Reila
8 Terça chuvosa
:: CAPÍTULO 08 — Terça chuvosa ::
Dentro da casa, Aoi, Uruha e Reita se encontravam cada qual em seu quarto, sozinhos.
Akira, que antes dormia, agora estava apenas deitado, olhando o teto e ouvindo o som calmante que a chuva se chocando contra a casa produzia. Kouyou desencaixotava as últimas coisas que havia em seu quarto, e Yuu já ia levantando da cama para fazer algo. Ficar sozinho estava começando a incomodá-lo.
Como ele não sabia que Ruki já estava em casa, as únicas opções que lhe sobraram foram falar com Takashima ou com Suzuki. Com certeza que preferiu o segundo, então foi caminhando lentamente até o quarto do mesmo.
Lá chegando, bateu à porta três vezes.
– Quem é? – Perguntou-lhe uma voz levemente sonolenta.
– Sou eu, o Yuu... Posso entrar?
– Claro, claro... – Ao ouvir a aprovação, o moreno adentrou o quarto. Estava tudo escuro.
– Estava dormindo? Desculpe-me...
– Ah, não. Já tinha acordado, não se preocupe.
– Melhorou?
– Um bocado... Kouyou realmente sabe o que fazer com relação à bebidas. É um bêbado nato. – A simples menção daquele nome, novamente, fez Shiroyama crispar o rosto.
– Algo errado? – Perguntou-lhe o baixista.
Nos minutos que seguiram, os dois passaram conversando sobre a briga que Aoi e Uruha tiveram, a aposta feita para Ruki, seu respectivo “prêmio” e sobre o paradeiro de Kai. Estavam suficientemente absortos na conversa para que o moreno pudesse ocultar sua preocupação para com o baterista, mas de fato, estava muitíssimo aflito. Resolveu, então, voltar ao assunto anterior para distrair a mente.
– Sabe... Acho que triste do jeito que o Ru-chan anda, vai ser difícil ele escrever algo.
– Espero que sim. Não gostei da Reila e não quero vê-la em nossa casa nunca mais. – Aoi notou que este não era o assunto certo, e logo começaram a conversar sobre coisas banais e sem interesse, o que manteve ambos com os pensamentos longe dos respectivos problemas.
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Amefuri no kayoubi, shikke ga hidoku kokochiyoi
(Terça chuvosa, me sinto bem numa terrível umidade)
Arehateta shinshitsu kara kikoeru kanjouteki
(Um barulho veio do quarto, o sentimento é audível)
Kanojo no fuman, gouyoku, shitto ya sokubakuteki
(O descontentamento dela, avareza, inveja, o hábito de restrição)
Kuranaya wa yagate kirete boku no koto wo kowasu no deshou?
(Logo corta a agonia... Será que eu vou quebrar?)
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A chuva continuava a cair do céu, molhando todo o gramado. Ruki observava cada movimento, atentamente, à procura de algo que o ajudasse.
Não fosse seu impasse, provavelmente agora estaria tendo uma noite tranquila. A chuva era calmante, a umidade lhe fazia bem depois de tantos dias secos de calor.
Resolveu esvaziar sua mente e apenas ouvir tudo... Muito atentamente.. E foi desta forma que ouviu vozes. Vinham de seu quarto, conversavam animadamente.
“ Rei-chan... Bem, pelo menos você está se normalizando. Ou talvez... O problema seja apenas... Eu. ”
Certo. Ele precisava de um assunto para a música; focou-se novamente. Observando as árvores, lembrou-se um pouco de Hana. Já escrevera várias músicas falando sobre as qualidades dela, mas... E os defeitos? Isso seria sim, diferente e revolucionário... Sim, perfeito. As palavras vibravam nas pontas de seus dedos e o lápis ansiava por escrever. Ia tocando o papel quando... Um trovão, seguido de um relâmpago que clareou todo o ambiente. Seguido disso, passos muito apressados e uma respiração ofegante... Uma pessoa chegou à varanda da casa, arfando, curvada e agarrada a uma sacola. Estava completamente ensopada, os cabelos negros caindo sobre os olhos. De repente, uma voz conhecida falou bem alto, praticamente gritando para se sobrepor aos sons da tempestade.
– RUUUUU-CHAAAAAAAN! – A voz de Kai tinha um tom sutilmente triste e infantil, porém, extremamente manhoso. Mediante o grito, uma figura alta veio correndo, uma faca em mãos, para ver o que havia acontecido. Abriu a porta como um raio, parecendo pronto para usar a arma culinária que trazia. Mas antes que pudesse fazer algo, Yutaka voltou a gritar, desta vez pelo nome do portador do material férreo.
– KOOOOOOOOOOOU-CHAAAAAAN! – O tom era igualmente manhoso, e ele saiu correndo e abraçou o loiro maior com força. Este, por sua vez, apenas ficou estático.
– Calma, Kai, calma... – Tentava acalmá-lo enquanto afagava seus cabelos com a mão livre, já bastante molhado por causa do contato. – Onde você esteve? Estávamos preocupados.
A resposta demorou a chegar. Estava se aconchegando nos braços do guitarrista quando começou a contar:
– Eu... Bem, eu saí por quê... Enfim, o motivo não importa. – Na verdade, não queria ficar sozinho no mesmo quarto que Yuu. O episódio da noite anterior ainda o constrangia muito. – Então, eu estava andando e achei que a gente podia usar esse nosso quintal tão grande pra fazer uma fogueira e assar marshmallows... Talvez até acampar e coisas assim... Vê, eu então comprei um saco bem grande, olha! – Ele então tirou da sacola que carregava um grande saco cheio de objetos branquinhos que pareciam pequenas almofadinhas aveludadas. – Só que eu me perdi na volta e... – Sua voz era compulsiva, estava à beira das lágrimas. Não teve uma jornada nada boa em busca do lar.
Takashima apenas conseguiu sorrir ao ver aquela cena, abraçando-o com mais força.
– Já tá tudo bem... Amanhã, se não estiver chovendo, nós podemos fazer esta fogueira, tá certo? – Isso fez com que todos ali sorrissem. Kai concordou.
Takanori, que até agora observava calado, jogou sua toalha que ainda estava em cima da mesa próxima para que o moreno pudesse se secar. Este agradeceu, pegando-a e começando a tarefa de enxugar os cabelos enquanto os outros sorriam bobamente.
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Amefuri no kayoubi, shinshitsu e wa ikitakunai
(Terça chuvosa, eu não quero ir para o quarto)
Hisu taishitsu no kimi ga, mata tekubi ni mitoreteru
(Sua constituição do silvo, aparece de novo o pulso)
Boku no kunou wa yagate jihatsuteki ni kuda wo kiru
(Logo virá minha agonia, corto o tubo voluntariamente)
Yoteidoori ni boku wo kuwashite kureta ne
(Eu, de acordo com a agenda, quebrei)
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Mas uma vez, o barulho inquieto no quarto de Ruki e Reita podia ser ouvido. Provavelmente eles ouviram os gritos de Kai.
– Kai-chan... Yuu e o Aki estão no meu quarto, eles devem estar preocupados. Por que não vai lá vê-los?
– Claro! Vamos comigo, vocês dois?
O silêncio pairou por uns segundos. Takanori foi o primeiro a falar:
– Hm, eu... Não quero... Quer dizer, estou um pouco ocupado aqui. – Finalmente lembrou-se do que estava fazendo.
– E você, Kou?
– Ah, eu também estava meio ocupado... Pode ir lá, querido.
– Certo, então. Obrigado, meninos. – Dizendo isso, adentrou a casa, saltitante. O loiro maior passou um tempo observando-o, era evidente a admiração contida naquele olhar. O menor apenas sorriu e voltou ao seu trabalho.
Não lembrava mais o que ia escrever. Certo, ele estava pensando em Hana. Retomou a mesma linha de pensamento. Era como se trouxesse à tona todas as sensações, cada toque, cada carícia, cada briga... O coração começou a pulsar mais forte. Mas não de amor, era um sentimento diferente. Simplesmente havia superado aquele relacionamento... E não receava pensar naquilo. De certa forma, era uma sensação ótima. Pensava que ficaria mal ao pensar nela, agonizado, torturado, mas... Era tão simples quanto pensar em qualquer coisa comum. Ela não era mais nada pra ele... Apenas... Passado.
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Dentro do quarto, Yuu ficara imensamente feliz em ver Yutaka, mas este segundo ficou sem graça e apenas cumprimentou a todos, entrando na conversa:
– Vocês sabem o que o Ru-chan e o Kou-chan estão fazendo? Disseram estar ocupados.
– Sobre Takashima eu não sei. – Assumiu Aoi, o desgosto evidente na voz. – Mas Sobre Ruki, bem...
A história foi brevemente contada. Ora ou outra, Reita interrompia com complementos e opiniões. E sem dizer nada, quando baixista e guitarrista finalizaram sua história, Uke levantou-se rapidamente. Tão rapidamente que tropeçou no tapete e caiu de cara sobre o mesmo, que para sua sorte, era felpudo e fofinho. Os risos altos dos três ecoaram por todo canto.
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Ashimoto de imasara kobiru nante shouki kai?
(Agora seu pé é mais liso ou é sua sanidade?)
Waraeru yo dokomade kimi wa minikui n'dai...
(Você está rindo...)
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Na varanda, Takanori, que ainda não havia retomado o ritmo que estabelecera antes do baterista chegar, pôde ouvir os risos dentro de casa. Entretanto, o que ouvia, mais que todos, era o de Reita... O riso de que tanto sentia falta, mesmo sem assumir para si mesmo. Quer dizer que agora que estava longe, o cidadão era até mesmo capaz de rir? Completamente sem sentido. Insano. Doentio. Isso o deixou levemente perturbado. O que ele fez para o amigo de tão mau?
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Com um pouco de dificuldade, Yutaka levantou-se e saiu correndo. Como ainda estava úmido, deixou respingos por todo o caminho que passou, até que chegou ao seu destino: a sala de música. Sabia que o vocalista teria dificuldade para fazer aquilo, e de alguma forma, queria ajudar.
Aoi, sem proferir qualquer palavra, também saiu correndo do quarto, deixando um Reita indeciso ali. A infelicidade de Takanori, apesar de todos os acontecimentos, era a última coisa que ele queria. Podia estar bravo com ele, mas isso não significava que queria desgraçá-lo. De forma alguma... Optou por ajudar. Pegou cuidadosamente seu baixo (que tratava como um tesouro precioso) e, em seguida, uma palheta vermelha, com um gatinho desenhado de um lado e uma assinatura do outro. Sorriu brevemente antes de começar a tocar.
A melodia que o instrumento produzia era rápida e forte, demarcando limites curtos e dando abertura para uma ária ser adicionada sobre a sua.
Logo, o acompanhamento chegou. A bateria se sobrepôs cautelosamente ao baixo, em batidas simples, no mesmo ritmo que as notas graves produzidas por Akira.
Finalmente, o toque de qual a melodia carecia: o som agudo da guitarra ocultou todos os outros de forma sutil, dando o ar que faltava àquilo. Animando a melodia, as notas rápidas saiam da guitarra negra de Yuu com facilidade, sem serem pensadas ou calculadas. De repente, as batidas da bateria ficaram mais rigorosas, e prontamente, o som podia ser ouvido a uma grande distância.
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Bara bara bara, taeki ni bara chiru wa koyoi namida, nado nai
(Rosa, rosa, rosa; cai saliva na rosa, esta noite não vai ter lágrimas)
Bara bara bara, aishiteitai kimi yo kakokoro kaerazu no amai hibi yo
(Rosa, rosa, rosa; eu amei você, passado voltando para os dias doces)
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O vocalista já beirava o desespero. Os recentes acontecimentos conseguiram desconcentrá-lo mais e mais... Até que... Um som. Ele conhecia o som, mas não a melodia que ele demarcava. Tinha certeza que era o baixo do companheiro de quarto, mas estava tão diferente... Imediatamente, outros instrumentos se juntaram a este. O vocalista se deixou esquecer de tudo o que fazia para ouvir aquilo. Era... Fantástico! A melodia caia bem com o tema que escolhera. Lembrava-lhe sua ex de maneira incrível, e era agitada o bastante para não cair em um hiato nas partes que lhe faltassem palavras.
Lembrou-o, ao mesmo tempo, das qualidades e defeitos dela... Misturava o passado e o presente em sua mente, com um toque futurístico leve. Simplesmente indescritível.
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Amefuri no kayoubi, hakike to zutsuu no naka
(Terça chuvosa, no meio de uma náusea e de uma dor de cabeça)
Kairen kimi no hitomi wa nigeru kimi wo toraeteru
(Os olhos espasmos pegam você que foge)
Mada asonde itai akiru kurai kanjitai
(Ainda quero brincar até me sentir enjoado)
Gouyoku no hate wo kannou shiyou
(Vamos fazer do fim da avareza uma habilidade)
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Sim. Tudo voltou à sua mente, a clareza a inundou. As palavras começaram a fluir naturalmente, e versos foram escritos rapidamente em uma caligrafia corrida, quase ilegível, mas necessária para que acompanhasse o fluxo mental. Às vezes uma palavra era rabiscada para dar lugar a uma nova, e assim, foram surgindo estrofes.
As lembranças de Hana misturavam-se, cada vez mais, com os sentimentos que o compositor sentia no momento por Reita. Ele não notava isso, simplesmente escrevia. Sentia-se muito melhor depois de descarregar tudo aquilo que vinha juntando desde que se mudou para aquela casa. Era muito prazeroso fazê-lo... E era ótimo saber que ainda tinha capacidade para tal.
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Yutaka terminava de dar uma última impulsionada no pedal sob seu pé direito para colocar as baquetas no colo, satisfeito. A música havia ficado ótima, esperava que Ruki fizesse uma letra à altura. Faltava mais alguma coisa, certamente, e ele sabia o que era: Uruha. Com certeza, depois que o loiro retocasse e batesse naquilo, ficaria perfeito. Já estava pegando as baquetas novamente quando uma voz irrompeu de um canto próximo. Kai sequer notara que tinha companhia.
– Assim não vale. – A voz de Kouyou saiu muito mais áspera do que de costume. Era um péssimo perdedor.
– Assim como, Kou? – Tentou fazer-se de desentendido, e custou para segurar o riso.
– Isso que vocês estão fazendo. Não devem ajudar.
– Ajudar em que, Uruha? Eu só estava treinando... Desde que a gente mudou, nem cheguei perto da minha querida bateria. Fiquei com medo de esquecer como se faz. – O loiro nem tinha mais como argumentar. Bufou suavemente e caminhou até uma das janelas daquele cômodo, parando para observar a chuva cair, distraidamente.
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Nakigoe wa sakebi ni kao wa hyoujyou nakushi
(Você grita com uma voz chorosa, o rosto sem expressão)
Henshitsuteki moa kaihouteki majiri aou
(Misturando deterioração mais libertação)
Fuka ku, fuka ku, tokeru you ni
(Profunda dor, profunda dor, como estivesse derretendo)
Fuka ku, tsura ku, ita ku aisu
(Profunda dor, privação, angústia)
Oborete yuku ayausa ni tsuyaya ka sa ni hikarete yuku
(Por pouco não se afoga, sendo atraído pelo charme, você passa afastada)
Bara bara bara, nurezu no hana fukan Show Time koritsu jiiteki
(Rosa, rosa, rosa; hora do show da flor insensível que se consola na insolação)
Yura yura yura tarenagaseba munashiku natte koukai no hibi
(Lentamente descarga, tornando-se vazio, pesar de todos os dias)
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Agora guardando seu precioso baixo cuidadosamente dentro de um recipiente apropriado para o tal, Akira não pode evitar um sorriso de canto. Estava bastante interessante este novo trabalho deles. Esperava que a letra de Matsumoto falasse de algo feliz, que combinasse bem. De qualquer forma, havia feito sua parte. Se ele saberia aproveitar ou não, já era outra coisa. Dormiria em paz.
Não obstante aos pensamentos um pouco insensíveis, ele não resistiu. Levantou-se e caminhou cautelosamente até a janela da copa, de onde poderia ver Takanori com clareza. E assim o fez. Viu que o pequeno estava a escrever, um tanto entusiasmado... De vez em quando, fazia pausas para pensar em novas palavras, e logo as escrevia. Certa vez, até pegou o violão ao seu lado para refrescar a memória, tentando relembrar a melodia que os outros acabaram de criar, e botava novas palavras no papel. Em pouquíssimo tempo, já estava quase cheio e foi virado para trás, onde o loirinho continuou a escrever entusiasticamente. Era uma cena adorável de se ver.
“Ele aparenta estar feliz. É bom... E é bom saber que tive parte nisso.”
Com um pouco de esforço, apertou os olhos na tentativa de decifrar algumas palavras daquela caligrafia corrida. Viu apenas a primeira frase das costas da folha.
“Bara bara bara, nurezu no Hana fukan Show Time koritsu jiiteki”
Logo entendeu de que se tratava. Ou melhor, de quem.
“Flor insensível”. Não havia como ser mais direto, certamente. O resto da frase logo se encaixou ao contexto: estava descontando a raiva de Hana naquela letra. Ficou satisfeito com isso, talvez desse uma boa música mesmo. Uma aposta inconsequente de Uruha que deu certo... Muito certo.
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Bara bara bara, taeki ni bara chiru wa koyoi namida, nado nai
(Rosa, rosa, rosa; cai saliva na rosa, esta noite não vai ter lágrimas)
Bara bara bara, aishiteitai kimi yo kakokoro kaerazu no amai...
(Rosa, rosa, rosa; eu amei você, passado voltando para os doces...)
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Com o papel em mãos, o menor dos integrantes da banda lia atentamente seu trabalho. Depois de percorrer toda a extensão da folha, sorriu satisfeito. Estava ótima!
Começou, instintivamente a imaginar como ficaria depois de pronta, com todos tocando, com sua voz cantando. Imaginava cada pedacinho onde o timbre de sua voz mudava ou onde prolongava uma vogal.
Perfeita. Porém, havia um problema... Faltava um final. Estava incompleta, e era evidente. Tinha que ser algo provocativo, que chamasse a atenção, que desse um ar de rebeldia. Que insinuasse mudança, ousadia e algo mais. Mas seu estoque de sentimentos sobre Hana e Reita já estava completamente vazio, e consequentemente, sua raiva havia ido, também. Já estava pensando em conversar novamente com Akira quando entrasse, pra resolver aquilo tudo.
Em que estava pensando? Ah, já estava frio, e ele estava com um pouco de sono. Precisava acabar aquilo logo, antes do amanhecer. Só mais um parágrafo... Qualquer coisa... De que poderia falar?
Olhou para o violão negro ao seu lado. Quase que involuntariamente, lembrou-se de um emaranhado de cachos negros, tão longos... Que enquadravam perfeitamente um rosto delicado... O rosto de Reila.
Claro... Seria um bom jeito de terminar. Mas teria que ir mais a fundo... E ser um pouco mais dramático, claro. Já tinha uma ideia do que iria fazer. De todas as cenas que passou com a garota, uma se destacou em sua mente: o dia que viu, misteriosamente, o número doze na testa dela. Agora aquele número fazia total e completo sentido para ele.
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Amefuri no kayoubi, shikke ga hidoku kokochiyoi
(Terça chuvosa, me sinto bem na umidade)
Atarashii kanojo wa eegata kurumaisu izonshou
(Minha nova namorada é sangue A e depende de cadeira de rodas)
Kimi wa mukuchi, keppeki, jinketsu no kegare naki bara
(Você calada, meticulosa, uma rosa pura)
Juu-ni nin me no gisei ga denai koto wo hibi negaou.
(Peça todos os dias para não ser o sacrifício número 12)
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Sim. Era isso. Não tinha certeza sobre o tipo sanguíneo dela, mas “A” pareceu apropriado, por ser diferente do de Hana. Além disso, a parte que fala sobre a “cadeira de rodas” foi um pouco de humor negro que colocara ali. Hana sempre o dizia que ele era “muito avantajado” e que, dia mais dia menos, ela iria ter que usar uma cadeira de rodas para se locomover apropriadamente.
A frase seguinte, fez pensando no dia da festa. Riu-se quando notou o que havia escrito. “[...]Calada, meticulosa, uma rosa pura.”. De fato, ela era um amor quando quietinha. Mas quando começava a falar de Uruha, ele se enervava, e ela perdia tal meticulosidade. Achou aquela ideia um tanto ciumenta demais, mas ficou bem na letra e encaixou-se perfeitamente, então, resolveu que ali ficaria.
O último verso falava por si só. Após reler tudo pela sétima vez, resolveu que não tinha mais de onde pôr ou tirar, então apenas passou tudo a limpo em outra folha, pois a primeira estava toda rasurada e com a letra praticamente ilegível.
Ao terminar, contemplou seu trabalho. Só precisava de um título, o que não foi difícil de arrumar: a palavra passou por sua mente com facilidade. E numa letra cheia de floreios, rabiscou-o no topo do papel.
Assim, nasceu Zetsu.
Notas finais
- O Reita se preocupou com o chibi. Não sei porque achei isso tão fofo.
- O Kou, o Kai e o Yuu... Que dizer sobre esses três? Polígono Amoroso?
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