Reila
6 O verdadeiro presente
:: CAPÍTULO 06 — O verdadeiro presente ::
Agora o manto noturno cobria o céu pontilhado de brilhinhos, que eram a única luz no ambiente, uma vez que a lua recolhera sua beleza naquela noite.
O último dos convidados saia pela porta de entrada carregando em uma das mãos um generoso pedaço de bolo, e na outra, uma garota loira completamente embriagada.
– Desculpa a confusão, Kai! – Dizia o homem sorrindo para o moreno, que estava segurando a porta para que ele passasse.
– Tudo bem... Isso é típico da Aka-chan mesmo. Não estamos surpresos. – Concluiu, sorrindo adoravelmente. A garota, por sua vez, cantava uma canção incompreensível. À medida que eles iam se afastando, o terrível som ia ficando abafado, mas antes de fechar a porta, Yutaka ainda ouviu a garota gritando de forma ritmada, e ainda considerou que aquilo definitivamente não poderia ser chamado de “música”.
– Reitaaaaaaa, Reita..... Whaaaaaah!
Diante disso, o baterista começou a rir ainda mais e fechou a porta. Quando olhou para trás, já dentro da casa, encontrou Aoi limpando a mesa onde uma vez estivera o enorme bolo.
– A Aka-chan não muda, não é mesmo?
– Nunca passei muito tempo falando com ela, mas ela parece um pouco... Excêntrica, por assim dizer.
Ruki estava sentado em cima do balcão da cozinha ao lado de um prato cheio de brigadeiro, e a cada segundo, manducava mais um. Parecia uma criança balançando as pernas ali em cima. Estava com a cara toda suja.
– Bem... – Entrou ele na conversa. – Desde que éramos pequenos, a Aka-chan adorava encher o saco do Reita. Perdi a conta das vezes que ela tentou agarrá-lo. É uma tarada, devia abrir um bordel junto com o Uruha.
– Amiguinhas de infância, claro. – Zombou Yuu. – Isso nunca dá certo. Ou se casam, ou se odeiam. No caso de Akira, bem... Ele não parece ir muito com a cara dela.
– Implicar com ele é seu passatempo preferido, e ficar completamente bêbada pra fazê-lo, sua marca registrada. Se bem que ela não precisa estar bêbada pra deixar o Aki doidinho. – Proferiu Uke, agora caminhando até onde Shiroyama estava a limpar.
– Mas eu a ouvi cantando. – Interrompeu o vocalista. – Acho que vou me aposentar e colocar ela no meu lugar...
– Se aposentar com 15 aninhos, Taka? – Kai zombou.
– Vinte e seis, obrigado. – Respondeu nervosinho.
– Olhando pra você aí todo sujinho de chocolate com essa carinha... Eu te dava uns.... Doze, no máximo. – E os dois morenos desataram a rir diante do bico adorável do menor.
– Nah, seus bobos... – E ao falar isso, saltou do balcão para o chão. – Vou pro meu quarto. – E de cara amarrada, seguiu o caminho.
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Ao entrar no quarto, o chibi pôde avistar Reita, ainda perdido nos devaneios (ou então a bebida começou a fazer efeito, pensava). Inicialmente, não falou com ele nem nada, a fim de provocá-lo. Sentou-se em sua cama, e lá ficou.
Mas com o tempo notou que desde que entrara o amigo nem havia se mexeido, e parecia extremamente melancólico olhando para o nada. Sentiu-se idiota por ser vencido por algo que mais parecia uma estátua de pedra, mas mesmo assim, Takanori levantou-se de sua cama e foi até o leito vizinho, sentando-se bem na ponta, próximo ao loiro maior. Ainda parecia nem ter sido notado, então encostou levemente a mão no ombro do outro, chamando-o baixinho.
– Aki-chan... – Em resposta, o mesmo virou levemente o rosto em direção ao menor, mas seu olhar ainda era distante e opaco: definitivamente não estava prestando atenção. –Você tá bem? – Continuou Ruki, sem obter resposta. Tentou de novo. – Akira, você está bem? – Nada...
O pequeno abaixou a cabeça e, ao ver que não conseguiria coisa nenhuma, levantou-se. O baixista se deitou e cobriu todo o corpo (inclusive a cabeça) com o edredom desajeitado que estava em sua cama, outrora arrumada pelo loirinho. Este, por sua vez, apenas observou por uns instantes... Afinal, o que ele tinha? Odiava admitir, mas lhe machucava ver o amigo daquele jeito... Mesmo assim, achou melhor deixá-lo sozinho, e cuidadosamente, sem fazer ruídos, abandonou o quarto.
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Viram Ruki fechar a porta do quarto ao entrar no mesmo. Assim, o baterista resolveu ajudar Yuu na limpeza da mesa.
– O pessoal fez uma bela sujeira aqui, huh? – Disse o guitarrista, para quebrar o silêncio.
– Com certeza... Não quero nem ver a cara do Uruha quando vir isso. Por falar nele... Onde ele está?
Shiroyama respondeu, meio sem graça, virando o rosto para não encarar o outro:
– Acho que está no quarto. Talvez não esteja muito bem...
– Hmmm... – E ambos continuaram a limpar as coisas, quietamente. Aoi não ousava mais falar... Até que puderam ouvir um “clique”, que reconheceram como o barulho da porta do quarto de Takanori, e o mesmo saia de lá agora. Ainda estava com a cara toda lambuzada de brigadeiro, salpicada com alguns granulados. Provavelmente nem se dera conta diante da cena que presenciou há pouco.
– Etto... Vocês viram o Kou? – Proferiu num tom de evidente tristeza, provocando mais uma pequena crise em Yuu, que esfregava a mesa com mais força, de olhos fixos nela.
– Tá no quarto. – Respondeu Yutaka com simplicidade.
Sem mais explicações, o loiro se dirigiu até a porta de Uruha, dando umas batidinhas tímidas. Nada. Bateu de novo, e a porta abriu por consequência da força que exercera: não estava fechada direito. O vocalista adentrou o quarto e encontrou Kouyou sentado na cama, olhando os pés.
– Erm... Kou? – Takashima desviou o olhar rapidamente para o vocalista, que prosseguiu. – Posso falar com você um minuto?
– Claro Taka, senta aqui. – Respondeu, esboçando um sorriso triste e apontando um lugar ao seu lado. O menor sentou-se com os pés em cima da cama, virado para Takashima, o que fez com que o guitarrista fizesse o mesmo para observá-lo. Assim pôde ver a cara dele toda suja, e passou um dedo lentamente por sua bochecha, colocando-o, em seguida, dentro da boca. Depois comentou:
– Você tá parecendo um bebezão cheio de brigadeiro no rosto, Taka. – E sorriu, novamente, um sorriso vazio. O menor então notou que havia algo errado.
– Kou, você tá bem?
– Ah tô sim...
– Ok, então vai limpar a casa. – Ao dizer isso, o mais alto se deitou gemendo no colo do outro.
– OOOOOOOOOOOOOOOOUN, eu não tô legal... – E simultaneamente, jogou a mão sobre a testa, numa cena digna de novela mexicana. O vocalista começou a rir.
– Espertinho! – Matsumoto sorriu e começou a afastar os fios que, com a queda dramática, teimavam em cobrir os olhos amendoados de Uruha. Assim, passou a alisar os cabelos do guitarrista que tirou a mão do rosto e passou a fitá-lo, um pouco mais sério. Takanori prosseguiu. – Pode contar pra mim, se quiser...
– Hmm... Acontece que outro dia, bem... Eu acabei filmando uma cena engraçada, sabe... O Kai tava “se soltando” ali na sala, e eu gravei... Enfim, a gente precisava entreter as pessoas da festa enquanto você estava parecendo um maníaco depressivo, então eu pedi que Yuu colocasse o vídeo pras pessoas não ficarem inquietas, e ele, que também assistiu a cena, disse que era muito baixo eu fazer isso com o Kai-chan, e coisa e tal... Como se ele tivesse alguma moral para falar algo, hmph. – E dizendo isso, fechou a cara em um biquinho amável. O mais novo sorriu.
– Só isso?
– Na verdade... Ele... Bateu-me por isso. Um belo tapa certeiro na cara que eu demorei bastante tempo pra cobrir com maquiagem. Não queria que o Yutaka visse, pra não causar mais problemas.
– Nossa... Isso não é da índole dele. Foi só isso mesmo?
– Teoricamente, sim... – Respondeu receoso.
– Bem... Se é só isso, então... – Ele fez uma pausa para pegar fôlego e gritou, ainda alisando os cabelos do maior. – YUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!
Takashima saiu do colo do amigo, sentando-se na cama como antes estivera. Fez isso num pulo rápido, como se parecesse assustado. Ia começar a falar algo quando do outro lado, uma voz disse:
– JÁ tÔ INDO, TAKA!
– OKKEI! – Respondeu o vocalista, em tom igualmente alto.
Um segundo depois, o moreno irrompeu pela porta do quarto. A essa altura, Kouyou voltara a vislumbrar os pés.
O menor levantou-se, puxou Aoi pelo braço e colocou-o, sem mais perguntas, sentado onde ele próprio estivera uns segundos atrás. Parou na frente de ambos e começou a falar em tom de mãe irritada:
– Pois bem. Digam-me o que está acontecendo.
Yuu ia contando a mesma história que Ruki acabara de ouvir, praticamente da mesma maneira. Mas antes que pudesse acabar, o vocalista interrompeu-o com um olhar duro que contrastava fatalmente com sua cara ainda com resíduos de doce.
– Eu não quis dizer isso. O que há de errado com vocês dois?! Sempre se deram tão bem... Agora, brigam por uma brincadeirinha boba! Shiroyama, sinceramente, o Kai não ia ficar chateado com isso. Ele nem estava lá... E Takashima, se você estivesse mostrando só pra mim e os outros tudo bem, mas você sabe como Kai tende a ficar meio ansioso em situações assim. – Nenhum dos dois guitarristas proferiu uma palavra, e agora ambos fitavam os pés sacolejantes. Mediante isso, o menor prosseguiu – Peçam desculpas. – Isso soou meio ameaçador. Loiro e moreno se entreolharam, e foi o segundo quem começou.
– Erm... Sinto muito, Uruha...
– Também. Não devia ter feito isso.
Takanori sorriu e achou melhor deixar os dois sozinhos, então saiu e fechou a porta do quarto. Aoi continuou.
– Sinto muito mesmo... Não devia ter dado apenas um tapa.
–E eu não devia ter ficado parado como um idiota. Enfim, é melhor não chamar a atenção, Ruki não precisa ficar mais nervoso ainda.
Mais uma vez, silêncio.
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– Taka! – Chamou Kai assim que viu o rapaz achocolatado saindo do quarto. – Que tal a gente ir ver seus presentes? – Perguntou, com os olhinhos faiscando. Ruki sorriu com a cena.
– Claro... Deixa só eu... Lavar meu rosto... – E dizendo isso, entrou no banheiro. Ao olhar-se no espelho, sorriu abertamente para sua imagem: estava bastante melecado. Abriu a torneira e pôs as mãos sob a água corrente, depois passando-as em seu rosto e esfregando até que todo o chocolate e granulados saíssem. Assim que terminou, pegou a toalha mais próxima de si para secar o rosto, e assim o fez. Porém, ao ter contato com a toalha, algo o atentou.
“Esse cheiro... É... A toalha de Aki...” – E corou levemente ao notar isso. Colocou a toalha no lugar, ponderando por onde já teria passado, e corou ainda mais violentamente. Deste modo, resolveu esperar até voltar a seu estado normal para sair do cômodo azulejado.
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Aoi e Uruha saíram do quarto sorrindo abertamente, mas ao notar que o vocalista não estava na sala, esse sorriso se quebrou, e cada um foi para um dos lados do moreno remanescente, que acabava de colocar um arranjo de flores sobre a agora limpa mesa.
O loiro foi o primeiro a falar:
– Onde está Ruki?
– Foi ao banheiro se limpar para que possamos abrir os presentes dele. – E sorriu, expondo as covinhas tão graciosas, o que fez Kouyou sorrir de volta e perguntar:
– E Reita?
– Continua no quarto...
Os guitarristas se entreolharam por alguns segundos, furiosamente.
– Tá bom, tá bom... Eu vou buscá-lo. – Concluiu o mais alto, caminhando para o quarto do baixista. Não queria deixar Kai e Aoi sozinhos, mas para seu alívio, assim que ia adentrar o quarto, ouviu o barulho da porta do banheiro anunciando a chegada de Matsumoto.
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Reita continuava deitado da mesma maneira que Ruki o deixara. Takashima entrou no quarto e arrancou o cobertor de cima dele agressivamente sem avisos, vendo que o mesmo se encontrava acordado, fixando um ponto no nada.
– VAMOOOS, hora de acordaaaaaaaaaaaaaaaar! – Nada. Uruha irritou-se sutilmente por ser ignorado, mas convenceu-se de que tiraria Akira da cama, nem que fosse na marra.
Pulou no leito, ficando de quatro sobre o loiro, e continuava a saltar num movimento incessante, permanecendo a gritar repetidamente:
– LEVANTA, LEVANTA, LEVANTA, LEVANTA!!!
Finalmente, Suzuki teve que se mexer, e virou para o guitarrista fitando-o mortalmente. Este por sua vez pareceu nem notar e sentou-se sobre as pernas do baixista.
– Vamos lá para a sala, ok?
– Não quero. – Disse, secamente.
– O que você tem?
– Nada. Absolutamente... – O maior nem permitiu que ele terminasse.
– Se não tem nada, prove e vá para a sala, oras. – Retrucou com um olhar um tanto maldoso.
De fato, ele estava sentindo algo o incomodando, mas não queria admitir nem para si mesmo. Ainda estava sob efeito da bebida também, e talvez isso explicasse a atitude que seguiu.
O pobre Akira ficara sem respostas mediante isso: o guitarrista conseguiu encurralá-lo. Ficou calado por mais alguns segundos, até que Kouyou finalmente perguntou:
– Não vai levantar? – Ao fazer isso, inclinou-se sobre o corpo do loiro menor. Esse tipo de contato geralmente irritava Reita, mas desta vez, ele agiu de forma completamente inesperada: colocou uma das mãos na nuca de Uruha, aproximando-o bem de sua face. Quando já estavam com os narizes juntos, num golpe ágil, ele inverteu as posições, ficando por cima do corpo do amigo. Pela primeira vez na vida, os olhos do baixista fitaram uma cena como aquela: o maior dos pervertidos estava com traços róseos nas bochechas, lábios entreabertos, completamente pasmo e indefeso. Então ajeitou algumas mechas de cabelo do maior e aproximou-se mais, fazendo com que seus lábios quase se tocassem quando começou a sussurrar:
– Não dava para levantar com você em cima de mim. – Dizendo isso, levantou-se e abandonou o quarto, rispidamente.
Takashima ficara um pouco surpreso, mas se recompôs logo. De todos os habitantes da casa, o último de quem ele esperaria uma reação assim era Suzuki. Devia ser apenas por causa da bebida, certamente, pois Uruha ainda pôde sentir seu hálito quando se aproximaram. Estirou-se na cama e resolveu se dar alguns minutos de paz antes de reaparecer na sala, onde a verdadeira batalha aconteceria.
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Akira nem ao menos sabia o porquê de ter saído de seu quarto, mas presumiu que deveria ir para o lugar onde se encontravam os outros: na sala. Fazendo isso, sentou-se numa poltrona onde pudesse desviar o olhar, caso alguém viesse a lhe incomodar. Kai, Aoi e Ruki já estavam no sofá maior ao lado, e havia mais uma poltrona vaga defronte para a de Reita.
Ninguém fez o uso da palavra até Uruha retornar à sala. Foi quando o aniversariante, meio desconcentrado com a presença do baixista, disse no tom mais animado possível:
– Senta logo Kou, e vamos abrir esse monte de caixas! – E sorriu, imaculado. Assim que Kouyou sentou-se, Takanori pegou uma pequena caixa com embalagem cor-de-rosa e começou a ler um cartão em voz alta. Tinha os dizeres:
“Faça bom uso. É a prova d’água! (^o^)/
Kai.”
Ao abrir sob olhares ansiosos dos demais (exceto de Suzuki), descobriu que era um microfone prata com detalhes em vermelho e preto. Começou a rir.
– A prova d’água, Kai?
– Bem, vai que você dá uma doida e começa a lamber de novo, huh? Fica tão lindo lambendo o microfone...
– Não só desta forma. – Completou Uruha. – De qualquer jeito fica uma graça. Mas admito que quando lambe o microfone, minha imaginação voa pra uma terra distante... – Disse com um sorriso malicioso nos lábios, e em seguida, jogou contra Matsumoto uma caixinha roxa e purpurinada, caixa essa que o menor agarrou rapidamente. Continuou a falar. – Vê se meu presente combina com o do Kai-chan.
Começou a desembrulhar cuidadosamente, e ao abrir, encontrou algo um tanto quanto estranho (mas que pensando bem, vindo de quem veio, era quase normal). Era uma meia arrastão tamanho pequeno, presa a uma cinta-liga preta com laços vermelhos. De fato, combinava com o microfone. Mais uma vez, os garotos começaram a rir, e o baixista deu um leve sorriso falso.
Desta forma seguiu a festa particular deles. Vários presentes ainda foram abertos, coisas como pirulitos com cartões de “Feliz aniversário de 10 aninhos, chibi!”. Recebeu ainda um vestido de empregada com orelhinhas e rabo de Neko (dados por Aoi, junto com um sutil pedido para que ajudasse-os a limpar a casa), um conjunto de lápis de cor e aquarela (dados por Akane, vulgo Aka-chan), uma peruca multicolorida dada por ninguém menos que Miyavi, uma corrente que continha uma caveira e uma cruz (dada por Reila, e Ruki por sinal amou, o que rendeu um bochicho entre Kai e Aoi)... E finalmente, sobrara apenas uma caixa sobre a mesa. Era a caixa que o vocalista vinha evitando. Uma caixa branca com um grande laço dourado...
Pegou-a cuidadosamente, como se fosse explodir, e leu os dizeres do cartão. Dessa vez, leu só para si, o que despertou a curiosidade dos demais: exceto, para variar, de Reita. Entretanto, dessa vez os dois loiros tiveram uma reação diferente: encolheram-se nos assentos e desviaram o olhar um do outro. O cartão dizia:
“Feliz aniversário, Taka-chan (^-^)v
Espero que sua vida seja muito cheia de alegria, saúde e sucesso.
Este presente que estou te dando será para uso coletivo, no fim das contas, pois eu adoro quando você o usa ♥
Além disso, eu tenho certeza que os outros vão tentar tomá-lo de você, então cuidado.
Com carinho, Akira”
Ruki corou levemente ao terminar de ler e tratou de rasgar logo a embalagem, escondendo seu rosto entre os pedaços de papel que arrancava e jogando a fita que amarrava a caixa para o lado, fita esta que Yutaka amarrou na cara, sobre o nariz, enquanto cantava “Eu sou o Reita sem nariz, olhe pra mim, olhe pra mim!”
Dentro da caixa, Takanori encontrou um frasco de seu perfume favorito, Bvlgari. Então pôde entender o porquê todos tentariam tomar dele: na casa, todos tinham um gosto por diferentes tipos de perfume, mas aquele em específico era do agrado de todos, menos de Akira, que não usava nenhum. Mesmo assim, o menor já o ouvira dizer que achava aquele especialmente cheiroso e agradável, ele era o que Ruki sempre usava.
Matsumoto levantou-se com a cara séria, e a esta altura, Yuu jogava caixas vazias no baterista por causa de sua maravilhosa atuação. Caminhou lentamente até atrás de Suzuki e abraçou-o de olhos fechados.
– Obrigado, Aki-chan... – Falou num tom baixo e manhoso, para que apenas o outro pudesse ouvi-lo. Este, por sua vez, ia permitir um sorriso de invadir seu semblante, mas sentiu algo gelado roçando em suas costas, o que o arrepiou. Um segundo depois pôde notar o que era: a corrente que Reila deu de presente ao mais novo. Isso fez todo o seu ânimo adquirido esvair-se rapidamente, e ele apenas disse, num tom ainda mais seco:
– De nada, Matsumoto-san. – Takanori logo sentiu a frieza do mesmo e soltou-o, lentamente. Assim, todos se levantaram.
Reita foi para seu quarto, e logo Kai disse:
– Bem pessoal, hora de arrumar a casa! – Falou isso numa tentativa de quebrar o clima pesado que o baixista acabara de formar. Ruki logo se adiantou:
– Aniversariantes não limpam a casa! – E ao dizer isso, saiu correndo para a varanda antes que alguém pudesse falar qualquer coisa contra sua brilhante teoria.
– Hmmm... Importam-se de fazê-lo sem mim? – Perguntou Uruha. Não queria deixar Kai e Aoi sozinhos, mas também não podia deixar o vocalista suspeitar de nada. Além disso, precisava conversar com o menor, ainda.
– Não, não... Eu e o Yuu-chan limpamos tudinho, né? – Perguntou Kai docemente para Aoi, que respondeu apenas um tímido “S-sim...”.
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Do lado de fora da casa, o vocalista observava o céu enquanto brincava com a corrente entre os dedos.
“Será... Que eu a verei novamente?”
Estava completamente perdido nos pensamentos, tanto que nem viu quando Kouyou saiu da casa e ficou observando-o por alguns segundos, até que fechou a porta atrás de si e caminhou em direção a Ruki.
O aniversariante só notou a presença deste quando o mesmo o abraçou por trás, envolvendo sua cintura. Encaixou seu nariz na curva do pescoço do menor, meio curvado por causa da diferença de altura. Ficou assim por um tempo, inalando o doce cheiro que o mais novo exalava. Matsumoto estava feliz que estivesse escuro o suficiente para ocultar seu rosto rosado naquele momento.
Permaneceram assim até que o guitarrista levantou levemente a cabeça, apoiando-a no ombro de Takanori para observar o céu junto a ele, ainda agarrado. Começou a falar num tom baixo e doce:
– Gostou da festa? – O menor assentiu positivamente com a cabeça. O outro prosseguiu. – Que bom... Mas... Eu ainda tenho mais uma surpresa pra você. – E, dizendo isso, abaixou a cabeça novamente e começou a distribuir leves beijos pelo pescoço do outro, que ficou com os pelos da região eriçados. Uruha continuou a falar entre um ósculo e outro. – Porém... Desta vez você terá que merecê-lo. Existem duas maneiras de fazê-lo... Você quer saber?
O loiro menor respondeu que “sim” com a cabeça.
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Dentro da casa, a “sessão Amélia” já havia começado. Yutaka varria o chão enquanto Yuu recolhia as caixas da sala. Este segundo não estava com entusiasmo para falar nada naquele momento, e estava abaixado recolhendo as coisas do chão.
Kai ia varrendo, varrendo, varrendo... E passou distraidamente por trás de Aoi nesse momento. Como o espaço era apertado, acabaram roçando suas pernas, e o guitarrista levantou no mesmo instante. O baterista olhou para ele e sorriu:
– Hmmm... Tem uma sujeirinha no seu rosto. Deixa eu tirar... – E quando ia se aproximar do outro, aconteceu.
PUFF! PLAFT! TUM!
Uke escorregou no tapete que estava um pouco dobrado. A vassoura que estava em suas mãos voou para o outro lado, e ele caiu, derrubando o outro moreno junto consigo. O impacto foi grande, e por um momento, os narizes dos dois se colaram, num contato bem próximo com o resto do corpo.
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