Rei dos Mares
1 Prólogo
Notas iniciais
Meus dentes tremem constantemente, aposto que os monstros horrendos conseguem ouvi-los de longe. Forço-os a pararem, mas isso só traz um gemido baixinho. É difícil parar de soluçar. O rosto escorrendo, as mãos cheias de sangue. Não posso, não consigo. Mas fico ali, imóvel dentro de buraco, enquanto vejo pela brecha os corpos de meu pai e minha mãe, jogados violentamente na entrada da pequena barraca. O sangue brilha ao luar. Grunhidos fantasmagóricos me assustam, o que me fazem tremer por inteiro, sem piscar, com os olhos arregalados.
Os sons param. Um silêncio absoluto se forma. Sem grunhidos, gritos, gemidos assustadores. O crepúsculo da manhã logo se acomoda entre as folhas das árvores. Olho novamente pela brecha acima de mim. Não há nada. Nada além de uma pilha dois corpos estirados, um em cima do outro.
Meu grito ultrapassa quilômetros de distância. Posso ouvir o bater de asas dos pássaros, que rapidamente voam fora das árvores. Gota por gota, as lágrimas percorrem meu rosto, que ao invés de corado, está pálido como neve. Meus olhos castanhos, agora estão molhados, com a visão distorcida de meus pais sem vida. Minha aparência nunca fora tão murcha assim. A gota pesada que escorre de minha face cai, como se soltasse um peso grande, depois de uma longa caminhada. Ajoelhado, com os braços apoiados no peito de meu pai, grito como nunca gritei antes. Choro como nunca chorei antes. Como nunca me esquecerei.
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