Rei dos reis
1 Prólogo
Imagine uma linda taça de cristal...
Reluzente em uma grande mesa nobre, nada se compara a sua beleza única, o líquido tilinta vagarosamente até a metade da taça, mostrando perfeitamente a cor da uva em forma de vinho.
Uma mão envolve a taça e os lábios tocam a sua borda para que seja saboreada a doce bebida feita nos campos. Somente imagine...
A taça volta a mesa, enquanto a conversa flui, ela se mantém nobre em sua postura de realeza cintilante. Novamente ela é envolvida pela mão, mas agora seu destino é outro.
Antes de chegar aos lábios de quem a pegou, a taça cai ao chão. A primeira batida a faz trincar e, ao ter seu corpo cristalino totalmente no piso, quebra-se por inteiro e seus pedaços, em cacos, espalham-se pela sala.
Olhares se prendem a taça, outrora só perceptível para quem a tocava, mas logo sua fama acabara e os olhares vão de encontro a quem a segurava. Este, por sua vez, mantinha o olhar para a taça sem forma sobre o vinho derramado.
Suspirou... Pela última vez e caiu como a taça no chão.
Haviam envenenado o rei. A taça havia sido a única testemunha de quem o matou e a última testemunha a sentir o sorriso do rei em suas bordas.
Desde então, deu-se início a um novo reinado, com mentiras e mistérios; sobretudo, com uma nova forma de se governar. Onde havia trevas, passou a ter luz. E o que estava oculto, foi revelado.
O trono agora não pertence a mãos de homens.
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