou deixar pra pedir quando chegarmos a Agrabah.

–Por que um príncipe? – Kairi perguntou ao mestre do gênio.

–Sabe, tem uma garota em Agrabah chamada Jasmim... Mas ela é uma princesa, e eu sou... – ele abaixou a cabeça com tristeza – Ela nunca se apaixonaria por um cara como eu.

–Princesa Jasmim? – Hikari parou por um momento – Eu esqueci! Aladdin, Jasmim está em perigo!

–O quê?! Então vamos voltar agora! – Aladdin se virou para o tapete voador.

–Não tem espaço pra todo mundo... – Riku observou.

–Não temos tempo pra ir andando! – Sora contestou.

Hikari não conseguia pensar numa saída. De repente, o gênio estralou os dedos e uma replica do tapete mágico apareceu diante dos olhos do grupo.

–Mas o que... – Hikari se voltou para o gênio.

–Vocês estão sendo legais com o Al, acho que merecem uma mãozinha! – ele sorriu timidamente para a líder.

–Obrigada – Hikari correspondeu o sorriso.

–Que tal eu, Sora e Aladdin irmos no original e Hikari e Riku na replica? – Kairi sugeriu.

Riku não respondeu, deixando para Hikari decidir. A líder concordou sem muito entusiasmo, ainda não estava preparada para conversar com Riku, mas esta seria uma ótima oportunidade para tentar esclarecer o ocorrido.

Depois que todos estavam bem acomodados, os tapetes mágicos levantaram voo.

Riku e Hikari ficaram em silêncio. Ela queria perguntar sobre o que houve há alguns minutos atrás, no entanto Riku estivera calado desde que saíram daquele depósito e só falava o necessário. Será que ele estava bravo sobre as cartas não respondidas? Ou será que era porque ela estava dando ordens? Não dava pra saber o que aquele garoto estava pensando. Seu rosto não exibia emoção. Ele olhava para o céu azul com uma expressão em branco.

–Pare de me encarar, Hikari – ele pediu, ainda olhando pra cima. Hikari ficou vermelha em resposta. Ela esteve encarando ele por quanto tempo?

–Desculpe – ela voltou a olhar para aquela areia amarelada. Não tinha muita paisagem para admirar como havia na Selva Profunda.

–Que escada você escolheu? – ele perguntou depois de alguns minutos.

–O que?

–No sonho.

Hikari ainda não estava entendendo.

–No sonho que você ganhou suas habilidades. Ou você não sonhou com isso? – ela sentia o olhar de Riku em suas costas, mas estava pouco confiante para olhar de volta.

–A dourada – Hikari se lembrou, era incrível como ela ainda podia lembrar-se de todos os detalhes daquele sonho.

–Parece que ninguém escolheu a escura – ele concluiu.

–Por que você escolheria a escura?

–Não sei... Coisas muito brilhantes não me agradam – ele explicou, estava se mexendo no tapete para ficar mais confortável – e também... Havia algo dentro de mim dizendo para escolher aquela.

–Isso significa que seguimos caminhos opostos? – Hikari finalmente se virou. Porém, seu rosto se chocou com o de Riku, fazendo os dois gemerem de dor.

–Eu não sei – ele esfregou a testa – mas eu sei que você ainda é uma desastrada! – ele parecia estar bravo, mas Hikari podia ver um sorriso fraco no seu rosto.

–E você continua sendo um babaca! – ela deu um soco no ombro do garoto, não adiantou porque ele nem se mexeu com o impacto.

Eles ficaram em silêncio novamente, até Hikari chamar a atenção dele:

–Ei, Riku?

Ele esperou ela continuar.

–O que foi aquilo que você usou no heartless?

Riku voltou a observar o céu.

–Talvez seja uma consequência do caminho que eu escolhi.

–Mas o coração roubado... Ele desapareceu – Hikari continuou devagar para não entristecê-lo.

–Eu não sei! – ele gritou, o grito ecoou pelo deserto.

Hikari engoliu em seco, a mão de Riku que estava apoiada no tapete tremia, Hikari tocou-a. Riku abaixou o rosto subitamente, o gesto deve ter lhe assustado.

–Está tudo bem. – Hikari disse simplesmente.

Para sua surpresa, Riku riu em resposta.

–E pensar que eu estive preocupado com você todos esses anos. Sua idiota.

–Ei! Não fale assim comigo, eu acabo com você qualquer hora que eu quiser! – Hikari colocou as mãos nos quadris, daquele jeito que Riku lembrava que ela fazia quando estava brava.

–Eu vi você lutar, foi incrível – ele bagunçou os cabelos dela como se estivesse acariciando um cachorro – mas ainda é pouco pra me derrotar.

–Nada a ver! Eu sempre fui mais rápida, eu ganho!

–Mas eu sou mais forte! – Riku estava sério, entretanto parecia estar se divertindo.

–Grande coisa! Quer saber? Quando voltarmos pra nossa base na Cidade da Travessia, eu vou lutar com você! – Hikari apontou o dedo indicador para o rosto de Riku.

–Tipo um duelo? – ele riu – Isso não vai adiantar, duelo era brincadeira de criança lá na ilha. Ninguém nunca me venceu. Nem mesmo o Sora e a Kairi.

–Ah é? Então vamos apostar alguma coisa!

–Uau, você está séria nisso. Tudo bem, se eu ganhar, nós vamos compartilhar uma paopu fruit quando voltarmos pra casa — Riku estava com um sorriso maléfico no rosto.

Hikari se lembrou da fruta típica das Ilhas do Destino. De acordo com a lenda, aqueles que compartilham a fruta em forma de estrela terão seus destinos interligados pelo resto da vida.

E quando ela lembrou, seu rosto ficou parecendo um tomate.

–Por que você apostaria uma coisa dessas?! – ela perguntou com a voz trêmula.

–Será que alguém está com medo de perder? – ele desafiou, atingindo o ponto fraco da líder.

–Eu não estou com medo, sabe por quê? Porque eu não vou perder pra você – ela sorriu com o orgulho cintilando em seus olhos – E seu EU ganhar, você vai ter que fazer o que EU pedir.

–Ótimo – ele estendeu a mão para finalizar a aposta.

–Ótimo! — os dois fecharam o acordo com um aperto de mãos.

Enquanto isso, Kairi e Sora conversavam com o gênio e Aladdin.

–Ah, o ar puro! – o gênio exclamou, ele flutuava na brisa do deserto.

–Parece que você não sai muito – Sora disse a ele.

–Vêm com o trabalho, poderes cósmicos fenomenais!... Dentro de uma lampadazinha. São três desejos e então eu volto para a minha prisão portátil. Eu tenho sorte de ver a luz do dia a cada um século ou dois... – o gênio lamentou.

–Gênio, e se eu usar meu último desejo para te libertar? O que você acha? – Aladdin perguntou, fazendo o espírito arregalar os olhos.

–Você faria isso?!

–Claro!É uma promessa – Aladdin sorriu – Depois que salvarmos Jasmim.

Os tapetes aterrissaram quase ao mesmo tempo em Agrabah. O time se reuniu na entrada, Aladdin sugeriu que fossem primeiro ao palácio. Hikari concordou. O dono da lâmpada mágica os guiou pela cidade. O homem também sabia lutar, mas seu facão não tinha efeito nos heartless como as armas do grupo. Depois de várias batalhas, chegaram às portas do palácio. Jafar estava presente, ao seu lado se encontrava Jasmim.

–Esta sonhando alto demais, não acha garoto? – zombou Jafar ao por os olhos em Aladdin – Volte pro seu buraco, rato de rua. Eu não vou tolerar que você incomode a princesa de novo.

–Jasmim! – gritou Aladdin ao ver a amada.

–Eu sinto muito, Aladdin – a princesa respondeu. Jafar se pôs a sua frente.

O vilão analisou Riku com os olhos.

–Então é você em quem ela está interassada? – o vilão questionou – Ah sim, eu sinto o poder que emana de você. Mas me pergunto o que faz com essa gentinha.

–Do que ele está falando, Riku? – perguntou Hikari num sussuro para o garoto de cabelos prateados.

–Eu não tenho interesse em me juntar a você – respondeu Riku em voz alta, invocando sua espada, Devoradora de Almas.

–Mas vai ter! Malévola tem uma ótima oferta que ninguém poderia recusar.

–Malévola?! – Hikari assustou-se. Porque a bruxa que criava os heartless tinha interesse em Riku?

Jafar parecia ter esquecido de que havia mais pessoas ali. Pensando nisso, Aladdin invocou o gênio para salvar Jasmim. No entanto, Jafar foi rápido e usou seu papagaio de estimação para roubar a lâmpada do homem, negando o pedido de Aladdin. Jasmim caiu dentro de um dos vasos. Que se transformou em um dos heartless. Jafar invocou um heartless que tinha a forma de uma centopeia e desapareceu novamente.

–Droga! – Hikari invocou Wave of the sea – Kairi proteja Aladdin! Sora, Riku, destruam o heartless! Eu vou procurar Jafar!

–Você ficou doida?! – Riku a puxou pelo braço – Aquele homem tem um gênio e os heartless do lado dele! Você vai morrer fácil se for sozinha!

–Eu não posso deixar outro mundo ser destruído pelas trevas diante dos meus olhos de novo! – Hikari se libertou das mãos de Riku.

–Você nem sabe onde ele está!

–Ele foi para o deserto! – Aladdin gritou para os dois – Jasmim não está aqui! Eu com você! – ele correu até Hikari – Eu sou inútil contra esses monstros.

Hikari hesitou, mas teve que concordar.

–Tudo bem. Riku proteja os moradores, eu volto logo – Hikari nem sequer olhou para o rosto do amigo. Ela não era tão fraca como ele pensava.

Separando-se do time, Hikari e Aladdin subiram no tapete mágico e partiram para a Caverna das Maravilhas.

–Desculpe por meter vocês nessa confusão – Aladdin pediu enquanto viajavam. Ele tinha se acalmado depois do ocorrido.

–Não se preocupe — Hikari o tranquilizou – eu queria que Riku confiasse mais nas minhas decisões.

–Ele só estava preocupado com você – Aladdin disse – você é muito importante pra ele.

–Como você sabe?

–O jeito que ele te olha – Aladdin sorriu – é o mesmo de como eu olho pra Jasmim.

Quando Hikari compreendeu o que ele quis dizer corou violentamente. Já era a quarta vez que isso acontecia naquele dia.

–Você só está imaginando coisas. – Hikari desviou o olhar – Nós somos apenas amigos.

–Chegamos! – o tapete parou ao mesmo tempo em que Aladdin falou.

Hikari nunca pensou que lutaria contra algo como aquilo. Mas ela já estava acostumada com o improvável nessa hora do campeonato.

Notas finais
Desculpe por tantos diálogos, o próximo capitulo terá um pouco mais de ação. Como podem ver, algumas cenas foram acrescentadas, fugindo um pouco do enredo original do jogo. Mas espero que esteja fazendo sentido. Obrigada e até mais!