Lucas não deu continuidade a conversa com Alexsandro, antes, atentou-se para os soldados de Tresapter, havia visto Alexsandro conversando com um deles depois da ordem do rei em manda-los adentrarem o grande salão. Lucas caminhou de encontro a um soldado de Tresapter, na tentativa de tirar suas dúvidas.

— A festa está ótima, não é?

— Sim.

— Na visão de um soldado, nem tanto. — Lucas riu — Estou achando entediante. Acabei de vir da guerra de Woston. E viver uma noite sem a tensão de um ataque inimigo é um tanto...

— Sem graça. — O soldado riu, concluindo o pensamento do rapaz.

— Lucas Millicent, ao dispor do reino de Guiscard e, se necessário, do reino de Tresapter. — o rapaz estendeu a mão em cumprimento.

— Por que veio direto a mim? — o soldado retribuiu o cumprimento.

— Porque sei que é o comandante da tropa, sua farda lhe acusa.

— Qual é o seu receio, guerreiro?

— Apenas saber se estão aqui em paz.

O revelado comandante assentiu com hesitação.

— Mesmo se algo não for de acordo com os desejos do rei? — Interrogou Lucas.

— A ordem que nos foi dada, será cumprida, guerreiro. — O comandante se retirou sem permitir que Lucas expressasse algo.

Lucas também se retirou.

***

— O que foi? Eu disse algo que... — A princesa viu que o olhar de Hector era para outra direção, a mesma se virou.

— Ibb...

Uma jovem adentrou ao salão, o guarda a porta não a anunciou. Alguns olhares se desvencilharam do casal de príncipes que dançava para a jovem.

— É ela?

— Oi? — Hector caiu em si — Perdão?

— Sua respiração mudou ao vê-la. Você parou tudo e... — A menina riu — me ignorou totalmente ao vê-la entrando. É ela, não é? Quem você ama?

Hector balançou a cabeça negativamente, não para contrariar o que estava sendo dito, mas por não entender como aquela jovem princesa havia deduzido aquilo.

— Eu leio bastante romance. — Ela riu — Você só foi mais uma cena da página de um livro.

— Ficou tão óbvio assim?

— Não sei para os convidados, mas até uma criança entenderia que há um sentimento entre você e a menina que entrou. Você simplesmente... Parou tudo ao vê-la. — A princesa soltou sua mão da mão de Hector, que a tomou de volta.

— Não! — Hector a repreendeu.

Beatriz o olhou sem entender.

— Eu não sei como termina a cena do livro, mas estamos vivendo uma realidade. Eu não posso solta-la e correr até a jovem que adentrou ao salão. Isso causaria um reboliço entre nossos reinos.

— E o que fará?

Hector pensou antes de dizer. A princesa aproveitou o espaço em silêncio e se aproximou do rosto de Hector, falando ao pé de sua orelha.

— Eu não quero me casar com você.

O ritmo da orquestra mudou como se convidasse a todos que estavam presentes para bailar junto em harmonia com o casal de príncipes. E assim aconteceu, casais se formavam para dançar. Tirando toda a atenção da jovem que chegara e dos príncipes no centro do salão.

***

Um garçom ofereceu vinho aos reis, curvado diante deles. Dimitri tomou sua taça, mas Dalibor não pegou. Havia somente três na bandeja.

— Chamem o copeiro. Não tomarei até que ele mesmo prove do vinho. — Exigiu o rei Dalibor II.

Dimitri riu.

Assim que o copeiro chegou, o rei lhe deu as duas taças que sobraram para o copeiro. O mesmo deu um gole em ambas as taças. Entregando a segunda para o rei.

— Do que tem medo, Dalibor? — Gargalhou o rei Dimitri.

— Nunca se sabe o que acontece na cozinha de um castelo.

***

— Deveria parar de olhar para ela.

— Princesa Beatriz...

— Apenas Beatriz, por favor.

— Princesa Beatriz... — Enfatizou com respeito — Por que está me dizendo que não quer se casar comigo? Saiba que o reino está em jogo.

— Não me importo, príncipe. — Disse a menina num tom rebelde — Há tempos sou uma marionete de negócios. Recuse esse noivado por mim, príncipe Hector Lyubor, do reino de Guiscard, eu imploro.

— Não posso. — Sussurrou ele.

A princesa apertou sua mão na mão de Hector.

— O senhor tem alguém que ama.

— Mas não posso trair meu rei.

— Está traindo a si mesmo, então.

— Você não entende. Isso não é um livro com final feliz.

— Eu não disse que era um livro, disse apenas que deduzi seu olhar por ser algo que os livros conseguem expressar por palavras contadas. Sei muito bem que isso é real e que cada decisão tomada pode custar uma vida. Mas eu não quero me prender a isso! Eu não quero viver com isso! — O tom da princesa era sôfrego e ofegante.

— Beatriz... — Hector engoliu a seco e desviou seu olhar.

Um rapaz se aproximou da jovem que estava na porta do salão. Hector observava, sabia que Lucas já havia compreendido a situação e voltou o seu olhar para a princesa.

***

— Perdoe-me por essa aproximação, mas o príncipe pediu que eu lhe acompanhasse.

A jovem permaneceu calada.

— Não vi Hector se mover da dança para pedir tal coisa a ti.

— Ele não precisa se mover e vir falar comigo para eu entender o que ele quer. — o rapaz riu — Sou o melhor amigo de Hector, assim que ele olhou para você em meio a dança com a princesa de Tresapter, eu entendi que não era uma simples convidada.

— E precisava vir até a mim armado? Prometo não ter trazido ninguém da Alemanha para espionar o reino.

O jovem riu.

— Sou um guerreiro, é meu dever estar armado para qualquer ocasião. — Ele estendeu a mão e a jovem lhe retribuiu — Prazer, Lucas Millicent, amigo do príncipe e soldado da guarda do reino. — E beijou a mão da menina.

— O prazer é todo meu em conhecê-lo.

— Qual é a sua graça?

— Izabel Etheldred, de Nuremberga, do império Alemão. Atualmente estou na Inglaterra a estudos.

— Por isso o inglês rasgado, né?

A jovem riu.

— Sem mais delongas, dá-me a honra desta dança?

A menina hesitou.

— Haverá trocas de pares, será o momento oportuno. — Lucas riu.

— Acho que estou atrapalhando algo...

Lucas coçou a cabeça por não saber o que dizer.

— Eu também entendo as situações sem precisar que alguém venha me falar. — A jovem riu.

***

— Dalibor, essa aliança é para o bem de todos. Seremos um reino invencível! Seja inimigos do norte ou do sul, teremos um número de soldados acima da média e um arsenal de armas insuperável!

— Eu sei... Mas não creio que unir nossos filhos seja a melhor opção.

— Já conversamos sobre isso, Dalibor. — O rei Dimitri riu — É essa a diferença que vejo entre senhor e seu filho, ele é mais determinado nas palavras, apesar de ainda se esconder atrás do rei.

— Dimitri...

— Dalibor, entenda, é o melhor. Não me obrigue a um dia lutar contra você. Saberemos qual reino se renderá primeiro.

— Eu não voltarei atrás. Só queria que tivéssemos uma segunda opção.

— Se a primeira opção não for válida, então nada mais será um vínculo para mantermos negócios em nossos reinos. Eu não trabalho com plano B, Dalibor... Eu só fico com o primeiro. Eu sou o primeiro. Trabalhar com segundos é uma perda de tempo.

Dalibor suspirou fundo. Olhou para Hector em meio aos casais e acompanhou o olhar do filho que era fixo para uma jovem na entrada do salão. Dalibor fechou os olhos e encostou a cabeça no encosto do trono.

— É melhor não atrasarmos a união dos reinos através de nossos filhos. Não quero contratempos. — o rei Dimitri se levantou, mas Dalibor o segurou.

— Não me intimide, Dimitri. Eu ainda sou o rei de Guiscard e também sei tomar decisões.

Dimitri sorriu.

— E qual é a sua melhor decisão?

— Meu filho governará os dois reinos e terá o meu conselheiro ao seu lado. O meu comandante será o comandante do exército. E eu, ainda vivo, estarei por ministro do reino.

— Isso não está em nossos planos, Dalibor.

Dessa vez, o rei de Guiscard se levantou.

— Pode não estar nos seus, mas é o meu plano. Todo o poder, em minhas mãos, mesmo que meu filho e sua filha estejam no trono.

— E onde eu entro nessa história? — o rei Dimitri riu comicamente.

— Você pode assistir de longe, sem se intrometer. — Brincou Dalibor num tom de verdade.

Dimitri soltou um risada não entendendo mais o rumo do diálogo. Suspirou pesadamente ao ver que o semblante do rei Dalibor II mudara.

— Disseram-me que era um rei ardiloso. Que age enquanto pensamos em agir. Mostra-se pacífico nas conversas, mas com um fúria nutrida para ser dilacerada assim que necessário. Que sempre prepara sua guarda antes de ser atacado.

— Disseram bem. Só esqueceram de uma coisa... — o rei Dalibor II olhou para a taça vazia na mão do rei — Que eu odeio pessoas que me ameaçam e que não concordam com meus planos.

O rei Dimitri riu ainda sem entender.

— Acho que não preciso lhe informar que meus soldados estão de prontidão desde que permitiu que eles adentrassem aqui.

— Digo o mesmo dos meus, rei Dimitri.

— Como?

— Assim que permiti que seus soldados entrassem, um dos meus já se posicionou para saber da real intenção e prontificou minha guarda que está pelo salão sem farda, mas armado.

— Dalibor. — Dimitri se levantou e falava como se estivesse se espreguiçando — És um rei que vale a pena negociar.

O rei de Guiscard riu.

— Por isso não o vejo saindo em tantas guerras. O reinos sabem quem tu és. Tanto sabem, que o reino de Woston foi tomado e soube que entregou o território ao império da Inglaterra em troca de armamentos. — o rei Dimitri olhou para sua filha — Não quero ameaça-lo, pois sei que é um exímio rei. Só quero que minha filha tenha um bom governo e uma vida estável no trono que lhe é de direito.

— E assim será.

— Mas não ficarei de longe, apenas vendo-o governar meu reino. Quero estar ao seu lado, Dalibor. — Concluiu o rei Dimitri, colocando a taça vazia sobre o braço do trono.

O rei Dalibor II caminhou até chegar ao ministro do baile

— Diga a todos que o rei fará um pronunciamento.