Reila
25 Eu te Amo
Notas iniciais
:: CAPÍTULO 25 — Eu te amo ::
As férias, agora que parava pra pensar, pareciam tempos longínquos. Neste momento, quase dois meses depois, Ruki só pensava em quando conseguiria tirar férias mais uma vez.
– Kai-chi... Eu e o Aki podemos sair mais cedo hoje? – O loiro menor fez uma adorável cara de pedinte para o baterista que o ameaçava com as baquetas.
– Mas nós temos que ensaiar ainda! Depois de amanhã vamos gravar o PV de Zetsu e você ainda está desafinando um monte, Takanori! Devia se dedicar mais!
– Iihh... – Interrompeu Uruha em tom engraçado. – Pelo jeito o Miyavi não está mais satisfazendo nosso Ukezinho... Foi mal-comido, é? – Após essa fala, teve que se esforçar para fugir da baqueta que voou em sua direção. Esquivou da primeira, mas a segunda foi fatal: no meio da testa.
– Ah Kai, eu juro que me esforço mais... Eu nem preciso cantar no PV, é só fingir! Se bem que não é culpa minha se uma certa pessoa resolveu mudar todos os arranjes na última hora.
– Nem vem botando a culpa em mim! – Pronunciou-se Aoi, sentindo sua cintura ser circundada pelo par de braços de seu namorado.
– Isso mesmo chibi, a culpa não é do meu Yuu chato e perfeccionista se você não consegue fazer um bom arranjo de guitarra, oras...
Todos caíram no riso.
– Tudo bem, tudo bem. – Respondeu o líder. – Vocês podem ir embora agora. Mas... Posso saber o motivo?
– O Reita alugou um quarto naquele motel, e... – Começou Aoi em tom safado quando sentiu uma chuva de paletas lançadas contra si, e vinham da direção onde se encontrava Akira.
– Você está estragando a surpresa, Shiroyama! – Pronunciou-se Suzuki, e mais uma vez caíram no riso. O baixista prosseguiu. – Besta... Nós vamos a um show agora.
– Boa sorte... Está chovendo um bocado... – Acrescentou o guitarrista menor, que beijava o local onde o loiro fora atingido pela baqueta.
– É... E esse chibi teimoso nem quis pegar a blusa dele... Eu avisei, eu avisei... – Reita deu um soco delicado na cabeça do menor, que riu docemente.
– Ah, Akiiii... Não faz assim... Judiando de crianças, poxa vida...
– Eu sei que você gosta, seu masoquista dos infernos... Vamos... – E jogou seu casaco para Matsumoto. – Pega o meu, não estou com frio. – Terminando, segurou a mão do mais baixo e despediu-se de todos, mas antes que pudesse sair, foi interceptado por seu líder:
– Akira, você vai na frente... Eu preciso conversar com Takanori em particular.
– Eh? Olha que eu fico com ciúmes assim...
– Deixa de ser bobão e vai ver se alguém te empresta um guarda-chuva, vai... O Shou é um menino legal, vai procurar ele. – Retrucou o moreno enquanto empurrava Reita para fora.
– Mas o Kohara nem veio hoje! – Protestou o loiro, segurando a faixa de seu nariz que caía. Mas já era tarde: fora trancado no exterior da sala e tudo que pôde ouvir foram risinhos vindos do namorado.
– Vamos, Ruki. – Falou o baterista, adquirindo um semblante sério. – Ali no cantinho. – Indicou um lugar arás de sua bateria, longe dos guitarristas que permaneciam na sala. Uruha ainda soltou um comentário venenoso que foi ignorado.
– Então... Qual o motivo para tanto mistério, Yukkun?
– Eu estive pensando, Ru-chan... Você... Se lembra daquela música que tinha escrito na parede de seu quarto? – Uke temia reviver esse assunto, mas realmente queria fazer um pedido.
Enquanto isso, Takanori lembrou-se não dos dias dolorosos em que escreveu aquelas coisas, e sim do dia que ele e Suzuki compraram uma lata de tinta num tom verde tranquilo e os cinco integrantes do GazettE fizeram uma verdadeira bagunça para pintar as paredes irritantemente alvas do quarto. Isso aconteceu dois dias depois de sua briga com Reila, pois no dia anterior, Akira fora visitar os pais para dizer que não iria mais voltar para casa enquanto o vocalista e Takashima foram ao hospital juntos. As enfermeiras ficaram horrorizadas: não pelos machucados do menor, mas pelas coisas indecentes que o guitarrista dizia em corredores cheios de crianças e idosos.
– Sim... Eu lembro.
– Sabe... Eu... – Estava meio embaraçado. – Eu a anotei antes de pintarmos a parede, no dia que você, o Aki e o Shima saíram. Ela daria uma ótima música... Fico me perguntando se você ficaria muito bravo se tentássemos gravá-la, pra ver como fica...
– Reila? – intrometeu-se Uruha, que apesar dos apelos de Aoi, ficou ouvindo a conversa. – Bah... A gente vai ter que mudar o nome para Reita, e nosso empresário nunca vai deixar... – Ia continuar o comentário, mas levou um beliscão na nádega que o impediu.
– Não... – Continuou Matsumoto. – Reila. Quero que se chame Reila... É minha música para ela. – Sorriu.
– Será que Akira não vai ficar meio...? – Começou Shiroyama, já pronto para dar outro beliscão no mais alto, se necessário.
– Fora de controle? Se ficar a gente dá uns “kung-fus” no meio da cara dele, AIÁÁÁÁ!!! – Kouyou continuava zombando da situação, dessa vez arrancando risos até do namorado que estava tentando contê-lo. Escapara do beliscão pela boa piada.
– Seus doidos... – Sibilou Takanori. – Enfim, depois a gente acerta isso, okkei? Se não correr vou me atrasar... Beijos aí, lindinhos do papai! – Deu uma piscadela e disparou pelos corredores do prédio da PS Company.
O silêncio caiu por um instante.
– Bem... – Começou Yutaka. – Acho que não dá pra continuar sem vocalista e baixista... Vou no estúdio de cima ver se o Meev tá ocupado...
– Sabe, Yukkun. – Começou Uruha. – Eu sei que agora eu me mudei pro quarto do Yuu e você ficou com o quarto do meio só pra você, mas... É muita crueldade você ficar tentando esconder o Takamasa-senpai em baixo da cama todos os dias!
O riso ecoava por todo lugar, nem um traço de clima pesado fazia-se presente entre aqueles três desde o fim das férias. Aquelas férias deveriam ser esquecidas.
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– Se corrermos juntos o estrago deve ser menor... – Comentou Reita, observando a chuva da porta da gravadora.
– Mas... E minha maquiagem... Vai derreter e eu demorei tanto pra ficar bonito e gostoso...
– Haha, não precisa de maquiagem pra isso, besta... E também... Ninguém mandou ser tão vaidoso, un. – Completou o maior, estendendo a jaqueta por cima da cabeça de ambos da melhor forma que podia.
– Tá bom, tá bom... No carro eu retoco... Então... Um... Dois... TRÊS! – Ambos saíram correndo em direção a um carro não muito distante na calçada. Suzuki apertou um botão em um pequeno controle, fazendo com que os faróis piscassem e as portas destravassem. Takanori foi o primeiro a adentrar o veículo no lado do passageiro.
Alguns segundos depois e Reita já surgia pela outra porta, jogando a blusa molhada no banco de trás e retirando pequenos panos do porta-luvas, oferecendo um para o mais novo.
Secaram as mãos e os rostos, e logo, foi dada a partida no carro.
– Ru-chan, você pegou os ingressos, né? – Não podia se lembrar disso, ainda mais com todos os vidros do carro fechados e o perfume viciante de Takanori o inebriando. Aquele sempre seria um dos melhores presentes que pôde ter a ideia de dar ao mais novo.
– Hm, vou conferir. – O menor abriu o porta-luvas e retirou de lá dois envelopes. Abriu o menor deles e pegou dois ingressos, onde pôde ler “Apresentação excepcional dos Sex Pistols, dia 24/04 em...”. Nem terminou de ler, convencido de que se tratava do que procurava. Fitou o outro envelope.
– Então, trouxe? Não vai dizer que esqueceu? – Indagou o mais velho, freando suavemente ao notar um farol vermelho logo adiante.
– Trouxe sim, mas... Koi... A gente pode passar no correio? Eu tenho que colocar essa carta...
– Não pode ser outro dia?
– Não... É importante. E é rapidinho, eu prometo... Por favooooooor! – Implorou, fazendo biquinho e sabendo que Suzuki não resistiria.
– Ah, tudo bem... Você ganhou. – Essas palavras fizeram o menor sorrir enquanto o semáforo mudava para verde, atraindo a atenção do loiro maior para o trânsito.
Enquanto ajeitava certo colar em seu pescoço em um ato automático, Ruki voltou seu olhar para a janela embaçada, vendo a água cair e as formas deformes de luzes borradas através do vidro encharcado. Em janeiro chovera bastante, também.
A carta que mantinha em seu colo desejava um feliz aniversário para uma amiga ocupada com quem ele não conversava pessoalmente há tempos, mas correspondiam-se por carta quase sempre que possível. E dentro desta, além dos desejos de felicidades, havia vários chaveiros. Porque toda vez que via um chaveirinho bonitinho, comprava-o, pois invariavelmente, todos o lembravam de Reila. E dia 24/04, dia que ele tanto esperou, além de ser o grande dia do grande show, era aniversário da morena. Passou novamente os dedos pelo colar que a garota o dera em seu próprio aniversário.
Esses pensamentos lhe pareceram engraçados. Desde bem pequeno, sempre pensou que Akira se casaria com Akane e que ele acharia em sua vida uma moça que o respeitaria, cuidaria dele e o amaria incondicionalmente, com a qual também se casaria, teria filhos e os criaria numa pequena casa afastada da agitação da cidade. E para a sua maior surpresa, achara a felicidade em seu melhor amigo de infância. Indagara-se por onde andava Akane agora; a última vez que a viu provavelmente fora em seu aniversário. Ligaria para ela assim que tivessem um tempo para respirar; Kai estava sendo realmente malvado ultimamente. Isso provavelmente se devia ao motivo de ele querer passar a maior parte de sua vida dentro da gravadora, onde havia possibilidade de encontrar uma certa girafa de cabelos multicoloridos andando pelos corredores.
– Taka! – Chamou Reita, pela quarta vez. – Acorda! A gente chegou, koi...
– Hã? – Perguntou Matsumoto, desnorteado, e até então imerso em seus devaneios sem sentido.
– É sim... Você nem viu quando a gente passou no correio, bobão! Pensei que tava dormindo... – O menor sorriu.
– Desculpa...
– Vamos descer logo do carro... A chuva diminuiu um pouco, dá pra chegar lá dentro sem se molhar muito.
– Ok. – O menor saiu do carro, batendo a porta e assistindo Akira fechar as travas e verificar se estavam corretamente trancadas enquanto rodeava o carro, aproximando-se do mais alto e lhe agarrando pela cintura sob a garoa fina.
– Eu te amo muitão, tá, Rei? – E sorriu quando o mais velho passou a mão sobre seu ombro, trazendo-o para mais perto.
– Eu também te amo, chibi. – E continuaram com a caminhada tranquila até a entrada do ginásio onde seria realizado o show.
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