Reila
9 Acampamento no Quintal?
:: CAPÍTULO 09 – Acampamento no quintal? ::
Finalmente, Zetsu estava pronta, e Ruki não pode conter um sorriso satisfeito. Mas rapidamente, o sorriso foi substituído com um longo bocejo. Que horas já deveriam ser? Tarde, provavelmente. Desta forma, Takanori acabou por perder as esperanças de encontrar o colega de quarto acordado, então levantou-se e começou a recolher suas coisas.
Do outro lado do vidro da janela, sem que notasse, o guitarrista loiro sorriu. No fim das contas, apesar de estar nervoso... Quem não sorriria com a cena adorável daquele pequeno vocalista sonolento? Era fofo. Mais que isso... Era mordível.
“Mordível, ingerível e digerível”. – Pensava Uruha, maldosamente, enquanto se encaminhava para seu quarto antes que Matsumoto entrasse. Não queria ser descoberto como espião.
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Com passadas suaves como as de um gato selvagem atrás de sua presa, o vocalista adentrou seu quarto, carregando apenas um caderno e lápis, os deixando em cima da cômoda assim que teve oportunidade.
Fechou a porta silenciosamente e aproximou-se de Reita para verificar se não o havia despertado. E o baixista continuava dormindo, imóvel.
Apesar do frio, ele estava todo descoberto. Novamente, aquela cena fez o mais jovem sorrir, puxando o edredom com cautela sobre o corpo do outro e abandonando logo o lugar, antes que ficasse entorpecido com a visão outra vez.
Apressou-se em colocar o pijama alaranjado, deitando sob o cobertor e deixando que o sono tomasse conta de si, sem resistência.
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– Ru-chan... – Uma voz o chamava. Era delicada, docemente hipnotizante. Podia ficar o dia inteiro de olhos fechados, só ouvindo aquilo... Depois, algo passou entre seus fios alvos. Encolheu-se um pouco, aninhando-se no edredom. A voz insistiu. – Ruki... Vamos... – Sentiu um afundamento no colchão, onde supôs que alguém havia se sentado. As carícias na cabeça ficavam a cada momento mais deliciosas. Queria ficar ali, não só o dia todo, mas para sempre... Porém, a voz insistia. – Levanta... Já é tarde. – Mas ele não queria se mexer. E ficaram assim, ele e a outra pessoa, quietos. Sentia-se como um cachorrinho sendo afagado. Mais uns segundos e pôde sentir algo de textura levemente áspera tocando sua testa, deixando-a sutilmente molhada. – Não demora, tá?
Ao que sentiu o peso sair de sua cama e a cessão das carícias, resmungou algo em sinal de desaprovação, e depois abriu lentamente os olhos, o que foi suficiente rápido para observar Kouyou abandonando o quarto.
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Demorou um pouco para que saísse do dormitório, já completamente vestido e com o ânimo renovado, apesar da enorme vontade de dormir por mais algumas semanas à fio. Deparou-se com os outros quatro garotos sentados na mesa, esperando-o para o desjejum e se perguntou por quanto tempo os fez esperar. Sem notar, um leve sorriso invadiu seu semblante.
– Bom dia!
– Bom dia, preguiçoso! – Desejou Uruha. – Senta logo aí que eu estou com FO-ME. – A alegria em sua voz era refletida num semblante sorridente. Finalmente as coisas estavam voltando ao normal, pensou.
O recém-chegado obedeceu, sentando-se num lugar ao lado de Kai e de frente para Reita. Este primeiro cumprimentou-o sorridente, mas o segundo não fez muito caso da chegada do outro.
Da cabeceira da mesa, Kouyou não parava de distribuir sorrisos para quem quisesse, apesar de, no fundo, sentir-se levemente incomodado com o ânimo da conversa que os dois morenos ao seu lado estavam levando. Interrompia sempre que tinha chance de se inteirar do assunto.
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Terminado o desjejum, Reita foi o primeiro a sair da mesa, sem dizer nada. A verdade é que além do mau humor costumeiro, ele estava com sono. Isso só piorava as coisas. Resolveu que iria dormir, e tinha quase certeza de que ninguém o interromperia, já que mal olhavam para ele.
Caminhou lentamente para o quarto. Pensou em trocar de roupa, mas realmente estava cansado, sem ao menos saber o motivo. E sua cabeça doía, girava e rodava. Estaria ficando doente?
Sentou-se na cama. Da mesinha ao lado, retirou uma caixinha pequena, e de dentro desta, dois comprimidos relativamente grandes. Um copo d’água que ali se encontrava o auxiliou na ingestão do analgésico. Então, largou tudo de lado, jogou-se de qualquer forma na cama e deixou-se levar pelo sono.
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– Mais rápido, Ue-chan! – Um garotinho de aproximadamente seis anos corria em um campo aberto. Atrás dele, outro menino, notavelmente maior, tentava inutilmente alcançá-lo. Na frente de ambos, uma garotinha com longos cabelos negros trançados e enlaçados também corria, muito mais rápida que os dois. Segurava um certo pedaço de papel.
– Vocês dois são muito lentos! – Gritou ela, entre risinhos.
O garoto maior já não aguentava mais e deixou-se cair de joelhos, ofegante. Assim que notou, o menor parou, deu meia volta e, ao chegar onde o outro despenhara, ajoelhou-se ao seu lado. A menina, porém, nada viu neste momento.
– Ue-chan, você tá bem?
– Eu... – O ar lhe faltava e ele falava lentamente. – Eu estou cansado demais, Taka... A Akane corre muito! – Concluiu.
– Hm, se você quiser, eu vou atrás dela pra você, Akira. – Falou Takanori, um belo sorriso adorável adornando o semblante infantil. O sorriso foi prontamente retribuído.
– Tudo bem, deixa pra lá... Um dia ela vai voltar. Sempre volta...
– Neste caso... – O menor sentou-se no chão pesadamente, esticando as pernas. O maior deixou-se tombar completamente na grama, deitando do jeito que caiu. Takanori sorriu divertido, puxando cuidadosamente o amigo para que apoiasse a cabeça em suas pernas.
– Por que a Aka-chan sempre faz isso? – Perguntou Reita, distraidamente. Ruki começou a passar a mão entre seus fios de cabelo escuro, observando aquela face tão amigavelmente conhecida.
– Eu acho que ela gosta de você, Aki. – Respondeu, em tom notavelmente triste.
– Mas eu não gosto dela. É chata e implicante. Gosto de você, Taka-chan. – Disse, inocentemente. Os dois meninos passavam muito tempo juntos, e Akane vivia se intrometendo na vida deles. Os pais achavam bonitinhos os três brincando juntos e incentivavam a amizade. Matsumoto não tinha nada contra a menina, mas Suzuki não gostava nem um pouco dela.
– Deveria ser mais paciente. É só o jeito dela. – Continuava acariciando os cabelos suntuosos do colega, num ato de puro carinho. E assim ficaram por muito tempo, tanto que nem notaram quando Akane se aproximou deles, sentando-se cuidadosamente e ajeitando o vestido que usava.
– Taka-chan, Ue-chan... Estão bem? – Na mesma hora que notou a presença dela, Reita levantou-se, ignorando totalmente a mão de Takanori que continuava sobre si. Corou levemente. Foi o menor quem respondeu, quase com um resmungo.
– Sim, Akane... Mas você poderia, por favor, devolver “a coisa” do Aki? – Disse, em tom cansado. Esteve esse tempo todo correndo atrás da menina sem nem saber o que queria pegar: Suzuki recusou-se a contar.
– Só se ele prometer que se casa comigo! – Esse tipo de coisa ficava cada vez mais comum. O pobre garoto apenas corou mais e mais.
Ao notar o que conseguiu fazer com ele, Akane sorriu. Aproveitando-se da distração dela, num golpe ágil, Ruki tomou o papel de suas mãos e saiu correndo. Não parou para nada, até que viu uma árvore. Ela era uma garota ágil e forte, mas havia uma coisa que ele fazia e ela não: escalar. E assim, foi subindo de galho em galho, até estar bastante afastado do chão.
Sentou-se em um ponto suficientemente forte, buscando por ar. Segundos depois, com a respiração normalizada, foi ver o papel que tinha em mãos... Finalmente ia descobrir o que era.
Ficou um pouco chocado com o que viu. O papel que o amigo andava para todos os lugares era nada menos que uma foto deles dois, completamente sujos de bolo de chocolate e com sorrisos que atravessavam o rosto inteiro. E Reita ainda pôde ver, mesmo que de longe, um sorriso semelhante ao da fotografia reproduzir-se no rosto do amigo na hora que mirou a imagem, enquanto Akane gritava por ele do chão.
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O baixista acordou, sem notar que estava sorrindo. Mais que um sonho, aquilo era lembrança de um dia que já havia há muito sido apagado de sua memória. O que significava aquilo?
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– Kai-chan... – Chamou Uruha, manhosamente. Estavam os dois guitarristas e o baixista assistindo televisão, até então.
– Fala, Shima... – Respondeu, sorrindo. Yuu apenas revirou os olhos.
– Já podemos ir lá para fora, olhe... – E assim, o loiro apontou para a janela. O sol estava se pondo e o chão não parecia mais tão molhado. Kai sorriu, levantando-se num salto, parecendo uma criança que ganha um brinquedo novo. Kouyou apenas sorriu de volta.
– Que bom, que bom! Aoi-san, vamos pegar nossas coisas! – Dizendo isso, Uke pegou a mão direita do outro moreno sem aviso prévio, puxando-o com força antes que tivesse tempo de reagir. E o sorriso do loiro desapareceu no mesmo instante que o de Shiroyama surgiu.
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Decidindo que ficar pensando não levaria a nada, Reita levantou-se da cama. Talvez comer alguma coisa e praticar baixo seria a melhor forma de se distrair.
Saiu do quarto lentamente, já esperando encontrar Uruha na cozinha... Mas não foi isso que viu. O que viu foram quatro “crianças felizes” carregando, praticamente, a casa inteira para o quintal. Antes que pudesse parar para se perguntar o porquê daquilo, Kouyou o interceptou, munido de um saco de dormir.
– Reita-kun, nós vamos todos acampar lá fora hoje, e isso não foi uma pergunta. Kai-chan se perdeu ontem por conta disso e não vamos decepcioná-lo. – E terminando, saiu da casa, não dando espaço para respostas.
Sutilmente confuso, o baixista continuou seu percurso até a cozinha, onde, não sabia se para sua felicidade ou tristeza, encontrou Takanori tentando alcançar uma prateleira alta, sem sucesso. Ficou por um tempo apenas observando, sem ser notado.
Ruki se esticava por completo, nas postas dos pés, tentando alcançar uma caixa fina e retangular. Já estava quase desistindo quando sentiu algo atrás de si, encostando-se no seu corpo e esticando um braço forte ao lado de sua cabeça. Gelou. Conhecia aquele braço, e mais que isso, conhecia o dono do mesmo. Logo, o braço abaixava em sua direção, carregando na mão a caixa que ele tanto lutou para alcançar. Segurou-a firmemente, abaixando o olhar para ela.
– Obrigado... Ue-chan. – Disse, timidamente. Reita, por trás dele, ficou levemente surpreso. Ouvir o apelido infantil daqueles lábios já tão crescidos era estranho... Sorriu levemente, tendo a certeza de que não era notado, e afastou-se, já esquecendo que queria algo pra comer. Apenas voltou para o quarto a passos lentos.
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– Kai-chan... – Chamou Yuu, vitorioso, enquanto mexia e remexia nas coisas de seu guarda-roupa. Chamar o baterista por um apelido tão íntimo era incomum... Mas muito prazeroso. Além disso, Yutaka vinha o tratando estranhamente... Era bom ter o companheiro tão envolvido em algo. Pelo jeito, isso o fez esquecer o incidente da outra noite.
– Algo errado, Yuu? – Disse o baterista prontamente, sorrindo. Era realmente uma criançona... E que criança.
– Etto... Onde estão nossas barracas?
– Em algum lugar por ali... – E apontou uma gaveta próxima a um monte de coisas que Aoi estava juntando. Imediatamente, soltou uma prolongada risada.
– Ei, por que tá rindo? – O guitarrista perguntou, fazendo cara de falsa indignação.
– Você vai pro outro lado do mundo ou para seu quintal? – Respondeu, apontando para o monte de coisas de Shiroyama.
– Ah, é sempre bom prevenir... Não quero ficar entrando e saindo de casa a noite toda, é melhor já levar tudo.
– Pois eu duvido que, mesmo levando tudo isso, você não esquecerá de nada e então vai querer entrar várias vezes.
– E eu duvido que você vá conseguir dormir lá fora a noite toda... No frio... – Desafiou.
Agora foi a vez de Yutaka surpreender-se.
– Muito bem, então. Se algum de nós entrar, este perderá a aposta.
– Certo. Mas... O que estamos apostando? – Um momento de profundo silêncio foi o que seguiu. Foi o próprio Aoi quem continuou, sugerindo algo que lhe pareceu conveniente. – Que tal se o perdedor tiver que acatar alguma ordem do vencedor?
– Hum... Por mim está bom. – E terminando, sorriu largamente e continuou a socar algumas coisas numa bolsa, enquanto o mais velho apenas imaginava todas as coisas que poderia pedir para o outro no caso de vencer. E com certeza venceria.
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