Reila

24 Porque eu...


:: CAPÍTULO 24 — Porque eu... ::


A casa estava em profundo silêncio quando Akira resolveu entrar. A fome o abatera e esqueceu um item essencial em casa: o mágico e sempre bem-vindo cartão de crédito. Pior que isso: não estava em suas coisas. O último lugar no qual o viu... Fora no quarto de Uruha, no curto período em que o dividiram. No dia que saiu de lá apressadamente, provavelmente o deixou cair.

Como a casa parecia vazia, encaminhou-se até a porta desejada e a abriu sem prévia permissão. Mas a casa não estava vazia, e o dono do quarto permanecia num canto da cama em posição fetal, os olhos vermelhos e os lábios comprimidos num bico, formando um conjunto digno de dó.

O baixista adentrou, tentando manter-se alheio a situação, mas o olhar opaco de Kouyou parecia o perseguir, mesmo que ele soubesse que isso não era verdade.

– O que foi? – Perguntou, procurando não expressar a preocupação que de fato sentia enquanto revirava uma gaveta em busca de seu cartão. Não demorou a achá-lo do jeito que se lembrava da última vez. Esperava uma resposta da voz embargada do colega, que nunca chegou.

Virou-se para o maior que continuava concentrado em observar algo que Reita não via. E aquela cena, por mais que ainda estivesse com raiva de Takashima, cortou-lhe o coração. Ele podia ser o doido-maníaco-pervertido, mas era só o jeito dele, no fim.

– Ei, Kou... – Aproximou-se, sentando perto dele. – Sabe... Você devia logo se declarar pro Aoi. É a coisa certa a fazer... Kai e ele estão sofrendo. Converse com Kai, diz que você gosta do Yuu... E se declara pro que tem a bunda mais bonita, oras. – E sorriu, passando as mãos entre as madeixas loiras do outro num ato carinhoso.

– Olha quem fala... – A voz veio subitamente, num tom baixo e oscilante. – Por que o machão aí não vai se declarar pro Takanori também?

– Não... Não vale a pena, Kou. Ele está...

– Ele está no quarto de vocês agora, sangrando mais que um pato atropelado porque a Reila jogou um copo de vidro nele, e...

– O QUE A VADIA FEZ AGORA? – A pergunta fora mais retórica do que direcionada a Uruha, e não demorou nem mais um segundo para que Suzuki saísse do quarto correndo para ver o que acontecera.

A porta do quarto que outrora lhe pertencia não estava trancada, então rapidamente adentrou. Deparou-se com um Takanori aparentemente adormecido deitado na cama de frente para a porta.

O segundo ponto que lhe chamou a atenção foram as manchas de sangue por toda a parede, que se pareciam com letras. Passou os olhos por elas apressadamente, absorvendo pouco de seu significado, mas o suficiente para que sentisse os olhos arderem. E novamente, fitou o pequeno na cama. Não conteve o ímpeto de correr até ele e abraçá-lo com todas as forças que reuniu antes de permitir que as lágrimas caíssem silenciosas de seus olhos.

Ele estava sendo um idiota... Ruki gostava de Reila. E aparentemente, era gostAVA mesmo, a conjugação correta do verbo. Nunca havia parado para pensar, de fato, que o que fazia o estava chateando. Não sabia bem o motivo, mas para ele era claro como a água que Yamaguro não prestava. Ou será que ele ainda estava mais traumatizado que Takanori desde o incidente com Hana e virara um ginecofóbico? No fim ele só não queria vê-lo sofrer, mas... Foi a causa e parte do sofrimento. Se ao menos o tivesse apoiado ou sido menos duro...

Para sua surpresa, fracamente, dois braços finos circundaram sua cintura.

– Reita...

– Não... Ruki, não fala nada... E-eu... Sinto muito... Eu estava sendo tão...

– Egoísta... Idiota... Mal educado... – Completou o menor, sorrindo de leve. – Eu também não fui muito legal... – O menor tentou exercer um pouco mais de força sobre o abraço, mas não muita. Ainda estava meio zonzo. O machucado em si não era grave, mas cheiro de sangue o nauseava.

O baixista lembrou-se do motivo de estar ali e afastou-se do amigo, notando a camisa manchada pelo fluido vermelho em alguns pontos.

– Taka, você está...! Vamos, vamos fazer um curativo... Agora... E vai ficar tudo... Tudo bem... Não vai? – As lágrimas vinham cada vez em torrentes mais fortes ao ver o menor tão machucado. Este, por sua vez, apenas aproximou-se do rosto do maior, beijando-lhe a face.

– Vai sim, Aki. Vai... – Mais um sorriso sincero foi exposto nos lábios do vocalista enquanto cuidadosamente Akira o pegava no colo.

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– Kai... – Uruha se aproximou do moreno, que fumava na varanda no mesmo lugar em que Yuu geralmente ficava. Os olhos ainda estavam vermelhos, mas não chorava mais. – Eu preciso conversar com você.

O baterista virou-se devagar na direção de onde vinha a voz do amado e passou a observá-lo com o olhar meio opaco.

– Hm. – Limitou sua resposta a um som que denotaria que estava ouvindo.

– Yutaka... Eu... – Encheu-se de coragem antes de prosseguir e as palavras saíram numa rajada. – EuamooYuu.

– Você...? – Kouyou notou que falou muito rápido, mas esperava que Uke tivesse entendido só para não precisar repetir.

– Eu amo Shiroyama Yuu. E sinto muito pelo que fiz com você, não queria te magoar, mas... Eu realmente pensei que eu gostasse de você, e...

– Shiu... Não precisa se desculpar. Foi ótimo, e... – O baterista abriu um extenso sorriso, segurando veemente as lágrimas. – E... O Yuu também te ama, não é? Você devia mesmo ir falar com ele...

– Yukkun... Eu...

– Vá falar com Shiroyama. Mas... Você tem que me prometer uma coisa antes.

– O quê...?

– Vocês dois... Têm que ser muito felizes juntos. – O mais alto sorriu e abraçou Uke carinhosamente, depositando um beijo em sua bochecha rosada.

– Obrigado... Yukkun.

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Depositou com cuidado o mais baixo sentado em cima da pia e umedeceu a primeira toalha que viu, passando-a sobre o ferimento na testa de Ruki e obtendo uma careta em protesto.

– Tá doendo muito? – Perguntou o maior, já sabendo a resposta. A verdade é que ambos não sabiam mais o que dizer ou fazer àquela altura.

– Um pouco...

Os movimentos de Akira passaram a ser mais sutis, limpando-o em silêncio.

– Obrigado. – Falou de repente o vocalista.

– Por... – Antes de poder terminar a pergunta, o baixista fora surpreendido. Takanori circundou sua cintura com as pernas, trazendo-o para perto de si e rapidamente tomando seus lábios num beijo sutil, antes que o mesmo tivesse tempo para protestar. Não que o fosse fazer.

Separou o contato tão repentinamente como quando o fizera, vendo um adorável sorriso no rosto do maior, que o abraçava. Talvez Takashima estivesse certo sobre tudo... Com toda sua tramóia para fazer dois garotos muito orgulhosos assumirem que se gostavam. Fizera um bom trabalho.

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– Posso entrar? – Pediu Kouyou ao bater na porta do quarto de Shiroyama, e, entretanto, não esperou a resposta e já foi entrando, dirigindo-se para a cama onde o moreno permanecia sentado, sem fazer nada aparente.

Sem cerimônias, sentou-se no colo do mais baixo, de frente para ele e beijou-o sem pensar. E o moreno, surpreso, apenas repeliu o loiro, empurrando o peito dele com as mãos espalmadas contra o mesmo.

– O que você pensa que está fazendo? Acha que eu, Kai e todos os outros somos seus brinquedinhos?! – Esbravejou.

– Yuu... – Inclinou seu corpo contra o tronco de Aoi, vendo-o recuar até bater com as costas na cabeceira da cama. Passou sutilmente as pontas dos dedos pelo rosto corado do companheiro de instrumento, fitando seus olhos negros. – Eu te amo.

Desta vez, o beijo não foi repelido. Agora Yuu estava preocupado em sentir todo o corpo do qual sentira tanta falta nas horas decorrentes.

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Com a respiração descompassada e os lábios vermelhos, Ruki e Reita saíam do banheiro de mãos dadas, o menor ainda meio cambaleante. Iam indo em direção ao quarto quando avistaram Kai sozinho na varanda e a porta da frente aberta. Akira sorriu.

Já estavam entrando no próprio dormitório quando um gemido lânguido se fez presente: não tinha forma, era apenas um gemido. Mas a voz, logo reconheceram. E sabiam de onde ele vinha e quem mais estava dentro daquele quarto. O baixista desatou a rir, seguido por Matsumoto.

– Haha... Parece que eu vou ter que mudar de quarto de novo... Tem espaço lá no seu quarto pra mim, Ruki?

O menor sorriu. Aquela era uma pergunta que nem precisava ser feita... Sempre haveria lugar para o maior ali. O quarto sempre fora dos dois e era bom ter as coisas de volta cada uma em seu lugar.

– Claro que tem um espacinho... E, aliás, Aki... O que pretende fazer nos nove dias de férias que ainda temos? – E sorriu, malicioso. Ainda teria que se acostumar com a ideia de gostar de um homem, mas se esses nove dias não fossem suficientes para descobrir se era isso que queria... Ainda teria tempo. Sem pressa desta vez.

Notas finais
N/A:... Bem... Agora que está tudo bem, aqui está a resposta que todos queriam: o Aoi só achava um abuso de vontade o doido comer todo mundo -s Enfim, enfim... Não irei enrolar muito nessas notas. Estou nostálgica. Só falta um capítulo... E eu nem gosto desse final. Lendo ele, parece que foi um desvio DO NADA para a fic virar um yaoi sem vergonha, quando não foi. Estudei um bocado pra fazer essa fic... Note que TODA a música Reila se encaixa, por exemplo, em toda a situação Ruki/Reila quanto Ruki/Reita. Colocar isso tudo no papel deu trabalho, pra no fim, não me satisfazer. Mas enfim, enfim... As long as you enjoy it... 3161 leitores. Obrigada mesmo! E, só pra quem não sabe (como eu não sabia...): ginecofóbica é uma pessoa com fobia de mulheres. Aliás... SHOW DE VERSAILLES EM SP, AEAEAEAEAEAE!!! [/surto]