Notas iniciais
*Reinos do século XVI 1. Guiscard Reinado por Dalibor II Esposado com Mira, rainha de Guiscard Possui um único herdeiro, seu filho Hector. 2. Tresapter Reinado por Dimitri Viúvo Possui uma única herdeira ao trono, sua filha.

Assim que a rainha desceu as escadas, procurou por Alexsandro, para pedir ajuda a ele para acalmar os ânimos no andar de cima.

— Rainha!

Mira se assustou com a breve chamada, era o guarda acompanhado de um senhor com vestes eclesiásticas. O guarda se aproximou da rainha e falou ao pé de seu ouvido:

— O arcebispo Willian Bayron veio diretamente de Roma prestigiar o rei pela oferta dada a Basílica de São Pedro.

— Justamente hoje... — Balbuciou a rainha com um sorriso no rosto.

Ao concluir o último degrau, apresentou-se para o arcebispo. O guarda se retirou.

— É uma honra tê-lo conosco, sr. Baryon.

O arcebispo pigarreou.

— É BAYRON, Milady.

A rainha não conteve a risada, mas colocou a mão no rosto e virou sua face para o lado, a fim de se recompor.

— Peço desculpas, o sotaque me fez confundir, peço desculpas, novamente.

O arcebispo sorriu, ainda que inconformado e deu continuidade.

— É com grande prazer que venho prestigiar o rei Dalibor II pelas doações que tem feito à Roma desde que seu reinado foi estabelecido. Creio também que hoje é um dia propício para realizarmos negociações em meio a esta celebração.

A rainha assentiu.

— Soube que o príncipe retornara de uma viagem que fez à Inglaterra.

— E também da Alemanha... — Completou a rainha Mira — Soube que está ocorrendo uma revolução de doutrina cristã por lá há um tempo, até temi que Hector fosse para lá, mas ele foi focado nos estudos, então...

— Alemanha? — o arcebispo pareceu um tanto desnorteado — Creio que ele não foi infectado pelo mover que está acontecendo lá, não é?

A Rainha inclinou o rosto, não entendendo o alarde do arcebispo.

— Mira!

A rainha desvencilhou seu olhar do arcebispo para quem a chamara.

— Lucas! — Seu semblante saltou para uma alegria outrora não vista — Estou maravilhada em vê-lo aqui! Já retornou da guerra em Woston?

Lucas assentiu e abraçou a rainha. Ao retornar, desculpou-se por interromper a conversa. O arcebispo nada comentou.

— Estou a procura de Hector, ainda não o vi.

A rainha Mira achou a oportunidade perfeita para se retirar da conversa com o arcebispo.

— Onde estava com a cabeça? — Encenou a rainha — Falei com meu filho que o chamaria do seu repouso, a viagem fora muito cansativa e ele ainda não conseguiu descansar. Acabou dormindo. Mas já está mais que na hora de ele se apresentar à festa e aos convidados, não é?

Apesar do sorriso no rosto, Lucas percebera que o que estava sendo dito pela rainha era mentira. Mesmo assim, assentiu e se retirou no aguardo de que Hector descesse logo.

— Peço licença, Arcebispo Baryon.

O arcebispo respirou fundo.

— É BAYRON, rainha, mas tudo bem, mais tarde conversamos... De maneira privativa.

A rainha assentiu com um sorriso no rosto, pois errara novamente o nome do arcebispo e retornou a subir as escadas. O arcebispo Willian Bayron se dirigiu a mesa de comida.

***

Alexsandro estava parado no corredor, havia subido para informar ao rei que o arcebispo de Roma estava no salão. Hector, seu primo, passou por ele sem trocar palavras.

— O que faz aqui, Alex?

O rapaz mudou seu semblante ao olhar para quem se dirigia a ele.

— Tia, eu... — Pigarreou.

— Se quer ouvir a conversa, isso não me importa, apesar de ser uma falta de educação em um palácio real. — A rainha se aproximou de Alexsandro e tomou a dianteira — Contudo, ter um sorriso malicioso no rosto, incomoda-me muito.

Alexsandro desviou seu olhar da rainha.

— Eu só vim avisar o rei da chegada do arcebispo de Roma e acabei vendo Hector saindo em fúria da sala do rei. Minha feição não era de malícia, mas... — Alexsandro procurou as palavras sem encontra-las — De nervoso pela situação.

— Então complete sua intenção de vir avisar ao rei da presença do arcebispo na festa.

A rainha se retirou indo em direção ao quarto de Hector.

***

O rei pegou a coroa de cima da mesa e a encarou por poucos segundos, logo olhou para um quadro que estava atrás de sua mesa, era de seu pai, rei Dalibor I.

— Eu nunca soube governar... — Dalibor II cerrou o punho — Mesmo assim, o senhor confiou a mim esta coroa. Ensinou-me a ser frio e administrativo — Deu uma pausa e colocou o objeto sobre sua cabeça — Errei em pensar que ao me tornar rei era única coisa que me importasse. Até que... Até que a vida me permitiu ser pai e parecia que a coroa não era tão importante assim. Hector me passava confiança através de seus olhos e eu via que ele seria melhor do que eu!

Alexsandro estava segurando a maçaneta e ouvia atentamente as palavras do rei através da porta.

— O senhor sequer mostrou seus sentimentos por mim e eu jurei a mim mesmo nunca agir assim com o Hector... Mas... Vê-lo crescer tão rápido me fez perceber que ser rei e ser pai são características totalmente diferentes. Eu via no senhor apenas o lado do rei exemplar, mas agora o Hector quer ver em mim o pai exemplar... E eu não sei se conseguirei mostrar isso a ele... Não agora.

— Tio? — Alexsandro bateu na porta e abriu uma brecha.

O rei suspirou e olhou para trás por cima do ombro.

— O que quer, Alexsandro? — Indagou o rei.

— Vi Hector saindo esbaforido daqui e...

— Não diga mais nada! Hector... — o rei respirava com força, com raiva — Hector está me desonrando!

— Tio, não acha que os dois estão a flor da pele e...

— Saia! Não quero ouvir mais nada. Todos acham que têm o direito de se dirigir ao rei da forma que quer!? Que conseguem decifrar o que sinto!?

— Tio, eu só...

— Saia, Alex! — Dalibor II apontou para a porta — Eu quero ficar sozinho antes de descer.

Alexsandro abriu a porta, mas antes de sair, respirou fundo e anunciou:

— Saiba que estou a sua disposição para manter o reino, o seu reino, independente do que tenha ocorrido entre o senhor e Hector. Eu estou do seu lado.

— Alex...

— Sim? — O rapaz sorriu ainda de costas para o rei.

— Agradeço por sua fidelidade, lembra-me de teu pai. Foi a melhor coisa que ouvi até agora.

Alexsandro saiu sem dizer palavras.

***

— Hector? — a rainha adentrou ao quarto do filho — Como você está?

O rapaz olhava pela janela.

— É impossível falar com o rei.

— É só saber como falar.

— Saber como falar?! — Hector se virou — Ele só quer ouvir o que interessa para o reino dele! Qualquer contrariedade o faz ficar uma fera e ele não escuta nada além do que ele mesmo fala!

— E você está sendo igualzinho a ele.

— Não faça tal comparação, mãe... Eu jamais serei como ele.

— E o que fará?

— Com certeza não me casarei com a princesa de Tresapter.

— Filho...

— Eu já tomei essa decisão. — Hector olhou novamente para a janela — Farei o meu pedido de casamento hoje. Para a pessoa que eu amo.

— Hector, não cause uma guerra aqui dentro deste palácio!

— Alguém precisa dizer ao rei que a coroa não será eternamente dele.

— Hector!

— Mãe, eu já tomei a minha decisão, queira a senhora estar ao meu lado ou não.

— Eu sempre estarei ao seu lado. Só... Tome a melhor decisão.

Hector assentiu.

— E não esqueça que antes de Dalibor ser seu rei, ele é seu pai.

O rapaz olhou para o chão e suspirou.

— Hoje ele é só o meu rei.

***

Alexsandro passava pela porta do quarto de Hector e ouviu quando a rainha aumentou a voz como se o tivesse interpelando e isso causou curiosidade no rapaz, que ouviu o restante da conversa.

Ao descer as escadas, sua face era de satisfação.

***

— Lucas está a sua espera no salão. — Anunciou a rainha, mudando de assunto.

— Não acredito que aquele maluco já voltou da guerra! — Hector, por um momento, afastou seus pensamentos do rei.

Mira sorriu. O rapaz passou por ela, saindo do quarto eufórico. Ao sair do quarto, seu pai estava passando pelo corredor, os dois desviaram seus olhares. Mira foi para a janela e viu que uma jovem saía da carruagem e logo em seguida o rei de Tresapter.

— Isso não é bom... — A rainha engoliu a seco num suspiro pesado.