Reila

15 E então, Reila?


:: CAPÍTULO 15 – E então, Reila? ::


Um fino feixe de luz foi suficiente pra incomodar seu sono. Indagara-se por quanto tempo estaria deitado ali; só lembrava-se de ter ido levantar pra falar com Akira, mas... Agora estava deitado. Iria falar com o colega o quão antes conseguisse, entretanto, no momento, morria de fome. Não fazia nem ideia de que horas eram ou por quanto tempo ficou na cama. Só sabia que seu corpo estava encolhido por tempo suficiente para fazê-lo ter a necessidade de esticar-se.

Quando foi se espreguiçar, entretanto, algo pesou em sua barriga, o impossibilitando. Abriu melhor os olhos, esfregando-os delicadamente com as mãos antes disso. E encontrou algo que não lembrava que estava ali, até então.

Reila permanecia sentada em uma cadeira, com a cabeça apoiada no leito de Takanori. Agora as lembranças de terem visto a morena recentemente vinham lentamente à sua mente. Um barulho proveniente de algum lugar dentro de si o fez acordar dos devaneios. O estômago roncava loucamente. Quando foi que teve sua última refeição...? Marshmallows?

Levantou-se delicadamente, desvencilhando-se da garota que estava sobre si. Ela não se mexeu. Vendo que estava num sono pesado, notou que poderia ter ficado acordada por um bom tempo cuidando de si, e não evitou o sorriso. Já que dormia bem, arriscou tocar seu ombro. Continuou inerte. Assim foi cuidadosamente circundando-a com os braços, para pegá-la no colo e colocar sobre sua própria cama, cobrindo com o grosso edredom. Ela era bem leve.

Após isso, sem mais delongas, abandonou o quarto sob protestos de seu estômago, correndo até a cozinha sem nem notar o caminho que fez. Lá, o único presente era Yutaka, que sorriu amplamente com a imagem de um loirinho que já conseguia até correr. Para quem mal ficava em pé há horas atrás, estava muito bem.

O baterista então se aproximou de Takanori e nem deu tempo para ele falar nada; já foi enfiando a mão em sua testa. Por um instante, o menor ficou sem entender; mas quando o moreno começou a virar as costas da mão de um lado para o outro, notou que o mesmo estava verificando se ele estava com febre.

– Ah... Você já não está mais com febre! Isso é ótimo, né, chibi? – E sorriu novamente. Matsumoto mal sabia o que tinha, mas pelo jeito, febre era uma das possíveis razões de ter ficado na cama. Era plausível... Agora que se lembrava melhor, passou uma noite no frio, e ainda garoou algumas vezes durante a noite... Pneumonia, talvez?

Antes que se desse conta, já estava cercado de panquecas, torradas francesas, chá e frutas, além da mão de Uke que lhe estendia um comprimido, convidando-o a tomar. Tomou-o com um pouco de chá e, sem pensar duas vezes, atacou uma torrada.

Logo Kai se sentava ao seu lado e pegava uma maçã para si.

– Sabe, Taka... Enquanto você esteve dormindo, aconteceram muitas coisas.

– Mouithas cousas? – Respondeu enrolado por consequência da comida que lhe preenchia a boca.

– Ne, Ruki... Você conhece os pais do Shima?

– Eu... – Pareceu ponderar por uns instantes. – Nunca os vi.

– Você sabia que eles expulsaram o Uruha de casa quando ele entrou pra banda? Eu quase não acreditei!

– Sabia. – Limitou sua resposta.

– O QUÊ?! Ele contou pra você e não pra mim? Isso é muito...

– Não, Kai. – Interrompeu o loiro. – Ele nunca me contou nada. Mas apareceu na porta da minha casa com uma mala pedindo pra passar uns dias. Nunca falou dos pais, também. Eu sei como é porque passei pela mesma situação. Então nem perguntei nada pra ele, é um assunto chato.

– Ah, isso... – Fez uma pausa, notando que o assunto acabou. – Hm, além disso, eu descobri que ele e a Yamaguro-san são muito amigos, também. Desde bem pequenos... Os pais deles faziam negócios e eles eram bem próximos. Mas depois que o Shima fugiu, eles não tiveram mais contato. Entretanto, Reila sempre acompanhou nossa banda. É legal saber que a gente tem fãs que sempre nos acompanham, né...? – O vocalista não respondeu a questão, estava com um sorriso bobo nos lábios encarando o vazio. Uke continuou. – Ei, Ruki? Tá acordado?

– Ah, desculpa, Yukkun... É que, eu...

– Você gosta muito da Reila, não é mesmo?

– E-eu... Bem... Eu acho que gosto dela, de uma forma pouco convencional...

– Pouco convencional?

– Diferente do que estou acostumado, sabe?

– Gosta de verdade? – Um sorriso maldoso adornou a face de Uke.

– Não sei... É cedo demais para isso. – Takanori acompanhou o sorriso. Sorriso esse que logo foi substituído por uma cara assustada e batimentos cardíacos descompassados por conta do susto que levaram com o barulho de uma porta batendo. Mas rapidamente se acalmaram; aquilo era irrelevante. Era bom assumir seus sentimentos perante um amigo. E Yutaka também ficava feliz em ouvir que Ruki havia esquecido completamente de Hana.


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Não se importou nem um pouco com Aoi reclamando por ter sido acordado. Que se dane Aoi... Ruki amava aquela vadia? Isso era inconcebível! Se conheciam há seis dias apenas, não podia ser, simplesmente não podia!

Voltou para a cama, jogou-se nela e se cobriu. Não podia começar o dia com o pé esquerdo, talvez fosse melhor começar de novo. Ou talvez fosse só um pesadelo. Aliás, ele desejava intimamente que fosse um, mas não parecia ser.

– Akira, que porra é essa? Pra que todo esse escarcéu logo de manhã?

– Cala a boca, Yuu. Eu tô dormindo. – Dizendo isso, colocou o travesseiro sobre a cabeça e começou a ignorar os argumentos de Shiroyama.

Este, por sua vez, depois de algum tempo falando, se cansou e abandonou o quarto, também com uma sutil batida na porta que com certeza acordaria os vizinhos, se eles tivessem algum.

Assim que saiu do quarto, se deparou com Ruki indo em direção ao banheiro.

– Está melhor, Taka? – Limitou sua saudação à apenas isso. Estava raivoso com todos os aspectos de sua vida, mas saber que Takanori estava saudável era ótimo.

– Muito melhor, sim. Obrigado, Yuu. – E sorriu, adentrando o cômodo azulejado e fechando a porta atrás de si. Aoi continuou seu caminho até a cozinha e viu Yutaka terminando de secar alguns pratos. Já ia dar meia volta quando ouviu seu nome. Não estava afim de ter que aturar mais problemas logo de manhã...

– Yuu, o que aconteceu agora com você e o Akira...?

– Ah, não foi nada, não... – O clima que se instalou entre eles era bastante tenso. O guitarrista ainda não havia aceitado bem a humilhação que Uruha o fez passar.

– Se você diz, tudo bem, então. Ah, sente-se aqui, eu fiz aquelas torradas que você gosta tanto, ok? Vai comer tudinho! – Então Uke sorriu, radiante. E aquele sorriso era como um colírio. Sentiu seus cabelos serem bagunçados antes de ver um grande prato com torradas francesas à sua frente. Na verdade, para ele, qualquer comida seria boa desde que tivesse sido feita com carinho. E pela face do baterista e sua declaração, aquelas foram feitas com carinho, com certeza. Não evitou o sorriso no rosto até então tão rabugento.

– Nossa... Muito obrigado... Yukkun.


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Minutos mais tarde, Takanori já saia do banheiro após ter tomado um belo e necessário banho quente. Estava com a toalha amarrada na cintura, como lhe era costume, a caminho do quarto enquanto pensava em que roupa colocar.

Esquecendo-se completamente de que havia gente dormindo, abriu a porta do aposento com força, em seguida fez o mesmo procedimento com a porta do guarda-roupas e, na hora de fechá-lo, uma delicada batida estrondosa. Mediante aqueles baques todos, Yamaguro, que dormia tranquila, acabou por acordar. Olhou para quem fazia todo o ruído e imediatamente sua face adquiriu tons rosados, indo cada vez mais em direção ao vermelho tomate.

Inicialmente, Ruki não se deu conta do que acontecia. Mas só até uma leve brisa lhe lembrar qual era a única peça que vestia.

Depois disso, uma sucessão de pedidos de desculpa de ambas as partes foi desferida, os dois rostos pequenos ardendo em chamas. O loiro apenas pegou as roupas que lhe pertenciam e correu em disparada de volta para o banheiro, trancando a porta à chave.


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A respiração da garota ficara completamente descompassada. Depois da saída de Ruki, não se importou em esconder o próprio nervosismo. É claro que a errada era ela; o que ela fazia no quarto de um homem que conheceu há tão pouco tempo? Quer dizer... Ela o conhecia antes: era Matsumoto Takanori, um cantor que sempre admirou extremamente. E agora ainda fazia algo assim pra ele, precisava se redimir de alguma forma.

Resolveu começar se levantando da cama e arrumando a mesma. Antes disso, apenas abriu a janela do quarto, deixando a luz entrar. O sol ainda estava baixo, não deveria ser mais de dez horas. Ainda estava sonolenta por não ter conseguido dormir bem de noite. Ficou grande parte do tempo apenas observando o sono agitado de Matsumoto, medindo sua temperatura hora ou outra e, no caso de estar alta, fazer o possível para abaixá-la.

Quando dava uma última esticadela no edredom sobre a superfície macia, Takanori voltou ao quarto, um pouco cabisbaixo.

– Etto... Reila-chan... Eu realmente sinto muito por...

– Ei, tudo bem. – Respondeu, um sorriso angelical no rosto. – Eu é que tenho que me desculpar por aqui. Não devia ter ficado aqui durante a noite. Sinto muito. – Curvou-se levemente.

– Ah, o quê é isso... Fico muito grato por seu sacrifício. Kai disse que ficou cuidando de mim, muito gentil de sua parte. Venha comer algo como recompensa. – E sorriu junto com a morena, fazendo sinal para que o seguisse enquanto abandonava o dormitório.


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Ao ver Ruki e Reila saindo juntos do quarto, ambos com sorrisos simpáticos estampados nos rostos, Uke não pode deixar de sorrir também, com pensamentos maliciosos em mente. Mas tão logo entrou nesses devaneios, saiu. Era óbvio que eles ainda não tinham nada. Ainda.

– Reila-san! Venha aqui comer algo de café da manhã, o almoço vai demorar um pouco... – A garota se aproximou.

– Nossa Uke-san, só você que cozinha nessa casa?

– Ah, Reeeila, me chama de Kai, vai... Mas é verdade, só eu cozinho nessa casa, passo o dia inteiro na cozinha, esses meninos malvados abusam da minha boa vontade... Pobre de mim...

– Ei ei ei, pode parar de se fazer de coitadinho, Yukkun, eu também cozinho nessa porra. – Uruha saiu de seu quarto, fechando a porta com cuidado e se inteirando do assunto rapidamente. Todos riram por uns breves instantes, mas logo o silêncio voltou. Aproveitando a brecha, Takanori se pronunciou:

– Algum motivo especial pro almoço demorar, Yutaka?

– Ah, é que... Eu deveria ter ido ao mercado ontem, mas com toda essa confusão, acabou que nem deu tempo... E a única coisa que ainda sobrou por aqui foi suco de maçã...

Mais uma vez, as risadas contidas ecoaram pela casa.

– Você vai sozinho? Então eu vou com você... Seus bracinhos finos não vão dar conta de carregar comida pra cinco machos e uma convidada especial. – Ainda desferiu um sorriso gentil para a garota enquanto os outros dois rapazes riam.

– Ah, olha quem fala... O rapazinho com os braços mais esguios da casa. Como se nós, ó cinco machos, pudéssemos nos entupir de comida... A gravadora dava um tiro se você voltasse um “Uruha cheinho” pra lá. Mas aceito a companhia, sim.

O menor de todos alargou o sorriso e virou-se para procurar um lugar para sentar quando viu uma caixa de cigarros aberta em cima do balcão. Muito convidativa pra ser ignorada. Pegou um cigarro, pediu licença e se dirigiu para a varanda, onde encontrou Aoi sorrindo bobamente enquanto fumava também.

– Ei, tem fogo? – A pergunta demorou alguns segundos para ser processada pelo moreno.

– Huh? – Apesar do tempo que Takanori pensou ter sido empregado em processamento, Yuu estava completamente desligado do mundo. Mostrou seu fumo para ele e repetiu:

– Tem fogo, Yuu?

De imediato, o moreno tirou um isqueiro do bolso e o acendeu para que o grato Matsumoto queimasse o tabaco. Assim o fez, levando diretamente para os lábios e então apoiando os cotovelos no muro, procurando com os olhos o mesmo lugar interessante que Shiroyama observava.

Vendo que o assunto não iria sair da boca do guitarrista, arriscou:

– O Kai-chi está bem feliz hoje, né?

– É sim... – Respondeu, simplesmente. Segundos depois, notando que matou o assunto, prosseguiu. – Isso é ótimo. É bom vê-lo feliz, a comida fica mais gostosa. – E sorriu. – Além disso, é normal que todos estejam felizes porque você ficou melhor.

– Todos? Reita também está feliz? – Não conteve sua curiosidade.

– Akira está passando por algum problema. Eu não sei o que se passa na mente daquele homem, só sei que anda antissocial ao extremo.

– Ah... Eu acho que vou conversar com ele depois. Daqui a pouco o Uru e o Kai vão sair pro mercado, aí então eu...

– O Yutaka vai pro mercado sozinho com o Kouyou? – Interrompeu a fala do loirinho, a cara de paisagem desaparecendo completamente.

– Sim, eles vão.

– Nesse caso, acho que eu vou para o mercado. Boa sorte com o Galinho de Briga. – Dizendo isso, rumou à porta com passos decididos, deixando-lhe escapar por entre os dedos a bituca que carregava. Por ainda estar acesa, Ruki pisou nela insistentemente até que apagasse.

Esta pequena ação desesperada de Aoi intrigou levemente o vocalista, atiçando sua curiosidade. Ciúmes de Kai? Ou de Uruha, talvez?

Sentou-se na cadeira ali próxima, mas antes que pudesse refletir sobre a cena, Reila saiu pela porta, e ele outra vez se levantou para saudá-la.

– Nossa, Kai-san cozinha mesmo muito bem, acho que eu também o escravizaria se estivesse no lugar de vocês... – E sorriu. Ambos sorriram, e a conversa começou a fluir animadamente a partir de então. Falaram unicamente sobre habilidades culinárias, e Takanori ainda descobriu que Reila não gostava muito de cozinhar, mas que o fazia diariamente.

Viram Takashima, Uke e Shiroyama deixando a construção um pouco depois, e ainda continuaram com a conversa, tratando de assuntos semelhantes. Nada pessoal, só coisas corriqueiras.

No ápice do diálogo, entretanto, a porta se abriu novamente. Ruki parou para pensar quem estaria saindo de casa quando viu o rosto de Reita coberto pela usual faixa e mais um par de óculos escuros. Havia esquecido completamente do colega.

Ele ia saindo de casa também, e assim que passou ao lado de Yamaguro, a garota soltou um gemido lânguido, caindo para trás quase que imediatamente. O vocalista ainda conseguiu a segurar, por puro reflexo, enquanto Suzuki continuava com o semblante indiferente e caminhava para fora. O menor ainda teve tempo de fuzilar o baixista com o olhar antes de perdê-lo de vista. Logo depois, notou que Reila continuava em seus braços, algumas lágrimas sutis lhe abandonando os olhos.

– Reila-chan, está tudo bem?

– Não, não é nada... Só... Minha canela... Suzuki-san chutou sem querer.

Chutou sem querer? Se fosse isso, teria pedido desculpas. Afinal, Akira tinha mesmo problemas. Chutar uma visita? Ah, ele poderia ter ido dormir sem essa. Insano.

– Tudo bem, vamos pra dentro...

Notas finais
N/A: E alguém lembra da ceninha linda onde o Ruki ia falar com o Reita e desmaiou? Alguém? Aposto que nem os personagens lembra mais. Gostaria de chamar a atenção de vocês pra algo que gosto nessa fic... O Kai é uma mãezona mesmo, né? Cuidando de todo mundo... Isso é legal. Um personagem legal, e bonzinho. Ficou comovido com a história do Shima, também. Deu dó. E se eu tivesse um Kai, eu também o escravizaria. E... EU QUERO UM URU CHEINHO *----------*’